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Cabe ressaltar que a passagem de Oscar Niemeyer pela UnB foi considerada amarga por ele e que a instituição poderia ser completamente diferente do que é hoje. “Foi uma agressão sem precedentes à minha obra”, disse ele em entrevista à imprensa três anos antes de sua morte.  O fato foi que, em 1965, houve uma demissão coletiva de 223 professores em protesto contra o regime militar. Oscar e sua equipe de arquitetos cariocas foram nesta leva.  E assim ficou no papel o seu principal projeto para a universidade: a Praça Maior, que, com quatro grandes prédios, foi idealizada para preencher o vazio entre o Minhocão e o Lago Paranoá. Sobrando para a história um conjunto de 11 croquis e 50 esboços que ficaram longe dos olhos do público por quase meio século. Para entender um pouco mais sobre o contexto vivido no Brasil anos atrás, o arquiteto, urbanista e professor da Faculdade de Arquitetura de Urbanismo (FAU) Frederico Flósculo comenta que foi somente no governo de Jânio Quadros que a criação da UnB foi levada com seriedade. “Mas com arriscadas manobras de bastidores, pois Darcy Ribeiro, ministro de Jânio e seu primeiro reitor, era visto como ‘perigoso marxista’ por parlamentares conservadores. JK e Israel Pinheiro tendiam a aceitar uma universidade católica, não laica, pelo medo de uma eterna fonte de protestos”, explica. Vale ressaltar que essa efervescência política, temor dos governantes da época, atravessou as décadas de regime militar e perduram até hoje. Com uma simples pesquisa de internet é possível ver vários protestos das mais diferentes naturezas, como ocupações na reitoria, passando manifestações de cunho social político ou simplesmente por melhores condições de estudo. Ainda sobre esta agitação política ideológica, há temas que dividem os próprios alunos. É o caso do policiamento ostensivo da Policia Militar. Desde 2015, a universidade conta com a ronda realizada por policiais em bicicletas. Entretanto, existia uma divisão quanto à presença

destes profissionais no Campus. Eles reclamavam por não ser condizente a realidade acadêmica. No entanto, após o assassinato de uma estudante em março deste ano, a comunidade se mobilizou, e com o apoio da reitoria o policiamento ostensivo voltou a atuar no campus.  Outra questão que incomoda os alunos é a necessidade de reforma de algumas instalações da universidade. O diretor da gestão de infraestrutura da UnB, André Luiz Aquere, responde que as reformas são programadas por meio de licitações.    Algumas delas deveriam ter sido iniciadas no ano passado, mas não ocorreram por conta da greve de 2015. Ele declara que este ano será realizado a reforma do laboratório do Instituto de Humanas, o centro de primatologia da fazenda no Park Way, bem como a sala dos professores da Saúde. Ainda nesse segundo semestre se darão inicio as licitações para a reforma do laboratório de Saúde e Tecnologia. Flósculo vai mais além à questão de problemas da gestão da universidade com sua manutenção predial. Inicialmente cita que a instituição sofre embargos ambientais por conta de questões de drenagem e impermeabilização do solo. Flósculo declara, como exemplo, a inundação do ICC Norte por conta da água da chuva em 2011. “Nessa época

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