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objetos, mas rapidamente ela se tornou o trabalho em si e complementos se tornaram desnecessários. Atualmente a artista se dedica à exposição Na Gaveta, composta por quatro mesas, 24 objetos de parede, além de 100 composições em papel, mostrando o processo criativo da artista. Segundo Derdyk, esses trabalhos buscavam “mostrar a coreografia do pensamento que deixa seus rastros em pequenas ações”, seja no próprio desenho em papel, seja na aproximação de matérias que formam objetos ou seja em fotografias. 2012 foi um ano especial para a artista, que se dedicou à pesquisa sobre a origem da palavra em seu estado poético e suas intersecções entre escrita e desenho. Durante esse período, Derdyk percebe que não seria apenas pela leitura que chegaria às respostas desejadas. Precisaria vivenciar sua busca e, com o apoio do Centro de Cultura Judaica de São Paulo, foi para Jerusalém, onde por seis semanas se imergiu no tema. O resultado não poderia ter sido melhor. Todo esse estudo dá forma à exposição Arcada, que aconteceu em São Paulo e ganhou o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2012. Essa mostra era composta de duas partes. A primeira era uma grande instalação, que pendia pelo teto e parecia se apoiar apenas em luz, tudo em um ambiente escuro, representando a iluminação proveniente da pa-

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Quantas vezes seria necessário riscar uma linha para que ela saísse do papel e se tornasse um objeto? E, como tal, se apoderasse do espaço-tempo em uma trama exaustivamente criada com um, dois, três, mil metros de fios...

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Instalação Arcada, de 2013, no Complexo Cultural da Funarte

lavra e as trevas de onde ela surge. A obra era composta por milhares de fios de algodão preto (100kms de linha) que ligam duas placas de 18 metros quadrados cada. Uma delas presa ao teto e a outra pende a 30 centímetros do chão, por onde escapa a luz. A obra cria a impressão de que o cubo negro que é composto pelos fios é suspenso

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pela luz ou ainda permite imaginar que é a estrutura escura que está atuando sobre a luz, oprimindo-a. “A pessoa, quando entrava no espaço, via uma fresta de luz embaixo com uma massa escura por cima. Não se sabe quem está segurando quem. O meu trabalho sempre acaba falando dessa inversão: do leve e do pesado, do equi-

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