Issuu on Google+

O

ronco dos motores era o combustível para a imaginação de um jovem chamado Horacio Pagani. Nascido em Casilda, uma pequena cidade da Argentina, ele tinha mãe pintora e pai padeiro. Ao crescer, não desfrutou das regalias comuns aos astros da indústria automobilística, mas isso não foi problema. O garoto estava determinado a criar suas próprias máquinas e, entre rabiscos e protótipos de madeira, nascia um gênio que revolucionou o setor. Acostumado a dar vida aos seus sonhos infantis, o tempo proporcionou a Pagani a destreza de um artesão, característica que foi fundamental no desenvolvimento de sua carreira. Seu grande ídolo, Leonardo da Vinci, dizia que arte e ciência podem andar de mãos dadas. Foi com esse lema que Horacio guiou seus estudos e se tornou um dos mais respeitados designers de superesportivos do mundo. Mesmo antes de terminar a faculdade, Horacio já havia projetado e construído vários veículos. Aos 15 anos, desenvolveu junto com amigos uma minimoto e, aos 17, transformou um Renault Dauphine em um modelo de Buggy feito de fibra de vidro. Não demorou para o jovem ficar famoso em sua cidade e começar a fabricar carrocerias e caçambas personalizadas para veículos comerciais. Tudo feito de forma autodidata. Sentindo a necessidade de aperfeiçoar seu trabalho, iniciou o curso de Desenho Industrial na Universidad Nacional de La Plata, em Buenos Aires. Formado em 1974, no ano seguinte era calouro de Engenharia Mecânica na Universidad Nacional de Rosario. Apesar do amor pelos estudos, ele nunca acreditou que apenas um diploma fosse o bastante. Ele entendia que a qualidade de seus produtos viria do autoconhecimento. Foi assim que passou a se interessar por arte e filosofia. Aos 23 anos, mesmo antes de finalizar sua segunda graduação, Horacio construiu um monoposto de Fórmula 2 que foi usado por alguns anos pela equipe da Renault. Ele teve a ajuda de Oreste Berta – responsável pelo Ford Maverick – que lhe mostrou pela primeira vez um carro de corrida. Mais uma vez, isso não foi problema. Ele encontrou nos manuais e nas pistas a inspiração para construir seu primeiro monoposto, com 70% das peças feitas à mão pelo próprio jovem Horacio. A parceria de Berta e Pagani lhe rendeu um contato que mudou a sua vida: o grande Juan Manuel Fangio.

Horacio Pagani com o pentacampeão argentino de Fórmula 1, Juan Manuel Fangio

The roar of engines was the fuel of the imagination of a young man named Horacio Pagani. Born in Casilda, a small town in Argentina, his mother was a painter and his father, a baker. After growing up, he did not enjoy the benefits that automotive industry stars usually have, but that was not a problem. The boy was determined to create their own machines, so among sketches and wood prototypes, a genius was born and revolutionized the industry. Used to give life to his childhood dreams, time has given to Pagani the skill of a craftsman, which was a fundamental tool for the development of his career. His great idol, Leonardo Da Vinci used to say that art and science can walk side by side. Having these words in mind, Pagani guided his studies and has become one of the most respected super sports cars designers of the world.

Even before finishing college, Pagani had already projected and built lots of vehicles. At age 15, he built a mini-motorcycle with his friends. At age 17, he turned a Renault Dauphine in a Buggy model made of fiberglass. It did not take so long until the young man become famous in his town and starting to make personalized car bodies and car backs for commercial vehicles. Everything made with self-educated knowledge. When he felt the need to perfect his work, he started to study Industrial Design at the Universidad Nacional de La Plata, in Buenos Aires. He graduated in 1974. In the year ahead he became a new Mechanical Engineering student at the Universidad Nacional de Rosario. Despite of his love for the books, he never believed only one degree was enough. He understood that the quality of his products would come from selfknowledge, and this is how he got interested in Art and Philosophy.

At age 23, even before finishing his second college degree, Pagani built a Formula 2 monoposto, which has been used for some years by Renault. He had help from Oreste Berta – responsible for Ford Maverick – who has shown him a race car for the first time. Pagani has found in the manuals and in the speedways the inspiration to build his first monoposto with 70% of its parts being handmade by the young Pagani himself. Berta and Pagani’s partnership gave the second a contact that has changed his life: the great Juan Manuel Fangio.

GPS-Miami « 21


Revista GPS Miami 03