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Diretora de Conteúdo Paula Santana Editora-chefe Marcella Oliveira Editora de Criação Chica Magalhães Fotografia Celso Junior e Luara Baggi Produção Executiva Karine Moreira Lima Pesquisa de Imagens Enaile Nunes Reportagem Ana Flávia Castro, Carolina Samorano, Larissa Duarte, Marina Adorno e Nathália Borgo Colaboradores Edinho Magalhães, Isadora Campos, Maria Thereza Laudares, Mário Rosa, Maurício Lima e Patrícia Justino Revisão Jorge Avelino de Souza Diretor Executivo Rafael Badra Diretor de Relacionamento Guilherme Siqueira Gerente Comercial Will Madson Contato Publicitário José Roberto Silva Tiragem 30 mil exemplares Circulação e Distribuição EDPRESS Transporte e Logística

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GPS|BRASÍLIA EDITORA LTDA. www.gpslifetime.com.br SÓCIOS-DIRETORES RAFAEL BADRA PAULA SANTANA GUILHERME SIQUEIRA Edifício Vega Luxury Design Offices, Setor Comercial Norte, quadra 1, sala 216 CEP: 70711-010 – Brasília-DF Tel.: (61) 3364-4512 | (61) 3963-9003

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EQUIPE

Chica Magalhães

Marcella Oliveira

Larissa Duarte

Luara Baggi

Celso Junior

Karine Moreira Lima

Marina Adorno

Enaile Nunes

COLABORADORES

Ana Flávia Castro

Carolina Samorano

Marina Cardozo

Mário Rosa

Nathália Borgo

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ANO 9 – Nº 27 – JUL-AGO-SET/2020

Trecho da canção Mais uma Vez, composta por Renato Russo e Flavio Venturini. Foto de Celso Junior

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ENSAIO

A cidade projetada pelo sol

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NO TERRENO DA OPORTUNIDADE

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A GRANDE JOGADA

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ARTIGO POR EDINHO MAGALHÃES

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ARTIGO POR VICTOR DE CÁSSIA MAGALHÃES

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Engenheiro Izidio Junior e sua gestão na Terracap

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Denise Hamú fala sobre a fratura que a Covid deixará

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PEQUENAS INOVAÇÕES, GRANDES IMPACTOS

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PROVA DE MESTRE

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GESTORES DA ÉTICA E DO CONHECIMENTO

ÍCONES POR ISADORA CAMPOS As jovens agentes sociais da cidade

A MONARQUIA NO LAGO SUL A nova casa do The Queen’s Place

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ARTESANATO NA SALA DE CIRURGIA Pedro Veras abre clínica de transplante capilar na capital

Márcia Abrahão, a primeira mulher reitora da UnB

A história do colégio Candanguinho

ARTIGO HOMEM FRÁGIL POR MÁRIO ROSA Planeta, vou viver em você imerso

Medidas para aliviar o caixa das empresas

Do Silício, o mentor de negócios Maurício Benvenutti

CONCORDÂNCIAS OU CONVERGÊNCIAS Com o psicólogo Luiz Hanns, da Casa do Saber

BRB e Flamengo se unem em banco digital Na pandemia: é preciso fazer mais, com menos

VULNERABILIDADE NO AR

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COLUNA NOVA, VIDA NORMAL A técnica LLIF é realizada pelo cirurgião Rodrigo Lima

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A VERSATILIDADE DO AGORA

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JACOPO CRIVELLI VISCONTI

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ARTE POR MAURÍCIO LIMA

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O MAESTRO DO MAM

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A LIBERDADE DO CONCRETO

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VIRTUAL

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A HUMANIZAÇÃO DA ARQUITETURA

Exposição drive-thru reconecta público e arte

O curador da próxima Bienal de São Paulo A ressignificação da arte na pandemia Cauê Alves celebra 72 anos do museu O centenário do artista Amilcar de Castro O movimento da integridade Como serão os projetos do futuro

102 ACOMODAR A REALIDADE

As casas herdadas do novo normal

106 AQUECER O CORPO E A ALMA

Lareiras ecológicas tornaram-se spot da casa

110 PROVOQUE-ME SE FOR CAPAZ

A assinatura extrovertida de Ingo Maurer

114 NON NOVA, SED NOVE

A relação que a moda está construindo com o universo tech

120 TETÊ COM ESTILO POR MARIA THEREZA LAUDARES

Vinho rosé, Dolce & Gabbana - preço sob consulta

A reinvenção da moda

126 ENTRE NÓS POR PATRÍCIA JUSTINO Uma wish list que é novidade

140 EXPLORA POR MARCELLA OLIVEIRA As dicas para refúgios brasileiros

142 POR UMA VIDA CONTEMPLATIVA Clássicos europeus para conhecer

144 TUDO CORRE PARA O MAR Paraísos high end no Caribe

146 SONHAR E RELAXAR ACORDADO O hotel Mandarin Oriental em Canouan

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No trânsito, dê sentido à vida.

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EDITORIAL

Paula Santana

Guilherme Siqueira Rafael Badra

À LUZ DA INTEIREZA

E

o mundo não se desfez. Mas ficou um vazio a preencher. Um cenário foi abruptamente transformado e uma avalanche de questionamentos nos soterrou. Meses se passaram, quantas teorias científicas, culturais, sociais, psíquicas foram debatidas. Independentemente das mazelas ou contentamentos adquiridos, a dialética que surge é: falamos de um novo normal ou de um novo eu? Naturalmente, passamos a nos reconhecer não somente pelo espelho, mas por dentro da gente. E percebemos que nem todo defeito pode ser facilmente corrigido como ocorre do lado de fora, quando nos embelezamos, vestindo uma roupa nova e nos maquiando, fazendo um procedimento estético, caprichando na malhação. Mas descobrimos também que para conseguir aquela quietude na alma em momentos como esses não há outro caminho a não ser iniciar a reforma interna. Da casa chamada coração. E se achávamos difícil conviver 24 horas com cônjuges, filhos, familiares... imagina conosco mesmos. Apatia, fobia, arritmia. Pandemia. Será que eu estou vivendo a crise certa? Mas a verdade é que na escuridão podemos ser nus, mesmo que temerosos. Mas o medo não é maior que a vida. A transparência vem da falta de luz. Onde os sentidos se aguçam, e o sentir, o ouvir, o tocar... passam a ser enaltecidos

nos detalhes. Hora de arrumar a casa... de concreto. Simplificar, ajeitar o que saiu do lugar. Como se cada movimento do mobiliário fosse um mover na nossa aventura do autodescobrimento. Continuidade. Esperança. Solidariedade. Compaixão. É disso que viemos falar nesta edição. Quanto menos performáticos formos, mais legítimos nos tornamos. Está claro. Esse é o único caminho para entendermos sem intermediários, e já de alma renovada, que o mundo só será diferente quando nós deixarmos de ser o vírus desta natureza que Deus nos ofertou. Especialmente com a nossa falta de humildade. Com resiliência, novas estratégias virão. Há muito debate sobre isso nas páginas a seguir. E o que nós te desejamos? Está estampado na capa, versada por Renato Russo. O sol, a luz. O amanhã... a única certeza que temos de quem jamais falhou conosco. E, dentre tantos poetas que se entorpeceram com a luminosidade da nossa capital, aguardamos o pós-presente – porque falar de futuro é muita audácia –, com a frase de nosso projetista, Lucio Costa: “O sonho foi menor que a realidade”. Sigamos com empatia na direção do sol. Paz e bem pra gente!

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ENSAIO

A CIDADE PROJETADA PELO SOL 18 « GPSLifetime

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ESSA PAISAGEM DE MUITA LARGURA, QUE O SOL GRANDE ALARGAVA. (Guimarães Rosa)

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A BRASÍLIA DA ESPERANÇA. SIM, AQUI NESTE DESERTO EXISTE A CERTEZA DE QUE MESMO NA MAIS PROFUNDA ESCURIDÃO SEMPRE HAVERÁ O RAIAR DE UM NOVO DIA. O ESCRITOR MARIO ROSA LIRICAMENTE SE DEBRUÇA NO ENSAIO SOLAR DE CELSO JUNIOR E NOS MOSTRA QUÃO SIGNIFICATIVA É A PRESENÇA DESTA ESTRELA NA MÍSTICA E PODEROSA CAPITAL DA REPÚBLICA POR MÁRIO ROSA FOTOS CELSO JUNIOR

SQS, SHIS, SBS PRA MIM É TUDO IGUAL SQN, SHIN, CLN VOU DAR UMA DESCIDA NA COMERCIAL (Plebe Rude)

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DE PONTUAL ROTINA, O SOL FAZ ROXIDÕES E ANIMAÇÕES EM VIDROS VISÕES VIDRAÇAS NUNCA IGUAL – AR DE SONHOS (Luis Turiba)

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Que me perdoem os historiadores... mas o maior arquiteto de Brasília não foi Oscar Niemeyer. A luz que iluminou todos os projetos arquitetônicos, que iluminou o próprio Niemeyer, que definiu a disposição dos principais monumentos, algumas de suas marcas primordiais, o próprio paisagismo da cidade, até mesmo sua cicatriz urbana mais exuberante, o frondoso Lago Paranoá? O Sol foi e é o maior arquiteto da capital da Esperança. Cidades não são feitas em lugares abstratos. São feitas em paisagens pré-definidas. O homem constrói as construções, mas as construções constroem o homem. E o traço da criação é movido pela ambiência. O sol é a grande presença de Brasília. Sua luz, seu nascente, seu poente, sua aridez, a secura que provoca, o calor abrasivo de seus dias escarlates, as noites polares de suas madrugadas desérticas. Assim como os maciços, as montanhas, definem a ideia de solidez, de horizonte, de um certo conservadorismo até de uma natureza imóvel e estática; da mesma maneira que o mar transmite a sensação de um “eterno ir e vir”, das ondas que batem no litoral dia e noite, todo o tempo e, assim, reverberam o coro da perpetuidade, de um eterno presente; assim como os rios por definição têm margens – e margens separam, isolam; dessa mesma forma o sol do cerrado, o sol de Brasília, diz-nos diz algo a cada dia. Sobretudo nesses tempos em que passamos/atravessamos/sobrevivemos/nos apavoramos/nos impressionamos com a pandemia do novo coronavírus, o sol está aí para nos lembrar: a capital da Esperança foi plantada num lugar onde o elemento principal nos lembra, a cada manhã, que tudo renasce novamente. Tudo renasce. A única certeza que temos é que haverá um dia seguinte e o sol irá brilhar, mesmo que aqui não estejamos. Ele lá estará. O sol. A raiar. O sol esculpiu Brasília de inúmeras formas. Nem vou falar das árvores do Cerrado, bailarinas que se contorcem num eterno grand battement com seus galhos e troco retesados, “falando” que esta é uma terra e este é um lugar onde a sobrevivência é deixar marcas que estão em tudo. Gosto muito de lembrar do arquiteto Sol ao mencionar um dos melhores livros de Brasília, que tive o privilégio de ler, Palácio do Planalto, Entre o Cristal e o Concreto. Feito por duas Graças, a Ramos e a Seligman. O livro me despertou para um aspecto que passa quase despercebido na arquitetura do poder em

...TODA ESQUADRIAS DO METAL-LUZ DOS MEIOS-DIAS, ARQUITETURA SE FAZIA: MAIS UM EDIFÍCIO SEM ENTROPIA, LITERALMENTE, SE CONSTRUÍA: UM EDIFÍCIO FILOSOFIA (João Cabral de Melo Neto)

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Brasília: os vidros da Esplanada dos Ministérios e, sobretudo, na Praça dos Três Poderes. Quem foi o arquiteto das fachadas transparentes dos palácios, do Congresso? Tecnicamente, vá lá, Niemeyer. Mas, mais profundamente, o Sol de Brasília, o Sol do Cerrado. Os vidros dos palácios, dos ministérios, do Congresso nunca foram mera ornamentação ou partido arquitetônico. Foram uma visão ideológica. Num lugar iluminado, os detentores do poder poderiam ser vistos pelos de fora. Os vidros representavam a ideia de transparência, um princípio hoje tão consolidado como ideal republicano, mas ainda não tão priorizado nos debates da época. Pois o sol de Brasília, pelas

pranchetas do arquiteto-criador, permitiu uma arquitetura em que a transparência fosse possível. A luz é o primeiro elemento para que se consiga ver. E basta vidros para se enxergar. O que mais me fascina nessa presença dos vidros na sede do poder é a monumental façanha de deslocar no longínquo Brasil do final dos anos 50 toneladas e toneladas de vidro de primeiríssima qualidade para o Planalto Central. Tudo isso sem estradas, tudo isso em nome de um ideal não apenas estético, mas ideológico, o da transparência. Ao lado da fotografia do Palácio do Planalto, encontra-se a publicidade dos vitrais Conrado Sorgenicht S.A., fornecedor de materiais para a obra. GPSLifetime « 23

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O anúncio diz que cinco mil metros quadrados de cristal foram utilizados no edifício − “proporcionando visibilidade sem distinção” −, embora tivessem discretíssimo matiz esverdeado e mais de trezentos metros quadrados de vidros − “o maior espelho fumê da América Latina −, foram empregados no Palácio, chamado de “vedete” da nova Capital, conta o livro de Graça Ramos com magníficas fotografias de Graça Seligman. Cinco mil metros quadrados de cristal só no Palácio do Planalto? E o da Alvorada? E o Supremo? E o Congresso? E todos os ministérios? E tudo isso por causa de um princípio, o da transparência, possível apenas num lugar onde tudo pode ser visto, graças ao elemento mais forte de nossa natureza, o sol. É bem verdade que os homens, bem, os homens... com o tempo foram tapando o que o sol podia mostrar. Películas, películas espelhadas, vidros fumês nas fachadas, cortinas, cortinas metálicas... e o que era para ser transparente para os de fora se tornou uma caixa fechada. Mas a culpa não é do sol, embora a insolação tenha sido apontada (com justos motivos, diga-se) como razão para que se criassem essas camadas de proteção solar, numa época em que a refrigeração de ambientes ainda era precária. O fato é que o sol está presente em tudo em Brasília. Graças a ele, a cidade tem seu lindo lago. Há algo de irracional quando lidamos com sóis. Primeiro, fizemos um lago. É porque fizemos um onde não existia lago algum que tivemos de fazer uma ponte, depois outra, depois outra. O homem, racional que é, não faria lago algum. E, portanto, ponte alguma. Mas quem é o homem perante o sol? Era preciso ter alguma umidade nesse lugar...cheio de sol. E assim fez-se o lago. E depois do lago, na terceira ponte, JK, o cartão postal contemporâneo da cidade. E o sol não arquiteta Brasília? “E quem irá dizer que não existe razão...” Por fim, foi o sol que definiu o paisagismo da cidade. A cidade era um tapete vermelho. Não os de Hollywood ou os das solenidades. Mas o inóspito tapete do barro seco ou de lama vermelha do Cerrado. Era preciso ter sombra. Porque o sol, sempre

ele, essa presença, ditava lá do alto o que deveríamos fazer aqui na terra. E precisávamos de sombra. E ninguém conhecia como funcionava o bioma do Cerrado. Então, plantaram árvores que, na década de 1970, subitamente desapareceram. Então, o DPJ − Departamento de Parques e Jardins − lançou uma épica e silenciosa aventura, uma entre tantas de Brasília: quatro milhões de árvores foram plantadas na capital. Tínhamos plantado não apenas árvores: tínhamos plantado sombra para nos proteger do sol, tínhamos plantado passarinhos para os magistrais concertos nas manhãs. No início dos anos 1980, quando a cidade ainda padecia as consequências do desastre de 1975/1976, começou-se o plantio de árvores frutíferas. Jaqueiras, mangueiras, abacateiras, jambeiros, sapotizeiros, pés de graviola, tamarindos foram plantados no Parque da Cidade, registra uma reportagem do Correio Braziliense. E esse conjunto de árvores acabou se tornando a moldura onde as estrelas do cerrado, as árvores nativas, entre eles Sua Excelência o Ipê, pudesse sentar no seu trono de soberano da vegetação. Gosto de pensar em Brasília como a cidade projetada pelo sol. Porque os raios solares se projetam sobre ela de uma forma tão rascante que determinam seu modo de ser, o convívio social, sua arquitetura. Brasília é uma imensidão vazia, entre outras coisas, porque os desertos são vazios. E o sol de Brasília tem um que de desértico. Assim como suas noites, aconchegantes, convidam para a conspiração ou para o romance no ambiente fechado. O sol, enquadrado na imensa tela azul celeste do cerrado, cria uma sensação ao mesmo tempo triste e otimista. Brasília é triste porque os desertos são tristes, solitários. E Brasília não é uma cidade para fora. É para dentro. Mas eis que Brasília é a “capital da Esperança”. Mas por que há um sentimento difuso de um certo otimismo que Brasília reflete? O sol. Ele nos ensina. As noites passam. A mais profunda escuridão pode acontecer. Mas sempre haverá o raiar de um novo dia. Bom dia, Brasília!

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MAS DA PRÓXIMA VEZ QUE EU FOR A BRASÍLIA EU TRAGO UMA FLOR DO CERRADO PRA VOCÊ (Caetano Veloso) GPSLifetime « 25

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nem tudo que é torto é errado veja as pernas do garrincha e as árvores do cerrado (Nicolas Behr)

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Céu de Brasília traço do arquiteto, gosto tanto dela assim (Djavan)

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cidade inventada? ah, inventa outra! (Nicolas Behr)

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ESTE GRANDE SILÊNCIO VISUAL QUE EU AMO UMA PRISÃO AO AR LIVRE (Clarice Lispector)

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ESTAMOS INDO DE VOLTA PRA CASA (Renato Russo)

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RETRANCA URBANIDADE

FINALIZAR PROJETOS SEM COMPLEMENTAÇÃO. VENDA, REGULARIZAÇÃO, OBRA. IZIDIO JUNIOR ASSUME A TERRACAP COM A MISSÃO DE REORDENAR A CAPITAL, QUE CLAMA POR SUAS PRIMEIRAS REFORMAS POR NATHÁLIA BORGO « FOTOS LUARA BAGGI

NO TERRENO DA OPORTUNIDADE E

le nunca falou sobre isso com ninguém, mas o tino para ocupar um cargo no governo é de sangue. O pai foi secretário de Saúde em Uberaba (MG), cidade onde Izidio Santos Junior foi criado desde os dois anos de idade até se formar em engenharia, aos 23 anos. O atual presidente da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) foi uma das apostas do governador Ibaneis Rocha,

que optou por montar um time de técnicos nas principais pastas que regem a capital federal. Apesar de já ter comandado a Secretaria de Estado de Obras e Infraestrutura desde o início do atual governo, o engenheiro, primeiramente, levou um susto, depois acatou o que ele chama de determinação, e não apenas um convite para o cargo. Com um sotaque ainda bem “mineirinho”, ele conta com orgulho sobre

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as origens de uma família formada pelo pai médico, uma mãe dedicada e mais quatro irmãos, hoje espalhados pelo Brasil. “Quando eu recebi esse convite para vir para o governo, tive muita resistência. O que me encorajou foi o fato do meu pai ter sido secretário. Isso me trouxe o ânimo que precisava para um desafio desses”, revelou. A construção civil foi o forte no início de tudo. Começou a carreira pelas construtoras Santa Tereza (1989-1992) e Emplavi (1992-1998). A partir daí, alçou voos maiores e independentes. Decidiu empreender e fundou a construtora Barsan Engenharia. Esse olhar fez com que ele entendesse Brasília como patrimônio, e patrimônios devem ser preservados para Izidio. “O contexto da construção de Brasília ainda faz todo o sentido. Temos que preservar ao máximo a ideia inicial, a concepção da cidade. É lógico que, em algumas situações, temos que nos adaptar aos tempos, mas isso deve ser equilibrado”, reflete. Uma adaptação que não foi muito difícil para a Terracap durante a pandemia. “A ação principal

desde o início da pandemia tem a ver com a geração de emprego e renda. Temos um diferencial para o Distrito Federal, que não existe em outros estados da Federação: os ativos, os lotes. A gente pode, de uma maneira eficiente, trazer recursos para investir em obras e gerar, com isso, emprego e renda, o que vai ser, infelizmente, a deficiência de todo o País pela chegada do coronavírus”, avalia o presidente. O objeto da Terracap é muito amplo. A partir de 1997, a Companhia Imobiliária de Brasília, criada pela Lei nº 5.861, de 12 de dezembro de 1972, passou a fomentar programas e projetos de apoio ao desenvolvimento econômico e social do DF. O Decreto nº 18.061/1997 e, posteriormente, a aprovação da Lei Distrital nº 4.586, de 13 de julho de 2011, criaram, então, a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal. Hoje, a agência atua em vários segmentos. A venda de lotes é um dos mais importantes, que gera os recursos necessários. Mas a atuação também se estende à regularização, concessões diárias, Parcerias Público Privadas com estudos avançados, entre outras. Ações GPSLifetime « 35

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Tudo é oportunidade. É assim que o presidente da Terracap nota todas as ações promovidas ou nas quais a pasta se envolve, mesmo as que parecem menores, mas que abrem um leque de possibilidades para finalizar projetos há décadas sem complementação.

Divulgação/Terracap

REVITALIZAÇÃO DA W3

que receberão o aporte de mais de R$ 500 milhões para melhorias em todo o DF e para a geração de mais de três mil empregos diretos e indiretos na gestão Izidio. “Estamos dando continuidade a algumas obras, como a de Vicente Pires e investindo em outros espaços, como o setor Bernardo Sayão. Além disso, bancamos a obra próxima ao conhecido setor de inflamáveis e o Lúcio Costa, bem como estamos investindo na troca de todo o pavimento da via Estrutural, que já está com processo em licitação”, enumera. Após dez anos de espera, o presidente da Terracap vai finalmente tirar do papel o projeto de drenagem do Plano Piloto a partir da Asa Norte, posteriormente rumo à quadra 710 e, em um terceiro momento, no trecho 11/12 da Asa Sul. “Queremos deixar toda essa região do Plano Piloto dotada de uma captação de águas adaptada ao que existe hoje. Porque a atual foi feita no início da construção de Brasília e já não suporta mais. A meta é começar as obras na Asa Norte ainda este ano e finalizar até 2021”, assegura.

Ainda à frente da Secretaria de Obras, foram viabilizadas junto aos comerciantes das quadras 511/512 sul algumas melhorias. “Eu tenho muito carinho por esse assunto. Isso não foi um projeto imposto por um governo para ser feito como ele quer. Foi realizado a quatro mãos. Tanto é que o maior ganho para os comerciantes, em termos de logística, não é nem a W3, é a W2. Organizamos o trânsito, levamos iluminação em LED, reorganizamos pontos de ônibus e estacionamentos”, comemora. A Terracap ainda vai investir recursos para finalizar todas as quadras da W3 Sul até o ano que vem. “Esses comerciantes têm uma contrapartida e vão revitalizar as suas fachadas. Tanto a iniciativa privada quanto o governo estão viabilizando novas operações na W3. Já temos novo supermercado, restaurante e outros comércios somente nessas duas quadras. Com as demais, estamos pleiteando um Na Hora e alguns bancos estão em processo para adotar um beco pelo programa Adote uma Praça. Um conjunto de avanços que vamos levar para que a W3 volte aos moldes que já seguiu um dia”, planeja.

SETOR NOROESTE Na via W9, principal ligação do Noroeste, a Terracap já está executando as obras. Foi preciso um acordo com tribos indígenas que habitavam na região e todos saíram ganhando. A agência construiu

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moradias provisórias para 16 famílias, mas vai dar a eles o Santuário dos Pajés, com as culturalmente conhecidas ocas indígenas, casas definitivas. Na mesma região, duas áreas importantes, da Companhia Energética de Brasília (CEB) e da Polícia Militar (PM), serão incorporadas ao patrimônio da Terracap para que a agência faça a expansão do Setor Noroeste. O projeto é embrionário, mas o presidente já está tocando a comercialização da área.

