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Há duas décadas a artista plástica Célia Estrela imprime em paredes e mesas a sua técnica despretensiosa, cheia de charme, que encanta e atrai cada vez mais adoradores de peças customizadas

Por Marina Macêdo Foto Celso Junior

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m mundo imaginário, de pinturas e criações. Onde flores brotam de porcelanas. Cerejeiras enfeitam pratos. E pássaros voam em xícaras. É assim que a artista plástica Célia Estrela colore as mesas de brasilienses. Desde pequena, Célia viveu no mundo das artes. Nascida em Ipameri, Goiás, ela era diferente das outras crianças. Enquanto as amigas brincavam de boneca, Célia pintava tecidos e isopor. Aos 11 anos, começou a pintar quadros. Aos 17 anos desembarcou na capital federal. Apesar do talento nas artes, a vida artística não foi a primeira opção de Célia. Ela formou-se em Economia pelo UniCeub, em 1984, e chegou a seguir a carreira no serviço público. Mas a arte sempre a acompanhou paralelamente. A reviravolta aconteceu em 1990, quando ela largou a carreira para viver de artes plásticas. Trocou os números pelos pincéis. “Nessa época, fui para Milão, na Itália, onde morei por um ano. Lá me apaixonei pela cultura mediterrânea”, revela a artista. De volta a Brasília, dedicou-se a pinturas em telas e porcelanas. Sua casa respira arte. Casada com o engenheiro,

matemático, físico e astrólogo Márcio Fracari desde 2001, transformou dois quartos do apartamento, na Asa Sul, em um grande ateliê. Na porta, um adesivo alerta: Eu amo arte. Com as paredes e quadros pintados pela própria artista, é possível encontrar uma mesa repleta de artigos de pintura. É lá que Célia passa horas dedicadas à arte. Uma estante reúne porcelanas de todas as estampas, empilhadas cuidadosamente com protetores. Super organizada, Estrela tem suas obras todas catalogadas. Autodidata, Célia é referência quando o assunto é pintura em porcelana. Desenvolveu sua própria técnica ao longo desses 20 anos. Por não gostar do brilho da matéria-prima, o primeiro passo é esponjar de branco e levar o prato ao forno, a uma temperatura de 800°C. Em seguida, com um lápis, faz os primeiros rabiscos e, com tinta, colore os detalhes. Conforme a complexidade, o desenho leva de 30 minutos a quatro horas para ser finalizado. E pode ir até quatro vezes ao forno. E os delicados traços na porcelana podem ganhar versões mais sofisticadas,

como pinceladas de ouro. A criatividade de Célia faz com que seu trabalho tenha mais de 1.500 modelos. Ela busca inspirações na natureza, nas flores, nos animais e nas estampas de tecidos. O talento nato fez com que Célia fosse convidada para dar aulas. Mas não aceitou. “No meio artístico, existem pessoas que estudaram a técnica e sabem tanto quanto eu. Eu aprendi sozinha, desenvolvi minha criatividade e não tem como eu passar minhas criações e inspirações”, ressalta a artista. Célia pinta diariamente um trabalho cheio de paixão. Mas ela conta que, aos 50 anos, precisa de sessões de massagens no corpo após excesso de movimento repetitivo. “Depois de 20 anos pintando porcelanas, hoje tenho dores. Como uma bailarina que vive de dança e tem de cuidar do seu corpo”, diz Célia. Viver de arte não é para qualquer um. Célia faz parte de um grupo seleto de artistas que desfruta desse privilégio. E conta que sobreviver no ramo é difícil, mas é possível. “É preciso ter uma rotina e trabalhar muito. Além de desenvolver produtos com preços acessíveis”, finaliza a artista.


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