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Agnes, da série Niños Barrocos

Pablo, da série Infantes

Por Marina Macêdo

O

bras impactantes. Que fascinam. Atemporais, harmonizando a tradição com a era digital. Assim são os quadros da talentosa Adriana Duque. Artista colombiana, 44 anos, ganhou notoriedade internacional por suas fotografias, que trazem uma dimensão alternativa à realidade. Em Brasília, sua produção artística é cada vez mais admirada. Colecionadores e iniciados no universo da arte se interessam por sua obra instigante e acompanham os passos de Adriana por onde ela vai. De passagem pelo Brasil, a artista concedeu, por videoconferência, entrevista exclusiva para a revista GPS|Brasília. Adriana estudou, ao longo de cinco anos, Artes Plásticas na Universidade de Caldas, na Colômbia. Em 2001, teve a oportunidade de fazer especialização em fotografia digital em Barcelona, na Espanha. Em suas viagens

pela Europa, visitou diversos museus e galerias, em busca de pinturas clássicas. No Sul da França, em Arles, assistiu ao Festival Internacional de Fotografia Europeia. “Foi com essa bagagem que tive certeza de que queria fazer fotografia”, lembra a artista. No mesmo ano, Adriana já anunciava, por meio de suas fotografias, a obsessão pela infância, como um período inacabado, e a atração pela fantasia. Sua intenção era agregar essas referências ao trabalho digital sob uma ótica pitoresca. “Acredito que meu trabalho tenha a influência do barroco e da pintura flamenga”, aponta. Em 2003, trouxe na série De Cuento en Cuento a interferência dos contos de fadas, como Branca de Neve e Alice no País das Maravilhas. Desde então, lançou as séries: Collectibles, Sagrada Família, Desórdenes Del Sueño, Niños Barrocos, Arquetipos Domésticos, Infates,

Íconos e Corte Sconta. Adriana participou de exposições coletivas em Nova York, nos Estados Unidos; São Domingos, na República Dominicana; Taipé, Norte da ilha de Taiwan; Tóquio, no Japão; Bolonha, na Itália; Bruxelas, na Bélgica; Madrid, na Espanha; e Ancara, na Turquia. Em setembro, a artista participará da conceituada Bienal de Imagens do Mundo, em Paris, que reúne obras de fotógrafos de todo o planeta. Sua relação com o Brasil é de proximidade. A artista esteve na Bienal de São Paulo, em 2011. Com grande aceitação do público brasileiro, Adriana pretende expor suas obras mais vezes no País. “Gostaria de levar minhas criações para o Rio de Janeiro e para Brasília. E também participar novamente de exposições na capital paulista”, revela Adriana. Inventiva, Adriana Duque revela como funciona seu

processo de criação. O primeiro passo é imaginar uma história. A partir daí, procura personagens, monta cenários e fotografa. A engrenagem conta ainda com manipulação digital. A artista destaca que suas obras não fazem parte do real, e sim do imaginário. “Não quero mostrar a fotografia como registro, e sim como a possibilidade de criar fantasias”, explica. Até o final deste semestre, Adriana Duque desembarca na capital federal a convite da curadora de arte Karla Osório. Da cidade, pretende levar inspirações para alguns de seus quadros da nova série inspirada em princesas. “Meu novo projeto é apresentar como meninas se veem nesse conceito”, revela. Sobre o desdobramento de sua arte, Adriana se mostra disposta a inovar e aceitar novos desafios. “Acredito que, no futuro, minha obra misturará pintura, fotografia e também vídeo”, finaliza.


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