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LEGADO

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artista sofisticado. E não era bagunceiro, não fazia sujeira nem enquanto pintava. Nada de aventais manchados de tinta ou pingos coloridos pelo chão. Exibia um visual impecável para trabalhar: calça social, camisa, sapato e colete. Quando terminava, o local estava limpo, nem parecia que um pintor havia passado horas ali. Desenvolver um quadro poderia levar dias. Normalmente, começava com o traçado do desenho. Depois, pintava o fundo de uma cor para que pudesse encontrar o contraste. Pintava um pedaço, parava e analisava. Refletia. Usava pedaços de jornal ou fita crepe para conseguir colorir somente o que queria. Recebia a visita da mulher, que admirava seus traçados.

Por Marcella Oliveira

“A

rte não se ensina, se convive”. Essa era uma clássica frase do artista plástico Glênio Bianchetti. O ateliê onde trabalhou até pouco antes de morrer continua intacto. O espaço fica no segundo andar da sua casa, no Setor de Mansões do Lago Norte, e onde circulavam filhos, netos e amigos. Era lá que Glênio passava boa parte do seu tempo, principalmente suas noites, a maioria delas em companhia da mulher, a também artista plástica Ailema de Bem. Um homem que viveu cercado de arte, amor e amigos. A casa foi projetada por um de seus filhos que é arquiteto, com um pouco de palpite de toda a família e do próprio Glênio. No mezanino, com janelas de vidro e paredes de tijolos, a tela que ele estava pintando está lá, inacabada. Parece estar à espera do pintor Bianchetti. As tintas estão na estante, junto com livros de arte. Na mesa de trabalho, os pincéis. Um lugar cheio de história, onde passou anos trabalhando com muita simplicidade. Costumava dizer que era um “fazedor de arte”. Não queria aquela imagem de

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