Page 1

O DESIGNER DO TEMPO:

14ª EDIÇÃO / JULHO 2018

entrevista exclusiva com o gênio criativo Hans Donner. / pág. 50

MOBILIDADE, T ECNO LO GIA E P RO P Ó S IT O

UMA CIDADE PARA PESSOAS A primeira smart city social do mundo está sendo construída no Ceará por uma empresa italiana.

TECNOLOGIA QUE CONECTA MÉDICOS A PACIENTES

Quanto vale o

pág. 12

Telemedicina tira barreiras geográficas, evita deslocamentos e contribui para um tratamento mais assertivo.

pág. 60

FUTURO DO TRABALHO Em uma era de grandes rupturas, no centro das transformações estão as pessoas.

pág. 32

A mobilidade e o propósito da capital mundial da inovação. pág. 40


O futuro não existe. Na verdade, o futuro é resultado de sonhos, percepções, vivências, pontos de vistas que estão aí dentro da sua mente e na mente de outras pessoas. Quanto mais ideias sobre uma ideia, mais ela é válida, concorda? Apresentamos a nova GolSat: Compartilhamos tecnologia, propósito e ideias por você e um time de primeira que vai construir um amanhã melhor para as pessoas através da telemetria.

®

#compartilheoamanhã

Share


e

www.golsat.com.br

.


featuredcontents

headline

headline

————

————

08 ATENÇÃO PARA O TRÂNSITO,

66 O CARRO AUTÔNOMO E O FUTURO

ATENÇÃO PARA A VIDA

A dedicação para melhorar o cenário do trânsito no Brasil e no mundo tem ganhado cada vez mais espaço nas pautas das cidades e dos países, mas ainda há muito para mudar.

12 UMA CIDADE PARA PESSOAS

A primeira smart city social do mundo está sendo construída no Ceará pela italiana Planet Smart City, o projeto deve ser uma cidade inteligente acessível para todas as classes sociais.

20 UMA NOVA ERA NO PAGAMENTO

DO TRANSPORTE PÚBLICO

Já é possível pagar o ônibus com cartão bancário em algumas cidades do Brasil; previsão é que em dois anos a tecnologia se expanda para municípios que contam com sistemas de bilhetagem eletrônica.

24 CURSOS ONLINE QUALIFICAM PARA

AS CARREIRAS DO FUTURO

Revolução gerada pelas plataformas digitais é essencial para otimizar o processo de aprendizagem e acelerar a carreira dos profissionais.

Em uma era de grandes rupturas, no centro das transformações não está a tecnologia, mas sim as pessoas.

M AT É RI A DE C A PA

40 QUANTO VALE O VALE?

A mobilidade e o propósito da capital mundial da inovação.

Novas tecnologias trazem oportunidades, mas também ameaçam os negócios dos fabricantes.

72 UM NOVO JEITO DE FAZER

COISAS ANTIGAS

Com as mudanças de hábitos e de mindset, startups são responsáveis por oferecer novas soluções para as exigências dos consumidores e do mercado.

76 STARTUPS CHEGAM AO MERCADO

DE SEGUROS

Já é possível contratar seguro em ambiente totalmente digital, o que confere maior transparência ao processo e preços mais atrativos para o cliente.

tips & cases ————

14 O SONHO VERDE DA BYD

32 FUTURO DO TRABALHO

DAS MONTADORAS

Há mais de 2 anos em solo brasileiro, empresa chinesa de mobilidade elétrica soma cases em eficiência e busca expansão.

30 A PONTE ENTRE GESTORES E EMPRESAS

A Fleet Mobility Brasil surgiu para criar conexões entre o gestor de frotas e a indústria.

54 SEMÁFOROS INTELIGENTES

Em parceria com o Google Maps, sistema integra rede de semáforos com os aplicativos de navegação e reduz o tempo de deslocamento no trânsito.

56 EM DUAS RODAS: O FENÔMENO

DO BIKESHARING

O bikesharing, ou compartilhamento de bikes, surge como nova alternativa de modal nas grandes cidades e resgata a relação com a bicicleta como meio de transporte.

60 TECNOLOGIA QUE CONECTA MÉDICOS

4

A PACIENTES

Telemedicina tira barreiras geográficas, evita deslocamentos desnecessários e contribui para um tratamento mais assertivo e de qualidade.

PararReviewMagazine

————

50 O DESIGNER DO TEMPO

Hans Donner, um dos maiores gênios criativos do mundo tem um novo desafio: redesenhar o tempo e desacelerar o mundo.


Edição 13 | Abril de 2018

INSIDE ————

16 A HORA E A VEZ DA MOBILIDADE

Nunca antes o tema foi tão discutido: a mobilidade é a pauta do momento para as empresas, para a mídia e para a sociedade.

nn

EXPEDIENTE A PARAR Review é uma publicação do PARAR, veiculada por distribuição direta. Para recebê-la, envie um e-mail para atendimento@institutoparar.com.br

28 PFC E A CONDUÇÃO INTELIGENTE

O curso que capacita condutores à distância concluiu sua primeira etapa e transformou o trabalho de muitos condutores.

CONSELHEIROS Conselheiros: Antonio Carlos Machado Junior, Dirceu Rodrigues Alves, Dorinho Bastos, Flavio Tavares, Gustavo Benegas, José Mauro Braz de Lima, Micael Duarte Costa, Milad Kalume Neto, Ricardo Imperatriz, Ricardo Makoto, Roberto Manzini e Rogério Nersissian.

48 O VALE DO SILÍCIO NÃO

ME REPRESENTA

Flavio Tavares, fundador do Instituto PARAR e CMO da GolSat.

78 TAKES

Confira os melhores momentos das paradas do On The Road Pocket em 2018, realizadas em Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo.

80 GESTORES CONECTADOS

Top 3 dos assuntos mais debatidos pelos gestores de frota.

40

82 GESTOR COM HUMOR

Por Dorinho Bastos, cartunista e professor de comunicação da USP.

JORNALISTA RESPONSÁVEL Karina Constancio conteudo@institutoparar.com.br COLABORAÇÃO Ana Luiza Morette, Beatriz Pozzobon, Loraine Santos, Pedro Conte e Pietra Bilek. PUBLICIDADE publicidade@institutoparar.com.br (43) 3315-9500 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Brand & Brand Comunicação brand.ppg.br IMPRESSÃO E ACABAMENTO Idealiza - idealizagraf.com.br nnn

A Revista PARAR Review é uma publicação da empresa idealizadora do PARAR.

interview ————

38 SAÚDE EM UM CLIQUE

Solução do Gympass transforma o jeito de pensar a atividade física.

64 QUANTOS M2 VOCÊ REALMENTE

www.institutoparar.com.br ------Idealizadora

PRECISA PARA MORAR?

Em entrevista ao PARAR, Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon, fala sobre as inovações que possibilitam uma vida mais adequada às necessidades modernas em grandes centros urbanos.

www.golsat.com.br

institutoparar.com.br

5


editorial Por Ricardo Imperatriz CEO da GolSat e PARAR Leader

>> Qual o seu

M

e lembro que, em meados de 1998, ainda na universidade, eu já lidava com o universo das transportadoras e de caminhoneiros autônomos. Vivia o dia a dia deles contratando mais de 250 fretes por mês de caminhões, trucks e carretas. Tinha, na época, um determinado entendimento sobre esse setor e acabei enfatizando alguns jargões sobre o assunto, dentre eles o “diesel moves the world” (em português, diesel move o mundo). Me lembrei também do quadro em um programa de televisão que eu ajudei a criar, se chamava “Esquadrão Caminhão”: a cada dois meses escolhíamos um caminhoneiro e seu caminhão para passarem por uma reforma completa. O caminhoneiro, além de ter seu caminhão novinho em folha, ainda contava com um novo contrato de trabalho, uma

6

PararReviewMagazine

nova vida nascia. Nesta época, contávamos com dezenas de players no mercado colaborando com o projeto que ia ao ar todo domingo pela RedeTv e que se abria com um trecho de uma música de autoria de uma dupla que, mais tarde, veio a ser conhecida como Fernando & Sorocaba: “Roda, gira a roda, vai rodando, mais um caminhão passando, vai cortando o estradão…” Passados 20 anos, com a greve dos caminhoneiros, tenho a sensação de que estamos parados no tempo. Pipocavam no meu WhatsApp mensagens dos meus colegas de classe com o jargão “diesel moves the world”. Certamente, eles estavam confirmando o quanto ainda somos dependentes desse modal e, principalmente, dos caminhoneiros que são os protagonistas e, parafraseando os caminhoneiros, “sem caminhão, o

Brasil para!”. Ficou muito claro que o combustível e o funcionamento dos serviços da nossa sociedade (trabalho, escolas, hospitais, supermercados, etc) estão intimamente conectados. Ficou claro que essa cultura de enfraquecer o outro lado não funcionará, pois, na realidade, só o que está lá poderá nos alimentar, poderá nos salvar. Acredito que essa paralisação nos ensinou isso e muitas coisas. Todos os dias você acorda, se apronta, entra no seu carro e segue até o trabalho - parece uma rotina óbvia e até automática, depois de tanto tempo em prática, pensar em outras alternativas não é preciso. Ainda sinto um desconforto quando penso que precisamos de 800kg de aço para transportar 80kg de carne e ossos. E não precisamos do modal carro para sentir esse desconforto: quando olhamos para

Fotos: © iStockphoto / Arquivo

COMBUSTÍVEL?


Edição 14 | Julho de 2018

os corredores de um dos principais aeroportos do Brasil, o Aeroporto de Congonhas, parecemos formigas trombando uns com os outros. Ainda não existe uma faixa para quem quer andar devagar e outro mais rápido, ainda não existe uma faixa para ir e para vir, ainda sinto que estamos nos deslocando mal, mesmo quando usamos nossas próprias pernas. O fato é que o ser humano tende a só sair da sua zona de conforto por necessidade. Nós não enxergamos a exigência da mudança quando tudo funciona relativamente bem. Só levamos em consideração novas opções quando somos forçados a repensar a forma como estamos fazendo as coisas. O Brasil parou por uma greve organizada pelos caminhoneiros: faltou combustível, as ruas ficaram desertas, porém prazerosas, e os postos de abastecimento fechados - era hora de repensar nossa forma de sair do lugar. Para muitos, a solução foi mudar a forma de condução do seu próprio carro, tudo para economizar o combustível que sobrava. Eu dirigia na maior cautela possível, aplicando todos os conhecimentos possíveis de direção defensiva para fazer aquele resto de combustível ainda render muito. O trânsito estava harmonioso, poucos carros e todos com uma direção super segura. A performance era a bola da vez e chegar ao ponto B era uma consequência. Para outros, porém, foi preciso se reorganizar e encontrar novas maneiras de se mover. A bicicleta, parada na garagem a tanto tempo, tornou-se uma opção importante de locomoção, além da atividade física: na Avenida Faria Lima, em São Paulo, mais de 33 mil bikes circularam pelas ciclovias de um dos mais importantes centros financeiros e comerciais da cidade. Descobrir novos trajetos para chegar ao trabalho também funcionava. Fazer a pé o caminho feito há tanto tempo dentro de um carro parecia fazer nascer uma nova cidade. Durante minha caminhada até o trabalho, descobri os gaps de infraestrutura para pedestres e ciclistas, descobri novos estabelecimentos comerciais, cruzei com

pessoas que não imaginava encontrar, peguei carona com pessoas que não conhecia e percebi que sabemos muito pouco sobre os outros. Aproveitei para voltar do trabalho fazendo um cooper, minha atividade favorita e, de quebra, contemplar a cidade de uma forma diferente, como era na década de 80. Mudar o jeito de se locomover é, também, mudar a forma que vivemos e experimentamos nossa cidade e as pessoas que vivem ao nosso redor - é preciso viver o caminho. Experimentei com maior ênfase o home office, que pode ser um aliado incrível para driblar a dificuldade de deslocamento e as longas distâncias - ainda que a tradição de “bater o ponto” nas empresas fale mais alto na maioria das vezes, uma reconstrução da mentalidade poderia tornar esse hábito possível. Os paulistanos, por exemplo, gastam cerca de um mês por ano parados no trânsito: imagine quanto tempo as empresas poderiam devolvê-los se oferecessem a opção de trabalhar sem precisar se deslocar. Mais que novas opções de deslocamento, ter propósito como combustível é essencial: sua força de vontade para mudar precisa ser mais forte que qualquer outro obstáculo - é preciso querer sair do lugar. Repensar nossa própria mobilidade e o jeito que nos locomovemos é essencial para fazer com que o mundo funcione de uma maneira melhor e é essa a maior meta do PARAR: alcançar a mudança repensando nossas alternativas, através da inovação. Mas, será que precisamos esperar a crise chegar (e ficar) para mudarmos nosso mindset?

