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PERSONALIDADE Ainda no Uruguai, o teatrólogo iniciou a faculdade de Medicina, trocou para Odontologia, especializou-se em próteses dentárias e chegou a exercer o ofício na cidade natal. Não demorou muito, mudou-se para Montevidéu e na cidade se encontrou ao fazer o que sempre desejou a vida inteira: o teatro. “Porque eu sou louco e apaixonado por tudo que se move e é vivo”, emociona-se ao afirmar isso. A risada de Hugo Rodas é alta, forte e sincera. Ele diz algo com o semblante sério, mas, de repente, solta a maior gargalhada. Impossível não rir junto. Por outro lado, o artista revela ter sofrido muito. Por ser absolutamente extremo: “Meu Deus do céu! Sai de perto. Até eu saía de perto de mim (risos)”, brinca. Felizmente, agora “eu não me aflijo nunca. Jamais. Quando cheguei a Brasília, passei a dominar meu lado negativo e ao mesmo tempo deixá-lo aflorar no trabalho para manter a intensidade”.

Diego Bresani

Não uma autobiografia, por considerar pretensão absoluta tal feito, e, sim, contos que narrem de forma descontraída suas histórias mais saborosas. Reserva outra parte do tempo, atendendo convites para avaliar bancas acadêmicas. Sente-se útil ao fazer algo realmente bom ao colaborar com o trabalho da nova geração. Hugo é natural de Juan Lacaze – cidade com menos de 13 mil habitantes ao Sul do Uruguai –, porém, é tão apaixonado pelo Distrito Federal que seus olhos brilham quando fala sobre o assunto. Ao elogiar a terra que o acolheu, o dramaturgo também lamenta por aquela que poderia ser um exemplo de tudo e manter-se com um paraíso eterno. “E a culpa de Brasília estar caótica é minha. Se é para arrumar um culpado, sempre o primeiro culpado é você, porque você deixou, preferiu omitir-se. Você vive em um paraíso e não o aproveita direito. Precisamos nos respeitar mais. Ninguém pode ser ignorante hoje, só é ignorante quem quer”, analisa.

7x rodas

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Revista GPS Brasília 14  
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