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RETRANCA

ARTE É SENTIMENTO  Onika é uma menina que carrega expressões corporais para transmitir mensagens. Ela não tem boca, nem nariz e os olhos que possui não enxergam. Mas ela não busca a piedade das pessoas, pelo contrário, consegue expressar o que sente de forma universal. A história não é de uma garota real, mas da ilustração mais querida de Mikael Guedes de Oliveira. “Gosto de batizar meus personagens. A Onika me acompanha desde os 12 anos de idade”, compartilha. 

Quando pergunto o motivo dela ser alguém sem tantos sentidos, Mikael apressa-se para responder. “Calma. Ela não é uma coitadinha. É cega por não analisar a estética de ninguém. Não tem nariz para não precisar distinguir odor de aroma,  seja de um mendigo ou de uma madame. Para ela,  ambos são iguais.  E  não tem boca por não precisar falar o que deseja, e, sim, conquistar por meio da maneira que se expressa”, explica.  Aos 23 anos, ele trancou a faculdade de Arquitetura para se dedicar integralmente ao desenho. “Sou privilegiado em fazer parte do mercado de Brasília e ser reconhecido por isso. O preconceito ainda existe, mas ele serve de engrenagem para mim”, confessa.  Omik, como é conhecido nas redes sociais, já ultrapassou as fronteiras do Planalto Central em parceria com o artista Sebá Tapajós. O projeto faz parte da modalidade Streetriver, que surgiu em 2012, na região Norte do País. A ideia é levar a arte do grafite aos barcos e casas das comunidades ribeirinhas. Em sua listinha de inspirações e referências, Mikael diz que a figura feminina, os animais e a natureza estão sempre presentes em seus desenhos e ressalta a importância do trabalho da artista polonesa Natalia Rack e do grafiteiro Aryz.  Um dos seus trabalhos mais recentes é a ilustração no conhecido Beco da Codorna, rua cultural no centro de Goiânia. Além da beleza, os desenhos do ilustrador possuem contextos que trazem para o debate questões sociais, políticas e sobre a existência humana. A vida refletida em arte.  Instagram: @mikaelomik

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Revista GPS Brasília 14