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Quinta da Confusão – O nascimento de um império Confusão, onde os animais estavam, tinha 25 hectares). Restava era saber se, apesar do frio, as ervas cresceriam.

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16:30 Habitantes: 45 Oito horas após o começo da I Guerra dos Animais, os funcionários viram-se forçados a admitir que os animais não precisavam de ir à margem esquerda da ribeira, ao contrário do que esperavam. Chegaram à conclusão de que se eles continuassem ali a rondar o celeiro, os animais nunca seriam capturados. Os donos, assim que foram avisados, ficaram irritados com a sua incompetência (apesar de eles próprios terem passado as últimas 8 horas no celeiro à espera dos animais só saindo para irem almoçar e ir à casa de banho) e ordenaram aos 60 funcionários que levassem os camiões para a margem direita da ribeira, onde sem dúvida poderiam capturar os animais. Para evitar que estes fugissem novamente para a margem esquerda, metade dos funcionários pôs-se junto à ribeira, na margem esquerda, para vigiar os animais e impedir as fugas. E, de facto, a primeira reacção dos animais ao verem os camiões foi fugir para a margem esquerda. Mas, ao verem que estavam 30 funcionários nessa margem a aguardar a sua chegada, mudaram de ideias e decidiram lutar pelo direito a viverem na Quinta da Confusão, pelo direito a não terem que temer todas as semanas o seu despejo para o mercado. Os 55 animais pegaram então nos arados e, usando-os como espadas, avançaram para os funcionários. Começara a Batalha da Quinta da Confusão, por volta das 16:20 segundo os donos. Os funcionários, ao verem os animais avançarem para eles de arado em riste, ergueram por sua vez as armas e aguardaram que os animais chegassem, certos de que seria fácil capturá-los e levá-los para o mercado. Mas enganavam-se. Os animais manejavam o arado com perícia, usando a pedra lascada como lâmina e o pau a que estava fixada como bastão. Dez funcionários foram feridos, apesar de tudo sem gravidade, e muitos outros foram agredidos com o cabo do arado. Ao fim de dez minutos de combate, os 30 funcionários decidiram desertar. Embarcaram nos camiões e nas

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império carrinhas e foram para norte da Quinta da Confusão, onde ficaram à espera dos 30 colegas. A bordo não seguia um só animal, o que representava um momento histórico. Pela primeira vez desde sempre, os animais da Quinta da Confusão tinham conseguido resistir à captura de tal modo que nenhum deles fora levado da quinta. Mas apenas tinham expulsado metade dos funcionários, estando a outra metade na margem esquerda da ribeira distraída, a comentar a inesperada vitória dos animais e a deserção dos colegas. Era necessário expulsar também esses 30 funcionários, mesmo não representando perigo por estarem na outra margem da ribeira. Importa dizer que os animais, como agora eram os atacantes e não os defensores apanhados de surpresa, não foram desprevenidos. Para evitarem os dardos tranquilizantes, usaram as cascas de árvore utilizadas na remoção da neve dos campos agrícolas como escudos. Então, armados com arados e escudos 100% naturais, os 55 animais atiraram-se à ribeira e nadaram até à outra margem. Quando os funcionários se aperceberam do ataque, já grande parte dos animais estava em terra de arado em riste, pronto para a batalha. O efeito surpresa foi fulminante. Cinco minutos depois, também esses 30 funcionários desertaram após metade deles ter sido ferida pelos arados inimigos, visto não estarem interessados a, para apanharem poucos animais, arriscarem-se a ser feridos com gravidade e acabar no hospital. Os animais, ainda juntos no local da batalha, começaram a pensar que, de facto, a I Guerra dos Animais tinha acabado. Mas, para seu horror, perceberam que não. Da casa dos donos saiu uma carrinha verde de caixa aberta, que parou em frente aos animais. De dentro do veículo saíram os donos da quinta, que para horror dos animais traziam um molho de cordas à cintura. Estes aproximaram-se dos animais, e com um ar solene anunciaram: «Venceram os 60 funcionários, mas não nos vencerão!». Depois, cada um ergueu um laço e pô-lo a rodar sobre a cabeça, numa atitude ameaçadora. Os animais tentaram proteger-se erguendo o escudo e o arado, mas de nada serviu. Os donos desarmavam os animais com o nó grosso da outra ponta da corda, rodando a corda com força e acertando com o nó no arado ou no escudo, arremessando-os para longe. Depois, apenas tinham que recolher a corda e atirar o laço sobre o animal desarmado para o prender. Para evitar fugas, cada vez que prendiam um animal desatavam o nó do fim da corda e voltavam a atá-la a um bloco de cimento com 100 kg, que estava em cima da caixa da carrinha. O animal, por muito que puxasse, não se conseguia soltar pois a corda era forte e o bloco muito pesado. Os donos prenderam ao todo 20 animais, usando todas as suas cordas e amordaçando-os para não as roerem. Os animais, sabendo que não teriam hipótese de atacar os donos antes de serem desarmados, preferiram fugir. Mas os donos foram atrás deles, e à medida que os iam apanhando, puxavam-nos até a corda chegar aos blocos de cimento que estavam na carrinha. Quando as cordas se esgotaram, os donos foram a casa telefonar

