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Sobre as prisões de políticos e autoridades, escândalos de corrupção e todo esse descrédito eleitoral que o Brasil vive hoje, a maior especialista em leis do País suspira profundamente, pensa e afirma: “Temos que mudar os políticos e os partidos. Para que tantos partidos políticos? Acaba que uma única pessoa se transforma no partido todo. E tantas Emendas à Constituição. Não dá para governar assim”.

BIOGRAFIA Sarah casou-se duas vezes. A primeira com o falecido marido Edison Tolentino, com quem teve dois filhos: Cláudio e Cláudia. A segunda vez e a mais sólida das relações, com o Senado Federal. “Pode escrever isso”, enfatiza a filha caçula, que acompanhou a entrevista no apartamento da jurista, na Asa Sul. O filho mais velho seguiu o caminho político. É vereador reeleito na cidade mineira que leva o seu nome, Cláudio. A filha Cláudia seguiu os passos da mãe e trabalhou no Senado Federal e deu a neta mais velha à matriarca da família. Sarah Tolentino é a única que não seguiu carreira política. Formou-se em publicidade e é a companheira da avó. As duas vivem juntas no mesmo apartamento e trocam elogios e carinhos a todo tempo. “Quero demais um bisneto”, comenta a advogada, olhando enfaticamente para a neta. 38 « GPSBrasília

Na ocasião da entrevista, Sarah Abrahão reforçou algumas vezes a formatura em Direito na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. “O amigo do meu pai disse para eu ser costureira. Meu pai perguntou o que eu achava e eu disse que queria estudar. Ele voltou-se para o amigo e disse: ‘pode ser que as suas filhas queiram ser costureiras, mas a minha não’. Logo depois, eu fui estudar no Rio de Janeiro”, conta, com orgulho. A família é natural do Líbano. Chegaram ao Brasil no final do século XIX. Instalaram-se em Catalão, Goiás. O patriarca, Abrahão, era mascate. Do lombo do cavalo tirava o sustento dos sete filhos: Norma, Geni, Sônia, Mariana, Chafi, Sarah e Jorge. A mãe, Julieta, era rigorosa. Cuidava da família na ausência do marido. Sarah foi para o Rio morar com a irmã Mariana, que já trabalhava como enfermeira no Ministério do Exército. Depois de concluída a faculdade, por insistência de uma amiga concursanda, prestou o concurso para o Senado. Ela passou, a amiga não. Assim, em 1956 assumiu o cargo de Auxiliar Legislativo do Senado Federal. Quatro anos depois, a Capital do País foi transferida para o Centro-Oeste. Junto ao órgão legislativo, mudou de cidade e em Brasília construiu sua vida e ajudou a construir tantas outras histórias de sucesso. Tornou-se mais que uma pioneira, uma personagem importante do Brasil e da sua política.


Revista GPS Brasília 15