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E se ele fosse presentear um brasileiro com um livro, qual seria? “Há livros e livros. Mas se fosse para um homem público, eu daria o livro sobre Dom Pedro II, do José Murilo de Carvalho. Eu vi em Dom Pedro II o ideal de homem público, preocupado não com o próprio umbigo, mas com a coletividade, além da postura, da lisura e do trato da coisa pública”, declarou. Confira a entrevista exclusiva com a revista GPS|Brasília. O que está acontecendo com o Brasil? Estamos diante de um impasse indesejável. O Brasil está sangrando, está se esvaindo. Não há como implementar certas providências. Quem assumir terá que agir. E aí, vamos viver um ambiente de mil maravilhas? A meu ver, não. Mas há uma ilusão do brasileiro em achar que teremos, no dia seguinte à interrupção do mandato da atual presidente, o Brasil sonhado. E não teremos.    Como o senhor vê a relação Executivo-Legislativo? Não vejo com bons olhos. É péssima. Se nós consideramos cláusula básica da Constituição, nós vamos ver que os poderes devem ser harmônicos, o que não ocorre atualmente. Ou seja, eu não sei nem se ela [a presidente Dilma] ficando de joelhos hoje teria a simpatia do Legislativo. E ninguém pode se apear de um cargo desse por ser a campeã em antipatia e arrogância. Hoje, há quem diga que os assessores têm receio de chegar e ponderar alguma coisa que a desagrade. Acho isso impensável. Diante desse cenário, qual sua opinião sobre o impeachment? Ele está previsto na Constituição Federal, por isso não se pode, de início, falar em golpe. Será golpe se for levado de cambulhada. O problema é a fase subsequente que, com ela ou sem ela, será muito difícil. Acredito que essa indignação não pode ser o motivo do afastamento em si. Claro que está todo mundo atribuindo a culpa do que ocorreu a ela. Nós precisávamos deixar que as instituições, que lidam com a investigação, funcionassem e, enquanto isso, trabalhar para buscar a correção de rumos em termos de País, de desenvolvimento, de afastar-se da estagnação. O impeachment seria um retrocesso? Para mim, é. É algo que discrepa da naturalidade. O normal é que alguém seja eleito, diplomado e exerça o mandato até o término. Em uma última análise, o povo

Para o tribunal, o ministro levou objetos pessoais

brasileiro elege o titular, não o vice. O afastamento de um presidente da República é sempre traumático, e tem uma repercussão internacional muito negativa. Para o senhor que vivenciou o impeachment de 1992 quais as diferenças? Hoje é muito diferente. Porque há um partido que, de certa forma, se mostra responsável por ela [Dilma Rousseff] ter sido presidente da República. E esse partido, não podemos subestimar nem achar que está morto, conta com uma força de arregimentação muito grande.    O senhor vinha dizendo que o ideal seria uma renúncia coletiva, que um grande estadista optaria por isso nesse momento. Seria uma utopia? Hoje, já se fala em Eleições Gerais. Zerar-se para avançar. Porque em caso de impedimento, continuaríamos com o Congresso que temos, com os políticos que temos. E aí, vamos ter um governo? Acho que isso não está garantido. Não estou assustado com um possível grito de guerra que tenha sido veiculado por este ou aquele cidadão ou parlamentar. Não é isso. É a realidade. GPSBrasília « 33

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