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trabalhar em um ambiente tradicionalmente masculino. O prefácio do livro de memória é escrito por José Sarney. O ex-presidente e ex-senador abre o discurso dizendo que “O Senado tem uma santa de altar: D. Sarah Abrahão”, e agradece a ela por ser uma referência de capacidade, liderança e respeito. Em diversos momentos, a publicação é narrada pela advogada em primeira pessoa; apresenta diálogos em detalhes; fotos históricas; e documentos respeitáveis que corroboram a importância dessa mulher no cenário político brasileiro. Mostra, por exemplo, quando o ex-presidente americano Jimmy Carter visitou o Brasil – em plena Ditadura Militar – e deixou para D. Sarah uma carta de agradecimento pelo “seu trabalho, que contribuiu para o sucesso da viagem”. Dessa forma, a credibilidade da advogada apenas aumentava. Sarah foi a primeira mulher a assumir o respeitado cargo de Secretária-Geral da Mesa, em 1973. Posto ocupado por seis anos e conquistado pelo ardor com a qual exercia as atividades. Precisava afirmar diariamente a competência nata naquele ambiente, era a única maneira de driblar o preconceito inerente ao meio político, por isso, dominava como ninguém o regimento interno, assim como o trâmite de aprovação de uma lei ou emenda. Palavra de quem entende Sarah é especialista em leis brasileiras. Acompanhou a revogação de Atos Institucionais, com o fim da Ditadura Militar, viu as Constituições de 1967 e 1988 serem promulgadas, colaborou diretamente com a criação do Regimento Interno do Senado Federal – o qual sabe de cor e salteado –, participou da elaboração do Código Civil, um marco entre as leis brasileiras. Tudo isso sendo apartidária. “Queriam que eu me filiasse ao Arena, partido político da época, mas eu disse que era inconcebível conciliar com o meu trabalho. Concordaram comigo e só assim desistiram de tentar me filiar”, relembra. Atualmente, lamenta os rumos que a política brasileira tomou. “As coisas mudaram demais. Na minha época, o Senado era um lugar distinto. A começar pelo traje e porte das pessoas. Um lugar sério, respeitado, uma corte de verdade”. E completa: “os senadores eram ex-governadores que voltavam a se eleger. Pessoas formadas na política, entende?, com bagagem, com crédito, não como hoje”. Por isso, destaca a importância dos assessores parlamentares na carreira dos políticos. “Se não fossem os assessores, os políticos estariam perdidos”, sorri, fazendo referência a si mesma e aos colegas de trabalho.

Melhor do que falar sobre Sarah Abrahão é ouvir de quem trabalhou com ela, a expressividade dessa mulher no cenário político do Brasil. As aspas são trechos de cartas e integram as homenagens aos 50 anos de serviço prestado pela jurista ao Senado Federal. A in uência que exercia provinha de seu meticuloso conhecimento dos trâmites legislativos, amparado na autoridade moral por todos reconhecida e acatada. Sarah Abrahão servirá sempre de modelo e exemplo no que o serviço público brasileiro possui de melhor” Ibrahim Abi-Ackel “Ela faz parte do Senado, onde, com sabedoria e cultura, deu sustentação aos nossos trabalhos, em todos os setores, desde os assuntos administrativos até a Assessoria da Mesa, onde assistiu a muitos presidentes em suas decisões, sempre com profundo conhecimento regimental e de Direito Legislativo” José Sarney “Deixei o Senado em 1983, mas nunca deixei de acompanhar a trajetória profissional de arah, que chega, sem mácula, aos 50 anos de serviço, merecedora, sempre do elogio de todos os que tiveram o privilégio de com ela conviver” Jarbas Passarinho. “Nos últimos 50 anos, grande período da história do Senado Brasileiro esteve ligado à vida e ao trabalho desenvolvido por Sarah Abrahão na Secretaria Geral da Mesa. (...) foi testemunha dos importantes momentos e das profundas transformações por que passaram o Brasil e o Poder Legislativo” Marco Maciel “Sarah Abrahão é um sorriso que a gente não esquece. Uma mulher ativa, amiga, gentil, competente, bonita, honesta e muito mais. Sua presença lá será sempre um presente ao Senado e ao País” – Orestes Quércia “É importante ressaltar que Dona Sarah foi a primeira mulher a exercer este relevante cargo de SecretáriaGeral da Mesa no Senado Federal. Domina o trajeto das matérias legislativas como poucos” Pedro Simon

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