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lecionadores. “Diferentemente do Athos Bulcão, as obras do Glênio não estão em locais públicos. Ele foi obrigado a se sustentar e criar os seis filhos com sua arte, produzindo quadros para vender. Os compradores iam até ele e essas obras foram parar em coleções particulares”, conta Coutinho. Ele fez poucas exposições. Uma das maiores foi em 1999, no Palácio do Itamaraty, comemorativa aos 50 anos de carreira do artista. Agora,

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sua obra precisará ser catalogada. E, quem sabe, reunida em uma exposição. “Já propus na UnB fazer uma exposição retrospectiva da obra do Glênio”, afirma o professor. Os familiares e amigos vão sentir saudade em especial da exposição que ele realizava sempre perto do Natal. Há anos mantinha a tradição, quando abria sua casa para receber todos. Glênio pintava quadros menores e com preços mais acessíveis. Como era um homem generoso, com o tempo, essa exposição se tornou uma espécie de bazar, em que outros artistas também expunham seus trabalhos. Foi uma forma de movimentar a arte na cidade que Glênio. “Ele fazia quadrinhos, que chamava de pequenos formatos, acessíveis, para aqueles que quisessem ter um quadro dele. Era um ritual de fim de ano”, lembra Coutinho. E, assim, muita gente teve a oportunidade de exibir em casa um autêntico Bianchetti.

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Arte Sua arte é peculiar. A principal característica é a forma como lidava com a cor. Em um mesmo quadro, pintava diferentes tons. Um destaque para seus azuis vibrantes, presente em muitas de suas obras. Mudava os tons para dar a ideia de profundidade, de uso da luz. “Meu expressionismo é o de 24. Eu não inventei nada, apenas continuei a desenhar o expressionismo brasileiro, que não é igual ao expressionismo alemão”, dizia Glênio. Assim que chegou em Brasília, o artista estranhou a luminosidade da cidade. “Quando saí do Rio Grande do Sul, a luz de Brasília me incomodava, mas fez com que minha cor se abrisse, se iluminasse”, dizia. A temática escolhida para retratar em suas obras era o cotidiano. A maioria de seus trabalhos exibe pessoas em atividades do dia a dia. “Gosto de ressaltar o huma-

no. O compromisso que tem a arte com o gênero humano é o que faz a humanidade evoluir, é o que fez a arte evoluir até hoje”, acreditava. Começou retratando o regionalismo do Rio Grande do Sul da década de 1950, mudou a temática após passar a pintar em sua casa de praia, em Nova Viçosa, Bahia, quando começou a pintar, peixes, pescadores e suas mulheres. E ainda trabalhou flores, frutas e vistas da janela.

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