Issuu on Google+

Ano 1 | número 1 | fevereiro 2014

Revista de bordo | Governo do Rio Grande do Sul

Luis Fernando Verissimo

O texto, o traço e outras paixões

1


2


SUMÁRIO

4

BOA LEITURA Quem gosta de ter um

ponto de vista privilegiado não

5

CURTAS Uma leitura rápida de

6

assuntos que você precisa saber

NA RODOVIÁRIA Destinos e razões que

movem os viajantes gaúchos

CAMILA DOMINGUES/SECOM

abre mão de sentar “na janela”

8 CONVERSA DE BORDO Luis Fernando Verissimo fala sobre trabalho, viagens, música e o Brasil

14

HISTÓRIA DA GENTE

Auro Kich deixou Teutônia, tentou

a vida em Lajeado e hoje cultiva 18

ACONTECE AQUI

18

PAUSA NO OLHAR

O Farol da Solidão, em Mostardas, retratado por Claudio Fachel

32

PARA CONHECER

Memória e natureza são as apostas de Rio Grande para o turismo

Oferta abundante de empregos em

cidades de médio

CAMILA DOMINGUES/SECOM

PEDRO REVILLION/SECOM

hectares em Porto Alegre

porte evita êxodo

de jovens e estimu-

la formação de mão de obra quali�icada

30

NA TVE

Conheça destaques da programação de

fevereiro do canal público

34

EM CARTAZ

20

NA REGIÃO

Na Grande Porto Alegre, a produção de arroz orgânico sustenta famílias

de assentados e agrega qualidade à merenda escolar

Música, teatro, fotogra�ia e outras

atrações da agenda cultural

36

BOM HUMOR E PROSA NA ESTRADA

Produções do chargista Santiago e do

CAMILA DOMINGUES/SECOM

12

escritor Caio Fernando Abreu

38

SERVIÇO

Programas e bene�ícios para o cidadão

3


BOA LEITURA

Bem-vindo a bordo Este é o primeiríssimo número da revista Na Janela, uma iniciativa do Governo do Estado que acompanha com quem se desloca de ônibus pelos municípios do Rio Grande do Sul. A inspiração do nome vem de uma preferência da maioria dos viajantes. Ao comprar a passagem, quem gosta de ter um ponto de vista privilegiado não abre mão de se sentar “na janela”. Esse é o espírito da revista. Confortavelmente instalado em sua poltrona, você vai conhecer mais um pouco da nossa terra. Histórias da gente, entrevistas, matérias sobre o que movimenta a economia e gera desenvolvimento, o registro de pessoas que estão em viagem, um olhar fotográ�ico, atrações culturais, serviços e programas sociais, locais para conhecer, o traço e o texto dos nossos cartunistas e cronistas, entre outras coisas. E tem mais: Na Janela não acaba na última página. Você também pode navegar pelas redes sociais. Boa viagem. Na estrada e na leitura.

4


CURTAS

CAMILA DOMINGUES/SECOM

Um negócio para chamar de seu

Alô, estudantada!

O passe livre foi a principal reivindicação das manifestações de junho em todo o Brasil.

CAMILA DOMINGUES/SECOM

• Em tempo

Quem mora em uma cidade e estuda em outra já pode solicitar o passe livre estudantil. Na Região Metropolitana e aglomerados urbanos o bene�ício será integral. Nas outras regiões, o Governo garante um subsídio ao pagamento da passagem. Informe-se sobre o assunto na prefeitura de sua cidade, no grêmio estudantil ou no diretório acadêmico da sua instituição de ensino. Mas atenção: só tem direito ao bene�ício estudantes com renda per capita de 1,5 salário mínimo!

O sonho de abrir uma pequena empresa se transformou em realidade para os 43 mil empreendedores que acessaram �inanciamentos do Programa Gaúcho de Microcrédito. Já foram investidos mais de R$ 260 milhões em empreendimentos populares vinculados à economia solidária e à agricultura familiar. O programa também foi estendido às famílias dos servidores da Brigada Militar e destinará R$ 20 milhões para �inanciar pequenos negócios, garantindo uma renda extra às famílias de brigadianos.

E tenho dito “Entre todas as parcerias que possuímos, em nenhuma temos o êxito que estamos tendo com o Pronatec”

José Carlos Pereira, dirigente da Transportes Aéreos Portugueses (TAP), elogiando o programa federal. O Rio Grande do Sul foi o estado que mais qualificou pessoas no País.

O Rio Grande na Copa Desde o anúncio de que Viamão será o Centro de Treinamentos do Equador na Copa 2014 o município entrou no roteiro da imprensa internacional. No início de fevereiro, uma equipe da televisão equatoriana incluiu o município em seu roteiro pelo Brasil. Além de conhecer as instalações do hotel Vila Ventura (foto), onde estarão hospedados jogadores e equipe técnica, os jornalistas irão a São Paulo e Rio de Janeiro acompanhar as obras da Copa.

• Aliás, tem um nome di�ícil, mas será de grande utilidade para o Mundial o novo equipamento das forças de segurança do Estado. O imageador térmico identi�ica corpos através do calor: criminosos em fuga poderão ser localizados mesmo em locais sem iluminação e a longas distâncias. 5


MANUELLA BRANDOLFF/SECOM

NA RODOVIÁRIA

James Ray, brazilian trip Eles saíram de Sidney, na Austrália, para conhecer o mundo. Porto Alegre encerra a parte brasileira do roteiro, depois de terem passado por Foz do Iguaçu e Florianópolis. Do Rio Grande do Sul, os estudantes australianos seguem para Uruguai e Argentina. “Viemos surfar e passear, em Porto Alegre planejamos quatro noites de ‘�iesta’”, con�idenciou James Ray, 26 anos, o menos tímido do trio.

Letícia Kych e Aline Lermen, aulas no verão

CLAUDIO FACHEL/SECOM

Depois do Réveillon à beira-mar, as amigas resolveram passar uns dias com a família, em Santa Rosa, antes de voltar aos estudos. “Nossas as aulas na Federal de Santa Maria estão para começar”.

Moradora de Porto Alegre, a técnica de enfermagem vai aproveitar as férias para visitar a cidade natal, Uruguaiana. As oito horas não são um problema. “Adoro viajar desde pequena. Meu pai era caminhoneiro, meu marido e meu �ilho também são”. 6

MANUELLA BRANDOLFF/SECOM

Maria de Lurdes Bredalice, de família


O casal de estudantes mora em Bagé. Em férias, decidiram viajar juntos pela primeira vez e conhecer Canela, Gramado e São Lourenço do Sul. Na rodoviária de Pelotas aguardavam ônibus para voltar a Bagé. “Foram como nove dias de lua de mel”, suspirou o casal apaixonado.

MANUELLA BRANDOLFF/SECOM

GUSTAVO GARGIONI/SECOM

Bruno Saliba e Davana Soares, quase lua de mel

Antônio Paulino, sem cansaço O comerciante aproveitou a gratuidade da passagem para a terceira idade e encarou as 18 horas de ônibus de São Paulo a Porto Alegre. “Vim passear, quase todo o mês venho visitar meu �ilho. Mas moro no Rio de Janeiro, de São Paulo ainda pego outro ônibus”.

s ade d u sa por e z d li do o fe njal n e orr uit ara lia Jú ou m ou m m L t Est s es qui e ma ar a est ijos Be

GUSTAVO GARGIONI/SECOM

Maidu Hamunem e Antonio Costa, mochilão pela América do Sul

VOCÊ NA RODOVIÁRIA – Para participar desta coluna, acesse o Facebook do Governo do Rio Grande do Sul (www.facebook.com/GovernodoRS) e envie sua foto por mensagem (inbox), com dados pessoais e detalhes da viagem. Sua imagem fará parte de um álbum e poderá ser publicada na próxima edição da revista Na Janela.