RICARDO IMPERATRIZ

Mais que novas opções de deslocamento, ter propósito como combustível é essencial: sua força de vontade para mudar precisa ser mais forte que qualquer outro obstáculo é preciso querer sair do lugar.

*ERRATA - Diferente do que foi colocado na matéria “Lugar de mulher é…”, publicada na última edição da revista PARAR Review Magazine, a Prof. Cláudia Ribeiro atua no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e não na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

institutoparar.com.br

7


headline Por Ana Luiza Morette e Pietra Bilek

ATENÇÃO PARA O

TRÂNSITO, ATENÇÃO PARA A

VIDA. A dedicação para melhorar o cenário do trânsito no Brasil e no mundo tem ganhado cada vez mais espaço nas pautas das cidades e dos países, mas ainda há muito para mudar.

8

PararReviewMagazine

P

arece impossível de prever: um segundo de desatenção, um sinal de “pare” ignorado, apenas um momento olhando para a tela do celular é capaz de mudar toda a trajetória da vida de alguém. Mais que mudar a trajetória, é capaz de tirar a vida de uma pessoa. Foi um desses momentos que mudou os planos de Paola Antonini, modelo carioca que, enquanto se preparava para uma viagem de férias com o namorado, foi atingida por uma motorista que perdeu o controle da direção - e com quantidades de álcool


Fotos: © iStockphoto / Divulgação

Edição 14 | Julho de 2018

no sangue que eram quase o dobro dos indicadores de crime de trânsito. Após o acidente, Paola perdeu uma perna e hoje vive com uma prótese. Apesar da modelo garantir que o fato de usar a prótese não mudou sua vida ou sua vontade de viver, ela tornou-se um símbolo na luta por um trânsito mais seguro, entre as outras 400 mil pessoas que vivem com alguma sequela causada pela epidemia de acidentes no Brasil - o país foi considerado pela ONU o quarto do mundo com maior número de mortes no trânsito, somando 47 mil vítimas. Fernando Fernandes, ex-BBB, modelo e atleta, também foi surpreendido por um desses segundos que passam sem a gente ver. O "agora" atleta paralímpico atingiu uma árvore após pegar no sono atrás do volante - Fernandes passava por um período de treinos intensos e privação de sono. O acidente resultou na fratura de duas vértebras, tornando o atleta mais uma das pessoas que vive com sequelas do trânsito: desde então, Fernando Fernandes é paraplégico e vive em uma cadeira de rodas. Parece impossível de prever, mas não é. Hoje, 97% dos acidentes de trânsito registrados pela Polícia Rodoviária Federal é causado por falha humana e poderiam ser evitados. Além disso, é perceptível um certo padrão de comportamento, segundo o Relatório de Investigação Fatal da Companhia de Engenharia de Tráfego de 2016, 85% dos veículos envolvidos em acidentes em São Paulo tinham um histórico de multa. A mudança de mentalidade ainda é um do principais desafios para tornar o trânsito mais seguro. A cultura do brasileiro no trânsito ainda tem muito o que melhorar: para muitos, os principais problemas do trânsito brasileiro ainda são o congestionamento, as baixas velocidades permitidas e a aplicação de multas - é difícil convencer a população de que a segurança deve ser prioridade para as políticas públicas que envolvem o tráfego das cidades e das estradas.

> Excesso de velocidade é motivo de acidentes

1997. No entanto, a punição Para Luiz Cláudio Souza, Palessó era aplicada para aquetrante de segurança viária e direles que fossem pegos diritor de marketing da Fleet Mobility gindo de maneira perigosa Brasil, a mudança de mentalidade motivados pelo consumo ainda precisa ser conquistada. “Eu de álcool ou de outras subsvejo duas razões para as pessoas tâncias entorpecentes, ou ainda adotarem atitudes que posseja, se parado numa blitz, o sam causar acidentes, a primeira dos veículos motorista não era autuado é que a maioria não conhece o envolvidos (e nem detido). A primeiquão mortal é o cenário do trânsi- em acidentes ra alteração veio em 2008, to brasileiro, que é um cenário de em São Paulo quando a lei passou a conguerra”, explica ele, “Levar inforsiderar infração a direção mação a essas pessoas ainda é um tinham um após o consumo de álcool desafio”. Além disso, Souza ressal- histórico como um todo e estabeleceu ta que a cultura de segurança não de multa. limites para este consumo: é um valor no Brasil: “A segunda 0,6 g/L de sangue e 0,3 mg/L de ar, se trarazão é porque cultura de segurança é tando do bafômetro. Foi nesta época que vista como prioridade, mas isso é pouco. surgiram as famosas blitz da Lei Seca, que Precisamos tornar esse um valor, princitinham o bafômetro como aliado na fispalmente dentro das corporações, para calização da nova lei. O dilema sempre foi que gestores de frota se tornem gestores a não-obrigatoriedade do teste: a Constide vida. Quando entendemos que cultura tuição prevê que ninguém deve ser obride segurança é um valor, a pessoa deigado a produzir provas contra si mesmo. xa de tentar negociar e apenas age para As últimas alterações foram feitas remudar o cenário do trânsito brasileiro.” centemente, em 2017, e tornaram a lei No quesito políticas públicas, a seguranmais dura. Antes, os crimes de lesão corça tem saído ganhando com o Código de poral e homicídios ocasionados pela emTrânsito Brasileiro: diversas alterações briaguez ao volante tinham penas de dois feitas nos últimos anos passaram a exia quatro anos e podiam ser alteradas com gir novas regras e aplicar novas punições fiança e substituídas por serviços comupara as infrações de trânsito. nitários, por exemplo. Hoje, são crimes inafiançáveis e devem ser cumpridos de A LEI SECA cinco a oito anos de reclusão, sendo proiA autuação para quem dirigisse embida a conversão da sentença. As multas briagado está prevista no Código de Trântambém ficaram mais caras: R$2.937,70 sito Brasileiro desde a sua criação, em

institutoparar.com.br

9


headline Por Ana Luiza Morette e Pietra Bilek

20,3% - Falta de atenção 13,1% - Excesso de velocidade 7,8% - Forçar ultrapassagem 6,5% - Dirigir embriagado 5,6% - Desobedecer sinalização 3,8% - Dormir no volante 1,9% - Defeito mecânico contra os R$1.915,00 anteriores. A suspensão do direito de dirigir por 12 meses se mantém. Os resultados são efetivos: desde 2008, a Lei Seca já salvou mais 41 mil vidas, segundo o Centro de Pesquisa e Economia do Seguro (CPES).

DE DENTRO DO CARRO O estudante de jornalismo Lucas Ribeiro, 22 anos, estava no banco de trás do carro na hora do acidente. Lucas conta que estavam na estrada quando outro carro saiu de um posto de gasolina e atravessou a rodovia, sem olhar para quem vinha. O choque foi inevitável: o veículo que levava o estudante não conseguiu parar e acertou o carro que atravessava a via. No acidente, Lucas foi lançado para frente, fraturou a mandíbula e machucou o abdômen, apesar de usar o cinto de segurança abdominal. A falta de sustentação do cinto de segurança abdominal foi o que fez mudar as exigências do Denatran. Nos carros fabricados a partir de 2020, é obrigatória a presença do cinto de três pontos nos bancos traseiros. Por ter mais área de contato com o corpo, o novo modelo exigido traz mais segurança e evita que o tronco seja lançado para frente. Apesar da mudança na lei, neste caso, a mudança de mentalidade ainda é mais importante: apenas

10

PararReviewMagazine

50,2% dos brasileiros usa cinto de segurança no banco de trás, segundo dados de uma pesquisa do Ministério da Saúde em parceria com o IBGE. Mas a importância de usar o cinto continua absoluta: dependendo da velocidade do veículo, o impacto sobre o corpo de quem está no banco de trás pode chegar a 50 vezes seu próprio peso.

CUIDADO QUE SALVA VIDAS Desde novembro de 2016, a legislação quanto ao uso das cadeirinhas infantis está mais rigorosa. A multa de R$ 191,54 foi para R$ 293,47, mas o bolso deve ser a menor das preocupações. O uso da cadeirinha adequada é capaz de salvar vidas em acidentes potencialmente fatais. Foi o caso do Antônio, de quase dois anos: a criança viajava com a mãe de São Jorge até Curitiba quando o ônibus em que estavam tombou na pista - o acidente matou nove pessoas, mas Antônio sobreviveu sem nenhum arranhão. Isso porque sua mãe, Inês, teve a preocupação de levar a cadeirinha da criança para a viagem e a instalou no banco do ônibus. O fato é que, para muitos, a legislação serve apenas para aplicar multas ou até “prejudicar” os motoristas. No entanto, o cuidado e fiscalização severa implicam nas práticas que funcionam para que o trânsito fique mais seguro.

DIFERENÇA NO VELOCÍMETRO Em 2015, o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, alterou a velocidade nas vias da cidade. As velocidades máximas passaram de 90 km/h para 70 km/h na pista expressa, e de 70 km/h para 60km/h na pista central e 50 km/h na pista local. A fiscalização também se endureceu: mais radares foram instalados nas vias, representando um aumento de 406%. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, os aparelhos foram de 19 para 86 instalados, além de dez radares móveis. Quando passou a vigorar a nova regra, muita gente criticou e não entendeu o porquê da redução. “No começo eu reclamei muito da diminuição, achei um absurdo, mas no dia a dia percebi que o trânsito havia melhorado, a marginal estava fluindo bem melhor”, conta Shadya Hayek, analista de comunicação que vive em São Paulo desde que nasceu. Além disso, não foi só o trânsito que melhorou: o número de acidentes nas avenidas paulistas diminuiu muito, de 608 do primeiro semestre de 2015 para 305 no mesmo período de 2016. A redução da velocidade,


Edição 14 | Julho de 2018

no entanto, não durou muito. Quando o João Doria assumiu a prefeitura em 2017, voltou a mexer nos limites das velocidades, aumentado os valores nas marginais de 50 km/h para 60 km/h, na via local, de 60 km/h para 70 km/h, na via central, e de 70 km/h para 90 km/h, na via expressa. A mudança era uma promessa da campanha do então prefeito, mas os paulistanos não viram as novas alterações com bons olhos: “Fui contra o aumento da velocidade novamente e pude notar que o trânsito voltou a piorar, além do que, ao sair da marginal e pegar outras vias você precisa ficar atento e diminuir a velocidade, pois agora são várias vias com velocidade diferente.”, explica Shadya. O aumento na velocidade vai contra uma tendência mundial de redução dos limites de velocidade. A ONU avalia que o limite ideal é o de 50 km/h, independente do tamanho ou do volume de circulação da via - com a alteração para 30 km/h em trechos com movimento de ciclistas e pedestres. Em Nova York, por exemplo, 90% das vias da cidade respeitam o limite de 40 km/h, em Paris, variam entre 50 km/h e 30 km/h, em Buenos Aires, variam de 40 km/h em vias internas, 20 km/h em ruas com escolas e 30 km/h em vias com ciclovia. O publicitário Pedro Teixeira vive em São Paulo há 8 anos e também sentiu os efeitos das mudanças: “Os índices de acidentes caíram e corriqueiramente era perceptível a diminuição dos aglomerados de motoqueiros que se via todos os dias a cada acidente nas vias expressas, principalmente”. Para ele, o aumento obedeceu a vontade de parte dos paulistanos sem considerar possíveis consequências: “A prefeitura foi contra todas as cidades globais que alteraram a lei e diminuíram suas velocidades, principalmente nas vias expressas, e manteve a necessidade do paulistano pela alta velocidade dos automóveis, o que nem sempre representa chegar mais rápido, ou, chegar bem até o destino”. Os acidentes também aumentaram com o aumento da velocidade

permitida. A medida entrou em vigor em 25 de janeiro, até 23 de fevereiro já haviam sido registrados 102 acidentes, contra a média de 64 acidentes por mês antes da alteração.

de pessoas de 27 países foram atingidas pelo Maio Amarelo em 2018.

