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Arte

EXPOSIÇÃO

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Curiosos, provocativos, lúdicos e geniais em suas interpretações, os Irmãos Guimarães presenteiam Brasília com projeto artístico em que o espectador é o coautor da obra que assiste

por toda E parte

Por Marina Macêdo Foto Celso Junior

les são diretores, artistas visuais, cenógrafos e professores. Um vive no reino da imaginação e o outro na prática do dia a dia. Com temperamentos e pensamentos distintos, ambos têm em comum o amor pela arte. Uma paixão tão compulsiva que os tornou em suas jornadas uns dos mais criativos profissionais da área. Filhos de dona Marieta e Salviano Monteiro Guimarães, eles são os irmãos Guimarães. Fernando, 49 anos, cursou Engenharia Civil e Relações Internacionais. Adriano, 39 anos, optou por Comunicação Social. Paralelamente à rotina de servidor público, Fernando dedicava-se às Arte Cênicas na tradicional Faculdade de Arte

Dulcina de Moraes, em Brasília. Enquanto Fernando atuava nos tablados, Adriano assistia escondido aos ensaios. Bastou Fernando concluir o curso, que o sonhador Adriano perguntou: “Vamos montar uma peça?”. O primeiro trabalho, que estreou em 1989, foi a montagem Provisoriamente Paixões. A partir de textos de Marguerite Yourcenar, apresentaram a peça na sala Alberto Nepomuceno, do Teatro Nacional Cláudio Santoro. O espetáculo anunciava uma característica que acompanharia a trajetória dos irmãos: projetos que se desdobram, além do palco, ampliando a cena artística para outras vertentes, como exposição fotográfica. Foi tamanho o sucesso que os irmãos ganharam temporada no Espaço OFF, em São Paulo. Dois anos depois, em 1991, Fernando e Adriano já se viam em uma posição desejada por inúmeros artistas. Participaram da 21ª Bienal Internacional de São Paulo, com curadoria de João Cândido Galvão. E lá se foram mais de 20 anos de carreira. Foram 31 peças, 23 exposições, 20 festivais e 12 indicações em premiações. Vinte estados do Brasil, além de apresentações na Espanha, Inglaterra, Colômbia, Estados Unidos e França.

“Acho que na arte é muito importante errar e tentar de novo. Nossa carreira sempre foi pautada por extrema curiosidade. Nosso segundo trabalho foi para a Bienal de São Paulo. Foi impactante descobrir que o ‘não saber fazer’, uma peculiaridade nossa à época, era uma coisa boa. Tal curiosidade nos levou a lugares que se eu tivesse estudado muito não teria feito. Sempre fomos muito livres nas nossas escolhas”, ressalta Adriano.

Revista GPS 3  

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