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Fotos: Divulgação

Plebe Rude no Quartel General do Exército em Brasília

ção de amor”, orgulha-se. O músico é, certamente, um dos líderes mais lúcidos da turma brasiliense dos anos 1980. Como ele mesmo revela: “Sou o único da minha geração que não fumou maconha, então, eu lembro tudo. Sou o caretão da galera!”. Seabra fala com propriedade e impressionante riqueza de detalhes sobre os 50 anos vividos por ele entre Brasil, Estados Unidos e Europa. Lembra, por exemplo, que a internet da época eram os malotes diplomáticos. Traziam fitas e livros do exterior para os brasilienses. O que tornara verdade momentos como este: “Certeza que eu era o primeiro cara da América Latina a ter o disco do Depeche Mode uma semana depois dele ser lançado na Inglaterra, em 1981. Isso estava aqui, em Brasília; bem antes de chegar ao Rio e a São Paulo”, conta. O bate-papo com o  rock star  foi no estúdio, em sua residência, no Lago Norte. Inevitavelmente, a poeira e a típica desordem de construção estavam por lá. Mas, logo a atenção é desviada para os inúmeros recortes de jornais antigos emoldurados em quadros – raridades como a notícia do show em Patos de Minas, onde Plebe Rude e Legião Urbana foram presos por causa das músicas, mas liberados em seguida, temendo que fossem filhos de políticos. E ainda troféus e prêmios – Grande Prêmio do Cinema Brasileiro com o filme Faroeste Caboclo pela melhor trilha sonora em 2014 – toneladas de amplificadores, portas de aço, quatro baterias e 30 guitarras. A Plebe surgiu em 1981, em meio à censura. Imagine viver a ditadura militar na Capital do País, recém-construída? A banda pertencia à moçada da Colina, cujos integrantes incluíam Legião Urbana e Capital Inicial. “Tinha repressão no ar e tocávamos em qualquer

buraco apenas pelo prazer de fazer música”. Naquela época, “éramos nós contra um sistema opressor. O inimigo estava bem claro. Agora, é tudo tão extremo e perigoso. Ou é petralha ou é coxinha. Triste ver as pessoas simplificarem tanto”, lamenta. Em 1983, com apenas 15 anos de idade, os meninos da turminha de Brasília foram para São Paulo. Lá, descobriram o universo do rock nacional. Em 1987, viveram o auge o disco Nunca Fomos Tão Brasileiros. Com a morte do pai e a crise econômica, em 1993, Philippe acaba com a banda. Muda-se para Nova York. Passa a trabalhar com produção musical e liderar a nova banda Daybreak Gentlemen. Oito anos depois, recebe o convite para reunir a Plebe Rude e tocar em casa, no Festival Porão do Rock. No mesmo ano, gravam ao vivo o disco Enquanto a Trégua Não Vem, com produção de Herbert Vianna. Em 2009,  gravam de forma independente  Rachando Concreto: Ao Vivo em Brasília, que concorreu ao Grammy Latino  de  Melhor Álbum de Rock Brasileiro. Nessas idas e vindas, dois integrantes da primeira formação deixaram a Plebe – Gutje (bateria) e Jander Bilaphra (vocal e guitarra) – e deram lugar a Clemente Nascimento e Marcelo Capucci. Em 2010, a música The Wake é destaque na trilha sonora do filme Federal, com Selton Mello no elenco. Em suma,  são 25 discos, trilhas sonoras para o cinema, além da produção de bandas brasilienses, como Distintos Filhos, Phonopop e Bois de Gerião. Casado com a funcionária pública Fernanda Seabra, há 13 anos, a união gerou Philippe, agora com quatro anos e meio. É a criança quem consegue deixar o pai durão sem palavras e com os olhos marejados ao falar do futuro. “Eu sou otimista, sim. Queria que ele entendesse o legado do pai, de deixar o rastro positivo de ótimas canções e música com conteúdo”, afirma, com seu jeito sério, que oscila entre toques de humor e ironia sagaz. GPSBrasília « 59

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