Issuu on Google+

qualquer coisa que a tornasse ainda mais atraente e justificável. Tenho certeza que Brasília ficará ainda mais bonita”. O arquiteto tinha 101 anos e, segundo Gorgulho, envolver-se novamente com a cidade que ele ajudou a erguer, deu vigor ao amigo. “Ele reviveu. Já tinha mais de cem anos, mas era muito lúdico. Toda semana, havia reunião de engenheiros, eles discutiam detalhes da obra. Foi bonito ver o Oscar tão fascinado com aquilo”, lembra o jornalista. Começou então o processo burocrático. As obras iniciaram somente em junho do ano seguinte, com pressa, porque ela tinha data para ser inaugurada: em 21 de abril de 2010. Aos poucos, ela foi florescendo em meio ao Cerrado. No entanto, com a crise política que acometeu Brasília no final de 2009, que resultou na saída de Arruda após o escândalo conhecido como Mensalão do DEM (Democratas), a construção parou. Depois de Arruda, outros três governadores passaram pelo Palácio do Buriti até o final do mandato, em dezembro de 2010 – Paulo Octávio, Wilson Lima e Rogério Rosso. A cada troca de governador, ele recebia uma ligação de Oscar Niemeyer. “Eu quero que termine a torre, eu não quero que fique um projeto inacabado”, ele afirmava, enfático. De certa forma, ao ouvir isso do criador de Brasília, o chefe do Executivo local se sentia pressionado. E lá ia ela, subindo pouco a pouco. “Essa torre só saiu porque era um projeto do Niemeyer”, analisa Gorgulho. Ao assumir o governo, em 2011, o petista Agnelo Queiroz se reuniu com o arquiteto e também recebeu o pedido. E foi na sua gestão que a torre foi inaugurada, em 21 de abril de 2012, nos 52 anos de Brasília, um custo total de R$ 80 milhões. Durante todo o processo de construção, mesmo já fora do governo, Silvestre Gorgulho foi meio que o responsável pela torre, por ser um dos representantes de Niemeyer na cidade. Tanto que os bastidores foram registrados em um livro, A Flor do Cerrado. Como a última vez que Niemeyer veio a Brasília foi em 2008, não chegou a ver a torre pessoalmente, apenas por foto.

“Ele a achou linda”, lembra Gorgulho. O arquiteto morreu em dezembro daquele ano. Apesar de não ter colocado no papel, ele idealizava um shopping cultural abaixo do estacionamento. “Ele queria que tivesse um hotel, restaurantes, um centro de convenções, uma grande livraria, um cinema e um museu das telecomunicações”, revela Gorgulho. A torre ficou pouco tempo aberta ao público – apenas um ano e meio –, e precisou ser fechada para finalizar a instalação das antenas, reparos na estrutura, além de obras de acessibilidade. O sinal digital já começou a ser emitido e, segundo a Anatel, em outubro desde ano Brasília será a única capital a desligar o sinal analógico. Depois de quase dois anos fechada, voltou a receber visitantes em outubro do ano passado. “Aos poucos vamos resolvendo os problemas. Ainda não é o ideal, mas os moradores e turistas já podem curtir a vista que ela proporciona”, diz o Secretário de Turismo, Jaime Recena. Por fim de semana, cerca de 1,2 mil passam por lá. No ano passado, o GDF publicou um decreto que regulamenta a concessão de espaços públicos para a iniciativa privada. Dentre os locais, a Torre Digital pode ser uma a ter um contrato de arrendamento, concessão, permissão ou parceria público-privada (PPP). “A gestão pode ser mais eficiente se for privada, pode trazer mais benefícios para a cidade. Já recebemos algumas manifestações, mas o governo ainda está estudando quando serão lançados os editais. Não tem data ainda”, explica Recena. Enquanto isso, a Flor do Cerrado vive ainda em meio a terra vermelha. De longe ou de perto. De dia ou de noite. Ela está lá no cantinho da cidade, mas parece abraçá-la por completo. Mais uma vez Niemeyer mostrou que além do concreto, ele trouxe vida para Brasília. E dessa vez, em forma de flor. Serviço Torre de TV Digital Visitação: sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h Entrada franca

Celso Junior

40 « GPSBrasília

[GPS_brasilia_edicao_13.indd 40

13/04/16 22:21


Revista GPS Brasília 13