DESENVOLVE DF O antigo Pró-DF, Programa de Apoio ao Empreendimento, agora é Desenvolve DF. Uma mudança necessária para a segurança jurídica das empresas envolvidas com o programa. Devido aos entraves, boa parte não conseguiu sequer empreender. A ideia agora é alcançar as metas da proposta apresentada ao Desenvolve e garantir benefícios no valor do lote. “Com a nossa atuação junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico foi possível chegar a um denominador comum, para que as empresas possam executar o que planejaram. Queremos regularizar cerca de três mil empresas com o Desenvolve DF”, afirma Izidio.

PARCERIAS PÚBLICO PRIVADAS Além da concessão do Estádio Nacional, Ginásio Nilson Nelson e o Complexo Aquático Cláudio Coutinho para o consórcio Arena BSB, em junho de 2019, a Terracap tem na lista outros projetos importantes para a capital, como a concessão para exploração da área da Torre de TV Digital, que já está pronto para assinatura, mas precisou ser suspenso por conta da pandemia. Fugindo um pouco do Plano Piloto, a Avenida das Cidades, antiga Interbairros, será construída em uma extensão de 26 km, para melhorar o trânsito e levar desenvolvimento ao trajeto que começa no SOF Sul e vai até Ceilândia. “Essa PPP ficou um bom tempo parada por conta de uma linha de transmissão de Furnas e, este ano, conseguimos assinar um convênio com a empresa que permite o aterramento desse linhão. Foi um passo importante para que o projeto possa caminhar”, conta o presidente.

FÓRMULA 1 Ainda mais ambicioso e veloz, Izidio quer trazer também para Brasília a Fórmula 1. O que, segundo ele, é um sonho possível. A agência está promovendo pesquisa de preços com projetistas cadastrados na FIA, para que o projeto da pista adequada para o esporte seja elaborado. “Estamos em uma fase de conversas para acolher os preços desses projetos, para que a gente possa licitar e, futuramente, executar uma pista de Fórmula 1. A partir da pista, a gente passa a ter direito a pleitear a corrida. Ela sendo apta, abriga ainda outras categorias”, vislumbra o engenheiro.

BIOTIC Um fundo criado pelo Banco de Brasília (BRB) vai fazer a captação de recursos junto a empresas privadas para investir no parque tecnológico do DF, Biotic – empresa 100% da Terracap. Essa foi a maneira mais moderna e ágil para que o espaço vire realidade no terreno de 1 milhão m² da agência, próximo à Granja do Torto. Mas o espaço já funciona. Há um mês, a Terracap lançou o primeiro laboratório permanente 5G do Brasil no Biotic. É possível agendar uma visita para utilizar a tecnologia mais avançada, inclusive a realidade virtual. A partir de 2021, um leilão federal vai determinar a empresa responsável por gerir essa tecnologia e a oferta à população. O parque tem o selo Izidio de qualidade. “É fantástico. Eu aposto muito na Biotic”.

REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA Com ou sem pandemia, essa gestão garante ainda a maior regularização fundiária rural que já foi realizada no Brasil, em residências e comércios, além de igrejas e clubes. Segundo o presidente, há ainda um problema fundiário muito grande devido às desapropriações de áreas extensas na construção de Brasília, as fazendas que existiam na época. “Tudo que está em área passível de regularização, estamos encaminhando. Essa é uma discussão que leva décadas, mas, agora, avançamos para o fim, com o apoio, a visão estratégica e o conhecimento jurídico do governo, que agrega para tudo que decidimos internamente”, ressalta Izidio. GPSLifetime « 37

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RETRANCA NEGÓCIOS

A GRANDE JOGADA B

RB poderia facilmente significar “Bola na Rede Brasília”, já que o banco da capital federal tem empreendido esforços e dado goleadas no mercado financeiro. Recentemente, o Banco de Brasília (BRB) passou a valer mais de R$ 7 bilhões, seis a mais que em 2019. Um verdadeiro gol de placa. Se por um lado Brasília não tem tradição no futebol, foi por meio dele que o BRB chegou, usando termos futebolísticos, à Série A do Brasileirão. A parceria com o time do Flamengo elevou o valor do BRB, as ações do banco dispararam na Bolsa de Valores e, mais do que isso, criou um banco digital personalizado para a maior torcida de futebol do País. O projeto inédito faz parte do planejamento estratégico de expansão nacional do banco. “O lançamento do NaçãoBRBFla marca um novo momento do

NUM CRUZAMENTO ENTRE BRANDING E BUSINESS, O BRB ENTRA EM CAMPO NACIONAL, COM SEU PASSE VALORIZADO EM 500%. E TORNA-SE FAVORITO AO LANÇAR O BANCO DIGITAL NA DOBRADINHA COM A NAÇÃO RUBRO-NEGRA POR NATHÁLIA BORGO

Banco, fundamental para a diversificação dos seus negócios e para o posicionamento digital, cujo intuito gira em torno da sustentabilidade e da capacidade de competir da Instituição”, afirma o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A escolha do parceiro, por parte do BRB, foi estratégica. Claro que não há como negar que a cidade tem uma grande afinidade com o time carioca – com cerca de 55% da população do DF integrante da torcida rubro-negra – e lota o Estádio Mané Garrincha toda vez que o time joga por aqui, além do BRB já patrocinar o time de basquete do Flamengo. Mas associar um banco, que até então trabalhava apenas com órgãos públicos, ao maior time de futebol do Brasil e uma torcida com mais de 40 milhões de pessoas foi mais do que apenas estampar a logomarca na camisa oficial do Flamengo – diga-se de passagem, bem no peito.

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Presidente do Flamengo, Rodolfo Landim

Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa Fotos: Marcelo Cortes

Não é um somente o posicionamento de marca. A parceria proporcionará ao BRB, de imediato, um aumento no número de clientes ativos, uma vez que agora tem os direitos sobre a folha de pagamento do clube e preferência nas contratações do Flamengo para produtos bancários. Uma nova visão de business, associando um banco regional a um time de alcance nacional, com vantagens para os dois lados. O número significativo que envolve a nação do Flamengo – entre integrantes da folha e torcedores, que terão benefícios no banco – e pode ser responsável pelo crescimento do BRB em 500% em tão pouco tempo. No ano passado, a instituição valia R$ 1,2 bilhão. A receita operacional do Flamengo, de 2019, também é vantajosa. O time fechou o ano com a receita operacional recorde de R$ 939 milhões.

Somente com os sócios-torcedores, o time lucrou R$ 2,21 milhões ao longo do último ano. O acordo terá duração de 36 meses, prorrogáveis para mais dois anos, permitindo ainda a criação de uma empresa no futuro. Serão R$ 32 milhões por ano ao Flamengo pelo direito de exploração dos negócios, envolvendo a torcida – quase o dobro do que o time recebia de seu patrocinador anterior, o mineiro BS2. Já o BRB promete continuar ampliando a oferta de vantagens aos brasilienses, desde a geração de créditos a produtos e serviços diferenciados. Bandeira no bolso O preto e o vermelho, cores típicas do Flamengo, tomam conta de toda a identidade visual do banco digital. Se em campo o BRB estará estampado no uniforme do time, nos cartões pré-pagos e de débito quem vai tomar conta é símbolo do time carioca. Com o novo banco digital é possível abrir uma conta online e aderir a serviços como seguros e comercialização de cartões, e ainda um programa de relacionamento e experiências exclusivas. O aplicativo da NaçãoBRBFla está disponível para IOS e Android desde o final de julho. Na página principal, cartões para rendas variadas. Benefícios do Internacional Flamengo, para renda mínima de R$ 1.050; Gold Flamengo, para quem ganha até R$ 2.500; Platinum Flamengo, para renda mínima de R$ 4.900 e o Black Flamengo, para valores de renda acima de R$ 10 mil; todos com descontos, isenções, entre outras vantagens. A novidade dá direito a cashback, produtos oficiais, troca de compras em pontos, viagens, experiências exclusivas e outros benefícios mais ligados ao futebol. Em breve, ingressos, descontos na mensalidade sócio-torcedor, passeio pelo Ninho do Urubu e viagens para ver os jogos de perto. @brb_bancodebrasilia @nacaobrbfla

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ARTIGO EDINHO MAGALHÃES

Jornalista e advogado, atua como consultor parlamentar no Congresso Nacional – edinho.assessoria@gmail.com

POLÍTICA NA PANDEMIA: É PRECISO FAZER MAIS, COM MENOS

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e algo aconteceu de bom nesse período de pandemia, diria que foi a continuidade dos trabalhos do Poder Legislativo, tanto do Congresso Nacional como da Câmara Distrital. Tratam-se das sessões virtuais, que nos últimos quatro meses vêm possibilitando votações à distância de matérias importantes à população. O trabalho está sendo necessário para que se regule e aprovem medidas que combatam os efeitos da pandemia na saúde e se evite um pandemônio na economia. Como os salários não estão suspensos, nada mais justo que suas Excelências continuem trabalhando. E esse trabalho rendeu frutos: além de pautas importantes aprovadas, o formato virtual gerou economia de dinheiro público, ao menos no Congresso Nacional. Enquanto nos decepcionamos com as notícias na imprensa local sobre a Câmara Distrital (planos de saúde para ex-parlamentares, gastos exorbitantes e contratos milionários), os dados disponibilizados pelo portal “transparência” do site da Câmara Federal, por outro lado, revelam que os gastos com a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar despencaram. Durante a pandemia, os parlamentares federais utilizaram apenas metade do que gastaram no mesmo período do ano anterior, sem a pandemia. A média da economia foi de 48%, com os gastos caindo de R$ 20 milhões para R$ 10,3 milhões. Resta lembrar que os valores economizados se refletiram justamente porque suas Excelências não estão vindo à Brasília para não haver aglomerações de pessoas (funcionários, assessores, jornalistas e visitantes) durante a pandemia no Congresso. Então, apesar de ser um dado positivo, não teria como o resultado ser diferente...

Todavia é sempre bom constatar o que todos já sabem: que nossos Congressistas conseguem fazer “mais com menos”. Para se ter idéia da economia, destacamos os seguintes itens: combustíveis (62%); serviços postais (73%); traslados e estacionamentos (76%); alimentação (88%); hospedagem (96%); e passagens aéreas (99%). E é possível fazer ainda mais. O “Cotão” é um valor mensal que a Câmara disponibiliza para os deputados, cujos valores variam de acordo com a região do país em relação à distância da Capital Federal, que vai de R$ 30 mil a R$ 45 mil, pagos como “verbas indenizatórias”. Não é a verba para contratar pessoal. O presidente do Congresso Nacional estima que seja possível iniciar um retorno gradual de votações presenciais ainda este mês, mas apenas para as indicações de autoridades (corpo diplomático, conselhos nacionais e membros de agências reguladoras) e, mesmo assim, com “totens” de votação em diversos pontos do Congresso, incluindo até uma espécie de “drive thru”, para evitar aglomeração nos plenários da Casa. Não se sabe ao certo se as sessões presenciais ainda acontecerão este ano, pois, além da pandemia que força o distanciamento social, ainda teremos eleições municipais em novembro, que forçam um já tradicional “distanciamento dos políticos de Brasília”. Ideal mesmo é que, passada a pandemia na saúde, possamos continuar lutando contra um pandemônio na economia, com suas Excelências dispostas a trabalhar em Brasília fazendo cada vez mais com menos. Inclusive as que atuam na Câmara Distrital. O contribuinte agradece!

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ARTIGO VICTOR DE CÁSSIA MAGALHÃES

Coordenador contencioso trabalhista do Nelson Wilians & Advogados Associados

MEDIDAS PARA ALIVIAR O CAIXA DAS EMPRESAS EM TEMPOS DE CRISE C

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niciada a execução trabalhista, nos termos do artigo 880 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), o empregador detém o exíguo prazo de 48 horas para pagar a condenação em dinheiro ou para nomear algum bem para garantia do juízo, sob pena de sofrer penhora em seu patrimônio. A Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), por sua vez, alterou a redação do artigo 882 da CLT e autorizou a garantia da execução por meio de um seguro judicial, observada a ordem preferencial disposta no artigo 835 do Código de Processo Civil (CPC), aplicado de forma subsidiária na Justiça do Trabalho. Ocorre que os artigos 7º e 8º do Ato Conjunto nº 1, de 16/10/2019, dos órgãos superiores da Justiça do Trabalho (TST/CSJT/CGJT), vedaram a utilização do seguro garantia e da carta fiança para substituir os valores já depositados pelas empresas para pagamento do depósito recursal ou penhorados nas execuções trabalhistas em curso. Por essa razão, o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SINDITELEBRASIL) apresentou Pedido de Controle Administrativo (PCA nº 000982009.2019.2.00.0000) perante o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), buscando a anulação dos aludidos artigos 7º e 8º do Ato Conjunto, uma vez que, além de fe-

rir o princípio da legalidade, o Ato Conjunto afrontou a redação dos artigos 882 e 899, § 11, da CLT. O Plenário do CNJ, reconhecendo a violação das normas, aprovou, por maioria, no último dia 27/3/2020, a possibilidade de o empregador substituir os depósitos recursais e os valores já penhorados na execução trabalhista pelo seguro garantia ou pela fiança bancária. No julgamento em questão, o Conselheiro Mario Guerreiro, que já havia concedido a liminar possibilitando a substituição dos depósitos recursais pelo seguro garantia, manteve a suspensão dos artigos 7º e 8º do Ato Conjunto nº 1 do TST/CSJT/CGJT de 2019, citando como fundamento a previsão do artigo 835 do CPC, que diz que, para fins de substituição de penhora, a fiança bancária e o seguro garantia se equiparam ao dinheiro, em adequação ao artigo 899, § 11, da CLT. Diante do exposto, as empresas poderão buscar a substituição dos valores que já foram depositados nas execuções trabalhistas, bem como dos valores penhorados decorrentes de medidas judiciais, além de depósitos recursais trabalhistas em dinheiro, pelo seguro garantia ou pela fiança bancária. A referida medida poderá, sem dúvidas, aliviar o caixa das empresas que amargam os efeitos negativos da histórica crise causada pela Covid-19.

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Foto: Acervo pessoal

EMPREENDER

PEQUENAS INOVAÇÕES, GRANDES IMPACTOS

EMPRESÁRIO, INVISTA EM PESSOAS. SÓ DEPOIS PENSE EM TECNOLOGIA. É O LEMA DO VALE DO SILÍCIO, ONDE RESIDE O MENTOR DE NEGÓCIOS MAURÍCIO BENVENUTTI: “NADA SUBSTITUI A TECNOLOGIA HUMANA” POR CAROLINA SAMORANO

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Foto: Divulgação

Escritório da Symantec no Vale do Silício, Califórnia

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em só de máquinas, robôs e algoritmos será feito o futuro. Na aposta do executivo Maurício Benvenutti, sócio da escola de empreendedores StartSe, o amanhã pertence a mentes inquietas, transgressoras e desobedientes. Entusiasta da inovação e dos negócios do que chama de Nova Economia, Maurício afirma que o Vale do Silício, pool mundial de empresas tecnológicas e onde vive há três anos, só é o que é por causa das pessoas de cabeça aberta que recebe, e não pelos supercomputadores que abriga. Maurício começou no empreendedorismo na área financeira, como sócio da XP Investimentos, mas acabou levando sua expertise em gestão para a em-

presa da qual faz parte hoje. Ganha a vida escrevendo, estudando e ensinando sobre empreender, inovar e se reinventar – assuntos que também leva para sua coluna semanal n’O Estado de S. Paulo. Ao falar sobre o futuro, martela que não existem robôs que substituam a cabeça humana e que empresas que não flexibilizarem seus processos de modo a deixar as ideias fluírem livremente, estão fadadas ao fracasso. “Você não constrói uma empresa. Você constrói um time de pessoas, e esse time constrói a empresa”. A discussão, que já rola há algum tempo no mundo corporativo, caiu como uma bigorna sobre a mesa dos empresários na pandemia. Quem ensaiava timidamente uma transformação, apertou o passo. Quem GPSLifetime « 47

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não pensava, ou fechou as portas, ou passou a pensar – e em velocidade de relâmpago. Para ele, o home office, a extinção de reuniões com 20 ou 30 executivos que se prolongavam por uma tarde inteira, as decisões que demoravam meses para ganharem forma e que foram tomadas em dias, provocaram uma faísca que deve virar explosão no mundo dos negócios: a de que as coisas seguiram acontecendo. “Isso significa que podemos fazer as coisas de forma mais eficiente e melhor”. Maurício aposta que ainda é cedo para cravar mudanças permanentes no mundo dos negócios, mas prevê que, pelo menos em médio prazo, a quarentena prolongada talvez transforme mercados inteiros. O fim do happy hour pode fazer sumir bares e restaurantes em bairros corporativos, por exemplo. O preço do aluguel de escritórios também pode sofrer um baque, visto que o trabalho presencial anda meio fora de moda. “Historicamente, momentos de crise mudam hábitos de consumo. Certamente não vai ser diferente com essa pandemia”.

“VOCÊ CONSTRÓI UM TIME DE PESSOAS, E ESSE TIME CONSTRÓI A EMPRESA” INOVAÇÃO X PESSOAS

“Inovar é saber colocar as pessoas antes dos processos. Se as empresas querem inovar, elas precisam dar cada vez mais liberdade para as pessoas. Porque essas ideias inovadoras vão vir de gerentes, de estagiários, enfim, de gente. Não adianta nada gastar meses em um recrutamento para trazer um talento, se quando você traz o talento, diz a ele o que deve ser feito. É melhor não fazer. William McKnight, ex-presidente da 3M, dizia: ‘contrate pessoas boas e deixe-as em paz’. Gente boa, na minha perspectiva, prospera na liberdade. É preciso autonomia para inovar.”

AUTOMAÇÃO

“Nada substitui a tecnologia humana. Nunca foi tão importante valorizar a inteligência humana no mundo corporativo. Na StartSe, recebemos para nossas mentorias no Vale do Silício governadores, CEOs, presidentes de estatais, de empresas privadas com 200 anos de história. A grande maioria, ao final da mentoria, percebe que não é a tecnologia que faz esse lugar. São as pessoas. É o perfil inquieto, interrogador delas. Por isso que não se copia o Vale do Silício. Você consegue dar ‘ctrl C ctrl V’ nas tecnologias, mas não nas pessoas.”

O PULO DO GATO

“Muita gente acha que inovar é construir um foguete. Mas as principais inovações acontecem nos micro processos que você consegue aperfeiçoar dentro da jornada que um cliente enfrenta. Pequenas inovações que resolvem potenciais dores, essas são as de maior impacto. O Uber, por exemplo. Você continua tendo que pedir um carro e entrar nele, mas você não precisa mais ligar para a cooperativa, andar com dinheiro na carteira, etc.”

NEGÓCIOS PÓS-PANDEMIA

“Existe um movimento muito forte na China, que em breve deve chegar ao ocidente, que é o chamado shop streaming. Com a pandemia, as pessoas passaram a disponibilizar uma experiência de compra que, com um clique, você compra uma roupa assistindo uma live, dentro de uma loja, por exemplo. Outra inovação foi o setor de saúde, com a telemedicina e as inúmeras soluções que startups têm oferecido a hospitais e consultórios. Em semanas, você viu a revolução de uma década.”

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MENTALIDADE DE STARTUP

“As grandes oportunidades não nascem no senso comum, mas, sim, nas bordas. Nas fronteiras do senso comum. A única forma de eu conseguir enxergar esses horizontes é me permitir interrogar mais, desobedecer mais, questionar mais a normalidade. Essa cabeça é muito típica das startups. Por isso, cada vez mais ela precisa ser cultivada nas grandes empresas. Isso pode ser feito de várias formas, seja por meio de parcerias ou contratando pessoas com esse perfil.“

EMPREENDER

Foto: Acervo pessoal

“Um executivo do Linkedin diz que, quando você lança um produto, se você não tem vergonha da primeira versão dele, é porque lançou ele tarde demais. A gente tem essa cabeça de esperar tudo ficar perfeito. Mas, na verdade, a gente não tem mais tempo. Tempo é um luxo das gerações anteriores. No início de um negócio, o mais importante não é lucrar, mas aprender o que você está construindo. O empreendedor, no início, precisa voltar para casa com as mãos cheirando a peixe.”

“GENTE BOA, NA MINHA PERSPECTIVA, PROSPERA NA LIBERDADE. É PRECISO AUTONOMIA PARA INOVAR” EDUCAÇÃO DIGITAL

“Existe um processo de digitalização ocorrendo ao longo dos últimos anos em todos os setores da economia. As pessoas viram a digitalização da música, das fotos, dos filmes. Mas poucas veem que ela acontece no mercado financeiro, por exemplo, com ferramentas que identificam os padrões de investimento de um indivíduo com base no comportamento dele na internet. Ou na fabricação de uma peça de automóvel por impressora 3D, que elimina a necessidade de existência de uma fábrica, da logística de exportação, etc. Isso é consciência digital. É pensar como o on-line pode potencializar o offline. É que nem matemática, é imprescindível. A gente vai ter que dominar.”

A IMPORTÂNCIA DE FALHAR

“É melhor tomar uma decisão errada que não tomar decisão nenhuma. Falhar faz parte da inovação. Se a gente não se permite falhar, a gente não se permite inovar. O erro é uma das maiores formas de aprender.”

CRISE X INOVAÇÃO

“Historicamente, momentos de crise mudam hábitos de consumo. Certamente não vai ser diferente com essa pandemia. Por exemplo, algumas semanas atrás, o Google anunciou que seus 200 mil funcionários poderão trabalhar em home office até julho de 2021. Facebook e Twitter também. Isso muda muita coisa. A gente viu decisões que se arrastavam há anos em uma empresa serem tomadas em dias. E tudo continuou funcionando perfeitamente.”

HOME OFFICE

“Nós deixamos de conviver com colegas, mas passamos a outros tipos de convivência. Com os vizinhos, as pessoas do bairro. Quando falamos em home office, é sempre importante frisar que isso não nos representa. O ser humano é um ser social, gregário. Não dá para prever se isso é permanente ou não, mas a pandemia trouxe essa reflexão. De até que ponto vale a pena sair 6h de casa e voltar às 22h. Os escritório talvez não desapareçam, mas mudem. GPSLifetime « 49

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PRIMEIRA MULHER REITORA DA UNB, MÁRCIA ABRAHÃO ENCERRA MANDATO DESAFIADOR: DE RESTRIÇÕES IMPOSTAS PELA PANDEMIA À DESVALORIZAÇÃO DE PESQUISAS CIENTÍFICAS

Foto: Audrey Luiza

EDUCAÇÃO

PROVA DE MESTRE

POR CAROLINA SAMORANO

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Foto: Celso Junior

“NÃO É SUFICIENTE FORMAR PESSOAS E APENAS FAZER PESQUISA. A PESQUISA TEM QUE CHEGAR NA COMUNIDADE.”

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em em suas expectativas mais desastrosas Márcia Abrahão, reitora da Universidade de Brasília (UnB), sonhou ter de fechar as salas de aulas de uma das maiores instituições públicas de ensino do País por cinco meses em função de uma pandemia. O isolamento social, o trancamento quase total do calendário acadêmico e a imposição de um esquema de aulas e defesas de teses via lives que fizeram a imensa biblioteca da universidade parecer jurássica vieram encerrar um mandato desafiador desde os primórdios. Márcia, mestre e doutora pela instituição que gere, é a primeira mulher reitora da história da universidade, desafiando um machismo que ela reconhece transitar pela Academia tanto quanto por outras profissões. Em 2017, ano seguinte à sua eleição, viu a UnB estampar o noticiário nacional. Dessa vez, não pelo reconhecimento científico, mas pelo atraso nas contas e a iminência de um colapso, fruto de um corte de orçamento que comprometeu quase 50% das contas da instituição. A gestão ainda teve de presente uma restrição de despesas com a aprovação da Emenda Constitucional nº 95, conhecida como “Teto de Gastos” e, por fim, uma pandemia que arrastou com ela mais de 100

dias de quarentena. Um ano perdido? “O calendário parou, como em uma greve. Com a retomada, voltamos em agosto ainda com as atividades do primeiro semestre de 2020”, explica. É nesse contexto que Márcia tenta um segundo mandato à frente da universidade. As consultas a professores, alunos e técnicos será feita pela primeira vez de forma 100% on-line, por causa da pandemia. Em setembro, a lista tríplice com os três mais votados será entregue ao Ministério da Educação, de onde sai o nome do dirigente. As novidades no processo eleitoral não têm unanimidade entre a comunidade acadêmica. Uma das críticas é de que, por causa da pandemia, os mandatos dos presidentes de sindicatos e diretórios acadêmicos foram prorrogados. Assim, a composição do colegiado que compõe a lista continua a mesma, o que, segundo argumentam, favorece a reeleição de Márcia. Por outro lado, sua base de apoiadores entre os discentes não é irrelevante. A reitora é popular nas redes sociais – sobretudo no Instagram – e, segundo alunos, querida pelos centros acadêmicos. Há quem aposte que sua visão “humana” da universidade renda uma condução tranquila a mais quatro anos de mandato. GPSLifetime « 51

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A UnB demorou quase seis décadas para ter uma reitora. Por que tanta demora? Há machismo também no ambiente acadêmico?