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império aos funcionários para dizer que lhes iam entregar 20 animais, que conseguiram capturar usando apenas cordas. Os prisioneiros sentiam-se humilhados, pois após terem combatido e vencido bravamente 60 funcionários bem treinados e armados, foram apanhados por dois idosos armados apenas com cordas, que inclusive os conseguiram desarmar, vencer sem resistência e ainda amordaçá-los. Todavia, um dos animais fez uma fabulosa descoberta: ao pé da carrinha estava caído um arado, que podia ser usado para cortar as cordas e as mordaças. O arado foi passando de patas em patas, cortando cordas atrás de cordas e lenços atrás de lenços, até metade dos animais estar livre. Só que, para horror dos que ainda estavam prisioneiros, os donos viram tudo pela janela e regressaram armados com pistolas. Os animais sabiam que tipo de arma era aquela, pois os donos tinham o costume de caçar aves na Quinta da Confusão, com vários amigos de um clube de caça. Também conheciam os seus efeitos: cada vez que se ouvia um disparo, algures no céu uma ave parava de voar e caía a pique sobre os campos. Aí, o cão mais próximo era forçado a localizar o animal para os donos e os visitantes, que o seguiam nos seus cavalos. Nunca um animal da Quinta da Confusão tinha sido recompensado de forma alguma por fazer esse serviço aos donos. Era por isso que os donos tinham tantos cães e cavalos: quantos mais tivessem, mais aves poderiam localizar e mais amigos do clube de caça poderiam trazer para as suas caçadas. Todos os animais tinham uma função na quinta definida pelos donos: os porcos e as vacas deviam engordar para depois serem vendidos a maiores preços; os cães deveriam encontrar a caça dos donos e os cavalos deveriam levá-los até lá. Todavia, mesmo os cães e cavalos eram substituídos depois de engordarem; quanto mais vezes repetissem esse processo mais os donos enriqueceriam. Por isso mesmo os animais se queriam libertar dos donos, estavam fartos de verem o seu destino decidido unicamente por eles. Sob a ameaça das pistolas, os donos obrigaram os 10 animais prisioneiros a subirem para a carrinha. Depois, entraram na cabina e conduziram o veículo até norte da Quinta da Confusão, onde estavam os 5 camiões e as 11 carrinhas de caixa fechada dos funcionários. Estes estavam lá parados por ordem dos donos, que lhes tinham garantido que iriam conseguir capturar animais. Cada camião dava para 25 animais, cada carrinha dava para 5 funcionários. Como 5 deles iam a conduzir os camiões, apenas 55 tinham que ir nas carrinhas. Os animais tiveram muito tempo para perceber isso, pois assim que a carrinha dos donos parou, estes tiraram-lhes as cordas e obrigaram-nos a entrar num dos camiões. Subiram a rampa lentamente, saboreando os últimos segundos que iriam passar naquela terra, pois tinham consciência de que poderiam nunca mais lá voltar. Por fim, a rampa ergueu-se e fechou a traseira do camião, com 10 animais melancólicos a bordo. Os donos nem se deram ao trabalho de