MAIO AMARELO A principal iniciativa voltada para a segurança viária, o Maio Amarelo surgiu em 2013 como resultado do documento assinado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2010. A resolução estabeleceu período de 2011 a 2020 como “Década das Ações para a Segurança No Trânsito”. A motivação foi uma pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde, a OMS, em 2009, que contabilizou cerca de 1,3 milhão de mortes por acidentes de trânsito, além das 50 milhões de pessoas que sobreviveram com sequelas - os números são relativos a 178 países. Maio, desde então, é o mês reservado para as principais campanhas e ações pela segurança viária. O amarelo tornou-se referência como atenção no trânsito e, durante o Maio Amarelo, estende-se como atenção pela vida e pela causa abraçada pela campanha. O Observatório Nacional da Segurança Viária é o principal responsável pela organização das campanhas no Brasil, mas outros 26 países também já aderem à campanha, com 423 cidades e 1425 empresas. Em 2018, a campanha levou o tema “Nós somos o trânsito”, instigando atitudes e discussões que reduzam o número de feridos e mortos por acidentes de trânsito a partir de ações pessoais que impactem no coletivo, chamando a população para uma mudança de mentalidade: seja condutor, pedestre ou passageiro. Neste ano,

o Maio Amarelo atingiu mais de 7,5 milhões de pessoas espalhadas pelos 27 países participantes, somando mais de cinco mil ações no Brasil e dez mil notícias na imprensa. Nas redes sociais, a campanha este ano atingiu o marco de 93 mil curtidas. Entre as instituições premiadas pela participação no projeto, a GolSat levou a medalha de bronze na categoria iniciativa privada, devido às suas ações em prol da causa da segurança no trânsito.

LATIN NCAP O Programa de Avaliação de Carros Novos para a América Latina e o Caribe (Latin NCAP) surgiu em 2010 como uma iniciativa e tornou-se, em 2014, uma associação, como entidade jurídica. O objetivo do programa é avaliar a segurança dos carros do mercado latino - os testes classificam os modelos de 0 a 5 estrelas em três categorias: segurança para passageiros adultos, para passageiros crianças e a segurança ativa e passiva geral do veículo. A Latin NCAP não funciona com nenhuma parceria com governos de países ou com montadoras de veículos: o objetivo dos testes realizados por eles é garantir uma avaliação independente e imparcial, tornando-se um incentivo aos governos, fabricantes e consumidores para a maior preocupação com a segurança do carro que estão adquirindo ou apresentando ao público. A Latin NCAP acredita que todos os consumidores têm o direito de comprar um carro que oferece um alto nível de segurança, por isso, garantem laudos explicando as possíveis condições dos passageiros após uma colisão e como o carro protegeria os ocupantes. Em 2018, entre janeiro e junho, cinco modelos já foram avaliados: Volkswagen Virtus (5 estrelas em ambas categorias), Chevrolet Onix/Prisma (3 estrelas em ambas categorias), Fiat Toro (4 estrelas em ambas as categorias), Mitsubishi Eclipse Cross (5 estrelas na segurança para adultos e 3 para crianças) e Renault Sandero (1 estrela para adultos e 3 para crianças). 

institutoparar.com.br

11


headline Por Ana Luiza Morette

A primeira smart city social do mundo está sendo construída no Ceará pela italiana Planet Smart City. Projeto deve ser uma cidade inteligente acessível para todas as classes sociais

12

PararReviewMagazine

O

Fotos: Divulgação

UMA CIDADE PARA PESSOAS

conceito de smart city já não é uma novidade para muita gente: o esforço em otimizar as cidades e torná-las mais eficientes já é comum entre diversos projetos, seja do poder público ou privado. No Brasil, inúmeras cidades já têm postes que acendem somente quando necessário, semáforos que detectam a presença de carros e faixas de pedestres sensíveis ao movimento. Pelo mundo, já temos cidades que nasceram como smart cities: é o caso de Songdo, na Coreia do Sul e Masdar, nos Emirados Árabes essas cidades, que antes pareciam apenas uma ideia futurista, já são realidade no Brasil e no mundo. Elas são tão reais e tão


Edição 14 | Julho de 2018

capazes de tornar o dia a dia das cidades cada vez mais fácil que, hoje, as exceções são as cidades que não tem nenhum tipo de gestão inteligente. A impressão, no entanto, é que essa tecnologia custa caro e que, por isso, é exclusividade de países e cidades ricos, com uma população capaz de pagar impostos altos para sustentar essa “praticidade”. Mas, o que as empresas italianas SG Desenvolvimento e Planet Smart City fazem é exatamente o contrário: é deles o projeto da primeira smart city social do mundo. A Smart City Laguna está sendo construída no distrito de Croatá, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará, próximo a lagoa de Croatá e já está recebendo moradores. O projeto visa construir uma smart city com foco social. Susanna Marchionni é a CEO da Planet Smart City e da SG Desenvolvimento e explica o que diferencia Laguna das demais smart cities: “Nosso propósito habitacional é focado em oferecer uma infraestrutura de alto padrão e definitiva, onde a necessidade de manutenção seja mínima, com residências de padrão arquitetônico moderno e harmonioso, aliado a projetos confortáveis e funcionais, tudo com o intuito de proporcionar um qualificado perfil inovador acessível a todas as faixas de renda”. A cidade é completamente planejada, com alternativas de economia de água e energia, Wi-Fi livre em toda a cidade e um aplicativo, o Planet App. O Planet possibilita que os moradores estejam sempre em contato e tenham acesso a informações relativas ao seu consumo de água e energia, ao aluguel de bicicletas e carros compartilhados, entre outras facilidades para os moradores da cidade. Os impactos causados pelo empreendimento vão além das soluções dentro da cidade: a Planet Smart City irá introduzir um projeto inédito no Brasil denominado de convivência colaborativa, já

> Parte do projeto já está concluída.

aplicado na Europa com excelentes resultados, que consiste em estimular o desenvolvimento de uma cultura voltada para a economia doméstica e coletiva, onde o cidadão dispõe de uma estrutura social, através de ferramentas que proporcionam mecanismos de compartilhamentos e interações geradoras de economia e qualidade de vida. A seca, que é um problema comum no Ceará, também está entre os problemas solucionados dentro da smart city: Laguna terá uma lagoa perene, mantida por um sistema de drenagem que deve captar até 70% da água das chuvas. A Companhia de Água e Esgoto do Ceará também já garantiu que a smart city será 100% abastecida.

POR QUE O CEARÁ?

A região onde está sendo construída a Smart City Laguna foi apontada pelo jornal britânico Financial Times como uma das regiões de maior potencial de desenvolvimento econômico no mundo” SUSANNA MARCHIONNI, CEO da Planet Smart City e SG Desenvolvimento

“A região onde está sendo construída a Smart City Laguna foi apontada pelo jornal britânico Financial Times como uma das regiões de maior potencial de desenvolvimento econômico no mundo”, é como Susanna explica a escolha da região para receber o investimento. Susanna também conta que um grupo de investidores da Planet Smart City se reuniu com estudiosos da Universidade de Milão para estudar a região e concluiu que, de fato, o lugar era perfeito para abrigar a primeira smart city social do mundo. A CEO da empresa enumera os motivos: “São Gonçalo do Amarante figura como epicentro de uma área que congrega uma gama de municípios e localidades carentes de um polo comercial de referência com expressivo déficit habitacional e está próximo da ferrovia Transnordestina e do cinturão digital. Além disso, o distrito de Croatá faz parte do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), região apontada, recentemente, como uma das mais favoráveis do mundo para captação de investimentos”. 

institutoparar.com.br

13


tips & cases Por Karina Constancio

O SONHO VERDE DA

BYD

Há mais de 2 anos em solo brasileiro, empresa chinesa de mobilidade elétrica soma cases em eficiência e busca expansão

14

PararReviewMagazine

A

s primeiras experiências de veículos movidos a eletricidade foram registradas há mais de 100 anos. De lá para cá, muita coisa mudou. Tivemos o boom dos veículos a combustão e ainda estamos lutando para diminuir nossa dependência deles. A verdade é que a mobilidade não se resume a um modal e nem a apenas uma matriz energética. O mundo está com os olhos voltados para novas formas de energia, principalmente, aquelas conhecidas como “limpas”, que não agridem o meio ambiente e que parecem estar mais alinhadas a um futuro sustentável.

A corrida da mobilidade elétrica parece mais avançada lá fora. Estados Unidos e Europa estão unindo esforços para acelerar esse avanço e torná-la mais acessível, enquanto a China reafirma a posição do país mais avançado em termos de eletromobilidade. Isso porque o governo chinês oferece inúmeros incentivos fiscais para potencializar a inserção dos carros a partir de energia limpa. É de lá uma das principais empresas que está incentivando a eletromobilidade no Brasil. A chinesa BYD está em solos brasileiros há pouco mais de 2 anos e já soma diversos cases em que a eficiência

Fotos: © Divulgação

> Caminhão 100% elétrico da BYD


Edição 14 | Julho de 2018

da solução é comprovada. Buscar expansão em um país que ainda engatinha em termos de incentivo para a mobilidade elétrica não é um caminho fácil, por isso, a estratégia adotada pela BYD foi buscar aplicações em que o resultado não depende dos incentivos do governo. “Mesmo com alta carga tributária, essas aplicações são positivas do ponto de vista do custo total de propriedade”, revelou Carlos Roma, diretor de vendas da BYD no Brasil. Quais aplicações são essas? Caminhões com alto índice de consumo de diesel e alto índice de manutenção. “Buscamos essa característica porque é exatamente aí que entra a nossa vantagem. Nosso caminhão é mais caro, o custo de aquisição dele é maior, mas as despesas operacionais são muito menores. E é aí que a conta se fecha”, ressaltou Roma. “Não estamos esperando que o governo reduza os impostos para que fique mais viável para o consumidor. A gente está indo atrás de aplicações onde, independentemente dos impostos, os veículos elétricos já são viáveis”, complementou. Há também setores, como o do agronegócio, que conseguem produzir sua própria energia, reduzindo bastante os custos da operação. Para automóveis, o foco são aqueles de rodagem intensa, como os veículos usados para inspeção de tráfego e rodovias, por exemplo. Em Indaiatuba, no interior de São Paulo, 200 caminhões 100% elétricos da BYD foram adquiridos para realizar os serviços de coleta e processamento de lixo da cidade. O primeiro caminhão, comprado pela companhia de coleta em 2016, trouxe resultados significativos que impulsionaram o grande negócio fechado no início deste ano. “Nós observamos que o consumo energético, em dados monetários, foram reduzidos em 1/4, e o custo com manutenção foi reduzido em 1/6", explicou Roma. O próximo passo para a operação é viabilizar o abastecimento através dos painéis solares, o que promete trazer resultados ainda mais significativos.