Como em todas as profissões. E às vezes a própria mulher não se coloca. Mas já tivemos outras vezes mulheres candidatas, inclusive em 1985, quando eu era estudante. Eu fiz carreira em cargos de gestão na universidade – foi decana de Ensino de Graduação entre 2008 e 2011 – e acabei me destacando por isso. Conquistei meu lugar. Mas, mesmo como reitora hoje, há momentos em que eu preciso dizer para um homem que eu estou falando e que só depois vai ser a vez dele falar. Em 2017, quando a senhora assumiu a Reitoria, a UnB teve uma grande redução orçamentária. Você diria que dinheiro ainda é o maior desafio?

Foram anos intensos. Foi uma redução de quase 50% no orçamento em relação a 2016. Não houve nenhum planejamento para isso. Precisamos fazer uma grande readequação de despesas, chamar toda a comunidade acadêmica, incluindo alunos, professores, funcionários. Não foi fácil. O que tomou o lugar do orçamento, então, como maior desafio?

Primeiro a pandemia e como será a vida na Universidade depois dela. Nossas formas de ensino e de trabalhar foram diretamente impactadas. Fomos todos obrigados a ficar de teletrabalho. Por um lado,

Foto: Beto Monteiro

A seu favor, Márcia entrega números. Não apenas os bancários, mas também os que rendem degraus em rankings internacionais de excelência. Em julho, comemorava a melhora de desempenho da universidade no chamado QS World University Rankings: a edição 2021, divulgada este ano, posicionou a universidade como a décima melhor do País e a quinta entre as federais, uma colocação acima da edição 2020. Em 2016, no mesmo ranking, a universidade havia sofrido um tombo de mais de cem posições na listagem internacional. Esta entrevista foi no script do “novo normal”. Repórter e reitora de home office, um certo desconforto com o fone de ouvido até que o som ficasse audível, um interfone de casa interrompendo a conversa. Era o carteiro, com uma encomenda. Nenhuma formalidade sobrevive ao teletrabalho. Mas o ensino presencial, ela defende, sobreviverá. Confira.

isso foi bom, porque acelerou o processo de implementação dessa modalidade na universidade, embora já houvesse uma Resolução desde 2018 que a autorizava. O segundo desafio é melhorar ainda mais a qualidade acadêmica, sobretudo na pós-graduação, em que ainda há muita desigualdade entre os programas, em termos de qualidade. Por fim, um terceiro desafio é a questão da assistência estudantil. Os recursos que vêm do Ministério da Educação são insuficientes para a quantidade de alunos que precisam de suporte (com renda familiar bruta de até 1,5 salário mínimo per capita). E a tendência é essa situação se agravar com a crise econômica depois da pandemia. A UnB sofreu muito com a interrupção das atividades presenciais?

Sim, foi muito difícil. Embora a Universidade tenha autonomia para tomar decisões, depois que o governador do DF determinou o fechamento do comércio, em 11 de março, deliberamos que as atividades seriam predominantemente remotas e começamos a discutir um calendário. Somos quase 50 mil pessoas na UnB, além dos terceirizados, andando de ônibus, circulando, levando e trazendo a doença. Não tinha como continuar.

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vida. Vimos, por exemplo, que a maioria dos estudantes depende de ônibus para chegar à universidade, o que é um risco. Dependem do SUS para receber atendimento médico. Muitos são cuidadores de alguém em casa, o que atrapalha também os estudos. Outro dado foi o de que uma parte dos nossos alunos não têm computador nem tablet, e que 30% não possuem internet de qualidade. Como o plano de retomada das aulas prevê que as atividades sejam, a princípio, remotas, a UnB está arrecadando doações e empréstimos de equipamentos. Esses alunos vão ganhar uma máquina ou pegar uma emprestada para acompanharem o calendário.

Foto: Celso Junior

Como se parece o tal “mundo pós-pandemia” dentro do ambiente da UnB?

Como a Universidade se movimentou nos últimos meses?

A decisão foi de que as atividades presenciais de ensino parariam, mas as pesquisas podiam continuar, desde que observadas as medidas adequadas de segurança. Paralelamente, foi criado um comitê gestor para a Covid-19, com especialistas da Saúde e pessoas das áreas administrativas. Esse comitê solta boletins semanais falando sobre a situação da doença aqui e no mundo. Na parte acadêmica, começamos a estimular projetos de pesquisa para a nossa comunidade, voltados justamente ao tal “mundo pós-pandemia”. Vale para a área tecnológica, de saúde, etc. Em apenas cinco dias, recebemos mais de cem projetos. Hoje, já são 200 cadastrados. Criamos também um fundo de ajuda à UnB e recebemos R$ 10 milhões do Ministério da Educação para financiar os projetos. Por fim, a UnB está participando dos testes da vacina Sinovac, contra a Covid-19, como polo de teste. Vamos aplicar as doses em 850 voluntários no Distrito Federal. E os alunos sem acesso à internet? A crise sanitária escancarou claramente a desigualdade social e de acesso à educação no Brasil.

Sim. A crise motivou a UnB a fazer uma pesquisa com a comunidade para conhecer melhor suas condições de

Da forma como está, é transitório. Não abrimos mão do ensino presencial. Eu acho que as pessoas estão vendo como ele faz falta. Porém, o apoio da tecnologia às atividades presenciais, isso sim veio para ficar. A tendência é o que chamamos de convergência entre o presencial e o não-presencial. O tempo em sala de aula será melhor aproveitado. Há um certo movimento de descrédito da ciência e do conhecimento no ar. Isso esbarra muito com o trabalho acadêmico. A que atribui essa desvalorização da produção científica?

Essa crise pegou o Brasil em uma situação de falta de investimento em pesquisa. Mas isso trouxe uma coisa positiva, a autoavaliação. Percebemos que estávamos sendo bombardeados porque a universidade vive muito voltada para ela mesma. Ou seja, não é suficiente formar pessoas e apenas fazer pesquisa. A pesquisa tem que chegar na comunidade. O sucateamento das universidades públicas também tem sido debatido, sobretudo entre jovens e pais. A senhora avalia que há uma “perda de brilho” da universidade pública?

Isso aqui em Brasília acontece muito. Tenho essa impressão. Mas principalmente de pessoas cujos filhos na verdade não conseguiram entrar na UnB. Os pais pagaram escolas excelentes a vida toda, mas não conseguiram passar. E não é de hoje. Me lembro que quando passei na universidade, lá nos anos 1980, minha mãe ficava muito brava com esses comentários, de que “ah, não é tão boa assim”. Me formei lá e sou muito bem formada. Meus filhos também estudaram lá. Eu penso que esse tipo de coisa vem de quem não conhece a universidade nem tem vontade de conhecer. GPSLifetime « 53

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SABER

GESTORES DA ÉTICA E DO CONHECIMENTO Fotos: Escola Bilíngue Pueri Candanguinho

CANDANGUINHO, TRADICIONAL EM BRASÍLIA, ADERE AO GRUPO NACIONAL, HABILITA-SE PARA OS DESAFIOS DO SÉCULO 21 E SE CERTIFICA PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS DO PAÍS POR NATHÁLIA BORGO

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magina voltar no tempo e poder estudar em uma escola onde nem tudo é prova e avaliação, mas tem também mão na massa. Há 50 anos isso era praticamente impossível em Brasília, e muitos jovens passaram anos e anos sentados em salas de aula, decorando e assimilando conteúdos enquanto esperavam a hora de poder, finalmente, entrar no mercado de trabalho. Mas para a visionária Doralice de Oliveira Crivaro não era bem assim que uma escola ideal deveria funcionar.

Ela queria mais. Um espaço de ensino laico e acolhedor, diferente da maioria das unidades vocacionais que surgiam na capital federal na época. Foi então que, em 19 de junho de 1969, nascia a Fundação Candanguinho. No início, era um prédio pequeno na Asa Sul, mas após duas décadas ganhou forma de instituição educacional no Sudoeste, em 24 de julho de 1997, em um prédio totalmente pensado para ser escola. Na época, o Candanguinho ainda não era bilíngue,

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mas já ofertava a modalidade. Quando a família da dona Dorinha resolveu vender a escola para o Sistema Educacional Brasileiro (SEB), há cinco anos, houve uma troca de sinergia e o próprio colégio de Brasília serviu de base e enriquecimento também para o sistema. Mais de 25 mil estudantes já passaram somente pela unidade do Sudoeste, alguns até bem conhecidos em Brasília e no mundo. Como a jornalista da BBC Laís Alegretti, que estudou até o ensino fundamental II e hoje mora em Londres. Ou o Lucas Vidigal, que partiu para o mestrado em Jornalismo na França, pela Bordeaux Montaigne University, e atualmente é jornalista da Rede Globo. Tem até ator de filme americano, o Henry Zaga, alfabetizado pelo Candanguinho. Em Los Angeles, destacou-se entre o público jovem com as participações em Teen Wolf e 13 Reasons Why, e agora vai estrear também em Novos Mutantes. E como a tecnologia é um dos fortes da escola, o Luiz Felipe Dantas vive em Nova Iorque, onde fez mestrado na instituição de ensino de Massachussets Institute of Tecnology. Hoje ele é consultor do Macquarie Group, de investimentos. “O Candanguinho é uma escola referência no sistema educacional do Distrito Federal e achamos que seria possível agregar à proposta que a gente desenvolve em São Paulo no Pueri Domus. Começamos a implantação no final de 2019 da junção dessas duas marcas muito fortes, com expertise no trabalho pela educação. Existem demandas que estão emergindo no mercado e na sociedade e Brasília não tinha nenhuma escola com esse perfil de educação. A nossa escola é voltada para habilidades do século XXI, muito diferentes do que apenas formar o estudante para passar em provas”, conta Lady Christina Sabadell, diretora-geral das escolas premium do grupo SEB.

FEITO GENTE GRANDE E apesar da decoreba de informações não ser o foco, não tem moleza. É aqui que entra a mão na massa. Assim como as demais 60 escolas do SEB, o Candanguinho tem um espaço pensado na prática daquilo que eles veem em sala de aula. No Espaço Maker, os estudantes contam com ferramentas modernas, como impressora 3D, para

trabalhar de maneira colaborativa e desenvolver a criatividade e o pensamento crítico. “Está dentro da proposta de ensino, não é extracurricular. A gente costuma dizer que a escola é um ecossistema de aprendizagem. Todos os ambientes são espaços de recursos para aprender. Na cozinha, por exemplo, muitas transformações químicas acontecem”, revela a diretora geral. O ensino agora é bilíngue. Os alunos do infantil falam 50% em português e 50% em inglês na escola. A partir do fundamental I, 60% do conteúdo é em português e 40% em inglês. E apesar dessa modalidade de ensino ser facultativa no ensino médio, a escola ainda dá outro empurrão no futuro, possibilitando aos alunos um certificado internacional de High School. No ensino médio, os estudantes de todas as escolas do grupo Pueri irão se comunicar, conhecer as melhores faculdades do país, tudo em um ambiente on-line, com cursos semestrais e sem nenhum custo adicional para o aluno.

ESCOLA PÓS-PANDEMIA O que ninguém previa era uma pandemia de proporções assustadoras. Foi preciso fechar as portas das escolas, mas não as do conhecimento. A comunidade escolar adequou o roteiro de ensino para a plataforma Google for Education, trazendo ao aluno a modalidade de aprendizado online. Entre as disciplinas aprendidas estão o Coding, que proporciona ao estudante fluência digital e consciência ética no ambiente digital. No retorno presencial, a ideia é transmitir aulas simultâneas às salas de aula para aqueles estudantes que os pais optarem por manter em casa até a chegada da vacina contra o coronavírus. Para quem for, a diretora geral garante todo um protocolo elaborado com a comunidade de cuidados sanitários, além de habilidades socioemocionais, os soft skills. “São aquelas que mais estamos precisando no momento, a empatia, resiliência, o saber trabalhar em grupo, planejar-se, ser gestor do conhecimento e da busca pela informação. São habilidades que, no mundo mais individualizado e competitivo, se destaca quem tem”, ressalta Lady Christina. www.escolapueribilingue.com.br/candanguinho @pueribilinguecandanguinho

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RETRANCA SUSTENTABILIDADE

VULNERABILIDADE NO AR A COVID DEIXARÁ ENORME FRATURA. VOLTAR AO ANTIGO NORMAL INVIABILIZA O MUNDO EM TRINTA ANOS. A AMBIENTALISTA DENISE HAMÚ DIZ QUE PAÍSES QUE NÃO IMPRIMIREM UM SENSO DE MUDANÇA NÃO VÃO PROSPERAR POR CAROLINA SAMORANO « FOTOS LUARA BAGGI

N

ão é preciso estar trancafiado em casa para se admirar com o céu de Brasília da janela da sala. Mesmo assim, ele ganhou contornos mais encantadores nos últimos meses. Emoldurado pelas esquadrias das janelas, chamou a atenção dos seus contempladores. Todos notaram que o traço do arquiteto brilhava ainda mais azul. “Efeito da quarentena”, diagnosticaram fiéis observadores. A lógica é simples:

com menos carros nas ruas, há menos poluição. Será? A ciência diz que sim. Um estudo do Observatório do Clima divulgado em maio passado estima que o mundo possa ver em 2020 uma redução de 6% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) por causa das interrupções industriais e de deslocamentos impostas pela pandemia. A comparação é com 2019. Se a previsão se consolidar, será a maior queda desde 1990.

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A ambientalista Denise Hamú, desde 2011 à frente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) no Brasil, porém, diz que não é bem assim. Embora a interrupção de fábricas, voos e a diminuição do tráfego tenha impactado positivamente o Meio Ambiente nos últimos anos, ela avalia que não há motivos para comemorar. O argumento é que, sem uma mudança de consciência, tudo voltará aos parâmetros originais em não mais que alguns dias. Mais que lamentar, no entanto, ela vê o cenário como uma oportunidade de fortalecer os laços entre as nações pelos compromissos ambientais. “Essa pandemia mostra muito claramente que o ar não circula só dentro de uma fronteira”, analisa, em referências aos recentes desencontros diplomáticos em assuntos relacionados a compromissos ambientais. Em junho passado, o PNUMA e o Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária (ILRI) lançaram uma relatório que alerta sobre a relação das doenças zoonóticas, como a Covid-19, e a degradação ambiental. Segundo o documento, a tendência crescente desse tipo de enfermidade é impulsionada pelas mudanças comportamentais dos seres humanos e o avanço rápido sobre áreas de florestas, que servem como escudos naturais para doenças virais. Também consta na pesquisa o dado nada animador de que a cada ano, surgem três novas doenças infecciosas, sendo que 75% delas são zoonoses, ou

seja, transmitidas de animais para os humanos (como o caso da Covid-19, que teve origem na ingestão de morcegos). Com esses dados em mão, a especialista, que já coleciona quase trinta anos em conservação ambiental – primeiro no Governo Federal e depois como secretária-geral do WWF Brasil, antes de assumir o PNUMA –, acredita que o momento é de alerta. “Não dá para voltar ao ‘velho normal’”. O isolamento social deu a impressão de que o meio ambiente conseguiu respirar um pouco. Essa ideia faz sentido?

Não, porque não se sustenta. As pessoas de fato ficaram em casa. Então, sim, isso impactou nas emissões de gases vindos do transporte aéreo, tráfego de veículos, etc. Imagina um país como a China parando suas indústrias. Impacta muito a contaminação do ar. Mas é insustentável a longo prazo. Não podemos dizer que houve uma mudança realmente. Nem em termos de educação ou de conscientização?

Isso sim. Vimos alguma melhora, mas basta voltarmos ao “business as usual” para que tudo volte igual ou pior. Se os países não se prepararem melhor ou imprimirem um senso de mudança, as nações não vão prosperar. Outra coisa que fica é que percebemos que as pessoas estão parando para olhar em volta. Para perceber. Estão explorando os gramados, querendo ir em parques nacionais, curiosas em saber qual o rio que abastece a cidade delas. Descobrindo que a água não nasce na torneira. Porém, isso não muda em nada os dados de energias renováveis e mudanças climáticas. GPSLifetime « 57

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cas. Há evidências de que, quando a gente desmata e degrada, perdemos uma proteção natural ao vírus. Em vez de ele “pular” entre os seres até perder força quando chega ao humano, ele encontra áreas urbanas mais rápido e ainda muito forte. Teremos outra pandemia em breve por causa dessa degradação?

Não dá para saber, mas estamos cada vez mais vulneráveis. Algumas coisas que cientistas previam para 2050 já ocorrem hoje, trinta anos antes. Estamos vivendo 2020 quase como se estivéssemos em 2050. Tivemos em junho o Polo Norte registrando um recorde de temperatura de 38 graus. Não precisa ser especialista para saber que algo não está certo. A senhora avalia que os países deveriam ser mais colaborativos em prol de erradicar a doença? A sustentabilidade tem se colocado como questão mercadológica. Há algum problema em transformar esse debate em um assunto econômico?

Nenhum problema. Há uma ideia hoje de que é preciso escolher entre ser ambiental e ser economicamente viável. Não é isso o que estamos propondo. Mas sim soluções que sejam viáveis economicamente, justas e sustentáveis. Não há dicotomia entre o lucro e o sustentável. Com interesse ou sem, festejamos de qualquer maneira. Essa, inclusive, é uma oportunidade para dizer a empresas que ainda não agem assim: “olha, vamos mudar o cenário”, porque senão, em trinta anos, o cenário dessas companhias não vai mais existir para que elas produzam o que produzem hoje. Precisamos ter consciência disso, não podemos voltar para o “antigo normal”. O PNUMA têm usado a crise para alertar para a relação entre a degradação ambiental e as zoonoses. Como o comportamento humano leva a episódios como o que vivemos?

Nos últimos anos, tivemos a SARS, a influenza aviária, a gripe suína, febre do Nilo e outras doenças. O que a gente vê é que com as mudanças, a globalização, o desmatamento, a rapidez com que a gente se desloca das cidades para as áreas de floresta, tudo isso tem se refletido nesses problemas. Temos dados que mostram que a cada ano, três novas doenças infecciosas surgem, sendo que 75% delas são zoonóti-

É uma oportunidade fundamental para falarmos da importância do multilateralismo. Uma nação depende da outra. Essa pandemia mostra muito claramente que o ar não circula só dentro de uma fronteira. Você não tem problemas climáticos que param em divisões de mapas. Vivemos em uma sociedade planetária. Por onde passam as soluções?

Os países têm que voltar a acreditar nas convenções de proteção ambiental. Vamos lembrar que todos adotaram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Isso foi decidido coletivamente. E os ODS falam sobre erradicação da pobreza, por exemplo. A Covid criou uma fratura exposta na sociedade. Quando se fala em isolamento social e você tem 15 pessoas morando em um mesmo cômodo, com acesso apenas a água contaminada, essas são as pessoas penalizadas. Se todos estivessem cumprindo o que prometeram, estaríamos em uma situação muito melhor hoje. A senhora vê um momento de descrédito da ciência, com movimentos que negam o aquecimento global, por exemplo?

Pelo contrário. Nunca a ciência esteve tão em alta. Se a gente só fala em vacina contra a Covid-19, automaticamente falamos sobre ciência. É para onde o mundo inteiro está com os olhos voltados. Acho que a ciência sai muito fortalecida desse momento que vivemos.

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Foto: Sergio Rizzo

COMPORTAMENTO

CONCORDÂNCIAS OU CONVERGÊNCIAS ATRAÇÃO SEXUAL, COMPROMETIMENTO EM FAZER DAR CERTO E HABILIDADES INTERPESSOAIS SÃO EQUAÇÕES QUE DEFINEM UM CASAMENTO SAUDÁVEL NO MOMENTO EM QUE CONVIVER 24H TORNOU-SE NOVIDADE POR CAROLINA SAMORANO

A

liberdade de não desejar. Assim o psicólogo e pesquisador Luiz Hanns define o desapego, último recurso dos desesperados após uma quarentena que enclausurou famílias em casa por mais de cem dias. Desapegar, segundo uma lista ordenada por ele, serve a quem não encontrou paz com distrações como seriados e leituras, aos que não se

ocuparam o bastante com tarefas – quem não lavou as compras de supermercado? – ou para aqueles que não conseguiram elaborar soluções práticas para problemas concretos, como uma dívida impagável. Há quem tenha largado mão de um emprego, já que foram muitos os perdidos. De uma empresa, um projeto, uma rotina antes tão estabelecida.

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Houve até os que desapegaram do casamento – vários estados registraram aumento no número de divórcio durante o período de confinamento. A reclusão, quem diria, pode ter aberto as portas para um novo tipo de liberdade, segundo ele. Mesmo que derivada de perdas e lutos. Luiz Alberto Hanns é psicólogo pela Universidade de São Paulo (USP), administrador de empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), doutor em Psicologia pela PUC-SP e professor da Casa do Saber, plataforma de cursos onde palestra sobre um leque de assuntos que envolve relacionamentos. É também autor de livros sobre casamento e educação de crianças. Durante os últimos meses, no entanto, o perfil de “apuro” que ouviu de seus pacientes e alunos desafia qualquer teoria de grandes acadêmicos da psique humana. Diante de queixas derivadas de um período tão específico e desafiador, o especialista resolveu ampliar sua voz na internet. Distribuiu no YouTube da escola uma série de vídeos especiais para a quarentena, com dicas e reflexões para o período. Estão lá temas sobre a convivência com o cônjuge e com os filhos, os cuidados com a saúde mental, recursos antiestresse e outros conteúdos que buscaram amenizar a aflição do confinamento. Nada disso, ele avisa, é suficiente. A mente humana não cabe em receitas de poucos minutos na internet. À revista, ele conversou sobre os desafios do confinamento, e o que eles podem ou não ter ensinado à sociedade. A vida confinada, imposta pela quarentena, trouxe uma série de desafios às famílias. Que impacto viver entre quatro paredes pode trazer?

Depende. O impacto, evidentemente, é diferente quando se fala em uma família com três filhos ou mais vivendo em dois cômodos ou quando se tem pessoas com condição financeira estável, fazendo quarentena na sua casa de campo e trabalhando normalmente em home office. No meu livro A Equação do Casamento, listo seis fatores que contam para o equilíbrio de uma relação. Casais com uma boa equação vivenciam essa pandemia de maneira muito positiva, e enxergam na quarentena uma possibilidade de se conectarem mais, ou de passarem mais tempo com os filhos etc. Mas casais com uma equação conflitada (o que é muito comum) tiveram estes pontos evidenciados. Isso porque muitas vezes as tensões ficam tamponadas ou dissolvidas pelo cotidiano. Sair de casa para

trabalhar ou ver os amigos ameniza algumas dificuldades de convivência do casal. Daí que você tem o aumento de pedidos de divórcios em várias partes do mundo nesse período. Existe uma maneira de equilibrar essa convivência?

