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Hoje, vive-se muito a cultura do entretenimento, da euforia constante. Isso pode ser de certa forma um escapismo natural dessa geração midiática? A geração atual tem muito aquela coisa de viver o momento, de curtir como se não houvesse amanhã. É a tal FOMO (Fear of Missing Out), aquele medo de perder alguma coisa. Temos obrigação de ser magros, felizes, fitness, de ir em todos os eventos, de não repetir roupas. Uma série de regras completamente irreais. Eu acredito em pé no chão e em base familiar. Acho que é em casa que se define a personalidade e não no Instagram. Então é preciso sempre ter alguém para dizer: “Hello, a realidade é aqui”. Como lidar com o ser, o ter e o parecer? Na minha opinião é muito simples: seja o que você é. Tenha o que você pode. E pareça como você quiser. Ninguém tem nada a ver com isso. Só temos que ter cuidado para o ter e o parecer não serem maiores que o ser. Ih, gente, baixou a filósofa... Trabalho e lazer são a mesma coisa? Em que momento você relaxa, cessa, desconecta? Eu amo muito o meu trabalho. Eu costumo dizer que quase inventei isso tudo, pois acho difícil alguém trabalhar com tanto prazer. Eu dificilmente desconecto, mas não sofro por isso. Tenho uma vida normal. Não fico bitolado sem descansar o telefone. Eu olho e guardo. Tenho uma equipe muito competente, que me permite desligar quando eu precisar. Não sou refém da internet, ao contrário, ela é mesmo algo de que eu gosto. Consigo namorar, viajar, relaxar e ao mesmo tempo estar sempre online. Graças a Deus eu tenho esse talento (risos). O futuro a Deus pertence ou você é quem dá os rumos de sua vida? Eu acredito em ir à luta. Não adianta rezar e ficar no sofá. Você tem que ir atrás do seu futuro. E no caminho vá orando para Deus te ajudar. Não existe recompensa sem esforço. Isso é ilusão; ou “lava-jato”. Como pretende planejar seus próximos dez anos? Eu estou vivendo há 30 anos sem planos, mas tem muitas coisas que tenho vontade de fazer. Quero viajar. Quero escrever dramaturgia. Quero ir aos Grammys, ao MET Gala, ao Golden Globes. Quero escrever um livro. Quero ficar amigo da Beyoncé. Quero fazer um projeto social com mulheres trans. Enfim, espero em dez anos atingir algumas dessas metas.

We’re living in an entertainment age, an age of constant euphoria. Can this be, somehow, a way of escaping this media generation? This generation wants to live in the moment, to party like there’s no tomorrow. It’s what we call FOMO, Fear of Missing Out. We are under obligation to be thin, happy, fit, to go to all parties, to not repeat any outfit. A list of crazy rules. I believe in being grounded in reality, in strong families. I think one’s personality is built at home, not on Instagram. So sometimes we need someone to say: “Hello, reality is over here!” How do you deal with being, having and looking? In my opinion, the answer is simple: be true to who you are. Have what you can. Look however you want to. Nobody has anything to do with it. We just have to be careful so that having and looking are not more important than being. Ops, I went all philosophical all of a sudden... Work and leisure are the same? When do you relax, stop, take time to recharge? I love my job. I usually say that I came up with the idea of working, because I take so much pleasure in it. I hardly stop working, but this doesn’t bother me. I lead a normal life. I don’t stay near my phone 24/7. I look at it and put it away. I have a very competent team that allows me to disconnect when I need to. I’m not an Internet hostage, on the contrary, it’s something I enjoy. I’m able to date, travel, relax and at the same time stay online. Thank God I have this talent (laughing). The future belongs to God, or is it you who control your destiny? I believe in fighting for what you want. It’s no use praying and lying on the couch. You have to build your own future. And, meanwhile, pray to God for help. There’s no reward without effort. This is a lie. Or corruption. What are your plans for the next 10 years? I’ve been living for 30 years without plans, but there’s a lot of things that I want to do. I want to travel. I want to write plays. I want to go to the Grammys, the MET Gala, the Golden Globe. I want to write a book. I want to befriend Beyoncé. I want to manage a social project to help trans women. Anyway, I hope I achieve some of theses goals in the next 10 years.


Revista GPS Miami 03