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quando assumiu a vice-presidência. O check out foi no final de 2002 para mudar-se para o Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente. No livro de ouro, deixou um extenso agradecimento. No texto, disse que os funcionários faziam parte da família e que o hotel carrega a identidade de Brasília, como marca registrada da audácia do presidente Juscelino. A assinatura é do dia 29 de dezembro. 

LUZ, CÂMERA, AÇÃO Todos os anos, no período em que recebia o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, diretores, atores, críticos e cineastas agitavam os corredores do hotel. Uma espécie de extensão do tapete vermelho. John Travolta foi um deles. A piscina ficava repleta de artistas até o amanhecer. Eram festas intermináveis e com direito a alguns barracos. Um deles foi protagonizado pela ex-chacrete Rita Cadillac. Polêmica, ela tirou a blusa e o sutiã para chamar a atenção de quem estava no local. As brigas entre críticos e criticados também eram inevitáveis. Algumas, entre o cineasta Rogério Sganzerla e o crítico Rubens Ewald Filho, em 1971, entraram para a história. Os dois chegaram a se estapear. Ewald, desacordado, foi socorrido por Vera Manhães, mãe da atriz Camila Pitanga, que concorria ao prêmio de Melhor Atriz. As conversas sobre cinema eram regadas a uísques e cigarros. A atriz Leila Diniz causou um frisson ao protagonizar um strip-tease. Outro frequentador famoso era o cantor Raul Seixas. O maluco beleza era sempre visto com um copo de uísque. Cumprimentava todos, oferecendo um trago da bebida, independentemente da hora do dia.

CELEBRAÇÃO Teresinha de Assis tinha pouco mais de vinte anos quando chegou a Brasília, vinda de Manaus. Veio trabalhar no Ministério da Fazenda. Morava na 108 Sul e fez amizades no grupo jovem da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima. Solteira, participava dos eventos da alta sociedade no Hotel Nacional. “Não porque tinha dinheiro ou família conhecida, mas porque o meu trabalho me permitia conhecer muita gente”, conta. Com saudade, ela se lembra dos bailes nos salões. “Sempre gostei de dançar e adorava ver a alegria das pessoas, as roupas bonitas e, de vez em quando, era paquerada”, diz, saudosa.

Na igreja, Teresinha conheceu José Cavalcante, que aos 21 anos deixou São Paulo para trabalhar na unidade em Brasília do Banco Inglês. Logo se apaixonaram. “Baixinha, com os olhos puxados, parecia uma japonesa. O casamento foi celebrado na igrejinha, com a noite de núpcias em uma das suítes mais chiques do Hotel Nacional. A nota fiscal do pagamento está guardada até hoje. Ao completarem 50 anos de casados, retornaram ao hotel e pediram a mesma suíte. “Não existiria lugar melhor para brindar o momento”, diz Teresinha.

A RECONSTRUÇÃO Todo esse glamour do Hotel Nacional não está completamente solto na história. Mas a situação não é a mesma de 50 anos atrás.  O declínio, quando os herdeiros de Tjurs assumiram os negócios, foi inevitável. Um dos netos ainda tentou reerguer o local, mas as dificuldades só aumentavam. Na década de 1980, cinco dos dez andares foram interditados provisoriamente em função do corte de gastos. Funcionários foram demitidos. Ficaram pouco mais de duzentos, quando na época da inauguração o número chegava a quase mil trabalhadores. Os clientes, mesmo os mais frequentes, começaram a desistir das hospedagens. No começo da década de 1990, o local começou a perder a identidade. A má gestão somada ao surgimento de novos hotéis acabou levando o Hotel Nacional a pedir concordata à justiça em 1991, ano em que completaria 30 anos. Nessa época, a rede Horsa estava envolvida em uma dívida de USD 20 milhões, quando o patrimônio era avaliado em cerca de USD 21 milhões. Em 1994, empresário Wagner Canhedo, que era dono da Vasp, comprou o empreendimento. Dois anos depois, o nome Tjurs voltaria a aparecer na mídia por causa do suicídio do neto caçula de José, Luiz Cláudio, na frente da noiva, a atriz Ana Paula Arósio. Na época, ele tinha 29 anos e a atriz, 20. A venda, no entanto, não acabou com os problemas. Em 2007, os 310 hóspedes foram despejados por causa de uma confusão do hotel com a Securinvest Holdings S/A. A empresa alegava um calote de R$ 46,5 milhões de parcelas da compra do hotel e conseguiu na Justiça uma decisão de reintegração de posse. Anos depois, o grupo enfrentou alguns problemas com a Justiça Trabalhista. Foram anos de queda. Hoje, o grupo Canhedo continua à frente do hotel. De cinco anos para cá, houve uma mudança na tentativa de resgate da imagem do hotel. E tem dado certo. Melhoraram os números e as parcerias, o que aumentou a circulação de pessoas.  GPSBrasília « 51

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