Ela é da Finlândia, ele de Portugal. Em três meses pretendem visitar todos os países do continente. De Pelotas eles embarcaram para Porto Alegre. “É uma viagem só de ônibus pelo continente. Nem bem entramos no Brasil e já estou achando tudo maravilhoso”, contou Maidu. 7


CONVERSA DE BORDO

Luis Fernando

CAMILA DOMINGUES/SECOM

Verissimo

“O português já é a segunda língua nos barcos turísticos de Paris” José Antônio Silva

8

Escritor consagrado, Luis Fernando Verissimo usou o talento com as palavras também para apresentar cidades que conheceu ao longo de sua vida. Chegou a invocar o fantasma do pintor Francisco Goya para, junto com ele, caminhar pelas ruas da capital da Espanha em Traçando

Madrid (editora Artes e O�ícios, 1998). Autor de outros cinco volumes que compõem a coleção de guias (Nova Iorque, Paris, Roma, Japão e Porto Alegre), Verissimo nota que o aumento do poder aquisitivo leva cada vez mais turistas brasileiros para o exterior, o que se re�lete em uma importante mudança na imagem do país lá fora. “Não é mais apenas

carnaval, futebol, mulher nua. O brasileiro já representa uma força econômica”. Neste bate-papo, o humorista fala ainda sobre o seu o�ício, admite que está “desencantado com o Internacional”, e que, apesar da rotina de trabalho – e do fôlego limitado pelos 77 anos – sempre encontra tempo para estudar saxofone.


Escreves todos os dias, tens uma rotina de trabalho? Tenho prazos a cumprir com os jornais, o que estabelece uma rotina. Segundas e quintas-feiras mando textos para O Globo (RJ), Estadão (SP) e Zero Hora. Os outros dias são mais folgados, mas sempre tem um livro, textos que escrevo além das colunas. E ainda preciso responder entrevistas, como esta. Com prazos a cumprir, acreditas na inspiração? O Fraga (José Guaraci Fraga, humorista gaúcho) diz que a criação “é 90% transpiração e 10% desodorante” (risos). Não se pode con�iar muito na inspiração. A minha musa inspiradora é o prazo de entrega.

Mas buscas, às vezes, uma frase ou uma cena para te inspirar? Às vezes tem um assunto que a gente se obriga a comentar, outras, é pura invenção. Por exemplo, para um livro meu que saiu em 2012, Os Espiões, eu só tinha a frase inicial, não tinha a menor ideia do resto. A frase era: “Formei-me em letras e na bebida busco esquecer” (risos). A partir daí eu não tinha a menor ideia do que viria. E acabou saindo um romance. Também escreves quando estás de férias? Férias são férias, não escrevo, mas acontece de ter que deixar material adiantado para cobrir o período – sempre com o risco de matarem o Papa e a gente estar longe do computador. Aí tudo �ica frio.

Falando em viajar, notas mudanças na visão dos estrangeiros sobre o Brasil nos últimos anos? Sim, principalmente em consequência de o brasileiro estar viajando mais, pelas condições de viajar e de gastar que a classe média adquiriu. Estivemos em Paris com o Chico Buarque, ele tem um apartamento na frente do rio Sena onde passam aqueles barcos de turismo com guias descrevendo o que o público vê. E agora a segunda língua mais usada nesses barcos já é o português! Isso dá uma boa ideia do que o turista brasileiro representa na Europa e, de certa maneira, determinou mudanças na forma de ver o Brasil também. Não é mais apenas carnaval, futebol, mulher nua. O brasileiro já representa uma força econômica para ser considerada.

Achas que o Brasil está melhorando? 2013 foi um ano de protestos... Temos muitas razões para o otimismo. Houve uma melhora sensível, especialmente na distribuição de renda, que era o grande problema do Brasil. As manifestações, a gente sabe contra o que elas são, mas não sabe exatamente do que elas são a favor, quais interesses de esquerda e de direita estão sendo servidos. Mas acho que o Brasil melhorou bastante desde a eleição do Lula. E o futebol de hoje, merece protestos ou aplausos? Com o Internacional nessa fase que está a gente nem gosta de falar de futebol, porque tem um certo desencanto aí (risos).

O futebol mudou muito, antigamente o jogador podia mostrar sua qualidade técnica sem ter um zagueiro chegando por trás. O Brasil também perdeu aquele destaque em relação às outras seleções. Mas continuo achando um esporte fascinante. A beleza plástica de um bom jogo de futebol continua me encantando. E a música, o saxofone? Continuas tocando? O saxofone está em atividade. Agora mesmo a banda foi tocar em São Paulo. Quando estou de férias, paro, e às vezes é di�ícil recomeçar, ainda mais na minha idade, não tendo mais o mesmo fôlego de antes. Mas continuo tocando e ouvindo música.

“Houve uma melhora sensível na distribuição de renda, que era o grande problema do Brasil”

9


CAMILA DOMINGUES/SECOM

CONVERSA DE BORDO

O escritor adverte para a confusão que pode provocar nos turistas o fato de vários locais na Capital do Estado possuírem nomes oficiais diferentes daqueles carinhosamente dados pela população ,“ao contrário do que acontece em cidades previsíveis e sem graça como Paris ou Roma, onde tudo tem o mesmo nome há séculos”.

10

Olhares de Verissimo sobre Porto Alegre Embora escrito nos anos 90, o guia sobre a Capital do Rio Grande do Sul, Traçando Porto Alegre, assinado por Luis Fernando Verissimo é uma boa fonte de consultas para visitantes e até moradores da cidade. O escritor abusa do bom humor ao relatar “mal-entendidos” que podem levar um viajante pouco informado a se perder pelas ruas da cidade. A porção de água que banha Porto Alegre, explica Verissimo, apesar de levar o nome de Rio Guaíba, na verdade é um lago, ou um estuário, “ou o que quer que se chame essa ante-sala

onde cinco rios se reúnem para entrar juntos na Lagoa dos Patos”, descreve. A Rua da Praia não margeia curso d’água nenhum, muito pelo contrário, está cercada de terra por todos os lados e atende o�icialmente por outro nome, que ninguém usa, “Rua dos Andradas”. Também é assim com a Rua da Ladeira (General Câmara) e com a Praça da Matriz (Marechal Deodoro), característica que o autor não considera negativa de todo. “A vantagem de toda esta confusão é que você precisará de


muito tempo para ir decifrando Porto Alegre, ao contrário do que acontece em cidades previsíveis e sem graça como Paris ou Roma, onde tudo tem o mesmo nome há séculos”. Investindo tempo na leitura das recomendações de Verissimo, é possível conhecer os principais pontos da Capital em uma caminhada pelo hoje denominado Centro Histórico. O autor cita o Theatro São Pedro, “com seu prédio em estilo barroco português e sua pequena plateia em forma de ferradura”; a Casa de Cultura Mario Quintana, a Igreja Nossa Senhora das Dores, o Mercado Público, onde há “os famosos morangos com nata batida da Banca 43”. Em mais um exemplo da linguagem divertida utilizada pelo humorista para descrever a cidade, Verissimo sugere ao leitor outro conhecido programa: “O pôr do sol não pode ser reivindicado como atração turística de Porto Alegre, já que tecnicamente ele acontece fora dos limites estritos do município, mas saber se colocar para assisti-lo é uma das artes da cidade”. Aos que �icaram curiosos para se aprofundar na leitura que Verissimo faz de sua terra natal, exemplares novos de Traçando Porto Alegre ainda podem ser encontrados a venda em algumas livrarias. Exemplares usados podem ser facilmente encontrados também nos conhecidos “sebos” da Capital – as lojas de livros de segunda-mão, concentradas na Rua Riachuelo, pertinho da Biblioteca Pública e do Palácio Piratini.

