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A Igrejinha no interior é ambientada com a obra do artista plástico Galeno

Por Marcella Oliveira Fotos Celso Junior

A

primeira missa na nova capital foi celebrada no dia 3 de maio de 1957, no ponto mais alto do Planalto Central. Uma cruz, um altar improvisado e cerca de 15 mil pessoas reunidas a céu aberto. Começava ali a história da fé brasiliense. Hoje, 56 anos depois, entre dezenas de igrejas espalhadas pela cidade, três delas se destacam: a simplicidade da Igrejinha, a arquitetura da Catedral e o encanto dos vitrais da Dom Bosco. A religião se mistura com a história de Brasília. Um convite à apreciação, à arte e à oração

Tão pequenina, tão simbólica Domingo em Brasília. Quem passa pela entrequadra 307/308 Sul parece estar em uma cidade pequena. Nos 60 lugares da Igreja Nossa Senhora de Fátima, a Igrejinha, não cabem os fieis, que sentam em cadeiras espalhadas pela calçada em volta do templo, embaixo das árvores. O clima é de vilarejo com as beatas, velas, cantoria e reza dos terços. A obra do arquiteto Oscar Niemeyer ficou pronta antes mesmo da capital, em 28 de junho de 1958, para pagar

uma promessa da primeira-dama Sarah Kubitschek. O formato da igreja lembra o chapéu de freiras. Do lado de fora, as cores azul e branco dos azulejos de Athos Bulcão dão charme à obra e representam a estrela da Natividade e a pomba do Espírito Santo. No interior, inicialmente, havia afrescos de Alfredo Volpi, que foram cobertos por tinta ainda na década de 1960. Um incêndio em 2009 destruiu parte da área externa e, com a reforma, no mesmo ano, o artista Francisco Galeno

foi convidado a pintar três painéis em seu interior. O resultado gerou polêmica. Ao centro, no altar, a imagem de Nossa Senhora de Fátima sem rosto não agradou a comunidade. A justificativa do artista, falecido ano passado, era de que cada pessoa criava a imagem particular do rosto da santa. O terço de carreteis no pescoço da virgem também foi criticado. No painel do lado esquerdo há o desenho com traços infantis de três crianças, que representam Lúcia, Jacinta e Francisco,

os três pastorinhos que viram Nossa Senhora pela primeira vez. E do outro lado desenhos que remetem à infância. Com os desenhos, a modernidade se misturou à tradição. Um dos pontos turísticos mais visitados de Brasília, a Igrejinha marca, no meio da Asa Sul, a história de fé da cidade. Funcionamento – aberta diariamente para visitação. Missas de terça a sábado, 6h30 e 18h30. Aos domingos, 7h, 9h, 11h, 18h e 19h30

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