Muitos casais desalinhados têm dificuldades, principalmente, no segundo dos seis fatores da equação. Ele é sobre os graus de convergência ou concordância entre os dois, seja de regras, de valores, gostos, interesses, direitos e deveres ou projetos de vida. Em uma situação de confinamento, essas divergências ficam mais afloradas. Sobretudo as de regras. Por exemplo, sobre quem deve acordar de madrugada para trocar o bebê, se a sogra deve ou não ter a chave de casa, sobre a educação dos filhos. É onde ocorre a maior parte das brigas. Quando o casal não está acomodado no fluxo dos afazeres, não está distraído na rotina, as incompatibilidades aparecem, porque a convivência passa a ser 24 horas por dia. A arte de viver a dois é conseguir conviver com as incompatibilidades, ou então ajustá-las. Isso pode ser aprendido, e ajustado com algumas ferramentas específicas para cada situação. Quais são os outros fatores da equação?

O primeiro é a compatibilidade psicológica (se um é muito expansivo e o outro introvertido, por exemplo). Atração e vida sexual, fontes de estresse externas, o grau de determinação que o casal tem de fazer o casamento dar certo e, por fim, as competências de convívio, as habilidades interpessoais. Casais que têm esse último item deficitário oscilam entre só engolir sapo e acumular ressentimentos, ou vomitar sapos e brigar por tudo. Isso pode ser aplicado a outras relações?

Sim, inclusive sócios de empresas. Tirando o fator sexual, que não é obrigatório, os outros fatores são os mesmos. Você pode ter sócios incompatíveis psicologicamente, por exemplo. Um valoriza o marketing, outro, as finanças. Essas habilidades podem ser aprendidas?

Sim. Só não consegue treinar e se beneficiar quem tem problemas psiquiátricos, como uma depressão endógena ou bipolaridade, por exemplo. Ou se a base da relação não tiver convergências suficientes, como um casamento feito por mera conveniência. Se você faz os ajustes e no final o que se tem é uma relação

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FotoL Lais Guadanhim

“xoxa”, sem brigas, mas sem graça, aí você pode decidir se separar amigavelmente. Mas muitas vezes os casais conseguem fazer a relação florescer. Ou seja, é bom de qualquer jeito. Em uma quarentena sem data para acabar, existem ferramentas de “acesso rápido” para lidar com alguns estresses?

Não existe uma resposta de um minuto para isso, uma dica infalível que sirva para todos. O grande problema das pessoas hoje é “como”. Não adianta dizer para alguém ser mais compreensivo, ou escutar mais o parceiro. Elas não sabem como fazer isso. As pessoas mudam, geralmente, não porque tiveram um insight, mas porque conseguiram praticar alguma coisa que funcionou especificamente para elas. Apenas o fato de eu entender que não devo fumar, não significa que vou parar de fumar. Você acredita que as mudanças na dinâmica das famílias durante esse período podem trazer transformações permanentes para elas?

Nem sempre. Pode até ser que alguém passe a valorizar a refeição com os filhos, por exemplo, e queira se dedicar a chegar mais cedo em casa uma ou duas

vezes na semana para participar desse momento. Ou tenha um clique e ache que entendeu o valor da vida. Mas, aí, dois ou três meses se passam e os hábitos falam mais alto. A pessoa volta a ser workaholic, volta a se alimentar da mesma maneira. Não necessariamente algo muda para sempre. No seu canal do YouTube, você fala sobre o desapego como o último dos passos para lidar com o estresse na quarentena. Qual a diferença entre desistir e desapegar?

As diferenças a gente é quem determina. As pessoas escolhem o uso que elas querem dar às palavras. A desistência inadequada, eu diria, é quando eu, por falta de empenho ou resiliência, fujo dos problemas. A adequada, que seria o desapego, é quando eu entendo que não é possível lutar por determinada coisa e eu, mais do que aceitar esse fluxo inevitável, integro-me a ele. Isso passa por aceitar perdas e saber que algumas coisas são insubstituíveis. A partir daí, viver isso com dignidade. As pessoas que têm o recurso do desapego, conseguem com uma enorme dignidade absorver isso e ganhar uma liberdade. Essa liberdade é o que os budistas chamam de “não desejar”. Quando você se liberta de ter que desejar determinada coisa, você aprende a se integrar no fluxo.

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ARTIGO POR MÁRIO ROSA

Jornalista e escritor

HOMEM FRÁGIL PLANETA, VOU VIVER EM VOCÊ IMERSO E PASSEAR PELO UNIVERSO

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into sua gravidade se aproximar da minha. Sinto as atrações se propagarem pelo espaço. Sinto as forças irresistíveis formarem o alinhamento de todos os astros. Ah, como é lindo e encantador, quando vejo de perto o seu corpo celeste. Como é celestial me aproximar de sua superfície, aterrissar em sua sinuosa crosta terrestre. E passear por você toda. Seu planeta inteiro. Sinto-me um alienígena maravilhado depois de uma longa viagem pelo universo. Sinto-me enfeitiçado, como poderei ter encontrado um paraíso assim desabitado, onde minha tentação é ficar pela eternidade totalmente imerso? Quero escalar suas cordilheiras e mergulhar nos oceanos que agitam suas costas. Quero pular de seus despenhadeiros, quero explorar cada centímetro quadrado de suas bordas. Quero nadar nos seus lagos azuis, quero ver seu sol nascer, quero ver seu anoitecer. Quero beber da sua chuva, quero me encharcar nas suas tempestades, quero ver o sol se pondo atrás dos montes no aconchego das suas tardes. Planeta, planeta, estranho planeta. Eis-me aqui em sua órbita. Eis-me aqui com a avidez do explorador desbravando suas matas e percorrendo suas rotas. E me perdendo em sua imensidão e caminhando ao

leu sem sentir medo, sem sentir angústia, apenas eu sobre você e sob o seu céu. Planeta, acabo de chegar e não tenho mais pra onde ir. Pra quê? Minha espécie pode sobreviver nas suas planícies. Sair daqui é sair e deixar o paraíso, é tolice. Vou construir em você o mundo todo. Vou habitar todos seus continentes, vou construir cidades em todos os seus cantos, vou levantar espigões nas nossas megalópoles, vou povoar você com milhões, bilhões de mim, vou abrir estadas em você toda, vou sugar toda a energia dos seus rios e iluminar seus olhos com toda a minha engenharia. E você será um planeta totalmente habitado e eu serei tantos em você que caminharemos o tempo todo em todos os seus lados. Planeta, você vai ser minha morada e haverá um remoto dia em que ninguém saberá ao certo como aconteceu a minha chegada, se houve o dia da criação ou se foi eu que surgi de você quando não havia nada. Será esse um dia o que hoje eu sei e já sabemos: um eterno mistério. De onde viemos? Para onde vamos? Por que estamos? Planeta, essas perguntas um dia não farão nenhum sentido. O importante mesmo é que eu lhe darei um nome e viverei até o infinito em seu território vasto e conhecido.

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ÍCONES POR ISADORA CAMPOS @isadoracampos

GERAÇÃO FILANTRÓPICA Sustentabilidade. Essência. Propósito. Comprometimento. Humanitário. Comunidade. Solidariedade. Nunca antes na história da humanidade fomos tão voltados para o pensamento no coletivo, preocupados com o investimento social e dedicados às ações filantrópicas.Decisões de consumo passam a ser definidas pelas propostas sociais, instigando grandes players a criarem suas estratégias de filantropia corporativa. Os olhares dos brasileiros − e por que não dos cidadãos globalizados – debruçamse no artesanato, no pequeno produtor, nos serviços essenciais. Saúde, saneamento básico e condições dignas de vida do próximo se firmam tão importantes e cruciais como a nossa própria. Investida no social, a nova geração emerge ciente da sinergia social, dedicados ao acolhimento e compartilhamento de oportunidades. Conheça algumas protagonistas dessa mudança de comportamento e se inspire com os inspirados agentes sociais da nova geração.

DUDA PIRAN

Empresária, 27 anos Notória filantropa, a empresária se mobiliza em causas sociais ligadas ao empoderamento feminino. Dedicada e articulada, contribui com a criação de parcerias estratégicas com empresas renomadas para que apoiem ações filantrópicas locais. Além de bazares, foi idealizadora do evento beneficente na joalheria Tiffany & Co., cuja renda foi destinada à manutenção da Casa Transitória de Brasília, que trabalha no acolhimento de menores em situações vulneráveis desde 1974. Entre as diretrizes dos projetos sociais, norteiase pela proteção e garantia dos direitos das crianças e adolescentes, com promoção de sua autonomia e inserção no mercado de trabalho. Além dos jovens, oportuniza melhoria na vida das mulheres para que sejam capacitadas e independentes economicamente. “Acredito que se temos a sorte de poder agir, não podemos ficar inertes. Às vezes, não sabemos por onde começar, mas se você observar o caminho que faz para seu trabalho, as pessoas que estão na rua, no seu bairro, no seu prédio, você pode estar salvando o dia dela, ou o mês da família. A gratidão que vemos no rosto da pessoa que recebe a ajuda é o maior incentivo para continuar”.” Casa Transitória de Brasília (CTB) QSD 27 Casa 24 – Taguatinga Sul (61) 3356-2788

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ROGY TOKARSKI

Farmacêutica, 33 anos Consciente, a farmacêutica defende que a filantropia é um profundo amor à humanidade. Este amor se demonstra com generosidade. Assim baseada, acredita que sua contribuição seja oportunizar ferramentas para que as pessoas desempenhem o seu melhor potencial. “É estar presente de uma maneira que você pode dar sem querer nada em troca”, completa ela, que oferece capacitação às comunidades menos assistidas e ingresso no mercado de trabalho. Criado em 2000, o Projeto Preservar, o qual lidera, tem o intuito de manter viva a cultura e o conhecimento popular das ervas medicinais entre as crianças. “Mas para isso, trabalhamos de diferentes formas, contribuindo com a formação e com a educação desses jovens. Enquanto estão conosco em atividade, eles não só se afastam de influências negativas, como têm a oportunidade de exercitar valores e ciências de uma maneira leve e agradável; junto à natureza.” Escola Classe Ipê | Parkway, Núcleo Rural (61.) 3901-7665

PRISCILA CASTRO

Empresária, 35 anos Voluntária no Hospital de Base de Brasília, contribui com diferentes ações sociais. Dentre elas, é grande fomentadora do Anjos da Madrugada, que semanalmente, realiza ações sociais pelas ruas de todo o Brasil e em outros países, desde 2011. Em caráter voluntário, profissionais de cada área de interesse, como dentistas, cabelereiros, oftalmologistas, reúnem-se ao grupo para auxiliar os moradores de rua na retirada de segunda via de documentos e na elaboração de um currículo para se recolocar no mercado de trabalho. “Pra mim, a filantropia nada mais é do que colocar em prática aquilo que Jesus nos deixou de ensinamento: amar ao próximo como a mim mesma. Além disso, a filantropia pode ser decisiva na vida de pessoas em situações desoladoras, privadas dos recursos mais básicos. Um ato de altruísmo, por menor que seja, pode mudar completamente a vida de um ser humano”. Anjos da Madrugada (61) 3248-5891

TAYANE DALAZEN

Advogada, 31 anos Empenhada na erradicação do trabalho infantil, a advogada idealizou a campanha Educar para Mudar, com o sucesso de arrecadação de mais de 1.700 livros e distribuição em escolas públicas do Distrito Federal, como a Escola Classe 510 do Recanto das Emas, onde foi criada a Brinquedoteca para as 870 crianças que frequentam a escola. “Filantropia é ter sensibilidade para com o próximo, preocupar-se com problemas alheios aos seus. É ter no sorriso do outro a sua própria felicidade”. O projeto, em prol do Combate ao Trabalho Infantil, ressalta a importância da educação como foco central na eliminação da exploração de crianças e adolescentes, assim como na redução da severa desigualdade social em nosso país. “A minha maior motivação é ver no semblante das crianças a esperança de um futuro melhor e mais promissor, assim como a felicidade por se sentirem lembradas pela sociedade.” Escola Classe 510 do Recanto das Emas | @escolaclasse510 (61) 98476-7952

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LUIZA NASSER CAIADO

Advogada, 31 anos Em sua quarta geração de filantropos, as mulheres da família Nasser se dedicam ao aprimoramento e crescimento do centro de ensino de educação integral, a Escola Infantil A Caminho da Luz. O espaço oferece condições dignas a dezenas de crianças, com quatro refeições diárias, material escolar, vestuários completos para as diversas estações, itens de higiene e exames médicos, em um sistema integral de dez horas por dia de atividades ao acolhido. “Não nos limitamos a melhorar as oportunidades das crianças, mas a oferecer segurança aos pais para que eles trabalhem e possam construir as suas rendas”, sintetiza. O espaço possui amplo respeito a diversidade e compreensão cívica compartilhados pelo Grupo Espírita Fraternidade e Caridade. PAE - Posto de Assistência Espírita Rua Argentina Lote C Quadra 41, Parque das Américas. Jardim ABC – Cidade Ocidental – GO

JOANA COSTA

Médica, 31 anos A médica dermatologista não limita seus conhecimentos à sua clientela. Atuante, ela dedica seu tempo também a ações sociais de acolhimento e empoderamento feminino a mulheres em situações vulneráveis. “São mulheres que precisam retomar a autoestima, inserir-se no mercado de trabalho, e muitas vezes estão desnorteadas a respeito de como voltarem a ser as protagonistas de suas vidas”, contextualiza. Dentre os projetos que apoia, o Instituto Proeza lidera como um dos principais a promoção de projetos de geração de renda com mulheres no DF. Liderada por Kátia Ferreira, a ONG acredita na produção sustentável e apoia suas atividades nos 4 Rs: reduzir o desperdício; reutilizar recursos finitos; reciclar o que for possível; e respeitar o ambiente onde se vive. “Queremos promover o protagonismo das mulheres e garantir que crianças e jovens tenham acesso a uma educação de qualidade e uma vida com mais oportunidades”. Instituto Proeza Recanto das Emas – (61) 3222-2287

ANA CAROLINA TAURISANO

Empresária, 23 anos Com um estilo de vida saudável e consciente, após um aprimoramento estético, ela também decidiu evoluir pessoalmente e se dedicar mais a nobres causas sociais. “Essa pandemia veio pra mostrar o melhor e o pior das pessoas. As pessoas vêm lutando com a sobrevivência, sem ter o que comer, onde dormir, passam frio, são carentes de tudo, carentes de amor, educação...”, sintetiza ela, que acredita que filantropia é amar e se preocupar com o próximo, ajudar sem esperar nada em troca. Entre suas idas às ações na Estrutural, nasceu também nela o desejo de criar um projeto sólido, em que capacitaria as pessoas assistidas e oportunizaria vagas no mercado de trabalho. “O propósito é montar uma instituição onde eu possa empregar essas pessoas, tentando amenizar o desemprego, a prostituição, o crime e a fome”. Associação Meire Fraternidade | @doemeirefraternidade

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RETRANCA GASTRONOMIA

A MONARQUIA NO LAGO SUL NO ESTILO VITORIANO, A CONFEITARIA DOS SALÕES REAIS ALIADA AOS CLÁSSICOS DA COZINHA INGLESA COMPÕEM A MAJESTADE DO NOVO THE QUEEN’S PLACE POR ANA FLÁVIA CASTRO « FOTOS LUARA BAGGI

O

cenário é típico britânico. Décor, atmosfera, uma imersão. A estrutura de vidro se justifica no nome: The Queen’s Place Greenhouse. Do inglês, greenhouse significa estufa. E ali, na QI 21 do Lago Sul, uma casinha de cristal com ares vitorianos se instalou em meio ao verde das plantas ao redor. Por dentro, a experiência da luminosidade vem com as amplas janelas que revelam a flora num agradabilíssimo convite ao frescor natural. O local, recém-aberto em agosto, usou o período de distanciamento social para repaginar ainda mais a ambiência, trazendo autenticidade londrina ao projeto.

Ao criar o The Queen’s Place Lago Sul, a expectativa da proprietária, Matilde Gemeli, era dar vida à paixão pela confeitaria, que a acompanha desde criança. Todos os fins de semana, ela e a família preparavam gostosuras para receber amigos e parentes. “Desde aquela época, não via a hora de ir para a cozinha. Eu gostava muito de criar e brincar com os sabores”.

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Nascida no interior de Santa Catarina, aos 35 anos, Matilde decidiu realizar um antigo sonho e se instalou em novo endereço em Londres, onde abriu o próprio bistrô. “Foi assim que comecei a fazer minhas próprias receitas, sempre testando combinações com auxílio de muita pesquisa”. Aos poucos, foi se aperfeiçoando na arte da confeitaria ao realizar vários cursos no Brasil e na Europa. Quando retornou ao Brasil, a proprietária quis oferecer à capital federal tudo o que aprendeu na terra da Rainha. “Brasília foi o acaso, mas me apaixonei pela cidade e sinto que aqui é o lugar certo para esta proposta”, acredita. Como era o desejo de Matilde, o estilo vitoriano prevalece na atmosfera intimista e delicada, envolvida por paredes bem ornamentadas. A sala rosa, com ambiance floral e sofás em tom azul Tiffany, faz contraste harmonioso com o charme contemporâneo. É o caso do Green Room, espaço mais íntimo, inspirado nas salas do Palácio de Buckingham. O novo spot convocou um squad de parceiros para incrementar o menu. A começar por uma aperfeiçoada carta de drinks, chamada Seasons Cocktails, elaborada pelo renomado mixologista Gustavo Guedes. As bebidas sinalizam que a casa é não é monotemática: há espaço

para um twist de combinações alcoólicas, especialmente o gin, a bebida favorita da Rainha Elizabeth II. Outra parceria se fez com a Tea Road, para que os apaixonados por chás possam levar alguns blends para casa. Entre as diversas opções, os destaques ficam por conta das infusões de pêssego e eucalipto. Ou a Tea Sellection fantasia, com framboesas, morangos e flores de hibisco, e várias outras mais. Por tradição, o The Queens jamais perderá a majestade, haja vista a performance da confeitaria, recheada dos saborosos quitutes com receitas assinadas por Matilde, herança de seu antigo bistrô londrino. “Eu trouxe as receitas, frutos de muitas experimentações e estudos, ensinei tudo ao meu time e deixo que eles apostem em inovação sem perder a essência. O chef da casa, Pedro Henrique, supera-se na criatividade gastronômica. Assim como a chef confeiteira, Débora Carvalho, cujo talento se estende aos bolos cada vez mais lindos e deliciosos”, diz Matilde, encantada. Entre a lista sucessos, o Red Velvet. O bolo Tiffany, feito de abobrinha com limão, é uma saborosamente leve com nuances cítricas. Sem esquecer o especial Orange and Almonds, opção sem glúten: um bolo de laranja com adição de amêndoas. E veja só: uma rainha não aprecia somente doces e chá. Clássicos ingleses também tem sua soberania. O English Breakfast – com ovos mexidos, bacon, tomates, feijão adocicado e cogumelos. E, ao anoitecer, sentar-se em um dos adoráveis salões e pedir o famoso fish and chips. Pode-se dizer que ambas opções são o que há de mais usual nos costumes londrinos. E o menu conta ainda com o Chicken Tikka Masala – um encontro perfeito das culturas, britânica e indiana –, o Dutch Duck, uma mistura do famoso canard, da França, ao molho de laranja e finalizado com batatas inglesas; e, como não poderia faltar, um gostinho brasiliense: o Filé JK, um dos pratos favoritos de Juscelino Kubitschek – filé à milanesa com mussarela coberto com molho pomodoro. “A expectativa é de que as pessoas venham pela nossa confeitaria, encantem-se e fiquem também para a última refeição do dia. O Pedro, nosso chef, está desenvolvendo um novo cardápio e vamos conquistar o público do Lago Sul para jantar, tomar um bom vinho e ter uma ótima opção de restaurante perto de casa”, finaliza Matilde. The Queen’s Place Lago Sul SHIS QI 21, Bloco B, Loja 10 – Lago Sul @greenhousebythequeen

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Foto: Divulgação

RETRANCA EXPERTISE

ARTESANATO NA SALA DE CIRURGIA TRICOLOGIA, A CIÊNCIA PRECISA QUE RECUPERA CABELOS E AUTOESTIMA. MÉDICO EXPERT NA TÉCNICA, PEDRO VERAS ABRE SUA CLÍNICA NA CAPITAL PARA ATENDER O PAÍS POR NATHÁLIA BORGO

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a infância, a inocente pescaria com a mãe, no interior do Maranhão, deixou marcas em Pedro Henrique Rodrigues Veras. “Aquilo para mim era uma terapia, gosto de dizer que é o que acontece atualmente quando estou trabalhando com o transplante capilar. Foi um treinamento”, diz. O médico associa os dias felizes, quando era só acordar, preparar a isca, chegar até o açude e pescar o peixe, à sua caminhada no ramo em que atua hoje em dia. Especialista em tricologia, Pedro Veras realiza um trabalho minucioso que traz de volta à cabeça das pessoas mais que cabelos, o amor próprio.

