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LEGADO

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fortemente inspiradas pelo expressionismo alemão. Era os peões conversando, cavalgando, homens em fazendas.

A importância de Glênio e sua arte para Brasília já foi reconhecida de várias formas. A mais curiosa delas é o título de Cidadão Honorário de Brasília. A proposta foi feita em 1999 e aprovada. Mas, não se sabe o motivo, o diploma nunca havia sido entregue. Em 2013, descobriram o fato e a solenidade aconteceu em agosto. Reuniu familiares e amigos no auditório da Câmara Legislativa do DF. Em 2012, a universidade de Brasília publicou um livro pelos seus 50 anos e Glênio teve um capítulo especial sobre sua trajetória. O trabalho do artista também foi retratado no livro Glênio Bianchetti, de José Paulo Bertoni, lançado em 2004. Após acompanhar dias e dias da sua rotina e até umas férias com a família em Nova Viçosa, na Bahia, o cineasta Renato Barbieri lançou, em 2010, o documentário Bianchetti, para o programa DocTV. O filme é uma oportunidade para ver o processo de criação do artista, já que durante seus 52 minutos é possível ver todas as etapas de uma tela de Bianchetti. A ideia do documentário surgiu em 2004. Com intermédio de Coutinho, Barbieri conheceu Glênio. “Foi um encon-

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Celso Junior

Reconhecimento

Marlene Gastal, colecionadora Qual o estilo de sua pintura? “Expressionismo”, respondeu Bianchetti. “Qual a origem desse movimento?”. Indagou o delegado durante a prisão na UnB. “Alemão”, respondeu o pintor. Essa é apenas uma das centenas de passagens da vida político-acadêmica de Glênio Bianchetti. Falar de seu caráter inabalável e de seu talento peculiar é redundância diante das várias homenagens já feitas por renomados intelectuais. Impressionante também foi sua vida conjugal com Ailema, cuja simbiose única foi fonte de muita frustração para inúmeras mulheres atraídas pelo seu charme fatal e que, enebriadas, investiam sem censura, porém, sem nenhum sucesso... Os Bianchettis são amigos do meu marido desde o tempo em que ele era aluno universitário em Porto Alegre. Ailema foi minha professora de artes em Brasília e por meio dela foi que nos conhecemos. Foram nossos padrinhos de casamento e são padrinhos da nossa filha.

tro à moda dos Bianchettis. Fui convidado para um jantar na casa dele, seguido de uma visita ao ateliê. Até então, era uma ideia fazer um documentário de um artista de Brasília, mas depois deste dia, do bate-papo, de ver as obras e as cores, aquele desejo virou uma convicção”, lembra o diretor. Daquele encontro, surgiu uma amizade entre o cineasta e a família. Até a execução do projeto, foram anos. Somente em 2008 conseguiu

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verba e no ano seguinte as filmagens se iniciaram. A relação entre os dois fez com que os dias de filmagem se tornassem mais que um trabalho, já que sempre terminava em um jantar ou lanche. “Foi um convívio muito rico. Ele era um homem com uma visão política, de vida comunitária, muito ético. Irradiava bondade e afeto. Um homem iluminado. Ele é uma referência moral. Ele deixa um legado moral e artístico”, revela Barbieri.

A arte de Bianchetti marcou o meio artístico brasileiro, mas foi a pessoa dele que mais conquistou admiradores por aí. Quem conheceu Glênio nunca vai esquecer de sua cor. Não apenas a cor expressa na tela, mas a cor que fazia com que um simples encontro se tornasse especial. “Para mim cor é luz, e luz é vida”, dizia o artista. *As declarações do artista e de sua mulher Ailema foram extraídas do documentário Bianchetti, de Renato Barbieri.

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Gps Brasília 7  
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