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Dramaturgia

Cena do filme Viagem a Portugal

uma para a outra. Seria uma pena ter que eleger apenas uma das profissões. Quando estou trabalhando como atriz, também trabalho minha voz de cantora e vice-versa. Neste ano, comemoramos os anos de Portugal no Brasil e Brasil em Portugal. Qual a importância desse intercâmbio? Penso que temos uma relação bastante privilegiada. Sou desses portugueses que sempre amaram o Brasil. Aqui a criatividade é extraordinária. A música, o cinema, o teatro. A escola de atores daqui me influenciou muito. Acho muito bacana que exista esse Ano de Brasil em Portugal. Mas acredito que na verdade sejam todos os anos. Certa vez, você disse que “Quanto mais o tempo passa, mais você se considera estrangeira. E menos nacionalista”. O que você quis quiser com essa afirmação? Acredito que o Planeta Terra é nosso. Não devemos nos limitar por territórios. Acho uma pena a gente se reduzir a um espaço geográ-

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Na peça Aos Nossos Filhos

fico, uma cidade, um bairro, um clube de futebol, quando, na verdade, o mundo é nosso. Não é que me considere estrangeira, é que não posso amar uma só pátria. Até porque fui criada em várias. Como diria Fernando Pessoa: “Minha pátria é minha língua”. No sentido de que minha pátria é aquilo com que me identifico. A bagagem cultural. Não um espaço desenhado do mapa. O que lhe encanta no Brasil? A diversidade, a forma como o Brasil acolheu tão bem tantas pátrias. Agora estou mais em contato com o Rio de Janeiro. E estou maravilhada como essa influência portuguesa. Com qual diretor ou ator brasileiro você gostaria de trabalhar? Nunca penso assim. Minha carreira foi repleta de surpresas. Trabalhei com pessoas que jamais imaginei. No Brasil, cheguei a fazer alguns filmes. Por exemplo, O Xangô de Baker Street (2001), de Miguel Faria Jr., em que vivi o papel de Sarah Bernhardt. Nele, tive a sorte de trabalhar

com Marco Nanini. Foi quando conheci Thalma de Freitas, uma das minhas melhores amigas brasileiras, com quem tenho vários projetos na música. E esse último trabalho com Laura Castro na peça Aos Nossos Filhos.

onde gravamos o filme Encontros com Jovens Poetas, sobre o Samuel Beckett. Também estou lançando meu novo disco Pássaros Eternos, meu terceiro álbum, o primeiro com canções autorais. E escrevendo um novo filme.

Qual sua relação com o País? Venho praticamente todos os anos na mostra de cinema de São Paulo, na qual já tive minha participação tanto como diretora quanto como atriz. Ganhei o prêmio da Mostra de São Paulo com o filme Capitães de Abril.

O que você pode adiantar desse novo filme? Ainda está muito no início. Ele traz a história de uma mulher, aos 40 anos, que sonha ter filhos. Enquanto seu marido, que já tem duas filhas de outro casamento, não quer mais. Ao mesmo tempo, tem um casal de homens que recorre à inseminação artificial. E, de certa forma, ela se desespera por eles conseguirem antes dela.

O que te trouxe pela primeira vez a Brasília? Foi o teatro francês. Quando tinha 20 anos, sonhava em vir ao Brasil. E já em uma das primeiras peças que fiz, tive a oportunidade de estar em uma turnê na América do Sul. E a primeira cidade a nos apresentar foi Brasília, no Teatro Nacional. Meu primeiro contato com o Brasil foi logo com Brasília. Quais são seus novos projetos? Antes de desembarcar no Brasil, estava no Canadá,

A Europa está em crise. Em tempos de crise, a arte é a primeira a ser afetada. Acredita que isso já está acontecendo? Muito. Já está afetando. Na Península Ibérica, tanto em Portugal quanto na Espanha, cancelaram a existência do Ministério da Cultura, mas, ao mesmo tempo, períodos de crise são períodos de grande criação.


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