As criações de Verissimo As Cobras As famosas cobrinhas que discutem de tudo, do futebol ao sentido da vida.

Família Brasil Uma típica família brasileira de classe média e seus problemas clássicos.

O Analista de Bagé O “psicanalista freudiano, ortodoxo como a pomada Minancora” atende seus pacientes pilchado e aplica a Terapia do Joelhaço.

Ed Mort Um investigador particular trapalhão, apaixonado por suas clientes e sempre sem dinheiro 11


HISTÓRIA DA GENTE

Auro Kich, 81 anos, agricultor no interior de Teutônia. Depoimento a Daniel Cassol e Pedro Metz

Semear e colher a própria vida Eu me sinto orgulhoso por ter chegado a essa idade e ainda poder trabalhar. Ter criado meus filhos. Não pude estudar a faculdade, mas meus filhos e netos sim. Esse orgulho eu tenho comigo. Não sou rico, mas tenho peixe, galinha e ovos para comer, fruta própria, verdura própria, animais eu posso volta e meia vender, o que me ajuda a manter a vida. Sou presidente da Associação de Apicultores e participo do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Tenho

Nasci em 1932 no Cantagalo, em Paverama. Na época ainda era município de Taquari. Com 12 anos eu já trabalhava com o saraguá, plantando mandioca, lidando com os bois. Meus pais venderam a terra em 1946 e fomos morar em Lajeado. Nos sete anos em que vivi lá perdi todo o contato com a terra, estudei um pouquinho e trabalhei com calçados. Depois fui para Porto Alegre trabalhar na Varig, de 1953 até um pedaço de 1954. Em 1959, comecei minha própria sapataria, na Protásio Alves, 4990, onde meu �ilho mais novo praticamente

12

se criou. Meus �ilhos estudaram no Colégio Farroupilha, depois �izeram a universidade federal, um Agronomia e outro Engenharia Mecânica. O mais velho hoje mora na Alemanha, é agrônomo, e o mais novo, em Porto Alegre, como engenheiro mecânico. Este me deu quatro netos. Uma menina, que está terminando a faculdade, dois gêmeos que fazem Engenharia Mecânica na França, e o mais velho dos meus netos já é formado engenheiro mecânico e trabalha na Petrobras em Macaé, no Rio de Janeiro. O �ilho mais velho do

FOTOS PEDRO REVILLION/SECOM

orgulho dessa vida que eu levo e já levei.


meu �ilho mais velho também é agrônomo, como o pai, e está no Tocantins. A outra neta é auditora e mora nos Estados Unidos. A mais nova está em Brasilândia de Minas. A caçulinha tem 12 anos e mora na Alemanha. Ela fala um alemão bonito, escreve e me dobra no alemão, não consigo mais acompanhar. Essa é a história da minha turma. Eu me aposentei em 1982. Meu �ilho �icou com a �irma até 2002, depois deu baixa e �icou só com uma �irma dele, de Engenharia Mecânica. Antes, em 1980, quando os �ilhos casaram – um casou em janeiro e o outro em maio – eu vim morar na chácara, que já tinha dez anos, mas não funcionava bem. Vim para cá e logo instalei um tambo de leite com 300 litros por dia, e mais 150 caixas de abelha, com bastante mel. O mel sempre foi meu sonho desde criança quando ajudava o pai. Fundamos a Associação Teutoniense de Apicultores. Todos os anos temos um curso de especialização em algum assunto, tratamento de abelha, colheita de mel, embalagem, produção de geleia real, colheita de pólen, de própolis. As abelhas não dão só o mel, mas muitos outros produtos. Se o apicultor não pode mais trabalhar na roça, por saúde ou qualquer outro motivo, pode trabalhar com abelha e até sobreviver, se �izer a lição certinha. Quando eu era garoto, eu tinha que ajudar meu pai, e ele me xingava. “Ô, tu tá com medo por causa de um ferrão? Tem que ter coragem!” Meu pai tinha abelhas carnica, calcaciana e italiana. De 1970 em diante vieram as abelhas africanas e deu problema para muita gente.

Saí da roça quando tinha 12 anos. Todo aquele meu sonho de pegar uma semente, jogar na terra e ver ela nascer, brotar, isso é muito salutar. É uma coisa muito boa, mexe com o brio da gente. Quando a gente estava na cidade, não tinha mais nada disso. Trabalhava dia e noite. Porto Alegre foi bastante di�ícil no começo. A gente ganhava pouco e gastava tudo. Um dia fomos entregar umas caixas lá na Félix da Cunha, onde tinha uma empresa que vendia frangos. Quando o guarda da portaria ouviu meu nome,

perguntou de onde eu era. Eu disse que era do Cantagalo, falei da minha família. E o guarda exclamou: “Então somos primos!” Ele tinha uma terra para vender aqui, de 4,5 hectares. Meu sonho era ter um chãozinho... Comecei bem humildemente, com um tratorzinho, trazendo mudas de árvores de São Sebastião do Caí. E assim fui cultivando essa chacrinha, até completar essa área que eu tenho, de 18 hectares. Isso fez com que eu começasse a semear, ver realmente a semente que saía da terra.

“Começei humildemente, com um tratorzinho, até completar essa área de 18 hectares”

13


ACONTECE AQUI

Além da Capital Daniel Cassol e Felipe Samuel

Afastadas da região metropolitana de Porto Alegre, cidades médias do Rio Grande do Sul se consolidam como polos de atração de investimentos e geração de empregos 14

Aline de Barros tem 30 anos, mas apesar da pouca idade é testemunha de uma mudança histórica em Rio Grande, cidade onde nasceu e se formou engenheira mecânica. Uma mudança que ela mesma viveu. “Antigamente, a gente tinha que sair da cidade para procurar emprego. Hoje é outra realidade”, diz. Formada há cinco anos pela Fundação Universidade de Rio Grande

(FURG), Aline trabalha na área de planejamento da Quip, empresa responsável pela construção de plataformas de petróleo para a Petrobras no Porto de Rio Grande, na Zona Sul do Estado. Todos os dias a engenheira comemora o fato de não precisar deixar amigos e família em busca de um emprego. “Pretendo continuar na empresa, mas há outras possibilidades dentro do Polo Naval de Rio Grande, além do es-


taleiro em São José do Norte. Em todo o lugar a gente vê placa pedindo gente para trabalhar”, conta. No outro extremo do Estado, Panambi também experimenta a ampla oferta de empregos. Grande produtora de grãos e polo de indústrias de máquinas e implementos agrícolas, o desenvolvimento da região é impulsionado pelas últimas safras e por políticas de estímulo à irrigação e à mecanização rural.

CLAUDIO FACHEL/SECOM

CAMILA DOMINGUES/SECOM

CLAUDIO FACHEL/SECOM

Panambi e Rio Grande vivem a realidade da farta oferta de empregos, reflexo do momento vivido por empresas de distintos setores no Estado.

