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lhos atentos. Mãos firmes sobre o volante. Nos instantes que precedem uma corrida de automobilismo, é preciso ter a mente focada, o corpo totalmente adaptado ao motor e apego aos detalhes que fazem a diferença. Ser veloz é também ter maturidade, atenção e concentração ao passo que a força física é fator determinante. São tantos elementos exigidos do corpo e da mente para conseguir dominar o carro e vencer as pistas que só mesmo quem tem traços de campeão consegue se estabelecer. Para um jovem de 17 anos, reunir todos esses requisitos em segundos decisivos não é tarefa fácil, mas Pedro Estácio Piquet parece familiarizado com as artimanhas que surgem numa disputa. Filho do tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet, ainda criança começou a correr de kart nas pistas de todo o Brasil, estimulado pelo pai e incentivado pelo irmão Nelsinho, à época um jovem em ascensão e atualmente  correndo na Fórmula E, em que foi campeão, e no Mundial de Endurance. A família sempre o deixou à vontade. O automobilismo nunca foi uma imposição. Mas não havia jeito. Estava no sangue. Era uma paixão. Tão logo identificou o talento do filho, Nelson se dedicou aos ensinamentos do ofício. Para a mãe, Vivianne, ficou a missão de prepará-lo para a árdua rotina. Ser piloto é conviver com regras e privações. Tal qual qualquer atleta. E como o sonho era alto, não havia meio termo. Mas Pedro sempre soube o que quis. As pistas corriam em suas veias.  À medida que trocava a infância pela adolescência, Pedro conciliava os estudos com as corridas fora de Brasília, que eram frequentes. Em oito anos, participou de inúmeros campeonatos. Já nessa época, patrocinado pela Autotrac, ele contava com uma equipe formada e também um caminhão que o acompanhava Brasil afora. Os treinos eram diários, no autódromo de Brasília e nos kartódromos espalhados pelo País. 

A JORNADA Em 2013,  aos 15 anos, teve duas vitórias na etapa italiana do Fia Academy de Kart, em Ortona, na Itália, o principal campeonato mundial da categoria base do automobilismo.  A chegada na F3 Brasil ocorreu em 2014, quando foi campeão por antecipação, com 11 vitórias em 16 corridas. O mesmo feito ocorreu em 2015, ao conquistar o bicampeonato, com oito vitórias em dez provas. No mesmo ano, fez uma experiência na Porsche GT3 Cup, em Interlagos, como corrida preliminar do GP Brasil de Fórmula 1. Na primeira vez, fez a pole e venceu a prova. Tal campeonato é inspirado nos que acontecem no exterior, mas com filosofia brasileira: todos os carros participantes estão sob cuidados de um única equipe.  Em uma das corridas da Porsche GT3 Brasil, em Goiânia, ano passado, Pedro sofreu um acidente assustador que chocou o País. Antes da curva, seu carro foi tocado pelo carro de Ricardo Baptista. O automóvel catapultou-se e girou nove vezes no ar. Seu maior temor, no entanto, foi com a mão esquerda que ficou para fora do carro . Felizmente saiu ileso. E creditou à Nossa Senhora, de quem é devoto, a sua vida. Mas não pense que Pedro se intimidou.  Não demorou um mês e lá estava ele de volta à função, preparando-se para a Fórmula 3 Europeia. “Na segunda curva, quando recebi o toque, eu já sabia que iria capotar e tentei ficar o mais quieto possível no carro, mas depois das duas viradas eu apaguei e não lembro de nada. Só fui acordar na ambulância. Acho que não foi culpa minha, nem dele. Foi um toque de corrida, ali era a curva mais rápida do circuito. Na hora da capotagem eu deveria ter segurado as mãos no cinto, mas eu fiquei com ela no volante e meu corpo ficou solto dentro do carro com os braços para cima. Foi quando o carro torceu, abriu uma fenda na janela e minha mão ficou para fora. Tive muita sorte”, relembra.  O currículo e a performance de Pedro fazem jus à expectativa de quem o acompanha para o título de campeão nesta nova fase na carreira: a internacional. Tão logo finalizou os estudos em Brasília, mudou-se para Amsterdã, na Holanda, há poucos meses. Antes, porém, passou cinco semanas na Nova Zelândia. “Acumulei quilometragem e é uma maneira de não ficar parado dois ou três meses sem acelerar um carro de corrida. E isso me ajudou muito a entrar no ritmo de competição, na rotina de classificação e corridas”, explica.

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