Formado em Administração e Medicina, com pós-graduação em dermatologia e estética, foi de Istambul que trouxe a técnica que tornou a Clínica Veras pioneira no transplante capilar em grandes áreas. “Ainda no primeiro ano de Medicina, eu me apaixonei pelo procedimento. Estava no segundo período da faculdade quando participei pela primeira vez de um transplante capilar. Naquela época, era uma cirurgia praticamente experimental. Já formado, passei três meses em Buenos Aires e mais nove na Turquia para aprender novas técnicas”, relata. Pedro precisou despertar também seu espírito empreendedor. Para abrir a primeira clínica, em São Luís, sua terra natal, vendeu um carro. Hoje, equipe soma mais de três mil cirurgias de transplante capilar em quase uma década no Maranhão e sem qualquer intercorrência. Por mês, chega a realizar até 40 procedimentos, fora outros tratamentos da tricologia médica para saúde capilar. A matriz tem cerca de 500m² – será ampliada ainda este ano para 1.800m² – com um

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COMODIDADE ANTES, DURANTE E DEPOIS Para entender cada caso antes de entrar na sala de cirurgia, uma junta médica faz a avaliação. A decisão do transplante é conversada entre os profissionais. Aprovado o procedimento, o próximo passo é buscar o paciente para um passeio relaxante antes da cirurgia. No Maranhão, o serviço de concierge garante até um city tour pela capital com os pacientes que vêm de longe. A exclusividade

Fotos: Celso Junior

centro cirúrgico específico, apartamentos individuais para pacientes e familiares, acompanhamentos pré e pós-operatórios, psicológicos, nutricionais e mais. “A gente não utiliza cortes. O método FUE (Follicular Unit Extraction) é uma técnica de extração de unidade por unidade e, com ela conseguimos extrair um número muito grande de unidades foliculares. O paciente no dia seguinte já está apto a retomar as atividades”, explica o também professor de pós-graduação médica em tricologia pelo Instituto BWS-SP, presidente no Nordeste da Sociedade Brasileira do Cabelo (SBC) e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínica e Cirúrgica (CBDCC). Diferentemente da técnica Follicular Unit Transplantation (FUT), pela FUE são feitas microincisões com menos de um milímetro de diâmetro em torno de cada unidade folicular, sem sutura. O resultado mais próximo do aspecto natural possível é o que chama a atenção. “Isso também reduziu o preconceito em relação ao procedimento e aumentou a busca dos homens pelo tratamento”, garante o médico, que também destaca que 95% do público alvo dos transplantes são do sexo masculino. A cirurgia, em muitos casos, é a solução para o problema adiado pelos homens. A calvície é resultado da evolução na falta de consulta e tratamento. Mas o resultado do transplante com a técnica FUE profissional é permanente. O médico explica que os fios não possuem receptores para hormônios na raiz, logo, o paciente não o perderá geneticamente, apesar de ainda existirem fatores externos que ocasionam as quedas, como doenças no couro cabeludo, estresse, depressão. “Enquanto houver área doadora, dá para fazer um novo transplante, mas deixando claro que o paciente não terá de volta a densidade capilar de quando tinha vinte anos de idade”, alerta.

foi uma ideia do próprio médico e empreendedor, que encontrou na fórmula uma maneira de acalmar a ansiedade dos próximos transplantados. Com 80% dos pacientes chegando de outros estados do país, a equipe Veras passou a ofertar serviços de reserva de hotel e passagens aéreas, transfer do aeroporto ao hotel, com motorista e segurança particular na ida e na volta. E foi também esse número que fez com que Pedro expandisse o negócio para o centro do Brasil, bem na capital do País. Brasília, mais precisamente o Lago Sul, recebe a Clínica Veras como referência em dedicação exclusiva para transplante capilar. Um espaço de 1.000m² com três centros cirúrgicos de transplantes, específicos para cirurgia limpa cosmética; área de pós-operatório e três apartamentos para pacientes e familiares; instrumentos de última tecnologia e todo equipamento para monitoramento dos pacientes, além da acessibilidade de elevadores, estacionamentos e guarita 24 horas. “As dificuldades da malha aérea para o Maranhão acabaram gerando reclamações e cobranças dos pacientes. Foram três anos de pesquisas para escolher um local mais central e funcional para todos. Outro ponto positivo é quanto ao pós-operatório. Como muitos pacientes são daqui ou de cidades próximas, eles podem vir à clínica para fazer a lavagem dos fios e o acompanhamento importante para o resultado mais eficiente”, diz. Com o espaço em Brasília, a Clínica Veras se tornou a única do País com duas unidades próprias para transplantes capilares e tratamentos da tricologia em geral. www.clinicaveras.com.br @clinicaveras

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SAÚDE

COLUNA NOVA, VIDA NORMAL DOENÇAS DEGENERATIVAS QUE LIMITAM ATIVIDADES ROTINEIRAS SÃO VENCIDAS COM CIRURGIA MINIMAMENTE INVASIVA E DE RISCOS MÍNIMOS. A TÉCNICA LLIF É REALIZADA PELO CIRURGIÃO RODRIGO LIMA POR LARISSA DUARTE « FOTO LUARA BAGGI

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os 52 anos de idade, a professora de inglês Lilian de Melo não ansiava por muito. Na realidade, o que ela verdadeiramente pedia soa até ordinário para a maioria. Carregar as compras do mercado, descer e subir escadas, correr atrás do cachorro, montar a árvore de Natal com a família no fim do ano... Ela queria suas “rotinices” de volta. Nada além. O obstáculo que por anos impediu a mãe de trigêmeos de concretizar esses pequenos sonhos diários era uma forte dor na coluna lombar. Lilian sofria de uma degeneração grande na região e que, além da agonia, acometia principalmente a sua qualidade de vida. Em 2019, após longa busca por uma saída que aliviasse o sofrimento de uma vez por todas, Lilian bateu à porta do consultório do médico Rodrigo Lima, na clínica Ortosul. Para a sua felicidade, lá dentro, encontrou esperança. À época, recém-chegado dos Estados Unidos, onde se especializou em Cirurgia Minimamente Invasiva pelo Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, o médico trazia para Brasília o que havia de mais moderno no universo de cirurgia de coluna: a LLIF (Lateral Lumbar Interbody Fusion), chamada “técnica do acesso lateral”. “Com o paciente deitado de lado, a LLIF é realizada através de uma incisão pequena na parede lateral do abdômen, permitindo acesso estreito por tecidos e pelo músculo Psoas, que é atravessado apenas pela separação das fibras, sem cortes, até chegar à vértebra e

ao disco que serão tratados”, explica Rodrigo. Assim, o método evita lesões nos principais grupos musculares das costas, órgãos ou vasos sanguíneos do abdômen. “Por ser minimamente invasivo, reduz bastante os danos, tem recuperação rápida e o pós-operatório é muito menos doloroso em comparação às cirurgias de fusão convencional”, afirma. Na lista de benefícios, integram ainda o menor risco de infecção, menor índice de lesões neurológicas, menor sangramento durante a operação e cicatrizes reduzidas. Ainda em difusão no País, a indicação da LLIF dependerá da avaliação médica da condição de cada paciente. Entre as doenças de coluna mais tratadas pelo procedimento, estão a hérnia de disco recorrente, escoliose degenerativa, instabilidade da coluna e discopatia degenerativa. Na maioria dos casos, os pacientes deixam o hospital com menos de 48 horas após a cirurgia e em três semanas costumam retomar as atividades cotidianas. Foi o caso de Lilian. “Três semanas depois, eu já usava salto”, lembra o feito. Depois disso, já teve montagem de árvore de Natal com os filhos, muitas sacolas de mercado carregadas, corrida atrás de cachorro e até descidas saltitantes em escadas. Ex-bailarina, ela também já marcou o retorno à dança. “Estou sem restrição nenhuma. Agora, finalmente posso falar que tenho uma vida normal”, compartilha. @dr.rodrigo_lima @clinicaortosulbrasilia

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Fotos: Bruno Mooca

RETRANCA CIRCUITO

REUTILIZAR O ESPAÇO URBANO, CONECTANDO ARTE À ESPERANÇA NA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DRIVE-THRU REALIZADA NA AMÉRICA LATINA POR PAULA SANTANA

A VERSATILIDADE DO AGORA “A Não estamos sozinhos, Felipe Morozin

arte tem o poder de desafiar o status quo, repensar e recriar os espaços”. Faz todo sentido o pensamento dos sócios Maurício Soares e Mário Sérgio Albuquerque ao ressignificarem imediatamente o galpão cultural ARCA, na Vila Leopoldina, São Paulo, tão logo o novo normal começou a se tornar realidade. O propósito essencial do local, que fora uma grande indústria metalúrgica e marcou a transformação industrial da cidade à época, acasalou perfeitamente o projeto do galerista Luis Maluf de fazer uma exposição de arte nos moldes de um drive-thru.

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Re.ver.so (2017), Vinicius Paris

Apolo Torres

Distortion, Vinicius Meio

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Série Wear my Skin, Thásya Barbosa

A experiência viria como alento no momento em que isolar-se continua sendo o modo mais seguro de resguardo. Mas a vida segue e a ideia de encontrar a dinamicidade culminou na união de 18 artistas de diferentes gerações e técnicas discorridas em pinturas, vídeos e fotografias na cena contemporânea. A curadoria de Maluf se valeu de nomes consolidados que atuam em torno de questões latentes na contemporaneidade em reflexões sociais e éticas, como a importância da representatividade das mulheres negras ou a urgência na preservação do meio

ambiente. “Em comum, eles apresentam pesquisas conectadas ao espírito do nosso tempo”, explica. As visitas são organizadas em um circuito com duração de aproximadamente uma hora, com limite de até 20 carros simultâneos no espaço. A regra é que cada veículo tenha ocupação de até quatro pessoas. As obras têm média de dez metros de altura e podem ser observadas por dois minutos. Se é assim que tem que ser, que seja. @luis_maluf @arcapaces

Carne viva (2019), Luiz Escañuela

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INTERNACIONAL

CURADOR DA PRÓXIMA EDIÇÃO DA BIENAL DE SÃO PAULO, O NAPOLITANO TEM O DESAFIO DE NÃO SÓ EXPANDIR AS FRONTEIRAS DA ARTE, MAS CRIAR NOVA PROFUNDIDADE E VASTIDÃO POR NATHÁLIA BORGO

Q

uando fala sobre o desafio ser o curador da 34ª Bienal de São Paulo, Jacopo Crivelli Visconti é poético e reproduz a própria frase que dá título à mostra: “Faz Escuro mas Eu Canto”. A reflexão que ela proporciona se estende ao surpreendente período em que vivemos, a pandemia. “O trabalho de curador, neste momento, também tem muitas arestas que precisam ser aparadas, como viajar menos e pensar mais localmente”. Jacopo nasceu em Nápoles e vem de uma família que ele considera classe média convencional. O pai é professor universitário de engenharia na cidade até hoje e a mãe era dona de casa. Foi a história de sua terra natal que acendeu o alerta para a arte. As produções artísticas em cada página das épocas grega e romana, além de demais culturas e civilizações que viveram ali, abriram o coração do jovem Jacopo para um mundo sem volta. “Sempre conseguia encontrar tesouros escondidos pela cidade, como igrejas que abrem apenas uma vez por ano, casas de pessoas com objetos incríveis, coleções particulares que você normalmente não consegue ver, mas te abrem os olhos para um mundo vasto”, relata.

Fotos: Divulgação

JACOPO CRIVELLI VISCONTI

Lá na Itália o curso universitário de Letras é um pouco diferente. A escolha foi justamente por agregar todos esses conhecimentos que ele já buscava além dos muros da faculdade. Tem mais a ver com humanidades, adentrando no campo de letras e filosofia. Mas Jacopo precisava viajar para conhecer mais sobre a arte contemporânea. Na Espanha e na Alemanha, trabalhou em galerias e escreveu sobre arte. “É uma formação um pouco diferente da maioria dos curadores, que seguem desde o começo com a carreira curatorial, fazendo estudos e se informando para isso, especificamente”, garante. Na época da 25ª Bienal de São Paulo, em 2002, quando muita gente era contratada para trabalhar nos últimos meses da exposição, Jacopo chegava da Europa com alguns idiomas no currículo e o trabalho de produção. Foi quando sua história começou a se entrelaçar com o Brasil, onde hoje vive e fincou raízes. Mas mantém uma grande circulação internacional, que o tornou um respeitado crítico de arte. Tamanho conhecimento o levou a ser escolhido pelo presidente da Fundação Bienal, José Olympio da Veiga Pereira, como curador da 34ª Bienal – Faz Es-

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Performance A Maze in Grace de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo

Ximena Garrido-Lecca, Campos de Polaridade III (2020)

Fotos: Levi Fanan

TRAJETÓRIA

curo mas Eu Canto. O cargo de curador dura os dois anos. Jacopo ganhou um ano a mais com o adiamento por conta do coronavírus, agora com data marcada entre os dias 4 de setembro a 5 de dezembro de 2021. Na linha de frente da exposição, Jacopo transforma o trabalho colaborativo presencial em colaborativo à distância. “O processo é muito horizontal e já era, na verdade, uma colaboração que se dava muito virtualmente. Nesses tempos, tem sido mais difícil pensar em trabalhos colaborativos, mas, por outro lado, nunca, como hoje em dia, houve uma predisposição por parte de todos de se colocar em diálogo com pessoas do mundo inteiro”, observa.

Aos 47 anos, Jacopo já soma quase vinte anos de Brasil, onde se tornou doutor em Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP), mas o sotaque não nega as origens. O português é falado de forma perfeita, sem deixarmos de perceber um leve sotaque gringo. Mesmo com um currículo rico e intelectual, a simplicidade e a aparente timidez fazem de Jacopo um cara carismático e, acima de tudo, alguém que quer que a arte chegue ao maior número de pessoas possível. O convite para a curadoria da bienal foi desafiador, mas Visconti tem experiência na casa. Entre os anos de 2001 e 2009, foi membro da equipe da Fundação Bienal. Ficou a cargo dele a responsabilidade pela participação brasileira na 52ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia, em 2007. Entre 2015 e 2018, foi curador da SP-Arte. Questionado sobre as curadorias mais satisfatórias que realizou enquanto curador independente, ele para, pensa e fica em dúvida. Mas é provável que seja pela lista extensa de trabalhos. Jacopo relembra GPSLifetime « 83

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Foto: Levi Fanan

Ximena Garrido-Lecca, Insurgencias Botánicas: Phaseolus Lunatus (2017 / 2020)

a curadoria do Pavilhão de Chipre, na 58ª Bienal de Veneza, em 2019, e a retrospectiva de Sean Scully, de 1974 a 2015, na Pinacoteca de São Paulo. Foi ainda curador da exposição do artista mexicano Héctor Zamora, Dinâmica Não Linear, no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, entre 2016 e 2017, e das coletivas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM RJ) e no Museu da Cidade (OCA), no Parque do Ibirapuera (SP), chamada Alimentário, que mostrava ao público, de maneira visionária, a importância da alimentação na cultura brasileira. Na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, expôs a Liberdade em Movimento, em 2014. Uma mostra focada no caminhar enquanto expressão. “O privilégio é acompanhar as ideias tomando forma: o momento em que você está montando a exposição, pega uma obra de um lugar e coloca em outro, vê como ela se relaciona com a outra, o que uma diz para a outra e o que as duas juntas falam para quem as visita. Tudo isso é realmente único e raro”, reflete. Sobre a diferença entre formar uma exposição individual e uma coletiva, ele revela que, na primeira, o cenário é ocupado muito mais pela obra do artista, já na segunda, o curador se coloca mais em evidência.

FAZ ESCURO MAS EU CANTO A frase que dá nome à próxima edição da Bienal foi escrita pelo poeta amazonense Thiago de Mello, entre 1963 e 1964. Um poema antigo e novo, contemporâneo, que encaixa na proposta da Bienal de resistência e história em profundidade. Segundo o curador, ela não é um tema, mas uma metodologia. Uma chance de usar o escuro como meio de concentração, transformação e produção, de relativizar a transparência, em que tudo é possível aos olhos e passível de persuasão, conquista ideológica. No escuro há esperança. A 34ª Bienal vem para preservar o direito à opacidade da obra, sujeitos e grupos sociais. Para quem admira mesmo sem entender, esta edição corta o preconceito e mostra que saber sobre tudo e todos não é uma real necessidade. Ela será composta por 20% de obras artísticas brasileiras e 80% internacionais, que é a média das bienais. A ideia é apresentar artistas brasileiros ao público estrangeiro que chega e também o contrário. Esta edição traria ainda três exposições artísticas individuais que abririam os trabalhos da exposição principal. Jacopo destaca o nome da artista plástica

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Ximena Garrido-Lecca, Paredes de Progreso: Proyectos Productivos (2011 / 2020)

Clara Ianni, uma exemplar crítica da sociedade contemporânea em suas obras. “É um nome que, sozinho, já resume muito do projeto da Bienal e certamente é uma artista ainda muito jovem, mas que veio para ficar no panorama brasileiro”, prevê. Ianni e mais duas artistas, Ximena Garrido-Lecca e Deana Lawson, com individuais marcadas antes da grande coletiva, tiveram as exposições adiadas e dilu-

ídas no evento principal de 2021. “A Bienal é uma via de mão dupla. Por um lado você quer dar visibilidade para a produção local nesse cenário tão importante. Mas, ao mesmo tempo, ela nasceu já em 1950 com esse fim de trazer para o Brasil uma boa mostra da produção contemporânea internacional”, conclui Jacopo. @bienaldesaopaulo

Fotos: Levi Fanan

Performance A Maze in Grace de Neo Muyanga com Legítima Defesa e Bianca Turner para a abertura da 34ª Bienal de São Paulo

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ARTE POR MAURÍCIO LIMA

mauricio@galeriaclima.com.br

SALVO PELA ARTE E

stamos passando por um momento ímpar na história recente do nosso mundo, que nos gera sentimentos e ações ambíguas: isolamento, quebra do isolamento, preocupação, superação, medo, coragem, desinformação, leitura, isolamento social, aproximação familiar. Tudo isso cobra um alto preço das pessoas e exigiu uma mudança de rumo, tiramos o pé do acelerador e entramos em uma crise global, que atinge cada setor de uma forma diferente. O mundo das artes plásticas foi duramente atingido, menos que outros setores culturais, como o teatro, cinema e shows, pois, de certa forma, os artistas puderam se isolar em seus ateliês e continuar trabalhando e pesquisando. Tivemos um grande crescimento no mercado de arte no Brasil nos últimos anos, com isso houve um aumento no nível de profissionalismo, refino e pesquisas que viabilizaram o uso de novas técnicas para o desenvolvimento das obras. Muitas dessas técnicas eram pensadas pelos artistas, mas para realizá-las era necessária uma equipe que em muitos casos se tornaram parte importante e permanente do ateliê. No momento atual que estamos vivendo, de isolamento, muitos artistas passaram a não contar mais com suas equipes e tiveram de se readaptar a trabalhar sozinhos no ateliê. Como faziam no começo de

Eduardo Sued trabalhando em seu ateliê carioca

suas carreiras. É o caso do Sergio Lucena, que atualmente trabalha só em seu ateliê paulista. Segundo o artista, esse período o tem proporcionado mais introspecção e bons trabalhos têm surgido. O ritmo mudou, menos trabalhos são feitos e não só pela ausência dos assistentes, mas até o acesso às telas e às tintas ficou complicado. Outros artistas já não podem se isolar completamente, como é o caso do Eduardo Sued, de 94 anos, que precisa de seu assistente para levá-lo e ajudá-lo no ateliê. O ideal para um senhor dessa idade seria o isolamento para se proteger do Covid-19, mas a arte é um pedaço tão importante da vida de algumas pessoas que viver sem ela seria quase que uma morte. Outro aspecto importante é o econômico. Sou proprietário da Galeria Clima e tenho unidades em algumas cidades. Em nenhuma delas as vendas pararam totalmente, mas o nível da quarentena sem dúvida

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Sérgio Lucena em quarentena em seu ateliê paulista

influencia muito nos resultados. A galeria de Miami começou o ano com boas vendas e continuou mesmo durante uma parte da quarentena, mas, com o grande aumento de casos de Covid-19 na Florida, o movimento caiu bastante. No Rio de Janeiro e em Brasília, o movimento foi bem menor que o apresentado no pré-crise, mas foi mais constante. Em momento de crise econômica, como todos os outros mercados, o mundo das artes plásticas sofre sem poder fazer exposições e maiores divulgações dos novos trabalhos, mas, durante esse momento de isolamento social e com a necessidade de se passar mais tempo em casa, as pessoas começaram a se preocupar em ter uma casa mais agradável, e arte tem um importantíssimo papel nesse processo. Uma boa obra de arte enriquece culturalmente a casa, quebrando a monotonia constante das paredes brancas. Entretanto a pandemia passará assim que todos forem vacinados e o que vai mudar no mundo das artes? Está ocorrendo nesse momento uma maior aproximação das pessoas com o mundo digital, isso é algo que permanecerá, mas a experiência de ver uma exposição virtual está longe de se aproximar da presencial. Algumas obras apresentam detalhes, sobreposições de camadas, brilho e outros aspectos que não são bem representados em fotos ou vídeos. Um

quadro dourado ao ser fotografado fica amarelo. Algumas obras sempre exigirão o olhar presencial, mas isso não impede que essa mesma obra seja comercializada virtualmente para um colecionador com um olho treinado e que já consegue determinar a qualidade da obra mesmo por uma foto. As lives, que passaram a fazer parte dos nossos dias, devem continuar aproximando os colecionadores dos artistas, algo que normalmente não ocorria. Feiras de arte tentarão implementar e continuar com o modelo digital, mas não poderão renunciar ao presencial. O digital será um braço, um extra, mas ainda precisará se reinventar muito para aproximar a experiência virtual do real. Inhotim, que é um dos maiores museus abertos do mundo, tem uma instalação do renomado Cildo Meireles chamada Through (1983-1989), ao passar através dela a pessoa pisa sobre cacos de vidro e experimenta várias texturas e sensações, algo que um passeio virtual pela a instalação nunca oferecerá. Então sempre precisaremos do real, nenhuma câmera fotográfica no mundo se aproxima da capacidade visual dos nossos olhos e essa imersão digital que estamos vivendo agora durante o isolamento só reforçará a necessidade de termos boas obras em casa para podermos conviver com elas e aproveitar o máximo que têm para oferecer. GPSLifetime « 87

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O QUE SERIA DOS CONFINADOS SEM A ARTE NO MODO AMPLO? CAUÊ ALVES É O NOVO CURADOR-CHEFE DA INSTITUIÇÃO QUE CELEBRA 72 ANOS E QUER IR ALÉM DO PARQUE IBIRAPUERA POR LARISSA DUARTE

Cauê Alves

Foto: Divulgação

RETRANCA CONTEMPORÂNEO

O MAESTRO DO MAM

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Foto: João Musa

Sem título (1997), Rosana Paulino

“A ARTE É O LUGAR EM QUE NOS RELACIONAMOS COM OS CINCO SENTIDOS, ELA NOS TORNA MAIS SENSÍVEIS E CIDADÃOS MELHORES”

D

ois mil e vinte. Um ano já tão desafiador por si só. Para Cauê Alves, a dose veio em dobro. Aos 43 anos, assume com apetite a maior missão de sua vida profissional: ocupar a cadeira de curador-chefe de uma das mais importantes instituições culturais do País, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Se o desafio já seria grande independentemente do cenário, agora é titânico. Frio na barriga? Sem dúvidas. Mas, segundo Cauê, não teria graça se não sentisse. Entrar no museu não será mais como na primeira vez que esteve no local, lá no início da década de 1990, ainda adolescente, em um passeio de fim de semana com os pais. Aquela “voltinha” sem compromisso se transforma em inspeção, pede um olhar atencioso, confirmando se está tudo em ordem. Um dia visitante, agora Cauê é hóspede. Apesar de ser o marco mais expressivo, esse não é o início da relação profissional entre os dois paulistanos. Cauê e MAM compartilham laços há mais de 17 anos. Ele foi colaborador em várias ações curatoriais no museu, assinou a co-curadoria do 32º Panorama da Arte Brasileira, a curadoria do Clube de Gravura, de 2006 a 2016, e foi membro do Conselho Consultivo de Artes entre 2005 e 2007.

“É uma honra estar nessa posição, nesse lugar. Grandes intelectuais passaram por essa cadeira. Devo muito ao MAM e quero retribuir. Não é um momento difícil só para mim, nem só para o museu. O frio na barriga mostra o comprometimento e envolvimento com o tamanho do negócio, mas é o que me instiga”, revela. Vindo do Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), onde foi curador-chefe entre 2016 e 2020, Cauê é mestre e doutor em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, e professor do departamento de Arte da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da PUC-SP. Chega ao MAM para ser o “maestro da orquestra” – como alguns teóricos comparam o ofício de curador – a partir de um ponto de vista institucional. “Como entrega a própria palavra ‘curadoria’, o meu papel é de cuidar. Vou zelar pelo acervo do museu, pela sua integridade física e intelectual, para que obras e artistas sejam apresentados da melhor forma possível e para cada vez mais pessoas”. São mais de 5.600 peças para pensar as formas de exibição dos panoramas da arte brasileira, em equilíbrio com o moderno e o contemporâneo. Uma das frentes da nova responsabilidade, então, será revigorar o trabalho técnico de documentação, conservação e restauração de coleções.

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Fotos: Romulo Fialdini

Paisagem (1948), Tarsila do Amaral

Emblema 4 (1969), Rubem Valentim

Untitled (1964), Antonio Dias

Além do acervo, o educativo também é um dos principais focos da proposta curatorial de Cauê. O desejo é fazer com que a imensidade artística do MAM alcance cada vez mais pessoas, dentro e fora do Ibirapuera. “Eu quero aproximar o educativo da curadoria. Na minha opinião, o trabalho de curador é também um trabalho de educação. A arte forma indivíduos. Nos formamos humanos à medida que temos experiências artísticas. Sonho com que as pessoas tenham mais sensibilidade. A arte é o lugar em que nos relacionamos com os cinco sentidos, ela nos torna mais sensíveis em relação ao nosso entorno, ao mundo, e nos torna cidadãos melhores. Ela ensina a pensarmos o mundo sem aceitar ideias prontas, a questionarmos.” E é esse sentimento que torna possível o museu tirar as ideias do papel em um momento de instabilidade global. “O maior desafio é vivermos o período de uma crise enorme, de grau sanitário, econômi-

co e político, que traz insegurança para o mundo todo. A arte não está em crise, mas, sim, o circuito do qual faz parte, em que os profissionais não estão conseguindo exercer seus saberes e mostrar seus trabalhos”, entrega Cauê. Uma vez que o público não pode ir ao MAM no momento, pois está fechado por conta da pandemia, o objetivo é levar o museu para outros ambientes. Todavia, do lado externo da marquise, o Jardim de Esculturas projetado por Burle Marx já permite o contato com parte do acervo da instituição, reunindo a céu aberto 30 obras de renomados artistas. De acordo com o curador, a partir de agora, o MAM se relacionará muito mais com o parque, reaberto em julho, e, além disso, com a cidade de São Paulo como um todo. “O museu já tem uma presença no imaginário das pessoas, o desafio, então, é exibi-lo, expor as obras, passar conhecimento e promover discussões”, diz. O

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Live Breaking com T.H.

primeiro passo é transportar o MAM para o cotidiano, ou seja, para as casas, ruas e escolas. E no momento, a tecnologia é o melhor caminho para isso. Entre as ações, uma parceria inédita foi feita com o Google Arts & Culture, plataforma em colaboração com instituições de arte mundo afora, que oferece visitas virtuais e gratuitas por galerias. Lá, o MAM já subiu algumas mostras antes mesmo destas serem apresentadas no espaço físico. Além disso, o museu armou projeções de obras do acervo em prédios da metrópole para serem apreciadas sob vários ângulos. Outra iniciativa é a reprodução desses trabalhos no mobiliário urbano, como relógios de rua e pontos de ônibus, acompanhados de um código QR que direciona para um texto lido por uma personalidade sobre aquela obra. Às escolas, o MAM contribuirá com o envio de material de auxílio para professores. “Há muito a ser feito. O museu é bem maior que o prédio que ocupa, ele precisa ter mais presença na cidade. É um acervo riquíssimo, mas muito pouco visível e que necessita ser valorizado. Estamos criando estratégias para ampliar as possibilidades de visitação. O objetivo a médio prazo é conseguir aumentar a coleção, fazer com que o acervo reflita grande parte da arte moderna e contemporânea brasileira.”