> Veículo elétrico e5 da BYD

Queremos educar pessoas e empresas sobre o que, realmente, é um veículo elétrico. Só assim eles poderão tomar uma decisão com mais precisão no futuro.” CARLOS ROMA, Diretor de Vendas da BYD no Brasil

Um projeto parecido também está dando os primeiros passos no Rio de Janeiro, onde um caminhão 100% elétrico passou a fazer parte da frota que presta os serviços de coleta de lixo na capital. “O interessante é que esse caminhão será abastecido com o próprio lixo. Então, ele vai realizar a coleta, vai depositar os resíduos na Usina Verde e esse lixo vai ser convertido em energia elétrica que vai abastecer o caminhão, fechando, dessa forma, um

ciclo totalmente verde”, destacou o diretor de vendas. Quando o assunto é frota leve corporativa, Carlos Roma conta que já existem mais de 30 empresas utilizando o veículo elétrico em suas operações. “O negócio elétrico começa, sem dúvida, no B2B (Business to Business), e depois vai para o B2C (Business to Consumer). As empresas têm um interesse muito grande de diminuir a pegada de carbono, então, elas fazem esse movimento inicial. Depois, automaticamente, isso vai passando para o consumidor”, afirmou Roma. Eles criaram, inclusive, a Universidade BYD, uma consultoria de 36 meses para capacitar as empresas em relação à mobilidade elétrica, que envolve curso in company, apoio em iniciativas e o aluguel de um carro elétrico do modelo e5 para que as companhias possam testar a autonomia, o carregamento, e já fazer o comparativo de resultados. “Queremos educar pessoas e empresas sobre o que realmente é um veículo elétrico. Só assim eles poderão tomar uma decisão com mais precisão no futuro”, ressaltou. 

institutoparar.com.br

15


INSIDE Por Ana Luiza Morette e Karina Constancio

A HORA E A VEZ DA

MOBILIDADE

16

PararReviewMagazine


Edição 14 | Julho de 2018

Foto: © iStockphoto

Nunca antes o tema foi tão discutido: a mobilidade é a pauta do momento para as empresas, para a mídia e para a sociedade

precisam de propostas de mobilidade, além das uando, há 188 anos, Samuel Morse clássicas relacionadas à saúde, economia e educainventou o telégrafo, uma revolução, as pessoas querem representantes que as ajução no universo da comunicação dem a se moverem com mais qualidade, mais seguacontecia - a ousadia de transmirança e mais facilidade. tir mensagens a longa distância Mas, mais que tudo isso, as pessoas precisam de foi, mais que uma inovação nas teuma mobilidade mais humana. Segundo a Pesquisa lecomunicações, um grande passo Sobre Mobilidade Urbana, publicada pelo O Estado de mobilidade - a difícil missão de de São Paulo, os paulistanos perdem, por ano, mais transmitir mensagens tornou-se de um mês presos nos seus deslocamentos - repenmais prática e mais rápida. sar a mobilidade significa devolver esse mês para Desde então, comunicação e mobilidade tem tudo as pessoas com mais vida e mais qualidade. Aliás, a ver. Hoje, com a televisão e a internet, recebemos novas alternativas de mobilidade devem significar nossas notícias sem sair de casa. Temos todo o tipo mais tempo disponível para ser gasto com aquilo de publicidade diante dos nossos olhos enquanto que as pessoas amam: chegar mais cedo em casa ainda estamos sentados no sofá e também quando estamos dentro dos táxis, dos elevadores, dos ônibus, dos nossos próprios carros: os anúncios de streaming, da televisão a Descubra como a mobilidade impacta o cabo, os outdoors e os busdoors precisam futuro da saúde, da educação, da construção de mobilidade para serem efetivos - é publicidade para quem se move e para quem civil, da tecnologia, dos modais, da logística, da quer se mover. gestão de frotas, das cidades e do trabalho em E falando em se mover, a mobilidade três dias de imersão que vão mudar a maneira também tem atraído inúmeros projetos de que você enxerga o amanhã. publicidade por aí. O Uber, por exemplo, está espalhando bicicletas elétricas pela para curtir a família, fazer uma atividade física, viaEuropa para se colocar como marca. Ou, mais evijar, ir ao cinema. É a hora de reconhecer que tempo dente ainda, é impossível não associar as bicicletas é vida, não dá para desperdiçar. laranjinhas que rodam por São Paulo ou pelo Rio de O Instituto PARAR nasceu com o propósito de reJaneiro ao Itaú, ou os modelos vermelhos da Ciclopensar a forma como nos movemos, independenSampa ao Bradesco. O fato é que não é mais uma temente de pensar em ir mais longe ou mais perto, combinação: mobilidade não combina com publiqueremos nos mover melhor. Nos dias 29, 30 e 31 cidade, mobilidade é publicidade. Estamos camide outubro deste ano, mais de 3 mil pessoas estanhando juntos. rão reunidas no WTC Events Center, em São Paulo, Caminhamos juntos e efetivamente: não é mais para discutir tecnologia, mobilidade e propósito no só sobre o mundo automotivo, não há setor que não maior evento já realizado sobre o tema. Quer saseja impactado pela mobilidade. Os recursos humaber como participar e descobrir como você e sua nos precisam mover seus colaboradores ou, quem empresa podem transformar o amanhã? Acesse diria, mantê-los em casa, através do home office. wtm18.com.br e conheça mais sobre a Welcome As constantes e intermináveis reuniões precisam Tomorrow 2018. ceder lugar a calls rápidos e práticos. Os políticos

institutoparar.com.br

17


Edição 14 | Julho de 2018

INSIDE Por Ana Luiza Morette e Karina Constancio

CONFIRA A LISTA DE SPEAKERS JÁ CONFIRMADOS:

18

WALTER LONGO

Empreendedor digital, palestrante internacional, sócio-diretor da Unimark e mentor de estratégia e inovação do Instituto PARAR

CESAR URNHANI

Piloto e apresentador do Auto Esporte

FABIO COELHO

Presidente do Google Brasil

LAERCIO ALBUQUERQUE

Presidente da Cisco

GIL TORQUATO

CEO da UOL Diveo

RICARDO CANCELA

Managing Director da GBDN

JOSÉ PAIM DE ANDRADE JUNIOR

Presidente da Maxcap

JAIME TROIANO

Presidente da Troiano Consultoria

LITO RODRIGUEZ

Presidente da Drywash

RENATO MEIRELLES

Presidente do Instituto Locomotiva

PAULO CESAR DE SOUZA E SILVA

Presidente da Embraer

CARLOS ZARLENGA

Presidente da GM do Brasil

GIOVANNI RIVETTI

CEO da New Content

EDUARDO SANOVICZ

Presidente da ABEAR

FABRICIO BIONDO

Vice-Presidente de Comunicação, Relações Externas e Digital do Grupo PSA na América Latina

LUCA CAVALCANTI

Managing Director do Bradesco

MARCOS MARAMALDO

CEO da Get In

HANS DONNER

Designer, palestrante e craque em inovação

PETER GRØFTEHAUGE

CEO da Autorola

CLÉMENT MONNET

COO da Voom Flights / Airbus

GIOVANNI SAVIO

Presidente da Planet Idea

ALEJANDRO FURAS

Secretário-Geral da Latin NCAP

GUI TELLES

Diretor Geral da Uber no Brasil

DR. EDUARDO CORDIOLI

Gerente Médico de Telemedicina do Hospital Albert Einstein

EMILIA CHAGAS

CEO da Contentools

CARLOS MIRA

Founder & CEO do TruckPad

ALESSANDRO GERMANO

Diretor de parcerias estratégicas do Google

GABRIEL ARCON

CEO e Co-Founder da E-Moving

PAULO SILVEIRA

Fundador da Alura Cursos Online

JULIA MELO

CEO do Instituto Amani

FELIPE BURATTINI

CEO da Dandelin

HAMILTON HENRIQUE

Fundador da Saladorama

MARCO DINIZ GARCIA GOMES

Gerente de inovação da DB1 Global Software e criador do robô Tinbot

RYAN MARQUES

CEO do InTaxi Media

BARÃO DI SARNO

Fundador do Instituto A Cidade Precisa de Você

EDSON KITANI

Professor da Fatec e especialista em carros autônomos

GABRIELA BALAZINI

CEO da Remédio Certo

YACOFF SARKOVAS

Consultor estratégico e um dos melhores especialistas em Cause Marketing e Shared Value da América Latina

RICARDO SANFELICE

Presidente da Vivo

LAWRENCE MURATA

CEO da Newton

ALEXANDRE LAFER FRANKEL

CEO da Vitacon

PararReviewMagazine

O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE A MAIOR EXPERIÊNCIA DE MOBILIDADE JÁ REALIZADA NO MUNDO! O QUE: Welcome Tomorrow 2018 - O maior evento de mobilidade de planeta QUANDO: 29, 30 e 31 de outubro ONDE: WTC Events Center (Av. das Nações Unidas, 12551 - Cidade Monções, São Paulo - SP) COMO: Vai fomentar as principais discussões acerca do presente e do futuro da mobilidade, como carros autônomos e conectados, mobilidade elétrica, drones, carsharing, smart cities, bikesharing, aplicativos de carona, inteligência artificial, IoT, coworking, horário alternativo de trabalho, home office e serviços inovadores que transformam o dia a dia das pessoas e impactam a mobilidade. Serão 3 palcos de conteúdo, 9 trilhas simultâneas, 100 palestrantes globais e 80 dos principais players do setor automotivo e de mobilidade expondo soluções inovadoras ao lado de startups disruptivas. PARA QUEM: Profissionais de RH, logística, T.I, facilities, gestão de frotas e mobilidade. Startups inovadoras, especialistas em smart cities e para todo mundo que quer viver uma experiência de imersão em mobilidade. POR QUE: O mundo sem mobilidade vai muito além do que perder tempo em deslocamentos: nos tira o direito de viver com qualidade. A WTM18 não vai discutir apenas os modais ou as inovações tecnológicas que vão revolucionar a forma como as pessoas se deslocam, mas olhar para a mobilidade como um serviço. Será mesmo que você precisa sair de casa ou do trabalho, gastar minutos valiosos no trânsito, para fazer determinada atividade? Quais são os serviços que vão facilitar a sua vida e evitar deslocamentos desnecessários? Colocar a mobilidade como prioridade é colocar a sua vida e o seu tempo em primeiro lugar. EXPERIÊNCIAS: Será possível vivenciar, durante o evento, todas essas alternativas de mobilidade que serão discutidas nos palcos da WTM18. Salas de coworking, horários alternativos de início e encerramento para fugir dos picos de trânsito, salas de videoconferência para alguma reunião que você precise fazer, além de espaços descompressão com aulas de pilates, ioga e alongamento. 


MAIS CONTROLE NA PALMA DA MÃO. CONHEÇA NOSSA NOVA IDEIA PARA VOCÊ. Use o leitor de QR code do seu celular e preencha o formulário para entrarmos em contato com você.

A Localiza investe nas melhores ferramentas para gestão da sua frota. Com o #meucarro, o usuário consulta agendamentos, infrações, serviços e muito mais, a qualquer momento e em qualquer lugar.

Ainda não é nosso cliente? Ligue para o 0800 979 3003 e conheça nossos serviços!

meucarro.localiza.com CONVERSE COM A GENTE Cuidamos da sua frota para você cuidar dos seus negócios.