Estaleiros estimulam desenvolvimento de toda a Zona Sul 15


ACONTECE AQUI

Desenvolvimento regional Os casos de Rio Grande e Panambi são exemplos de uma nova realidade na economia do Rio Grande do Sul, em particular, e do Brasil, em geral, na qual cidades médias se tornam polos geradores de emprego, descentralizando o desenvolvimento. Geógrafo da Secretaria Estadual de Planejamento, Gestão e Participação Cidadã (Seplag), Antonio Paulo Cargnin explica que a dinâmica do

desenvolvimento nas regiões é complexa e precisa de tempo para se consolidar, mas os dados atuais permitem veri�icar uma mudança no panorama da economia gaúcha. “Se analisarmos os dados de emprego, notamos um deslocamento do eixo Porto Alegre-Caxias para a região de Passo Fundo e também para as regiões de Santa Maria e Rio Grande, neste caso, em função do polo naval”, a�irma Cargnin, autor da tese de doutorado “Políticas de desenvolvimento regional no Rio Grande do Sul”, pela UFRGS, que lhe rendeu o Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional. Para o geógrafo, os esforços históricos do Brasil no sentido da descentralização do desenvolvimento econômico foram intensi�icados nos últimos anos, mas a maioria das empresas prefere se instalar em regiões com melhores condições de infraestrutura e logística, o que representa

“Já é possível verificar uma mudança no panorama da economia gaúcha”

GUSTAVO GARGIONI/SECOM

Há espaço para crescer mais, revela o prefeito de Panambi, Miguel Schmitt-Prym. “O principal entrave é a carência de recursos humanos. Falta trabalhador para o chão de fábrica”, resume. A necessidade é tamanha que há que buscar candidatos em outros municípios, e as empresas já estão construindo moradias para esse contingente.

Antonio Paulo Cargnin, geógrafo da Seplag

CAMILA DOMINGUES/SECOM

Empresas de Panambi precisam trazer operários de outros municípios para cobrir vagas abertas

16


Política Industrial Equilibrar o desenvolvimento econômico entre as regiões do Rio Grande do Sul é uma das prioridades da Política Industrial do Estado, implantada em 2011. Dividida em programas setoriais, essa política apontou áreas estratégicas relacionadas tanto à nova economia, como no caso da indústria oceânica, quanto à economia tradicional, com foco no agronegócio. Instrumentos como o Fundo Operação Empresa (Fundopem), que concede incentivos �iscais aos empreendimentos privados, foram reformulados de forma a valorizar investimentos em regiões mais deprimidas. “Não se trata só de investimentos empresariais, mas de impacto social,

CLAUDIO FACHEL/SECOM

um desa�io para os governos. “O investimento atrai infraestrutura, que atrai investimento. É um ciclo. Por isso é importante ter atenção especial a essas áreas que não são centrais”, a�irma Cargnin. “Uma política de desenvolvimento regional tem que gerar múltiplas alternativas, conciliando atração de investimentos com o desenvolvimento endógeno das regiões”, alerta.

Polo Naval é oportunidade de permanência para jovens em Rio Grande uma vez que a economia não cresce apenas pelo capital aplicado, mas pela renda gerada, o que só se consegue com emprego”, a�irma o secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Mauro Knijnik. As políticas voltadas aos parques industriais regionais e setores emergentes foram reforçadas e reagrupadas em 20 Arranjos Produtivos Locais (APLs). Ao todo, 18 mil em-

preendimentos, que empregam 307 mil trabalhadores de 19 regiões, foram atingidos. Apenas no APL do Polo Naval e Offshore do Rio Grande está prevista a instalação de 60 empresas, atendendo Rio Grande, Pelotas e São José do Norte. Em quatro anos, serão disponibilizados R$ 21 milhões para apoio à governança e elaboração de planos de desenvolvimento.

Metade Sul reconquista confiança O desenvolvimento gerado a partir do Polo Naval de Rio Grande impacta toda a região Sul. Em Pelotas, por exemplo, há diversos fornecedores do setor. “A instalação do polo naval representa a reconquista de con�iança de toda Metade Sul”, comemora o prefeito de Pelotas, Eduardo Leite. Para acompanhar o desenvolvimento da indústria no município vi-

zinho, Pelotas já tem até um polo de quali�icação de mão de obra centrado nas instituições de ensino superior locais. “Elas formam mão de obra quali�icada que garante aos empreendimentos que aqui se instalarem as condições de investimentos que vão gerar muitos bene�ícios”. Esse caso é um exemplo do que a a economista Lucia dos Santos Garcia, do Departamento Intersindical

de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese), chama de ciclo virtuoso, quando há um núcleo produtivo em desenvolvimento que contagia municípios próximos. “Existe uma expectativa de dinamismo econômico, com a �ixação da juventude, principalmente daqueles que conseguem chegar à universidade, numa região que é rica em formação universitária”, avalia. 17


PAUSA NO OLHAR

Guia solitário Localizado em Mostardas, o Farol da Solidão foi construído em 1924 e possui um alcance luminoso de 14 milhas náuticas, cerca de 26 quilômetros. Com arquitetura em concreto, solitariamente integrado à paisagem, ele orienta os navegadores. A foto é de CLAUDIO FACHEL.

18


19


NA REGIÃO ALIMENTAÇÃO

Produção ecológica garante o sustento de mil famílias agricultoras na região metropolitana de Porto Alegre e lanche saudável para alunos de escolas públicas A poucos quilômetros de Porto Alegre, uma experiência inovadora brota pelas mãos de pequenos agricultores, garantindo o sustento de centenas de produtores do Arroz Ecológico campo e alimentação saudável A principal diferença da produção agroecolópara a população da cidade. Mais gica em relação à convencional é a ausência de mil famílias de 15 assentacompleta de agrotóxicos e químicos. No armentos da reforma agrároz ecológico, o agricultor controla toda ria situados na Região a produção, da preparação da lavoura à Metropolitana ganham colheita, com técnicas que preservam a vida produzindo alio solo. Uma técnica utilizada é a inmentos orgânicos, litrodução de peixes ou marrecos que têm como principal vres de agrotóxicos e comem as pragas da lavoura. fonte de renda o de insumos químicos arroz ecológico de base sintética. Na produção ecológica, o agricultor controla todo o ciclo de produção, da preparação da a milhares de estudantes que desses produtos, o arroz ecológilavoura à colheita, com técnicas e consomem os orgânicos na rede co, chegou a 300 mil sacas, coninsumos naturais que preservam pública de ensino. O Programa sagrando o grão como a principal a riqueza do solo. “Dessa maneira, Nacional de Alimentação Escolar fonte de renda de 400 famílias o alimento, o ambiente e os cam- (PNAE) entrega periodicamente assentadas em 12 municípios poneses �icam livres de contami- a escolas municipais e estaduais do Rio Grande do Sul. O produnação”, explica Adalberto Martins, alimentos produzidos por agri- to gaúcho alimenta não apenas membro da direção da Cooperati- cultores familiares que dão prio- estudantes no Estado, mas é serva Central dos Assentamentos do ridade ao cuidado com o meio vido também na merenda dos ambiente e à produção ecológica. alunos de escolas municipais de Rio Grande do Sul (Coceargs). A safra 2013 de apenas um São Paulo. O bene�ício se estende ainda

400 famílias

20

CAMILA DOMINGUES/SECOM

Orgânicos enriquecem merenda


LOGÍSTICA

O terminal pode movimentar

DIVULGAÇÃO

3 milhões

Navegar mais é preciso Porto fluvial de Estrela é um dos principais terminais do Brasil para o transporte de mercadorias pelas águas Os administradores do Porto de Estrela querem atrair novos negócios para o terminal fluvial, considerado um dos mais completos e equipados do Brasil. Apesar da capacidade de operação chegar a 3 milhões de toneladas ao ano, o porto às margens do Rio Taquari embarca, desembarca e armazena apenas 25% desse volume, cerca de 700 mil toneladas por ano. “Muitas vezes o trans-

portador prefere optar diretamente pelo caminhão, porque em alguns casos é preciso usar a estrada para complementar o trajeto entre portos”, observa o chefe do setor de Engenharia, Homero Soeiro de Souza Molina. o terminal fluvial de Estrela, entretanto, possui conexão direta com o Porto de Rio Grande, o principal do Estado. São 450 quilômetros até o encontro da Lagoa dos Patos com o Oceano Atlântico. Já até Porto Alegre, a distância por hidrovia é de apenas 142 quilômetros. Embora as rodovias ainda sejam preferidas por empresários e produtores, a opção pela navegação pode resultar em economia, já que o transporte pela água possui um dos menores custos para car-

de toneladas a cada ano

gas no Brasil, perdendo apenas para dutos e aviões. Ampliar a utilização do modal hidroviário pode contribuir, ainda, com a redução dos acidentes nas estradas ao reduzir o número de veículos em circulação, já que uma carga de navio corresponde, em média, a 130 carretas. Sistema hidroviário No Rio Grande do Sul, o sistema hidroviário é formado pelas bacias da Lagoa dos Patos – que integra Lago Guaiba e os rios Jacuí, Taquari, Caí, Sinos, Gravataí e São Gonçalo – e do Uruguai, cuja principal subdivisão é a bacia do Rio Ibicuí.

