Page 74

RETRANCA

Na Porsche GT3 Brasil, Pedro fez pole na primeira disputa e venceu a prova

UM GRANDE PASSO O jovem piloto marca sua estreia no FIA F-3 Euro pela equipe holandesa VAR – Van Amersfoort Racing. Serão dez fins de semana de provas, cada um com três corridas, sendo duas a cada sábado e uma a cada domingo. As pistas são por toda a Europa e muitas delas usadas pela Fórmula 1. O ritmo de trabalho será intenso e requer disciplina e pé no chão. “Vou pilotar em lugares novos para mim, o que pode ser mais difícil, comparando com pilotos mais experientes. Mas vamos brigar sempre para andar o máximo possível na frente”, promete Pedro, que vai morar com o engenheiro brasiliense Felipe Vargas, quem o acompanhou durante a F3 Brasil. A sede de vitória e a consciência de que precisa se aperfeiçoar cada vez mais fazem de Pedro um atleta diferente. É um jovem observador, gosta de assistir televisão e ver as performances dos pilotos. Nas horas de lazer, quando está em Brasília, na casa dos pais, no Lago Sul, recebe os amigos ou joga videogame. Hoje, encara de forma tranquila a distância da família e da namorada, comportamento natural de uma geração que já nasceu sem fronteiras. “Não é mais como na época em que meu pai saiu do Brasil. A tecnologia aproximou bastante as pessoas”, pontua.

O pai o acompanha nas disputas. Além do suporte técnico do tricampeão, conselhos valiosos de quem ajudou a projetar o Brasil para a Fórmula 1. Em Brasília, Pedro cresceu, em meio a histórias memoráveis da F1. Trofeus espalhados pela sala, além do carro usado por Nelson, o Williams de 1987 que ganhou o tricampeonato, que decora uma das paredes da casa. Sem contar a garagem e a oficina mecânica, que o ex-piloto tem nas dependências da vila onde reside a família, com dezenas de carros antigos. O desafio de Pedro agora é se acomodar diante de novos competidores e formatos. “Acho que o tempo de pista competindo na Nova Zelândia vai me ajudar na Europa. Foi importante a experiência. Ir para pista apenas para teste é bastante diferente da realidade de disputar, apesar de o carro ser mais lento que o da F3 em todos os aspectos”, diz. Na  bagagem para a Holanda, Pedro levou patrocínios importantes de empresas brasileiras que dão suporte numa carreira que envolve riscos e investimentos altíssimos. Mercedes-Benz e Petrobras se somam a Autotrac – empresa da família, especializada em tecnologias aplicadas ao monitoramento e rastreamento de frotas. Os símbolos dessas grandes marcas estampam o macacão branco e azul do piloto, o carro e o capacete. “É uma enorme responsabilidade. Mas estou preparado. A ideia na F3 é fazer um ano para adaptação: aprender as pistas, entender o carro. E no segundo ano vou brigar pelo título”, define. Piquet é um dos primeiros pilotos a ser patrocinado pela Petrobras. A empresa desenvolveu um programa inédito de incentivo a jovens talentos do automobilismo  que atuam na Europa. Essa também será a primeira vez em nove anos que a equipe de Pedro vai usar um motor Mercedes-Benz, após oito anos com o motor Volkswagen, cujo presidente da equipe é o ex-piloto Niki Lauda, juntamente com outro ex-piloto de corridas, Totó Wolff.  Com a carreira estrategicamente planejada para haver o mínimo de imprevistos, além dos que já ocorrem ao longo da temporada, em 2018 o garoto entra para a GP2, que é o campeonato preparatório  para a Fórmula 1, na Europa e no Oriente Médio. Na sequência, a sonhada Fórmula 1. “Acho que mostrei um bom trabalho no Brasil e farei o melhor na Europa. Quero seguir em busca do meu sonho”. Se o sobrenome pesa na hora da disputa, Pedro é enfático: “No momento da corrida não faz diferença. Todos estão lá para competir. Sobrenome não ganha posição na pista”, finaliza Pedro, marcando seu território. O que leva a concluir que filho de piloto, super piloto é.

74 « GPSBrasília

[GPS_brasilia_edicao_13.indd 74

13/04/16 22:21

Revista GPS Brasília 13  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you