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A cannabis produz o canabinóide delta-9-tetraidrocanabinol, mais conhecido como THC, que é o responsável pelos efeitos psicoativos da planta. O psicoterapeuta Isac Pamplona alerta que o uso recreativo da maconha pode trazer efeitos de relaxamento e prazer, no entanto, pode provocar efeitos severos, como taquicardia, secura na boca e vermelhidão nos olhos. “Ela pode produzir variações que vão da euforia ao mal-estar e à sensação de infelicidade. Delírios e alucinações também são registrados”, explica. A erva possui efeito antiemético, podendo ser usado no alívio do enjoo e depressão relacionados com o câncer. Pode também ser usada como analgésico. Alguns estudos mostram que é capaz de reduzir significativamente a pressão intraocular e o fluxo lacrimal em pacientes com glaucoma, embora o efeito seja de pouca duração. Contudo, o uso mais frequente da droga está relacionado aos seus princípios psicoativos. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) afirma que os transtornos causados pela canabbis estão relacionados à intoxicação – euforia, ansiedade, sensação de lentidão do tempo, prejuízo no julgamento, conjuntivas hiperêmicas, apetite aumentado, boca seca e taquicardia –, ao abuso de cannabis, que seu uso interfere na vida social, nos relacionamentos e no trabalho, e à

que falar. Tanto que o TJDFT voltou atrás, derrubou o voto do juiz e o réu foi condenado a dois anos e 11 meses de detenção, em regime semiaberto, e 291 dias de multa à razão de 1/30 do salário-mínimo. Não há mais possibilidade de recurso no órgão. De acordo com Isabela Bentes, da Marcha da Maconha, o tráfico de drogas não é um tópico que atrapalha a legalização, pois não há fiscalização necessária. “Qualquer pessoa compra o quanto quer, seja qual for sua idade ou condição. Não é difícil vermos crianças fumando maconha, menores de idade em consumo abusivo de outras substâncias e o tráfico não permite que isso seja diferente. Acredito que legalizar a maconha é retomar o controle perdido há muito tempo sobre sua disposição na sociedade”, finaliza.

Por trás da fumaça Um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) constatou que 1,5 milhão de adolescentes e adultos usam maconha diariamente no Brasil. Portanto, o uso dos psicotrópicos é uma realidade concreta que não pode mais ser ignorada. Os efeitos do uso da maconha no organismo podem variar de acordo com as características do usuário, com seu estado de espírito, com o ambiente em que ocorre o consumo e também com as características da droga.

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dependência de cannabis, que envolve critérios de tolerância, aumento da quantidade consumida, esforços malsucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso. É válido ressaltar que não há consenso que os critérios para abstinência de cannabis possam ser preenchidos, o que leva muitas pessoas a acreditar que podem abandonar o uso da droga mais facilmente. A construção das representações que a sociedade faz em relação às substâncias psicotrópicas varia de acordo com a cultura, os costumes e os princípios morais. “É necessário avaliar o impacto psicológico, físico e social que ela causa e desmistificar julgamentos e moralismos que, muitas vezes, comprometem as políticas públicas relacionadas às drogas. O debate sobre essa questão é importante, pois não podemos empurrar para debaixo do tapete”, completa o especialista.

Legislação pelo mundo Holanda – A venda de maconha foi autorizada nos anos de 1970, porém não houve um boom no uso. Pode-se comprar a planta em lojas especiais, a partir dos 18 anos. Já a compra e venda da maconha em qualquer outro lugar é ilegal. O cultivo e a venda por atacado são igualmente tolerados em pequenas quantidades, algo aproximado

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