0800 979 3003 www.localiza.com/frotas


headline Por Beatriz Pozzobon

UMA NOVA ERA NO PAGAMENTO DO TRANSPORTE PÚBLICO

20

PararReviewMagazine

J

á imaginou pagar pela jornada de ônibus com o mesmo cartão que você faz as compras do dia a dia? O que parece uma boa ideia para o futuro já é realidade em várias cidades da Europa e até mesmo no Brasil. Em Jundiaí (SP), toda frota de ônibus está habilitada com a tecnologia de aproximação, que permite pagar a passagem com cartão de crédito, débito, pré-pago e smartphones de forma simples e inteligente: basta aproximar no validador e passar pela catraca.

Fotos: © Divulgação

Já é possível pagar o ônibus com cartão bancário em algumas cidades do Brasil; previsão é que em dois anos a tecnologia se expanda para municípios que contam com sistemas de bilhetagem eletrônica


Edição 14 | Julho de 2018

Essa tecnologia é chamada de pagamento sem contato ou contacless e já está sendo estudada e implementada pelas duas maiores empresas de pagamento do país: Visa e Mastercard. A implementação do pagamento eletrônico sem contato nas viagens de ônibus, trem ou metrô tem por objetivos: melhorar a mobilidade urbana, aumentar a eficiência na gestão do transporte público, promover a inclusão financeira e, principalmente, facilitar a vida do consumidor. De acordo com Paulo Frossard, vice-presidente de desenvolvimento de mercado da Mastercard para o Brasil e Cone Sul, aproximadamente 30% dos pagamentos no transporte público no Brasil são feitos em dinheiro, o que gera custos operacionais e logísticos para o operador, além dos problemas com falta de troco e de segurança. Além disso, para o consumidor, os desafios também são grandes, pelo risco de assaltos e perda financeira também por falta de troco. O diretor executivo de produtos da Visa do Brasil, Marcelo Sarralha, afirma que o pagamento por proximidade evita trocos e filas, facilitando e agilizando o pagamento. Nesse sentido, o pagamento sem conta-

cartão de identificação é uma opção para o cidadão receber salários, benefícios sociais, pagar despesas do dia a dia no varejo e no transporte público, além de poder ser usado como controle de frequência escolar. Segundo ele, tudo isso coopera com o conceito de cidades “inteligentes” que a Mastercard defende. “Há muito se fala em tornar as cidades e as suas gestões mais inteligentes. Para a Mastercard, inteligente não é um fim em si, mas um meio para permitir que as cidades tornem-se mais eficientes e sustentáveis, para atrair mais visitantes e para que os seus habitantes possam ter uma vida mais inclusiva e gratificante. O tema mobilidade urbana é um dos maiores desafios das grandes cidades do mundo. No Brasil, não é diferente”, completa Frossard. Por fim, o vice-presidente da Mastercad diz também que os cartões multifuncionais vem para tornar as cidades mais conectadas, eficientes e inclusivas, realizando parcerias que permitem pagamentos que beneficiam os cidadãos, visitantes e empresas locais. E, que para isso se tornar possível, é necessário um esforço colaborativo entre os setores público e privado.

$ $

to facilita também a vida dos turistas que, muitas vezes, deixam de pegar transporte público por não saber como e onde fazer o cartão próprio para isso. Sarralha destaca que a interoperabilidade será regra com os novos cartões de pagamento, ou seja, com o mesmo cartão será possível o pagamento em diferentes experiências. “Queremos chegar em uma experiência de mobilidade integrada com pagamento simples. O consumidor vai poder pagar pedágio, estacionamento, metrô e, até mesmo, o cafezinho com o mesmo cartão bancário. Uma mobilidade mais simples, mais acessível e mais integrada”, explica. Frossard, da Mastercard, completa dizendo que uma das tendências para as cidades é a utilização de um cartão multifuncional, que além de funcionar como

EXPERIÊNCIAS Londres utiliza o modelo de pagamento sem contato no transporte público desde 2012. Na capital britânica, em pouco mais de um ano, o custo com arrecadação caiu de 14% para menos de 9%, reduzindo de forma significativa os custos para o sistema de transporte. Além disso, a quantidade de cartões de crédito e débito sem contato, saltou de 49 milhões para 92 milhões entre 2014 e 2016. No Brasil, a primeira cidade a testar a tecnologia foi o Rio de Janeiro. Por lá, os passageiros que embarcam nas estações Central do Brasil, São Cristóvão, Maracanã, Olímpica de Engenho de Dentro, Madureira e Deodoro já podem acessar o sistema ferroviário pagando com Mastercard. Ao todo, são 19 catracas, todas identificadas visualmente.

institutoparar.com.br

21


Edição 14 | Julho de 2018

headline Por Beatriz Pozzobon

Moradores e visitantes de São Paulo já podem fazer a APLICATIVO recarga de créREVOLUCIONA ditos do Bilhete RECARGA DO Único por meio de BILHETE ÚNICO um aplicativo disponível na Play Store e de chat no Facebook. As soluções foram desenvolvidas pela empresa OnBoard Mobility. Trata-se do aplicativo OnBoard e do chatbot Bipay. Assim, a compra e recarga de créditos do transporte público é possibilitada pelo celular. “O OnBoard é extremamente otimizado para consumir pouco espaço de armazenamento dos smartphones. Dessa forma, os usuários não precisam passar pela inconveniência de apagar fotos ou músicas para manter o apli$ cativo instalado. No caso do Bipay, o usuário não precisa sequer baixar um aplicativo: basta enviar uma mensagem para a página do Bipay

Também pela Mastercard, Jundiaí (SP) foi a primeira cidade da América Latina a disponibilizar o sistema sem contato para pagamento de passagem em toda a frota, um total de 305 ônibus. Em 2018, novas cidades implementarão a solução. Até o momento, a equipe de Soluções Globais para Transporte Visa já implantou mais de dez soluções na Europa e está trabalhando em projetos para oferecer mais conveniência aos usuários de transporte público na Ásia, América do Norte e Europa. Segundo a empresa, a aceitação de pagamentos sem contato aumentou significativamente em todo o mundo nos últimos anos, principalmente na Europa, onde mais de 40% das transações Visa realizadas presencialmente são de pagamentos sem contato. O diretor

22

PararReviewMagazine

executivo de produtos da Visa do Brasil, Marcelo Sarralha, revela que a empresa pretende lançar o primeiro caso brasileiro de pagamento sem contato no transporte público até o final de 2018, sem divulgar o nome do município. Ele diz apenas que, na solução Visa, os cartões de todas as bandeiras serão aceitos e que em dois anos esse projeto deve ser implementado em cidades que já contam com sistemas de bilhetagem eletrônica.

EM SÃO PAULO A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo, SPTrans, informou, em nota, que está desenvolvendo um projeto piloto para pagamento do transporte público por meio do celular e está em contato com desenvolve-

no Facebook, iniciar uma conversa e se cadastrar. Dependendo da operadora, o usuário nem é cobrado pelo uso dos dados trafegados”, explica Luiz Renato de Mattos, CEO & co-fundador da OnBoard Mobility. As soluções estão disponíveis desde fevereiro deste ano e têm atraído em média 200 usuários novos semanais. A princípio, o usuário pode realizar as recargas do Bilhete Único de São Paulo utilizando cartões de crédito. Em breve, também serão aceitos cartões de débito e dinheiro. Além disso, é importante destacar que não é cobrado nenhum tipo de taxa dos usuários pelas operações.Segundo Mattos, a empresa está em negociações com cidades da grande São Paulo, do interior do estado e com outras três capitais e suas regiões metropolitanas para levar as soluções da OnBoard Mobility até essas localidades.

doras de tecnologia para viabilizar novos meios de pagamento. A previsão é que os primeiros testes sejam iniciados ainda no primeiro semestre de 2018. Segundo a nota, a atual gestão tem como uma de suas intenções proporcionar mais opções de pagamento aos passageiros dos ônibus municipais e, desde o primeiro semestre de 2017, está buscando uma solução nesse sentido, tendo em vista que a utilização de aparelhos celulares para efetuar pagamentos é uma tendência mundial. Além disso, as novas tecnologias podem trazer redução nos custos da venda de créditos e maior comodidade aos passageiros, que não precisarão sair de casa ou ficar em filas para adquirir seus créditos. 


headline Por Beatriz Pozzobon

FUTURO A Revolução gerada pelas plataformas digitais é essencial para otimizar o processo de aprendizagem e acelerar a carreira dos profissionais

24

PararReviewMagazine

s rápidas transformações tecnológicas exigem profissionais preparados e capacitados para lidar com as mudanças. Neste sentido, a Educação a Distância (EaD) é uma importante ferramenta na atualização e qualificação de profissionais. Uma universidade, por outro lado, tem mais dificuldade de seguir esse mesmo movimento. Como os cursos presenciais oferecidos dependem de uma estrutura física, a instituição de ensino não consegue se atualizar tão rapidamente.

Fotos: © iStockphoto / Divulgação

Cursos online qualificam para as carreiras do


Edição 14 | Julho de 2018

Quem defende esse posicionamento é o engenheiro Carlos Souza, diretor geral da Udacity para a América Latina. A Udacity é uma plataforma online de aprendizado que conecta educação e mercado, oferecendo aos estudantes as habilidades que eles precisam para se preparar para as profissões do futuro por meio de cursos online. Hoje, a plataforma congrega cerca de sete mil alunos no Brasil e 50 mil ao redor do mundo. Além da atualização constante, o ensino a distância facilita o chamado “lifelong learning”, que significa aprendizado ao longo de toda a vida, o que é fundamental para que o profissional não se torne obsoleto. “Aprender o tempo todo, independentemente do estágio de maturidade da carreira, é um novo paradigma, que condiz com a velocidade dos avanços tecnológicos. Temos que ser capazes de estudar e trabalhar ao mesmo tempo, e isso é facilitado pela experiência que as plataformas online oferecem”, destaca Souza, da Udacity. Neste sentido, o diretor sentencia que o profissional que não prioriza a educação, se está empregado, encontra-se com seu posto de trabalho em risco. De acordo com relatório divulgado pela consultoria McKinsey em dezembro de 2017, 15 milhões de pessoas vão perder o emprego até 2030, só no Brasil, devido aos avanços em inteligência artificial e automação. A mesma pesquisa da McKinsey afirma, no entanto, que um número ainda maior de profissões será criado. Pensando nisso, cada vez mais pessoas investem na educação online com objetivo de aprender ou treinar uma habilidade. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, a educação a distância cresceu 7,2% no Brasil em 2017, sendo a modalidade de ensino que mais se desenvolve no país. E, de acordo com a Associação Brasileira de Educação a Distância, a modalidade de ensino que mais cresce dentro do universo da EaD é a dos cursos livres, de curta duração.

