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De lá pra cá, sua carreira só ascende. Ele deixou a redação do programa Caldeirão do Huck para voo solo. E este ano estreou na MTV com a versão brasileira do Ridículos, ao lado de Felipe Titto e Ellen Migrau. Mensalmente, ele passa dez dias em Miami gravando. Bruno é o dono de seu negócio e o gerencia ao lado de um sócio, uma assessoria de imprensa e uma assistente. “É uma empresa em crescimento, as demandas aumentam a cada dia, mas tudo passa por mim”, ele diz. Rotina não há. “Tenho pavor. Quando eu morava em Brasília e trabalhava em editora, tinha que ficar oito horas numa sala fechada, no computador, era uma morte lenta”, desabafa. “Graças a Deus, meu trabalho permite que eu viva do meu jeito”. Mas, administrando uma frente tão grande de comunicação, como criar um código de ética numa plataforma ainda sem lei? “Não dou notícia qualquer, não sou sensacionalista. Não causo dano à imagem de ninguém. Acredito que o desgaste e o carma que se cria fazendo isso não é positivo. É muito tênue a linha entre jornalismo de entretenimento e fofoca por fofoca”.  E o chapéu, hein? Qual a importância na vida do personagem Hugo Gloss. “É uma marca que comecei  a usar e as pessoas passaram a associar a  mim. Mas está longe de ser a minha identidade. Eu sou eu com ou sem o acessório”. Falando de Bruno, está correto quem arrisca que seu maior defeito é ansiedade. Natural…  “Eu vivo mesmo no tempo da internet. Pra mim tudo tem que ser rápido, não posso perder tempo à toa”. Mas sua virtude suplanta tal angústia. Ele tem bom-humor, é rápido, tem senso ético e ainda empatia. “Eu sempre tento me pôr no lugar dos outros para entendê-los. Eu sou o maior fã da liberdade, de cada um ser o que bem quiser, respeitando o direito do outro”. Se for para falar de coisa boa e ruim, ele já emenda: “Não coleciono tristezas, só alegrias, como minha sobrinha Lorena de um ano, que veio iluminar minha vida após a morte dos meus avós”. Você tem ido com frequência aos Estados Unidos. Qual sua relação com Miami, Los Angeles e Nova York?  A primeira vez que fui aos Estados Unidos foi pra Nova York e foi amor à primeira vista. Eu queria ficar lá para sempre. Fiquei chocado com o tanto de gente diferente, no quão independente você fica quando anda naquelas ruas. Ninguém te olha. É cada um por si e NY por todos. Já Miami foi engraçado – a primeira vez que fui à Barra da Tijuca, no fim dos anos 90, eu olhei e falei: “Nossa, parece Miami”. Só que eu nunca tinha ido a Miami. Só tinha visto por vídeos e fotos. Acabei que me mudei para Barra e só fui a Miami bem depois. Foi como estar em casa. Los Angeles era meu sonho conhecer e a primeira vez que fui fiquei meio decepcionado, é uma cidade mais exclusiva, as coisas não estão a olhos vistos, você tem que ir conquistando. Em LA, todo mundo é “alguém”, diferentemente de NY em que todo mundo é “ninguém”. E de Miami, onde não importa quem você é, desde que esteja disposto a ferver. Los Angeles tem um Q de Brasília. Me sinto em casa.

Since then, his career has skyrocketed. He left Caldeirão do Huck’s writer’s room to fly solo. This year, he made his debut on MTV with the Brazilian version of Ridículos, next to Felipe Titto and Ellen Migrau. Every month, he spends 10 days in Miami recording the show. Bruno is the owner of his own brand, which he manages with the help of a business partner, a press agent and an assistant. “It’s a growing business, the demands increase by the day, but everything goes through me,” he says. There’s no routine. “I hate it. When I lived in Brasilia I worked in publishing, and I had to sit inside a room for 8 hours, in front of the computer, dying slowly,” he complains. “Thanks God now I have job that allows me to live how I want.” But, while running such a big communication business, how can one create an ethical code in a lawless platform? “I don’t write about everything, I’m not a tabloid journalist. I don’t harm anyone’s reputation. I believe that the worries and karma you create while doing so are not positive. The line between entertainment journalism and gossip is very thin.”

And what about his hat? What is its relevance in the life of Hugo Gloss, your character? “It’s my trademark: I started to wear it and people associated it with me. But it’s far from being myself. I’m myself, hat or no hat.” Speaking of Bruno, it’s safe to say that his greatest flaw is being anxious. After all, it’s only natural... “I live on internet time. For me everything has to be quick, I can’t wast my time.” But his virtues far exceed his anguish. He’s good-humoured and quick-minded, and he has an ethical code and empathy. “I always try to put myself in one’s place in order to understand them. I’m freedom’s biggest fan, everyone can be what they see fit, but it’s important to always respect each other.” When it comes to good and bad things, he says: “I don’t collect sorrows, only joys — like my niece Lorena, who’s one year old and that came to this world to light up my life after the passing of my grandparents.” You have been visiting the US a lot lately. What’s your relationship with Miami, Los Angeles and New York? The first place I visited in the US was New York, and it was love at first sight. I wanted to stay there forever. I was in awe at all the different people, at how independent one feels while walking through those streets. Nobody looks at you. It’s every man for himself and NY for all. My first experience with Miami was funny. The first time I visited Barra da Tijuca, in the late 90’s, I looked around and said: “Wow, this looks like Miami.” The thing is: I had never been to Miami. I had only seen the city through pictures and videos. I ended up moving to Barra, but I only visited Miami a few years later. It was like coming home. I always dreamed of going to Los Angeles and my first time there was a bit of a disappointment. It’s a very exclusive city. Things are not in plain sight. You have to look for them. In LA, everyone is “someone”, unlike NY, where everyone is “no one”. And in Miami, it doesn’t matter where you come from, as long as you’re willing to party. Los Angeles looks like Brasilia. I feel right at home.

Revista GPS Miami 03  
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