É TEMPO DO HÍBRIDO Apesar de urgente e pensado às pressas por muitas instituições para sobreviver à quarentena, o virtual não tem validade e não acabará junto com a pandemia, confia Cauê. Ao mesmo tempo, não restam dúvidas de que o fenômeno nunca será capaz de substituir a experiência presencial. “Não é uma coisa passageira. O desafio dos museus foi, e será daqui para frente, pensar um mecanismo mais híbrido, isso é inescapável. Já existem obras idealizadas exclusivamente para o virtual, mas se não for o caso, esse ambiente deve ser somente o lugar de primeiro contato. Museu é o local da contemplação, onde se permite ver a obra na sua escala. Todo mundo conhece a Mona Lisa de cor e salteado, e mesmo assim ainda fazem filas enormes para ver a pintura de perto.” Na opinião do curador, o isolamento social colaborou para que as pessoas prestassem mais atenção na arte. “Ela é um respiro, lugar de nos reconhecemos como humanos, da sociabilidade, do encontro. O que seria de nós confinados sem livros, músicas, filmes e obras de arte no modo amplo? Mesmo que a vida seja mais corrida no virtual, ainda sim a arte e a sensibilidade é o mais fundamental”.

@mamoficial

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Fotos: Rodrigo de Castro/Divulgação

MULTIARTISTA

EM SEU CENTENÁRIO, AMILCAR DE CASTRO É REVERENCIADO POR GALERISTAS E MUSEÓLOGOS. OS FILHOS PREPARAM FEITO INÉDITO PARA A DATA: UM LIVRO DE POESIAS ESCRITAS PELO ESCULTOR POR CAROLINA SAMORANO

A LIBERDADE DO CONCRETO U

ma chapa de aço, dois cortes, uma dobra. As esculturas imensas, de formas geométricas, que tornaram o escultor Amilcar de Castro internacionalmente conhecido, parecem até feitos da engenharia. As semelhanças estão no tipo de material, nas dimensões prediais, no corte que a estrutura traça no horizonte. Mas os paralelos com a constru-

ção param por aí. O artista mineiro, que em 2020 completaria cem anos, eternizou seu nome na história da arte e do design justamente por ressignificar a matéria-prima bruta das obras industriais. Em homenagem ao centenário do artista, até setembro, a Dan Galeria, em São Paulo, expõe em tour virtual pela Viewing Room da sua página na internet

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O precursor do neoconcretismo é representado pela Dan Galeria, de São Paulo

uma pequena amostra da obra de Amilcar. São 30 objetos, entre telas e esculturas, dos mais de 350 deixados por ele ao longo da vida. A maioria hoje está sob os cuidados do instituto que leva seu nome, em Nova Lima (MG), comandado pelos seus filhos. As impressionantes esculturas de aço do mineiro, que chegam a cinco metros de altura, ergueram-se no contexto de um movimento artístico chamado Neoconcretismo, nascido no final dos anos 1950 e do qual Amilcar é hoje um dos maiores expoentes no Brasil e no mundo. A ideia, na época, foi exposta em um manifesto escrito por Ferreira Gullar e visava sobrepor uma camada às ideias já revolucionárias do concretismo do pós-guerra. Mais que experimentar com matéria e espaço, esses artistas – Amilcar inclusive – ousaram acrescentar o subjetivo ao concreto. Assim, esculturas abstratas em materiais como aço e cimento passaram a dialogar com a luz e a passagem do tempo, por exemplo. Daí que muitas esculturas de Amilcar guardam em sua superfície a inexorável marca dos anos sobre o metal, e abraçam a ferrugem como parte da sua narrativa. “A passagem do tempo é registrada na obra”, explica Rodrigo de Castro, filho do artista e um dos responsáveis pelo Instituto Amilcar de Castro. "Além do espaço, você tem o tempo passando pela matéria, e o conjunto desses elementos é o que forma a obra”. O encontro de Amilcar com a arte trilhou um caminho curioso. Ele cursou Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), segundo Rodrigo, porque a praxe daquele tempo versava que o filho GPSLifetime « 93

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seguisse os passos do pai. Nos últimos anos do curso, porém, passou a alternar as leis com as aulas de desenho na Escola de Belas Artes, ministradas por ninguém menos que o pintor Alberto Veiga Guignard. Amilcar até chegou a exercer a advocacia em alguns cargos públicos depois que se mudou para o Rio de Janeiro, nos anos 1950, mas acabou abandonando a profissão para trabalhar de diagramador em alguns jornais. Foi nessa toada que ganhou destaque internacional pela primeira vez, ao assinar a reforma gráfica do Jornal do Brasil. A mesma estética de contrastes que ele imprimiu ao jornal, equilibrando blocos de cor com espaços vazios, também passeia pelas telas e gravuras que ele assinou pela vida. “Em vez de pincel, meu pai passou a usar vassouras e trinchas largas para pintar. Essa varredura com a tinta deixava um rastro no tecido da tela, por meio do qual surgia o branco”, descreve Rodrigo. Para ele, a estética é apenas uma versão da mesma linguagem de luz entre blocados que o pai utilizava na diagramação e no esculpir. Mais ou menos na mesma época, em 1953, Amilcar expôs sua primeira escultura construtiva, na Bienal Internacional de São Paulo. O voo ao exterior veio em 1960, convidado por Max Bill, expoente da arte construtivista, a expor na Mostra Internacional de Arte Concreta, em Zurique, na Suíça. Não demorou muito para que o resto do mundo o conhecesse. De volta ao Brasil após uma temporada de estudos nos Estados Unidos, escolheu sua terra natal para fixar os pés novamente. Passou as últimas décadas de vida alternando entre expor, criar e ensinar. Em 1974, retornou à Fundação Escola Guignard, em Belo Horizonte, mas dessa vez como diretor, cargo que exerceu até 1977. Também foi professor da Escola de Belas Artes da UFMG e da Faculdade de Arte de Ouro Preto. Amilcar faleceu em 2002, aos 82 anos, mas deixou seu legado espalhado pelo mundo. Paisagens de diversas capitais ganharam a intervenção moderna

do artista – como a Praça da Sé, em São Paulo, e o jardim das esculturas do Museu de Arte Moderna (MAM), também na capital paulista. Em Brasília, uma peça do escultor integra, desde 2018, o acervo da Presidência da República. A escultura, avaliada em R$ 1 milhão, foi doada pelo Instituto Amilcar de Castro e enfeita a galeria do Palácio da Alvorada.

NOVOS PROJETOS Em tempos de pandemia e de centenário, Rodrigo de Castro comemora também o iminente lançamento de um livro de poesias do pai. A obra, mais uma prova da genialidade multifacetária do artista, tem curadoria do amigo dos tempos de Jornal do Brasil e também de movimento artístico Ferreira Gullar. São cerca de 50 escritos. A publicação está sendo finalizada e tem previsão de lançamento até o final deste ano. Isso se a pandemia não atrapalhar (ainda mais) os planos. Para o segundo semestre, as celebrações pelos 100 anos de Amilcar incluem uma exposição no Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MUBE), em São Paulo, e outras duas mostras, em Salvador e em Belo Horizonte. www.institutoamilcardecastro.com.br

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FACHADA

O PROJETO É BASEADO EM GEOMETRIA. Mas talvez você perca a linha ao ver o resultado.

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VIRTUAL

QUEBRAR PARADIGMAS CONTEMPORÂNEOS, EXPERIMENTAR, EXPLORAR O NOVO E ABRIR JANELAS PARA GERAÇÕES TORNA-SE A VERVE DA SP-ARTE, QUE SE APRESENTA EM PLATAFORMA DEMOCRÁTICA PAULA SANTANA

Sabonete colorido

O MOVIMENTO DA INTEGRIDADE

Ai Wei Wei, Foda

O

que seria de nós, mortais normais, se a arte estivesse se rendido à apatia da pandemia? Arte não para. Arte move, remove. Muda, transmuta. Este ano, numa dinâmica adaptada ao presente, Fernanda Feitosa, diretora e fundadora, apresenta 136 expositores expoentes com a versão virtual SP-Arte Viewing Room. Os cinco sentidos não poderão ser aguçados em sua totalidade, uma vez que a exposição presencial provoca enorme ebulição física e sentimental

Antonio Bokel, Sustentável leveza

em quem as frequenta. Mas a plataforma permite a democratização, o que se tornou palavra de ordem para o segmento ultimamente. “O Viewing Room  foi pensado como um ambiente imersivo que reúne expositores dos mais variados perfis e obras. São nomes já reconhecidos no circuito e também artistas em início de carreira. Traremos importantes atividades para que a arte ocupe a cidade − dessa vez, entrando na casa de todos os nossos visitantes”.

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Tales Frey, Il faut souffrir pour être belle

Maria Lynch, Útero

E a cada ano o limite entre arte e design se estreita. Desde 2016, Fernanda promove essa discussão cada vez mais assídua no circuito artístico. Serão cerca de vinte expositores  que trazem o melhor do design autoral em coleções emblemáticas. A exemplo da Carpenters Workshop (Londres), uma das precursoras da arte funcional, que apresenta uma mesa em mármore desenvolvida pelo alemão Karl Lagerfeld. Os Irmãos Campana, que completam 35 anos de trajetória, também compõem o espaço. Nesta edição, destacam-se projetos inéditos e  artistas que emergem, como  Clara Ianni, Edgard de Souza  e  Marcelo Cidade. Estreiam obras ainda não vistas, como as esculturas de Barrão e de Erika Verzutti, aquarelas de Efrain Almeida, instalações de Iran do Espírito Santo, fotografias de Mauro Restiffe e desenhos de Nuno Ramos. Atenção ao  brasileiro  André Komatsu, representante de uma geração de jovens artistas que contesta movimentos de aspirações regionais, porém nocivas ao próprio povo. Desse novo frescor surgem Moisés Patrício e o norte-americano de 83 anos, Melvin Edwards. E ainda artistas desafiadores de paradigmas da sociedade contemporânea, a exemplo de  Wynnie Mynerva  e Pablo Ravina. Ela discute as políticas da estética  queer  e outras questões de gênero. E ele questiona de que forma movimentos como Black Lives Matters e Me Too estão sendo afetados pelas plataformas digitais.

Bettina Vaz Guimarães, sem título

Nuno Ramos, Rocha de gritos

Suzana Queiroga, Inside B Fernando Burjato, sem título

Charbel-Joseph H. Boutros, Mixed Up Dream #5

www.sp-arte.com

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Foto: Celso Júnior

RETRANCA MORADA

A HUMANIZAÇÃO DA ARQUITETURA O FUTURO SUGERE LARES QUE SÃO REFÚGIOS, SEM EXCESSOS E COM ELEMENTOS EXTERNOS. ENQUANTO ESPAÇOS CORPORATIVOS AGREGARÃO AMBIÊNCIAS DOMICILIARES POR ANA FLÁVIA CASTRO

P

alavras bíblicas dizem diz que quando uma porta se fecha, muitas janelas se abrem. Ao mesmo tempo em que o distanciamento social tornou-se sinônimo de segurança e as pessoas trancaram as portas de suas casas, elas também correram para as varandas e se apegaram aos calorosos feixes de luz solar que entram pelas janelas. Mais da metade da população mundial vive, atualmente, em cidades ou áreas densamente povoadas. O que bilhões de pessoas ao redor do mundo chamam de lar, em grandes centros urbanos, são pequenos espaços separados por tijolos, concreto e aço. Com o advento da pandemia, os olhares para dentro de casa, e também para o mundo lá fora, foram ressignificados.

Historicamente, essa não é a primeira vez que uma crise humanitária de saúde influencia a arquitetura e o urbanismo. Na Idade Média, por exemplo, a peste bubônica transformou os ambientes e lançou um novo olhar sobre as ruas escuras, estreitas e com esgotos a céu aberto. Os mecanismos de desenho urbano, então, precisaram se adequar às questões de saúde da população. No caso da pandemia de Covid-19 e da primeira peste, “vivemos momentos distintos, mas a discussão a respeito da salubridade já ocorre desde a primeira crise sanitária”, relembra Daniel Mangabeira, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU-DF). “Esta não é a primeira vez, nem será a única que nos deparamos com isso”, completa.

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Foto: Denilson Machado

Casa das árvores com terraço, Otto Félix

Os mecanismos de ventilação e a entrada de luz solar são pontos cruciais não só na beleza dos ambientes, mas também quando o assunto é saúde. Os estudos relativos à pandemia levaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) a recomendar que, sempre que possível, os espaços devem ter ventilação natural. Atentar-se a esses detalhes – que parecem pequenos, mas na verdade são determinantes – é fundamental, especialmente para as pessoas que constroem suas vidas em modo vertical, dentro de prédios. “A luz do sol é higienizante, e nós, como arquitetos, precisamos nos preocupar com isso. Nós brasileiros temos mais liberdade graças ao nosso clima ameno”, define Mangabeira. Na capital federal, elementos do modernismo característicos do DNA brasiliense representam algumas regalias que o projeto de Lúcio Costa oferece aos moradores do Plano Piloto. Entre as sinuosas linhas de Oscar Niemeyer, os cobogós e os pilotis são representações da ode à ventilação natural e da valorização dos espaços interligados aos ambientes externos. Entretanto, além de abrir suas residências para os ares que vêm de fora, é preciso que haja segurança e espaços de compartilhamento no que tange à privacidade compartida. “O lado positivo da Covid-19, se há algum nessa peste, é o reforço da necessidade que existe na humanidade de enxergar a vivência de maneira mais ampla. É preciso entender que a casa das pessoas não é só o espaço entre quatro paredes, mas toda a cidade”, expõe o presidente do CAU.

DE DENTRO PARA FORA Não é exagero dizer que nunca se passou tanto tempo dentro de casa e, com a reestruturação dos lares, é neste período que identificam-se necessidades, a exemplo de cômodos subaproveitados e locais que carecem de mais conforto. O contato com o externo, tão ansiado durante o isolamento, deverá ser transportado para os domicílios. Priscilla Bencke, especialista em neurociência aplicada à arquitetura, percebe uma intensificação da tendência do design biofílico – que consiste em agregar elementos naturais à composição da ambiência. “Enxergar, sentir um aroma ou tocar um revestimento natural contribui para o bem-estar das pessoas. Isso tem a ver com o desenvolvimento histórico do ser humano”, reitera. Tais considerações se revelam em uma nova maneira de enxergar a construção das residências – de maneira sensorial. Ao compreender que as pessoas são afetadas não só fisicamente, mas também psicologicamente, pela pandemia, criam-se maneiras de traduzir bem-estar no contexto residencial. “Além de cores, vegetação e iluminação, também ansiamos por aromas, texturas, acústica. Todos esses elementos corroboram para a criação de uma atmosfera coerente para que as pessoas se sintam melhor”, defende a especialista. GPSLifetime « 99

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Foto: André Nazareth

Escritório do empreendedor, Luiz Fernando Grabowski

Quando o assunto é a construção das estruturas, sugere-se que materiais de fácil higienização sejam priorizados. O próprio movimento modernista da arquitetura, que emoldura as composições brasilienses, propõe uma edificação sem muitos adornos, com prevalência dos aspectos funcionais. Ao pensar no lar como refúgio, simplicidade será sinônimo de segurança.

A necessidade do distanciamento por questões de saúde é reforçada a partir do momento em que ela também se traduz em conforto e comodidade individual. Além do estético e do economicamente favorável, a preocupação será com a humanização dos ambientes.

A CASA DO FUTURO

UNIVERSO CORPORATIVO

Por Lívia Pedreira, diretora superintendente de CasaCor

Se os contextos residenciais deverão incorporar elementos externos, os espaços corporativos terão que agregar composições domiciliares – criando uma atmosfera confortável. Em um cenário marcado pelo home office durante meses, os colaboradores enxergaram proximidade entre trabalho e acolhimento. “Antes da pandemia, estávamos observando uma arquitetura de alto adensamento, principalmente quando avaliamos que cada metro quadrado possui valor econômico considerável”, diz Bencke.

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Valorização dos janelões e varanda Cômodos mais amplos, decoração mais espaçada Materiais de fácil higiene, como feitos com nanotecnologia, que podem ser autolimpantes, por exemplo A cozinha será mais protagonista e menos coadjuvante Ambientes integrados, com amplo espaço para home office Decoração com pedras, madeira e elementos naturais Ventilação e iluminação natural Energia sustentável

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RETRANCA ESPAÇO

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ACOMODAR A REALIDADE

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COM ESTILO PRESERVADO, A MORADA PROPÕE ELEGÂNCIA MINIMAL. ESPAÇOS OTIMIZADOS, TECNOLOGIA E NATUREZA SÃO O STATEMENT DO MOMENTO POR PAULA SANTANA

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udo tem sido novo... nova forma de viver, novo jeito de se comportar, nova maneira de morar. Referências mundiais de decoração para tal circunstância atravessam fronteiras, convergem pensamentos e culminam num diagnóstico comum: a convivência será mais valorosa no espaço interior. E isso não mudará mais, independentemente do estilo de vida eleito. E assim vêm soluções que se adequam a projetos que surgem ou que se renovam na percepção do que a casa representa a partir de agora. O conforto é regra unânime. A praticidade torna-se necessária. O fim do excesso ganha voz no discurso da elegância minimal. A morada há de ser prática, funcional e modulada para durar. No home office, personalizar o ambiente com ilhas específicas com mesinhas soltas, painéis ou divisórias que acomodem, por exemplo, reuniões virtuais. Na hora de relaxar, o home theater é forte candidato. Ficar em casa deixou os brasileiros mais ligados do que antes, aumentando em 1h20 o tempo em frente às telas. Os banheiros ganharam mais protagonismo e a ideia é fazer dele uma sala de banho, um spa em

casa, que possibilite um momento íntimo e de relaxamento real. A área de serviço agora pode ser chamada de lavanderia e tem enorme importância. Essencial na hora da higienização de tudo o que vem da rua, de delivery e compras a roupas. Quartos sempre pedem mais atenção, pois em geral são multifuncionais. No minimalismo, madeiras com tons e texturas transmitem sensação de conforto e bem-estar. Salas pedem espaço para trafegar e se mostrar imponentes com pouco. Na macrotendência, a tecnologia táctil das pedras faz o artesanal das rochas ornamentais ganhar requinte. A natureza tem extrema relevância e varandas têm a função de agregar seus elementos ao mesmo tempo em que promove acolhida, relaxamento e interatividade. O consumo consciente de alimentos, assim como a praticidade em sua manufatura pede uma cozinha funcional, mas que seja também um ponto de encontro aprazível. GPSLifetime « 103

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Desconstruir para reconstruir. É sugestão de postura, valores e comportamento para o pós-presente que, ao projetá-lo para moradas, desdobra-se em linhas de traços simplificadamente arrojados. Tocar, sentir, é tão precioso quanto enxergar. Então, texturas que acolhem e humanizam, ao mesmo tempo em que se posicionam com elegância, passam a ter imenso valor. O espaço deve ser evidenciado, ter respiro, fôlego para circular e dar luz ao bom design. Tudo o que se desloca e que se integra. O útil e o funcional. Fazer do intangível algo real. (PS)

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QUE BOM TER UM PARQUE NA VIZINHANÇA!

Qualidade de vida começa no espaço que a gente precisa, no endereço que a gente escolhe e, principalmente, nas facilidades da vizinhança.

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RETRANCA QUEIMADOR

A

té pouco tempo atrás, lareiras não faziam parte do lifetsyle de boa parte dos brasileiros, à exceção de residentes em regiões frias ou montanhosas. Pela funcionalidade de aquecer tão somente ou pela necessidade de grandes reformas no ambiente. Talvez, ter uma lareira nos trópicos poderia parecer exótico ou sem propósito. O fato é que elas ganharam mais fundamento. Como usá-las é a questão. Sabe-se que os queimadores aquecem em média de 10m² a 70m². Entretanto elas tornaram-se descomplicadas, práticas, modernas, seguras e, por que não, uma das atrações do ambiente em dias de aconchego. Ecológicas e portáteis, elas juram não dar trabalho na instalação, mesmo em modelos embutidos, em que é necessário apenas o nicho para encaixe da peça, que pode ser feito de marcenaria, mármore ou até mesmo com materiais reaproveitados de obras. Como funciona?

Todas as lareiras são projetos da Artefacto B&C

AQUECER O CORPO E A ALMA LAREIRAS ECOLÓGICAS TORNARAM-SE SPOT DA CASA. O RESGASTE DO NATURAL ALIADO À TECNOLOGIA FAZ DELA COMPANHEIRA ITINERANTE PARA QUALQUER AMBIENTE POR PAULA SANTANA

As lareiras ecológicas funcionam com biofluído, etanol de cereais 98% puro, especialmente desenvolvido e licenciado para este fim. O líquido é despejado diretamente dentro do queimador. Um kit de manuseio prepara o abastecimento. O Biofluído rende em média duas horas de queima por litro. É preciso chaminé ou coifa de respiro?

Não. Podem ser utilizadas dentro de casa, pois elas não produzem fumaça, resíduos nem cheiro. Podem ser usadas até mesmo dentro do quarto, por terem baixíssima emissão de CO2, menor que a quantidade produzida por duas velas. Pode ter uma televisão acima da lareira?

Tomando alguns cuidados na hora de projetar o espaço, sim. O nicho deve ser revestido com pedra, mármore, cimentícios, deve ter no mínimo 60 cm de altura.

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E terem proteções térmicas específicas para minimizar o calor passado aos revestimentos e aparelhos eletrônicos. Como é feita a instalação?

Os modelos prontos e portáteis não precisam de instalação. Já as lareiras embutidas necessitam de um nicho para encaixe das peças, que poderá ser feito na obra e não precisa de mão de obra especializada. Basta encaixar no nicho previamente recortado. Como é feita a manutenção?

Os queimadores são feitos de aço inoxidável e podem ser limpos externamente com pano umedecido em WD40. Na parte interna usar apenas pano seco. Não recomendamos nenhum tipo de limpeza com produtos abrasivos ou solventes, que possam alterar seu funcionamento e causar mau cheiro. Limpe o queimador a cada 3 ou 4 utilizações para prevenir formação de mancha. É necessário substituir o queimador?

Quando usadas com o biofluído original não há necessidade de troca da manta interna, permanecendo novas durante muitos anos. Simplesmente faça a limpeza regularmente. Posso utilizar as lareiras em áreas externas?

Sim, a utilização poderá ser feita tanto dentro como fora de sua casa. Em áreas externas recomendamos o uso de uma tampa protetora contra água, folhas e insetos. www.ecofireplaces.com.br

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RETRANCA MADEIRA

Todeschini

by Kamy

Decortiles

Decortiles

Fani

DE VOLTA PARA A TERRA Steck

Tons terrosos têm significados tão profundos quanto raízes de densas árvores. Na cromoterapia, o marrom, a cor original da cartela, está ligado diretamente ao acolhimento. Apesar da cor ser enigmática, ela quebra a seriedade dos ambientes, sem perder a elegância, e até absorve energia ruim. A força da cor está ligada à madeira. Os tons terrosos são bem abrangentes, incluindo nuances de cáqui, areia, caramelo, verde escuro, mostarda e bege. O tempo atual pede urgência no resgaste com a natureza (PS)

Ricardo Bello Dias para F.Way

Ecofireplaces

Christoph Jenni para MaxDesign

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Zia Costa para Franccino Daniel Simoni para DonaFlor Mobília

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PARA CADA ESTAÇÃO, EXISTE UMA ESCOLHA CERTA. PARA CADA MOMENTO, ADEGA BARTOLOMEU.

