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Na época em que se deu o primeiro contato, estávamos apreensivos. Além da distância, corria o boato de que estava gravemente doente, com um tumor na laringe. Não havia o que fazer, senão esperar notícias de um dos últimos modernistas vivos de sua geração. Mas para a nossa surpresa, ele atendeu a nossa ligação de primeira. Com a voz de timbre forte e ao mesmo tempo suave, prontamente marcou a entrevista e nos encontramos em seu ateliê. Aparentando um pouco mais magro que o de costume, ele confidenciou a enfermidade. “Tive muita sorte. Comecei a sentir um incômodo no ouvido e já estava sem 80% da audição. Achei que fosse água no ouvido, mas o médico que me atendeu no Delta diagnosticou o câncer. Dois dias depois, chegou de Teresina o resultado, confirmando. Foram 30 sessões de radioterapia e seis de

quimioterapia”, confidencia o artista, de 59 anos. O câncer de Galeno foi o mesmo do conhecido ator norte-americano Michael Douglas, com chances de cura de 90%. “Eles ficaram admirados com minha recuperação. Foram três meses da época em que descobri até ficar curado, em maio”, revela. Renovado, pronto para o trabalho, o artista está a todo vapor. A galerista Karla Osório detém a exclusividade de sua obra. Em dezembro, Galeno parte para o Delta, onde mantém um ateliê. Passar pelas dunas de areia, pelas carnaúbas de sua terra natal tem sido um resgate de suas origens. Foi aos oito anos de idade que Galeno partiu com a família para a nova Capital e ficou 23 anos sem voltar para o Morro da Mariana, a ilha em que nasceu. “Estou completando a infância que eu não vivi lá. O artesão que trabalha comigo é como se fosse o meu avô. Espiritualmente, estou ali conversando com meus antepassados”. GPSBrasília « 57

Revista GPS Brasília 15  
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