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Fotos: Cristiano Sérgio

um mocotó à moda do Sul excelente. A casa era sempre cheia de pessoas amigas”, revela o amigo.

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e se divertiram. Um casal que exalava amor e cumplicidade. No fim de janeiro, Glênio e Ailema completaram 62 anos de casados e reuniram os amigos para comemorar. Foi a última vez que José Carlos Coutinho viu o amigo. “Glênio estava bem, não sabíamos que estávamos nos despedindo”, lamenta. “Foi bonito ver os dois comemorando o aniversário de casamento. Eles eram extremamente unidos, eram simbióticos, indissociáveis. Nunca conheci um casal tão integrado como eram os dois”, revela. Sua principal característica era ser agregador. Sempre externou para os filhos e netos que o melhor lugar do mundo era a sua casa e que gostava de estar cercado por eles. “A casa dele tem um bom astral. Quando se conhe-

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ce os Bianchetti, impossível não ser amigo da família inteira”, conta o fotógrafo Luís Humberto, amigo de Glênio desde a época da UnB. E não apenas os filhos e netos, sempre gostou da casa cheia de amigos. Fez muitas amizades em Brasília, cidade que adotou como sua. “Cheguei a Brasília em 1968 e já conhecia Glênio de Porto Alegre. Encontrei em seu apartamento um lugar de acolhimento, de confraternização. Havia rodas muito animadas e fraternas. Ele sempre foi assim”, conta Coutinho. O professor participava de aniversários e jantares constantemente na casa do artista. “Ele era uma pessoa extremamente afável. O casal de vez em quando inventava um motivo qualquer para que a gente fosse lá. A Ailema faz

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A família de Bianchetti ainda se recupera da perda. Mas de uma coisa tem certeza: a história e o trabalho do artista não se foram com ele. Ainda não sabem o que será feito. Glênio é um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, mas seu trabalho não está em locais públicos. Ele produziu muito e tem telas na casa de amigos, com colecionadores e amantes da arte em Brasília, no Brasil e no mundo. Pode está por aí, para quem quiser ver. Na Capital do País, um prédio na 205 Norte leva seu nome e tem uma pintura do artista. Os trabalhadores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na 901 Sul, passam todos os dias por um grande painel de Bianchetti. Em Bagé (RS), sua terra natal, a Capela de Santa Thereza tem telas retratando a Via Sacra, pintadas por ele. Glênio era um artista completo. Pintava, fazia gravuras, painéis, esculpia. Tinha telas pequenas, e também grandes formatos. Mas nunca teve uma galeria ou um marchand para vender seus quadros. Quem quisesse conhecer seu trabalho era recebido na casa dele. Era comum a visita de co-

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