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MÚSICA

PÓS PUNK MAN O EM PLENA ATIVIDADE, OR, CANTOR, COMPOSIT E GUITARRISTA PHILIPP ANOS SEABRA CELEBRA 50 O E MANTÉM O MESM QUE ESPÍRITO SUBVERSIVO POR MARIANA O CONSAGROUND O VELER NA

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ara os brasilienses dos anos 80, parece que foi ontem. Assistir aos shows do chamado rock garagem de uma galera punk da Capital da República, filha de diplomatas ou de funcionários públicos de alto escalão. Mal sabiam todos, eles inclusive, que a voz da contestação se estenderia pelos dias atuais. O auge já se foi, atropelado por funk e sertanejo universitário. Mas, desde então,  jamais se ouviu um brado tão eloquente de protesto e indignação frente aos fatos, especialmente políticos.  De lá para cá, o punk ficou new wave, que virou pop. Ainda assim, em shows Brasil afora, Philippe Seabra, o fundador da Plebe Rude, a banda preferida de Renato Russo, continua a entoar nos palcos seus gestos ainda anárquicos: “Não se rendam… Nem todo rock nacional se vendeu”, referindo-se às clássicas concessões do mercado.

Quando analisa a carreira e o sucesso, o músico costuma dizer que prefere ser relevante a ser popular. De fato, é. Ao longo das décadas discorridas do rock nacional, difícil algum músico não reverenciar suas letras tão vivas e pertinentes.  Intelectualmente curioso, Philippe é notório por abraçar discussões sobre filosofia ou política que sempre se desdobraram em arranjos e melodias. Esse foi o alimento para o punk, que originou hits como Até Quando Esperar?, Minha Renda, Proteção, Johnny vai à Guerra.  Duas vezes Philippe Seabra está de parabéns, em 2016. Completa 50 anos, sendo 35 de banda. Parece que foi outro dia, quando os meninos de Brasília juntaram-se para fazer um som e, meio sem querer, dividiram brutalmente a história do rock de Brasília. “A Plebe Rude vendeu meio milhão de cópias sem nunca ter feito uma can-

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Revista GPS Brasília 14  
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