A Udemy é mais uma platafoma de ensino online que está presente no Brasil. Fundada em 2010 e sediada no Vale do Silício, em São Francisco, na Califórnia, a empresa conta desde este ano com escritório no Brasil, visto que o mercado brasileiro é um dos que mais cresce no marketplace da Udemy. Já são mais de 20 milhões de alunos do mundo todo, 65 mil cursos ministrados por 30 mil instrutores em mais de 50 idiomas diferentes. Segundo Sergio Agudo, Country Manager da Udemy para o Brasil, os cursos mais populares da plataforma entre os brasileiros estão nas categorias de tecnologia da informação, programação, marketing, design e negócios. Também são bem procurados os cursos de desenvolvimento pessoal, especialmente gestão de estresse, produtividade e idiomas. Há ainda cursos que ensinam a tocar instrumentos musicais, a desenhar profissionalmente, a costurar ou a fazer cerveja artesanal. Agudo pontua os três principais benefícios do ensino a distância: flexibilidade, praticidade e custo. O aluno poder acessar o conteúdo na hora que quiser e de onde estiver, o que faz com que o aprendizado seja ilimitado. “Pelo preço de um suco e um pão de

institutoparar.com.br

25


Edição 14 | Julho de 2018

headline Por Beatriz Pozzobon

EAD E MOBILIDADE

> Sergio Agudo, Country Manager da Udemy para o Brasil.

queijo, você consegue encontrar um curso de mais de 40 horas, que vai te trazer novas habilidades e te tornar um profissional diferenciado no mercado”, aponta o Country Manager. “Claro que a educação tradicional ainda é insubstituível, mas a educação online é um acréscimo fundamental e pode proporcionar o desenvolvimento de habilidades que serão importantes para mercado de trabalho do futuro, para profissões que ainda nem sequer existem, diferente do que acontece nas salas de aula”, acrescenta. Agudo diz ainda que o ensino a distância não revolucionou só a forma de aprender, mas também a forma de ensinar. Isso porque, com a EaD, um instrutor pode atingir milhares de pessoas de lugares diferentes e longínquos ao mesmo tempo, enquanto sobra tempo para ele preparar novas aulas. Na Udacity, os cursos online são chamados de “Nanodegree” e, no Brasil, contabilizam cerca de 30 opções nas áreas de ciência de dados, inteligência artificial, negócios e programação. A duração dos cursos varia conforme a temática abordada e o nível (iniciante, intermediário ou avançado). Por exemplo, o curso Nanodegree Design Sprint tem duração de um mês, enquanto o Nanodegree Engenheiro de Carro Autônomo dura nove meses. A plataforma tem ainda parcerias de contração com diversas empresas, como Itaú, Globo.com, 99, IBM e Telefônica. Além disso, oferece ferramentas para ajudar os estudantes a evidenciarem as suas habilidades no currículo, LinkedIn ou GitHub. 

26

PararReviewMagazine

Dentre os benefícios do ensino a distância, a questão da praticidade é uma das mais citadas por aqueles que optam por plataformas digitais em vez de cursos presenciais. E um dos principais motivos para isso é a questão da mobilidade, uma vez que ela oferece diversas facilidades para o dia a dia do aluno. De acordo com o engenheiro Carlos Souza, diretor geral da Udacity para a América Latina, com opções de ensino EaD as dificuldades de deslocamento são completamente excluídas. “Uma primeira transformação está diretamente relacionada ao deslocamento em si. Ano após ano, o trânsito nas cidades tem se tornado cada vez mais complicado, podendo gerar atraso para a aula ou até mesmo uma falta”, afirma Souza. O diretor da Udacity lembra ainda que o ensino a distância é um propulsor de inclusão, garantindo que deficientes físicos ou pessoas com mobilidade reduzida tenham maior facilidade para estudar, ao evitar o deslocamento e, algumas vezes, até mesmo garantir recursos diferenciados, como assistir novamente uma aula, já que ela é gravada, acessar legendas, entre outros.

1. ATUALIZAÇÃO CONSTANTE; 2. APRENDIZADO AO LONGO DE TODA VIDA; 3. FLEXIBILIDADE; 4. PRATICIDADE; 5. CUSTO REDUZIDO; 6. PROPULSOR DA INCLUSÃO.


INTELIGÊNCIA EM GESTÃO DE FROTAS Queremos que vocês adquiram tempo para dedicar-se ao que realmente importa.

GESTÃO ESTRATÉGICA Definição e leitura dos KPIs de sucesso, análises de oportunidades e gestão de projetos

GESTÃO DE TELEMETRIA Acompanhamento de ociosidade, rodagem off job e infrações de segurança

GESTÃO DE ABASTECIMENTO Gerenciamento de consumo, aporte de saldo, ajuste de limites, recolha de NFs e integração com telemetria

GESTÃO DE MANUTENÇÃO Follow de agendamentos, oficinas, aprovações e atendimento ao condutor

GESTÃO OPERACIONAL Elaboração da Política de Frotas, definição, acompanhamento e controle dos processos

GESTÃO DE MULTAS Consulta preventiva, gestão de pagamentos e desconto do funcionário

GESTÃO DE DOCUMENTOS 1º emplacamento, transferências, gerenciamento da

Deixem a administração das atividades de telemetria, abastecimentos, manutenção, gestão de licenciamentos, CNHs e multas, por nossa conta!

Gestão operacional e estratégica executada por um time de profissionais altamente especializados garantindo a excelência em todos pilares da sua gestão de frotas.

renovação anual e pagamento de taxas

GESTÃO DA CNH Consulta periódica da pontuação da CNH dos condutores, bloqueios, portarias e vencimentos

ac vef ee

gestão de frotas e mobilidade

ACESSE AGORA:

activefleet.com.br

11 95798-0366 / 11 97764-6288 contato@activefleet.com.br


INSIDE Por Pietra Bilek

PFC E A CONDUÇÃO

INTELIGENTE O curso que capacita condutores à distância concluiu sua primeira etapa e transformou o trabalho de muitos profissionais

28

PararReviewMagazine


Edição 14 | Julho de 2018

B

aliza, rotatória, mudança de faixa. Quantas dessas ações corriqueiras do trânsito você faz corretamente? E qual foi a última vez que você fez qualquer uma dessas ações sem os vícios de direção? Pode parecer simples, mas muitos condutores acabam dirigindo de forma errada e até imprudente por se esquecer de comando básicos, que ajudam e melhoram a direção. É pensando nessa condução inteligente e em um trânsito melhor e mais seguro que o Programa de Formação de Condutores (PFC), do Instituto PARAR, reuniu mais de 5 mil alunos na primeira etapa do seu curso. O PFC é um curso à distância composto de exercícios online nos quais especialistas no assunto, como Ingo Hoffmann, Helena Deyama e Luciano Burti, ficam responsáveis por trazer os conhecimentos técnicos. A ideia do PFC é simples: lembrar o condutor de frotas aquilo que ele já sabe, mas há muito tempo não pratica. Por isso, o curso, apesar de teórico, é também muito prático e aposta em repetições que relembram e melhoram o desenvolvimento do condutor no trânsito. O conteúdo é pensado para um público que não tem muito tempo e consegue estudar em qualquer lugar, a qualquer hora do seu tempo livre. 

Fotos: © Bigstock / Divulgação

VEM AÍ UM APP: Como o PFC acredita na praticidade, nada mais indicado que um aplicativo para transmitir as atividades do curso. Essa nova versão do PFC trará o aluno para o ambiente de uma cidade dentro do celular. A cada esquina ou novo caminho, um desafio para o participante e uma oportunidade diferente de aprendizado. A experiência foi toda pensada para que o ensino acontecesse sem que o aluno perceba. “Enquanto navega pelo jogo do celular, enfrenta desafios

e concorre a prêmios, o aluno vai absorvendo conteúdo. É uma revisão de conteúdo que não se parece nada com as reciclagens, por exemplo, porque utiliza exemplos cotidianos e requer uma atenção de apenas 5 a 10 minutos por dia”, explica Pedro Conte, responsável pelo projeto. Para os alunos mais bem colocados a cada etapa, prêmios como vouchers de taxi, descontos em serviços, ingressos de entretenimento e outros benefícios são oferecidos, de forma a envolver o aluno em um ambiente de gamificação. Uma forma fácil e prática de cuidar do comportamento dos condutores.

E O QUE ACHAM OS CONDUTORES: WELLINGTON MACEDO - O PFC impactou diretamente em oportunidades de mudanças sociais, ambientais e econômicas. Sociais através de módulos como, por exemplo, de segurança, pilotagem e acidentes, que nos qualifica a uma condução e um ambiente mais seguro no trânsito. Ambientais e econômicas através dos módulos de veículos e condução que nos proporcionaram uma integração do carro enquanto máquina, correlacionado a uma condução mais eficiente. RODOLFO CALEFFE - O PFC me ajudou a ampliar o conhecimento no campo da segurança e responsabilidade ao dirigir, alinhando as "técnicas" e informações obtidas durante o curso, com nossa experiência no dia a dia. Com essas novas informações, novas ideias e melhorias surgem em nossas atividades do trabalho, elevando a cobrança e orientando melhor nossos colaboradores a se conscientizarem a respeito do trânsito e do funcionamento dos veículos. ALVINO DE OLIVEIRA - A principal mudança do PFC em meu trabalho foi o que aprendi na aula do Ingo Hoffmann sobre segurar o volante na posição 9:15 e empurrar o volante nas conversões em vez puxar pra baixo, além da forma de ajustar o banco (mais próximo), pois dirijo pelo menos 6 horas por dia sem intervalo e agora nem estou cansando. Um ponto que foi bem focado pelo curso acabou me impactando também que é a direção de forma econômica. Na última turma do PFC, o aluno que mais se destacou estava concorrendo a um Kwid zero km, o grande lançamento da Renault de 2017. Para a turma desse ano, podemos esperar grandes novidades e uma delas será um desafio com os 10 melhores alunos no Autódromo de Interlagos. Após o ranqueamento dos participantes nos exercícios teóricos, a equipe do PARAR vai levar os melhores alunos para uma aula prática com professores do curso, onde eles vão realizar uma série de testes e eleger o melhor condutor do Brasil.

institutoparar.com.br

29


tips & cases Por Pietra Bilek

GESTORES E EMPRESAS A Fleet Mobility Brasil surgiu para criar conexões entre o gestor de frotas e a indústria

30

PararReviewMagazine

A

tuando desde março deste ano, a startup Fleet Mobility Brasil (FMB) é a ponte de business e network entre o gestor de frotas e de mobilidade corporativa com o mercado. Por meio de intermediações, eventos e treinamentos, a empresa atua como um meio de conexão para que o gestor de frotas atenda suas demandas diárias. A FMB conta com o apoio do Instituto PARAR, tendo ainda o Flávio Tavares como um dos seus conselheiros. Segundo o Diretor de Marketing e Produto da FMB, Luiz Claudio Souza, a startup quer criar pontes entre pessoas e empresas de gestão de frotas. "Buscamos soluções para que as indústrias de gestão de frotas e de mobilidade corporativa consigam chegar de forma qualitativa e frequente ao seu público alvo, que é o gestor de frota. Dessa forma, garantimos que o gestor de frotas seja escutado pela indústria, e que suas necessidades sejam atendidas e respondidas em forma de produtos e soluções”, explicou.

Fotos: © Divulgação

A ponte entre


Edição 14 | Julho de 2018

CASES DE SUCESSO » WORKSHOP PARA MULHERES À FRENTE DA GESTÃO DE FROTAS - O FMB entendeu que muitas mulheres desempenhavam o papel de gestoras de frota, mas, por não serem maioria, encontravam algumas dificuldades, sendo pouco ouvidas no mercado predominantemente masculino. O Workshop, realizado em São Paulo, teve mais de 70 pessoas presentes e trouxe um conteúdo direcionado para estratégia de gestão de frota e segurança no trânsito. Uma das palestrantes foi Helena Deyama, piloto profissional e uma lenda do off-road brasileiro. Ela falou sobre a manutenção básica dos veículos, uma dúvida comum entre os gestores. Outro palestrante foi o apresentador Cesar Urnhani, que destacou como as mulheres têm um exemplo melhor que os homens no trânsito. » HAPPY HOUR PARA GESTORES DE FROTA - Outro evento realizado pela FMB foi um momento descontraído de network entre os gestores. Segundo o Diretor Administrativo e Financeiro, Micael Duarte, o evento busca incentivar o diálogo entre os gestores e a indústria de frotas. "Recebemos o dobro de pessoas que esperávamos e a repercussão foi incrível, todo mundo enxergou esse momento com bons olhos”, destacou. 

