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Irisina: quem é ela? Ainda em fase de testes, os mais apressadinhos apostam que tal hormônio pode ser o mais novo aliado na perda de peso

Por Raquel Jones

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esquisadores da faculdade de medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, parecem ter descoberto a fórmula do emagrecimento. O hormônio chamado irisina, até então desconhecido pela medicina, pode ser o responsável pela perda de peso em animais. Comprovada sua eficácia, o hormônio poderá ser injetado em humanos e trará resultados significativos no processo e até causar efeitos semelhantes aos adquiridos na academia. Liderado pelo professor de Harvard, Bruce Spiegelman, o estudo inovador mostrou que, durante a atividade física, o organismo produz um hormônio capaz de transformar gordura bran-

ca em marrom, esta última fisiologicamente desejável. As células marrons têm mais mitocôndrias que as células normais do tecido adiposo e resultam em maior gasto calórico (termogênese). Elas usam oxigênio, precisam de energia e resultam em queima de calorias. Dessa forma, a irisina poderia reproduzir no organismo alguns dos efeitos positivos do exercício. Durante dez dias de observação, cobaias passaram a perder peso após ter o hormônio aplicado. Ao que tudo indica, a irisina poderá ser um remédio em

potencial contra a obesidade e a diabetes, pois quando aplicada em camundongos obesos e pré-diabéticos provocou a tolerância a glicose em dietas ricas em gordura. Apesar dos resultados positivos em cobaias, o hormônio ainda não foi testado em humanos. Para o ortomolecular Ícaro Alcântara, falar em irisina ainda é cedo. “Se for comercializada, será em 2015. E, mesmo que seja liberada pela Anvisa, não significa que o remédio não terá contraindicações. A Anvisa testa o produto por um ou dois anos e, quando libera, pode alertar na bula

que o medicamento ainda está em observação”, esclarece. O remédio Victoza, também famoso entre os que buscam o emagrecimento, é um exemplo de que nem tudo aprovado pelos órgãos competentes é livre de problemas. O Food and Drug Administration (órgão regulador americano) adverte que o uso do medicamento pode causar câncer de tireoide. O alerta é que, mesmo liberada a comercialização, o medicamento continua em testes e pode levar anos para descobrir as verdadeiras consequência do uso.


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