Issuu on Google+

RETRANCA

Detalhes que decoram o gabinete do ministro

Nós não teríamos que estar pensando na linha sucessória? É um problema que a maioria deixa para pensar no ano das eleições, em 2018. A carência de valores é um grande problema nacional. A corrupção sempre existiu. Claro que, nos dias atuais, não se esconde mais. Temos esse lado que, de início, não constatamos um leque de lideranças capazes de se posicionar como candidaturas e ter uma boa escolha. Mas o senhor visualiza alguém? Nós temos executivos como o governador de São Paulo [Geraldo Alckmin, PSDB] e do Rio Grande do Sul [José Ivo Sartori, PMDB], que pegou um Estado quebrado e está tentando recuperar e colocando em risco o próprio perfil político, que poderiam fazer algo. Como o senhor vê as decisões e postura do juiz Sergio Moro? O Moro merece o meu aplauso em tudo que faça em harmonia com a ordem jurídica. Mas ele extravasou na condução coercitiva do ex-presidente Lula e quando divulgou o alvo de uma interceptação telefônica, quando a lei configura essa divulgação como crime. De modo geral, ele vem fazendo um bom trabalho, com alguns pecadilhos. Por exemplo, não compreendo que alguém permaneça preso até ceder e proceder uma delação, isso para mim seria muito consentâneo com a Idade Média, não com o Século XXI.

O que o senhor acha da imagem de herói que ele ganhou? A sociedade é muito carente de valores. Não temos apenas o íntegro e o trabalhador juiz Sérgio Moro. São milhares de juízes anônimos. Claro que, quando alguém desponta, como o último presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, tem-se o aplauso generalizado e essa tendência de se exagerar em termos de conceito. Mas o juiz Sergio Moro é como tantos outros juízes. Porque senão seria o caso de fecharmos o judiciário e mandarmos todas as ações para ele, Sergio Moro. Como o senhor vê a nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil? Eu não acho que ele buscou um escudo. Será que ele seria tão egoísta a ponto de buscar essa prerrogativa, esquecendo os familiares? Eu penso que não. Eu vi uma tentativa de dar à presidente, pela intercepção política que ele tem, uma tábua de salvação e uma tentativa de se resgatar o que resta do partido. Ele não permaneceria lá em São Paulo, deixando Brasília do jeito que se encontra hoje. Ele viria para tentar o resgate do que se imagina que é a harmonia entre os Poderes Executivo e Legislativo. Mas, do ponto de vista jurídico, o que muda com Lula ser julgado no STF? A impressão que se tem é que nós passamos a mão na cabeça de quem cometeu desvio de conduta. E não passa-

34 « GPSBrasília

[GPS_brasilia_edicao_13.indd 34

13/04/16 22:21


Revista GPS Brasília 13