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império observar a partida dos funcionários, pois assim que os 10 animais foram fechados no camião, partiram com a carrinha para a Quinta da Confusão, certos de terem reduzido o entusiasmo dos animais e de que iriam ganhar bom dinheiro com a venda dos animais no mercado (o dinheiro era entregue ao donos quanto estes fossem vendidos, ficando uma parte para o mercado e outra para a empresa que os apanhara). Mas enganavam-se, em relação à primeira ideia! Os 45 animais que ficaram na Quinta da Confusão tinham recuperado as suas armas, e assim que os donos desembarcaram cercaram-nos. Sob a ameaça dos arados, foram obrigados a desarmar as pistolas e a atirá-las para longe. Depois, tiveram que jurar que não fariam outra captura de animais, e que os deixariam prosseguir com os seus planos. Depois de tudo isto, os animais deixaram os donos regressar a casa. Terminava assim a I Guerra dos Animais, com a vitória dos próprios.

Batalha da Quinta da Confusão • • • • • •

Data: 16:20 – 16:40 do Dia 1 Local: Quinta da Confusão Resultado: Vitória dos animais; fim da I Guerra dos Animais Combatentes: Donos X Animais Forças: Donos – 60 funcionários; Animais – 55 animais Líderes: Donos – Afonso Gomes e Aníbal Gomes; Animais Nenhum • Baixas: Donos – 25 feridos, 60 desertores (todos); Animais – 10 capturados

Ilustração 2 - Mapa da Batalha da Quinta da Confusão. Verde – Quinta da Confusão; Amarelo – Rota dos funcionários; Vermelho – Rota dos animais; Roxo – Rota dos donos; Azul – Confrontos da batalha. 1º Confronto – À direita; 2º confronto – Ao

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império centro; 3º confronto – À esquerda, antes da saída dos donos da quinta; 4º confronto – Mesmo local, depois do regresso dos donos

I Guerra dos Animais – 8 horas (70 vítimas)

20:00 Para alegria dos animais, algum do terreno semeado horas antes conseguiu produzir a primeira colheita de ervas da Quinta da Confusão cultivada pelos animais. As ervas não tinham mais de 10 cm de altura (podiam chegar a 50 cm no Verão), o que significava que estavam raquíticas. Além disso, dos 10 hectares de terreno semeados até ao momento, apenas 0,5 é que tinham ervas prontas a colher, ervas já crescidas. Outras áreas cultivadas (3,5 hectares) tinham pequenos rebentos que não passavam de fios verdes, mas a maioria dos espaços não tinha nada a não ser a terra. Resumia-se tudo no seguinte gráfico: Área com erva pronta a colher

6% 1% 15%

78%

Área com erva pouco ou nada desenvolvida Área semeada mas sem resultados Área não semeada

Ilustração 3 - O fracasso da agricultura da Quinta da Confusão no final do Dia 1

A fraca produção de ervas veio confirmar aquilo que os animais já esperavam: as ervas não conseguiam crescer com o frio, sobretudo de noite. Mas, como apenas havia a luz do luar para iluminar os animais, este decidiram deixar para o dia seguinte a criação de algo para manter as ervas quentes, e aumentar a produção de comida. Em vez disso, dedicaram-se à criação de um instrumento que permitisse cortar as ervas crescidas em vez de as arrancar, o que faria com que tivessem de gastar sementes e trabalho a semear de novo o terreno. Por fim, houve um animal que conseguiu obter o instrumento necessário para a colheita de ervas. Era a foice, constituída por uma pedra lascada até ficar em forma de ponto de interrogação. A parte

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Parte V