4 09 Su l B ra s í l i a / D F - (61 ) 3 4 4 2-1 1 6 9 St . O e s te G o i â n i a / G O - (62 ) 3 2 1 5 - 4 5 0 0 W W W.AD EGABARTO LO M E U. CO M . B R

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LUMINOSIDADE

Ingo Maurer

PROVOQUE-ME SE FOR CAPAZ A ASSINATURA EXTROVERTIDA DE INGO MAURER ROMPEU O PRAGMATISMO NA ILUMINAÇÃO. PARA DAR NOVO SENTIDO À MORADA, HÁ DE TER LUZ POR PAULA SANTANA

Bellissima Brutta

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Porca Miseria

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YaYaHo

5pack

Bulb

Con Qui

H

á pouco menos de um ano, o mundo perdeu um pouco do brilho com a morte de Ingo Maurer, aos 87 anos. Por cinco décadas ele desafiou a tecnologia, o design, a ciência e todas as regras concebidas sobre luz desde que abriu em 1960 a sua oficina, a Design M, atualmente uma gigante internacional, com mais de 120 endereços em todos os continentes.

Mauren era alemão. Foi tipógrafo e designer gráfico, mas autodidata no ofício lamp designer.  Em 1966, ele mostrou a que veio quando projetou o candeeiro  Bulb,  uma lâmpada dentro de uma concha de vidro que imitava a forma da própria lâmpada. O protótipo, fabricado em uma fundição de vidro na cidade de Murano, Itália, causou alvoroço no showroom da Herman Miller, em Munique. Foi aí que tudo começou e não parou mais.  Especialistas dizem que o trabalho de Maurer sempre causou surpresa e desorientação. Suas criações abstraem “a essência da luz e da tecnologia, arrematados pela estética e pela funcionalidade”. Muitas foram pensadas para serem produzidas em massa. Outras, com cópias variadas. E ainda há aquelas com edição limitada. Cada obra tem a sua jornada própria.  Premiadíssimo, o designer assinou esculturas luminosas que estiveram em museus. É o caso de Light Structure, Little Black Nothing, YaYaHo, Los Minimalos Dos, Lucellino Wall, Wo Bist Du Edison, Zettel’z e Porca Miséria, que encontra-se no MoMa. Maurer, sempre provocativo, não abria mão de atuar na concepção da iluminação, bem como em todo o planejamento dos projetos. Quando esteve no Brasil, há quatro anos, durante uma entrevista para a CasaCor, professou pensamentos quando questionado sobre seu modo destemido e irreverente. “Em tempos de crise, as pessoas sentem muito medo e buscam o tradicional em vez de serem corajosas. Há poucas pessoas com espíritos livres o suficiente para correrem riscos. Falhar também é importante”.  GPSLifetime « 111

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SIMETRIA

Eliane

Urban Arts

by Kamy

A geometria tem linguagem própria. Pode inspirar personalidade, quiçá remeter-se à criatividade. Ou enquadrar-se minimal. Dialoga com o modernismo, instalou-se bem nos anos 60. Mas assina como contemporânea. Formas, linhas e efeitos óticos criam a atmosfera de originalidade. Sua liberdade em integrar contrastes é o que lhe permite a atemporalidade. No décor ela está presente em revestimentos, peças de design e mobiliários com paginações diversas. (PS)

DonaFlor Mobília

Decortiles

A HARMONIA VISUAL Decortiles

Franccino Giardini

Franccino

Christoph Jenni para F.Way Decortiles

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NICHO

A Louis Vuitton criou um baú inédito para guardar a taça do jogo League of Legends

NON NOVA, SED NOVE DO LATIM, ESTA FRASE SIGNIFICA “NÃO NOVO, MAS DE UMA MANEIRA NOVA” E EXPLICA A RELAÇÃO INTENSA QUE A MODA ESTÁ CONSTRUINDO COM O UNIVERSO TECH POR MARINA ADORNO

A

palavra tecnologia remete a futuro, mas este tempo não deve mais ser visto como uma realidade distante. Assim como a moda se reinventa constantemente por meio de coleções, a Apple, por exemplo, anuncia novos gadgets. Com tantas similaridades, não é de se estranhar que os dois mercados se esbarram. Entretanto, para João Braga, professor de História da Moda da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), em São Paulo, essa relação não é exatamente uma novi-

dade. “Todas as épocas têm as suas respectivas tecnologias, e a moda já dialogou com várias delas. O nylon já foi considerado uma grande tecnologia», aponta. Nos últimos anos, as marcas mais reconhecidas da fashion industry começaram a flertar com um outro lado do universo tech, que está em ritmo de expansão: games e realidade aumentada. Em novembro de 2019, a Louis Vuitton criou um baú inédito para guardar a Summoner’s Cup, taça concedida aos campeões mundiais do jogo League of Legends.

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O Gucci App permite que você "experimente" virtualmente o tênis

Personagens do game League of Legends ganharam roupas da Louis Vuitton

Campanha do Ace Sneaker, da Gucci

Além disso, Nicolas Ghesquière, diretor criativo das linhas femininas da maison, desenvolveu looks para personagens do jogo. Um mês mais tarde, os trajes virtuais se transformaram em uma coleção-cápsula exclusiva de ready-to-wear da Louis Vuitton. Igualmente atenta aos novos meio de se manter relevante, a Givenchy incorporou produtos da linha de maquiagem ao jogo Animal Crossing e por aí vai. “Investir um valor alto para comprar roupas que não existem fora desse ambiente, para o momento de encontrar alguém virtualmente, representa uma nova dinâmica”, analisa João Braga. Para muitas pessoas essa associação foi motivo de surpresa, mas para o historiador não há razão para espanto. “Ela está acompanhando o zeitgeist, ar do tem-

po, em alemão. O jovem consome mais que o adulto, é preciso fidelizar essa clientela”, pondera João Braga. Radicada nos Estados Unidos há 15 anos, a espe especialista Carolina Melo observa que esse público sem sempre existiu e teve muita força nos EUA, mas ao mesmo tempo era visto como out outsider do ambiente fashion. O relaciona relacionamento foi ficando sério à medida que a moda foi se aproximando do streetwear e os top gamers se transformaram em pessoas influentes. “Outra coisa que aconteceu recentemente foi que os espor esportes ao vivo deixaram de existir durante a pandemia. Então, os videogames foram acelerados. Pessoas que antes não tinham esse hábito, cederam à nova forma de entretenimento”, co comenta Carolina, que atua como diretora da Tropic Consulting, con consultoria baseada em Miami, que auxilia marcas brasileiras a planejar e executar eventos, campanhas e experiências para o consumidor nos Estados Unidos. “A moda sempre vai estar onde o público está. Essa é a justificativa para essa invasão”, ressalta Carolina. Evidentemente, o investi investimento nas experiências que tanto atraem a geração Z visa aquecer o mercado, mas a crise também serviu para acelerá-lo. A especialista afirma que, em três meses, os planos digitais para os próximos cinco anos Foram fortemente atingidos. “A previsão era de que, em 2025, as marcas de luxo teriam 20% das vendas online. Agora, estima-se que esse número será de 25%”, explica. E há quem acredite que esse prognóstico será superado.

LIVE SHOPPING

A italiana Gucci já assinou óculos de realidade aumentada do Snapchat, incorporou a possibilidade de experimentar virtualmente óculos, tênis, batons e chapéus em seu aplicativo e em junho deste ano deu spoilers de uma parceria com a Fnatic, organização profissional de eSports sediada em Londres. Entretanto a grife também investiu em um formato que, segundo Carolina Melo, é um fenômeno na China. Vendas digitais por meio de live streaming. “Eles montam um cenário na loja e mostram os proGPSLifetime « 115

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ALTA-COSTURA

Desfile da Balmain em um barco no Rio Sena, em Paris

Os avatares do jogo Animal Crossing, da Nintendo, podem completar os looks Givenchy com produtos de make da label

dutos para os clientes, que podem finalizar a compra ou pelo e-commerce da marca ou pelo WhatsApp”. No caso da Gucci, as lives são feitas individualmente e by appointment, por enquanto para Ásia, Índia e Europa. A Burberry também é adepta do formato mais reservado. Já sites como o Moda Operandi fazem transmissões ao vivo abertas ao público com a mesma finalidade. “Eu sei que a Dior está conversando com uma mega empresa de tecnologia para fazer esses live streams para pequenos grupos”, entrega a diretora da Tropic Consulting. Apesar do sucesso, ela admite que a experiência não é a mesma. “Ainda tem muitos detalhes táteis, emocionais e de conexão que faltam alcançar, mas dizem que estamos nesse caminho”, sugestiona Carolina.

Recentemente, pudemos observar mais um impacto da pandemia na moda, desta vez em sua instância mais luxuosa: a Semana de Alta-Costura. Sempre limitados a pouquíssimos convidados, os eventos aconteceram digitalmente e em diversos formatos. Com modelos a seis metros de altura, em barcos pelo rio Sena ou minivestidos. As apresentações inéditas levantaram questionamentos sobre mudanças que podem ou não ser incorporadas. É possível que os desfiles virtuais tenham chegado para ficar? “O cenário foi mudado nessa circunstância, depois de tudo controlado, depois da vacina, creio que volte a ser como era antes. A exclusividade e distanciamento desperta muito mais desejo”, analisa João Braga. O professor acrescenta que é possível que os dois formatos coexistam e Carolina concorda. “O evento físico ainda faz parte da moda e não vai deixar de fazer, mas sem sombra de dúvida esses dois mundos irão se fundir cada vez mais. O phygital – nomenclatura dada para a fusão entre o mundo físico e o digital – vai ser o normal. Acredito que teremos desfiles acontecendo e a possibilidade de comprar digitalmente simultaneamente à apresentação”, complementa.

LUXO INACESSÍVEL

Em um ambiente tão amplo e democrático como a internet, há quem questione se essas associações podem popularizar a imagem destas labels. “O público alvo continua sendo exclusivo. Essas estratégias despertam desejo e fazem as marcas se vincularem ao ar do tempo, mas o produto continua sendo consumido por quem tem acesso ao luxo”, contesta João Braga. “Não existe luxo democrático e acessível. Ele é inacessível. É o conceito dele”, complementa. Na visão de Carolina Melo, esta concepção mudou muito. Ela reflete que, atualmente, consideramos como luxo uma bolsa que milhões de pessoas têm iguais. Antes, era preciso ter exclusividade. “Não há como crescer fazendo luxo no modelo antigo. O game é cool, isso gera cool branding para a marca, mas de forma nenhuma deixa de ser luxo. Sempre vai existir uma gradação”, conclui.

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CORES

O VERMELHO ALARANJADO

Zimmermann - R$ 4.356

A busca, a audácia, a conquista. A satisfação, a bondade, a plenitude. Uma narrativa épica em que vigor e criatividade são critérios essenciais para estimular o intelecto. Statements de cores que se Prada - R$ 8.600 sobrecarregam de significados e dão o tom ao contexto (PS)

Carolina Herrera

Kobi Halperin

Emilio Pucci - R$ 6.461

Balenciaga - preço sob consulta Balmain - preço sob consulta

Dolce & Gabbana - preço sob consulta

Burberry - preço sob consulta

Louis Vuitton - R$ 19.400

Gucci - preço sob consulta Valentino - preço sob consulta

Givenchy - R$ 7.375 Louis Vuitton - R$ 13.200 Bottega Veneta - R$ 20.930 Bottega Veneta - R$ 7.200

Gianvito Rossi - R$ 5.900

Dolce & Gabbana - R$ 4.900

Dior - preço sob consulta

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TETÊ COM ESTILO POR MARIA THEREZA LAUDARES mtlaudares@gmail.com – @mtlaudares

A REINVENÇÃO DA MODA

R

einventar-se mais uma vez. A história da humanidade é marcada por pandemias, pestes, guerras... crises. Toda crise se apresenta como impulsionador de criatividade, testemunha de mudanças. Por isso, podemos afirmar que não vivemos tempos de incertezas, mas, sim, de otimismo. Falar de moda não é coisa fácil, um conceito difícil de definir, porém algo impossível de se ignorar. Que a moda é efêmera e em constante mutação, já sabemos, mas nem sempre lembramos que essas podem ser ocasionadas por situações alheias às tendências criativas. Segundo Michael Specter, a moda é a melhor maneira de conhecermos a expressão coletiva dos desejos sociais e emocionais de uma época. Desde a forma que nos apresentamos aos outros até a revelação de uma condição social, a moda se apresenta em círculos sociais como símbolo de status. Hoje em dia mais do que nunca vivemos o dualismo na comunicação de moda entre o que se toca e aquilo que se imagina e se sente. Se o mundo físico não pode ser como era antes, cabe a nós implementar a experiência virtual. A tecnologia, algo relegado ao segundo plano por marcas comandadas por gerações maduras, tem salvo a indústria da moda da falência completa. As Gerações Z e Alpha nasceram consultando reviews, selecionando na web e comprando online. É importante compreendermos que não é o futuro que está em pauta e, sim, o agora. A maioria das coisas que estamos vendo e vivenciando hoje já existiam no mercado, apenas não estavam implantadas de forma efetiva. O físico e o não físico juntos criarão a nova perspectiva de mercado da moda.

Valentino para alta-costura

O mundo globalizado é outro ponto em questão, pois cada vez mais espera-se que a moda valorize o local para divulgá-lo globalmente. Causar o mínimo impacto possível parece ser o objetivo atual em nossa realidade de fronteiras fechadas e linhas de produção comprometidas devido à dificuldade de fornecimento e distribuição de materiais. Na moda pós-pandêmica, os pilares relevantes são a sustentabilidade, a transparência e a autenticidade. Ainda no campo da

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Galeries Lafayette, em Paris

Geração Alpha

especulação do futuro próximo, é possível que a aquisição do produto global, seja feita “em casa”, local. Tal comportamento permitirá a continuação do hábito de consumo, entretanto, a longo prazo, poderá pôr fim ao turismo de compras que tanto movimentou as primeiras duas décadas de nosso século. Comprar menos, comprar melhor, dita a nova norma – compra consciente. A moda sente a necessidade de voltar ao seu real valor de qualidade, respeitando o tempo de criação bem como o de produção. É preciso reeducar o consumidor a valorizar o produto e a compreender que o preço de uma peça não é aquele promocional. A impaciência da espera e a urgência do desejo nos faz criar sonhos de moda imediata. Mas o que tais sonhos significam nos bastidores da indústria da moda? As coleções intituladas See Now, Buy Now eliminam o tempo de produção, a preparação da comunicação e ainda a reação autênti-

ca às criações, fazendo com que as marcas produzam suas peças tendo por base pedidos imaginários, suposições. Tais ações especulativas envolvem grande risco financeiro, pois tanto pode-se acertar quanto errar ao produzir peças antes mesmo de lançar a proposta. Como consequência, o mercado testemunhou grandes sobras de coleção, que, por sua vez, geraram grandes promoções. Se entre os jovens é comum a exigência de conhecer a origem do produto, de agora em diante a transparência torna-se um dever de toda marca para com seu cliente. Controlar a cadeia de produção é a garantia da mudança de atitude dessa indústria conhecida por seus números poluentes. Surpreender com o produto e fazer sonhar com as palavras. A pandemia trouxe a comunicação digital para o centro da realidade cotidiana, o storytelling passou a ser chave essencial. O importante é saber qual história você quer contar. O desafio vivido por cada maison ou marca de moda é mostrar suas qualidades, técnicas e energia criativa em uma narrativa coerente do produto em realidades virtuais e aumentadas. As inspirações propõem engajamento nas redes sociais por meio de apresentações que flertam com a arte e ainda em lives intimistas. Valentino contou sua história sob a ótica da arte, já Dolce & Gabbana acessou a riqueza histórica do sul da Itália; e se Chanel explorou o movimento do corpo na roupa, Gucci renasceu no encontro da natureza expressa nos jardins. Como em uma biblioteca, a moda nos oferece múltiplas experiências de leitura. GPSLifetime « 121

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Alfaiataria japonesa

Apontar como será a moda daqui para frente é algo muito delicado, pois as iniciativas recentes não caracterizam um novo estilo de vida, mas, sim, uma retomada. Passamos por algo completamente inesperado e, como bem disse Carlo Capasa, CEO da Camera Nazionale della Moda Italiana, uma situação “extra-ordinária”. Muitos questionamentos foram levantados, como o fim das coleções resort, cruise ou até mesmo terminar com a classificação por estações, considerando que ambos hemisférios são compradores ativos em nosso mundo globalizado. Alongar coleções e diminuir promoções é uma das alternativas para acabar com a produção excessiva que nasceu nos anos noventa do século passado com o advento do fast-fashion.. Se o momento em que vivemos é fora do comum, vale questionar como serão as futuras semanas de moda. Unir as semanas de moda ou extingui-las de uma vez talvez seria a melhor opção? Primeiramente cabe lembrar a contribuição que cada evento atrai para os países em termos de turismo. Em seguida, podemos avaliar a complexidade da cadeia de produção ao considerarmos a fusão de coleções masculinas com aquelas femininas. Por fim, estudos recentes questionam o impacto real da comunicação à distância, os ditos footprints que também existem no mundo virtual. É preciso levar em conta toda forma de impacto com responsabilidade e transparência.

O movimento comfy

Em períodos pós-guerra, o desejo de beleza retorna para lançar sementes de esperança. Foi assim com o New Look que fez Christian Dior trazer de volta a alegria com suas roupas elaboradas. No mundo atual, enviar novas mensagens é encontrar um novo posicionamento que alcance não somente diversas nacionalidades, mas em especial gerações diferentes. A Europa, dona de imagem sólida e consolidada na tradição do clássico, enfrenta o desafio da comunicação de sua capacidade criadora. Já China e Coréia habitam o mercado jovem, propondo uma imagem fresca e ino inovadora. A valorização do feito sob medida retorna como bom investimento. No Japão, jovens na faixa etária dos 20 anos acreditam que um terno feito sob medida seja um bom investi investimento. A customização e o sob medida sur surgem como o futuro da moda. O streetwear repensado ganhará toques de alfaiataria, um pouco mais de sofisticação. Trabal Trabalhar em casa, o home office, é uma realidade sem volta, que propõe o repensar do guarda-roupa corporativo. Simplificar é a palavra de ordem. Atemporais em estilo, as peças em tamanho único são cada vez mais cogitadas. A estética da moda inspirada na vida dentro de casa traz a abordagem aconchegante e moderna. A moda é uma indústria criativa na qual não existem soluções absolutas e pela primeira vez desde o final da se segunda grande guerra é chegada a oportunidade de pensarmos juntos.

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VIRTUAL

365,

Jack Vartanian - R$ 2.650

Tiffany&Co. - R$ 94 mil

MULTIPLE VIEWS

A dinâmica take away prevalece. E-commerce, pick up, tudo integrado na nova engrenagem em que o consumidor é o maior beneficiado. É o phygital cada vez mais presente. Na verdade, um processo que se tornaria natural, mas que foi acelerado pela circunstância da ocasião. A grande novidade mais recente é o Iguatemi 365, uma plataforma de vendas online com a expertise e curadoria da marca Iguatemi, 24 horas por dia, todos os dias no ano. Com mais de cem marcas nacionais e internacionais, a operação nasceu conectada ao espaço físico, aproveitando a estrutura das lojas dos shoppings, integrando os estoques e respeitando a precificação. E o cool são as labels exclusivas vendidas somente no 365. Todas com propósito, posicionando-se dentro do que o mundo nos pede muito agora: as consciências ética, ambiental e social. Vem conhecer. Navegue, delicie-se, escolha, coloque no carrinho, confirme a compra. E espere ansiosamente a chegada de uma bela caixa preta com suntuoso laço. Um presente. (PS)

Dolce & Gabbana - R$ 7.900

Spektre - R$ 1.999

Cariuma - R$ 398

Ermenegildo Zegna - R$ 17.050

Emporio Armani - R$ 1.050

Coach - R$ 3.298 Blue Bird - R$ 374

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M.Missoni - R$ 2.650

7 For All Mankind - R$ 1.593,86

Polo Ralph Lauren - R$ 460

Max Mara - R$ 6.880

Hugo - R$ 800

A.Niemeyer - R$ 890

Anselmi - R$ 2.378,90

Chiara Ferragni - R$ 4.200

Muzungu Sisters - R$ 2.100

Radical Girl Gang - R$ 260 Língua Franca - R$ 2.100

Diane Von Furstenberg - R$ 3.300

Sold Out - R$ 420 Si - R$ 798

Boss - R$ 1.060

Vilebrequin - R$ 1.240

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ENTRE NÓS POR PATRICIA JUSTINO

pattyjustino@hotmail.com – @patjustinovaz

COVID TIMES... JÁ NÃO SOMOS MAIS OS MESMOS, NÃO É? TEMOS NOVOS ANSEIOS, DEMANDAS E EXPECTATIVAS. NESSE CAMINHO DO INÍCIO DA PANDEMIA ATÉ AQUI, TIVEMOS ALGUMAS CERTEZAS DE COISAS QUE QUEREMOS VIVER OU TER DAQUI PARA A FRENTE. O QUE TE MOVE NESSE MOMENTO? JÁ PENSOU NA SUA NOVA WISH LIST?

VIAJAR, VIAJAR, VIAJAR...

ARTE PARA VESTIR A MESA

@palais_galliera

www.hwdecor.com.br

Torcemos para que as viagens voltem a fazer parte das nossas programações. Que tal reativar roteiros e construir novas memórias afetivas? Paris, a eterna Cidade Luz, sai na frente e já oferece ao mundo grandes programações culturais. A Maison Chanel, por exemplo, está apoiando o projeto de reabertura do Museu de Moda de Paris, onde a principal atração será nada menos que a exposição Gabrielle Chanel, manifesto de moda. De outubro a meados de março de 2021, esta bela homenagem estará disponível ao público com registros fotográficos sobre a vida de Gabrielle, peças icônicas do acervo de colecionadores pelo mundo, dos museus parceiros, objetos pessoais vindos da casa da estilista, além de histórias incríveis que mostrarão a construção e evolução do estilo Chanel de ser. Imperdível!

Nunca se voltou tanto os olhos para os lares; depois de tanto tempo dentro das casas, as pessoas perceberam como é legal curtir cada cantinho do seu lar, mudar as coisas de lugar, dar uma cara nova aos ambientes. Nesse contexto, uma marca paulistana especialista em tableware ganhou ainda mais espaço, a Home Wish. Seus objetos em pedras naturais são verdadeiras joias para casa. Primeiramente moldados pela natureza, cada item possui características únicas que, além de funcionais, ganham status de obras de arte quando usados para decorar ou no serviço à mesa. Raphaela Gazire, a mente criativa por trás da Hwish, conta que cada pedra usada na criação das peças possui propriedades energéticas e fazem toda a diferença nos ambientes, ou seja, ao adquiri-las é como fazer um convite a si mesmo para viver em meio à beleza e ao bem-estar.