21


NA REGIÃO TENDÊNCIAS

A moda do mundo na serra gaúcha Em busca de inspiração, micro e pequenos empresários da confecção no Rio Grande do Sul promovem imersões em desfiles de grifes europeias O acesso às tendências internacionais do mundo da moda está ao alcance de empresários de todos os portes na Serra. Criado há seis anos, o Arranjo Produtivo Local (APL) da Moda – popularmente chamado de Polo de Moda da Serra Gaúcha – permite que micro e pequenos empresários acompanhem os padrões

ditados pelas grandes grifes internacionais e estimula a cadeia de negócios da região. A iniciativa promove imersões nos desfiles das principais coleções europeias e garante que a moda produzida por 2,5 mil empresas em 33 municípios da Serra acompanhe as criações de estilistas renomados. Não apenas isso. Através do Banco de vestuário, mais de cem clubes de mães da região recebem resíduos têxteis para desenvolver peças exclusivas artesanais, apoiadas em cursos de qualificação. “Cumprimos um papel econômico, mas também de importância social”, explica Rosângela Braga, executiva diretora do Polo de Moda. O Polo da Moda da Serra Gaúcha contempla 2,5 mil empresas

de 33 municípios da região e já se estrutura como um modelo para outros APLs dirigidos à indústria do vestuário, como o que está sendo constituído no Vale do Taquari. Atualmente o APL de Moda da Serra Gaúcha reúne 11 entidades, com apoio financeiro do Governo do Estado, convênios com prefeituras e instituições de ensino e pesquisa. O que são os APLs? São grupos de empresas de uma mesma atividade, em um mesmo território, que atuam e produzem de forma organizada e complementar.

2,5 mil ClAuDIo FACHEl/SECom

empresas compõem o polo de moda da região

22


CAmIlA DomINGuES/SECom

AGRONEGÓCIO

Festa para celebrar a soja Tradicional feira de Santa Rosa chega à 20ª edição embalada pela boa safra Embalada pelos bons preços de mercado e pelo clima favorável, a produção de soja alavanca a economia do RS. O grão é o principal responsável pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e das exportações do Estado no último ano. Os gaúchos são os terceiros maiores produtores de soja do Brasil, atrás apenas do Mato Grosso e do Paraná. Segundo dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE), enquanto o PIB gaúcho cresceu 8,9% no primeiro se-

mestre de 2013 na compara- de mais de 200 mil pessoas no ção com 2012, o crescimento Parque municipal de Exposida produção de soja foi de ções Alfredo Leandro Carlson. “A expectativa é muito 114,6%, com uma safra de boa, tanto para os produtores mais de 12 mil toneladas. É neste cenário favorável quanto para expositores e coque a cidade de Santa Rosa se merciantes de produtos relaprepara para realizar a Feira cionados à atividade”, afirma a Nacional da Soja (Fenasoja), presidente da Fenasoja, Ângeque chega à sua vigésima la Maraschin. Para a vigésima edição em 2014. Tradicional edição, de 25 de abril e 4 de evento do agronegócio, foi maio de 2014, são esperados criada em 1966 para difundir mais de 600 a imagem de Santa Rosa ex p o s i como “Berço Nacional tores. Crescimento de da Soja”. Na vigésima edição, a organização espera superar a marca de soja no primeiro de 2012, quando semestre de mais de R$ 45,5 2013 milhões foram negocidos, com um público

114,6%

na produção

23


NA REGIÃO

EDuARDo SEIDl/SECom

CAMPANHA

Vinhos finos do pampa Tradicional polo agropecuário, região da Campanha vira referência em vitivinicultura

24

Conhecida como um forte polo agropecuário, a região da Campanha tem se mostrado também uma promissora produtora de vinhos de qualidade. Sua paisagem de campos transforma-se com as videiras, que se beneficiam da qualidade do clima e do solo. “Temos a melhor insolação do Brasil e isso modifica o teor de álcool, resultando em vinhos mais interessantes e macios, porque o sol amadurece a uva”, ex-

plica Paulo Roberto boas condições de solo Ribeiro menezes, e clima. Os vinhediretor execudos passaram se tivo da Assoexpandir de forciação dos ma significativa Vinhos da nas décadas de são responsáveis Campanha. 1980 e 1990, por 20% O solo arequando empreda produção noso e com sários do setor do Estado boa drenagem, buscaram ampliar como a videira gosnegócios na região da ta, é um componente Fronteira. Atualmente, a reimportante para garantir a qua- gião abriga 16 vinícolas. São 1,3 lidade dos vinhos. Além disso, o mil hectares plantados em nove clima é frio na época de hiberna- municípios por 150 produtores, ção e com pouca chuva e muito responsáveis por 20% da produsol no período da maturação e ção brasileira de vinhos finos. colheita da uva, condições consiO setor tem recebido incentivos deradas ideais. do Estado, como recursos para A produção de uvas na região Fundo de Desenvolvimento da teve início em 1970, com a ofer- vitivinicultura (Fundovitis), que ta de terras a preços acessíveis e dobraram nos últimos anos.

16 vinícolas


MIRANTE

Uma parada antes do mar

Quem segue pela freeway em direção ao litoral norte gaúcho pode reservar um momento para aproveitar uma atração que chega antes do mar. Em osório, a paisagem natural do Morro da Borússia convida ao turismo rural e aos esportes radicais. O caminho até o topo pode ser feito por trilha ecológica ou de carro: em poucos minutos o visitante já começa a sentir o ar frio da encosta da Mata Atlântica. No Km 3 (são quatro no total), está o primeiro e mais bem estruturado mirante, que tem até luneta pública para apreciar a extensa área que vai da Lagoa dos Barros até a praia de Atlântida Sul: um mural orienta os visitantes sobre cada ponto turístico observado. No cume do Morro da Borússia, a 400 metros de altitude, está a pista de voo livre, de onde partem asas-deltas e parapentes. Também é lá no alto que se estruturou o centro da localidade, onde ficam a capela Santa Rita de Cássia, o tradicional restaurante Dodô

EDuARDo SEIDl/SECom

Natureza, gastronomia e esportes radicais são atrações no Morro da Borússia

– uma mistura de antiquário com gastronomia regional-, e um famoso frigorífico que leva o nome do morro. Para os que preferem mais tranquilidade, o sítio Cascata da Borússia cobra R$ 5 de ingresso para visitar a área, onde se pode assar churrasco entre um banho e outro nos rios da região.

Como chegar Pela BR-290 (freeway), de Porto Alegre em direção às praias, faça o contorno à esquerda no trevo de chegada a Osório. Em seguida, à direita, está o acesso à estrada Romildo Bolzan (OS-480), por onde inicia a subida de quatro quilômetros.

