Issuu on Google+

Aalto, sobre o Sanatório de Paimio. “Foi quando eu descobri sobre formas, proporções e comecei a ter a dimensão da arquitetura e do design como um todo”. Sobre a comparação com Sergio Rodrigues, Almeida se sente honrado. “Tive a oportunidade de trabalhar na empresa que editou os seus produtos e consegui todo o background de colocar os desenhos técnicos dele em produção. Isto me influenciou de certa forma. Hoje, é bem perceptível a diferença entre nossos produtos. Sergio era muito generoso dentro das formas, manipulava com facilidade. Meu trabalho vai para uma silhueta fina, mais esguia. Basicamente, não somos parecidos, mas temos esta emoção”, confidencia. Se Jader Almeida não foi um pupilo nato de Sergio Rodrigues, foi no modernismo que encontrou a sua maior fonte de inspiração. “Enquanto o mundo pós-Segunda-Guerra se reconstruía, o Brasil erguia a sua Capital

80 « GPSBrasília

Espaço Jader Almeida na Hill House

no meio do nada. Foi algo que ninguém jamais viu. Formas, proporções, uma nova interpretação, uma nova forma de vida. O modernismo faz total parte de mim. Isso se reflete no meu trabalho, do ponto de vista da amplitude, dos grandes vãos. O desenho orgânico, a sensualidade contida”, revela. É pensando no arquiteto brasileiro Vilanova Artigas que Jader Almeida explica o que é causar emoção por meio do mobiliário. “Ele dizia que quando se olha uma construção e ali há um elemento que nega a gravidade, que não toca o chão, aquilo faz as pessoas se questiona questionarem”. É desta maneira que Almeida se apresenta. O as assento fica solto da estrutura, um detalhe se une a outro, a herança modernista é nítida. Quando perguntado qual sua criação preferida ou mais emblemática que revela o seu pensamento, Almeida não se apressa em eleger um item. “Não tenho um produto especifico. É um conjunto da obra. O todo é uma linguagem, uma narrativa. Pro Produtos são como palavras e, juntos, eles con contam uma história, formam um texto, contam ao mundo quem somos”, diz. De acordo com especialistas, as peças de Almeida cumprem uma função prosaica, mas observatambém poética, sendo um objeto de observa Ferção e de contemplação. “Uma frase do Fer reira Gullar que cabe nesse momento é ele dizendo que a arte existe porque a vida não basta. E o design tem um pouco desta função também, fazer com que o belo impacte a vida das pessoas. Frank Lloyd Wright falava erraque investir no belo é jamais investir no erra do. Então, é mais ou menos isso que eu digo. produQuando as pessoas compram os meus produ tos, estão levando esses valores”, diz.


Revista GPS Brasília 15