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ARTE

O cabelo rebelde chama a atenção. Agora, grisalho, contrasta com a pele bronzeada de sol. De botina de couro, calça jeans e regata, ele compõe o visual com pulseiras nos dois pulsos, anéis de ouro e brincos de argola. Francisco Galeno parece vestir sua própria história. É um homem da praia e também do campo. Neto de vaqueiro, filho de pai pescador e mãe rendeira, o artista nasceu numa das ilhas do Delta do Parnaíba, no Piauí, e cresceu em Brasília. Tem estilo único. Lembra um roqueiro cowboy ou um curumim arteiro, apelido com o qual ficou conhecido pelo documentário de Marcelo Diaz, que faz uma trajetória à sua terra natal. Galeno é uma joia rara da história da arte brasileira. Autodidata, aprendeu a pintar, observando os grandes mestres, inebriado pelas obras de Alfredo Volpi, Rubem Valentim e Athos Bulcão. Foi olhando para dentro de si, rememorando sua infância nordestina, que atingiu repercussão internacional. Sua obra está eternizada nos painéis da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 308 Sul, no salão de recepção do Palácio do Itamaraty, bem ao lado da bela e rara tapeçaria feita por Burle Marx.Entrevistar Galeno não é tarefa fácil. São seis meses do ano morando no Delta e o restante em Brazlândia, região administrativa que fica a 45 quilômetros de Brasília.

GALENO 56 « GPSBrasília


Revista GPS Brasília 15