25


NA REGIÃO PÉROLA DA LAGOA

São Lourenço, paraíso de água doce Com o veraneio, a população do município dobra, mas a cidade consegue manter o ambiente tranquilo oferecido pelas praias arborizadas banhadas pela Lagoa dos Patos. Plena recuperação

cantes de esportes náuticos. A rede hoteleira conta com 1,6 mil leitos entre hotéis e pousadas, além de 3 mil vagas de imóveis particulares para locação. De acordo com o secretário municipal de Turismo, Indústria e Comércio, Gilmar Pinheiro, é costume os moradores disponibilizarem suas moradias para aluguel aos veranistas, que nesta época fazem dobrar a população de 43 mil habitantes. Na zona rural de São Lourenço, passeios como o Caminho Pomerano, levam os visitantes a conhecerem os costumes dos moradores, em sua maioria fruto da miscigenação dos colonos alemães, pomeranos, afro-brasileiros, portugueses e italianos.

CAmIlA DomINGuES/SECom

Foram aplicados pelo Estado mais R$ 1 milhão para locação de equipamentos e mão de obra para aterramento da praia da Barrinha, um dos locais mais prejudicados pela enchente que atingiu o município em março de 2011, hoje plenamente recuperado.

localizada a 198 quilômetros de Porto Alegre e banhada pelas águas doces da lagoa dos Patos, São Lourenço do Sul é a aposta certa para quem busca um veraneio tranquilo. O município de 129 anos faz parte da região turística Costa Doce, e é conhecido como “Pérola da Lagoa”. São cinco quilômetros de praia com infraestrutura qualificada e diversas opções de lazer para toda a família, como camping com churrasqueiras, quiosques, passeios de escunas e locais para prática de esportes como o windsurf. As águas rasas e calmas da praia das Nereidas são ideais para famílias com crianças pequenas. Já a localidade de Ondinas é recomendada aos prati-

26


SAÚDE

ClAuDIo FACHEl/SECom

O hospital atenderá a população de

40

municípios

Pioneiro em reabilitação física Hospital Regional de Santa Maria vai ser o único em toda a Região Sul do país a contar com este tipo de atendimento. Quando abrir suas portas, em 2014, o Hospital Regional de Santa maria (HRSm) fará a cidade entrar para um reduzido circuito de locais especializados no atendimento de reabilitação física de pessoas com deficiência. “Não temos nenhum hospital de reabilitação física no Rio Grande do Sul. Quem necessita desta especialidade

precisa ir a Brasília ou a São Paulo” exemplifica a coordenadora da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde, Ilse melo. No dia a dia da saúde pública, o HRSm deverá contribuir com a redução da carga do Hospital universitário, atendendo a mais de um milhão de pessoas em 40 municípios que buscam diariamente atendimentos eletivos, cirurgias ortopédicas, neurológicas, reumatologia e áreas afins de reabilitação. Serão oferecidos 277 leitos no total, 240 de internação e 37 de uTI. Construído com recursos dos governos do Estado e Federal, mais de 70% das obras do Hospital Regional já estão concluídas.

Estudantes beneficiados Cidade universitária, Santa Maria abriga diversas instituições que oferecem graduação em Medicina. A intenção da Coordenadoria Regional de Saúde é, também, dar abrigo aos novos profissionais que saem da academia a cada semestre. “Os estudantes daqui serão beneficiados”, garante Ilse.

27


NA REGIÃO TECNOLOGIA

A inovação ruma para o Interior Parque tecnológico de Passo Fundo, instalado na UPF, é o primeiro localizado além dos limites da região metropolitana de Porto Alegre

Fruto de uma parceria entre Governo do Estado, prefeitura municipal e Universidade de Passo Fundo o empreendimento foca seus esforços de desenvolvimento e inovação nos setores de Tecnologia de Informação/Software, metal-mecânica, Saúde, Alimentos, Energia, Biotecnologia e Agricultura de Precisão. “Este polo concretiza a inserA região norte do Rio Grande ção da UPF no Programa Naciodo Sul é a primeira do interior do nal de Parques Científicos, cenáEstado a contar com um polo tec- rio diferenciado de inteligência nológico. Até novembro de 2013, que utiliza tecnologia de ponta e quando foi inaugurado o Parque promove a inovação”, comemora Científico e Tecnológico de Pas- reitor José Carlos Carles de Souza. so Fundo, todas as iniciativas de No Rio Grande do Sul já estão pesquisa e desenvolvimento em funcionamento três desses de inovação estavam centros de desenvolviconcentradas na mento de tecnoloregião metropogia e inovação, Estado terá litana de Porto além do de PasAlegre. so Fundo. Para

9

2014 já estão confirmadas as inaugurações de outros cinco centros do gênero. E há ainda 13 projetos para a criação de novos parques em análise na Secretaria da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico que promove o estímulo à esta indústria através do RS Tecnópole. Desenvolvimento compartilhado “São ferramentas para ajudar microempresas o u i nve s t i d o re s q u e precisam de assistência para alavancar seus negócios”, resume o vice-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UPF, Leonardo José Gil Barcellos.

parques tecnológicos

lAÍSSA BARBIERI/DIvulGAÇÃo

até o fim de 2014

28


VERÃO NUMA BOA

gustavo gargioni/Secom

Serviços grátis nas férias

Entre um banho de mar e um passeio, os veranistas podem aproveitar para colocar em dia documentação pessoal, obter informações sobre turismo no Rio Grande do Sul e acessar a internet. As Casas de Governo do Verão Numa

Boa – que estarão abertas até o dia 9 de março – oferecem essas e outras facilidades a todos os cidadãos. Há ainda atividades lúdicas e culturais programadas para diversos pontos no litoral. Informe-se em www.veraonumaboa.rs.gov.br

Litoral Sul

Litoral Norte

Freeway

Praia do Cassino Rio Grande

Capão da Canoa

BR-290, km 70 Posto da Polícia Rodoviária Federal

• Telecentro • Internet wi-fi • Emissão de CPF, Carteira de Identidade, Carteira de trabalho certidões e atestados • Informação da Corsan • Atendimento ao segurado do IPE • Informações sobre adesão ao Microcrédito Gaúcho Endereço Avenida Rio Grande, s/nº Funcionamento De terça à domingo, das 8h às 14h

• Telecentro • Internet wi-fi • Atendimento ao segurado do IPE • Cadastro da Nota Fiscal Gaúcha e atividades de controle de cadastro de contribuintes • Informações sobre adesão ao Microcrédito Gaúcho • Emissão de CPF, certidões e atestados. Endereço Na beira da praia, próximo à casa do Banrisul. No centro de Capão Funcionamento De terça à domingo, das 13h às 19h

• Ponto de apoio para os motoristas, com banheiro, água fria e quente. • Telecentro • Internet wi-fi • Autoatendimento do Detran • Serviços online do Tudo Fácil • Centro de Atenção ao Turista.

Endereço Avenida Rio Grande, s/nº Funcionamento De terça à domingo, das 13h às 19h

29


NA TVE

DIVULGAÇÃO

TVE Repórter

Atração clássica da emissora, o Pandorga estimula a criatividade infantil

Programação infantil de qualidade A TVE oferece mais de cinco horas diárias de programação pautada em valores humanos, com desenhos animados que não expõem a criança a conteúdos apelativos ou violentos. O Pandorga já é um clássico da programação

infantil no Rio Grande do Sul. Produzido pela TvE, o programa tem como objetivo estimular o processo criativo, despertar a consciência crítica a cidadania e os cuidados com a natureza, colocar a criança como participante ativa no processo da comuni-

cação, incentivar a leitura, informar e divertir. Está sendo preparada uma nova temporada com programas inéditos com veiculação nacional em parceria com a TV Brasil. www.facebook.com/ pandorgatve

Recortes Internacional

30

Narrativas diversificadas, olhares e pontos de vista apresentados por meio de produções independentes, séries e coproduções realizadas em diversos países. Essas são as principais características da nova faixa na programação da TvE, o Recortes Internacional. A atração estreia com a série Los Latino Americanos, produzida pela Televisión América

latina (TAl). A emissora pública exibirá os 12 episódios por meio de uma parceria com a TAl, rede de intercâmbio e divulgação da produção audiovisual dos 20 países da América latina. O Recortes Internacional vai ao ar nas quintas-feiras, às 23h30, com reprise aos domingos, às 17h.

