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Guilherme Campos, presidente dos Correios

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á quanto tempo você não envia uma carta? Consegue lembrar qual foi a última vez que teve a notícia de um familiar ou amigo por um telegrama? Certamente, há muitos anos. E não é à toa. Com o crescimento acelerado da tecnologia e das centenas de ferramentas de conversa instantânea, fica até difícil imaginar a ideia de enviar uma correspondência. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que mais da metade da população brasileira usa a internet diariamente. Em números, são mais de 95 milhões de pessoas conectadas. O consumo acelerado da internet traz à tona o desafio para algumas empresas. É o caso dos Correios: aliar a imagem do carteiro, que entrega carta de casa em casa, à modernidade do comércio eletrônico, dos serviços bancários e das exportações simplificadas. E não é fácil se adaptar a esta mudança que nasceu da necessidade de resgatar a imagem sólida das entregas, tentando manter o cliente moderno. E ao completar 353 anos, os Correios vivem o momento mais importante da sua história. O resgate da identidade está atrelado ao renascimento da empresa, que deve passar por fases ainda mais complicadas para não ir à falência. “Estamos restabelecendo as diretrizes da empresa, senão seremos engolidos pela concorrência. Ou avançamos ou perdemos a batalha”, diz preocupado o presidente dos Correios, Guilherme Campos.

Aos 53 anos, Campos é casado e pai de duas filhas. Ele está à frente dos Correios desde junho. Natural de Campinas (SP) e formado em Engenharia Civil pela USP, Campos já foi vice-prefeito na cidade, além de dois mandatos de deputado federal. Ele é vice-presidente do Partido Social Democrático (PSD) e foi indicado pelo presidente Michel Temer. Para ele, atuar nos Correios é uma tarefa extremamente difícil. Hoje, o prejuízo é de mais de R$ 2 bilhões. Os grandes responsáveis por estes números negativos, quase 80% deste valor, são as operadoras de previdência privada e de plano de saúde dos servidores e familiares, o Postalis e a Postal Saúde. “É realmente devastadora a nossa situação. Existe, sim, uma expectativa positiva de superação, e por isso o corte se fará necessário para a retomada do crescimento. A ordem é simples, devemos gastar menos”, esclarece. Para isso, será implantado ainda este ano o programa de demissões voluntárias, com o corte de 25% do quadro de servidores, que atualmente envolve um universo de 117 mil pessoas em todo o País. Ao que tudo indica, mesmo com as demissões, o atendimento nas 6.500 agências próprias de todo o País continua operando da mesma maneira. Além dos pontos fixos, os Correios ainda contam com quase 12 mil locais de atendimento somados aos postos comunitários e agências franqueadas.

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