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a Oscar Niemeyer, porque assim o antropólogo teria mais chances de interferir e transformar o seu sonho em concreto. Atualmente, o prédio abriga todo o acervo do antropólogo e tem um anfiteatro dedicado à vivência, que para seu criador é “um encontro perfeito entre o sentimento e a razão”. Para Frederico Flósculo, Darcy estava totalmente certo em sua proposta: o Beijódromo como uma sugestão de mais espaços para os jovens expressarem seu amor, de sua intensidade – um lugar para beijar. “Os campi universitários devem ter muitos espaços para a juventude, para seu encontro, para os estudos, para as festas, para as danças, para as novas artes, para sua autoafirmação”, diz Flósculo.  

A UNIVERSIDADE QUE PRODUZ ARTE

Gilson Fernandes Queiroz, 58 anos, proprietário da banca que leva seu nome no ICC Sul, desde 1970

eu fazia parte da agenda ambiental da UnB e havia solicitado uma vistoria do Corpo de Bombeiros que me foi negada”, denuncia. Ele afirma que há taxas de manutenção e que estes problemas foram se acumulando durante as gestões.

A UNB DE DARCY RIBEIRO A juventude predomina dentro da comunidade universitária e deve dar aos jovens um espaço repleto de boas experiências. O antropólogo Darcy Ribeiro tinha uma visão muito especial do que pretendia entregar aos mais novos quando idealizou sua última obra no campus, que carrega o seu nome. O Beijódromo, que, apesar de ter sido inaugurado em 2010, teve sua idealização em 1996, em uma reunião entre Darcy e o Lelé. Em entrevista à UnB Agência, o arquiteto contou que Darcy o escolheu para fazer o projeto do memorial, e não

E a universidade cumpre com o seu papel em promover cultura, convívio e bem-estar. Os destaques vão para o Festival Universitário de Música Candanga da UnB (FINCA), que movimenta a produção musical cultural da juventude brasiliense desde 1999. Outro projeto com o mesmo ano de criação, o Tubo de Ensaios, acontece quando o pessoal das Artes Cênicas realiza um misto de festa e galeria de arte, em que os convidados caminham e se deparam com performances inusitadas dos alunos. Não podemos esquecer os vários corais da UnB, que, a partir de 1982, dão oportunidades para as pessoas sem nenhum conhecimento musical aprender a cantar e presenteia o público com belas apresentações. Entretanto, nem tudo é lindo para quem trabalha dentro da instituição. Crítico, Frederico Flósculo, que foi autor do Plano Diretor Físico do Campus Darcy Ribeiro (1998), diz que Darcy Ribeiro estava totalmente certo em suas convicções para a comunidade universitária. Mas aponta que, na contramão de seu principal idealizador, a universidade não dá abertura ao experimentalismo universitário e que pecou em não ter projetado um Centro de Convenções, para abrigar grandes eventos científicos nacionais e mundiais. Há hoje apenas o seu maior anfiteatro, o Auditório 2 Candangos. “Eu mesmo participei do planejamento de um grande centro de convenções, no final dos anos 1990, para abrigar reuniões de 40 a 60 mil pessoas, assim como em uma nova tentativa no final dos anos 2000. Mas todas foram frustradas pelas limitações administrativas da própria universidade”, encerra. GPSBrasília « 37

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Revista GPS Brasília 14  
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