O TVE Repórter tem como marca a profundidade e diversidade de temas. Entre 2001 e 2010, foram quase 400 programas produzidos. O programa vai ao ar nas quartas-feiras, às 22h, e tem horário alternativo nas sextas, às 20h30, e nos domingos, às 17h. Curta: TVE Repórter no

Facebook e fique sabendo o assunto da semana:

www.facebook.com/tvereporter

Radar

Há mais de 20 anos no ar, o Radar exibe novos talentos e bandas já consagradas dos cenários musicais local e nacional. Com atrações ao vivo, o Radar também produz matérias, divulga a agenda cultural, apresenta entrevistas, dicas e videoclipes. Curta: www.facebook.com/ radartve

Sintonize nas férias • Canal 9 – osório, Tramandaí, Xangri-lá, Capão da Canoa, Atlântida, Imbé, Cidreira, Santo Antônio da Patrulha, Pinhal e Capão Novo, direcione a antena para o Morro da Borússia. • Canal 5 – Torres, direcione a antena para o Morro do Farol. • Outras cidades consulte o site www.tve.com.br


CURTAS

Pontos extras na Nota Fiscal Gaúcha claudio fachel/Secom

As chances de ganhar R$ 1 milhão nos sorteios da Nota Fiscal Gaúcha se multiplicam para quem indicar amigos para participar do programa. A cada convidado que se cadastra, quem fez a indicação recebe pontuação extra para participar dos sorteios. Além de diversos prêmios em dinheiro, o Nota Fiscal Gaúcha beneficia entidades carentes que recebem recursos para serem aplicados em projetos sociais. Cadastre-se em https://nfg.sefaz.rs.gov.br

Reconhecimento internacional para a proteção às mulheres

eduardo seidl/Secom

Foi em Washington, capital dos Estados Unidos, que o secretário da Segurança Pública Airotn Michels recebeu o prêmio A Arte do Bom Governo, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Caminhadas verdes em Torres O Parque Estadual de Itapeva, na praia de Torres, abre suas trilhas para passeios guiados gratuitos duas vezes ao dia até o final de março. Informações e reservas: (51) 3626.3561.

O destaque internacional recaiu sobre a Rede para o Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar, reconhecida pela efetividade da iniciativa de proteção às mulheres, considerada agora um modelo para toda América Latina e Caribe.

Outro dado para ser comemorado pelas gaúchas é o fato de que a Patrulha Maria da Penha (foto) conseguiu reduzir a zero o número de agressões reincidentes no Estado. Ou seja, nenhuma mulher que buscou proteção voltou a sofrer maus tratos dos companheiros de quem prestaram queixa.

31


PARA CONHECER

Cassino

uma baita praia

São mais de 250 quilômetros de areia, o que faz de Cassino, em Rio Grande, a maior praia em extensão do mundo. Lugar de naufrágios, sincretismo religioso e descobertas sobre a vida marinha.

32

2


fotos Camila Domingues/Secom

4

1 – Encalhada desde 1976, a carcaça do navio

5

Altair virou uma atração do balenário. 2 – Esculpida por Érico Gobbi, a Rainha do Mar recebe milhares de visi-

1

tantes em 2 de fevereiro, festa de Iemanjá. 3 – O Museu Oceanográfico mantém uma exposição sobre os oceanos.

3 4 – Os Molhes da Barra foram construídos em 1911 para proteger a entrada e saída de navios do Porto de Rio Grande. 5 – O encontro do Atlântico com a Lagoa dos Patos faz do passeio de vagoneta um dos mais procurados do Cassino.

33


AlINA SouZA/SECom

EM CARTAZ

GuSTAvo GARGIoNI/SECom

Novo espaço para arte na Capital

Ospa pelo Rio Grande e para los hermanos Em 2014, a orquestra Sinfônica de Porto Alegre vai levar a música orquestral a um público ainda maior. São 62 concertos, 18 deles no interior do Rio Grande do Sul e dois na Argentina, onde a orquestra se apresenta em Córdoba e Rosário sob regência do suíço Nico-

las Rauss. Os palcos serão compratilhados com grandes maestros e solistas do Brasil e do exterior, e o repertório contempla obras-primas da música orquestral, ópera e a MPB. O sucesso do concerto dedicado à música de cinema, que lotou o Salão de Atos da UFRGS no

ano passado, inspirou a abertura desta temporada com trilhas de filmes, sob regência do maestro manfredo Schmiedt, no dia 9 de março, no Auditório Araújo vianna. Informações: www.ospa.org.br Fone 51 3222.7387

DIVULGAÇÃO

Fotos inesquecíveis em Gramado

34

Já estão abertas as inscrições para o concurso fotográfico Momentos Inesquecíveis em Gramado, que vai distribuir entre os 30 vencedores ingressos para as edições 2014 do Natal luz e do Festival de Cinema. O tema é amplo e as fotos devem ser encaminhadas para a Secretaria Municipal de Turismo através dos Correios até o dia 20 de maio.

O Núcleo de Artes Visuais da Casa de Cultura Mario Quintana (CCmQ) abre inscrições, entre 10 de janeiro e 10 de fevereiro, para ocupação do Atelier Público, um novo espaço que estará à disposição do público em 2014. Artistas poderão mandar propostas em pintura, escultura, desenho, gravura, performance, técnicas digitais, e/ou mistas adequadas ao espaço, no período entre março e dezembro, de forma gratuita. Informações: (51) 3221. 7147 Horário: das 9h às 18h

Contribua para o Mapa Digital da Cultura Você sabia que o Rio Grande do Sul é o primeiro Estado brasileiro a lançar uma plataforma digital de mapeamento de atividades culturais que reúne dados como todas as bibliotecas e museus presentes em território gaúcho? Além de um serviço público, o mapa é uma ferramenta de participação. Acesse e compatilhe. www.cultura.rs.gov.br/mapa


TEATRO

Porto Verão Alegre em cartaz

CAIo PRoENÇA/DIvulGAÇÃo

Espetáculos teatrais, de humor, de música e de ilusionismo são atrações para quem decidiu enfrentar o calor de janeiro e fevereiro na Capital. A 15ª edição do Porto verão Alegre teve início no dia 9 de janeiro e prossegue até 16 de fevereiro com atrações para todas as idades. Só na Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736) serão 16 espetáculos, como o musical Cale-se (foto), que reúne canções proibidas durante o regime militar. o valor dos ingressos varia de R$ 10 a R$ 30, com descontos para estudantes, idosos, Clube do Assinante ZH e Banricompras. A programação completa, com locais e horários pode ser conferida no site do evento. www.portoveraoalegre.com.br

Inscrições abertas para festivais de música ro, em Santo Ângelo, encerra em 15 de fevereiro de 2014; já o 14º Canto da Lagoa de Encantado, que aceita canções de todas as linhas, gêneros estilos e influências, tem como data limite para as inscri-

Dois importantes festivais de música do Rio Grande do Sul recebem inscrições de compositores durante os meses de verão. O prazo para o envio de obras nativistas ao 7º Canto Missionei-

ções regionais e nacionais o dia 7 de março. Ambos concursos acontecem no final do mês de março. Informações e regulamentos na página do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.