DO PONTO DE VISTA DOS GESTORES HARLEN BRAGA: Já começou grande! Com es-

pecialistas em mobilidade e frota, está encaixando as engrenagens que precisavam se unir no setor de frota e mobilidade. Gestores, fornecedores e provedores de mobilidade, juntos, em busca de um propósito único. WELLINGTON MACEDO: Capacitação dos

profissionais de frotas, produtos ou serviços direcionados às necessidades do mercado e sociedade fazem da Fleet Mobility uma ótima opção para alcançarmos um setor cada vez mais profissional e um trânsito mais seguro para todos. MILENA BARROS: Inovação, foco em soluções

e investimento em pessoas são apenas algumas das marcas dessa empresa que veio para agregar muito no avanço da gestão de frotas do Brasil.

institutoparar.com.br

31


headline Por Karina Constancio

FUTURO DO

TRABALHO Em uma era de grandes rupturas, no centro das transformações não está a tecnologia, mas sim as pessoas

32

PararReviewMagazine


Edição 14 | Julho de 2018

Fotos: © iStockphoto / Divulgação

N

ão é novidade que estamos vivendo uma era de mudanças, com disrupções que vão afetar a maneira como nos relacionamos, consumimos, trabalhamos e nos deslocamos nas cidades. Especialistas afirmam que o mundo como conhecemos nunca será mais o mesmo. Mas, é verdade também que essas transformações sempre existiram, a grande diferença do momento que estamos passando é a velocidade com que essas mudanças acontecem. Nos três processos históricos anteriores, os ciclos de inovação demoraram mais para acontecer. Começou por volta de 1760, quando a produção manual se tornou mecanizada, passou por uma segunda revolução, quando a eletricidade permitiu a manufatura em massa, e se transformou novamente, em meados do século XX, com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações. Agora, estamos vivendo a quarta revolução industrial, também chamada de 4.0, marcada pela convergência de todos efeitos trazidos pela era digital. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, essa revolução não é uma continuação da terceira por três pontos principais: a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas vigentes. Já é possível ver algumas dessas consequências. Empresas de apenas cinco anos estão rompendo com indústrias seculares. Modelos tradicionais de negócios estão sendo questionados. No ranking publicado anualmente pela revista Forbes com as 500 maiores corporações do mundo de acordo com suas receitas, metades delas desapareceram nos últimos 18 anos. Isso é reflexo do que a escola de negócios do IMD, na Suíça, chama de “vórtex digital”. “Vórtex é aquela figura do redemoinho que vai arrastando tudo e onde o centro é muito violento. Isso quer dizer que todos os segmentos de negócios estão sendo envolvidos nesse vórtex de transformação. Alguns setores mais rapidamente do que

outros”, explicou Ruy Shiozawa, presidente do Great Place to Work (GPTW) no Brasil. Redemoinho este que está impactando até as empresas mais jovens e digitais. Segundo uma pesquisa feita pela aceleradora Startup Farm, 75% das startups não passam de cinco anos e 18% delas fecham antes mesmo de completar dois anos. Talvez a maior preocupação da indústria 4.0 seja o seu efeito no futuro do trabalho. Estudos, como o da consultoria americana McKinsey, projetam perdas de mais de 50 milhões de empregos nos próximos anos. “Muito se fala sobre as profissões que serão eliminadas, e isso já está acontecendo, mas, por outro lado, têm muitos estudos dizendo que para cada posição que você elimina, três novas posições estão sendo criadas. Por exemplo, quem, há 10 anos, ouvia falar de cientista de dados ou engenheiro de carro autônomo?”, ressaltou Shiozawa.

Os analfabetos do século 21 não são aqueles que não sabem ler ou escrever. Mas aqueles incapazes de aprender, desaprender e aprender de novo" ALVIN TOFFLER

O problema, segundo ele, é que a quantidade de extinção está crescendo mais rápido que a preparação de pessoas para as novas posições. E, para isso, precisamos de um esforço combinado entre empresas e universidade. “Enquanto as universidades não conseguem suprir essas novas demandas, o próprio mercado tem que se movimentar. É preciso estimular as pessoas a, primeiro, perder o medo dessa mudança e, segundo, ir atrás, buscar crescer, se desenvolver, para poder trazer isso para dentro da equipe”, explicou.

institutoparar.com.br

33


headline Por Karina Constancio

Sempre quando se fala em revolução digital, parece que sempre o protagonista é a tecnologia, mas não é. No centro de tudo isso, estão sempre as pessoas." RUY SHIOZAWA presidente do Great Place to Work (GPTW) no Brasil

34

PararReviewMagazine

Shiozawa ainda traz um ponto importante: o centro não é a tecnologia, são as pessoas. “Sempre quando se fala em revolução digital, parece que sempre o protagonista é a tecnologia, mas não é. No centro de tudo isso, estão sempre as pessoas. Não só por elas estarem gerando a tecnologia, mas porque são elas o fator de sucesso ou de fracasso da inovação”, afirmou. As empresas que estão sendo mais bem sucedidas nesse processo não são, necessariamente, as maiores ou as que têm mais tecnologia. Mas sim, aquelas que têm as pessoas mais bem preparadas para desenvolver, buscar e implementar tecnologia, transformando a inovação em novas oportunidades de negócio. Para se destacar no vórtex dessa era digital, Ruy Shiozawa cita três características essenciais para o profissional do futuro: cuidado com as pessoas, inteligência emocional e vontade de aprender. O movimento das empresas para sobreviver a esse novo mundo e sua experiência, à frente da GPTW, com as melhores

companhias para se trabalhar, comprovam que quanto mais máquinas tiverem no mundo, mais vamos precisar do humano.

O NOVO ESCRITÓRIO Além de repensar as carreiras e os modelos tradicionais de trabalho, as discussões sobre o futuro do setor corporativo também passam por um novo olhar acerca dos ambientes de trabalho. Mobilidade, flexibilidade, tempo e qualidade de vida estão entre os fatores que incentivam pessoas a considerarem abandonar o escritório formal e as empresas a oferecem novas opções e espaços para os colaboradores exercerem suas atividades. A tecnologia vem para tornar essa equação possível. Ferramentas tecnológicas avançadas permitem que a forma de trabalho seja totalmente digitalizada. Uma nova era que incentiva não apenas o home office, mas que inaugura - como diz o presidente da Cisco, Laercio Albuquerque - o “anywhere office”. Isso quer dizer que onde você estiver, o


Edição 14 | Julho de 2018

escritório estará na palma da sua mão. É nesse cenário que os coworkings, espaços compartilhados de trabalho, estão em crescente popularização, como uma solução não somente para profissionais autônomos ou startups, mas para empresas atentas a esse novo mundo e que pensam na qualidade de vida dos colaboradores. No ano passado, segundo uma pesquisa do Censo Coworking Brasil, o setor movimentou R$ 82 milhões no país e gerou 3.500 empregos diretos e indiretos. Além disso, o número de espaços aumentou 114% em relação a 2016, atingindo mais de 800 no país. Só em São Paulo são mais de 300 espaços. Com o propósito de conectar pessoas com os melhores ambientes de trabalho, a Beer Or Coffee forma, hoje, uma rede de mais de 400 espaços de coworking em mais de 100 cidades do país. “Oferecemos uma plataforma tecnológica onde é possível assinar um plano e trabalhar em qualquer um desses espaços. E aí é muito simples: você pode pesquisar, através do nosso site ou aplicativo, os lugares que estão mais próximos de você e fazer o agendamento”, explicou Roberta Vasconcellos, CEO e uma das fundadoras da Beer Or Coffee. Chegando lá, o usuário vai encontrar toda a infraestrutura que precisa para trabalhar. As opções vão desde espaços mais descolados e inovadores, em que se pode levar o cachorro, que possui estacionamento para bike e cerveja liberada, como àqueles mais sérios e corporativos. “A ideia é que você não vá mais até o escritório, mas que o escritório venha até você”, destacou Roberta. A plataforma pode ser utilizada por empresas que têm equipe de vendas em campo e que precisam dessa modalidade, por aquelas com uma política de home office que permite que o colaborador possa trabalhar uma ou duas vezes por semana fora do escritório, ou mesmo por qualquer profissional que queira se abrir um pouco para o mercado, estar em contato com outras empresas e fazer conexões produtivas para sua carreira. Um dos grandes benefícios da tecnologia é a possibilidade de otimizar o nosso tempo, tornar o nosso dia mais

produtivo, nos permitir fazer atividades de forma mais rápida e até remota. De acordo com a Roberta, as empresas estão enxergando cada vez mais que não importa onde você está, mas sim o que você entrega. “A gente passa a maior parte do nosso dia trabalhando, então, que você possa fazer isso em um ambiente que seja agradável e te proporcione uma otimização do seu tempo, te ajude a evitar pegar trânsito, por exemplo”. Em um mundo onde o consumo está muito mais revertido na forma de serviço do que de posse, por que também não podemos contratar um escritório como serviço? A Roberta entende que o grande desafio é cultural. Não tem barreira jurídica e nem financeira. E é por isso que eles buscam, dentro da Beer Or Coffee, incentivar e promover a cultura do trabalho remoto com uma série de iniciativas que podem inspirar outras empresas. Hoje, eles têm colaboradores trabalhando em Belo Horizonte, São Paulo, Portugal e até em Luz, pequena cidade do interior de

Minas Gerais, porque o sonho de uma das designers era trabalhar “no mato com internet”. “A interação humana é muito importante e não somente para falar sobre trabalho. Para incentivar essa conexão, nós implementamos uma ação muito simples. Toda semana, fazemos um sorteio e a pessoa sorteada tem que gravar um vídeo de 15 minutos compartilhando algo sobre sua vida pessoal. É muito bom e a gente não perde aquele momento que, talvez, só seria possível se um sentasse do lado do outro no escritório”, revelou Roberta. Eles também têm a hashtag “what is my view today”, para que todos possam compartilhar a sua vista do dia e organizam interações pontuais com o time todo para manter a comunicação sempre muito alinhada. “Eu entendo que o futuro do trabalho deve levar as empresas a repensarem a qualidade de vida dos colaboradores, o que ela investe em estrutura, e seus próprios espaços físicos. O coworking já é uma realidade e o mundo vai caminhar cada vez mais para isso”, completou. 

institutoparar.com.br

35


interview Por Pietra Bilek

Solução do Gympass transforma o jeito de pensar a atividade f ísica

38

PararReviewMagazine

T

udo que nos move é mobilidade! Desde o começo do nosso dia, quando levantamos para o café da manhã, até a hora em que deitamos para dormir estamos vivendo a mobilidade, e a forma que escolhemos vivê-la diz muito sobre nossa qualidade de vida e o aproveitamento do nosso tempo. E qualidade de vida tem tudo a ver com saúde. Uma pesquisa recente, realizada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), revelou que 70% dos brasileiros não pratica atividade física, e que o sedentarismo vem crescendo gradativamente. Outra pesquisa realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), revela que entre os motivos do sedentarismo estão a falta de tempo e de incentivo.

