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Fotos: Diego Bresani

RETRANCA

Hugo e Juliano Cazarré Boleros

Hugo e Antonio Abujamra 7x rodas

Outro tópico que rendeu muito assunto surgiu de uma pergunta simples: “O senhor já foi ou é casado?”. A resposta começou pelo “senhor”. O entrevistado pediu à repórter que não usasse esse pronome de tratamento. “O senhor está no céu”, retrucou. “Como prefere ser chamado?”, questionei. “Hugo está bom”. “Ok!”, concordei. Na sequência, revela ter vivido com algumas pessoas, mas casar-se nunca. Classifica casamento como as relações que viraram amizades eternas ao longo dos seus 77 anos. Daí em diante, o teatrólogo faz um belo discurso sobre “engavetar-se”. A palavra, no sentido utilizado pelo artista, define-se como inclinar-se sexualmente para um ou outro lado: “Eu jamais me engavetei. Não consegui dizer se sou homo ou heterossexual. Nunca me impus regras ou repressão. Sempre acreditei e vivia o que significava o amor ou a paixão naquele momento”. 

DRAMATURGIA Voltando ao assunto do teatro, naquela manhã foi possível perceber uma melancolia no olhar do diretor ao falar sobre o seu maior sonho para o teatro da Capital. Ele, realmente, gostaria que as pessoas acreditassem na existência

do teatro brasiliense. De que os artistas não precisassem migrar para Rio de Janeiro ou São Paulo. “A única coisa que eu invejo como os companheiros do Grupo Galpão (companhia de teatro mineira originária do teatro de rua, fundada em 1982 e ainda em atividade) foi a possibilidade que tiveram de ficar 30 anos com o mesmo grupo. As pessoas sonham em sair de Brasília. Eu sonho em ficar aqui. Trabalho para essa realidade. Se eu tivesse o mesmo elenco que eu tive há duas décadas, teríamos um avanço impressionante.”  Enquanto isso, torce pelo teatro brasiliense firmar-se no circuito. Orgulha-se de grupos como Setebelos, G7 e Melhores do Mundo, pois todos, em algum momento de suas trajetórias, tiveram a oportunidade de ser orientados por Hugo.

LAR, DOCE LAR O apartamento do artista na Colina é o paraíso para ele. Apesar do movimento das quadras do Eixo Norte, considera morar no conjunto de prédios habitacionais da UnB como se estivesse sozinho em uma fazenda. “Acho que é a única maneira, para mim, de viver sozinho. O que não quer dizer que eu sou infeliz quando vivo com outra pessoa. Eu sou tremendamente feliz, sempre”, conta.

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Revista GPS Brasília 14  
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