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Othon Neves, organizador do Círculo Operário

NO CRUZEIRO Com a transferência da capital do Brasil do Rio de Janeiro para Brasília, muitos cariocas desembarcaram por aqui. Com eles, o samba. Assim, em vários cantos da cidade o ritmo foi sendo batucado, especialmente no Cruzeiro, a região com maior concentração de rodas de samba do Distrito Federal. Em 1961, um ano após a inauguração da Capital Federal, surgia uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade, a Aruc – Associação Recreativa Unidos do Cruzeiro, nas cores branco e azul, em homenagem à Portela. “No Cruzeiro vivem cariocas que vieram fazer história na cidade. Um local de alma e essência fluminenses, que traduzimos nos churrascos embalados pelo samba, vizinhos que são verdadeiros amigos – hábito que já chega nas terceiras e quartas gerações dos que moram aqui”, conta orgulhoso o jornalista Moacyr Oliveira, conhecido como Moa, o presidente da Aruc. A quadra da escola é o ponto de encontro dos bambas,  considerado o templo do samba no Cerrado. Reconhecido até mesmo pelas escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. A Aruc conta com mais de trinta títulos do Carnaval brasiliense. O primeiro desfile, nos moldes do Carnaval carioca, foi em 1962. Mas, por conta da crise econômica do Governo do

Distrito Federal, em 2017 já serão três anos sem desfilar. “Mas a Liga das Escolas já está em articulação com o governo para que, em 2018, a passarela do samba volte a funcionar”, esclarece Moa. Entretanto, mesmo sem a produção das alegorias e fantasias para o desfile, a escola não para. Para esquentar os tamborins, tem samba quintas-feiras e sextas-feiras à noite. Além da tradicional feijoada mensal, com a participação de um artista nacional. “Já tivemos grandes nomes do samba e do pagode da velha e da nova geração, como Jamelão, Nelson Sargento, Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, dentre outros”, diz Moa.

VELHO GUERREIRO E se tem uma pessoa que é a cara do samba de Brasília, é Carlos Elias. Aos 84 anos, por conta de problemas de saúde, não tem mais o samba no pé, mas o guarda na memória e no coração. A alegria contagiante sempre foi seu DNA. Mineiro, morava no Rio de Janeiro e pertencia à Ala de Compositores da Portela, em 1970, quando veio transferido para ocupar um cargo de confiança no Palácio do Itamaraty. Decidiu visitar a Aruc e logo foi convidado a fazer parte do grupo de compositores da escola. Foram GPSBrasília « 51

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