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Promoção do Coronel Jaime Neves a Major General Lisboa, 8 de Abril de 2008 Excelentíssimo Senhor General Chefe do Estado Maior do Exército. José Alberto Morais da Silva, Coronel Piloto Aviador na situação de Reforma, tendo tido conhecimento da proposta dos Chefes de Estado-Maior dos três Ramos da Forças Armadas para promoção do Coronel Jaime Neves a Major General vem por este meio dar todo o seu apoio a esta medida, que só peca por ser tardia. Não tendo conhecimento directo, por pertencer a um Ramo das Forças Armadas diferente do do Coronel Jaime Neves, das suas acções em 25 de Abril de 1974 e a 11 de Março de 1975, posso pronunciar-me sobre o seu brilhante comando das duas Companhias de Comandos constituídas à base de Comandos experientes das campanhas em África. Por nessa altura ocupar a Chefia do Estado Maior da Força Aérea como General Graduado, acompanhei de perto a acção do Coronel Jaime Neves. Testemunhei a sua determinação, quando foi preciso que o então Presidente da República, General Costa Gomes tomasse as decisões necessárias para enfrentar a sublevação do Regimento de Paraquedistas, que ocupara as bases da Força Aérea mais importantes. Depois, quando ocupou o Comando Operacional da Força Aérea em Monsanto e, finalmente quando, ao Comando das Forças de Comandos no assalto ao


quartel da Polícia Militar em que, apesar de recebidos a tiro e já com duas baixas fatais, conseguiu, com admirável sangue frio, evitar uma resposta que se transformaria num perda enorme de vidas. A Força Aérea sempre teve uma admiração muito especial pelo Coronel Jaime Neves colaborando em todos os pedidos por ele feitos para apoio às suas operações, a ponto de em entrevista aos órgãos de Comunicação Social o termos visto afirmar que não tinha de ter medo de nada, pois tinha o apoio total da Força Aérea. Tive entretanto conhecimento que já três Oficiais do Exército se insurgiram contra a sua promoção a Major General. Sobre o Coronel Vasco Lourenço, surpreendeu-me a sua posição, pois sou dos que reconheço a sua enorme importância na preparação do 25 de Abril, nas suas atitudes de grande coragem no período de 11 de Março até 25 de Novembro e na sua intervenção fulcral como Comandante da Região Militar de Lisboa e como elo de ligação da Presidência da República com o Comando Operacional instalado no quartel do Regimento de Comandos nos acontecimentos de 25 de Novembro. Não percebo a atitude de Vasco Lourenço. Já quanto às afirmações de Mário Tomé e Matos Gomes não é de estranhar. O primeiro estava junto da Polícia Militar e recusara a ordem de rendição e apresentação na Presidência da República. O segundo foi um dos responsáveis pela sublevação no Regimento de Comandos em Julho de 1975 que teve


como consequência o impedimento do Comandante da Unidade, Coronel Jaime Neves, de entrar na unidade. Mais tarde, já após o 25 de Novembro, continuava a defender a sublevação armada em reuniões de adeptos de grupos revolucionários de Esquerda, conforme relatado em vários orgãos de Comunicação Social.

Considero, assim, de toda a justiça, que o Coronel Jaime Neves seja promovido a Major General. Respeitosamente, José Alberto Morais da Silva Coronel Piloto Aviador na Reforma

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