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RETALHINHOS DO BEM

Em março de 2020, as amigas Andrea Cabrera e Cláudia Salomão criaram um projeto que incentivava as pessoas a doar tecidos e aviamentos para a confecção de máscaras. A produção que começou despretensiosa, atingiu rapidamente um volume de 10 mil unidades, que foram doadas para várias instituições, hospitais e comunidades carentes. A dupla gerou empregos diretos para 20 costureiras que estavam em situações vulneráveis e, desse time, recrutou as mais habilidosas mãos para produzir uma linha especial de pijamas com tingimento natural no estilo “Tie dye”. Os pijamas ficaram famosos circulando nos feeds mais descolados do Instagram, consolidaram a marca e abriram caminho para outras novidades que estão vindo por aí. Uma ideia que virou motivação, gerou uma ação em prol do bem e se transformou em negócio de sucesso. Simplesmente, inspirador! @retalhinho_do_bem

LU GARCIA

De Uberlândia para a capital do Brasil, a designer de moda Lu Garcia (nome homônimo da marca) especializou-se nessa quarentena na confecção de peças em moletom. Mas não se trata aqui daqueles No mundo pós-pandemia, cuidar do próximo conjuntinhos básicos que vemos tornou-se algo vital. Há um ano em BH, um dos muito por aí, são vestidos com polos da moda nacional, foi criada a Ana Duque, marca diferentes shapes, calças, saias que já nasceu valorizando comunidades locais; criando e casaquinhos minimalistas produtos com transparência e propósitos. E ainda conta com toques de sofisticação. histórias de pessoas através das roupas. As diversidades A minicoleção transita numa culturais são as suas inspirações e, por meio delas, o paleta de cores incrível, que resgate dos trabalhos manuais de artesãos, tingimentos vai dos tons pastéis aos mais naturais etc. Cada peça vem com um QR code que clássicos, como o Navy, o leva direto a uma página com a jornada do produto, Preto e o Oliva. Agradou tanto onde é possível acompanhar todo o que passou a ser o carro-chefe processo de produção. Digna de de vendas da marca, seguido das aplausos! t-shirts com frases positivas. Em www.anaduquemais.com Brasília, podem ser encontradas na concept Store Q.U.A.D.R.A, onde a estilista começou a sua carreira criando coleções exclusivas, e no e-commerce da marca.

VALORIZAR QUEM VALORIZA O PRÓXIMO

@lugarciastore

LUCILA PENA

A estilista mineira radicada no Distrito Federal Lucila Pena, conhecida por criar coleções femininas e repletas de estilo, também ganhou destaque nessa fase pandêmica com uma coleção cápsula que tem como principal característica o mood “Fun”. Com o intuito de criar uma roupa cool e confortável que fosse ideal tanto para ficar em casa como para sair, a designer criou um conjuntinho estampado de Leopardos que virou febre entre fashionistas de todo o Brasil. Sucesso absoluto na primeira leva, as peças acabaram desencadeando uma nova família de roupas fofas e confortáveis. A padronagem da vez é o “Vichy”, numa variada cartela de cores que dão aquele “ar francês” aos looks. www.lucilapena.com

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@DIOWATCHESANDDIAMONDS (61)99605-1969

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METAIS Colar em ouro, citrino e topázios azul e branco, Silvia Badra - R$ 3.800 Choker em ouro com ametista e topázio azul, Grifith - R$ 13.500

Bracelete em ouro com ametista e topázio azul, Grifith - R$ 12.250

Anel em ouro com ametista e topázio azul, Grifith - R$ 7 mil

SHINE BABY

Anel em ouro e diamantes, Dio - R$ 15 mil

Uma nostalgia nos leva aos tempos onde o ouro amarelo era o maior protagonista. Nesta mesma nuance, gemas em sua diversidade de tons davam opulência à joia, independentemente de seu tamanho. Mas a monumentalidade bem lapidada terá, sim, o seu imenso valor. Leveza e movimento farão todo sentido agora. E se houver um contexto histórico, a nobreza está garantida (PS)

Anel em ouro, rubis e diamantes da coleção Monet, Miranda Castro preço sob consulta Bracelete em ouro, ametista e diamantes da coleção Monet, Miranda Castro - preço sob consulta

Brincos em ouro e safiras coloridas, Dio - R$ 8.800

Brincos em madeira e ouro, Silvia Badra R$ 2.400

Brincos Jasmim em ouro amarelo com brilhantes, Carla Amorim - R$ 23.540

Anel em madeira e ouro, Silvia Badra - R$ 1.560

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Anel em ouro e diamantes da coleção Monet, Miranda Castro - preço sob consulta

Anel Flor de Maio em ouro amarelo, Carla Amorim - R$ 11.610

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Sobre o brilho que hรก em certos momentos da vida....

61.3365-5274 @silviabadra SHIS - CL - QI 21 BLOCO A - LOJA 19

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MODERNO

Dior Lanvin

Les Hommes

Prada

M1992

Reese Cooper

Comme des Garçons

Céline

DESCONSTRUIR A INDIFERENÇA POR PAULA SANTANA

Um homem positivo. Mesmo frágil na incerteza, é sábio no pensamento. Esse foi o perfume que a moda masculina deixou na última temporada. Não se trata do novo normal, e, sim, do não normal. Hora de criar alicerces nos códigos estéticos da marca. Ser inspirador, mas sem rupturas. Laços históricos são essenciais. Não a loucuras, sim à serenidade. Ser sustentável física, emocional, espiritualmente. O desejo do futuro é simplesmente atravessar o presente. E o que é bom, resistirá. O homem do agora é romântico, encantador, digno.

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PONTEIROS

SÓ O TEMPO DIRÁ Bvlgari - R$ 87 mil Tag Heuer - R$ 68.853

Iwc para Grifith - R$ 41.500

Panerai para Grifith - R$ 106.900

Salōes virtuais, atendimentos live streaming, encontros private... a alta-joalheria não perde o compasso ao manter a proximidade com seu fiel e seleto público. A tecnologia é high-end,, mas as referências podem ser clássicas. Ícones do design em edições limitadas ao tamanho do desejo (PS)

Fendi - R$ 11.700

Cartier para Grifith - preço sob consulta

Rolex para Pedrart - R$ 76.450

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PHYGITAL

Alexandre Vauthier

POR PAULA SANTANA

Ao primeiro olhar, parece indecifrável. Talvez enigmático. Totalmente escapista. Denso de sentimentos. Artístico, cênico, transgressor. Afinal, como a altacostura deveria se comportar, abrindo a temporada de moda em meio ao advento pandemia? Do cenário simplista de confecção – uma vez que as peças são artesanais e normalmente contabilizase uma costureira por look – até a própria energia criativa do criador. Há de se analisar o impacto que a roupa couture, repleta de contexto, projeta no espectador... um querer virtual que precisa brotar a partir de um enredo filmográfico. O fato: o show intangível prossegue. Anárquico, pois a liberdade de pensamento é expressionista e um artista precisa mergulhar nessa viagem pra dentro de si, transformando sensações delirantes em desejos reais.

Iris van Herpen

Giambattista Valli

Bouchra Jarrar

Guo Pei

Ronald van der Kemp

Ulyana Sergeenko

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Xuan Rahul Mishra Viktor & Rolf

Valentino

Chanel

Ralph and Russo

Alexis Mabille

Imane Ayissi Stephane Rolland

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CÁPSULA

TRUQUES DO VELHO MUNDO

POR PAULA SANTANA

Moda ao vivo é viva. Será coerente o digital transformar o tradicional? Personas & ambiance... quão valorosos são, apesar de parecerem óbvios quando na verdade nunca foram. Pobre menina rica, versava Vinicius de Moraes. É o adeus ao blasé. Fame & Celebrities... how bizarre. Gastos generosos, ostentação desmedida... does it make any sense? Mesmo sem parar, o tempo pede pausa. Mas prosseguir sem mudar, parece tolo. E assim desfiles phygital compuseram as coleções Resort. Havia espontaneidade. As roupas eram descomplicadas, inteligentes para a nova realidade. Afinal, desnudarse para reinventar-se é o que há de mais sofisticado no que a moda pode ofertar agora. Play the (new) game.

Victoria Beckham

Silvia Tcherassi Isabel Marant

Dior

Ermanno Scervino Versace Gucci

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Tod’s Louis Vuitton Salvatore Ferragamo Sportmax

Lafayette 148 Luisa Beccaria Off-White Christian Winjants

MM6 Maison Margiela

Burberry

Norma Kamali

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EXPLORA POR MARCELLA OLIVEIRA @marcella_oliveira

REFÚGIOS BRASILEIROS Arrumar a mala, pegar um avião e explorar um destino novo. Nunca isso fez tanta falta. Um dos setores mais prejudicados pela pandemia, o turismo, aos poucos é retomado. Ao mesmo tempo que a vontade de conhecer o mundo nos desperta curiosidade, a reflexão proposta por esse momento nos fez também voltar o olhar para o Brasil e seus refúgios. Com as fronteiras fechadas ou cheias de regras, os destinos domésticos são ótimas opções para aquelas primeiras escapadas pós-isolamento. Hotéis já estão prontos – e seguros – para receber, seguindo todas as regras de segurança sanitária determinadas pela OMS. Então é só descansar, apreciar uma paisagem cinematográfica e valorizar o que há em terras tupiniquins.

PARAÍSO PARTICULAR

Quando o avião sobrevoa o Alagoas, impossível não se encantar com as cores do mar e da praia. Do aeroporto de Maceió, 30km até Barra de São Miguel. Foi lá que o engenheiro português Pedro Marques construiu o Kenoa Resort, um lugar que reflete a relação do homem com a natureza, a simplicidade, a privacidade e o conforto. O local foi reaberto no dia 10 de junho. Por lá, impossível não se conectar com a natureza. A vista para o azul turquesa paradisíaco do mar é, sem dúvida, a cereja do bolo das 23 acomodações entre suítes e vilas, que contam com piscinas privativas com borda infinita. A magia da natureza se entrelaça à arquitetura de forma natural, e garante a proposta ecológica do hotel, com uso de materiais reciclados, madeira recuperada e luzes de LED. Por mais que o registro fotográfico seja inevitável, o convite ali é para se desconectar. A cada passo no paraíso construído em uma praia quase deserta faz com que o que existe fora dali pareça não importar. Um escape para sentir a natureza, talvez como você nunca tenha feito antes. @kenoaresort

UM RESPIRO PARA A ALMA

Entre as dez vilas exclusivas do Hotel Kilombo Villas, na praia de Sibaúma, no Rio Grande do Norte, o tempo parece contar diferente. Mais calmo, mesmo com toda a tecnologia. A reabertura foi no dia 8 de julho e a propriedade aposta no conceito de turismo Eco Slow, com o luxo de serviço privado de mordomos, mas em meio ao mar, rios, dunas, falésias e coqueiros. Com uma concepção arquitetônica minimalista e um distanciamento entre as vilas, cada uma delas tem seu charme e surpreende quem se hospeda, seja pela paisagem do amanhecer ou pelo romantismo. A gastronomia é brasileira, mas com um toque mediterrâneo e asiático. O hotel fica em frente a uma praia quase deserta e protegida pelo Ministério do Meio Ambiente e é compartilhada com tartarugas e seus ninhos – e ainda integra o Projeto Tamar. É em meio ao aconchego de uma experiência luxuosa e ao mesmo tempo reflexiva que se pode assistir o verdadeiro espetáculo da vida. @kilombovillas

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UM TESOURO NEM TÃO ESCONDIDO

Tons verdes da água, praias pequenas e exclusivas, vegetação robusta. Esse é o cenário da natureza que compõe o Ponta dos Ganchos Exclusive Resort. O hotel fica na sossegada Governador Celso Ramos, a 60km de Florianópolis e 50km de Camboriú, e é membro da The Leading Hotels of the World. São apenas 25 bangalôs distantes uns dos outros, divididos De Fortaleza, no Ceará, são 70km até a Praia em seis categorias (entre 80 e 310 m²), espalhados pelos 80 mil m² de Taíba. Foi um terreno elevado, com vista que compõem a propriedade. Todos grandes, com decoração clean e espetacular para o mar, o escolhido pela rede aconchegante, com muita madeira, e lareira para as noites mais frias. Carmel para o novo hotel. O Carmel Taíba O hotel reabriu no dia 30 de julho e é o destino ideal para casais que Exclusive Resort tem tamanho, mas sabe buscam tranquilidade, uma vez que não hospeda crianças. O clima acolher. São 36 vilas. Cada caminho descoberto romântico em meio à exuberante Costa Esmeralda fica completo pelas dependências do hotel proporciona pela experiência gastronômica – criada pelo chef José Nero –, sensações. Tudo foi milimetricamente pensado sempre muito regada a frutos do mar e, claro, a ostras, já que para que a experiência seja de imersão em uma o estado é responsável pela produção de 90% das ostras do mistura de design e muito verde, fruto da parceria Brasil. Um dos passeios, inclusive, é a bordo e um barco entre Marcelo Franco (projeto arquitetônico), João pescador com degustação de ostras e espumante. E, Armentano (interiores) e Alex Hanazaki (paisagismo). provavelmente, um encontro com golfinhos no O hotel abriu em dezembro, mas ficou boa parte da entorno da península. pandemia fechado, reabrindo no dia 1º de julho. E lá se @pontadosganchos pode contemplar a paisagem, ouvir o barulho do mar, sentir a energia do Nordeste brasileiro. Um piquenique com vista para a praia, uma varanda para se acordar com os primeiros raios de Sol, uma gastronomia regional. Do alto, o pôr do Sol em diferentes tons de laranja.

BONS VENTOS E MUITA PAZ

@carmeltaíba

CASA LONGE DE CASA

O Quadrado de Trancoso, na Bahia, tem um charme encantador. O colorido de suas casinhas faz a gente viajar no tempo. Envolto por essa atmosfera, 12 casas compõem o ímpar UXUA Casa Hotel & Spa. Não são apenas hospedagens para quem busca fugir da correria do dia a dia. Mas lugares que têm alma e história, a maioria delas com mais de 500 anos de existência, que foram restauradas com materiais recuperados e técnicas tradicionais pelos artesãos locais que colaboram com o designer holandês Wilbert Das, fundador do hotel. A ideia dele foi um estúdio tropical dos sonhos. Mais do que um lugar para relaxar, a proposta do UXUA é te fazer olhar para dentro, cuidar da saúde e sentir a energia da natureza. Dentre os serviços, a culinária baiana da chef Ju Pedrosa.

Tudo de forma que te aproxima da essência, do aconchego e do seu lar. Seu João, Pedrinho, Eugênia, Dona Frozinha são alguns dos nomes das casas, que aproximam o hóspede do clima baiano da região. Um rústico-chique no melhor estilo “Home sweet home”. @uxua

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CLÁSSICO

POR UMA VIDA CONTEMPLATIVA Nem todos os caminhos se abriram entre nações, por ora, mas meios de planejar uma pausa não precisam esperar. Há tempo para calmaria. Trocar a atmosfera, admirar o belo, resgatar sensações nunca foram itens tão necessários. Na Europa, spots seculares de alto garbo podem ser o melhor indicativo para essa retomada de ânimo. POR PAULA SANTANA

BADEN-BADEN 1925 É nesta cidadezinha alemã de pouco mais de cinquenta mil habitantes que se localiza um dos melhores hotéis do mundo, o Brenners Park Hotel & Spa, propriedade inicial da Oetker Collection. Cercado pela encantadora Floresta Negra, um refúgio tranquilo repleto de vinhas acomoda os amantes da Belle Époque. Destino obrigatório da nobreza e da intelligentsia europeia, o spa para tratamentos de saúde, assim como a gastronomia, somamse aos prazeres ofertados pelo local. @brennersparkhotel

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ANTIBES – 1870 No ano em que celebra 150 anos, o lendário Hotel Du Cap-Eden-Roc reabre com novo conceito gastronômico, além de uma infusão de estilo na ambientação, assinada pela arquiteta brasileira Patricia Anastassiadis. Cenário frequente de desfiles e filmes, a famosa propriedade ainda reúne nomes da arte, do cinema, da literatura, dos negócios e movimenta o verão da Riviera Francesa. Um dos clássicos do mediterrâneo. @hotelducapedenroc

LONDRES – 1719

PARIS – 1925 Ícone da sofisticação atemporal, o Le Bristol reabrirá suas portas para um novo capítulo de sua história. Muitas novidades, a começar por seu jardim interno inteiramente reconfigurado sob um conceito elegante baseado na biodiversidade. Quartos e suítes também foram majestosamente reformados, com uma nova estrela: a Suíte Lumière, no quinto andar, com vista para a Rue du Faubourg Saint Honoré. Expectativa para o primeiro hotel europeu que recebeu a distinção de palácio e nunca antes em sua historia havia fechado as portas.

São trezentos anos de história na propriedade que pertenceu ao Visconde de Lanesborough. Tudo começa com a abertura da Lanesborough House, uma mansão de três andares na esquina do Hyde Park. Em 1733, um grupo de médicos fundou o Hospital St. George. E somente em 1987, o escritório de arquitetura Fitzroy Robinson o transformaria em hotel de luxo, mantendo a fachada intacta. A casa de chá que já recebeu a rainha e o Club&Spa é um dos mais exclusivos espaços fitness de Londres. @the_lanesborough

@lebristolparis

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RETRANCA RELAX

PRINCESA DO CARIBE

TUDO CORRE PARA O MAR O desejo pode ser secreto, mas quem não imaginou que este ano tão exótico poderia terminar exatamente agora! E inesperadamente as férias já estariam programadas para um paraíso na terra. Diversão nas praias, descanso nas villas, relaxamento nos spas, brincadeiras no mar, prazeres gastronômicos, passeios pelas cidadelas. Tudo com serviço 24horas, um gentil butler, amenities nas suítes mais belas, programações jamais imaginadas. É muito mimo. É muito bom. É muito merecido. (PS)

St Barths é paixão mundial. O formato petit colabora para que tudo seja especial. Um das atrações será a reabertura do Eden-Rock St Barths. A temporada traz as villas com coleção de 140 propriedades que conta com os serviços fornecidos pelo lendário hotel, na praia de St Jean Bay. Dentre as novidades, novos móveis e acessórios criados por artesãos locais e antiguidades trazidas da França, Itália, Reino Unido. No topo da rocha, onde a propriedade teve início, o Eden Spa. @er_stbarths

UMA ILHA PARTICULAR Em Antigua, Caribe, um refúgio paradisíaco e privativo chamado Jumby Bay Island. Para os que buscam descanso e sossego, nada melhor. O projeto tem inspiração no o céu e no mar, sempre em tons claros para harmonizar com a vegetação exposta. São 28 suítes. Experiência idílica all inclusive apresenta menus sustentáveis, spa, atividades aquáticas, esportes terrestres, com opções para adolescentes e crianças. @jumbybayresort

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ALTO LUXO EM CANCÚN O Nizuc Resort & Spa, localizado na reservada Punta Nizuc, a menos de 15 minutos do aeroporto de Cancún, redefine a atmosfera de luxo da região. Construído no terreno da antiga casa de veraneio do presidente do país, é um produto completo, com design contemporâneo que mescla influências orientais e referências à cultura Maia em amplos espaços. São 274 acomodações entre suítes e villas, duas praias, duas piscinas principais, e o primeiro spa ESPA do México, além de uma oferta gastronômica impressionante. @nizucresort

EXPERIÊNCIA INESQUECÍVEL É possível imaginar a imensidão azul que se funde entre céu e terra. Ou o mar do pacífico de encontro com o deserto mexicano. E num cantinho super especial e bastante exclusivo da Riviera Mexicana encontrase o Las Ventanas al Paraiso. É por lá que andam os milionários californianos desde 1950. No Las Ventanas tudo é motivo para não sair do resort. Em geral, não há tempo, pois a dinâmica é slow. Especialmente se a morada for uma das 12 villas. O departamento de romance – é um dos spots do resort, onde tudo o que se refere a casal é detalhadamente programado e realizado. @lasventanasalparaiso

ELEGANTE E INTIMISTA Eleito recentemente o número #3 dentre os melhores resorts de Turks & Caicos, o antigo Gansevoort, o Wymara Resort & Villas segue nobremente com nova marca independente. Trata-se de um refúgio pé na areia da praia de Grace Bay, há vários anos considerada a mais bonita do mundo. Com design contemporâneo, o resort conta com 91 quartos, dois bares, dois restaurantes, uma piscina com cabanas, estrutura de esportes aquáticos e um spa no melhor ponto da ilha de Providenciales, a principal do arquipélago. @wymaraturks

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ARQUIPÉLAGO

SONHAR, E RELAXAR, ACORDADO C

anouan − Uma pequena ilha de oito quilômetros quadrados, em sua origem, habitat de tartarugas, transformou-se há pouco menos de dois anos em um dos resorts mais especiais do Caribe. Aquele que para sempre habitará o coração de quem lá teve o privilégio de estar. Canouan fica localizada no Arquipélago das Granadinas, vizinha de Barbados. Uma propriedade privada cujo dono tem sua privacidade guardada no mais absoluto sigilo. Mas um pedaço da ilha, no entanto, abriga há pouco menos de dois anos o resort Mandarin Oriental, um dos selos hoteleiros mais procurados pelo público high end. Fala-se entre seus frequentadores, que Canouan é o local onde os bilionários se escondem dos mi-

UMA ILHA PARTICULAR DE VILLAS COLONIAIS, CERCADAS POR IMENSA BARREIRA DE CORAIS NUM MAR TURQUESA, ABRIGA A PRIMEIRA INVESTIDA DO MANDARIN ORIENTAL NO CARIBE POR PAULA SANTANA

lionários. Sem pretensão, evidentemente, uma vez que as diárias partem de USD 1,2 mil. Mas quem ali desembarca busca excesso de sossego, discrição, prazer e, claro, o maior de todos os luxos: atendimento customizado. Nem é preciso ressaltar que o Mandarin Oriental escolheria o mais belo território para fazer sua estreia no Caribe. São ilhas desertas belíssimas. E o mais exótico: de um lado o mar turquesa do Caribe; do outro, o azul denso do Oceano Atlântico. Em meio a essa dobradinha, uma imensa barreira de corais. Quando lá estiver, desfrute deste encontro da natureza no campo de golfe, buraco 13. Seu mordomo particular pode providenciar qualquer tipo de experiência − piquenique, jantar, sarau − para você vivenciar este momento.

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E como será o resort por dentro? Um selo asiático em solo tropical. MO Canouan levou um bom tempo para fazer a transição do hotel antigo, chamado de Pink Sands. Mas manteve a estética original, com décor no acolhedor estilo colonial, ressaltando a atenção impecável aos detalhes. São 26 suítes, oito villas com design contemporâneo italiano, seis Villas Lagoon com suas próprias piscinas infinitas.

Glamourosamente decoradas em tons de rosa e bege, todas com vista para o mar, terraço e jardim privativos, o espaço é bastante amplo. Um dos spots, além do butler particular, atendendo seus pedidos especiais, é o tablet, um companheirão que gerencia toda a sua estadia. Os banheiros são um luxo indescritível. Suspirante. Em mármore, madeira e madrepérola, com amenities Acqua di Parma. Prepare-se para demorar nos banhos... difícil escolher entre a banheira oval e o chiveiro com jatos de agua dos pés à cabeça. Apreciadores da gastronomia estão no local certo. Cinco restaurantes se revezam entre as cozinhas asiática, mediterrânea, europeia e peruana. E o divertido bar da praia de frente para Godahl Beach, com decoração navy, drinks and soul music. Ainda no clima diversão e praia, o MO Canouan tem campo de golfe, esportes aquáticos, quadra de tênis, mountain bike, caminhadas, passeios de barco e até um clube infantil super equipado. Todos os trajetos internos podem ser feitos com carrinhos de golfe.

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Por fim, a parte mais desejada... o spa. Para chegar até as lindas cabanas suspensas, uma escada por meio da relva vai permitindo entrar no clima. Os sofisticados produtos da ESPA assinam as diversas terapias e tratamentos. Yoga e meditação frente-mar também integram o hall de momentos perfeitos. Para chegar em Canouan, o próprio resort providencia voos fretados das ilhas vizinhas. Do Brasil, melhor opção é por Miami, especialmente se puder passar uns dias a mais no Mandarin Oriental, que fica

na Brickell Key, de frente para a linda baía, com uma praioca particular e ao lado do recém-aberto shopping. E a dica de quem foi: se puder, vá. A ilha é muito especial, acomoda tanto famílias quanto casais em clima de romance. E aproveite que não demorará muito Canouan se transformará na nova ilha da fantasia do Caribe. Muitas redes de luxo estão sedentas pelo desembarque na terra das tartarugas. @mo_canouan @xmartviaja

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ÚLTIMO SUSPIRO

Colar em ouro amarelo, diamantes, esmeraldas, malaquita e madrepérola, Dior preço sob consulta

Anéis em ouro amarelo e diamantes, Dior preço sob consulta

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Profile for GPS | Lifetime

Revista GPS Brasília 27  

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