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Aqui não podia, por exemplo, reunir cinco alunos”, relembra. E ele é só elogios ao sistema de cotas. Hoje, 55% dos alunos da universidade são oriundos dela. “Antigamente era muito elitista. Eu mesmo no início fui contra, mas hoje percebo a mudança que faz na vida das pessoas que nunca conseguiriam entrar aqui. E já penso como isso irá influenciar até mesmo na criação dos filhos deles”, analisa. Gilson, que guarda excelentes memórias das pessoas que passaram por ali em quatro décadas, reclama, hoje, da falta de diálogo da reitoria com o resto da universidade. De acordo com ele, a UnB podia ser mais orgânica, no sentido da integração e livre diálogo entre reitor, funcionários, professores e alunos, de igual maneira como queria Darcy Ribeiro, que Gilson conheceu. “Ele era uma pessoa muito dinâmica. Voltado para a universidade, queria a UnB aberta a todos. Ele tinha uma visão mais ampla da circunstância e era muito comunicativo, coerente e aberto ao diálogo”, afirma.

A VILA DOS PROFESSORES   E cravada dentro do  campus  Darcy Ribeiro há uma quadra residencial, a Colina. Ela nasceu junto com a UnB com os quatro primeiros prédios da chamada Colina Velha. Anos depois vieram mais seis da Colina Nova. Nessa quadra é onde moram os professores e funcionários da instituição, com exceção do último bloco construído, o K, que é habitado por estudantes em pós-graduação. No total, são 11 blocos. Alguns deles foram projetados pelo arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, e na época foram construídos com o objetivo de trazer e manter em Brasília professores de outras cidades. A primeira etapa da empreitada foi concluída na década de 1960 e a última em 1987.  Diferentemente de outra quadra qualquer na Asa Norte, a Colina lembra um “interiorzão”, por conta de seu silêncio, do Cerrado aberto e pouca circulação de pessoas. E assim como uma cidade pequena também conta com sua pracinha feita à sombra de uma jaqueira localizada no entorno do único comércio existente no local, uma banca de revistas. Os horários de grande movimento são à hora do almoço e à tardinha. A proprietária da banca, Francisca Carvalho de Maciel, 52 anos, também está lá desde sua construção. Com 26 anos de casa, ela diz que as pessoas começaram a se

reunir há 15 anos, quando um professor de Agronomia cansado de reivindicar por uma melhor sala de aula começou a dar aula ali mesmo. A partir deste pontapé inicial, outros professores começaram a organizar um almoço dominical animado com direito a churrasco e rodas de violão. Foi nessa época que eles providenciaram britas e fizeram os banquinhos com madeiras das árvores da própria Colina. Hoje, a comunidade se reúne ali para almoçar, bater um papo, bebendo água de coco antes de subirem para suas casas. Mas nem tudo são flores. Muitas reclamações sobre as unidades funcionais ganharam as redes sociais meses atrás. É que, com o tempo, a Colina tem perdido seu aconchego. Blocos construídos na década de 60, como o A, B e o C, encontram-se com a pintura desbotada, infiltrações, fios expostos e elevadores quebrados, mesmo após as taxas de ocupação terem aumentado 400% nos últimos dois anos.

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