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MEMÓRIA

A EQUIPE DE NIEMEYER CÉSAR BARNEY

POR ANDRESSA FURTADO FOTOS CELSO JUNIOR

E

moção à flor da pele. Eles se lembram bem de uma época de desafios e dificuldades. Do barro vermelho, do barraco de madeira, da correria diária, das broncas e cobranças de Oscar Niemeyer e seu fiel escudeiro Nauro Esteves. Lembram-se também dos apelidos que ganharam, das amizades que fizeram e se eternizaram e, claro, daqueles que já se foram. A nostalgia está presente diariamente na vida do trio Sylvio Schoellkopf, César Barney e Carlos Elias. Presente inclusive nos seus olhos, na maneira como falam, nas fotos que guardaram. Amigos desde meados de 1956, nunca abriram mão de Brasília pela terra natal. Moram aqui até hoje e viram a cidade se transformar completamente. Esses três são alguns dos responsáveis por erguer a Capital do País. Por construir quadras e comércios locais, por dar vida ao concreto em meio ao Cerrado.

O arquiteto é colombiano. Nascido em 1934, na cidade de Calí, durante sua juventude, mudou-se para os Estados Unidos para estudar Arquitetura. Foi lá que ouviu falar da construção de Brasília e, claro, não pensou duas vezes em se alistar para tal desafio. Primeiro fincou raízes na Cidade Maravilhosa, onde terminou sua graduação. Lá, foi estagiário de Burle Marx e o passo seguinte seria desembarcar na terra do barro vermelho. “Cheguei aqui e fui à procura de Oscar Niemeyer para me apresentar no Departamento de Urbanismo e Arquitetura (DUA), o famoso barracão que ficava exatamente onde hoje é o Ministério da Justiça”, lembra. A chance foi dada, mas a proposta não era das melhores. Trabalhar durante dois meses sem receber para ver se dava conta do recado. César aceitou, afinal não é qualquer dia que se tem a oportunidade de construir uma cidade do zero. Sua competência foi tanta que em menos de dois meses já havia sido contratado. O trabalho era pesado. Não tinha descanso. César assinou o projeto de vários pedacinhos dessa cidade. Entre eles, as primeiras escolas, as quadras 107, 108, 307 e 308 Norte, os centros de saúde, a Torre de TV. A primeira casa do Lago Sul também foi feita por ele para o empresário Gilberto Salomão. O bloco B da 115 Norte foi batizado em sua homenagem e ganhou seu nome. César assinou mais de 400 projetos. É adepto do “menos é mais” e após trabalhar com o mestre, apurou um jeito próprio de construir. Uma de suas marcas são os espelhos d’água, que melhoram o ar seco e refletem o céu azul. Hoje, aos 82 anos, mora no Lago Sul ao lado da sua mulher, Elvira, com quem teve três filhos. Ainda está na ativa e assina projetos. Em seu escritório, tem todos os recortes e notícias que saíram sobre sua trajetória. Sobre a Brasília de hoje, não mede palavras: “É caótica”.

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Revista GPS Brasília 13  
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