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ENTREVISTA

E por que houve tantos atrasos? Foram problemas de origens diversas. Tivemos acidentes, como em Manaus e em São Paulo. Tivemos em Curitiba providências que deveriam ter sido adotadas, não foram e resultaram em atrasos – orgãos de controle que paralisam andamento das obras por diferentes razões. Não há porque justificar os atrasos, eles podem ser explicados, mas não justificados. No entanto, de qualquer jeito, acho que os atrasos não impedirão que os estádios façam seus eventos testes. Como é lidar com a FIFA, com o povo e com o governo? É uma relação marcada pela cooperação. Não há como realizar um evento pela Copa em meio a brigas entre organizadores, país anfitrião, as cidades-sede e os estados. Então, quando há diferenças, ou tensões resultantes de opiniões divergentes, procuramos o denominador comum, que é adotar a posição que favoreça a realização do evento. E qual a expectativa da FIFA em relação ao Brasil? Acho que a FIFA, quando escolheu o Brasil para realizar a Copa, já conhecia o Brasil como um país vitorioso no futebol, com grandes clubes, com histórias marcantes no esporte. Já tínhamos organizado com êxito uma copa em 1950, em uma emergência, quando se construiu o Mara-

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Claro que houve momentos de tensão, pois eram multidões nas ruas. Mas nenhuma atividade do evento deixou de ser realizada por causa disso. E acho que agora o ambiente será muito mais de confraternização e de festa do que de protesto. O brasileiro quer que a Copa do Mundo dê certo.

A paixão pelo futebol

canã em menos de dois anos. Faremos a copa de acordo com o que o mundo espera de nós. Como o senhor viu os protestos durante a Copa das Confederações? A imprensa tentou ligar os protestos com os jogos, embora as manifestações tenham sido marcadas por reivindicações que não tinham relação com o evento. Os protestos começaram em São Paulo, onde nem havia Copa das Confederações. O problema era de transporte urbano, saúde, educação e segurança pública. A lei no Brasil assegura a realização de manifestações pacíficas, é um direito constitucional.

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Da mesma forma que a lei veda atos de violência, de destruição, de ameaça e de vandalismo. O governo não precisa mais do que a lei para lidar com os protestos, que é garantir a realização de movimentos pacíficos e, ao mesmo tempo, coibir os abusos e os atos de violência quando acontecerem. Na sua visão, atrapalhou o evento? Os protestos não impediram a realização de nenhum jogo, as seleções chegaram aos aeroportos, foram para hotéis e estádios sem problemas. Não houve qualquer prejuízo na realização da Copa das Confederações.

A FIFA em algum momento pensou em cancelar o evento? No auge das manifestações, houve essa possibilidade. Mas ela própria concluiu que não havia razões para levar adiante essa hipótese. Sempre há riscos. Por exemplo, nas Olímpiadas de Munique, os atletas foram sequestrados e assassinados dentro da vila olímpica. Nos jogos de Atlanta, houve atentados com mortes. Agora nas Olimpíadas de inverno na Rússia, ocorreram atentados na estação de metrô. Manifestações sempre existiram e sempre vão existir. Mas o Brasil não é um país que é alvo de ataques terroristas, nossas estações de metrô talvez não sejam tão confortáveis, mas são mais seguras que as europeias. Nunca tivemos atentados por razões religiosas ou étnicas. Naturalmente, a FIFA percebeu que não tinha porque não realizar a Copa no Brasil. E temos um esquema preparado para proteger a população, os turistas e as delegações. Qual a imagem que o senhor acha que o mundo tem hoje do Brasil? Acredito que é uma imagem boa, de um país

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