Issuu on Google+

83 <<

www.gpsbrasilia.com.br

carioca e cidadã do mundo. Impressionista, surrealista, modernista. Rafaela não se encaixa num padrão definido. A artista pinta quadros inspirados nos objetos e mobiliário da sua casa. Na decoração, peças que foi angariando no decorrer de inúmeros roteiros passam a ser protagonistas numa tela vazia. “Essa cadeira de cordas se chama Acapulco e está presente em diversas telas minhas. Comprei quando morei no México, último país em que vivi antes de retornar a Brasília”, conta Rafaela. É na sua residência que recebe os interessados em adquirir sua arte. Quem quiser conhecer seu trabalho, basta entrar em contato, pelo site ou por telefone. E uma visita ao seu apartamento é observar um pouco da vida da própria artista. Cada vaso, livro, tapete ou objeto de decoração tem uma história. No cantinho da parede, a chaise, desenhada pelo arquiteto e urbanista francês Le Corbusier, junto à estante de livros comprada em Nova York compõem o ambiente multicultural e com muita personalidade. “Tudo me inspira. Uma música, um objeto que está perto de outro, as cores da natureza. Tenho um cachorro da raça boxer e adoro tirar fotografias dele e transpor essas imagens para a tela. Inclusive, fiz uma sequência de quadros com desenho de cachorros”, exemplifica Rafaela. Num universo de cores e texturas, a artista recebeu influências diversas. “Amo o modernismo no Brasil represen-

edicao7_GPS_brasilia.indd 83

“SOU MUITO GRATA PELOS LUGARES ONDE TIVE A OPORTUNIDADE DE PASSAR. CERTO DIA OUVI UMA FRASE QUE SE ENCAIXA PERFEITAMENTE NA MINHA VIDA, QUE DIZ O SEGUINTE: EU SOU APAIXONADA POR LUGARES E POR PESSOAS QUE NUNCA CONHECI”

11-04-14 - GPS

81

tado por Athos Bulcão. Adoro a obra do pintor e escultor francês Henri Matisse, com sua arte fluida e original. Também tenho muita admiração pela artista plástica Beatriz Milhazes, que abriu as portas e os olhares para a arte no Brasil”, revela. Assim como Matisse, Rafaela usa a cor como fator principal da pintura, levando-a às últimas consequências. O primeiro contato com a arte aconteceu aos dez anos, quando passou três meses visitando o Britsh Museum, em Londres. “Nesse período, acompanhava minha mãe, que fazia um curso no local”, conta. A especialização como artista aconteceu na Cidade do Cabo, na África do Sul. Foi quando se apaixonou pelos tecidos africanos e se iniciou num mundo de cores. Rafaela se formou em Desenho Têxtil e chegou a atuar em uma loja de roupas e acessórios femininos, a French Connection. As peças de Rafaela renderam grandes exposições na cidade de Nelson Mandela e também no Rio de Janeiro. De volta à sua terra natal, a artista realizou uma importante mostra no shopping Fashion Mall, no Leblon. Também nesse período passou a pintar em tela grande. “Nunca pintei em tela pequena”, pondera. Durante a temporada no Brasil, a artista se casou e foi morar em Nova York. “Lá aprendi a ser rápida. Eles são dinâmicos, sabem transformar uma ideia e fazê-la funcionar”, observa. O desenho ficou de lado. Passou a pintar linhas re-

tas e firmes. Tudo puramente liso e colorido. Outras cores surgiram para Rafaela no decorrer de sua vida. Depois de Nova York, foi para Marrocos, onde mergulhou num universo oriental. “Presenciei um casamento marroquino que durou cinco dias, estava lá na época do ramadan, quando os muçulmanos renovam sua fé. Vivi Marrakech no verão e no inverno. Tudo é muito rico culturalmente e glamuroso. A começar pela presença do Rei e de suas rainhas, conhecidas como Lalla. Nós a avistávamos passeando pelas ruas com seus sares dourados, coberta com muitas joias. Era um mundo encantado de cores diferentes”, recorda. No Marrocos, foi como se um ciclo tivesse se completado na vida da artista e sua arte passou novamente por transformações. “Hoje meus quadros estão com linhas mais fluidas, formas mais orgânicas. Você vai se adaptando às novas experiências e minha obra é assim”, explica. A penúltima parada antes de voltar a Brasília foi no México, onde teve contato com a arte colorida e folclórica de um país que referencia as tradições e os povos antigos. A pintora Frida Kahlo é a síntese desse país exótico e colorido, a quem passou a admirar. Assim, a arte de Rafaela Mello foi sendo construída. Entre um continente e outro, culturas diferentes e inspirações do dia a dia. Uma arte que vale a pena conhecer. Conheça o trabalho da artista: www.rafaelamello.com

10/04/14 12:24


Gps Brasília 7