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pati, um orgulho para Brasília A atriz recorda-se dos olhos vidrados das pessoas que viam o grupo Mapati se apresentando pela cidade. ‘“Elas paravam o que estavam fazendo para ver o teatro. Quando chovia, corríamos para as marquises para nos abrigar e depois, quando acabava a chuva, voltávamos ao que estávamos fazendo”, lembra. As apresentações do Mapati eram gratuitas. “Eu queria fazer aquilo para a comunidade. Em algumas apresentações ou ensaios, ti-

nha um lanche no final e todo mundo achava aquilo o máximo”, complementa a atriz. Quando Tereza era estudante de teatro, na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, não entendia porque faltavam lugares para as pessoas ensaiarem. “Na época, fui atrás do sonho de criar um espaço onde as pessoas pudessem fazer teatro. Após a perda precoce do meu filho, em 1983, mergulhei nesse projeto”, revelou. O sonho de Tereza se concretizou em uma casa na

707 Norte, onde funciona a companhia até hoje. A estrutura é toda em concreto armado. No térreo, um teatro para cerca de 150 pessoas onde são realizadas as apresentações dos alunos. Seis professores ministram as aulas de teatro, além de oficinas e colônia de férias para as crianças. Existem três salas onde os alunos aprendem expressão corporal, artes, interpretação e dança. A criatividade é o ponto principal das aulas. A professora Graice Santos Lima conta que seus alunos, de sete a 11 anos, são roteiristas. “Eles mesmos criam as histórias que vão apresentar no final do semestre”, explicou. Elas também trabalham a coordenação motora, concentração, dicção e presença de palco. “Alguns alunos começam a fazer teatro porque são tímidos e é uma forma de eles se socializarem, mas a maioria quer ser ator”, acrescenta Graice. No curso de Teatro voltado para os jovens, a partir dos 13 anos, os alunos trabalham textos de autores que são referência no meio da dramaturgia, como Oscar Wright, William Shakespeare, Chico Buarque e Paulo Pontes. Os jovens se apresentam no teatro da escola três vezes ao ano.

A história do Mapati Conhecido no Brasil pelos espetáculos infantis, o Mapati é uma companhia de teatro com características

peculiares. Seus espetáculos destacam a cultura brasileira. Clássicos como O Mágico de Oz ganharam toques brasileiros, como a personagem Doroty, que passou a se chamar Dorotéia, e, na Terra de Oz, as pessoas foram à fazenda e comeram mandioca. Jeff Moreira, professor da escola desde 1993, lembra com carinho alguns momentos que marcaram a história do teatro. “Nas comemorações dos 500 anos do Brasil, em Porto Seguro, nós estávamos lá em Cabrália, apresentando O Magico de Oz. O roteiro era do dramaturgo José Mapurunga. Nascido no Ceará, Mapurunga é um poeta e escritor de cordel. Também apresentamos uma peça adulta chamada Somos quem Somos, em que os personagens eram Tiradentes, Maria Louca, Barão de Mauá e Carlota Joaquina”, recorda. O espetáculo O Rapaz da Rabeca e a Moça da Camisinha também fez história. Inspirado no romance de Romeu e Julieta, José Mapurunga levou a peça de Shakespeare para o cordel. A atuação de Jeff Moreira e Tereza Padilha rendeu o prêmio de melhor ator e atriz no Festival de Teatro de São Paulo. A peça, que falava sobre um amor proibido, começou numa região de classe baixa do DF e ganhou o mundo. Foi para a África, com apresentações em Luanda, na Angola. “A estreia do espetáculo foi no Varjão. Naquela época, em 2004, a cidade não tinha nada. A rua era barro e


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