Urna da dúvida

PEDRo REvIllIoN/SECom

Uma das atrações do Museu Histórico Farroupilha, na cidade de Piratini, é a urna de madeira, talhada especialmente para as eleições presidenciais de 1836 na República Riograndense. A questão é que ninguém sabe se ela de fato foi utilizada para recolher os votos dos habitantes ou não, já que os registros históricos dão conta de que o general Bento Gonçalves foi eleito por aclamação popular.

O acervo do museu possui outros objetos da Revolução Farroupilha, como a bandeira de 1842, armas e medalhas. Visitação e informação: terças a sextas-feiras, das 9h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h. Finais de semana e feriados, das 14h30 às 17h. Telefone (53) 3257.1481 museufarroupilha@gmail.com

35


BOM HUMOR

Curiosidades: corpo humano Cada soluço dura menos de 1 segundo e ocorre com frequência normal e regular de 5 a 25 vezes por minuto. O livro dos recordes menciona um soluço que durou 57 anos.

A cada sílaba que o homem fala, 72 músculos entram em movimento. Para sorrir, são utilizados 14 músculos.

36

A temperatura do corpo não fica estabilizada o dia inteiro. Ela sobe para 37,2 °C às 5 ou 6 da tarde e vai caindo para 36 °C durante a madrugada.

uma pessoa de 75 anos que dorme uma média de 8 horas por dia passou 23 anos dormindo.

o ser humano tem 46 cromossomos, que contêm os genes que determinam as características de cada pessoa, como cor dos olhos e formato do rosto.

É impossível fazer cócegas em nós mesmo, porque este estímulo precisa ser uma surpresa. Os lugares mais sensíveis às cócegas como a sola dos pés ou as axilas não têm nenhuma característica em comum.

O intestino delgado mede de 6 a 9 metros. o intestino grosso tem 1,5 metro, mas é três vezes mais largo.

O calcanhar de Aquiles é uma das mais populares metáforas sobre a fragilidade humana. Tétis segurou seu filho Aquiles pelo calcanhar para mergulhá-lo num rio que o tornaria invencível. Durante uma batalha, no entanto, Aquiles tomou uma flechada em seu ponto vulnerável: o calcanhar. A partir daí, a expressão calcanhar de Aquiles indica o ponto fraco de uma pessoa.


PROSA NA ESTRADA

O ovo apunhalado Caio Fernando Abreu

Nos poços

Uma veste provavelmente azul

Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo, é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem �im? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.

Eu estava ali sem nenhum plano imediato quando vi os dois homenzinhos verdes correndo sobre o tapete. Um deles retirou do bolso um minúsculo lenço e passou-o na testa. Pensei então que o lenço era feito de �iníssimos �ios e que eles deveriam ser hábeis tecelões. Ao mesmo tempo, lembrei também que necessitava de uma longa veste: uma muito longa veste provavelmente azul. Não foi di�ícil subjugá-los e obrigá-los a tecerem para mim. Trouxeram suas famílias e levaram milênios nesse trabalho. Catástrofes incríveis: emaranhavam-se nos �ios, sufocavam no meio do pano, as agulhas os apunhalavam. Inúmeras gerações se sucederam. Nascendo, tecendo e morrendo. Enquanto isso, minha mão direita pousava ameaçadora sobre suas cabeças.

Do livro O ovo apunhalado (IEl, 1975). Este conto foi publicado no projeto Prosa na Estrada, iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), por meio do Instituto Estadual do Livro (IEL) em parceria com o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e a Associação Gaúcha de Escritores (Ages), o projeto conta com os apoios da Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas (Corag), da Celulose Rio-grandense e da Associação Rio-Grandense de Transporte Intermunicipal (RTI).

37


PARA VOCÊ

Cartão Emergência O Cartão Emergência ou Cartão Estiagem tem o objetivo de beneficiar mais de 100 mil famílias de municípios com decreto de emergência pela seca que afeta o Rio Grande do Sul desde 2011. A finalidade dos recursos é para a aquisição de insumos e alimentação humana e animal. Como participar: As inscrições devem ser feitas junto às entidades representativas, com a homologação dos Conselhos Municipais de Agricultura ou equivalente. Com relação aos quilombolas, o deve ser feito diretamente na Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), dentro do Programa RS Mais Igual. A viabilização do cartão será do Banrisul.

Pacto Gaúcho pela Educação O pacto contribuirá na elaboração, proposição e execução de políticas públicas voltadas à promoção do conhecimento, pesquisa e qualificação profissional de professores de nível superior e servidores públicos estaduais em diferentes instâncias do poder

público. Também é direcionado a alunos do Ensino Médio e profissionalizante e à capacitação de trabalhadores para o setor produtivo gaúcho.

ProUni RS O Programa Universidade para Todos RS – ProUni RS concede bolsas de estudo integrais em cursos superiores de base tecnológica em áreas prioritárias no desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Como participar: As inscrições devem ser realizadas em uma das Instituições de Ensino Superior (IES) participantes. Mais informações: pactogauchopelaeducacao@scit.rs.gov. br (51) 3288.7479. Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego É um programa do Governo Federal que busca aumentar as oportunidades educacionais aos trabalhadores e estudantes por meio de cursos de formação inicial e continuada, de qualificação profissional ou técnica. Como participar: Se dirija a um SINE, CRAS ou Escola Estadual do seu município.

Patrulha Maria da Penha Rede de atendimento da Segurança Pública para enfrentar a Violência Doméstica e Familiar organizada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. Conheça seus direitos e o que você pode fazer. Telefones úteis:

• Brigada militar: 190 • Delegacia da mulher: 3288.2172 • Departamento médico-legal – clínico: 3288.2673 • Atendimento Psicossocial: 3288.2676 • Central de Atendimento à mulher: 180 • Central de Referência de Atendimento à mulher: 3289.5109 • Juizado de violência Doméstica e Familiar: 3210.6670 • Defensoria Pública: 3225.0777

Plano Territorial de Quali�icação O Planteq visa à inclusão produtiva a partir de cursos de qualificação profissional, com carga horária média de 200h/aula, em diversas áreas econômicas, para trabalhadores desempregados em situação de vulnerabilidade social (Programa Prioritário ligado ao Programa RS mais Igual, alinhado ao Programa Federal Brasil Sem Miséria). Como participar: As inscrições podem ser feitas nas Agências FGTAS/Sine dos municípios beneficiados, sendo necessário apresentar um documento de identidade,

bem como o Número de Inscrição Social (NIS) / Programa de Integração Social (PIS).

RS Lilás O RS Lilás são serviços que ampliam a visibilidade da realidade das mulheres. O Escuta Lilás é uma central que acolhe cidadãs em situação de violência, e pode ser acessado junto ao Centro de Referência da Mulher Vânia Araújo machado (CRm). Como participar: Escuta Lilás 0800.541.0803 Atendimento: segunda a sexta das 8h30 às 18h, Porto Alegre, RS.

Uma publicação da Diretoria de Jornalismo da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Editores Daniel Cassol, Daniel Rosa Lopes e Naira Hofmeister Editora de arte Cristina Pozzobon Editora de fotografia Camila Domingues Repórteres Aline Heberlê, Ana Magagnin, Daiane Roldão, Felipe Samuel, Heloise Santi, José Antônio Silva, Nilton Schüler, Raquel Wünsch Impressão Leograf

38

www.estado.rs.gov.br


QUANDO A GENTE INVESTE NA VIDA, É FÁCIL ENXERGAR O RETORNO. Até 2017, serão investidos R$ 4,4 bilhões para melhorar cada vez mais o abastecimento de água e levar tratamento de esgoto a todas as regiões do Estado. E quem ganha com isso são todos os gaúchos.

É a Corsan se consolidando como uma das maiores companhias públicas de saneamento do Brasil.

0800 646 6444 www.corsan.com.br

39


40


Na Janela - 1ª Edição