Fotos: Divulgação

EM UM CLIQUE


Edição 14 | Julho de 2018

A união de novas tecnologias e propósito pode resolver os problemas de tempo e também de incentivo. É nesse conceito que surge um novo jeito de pensar a atividade física: o Gympass. Fundada em 2012, pelos brasileiros Cesar Carvalho, Vinicius Ferriani e João Barbosa, a empresa surgiu como uma startup que vendia diárias em academias somente para pessoas físicas. O que aconteceu por aproximadamente um ano, até a empresa construir sua rede de clientes corporativos e passar a oferecer planos mensais, com até 70% de desconto, por meio dos quais o usuário pode acessar até 17 mil estabelecimentos parceiros no Brasil O CEO da empresa no Brasil, Leandro Caldeira, explica as principais motivações da companhia: "O Gympass nasceu com o objetivo de facilitar o acesso das pessoas à atividade física. Temos de um lado academias com capacidade de atender mais público, e do outro, pessoas querendo fazer atividade física, mas com muitas barreiras que as impedem de conseguir. Então, o Gympass busca otimizar a relação entre pessoas que querem e precisam fazer atividade física e academias que querem receber mais alunos, por meio de parcerias com empresas interessadas em investir na promoção da prática de atividade física entre seus colaboradores." O Gympass atua em 14 países e, dentro do Brasil, em mais de 1.200 cidades, crescendo conforme os clientes corporativos. A empresa que contrata o Gympass pode oferecer um leque de opções de atividade física, em qualquer estabelecimento parceiro, com um grande desconto para seus colaboradores. As atividades vão além da musculação, entre as modalidades estão danças variadas, hidroginástica, pilates, artes marciais, yoga, crossfit, tênis, golfe, circo e outras 700 opções.

MOBILIDADE PARA AS EMPRESAS Depois do primeiro ano funcionando apenas em diárias, o Gympass iniciou sua parceria com o ambiente corporativo e tem sido a escolha de diversas empresas que acreditam no investimento na qualidade de vida de seus colaboradores e também em facilitar seu dia a dia. Segundo Caldeira, a empresa que disponibiliza para o colaborador um maior leque de opções de atividades físicas, aumenta a chance da prática do exercício que, por consequência, melhora a motivação e o engajamento na empresa. É o caso da Youse, uma plataforma de vendas de seguros online, que coloca as pessoas no centro de tudo que faz. Por saber que seus colaboradores se interessavam por atividades físicas, resolveram facilitar esse caminho. Ao aderir ao Gympass, ofereceram diversas opções de atividades e também de locais para praticá-las, e atualmente mais de ⅓ da empresa faz uso desse benefício. Segundo

Somos uma empresa que gosta muito de gente. Sabemos que muitas pessoas da nossa empresa gostam de praticar atividade física, e que oferecer a escolha de onde elas podem se exercitar é facilitar a mobilidade." WILSON LIMA profissional de RH

o profissional de RH Wilson Lima, Head de Recursos Humanos da Youse, Wilson Lima, o Gympass atua como um facilitador entre os colaboradores - "Somos uma empresa que gosta muito de gente. Sabemos que muitas pessoas da nossa empresa gostam de praticar atividade física, e que oferecer a escolha de onde elas podem se exercitar é facilitar a mobilidade." O Gympass quer discutir a ideia de que "Sitting is the new smoking", comparando os malefícios do sedentarismo aos do cigarro. Segundo Caldeira, a missão da companhia é justamente a de combater o sedentarismo e a inatividade, através de uma solução inteligente que pode dobrar o número de pessoas que fazem atividade física no mundo. 

institutoparar.com.br

39


headline Por Pedro Conte

VALE? A mobilidade e o propósito da capital mundial da inovação

40

PararReviewMagazine

Fotos: © Divulgação / Arquivo Pessoal

QUANTO VALE O


Edição 14 | Julho de 2018

N

inguém sabe ao certo quantas startups existem no Vale do Silício. Estima-se que são dezenas de milhares (algo entre 30 e 50 mil), conforme alguns pesquisadores. E startup é sinônimo de imaginação saindo do papel. Estamos falando, então, de dezenas de milhares de ideias sendo colocadas em prática diariamente, em uma região internamente conectada e externamente relacionada com praticamente todos os lugares do mundo. Não seria exagero dizer, portanto, que estamos chegando ao principal polo de inovação do planeta. Nossa ideia: imergir-nos na cultura do Vale do Silício e tentar acompanhar um pouco mais de perto as tendências de mobilidade que estão se desenvolvendo por lá. Em seguida, três dias no maior evento de gestão de frotas do mundo, a NAFA I&E, para consolidar um pouco do impacto dessas novidades todas sobre o setor da mobilidade corporativa. Segundo Michelle Messina, autora do livro

“Decoding Silicon Valley” (Decodificando o Vale do Silício, ainda sem tradução para o português) e consultora com experiência em mais de 60 países, o Vale funciona em ciclos. Em um momento, empreendedores estão mais focados em supercondutores. Dois ou três anos depois, o foco muda um pouco para a internet das coisas, por exemplo. Na última onda, por volta de 2016, a ênfase estava nas tecnologias relacionadas à energia limpa. E agora chegou a vez da mobilidade. O maior centro de inovação do mundo está, atualmente, com as suas atenções voltadas para três tendências, segundo Messina: inteligência artificial, blockchain e... mobilidade! Talvez seja por isso que praticamente todas as montadoras do mundo tenham estabelecido escritórios e postos avançados na região. E foi por isso também que, esse ano, além da visita tradicional ao evento da NAFA I&E, o PARAR levou uma delegação de brasileiros para conhecer de perto os movimentos de empresas como Apple, Tesla e Google.

institutoparar.com.br

41


headline Por Pedro Conte

Nossa visita começou por uma reunião na BMW iVentures, um braço de investimentos da reconhecida montadora. Encontramo-nos com Samantha Huang, Associada Senior na organização, que contou que eles começaram os investimentos em 2011-2012, mais focados em mobilidade e depois, com o tempo, foram se voltando a toda cadeia de valor relacionada aos automóveis. Hoje, dividem suas apostas nas seguintes áreas: direção autônoma, carros digitais e nuvem automotiva, e-mobilidade, inteligência artificial e segurança de dados, indústria 4.0, mobilidade compartilhada e sob demanda, vida digital do consumidor e serviços de energia. Muitas startups já receberam dinheiro da BMW iVentures nesses últimos 7 anos. Em geral, o aporte gira em torno de 5 a 8 milhões de dólares em cada empresa, mas as rodadas de investimento podem chegar a 20 milhões de dólares, em alguns casos. O que a BMW espera com o fundo? Poderíamos apontar três coisas: 1). Ganhar mais dinheiro quando essas

42

PararReviewMagazine

empresas forem vendidas ou abrirem seu capital; 2). Estar em uma posição privilegiada para lidar com as soluções que estão sendo desenvolvidas no mercado automotivo; e 3). Trazer inovações para suas cadeias de suprimentos. Huang conta que desde que a BMW iVentures começou, eles já conseguiram 15% de melhora nos custos de fabricação e 16% na gestão da cadeia de suprimentos. Saindo da BMW, na cidade de Mountain View, paramos em um restaurante japonês para abastecer as energias e partimos para a GSVLabs, em Redwood City. A GSVLabs reúne, atualmente, 170 startups, 150 mentores e já levantou mais de 250 milhões de dólares em investimentos. O sistema funciona como um coworking – a maior parte das startups paga para trabalhar com a estrutura deles, alugando uma mesa ou uma sala no local. Entre post-its e quadros com modelos de negócio, fomos surpreendidos por um escritório de inovação da Embraer, com um americano que falava muito bem português e nos apresentou um pouco mais sobre os projetos que estavam desenvol-


Edição 14 | Julho de 2018

vendo por lá. Pouco depois, ficamos sabendo que o projeto sobre o qual ele falava era nada menos que o projeto de eVTOL1 que estavam criando em parceria com o Uber. Nosso guia na GSVLabs foi Tommaso DiBartolo, da Awesm Ventures. DiBartolo nos trouxe um panorama sobre o cenário atual das startups no Vale e também sobre o que ele antecipa sobre o futuro da mobilidade. “O Vale do Silício é o local mais competitivo do mundo. Aqui, uma hora do dia é o equivalente a 7h nos outros locais”, contou o empreendedor, consultor e investidor. E parece que é isso mesmo. Tudo no Vale parece superlativo: todas as startups vão quebrar alguma indústria nos próximos 2 anos. Todos os alunos que saem de Stanford ou Berkeley são gênios. Todo mundo tem uma grande ideia que vale alguns bilhões de dólares.

O Vale do Silício é o local mais competitivo do mundo. Aqui, uma hora do dia é o equivalente a 7h nos outros locais” TOMMASO DIBARTOLO, Awesm Ventures

Estando por lá, tive a impressão de que isso tudo é realidade. Mas que também essa verdade esconde uma faceta um pouco diferente. Um exemplo: muitas dessas startups ficam pelo caminho. Na YCombinator, por exemplo, uma das maiores aceleradoras do mundo, apenas 3% das startups que se inscrevem nos programas de aceleração são aprovadas – na 500 Startups, essa taxa é de 6%. Para cada história de sucesso que fica conhecida, uma miríade de oportunidades de “aprender com os erros” é contabilizada. Para cada grande ideia desenvolvida dentro das universidades do Vale, toneladas de pressão sobre os ombros dos alunos para que se tornem os responsáveis pelo próximo unicórnio do planeta2. DiBartollo nos alertou para o fato de que há diversas startups em operação que, embora sejam empresas jovens, têm enorme potencial para transformar a mobilidade do mundo. São empresas que nascem como startups, mas que têm equipes com muita experiência e altíssima capacidade de investimento. Uma das citadas por ele, a Nauto, estava inclusive entre os maiores patrocinadores da NAFA I&E, o evento de que iríamos participar nos dias posteriores. Uma startup

patrocinando o maior evento de gestores de frotas de mundo, ao lado de montadoras e locadoras? Melhor ficar de olho, vem novidade por aí.

A REVOLUÇÃO DO CARRO ELÉTRICO Estávamos na Califórnia, talvez o estado com maior diversidade nos Estados Unidos. Nas cidades que visitamos, é mais comum se deparar com pessoas que parecem imigrantes do que com os americanos típicos. Huang, que nos recebeu na BMW iVentures, era oriental. DiBartollo era um italiano casado com uma brasileira (e nos recebeu falando em português, inclusive). Nosso próximo anfitrião, especialista em carros elétricos, veio de família russa. Alex Guberman, dono de um canal no Youtube chamado E for Electric, tem um programa diário sobre o mercado de carros e é, hoje em dia, um dos maiores especialistas do setor nos Estados Unidos. Ele nos apresentou um histórico do mercado de veículos elétricos, desde a primeira tentativa de carro elétrico do mercado (uma pioneira, mas deslocada, versão do Nissan Leaf com autonomia de cerca de 130 km), até os modelos mais recentes.

1. Sigla em inglês para veículo elétrico que decola e pousa verticalmente, como os helicópteros. 2. Unicórnio é o termo usado para as startups que atingem valor de mercado superior a 1 bilhão de dólares. Dentre as brasileiras, a 99 foi a primeira a conseguir tal feito. PagSeguro e Nubank completam a lista das maiores estrelas brasileiras nesse quesito.

institutoparar.com.br

43


headline Por Pedro Conte

da viagem. Nossa manhã começaria com um test drive nos mais equipados modelos da Tesla, dentro da fábrica da montadora, em Freemont.

ISSO AQUI É UM CARRO MESMO?

> Tesla aposta no futuro elétrico e autônomo

Fã dos veículos da Tesla, Guberman explicou que o critério para a adoção em massa dos carros elétricos era que eles funcionassem de forma parecida aos seus companheiros de rua movidos a diesel. Precisavam ser bonitos, confortáveis, práticos e potentes como os carros a que estávamos acostumados. Essa barreira, segundo Guberman, já foi superada há algum tempo. O próximo modelo do Tesla Roadster, a ser lançado em breve, será um esportivo que vai de 0 a 100 km/h em menos de 2 segundos e tem bateria para rodar quase mil quilômetros sem parar para recarregar. Os carros elétricos representam cerca de 1% das vendas totais, globalmente, mas esse mercado deve mudar rapidamente. Na Noruega, por exemplo, mais da metade dos carros vendidos em 2017 eram

44

PararReviewMagazine

elétricos ou híbridos (o governo de lá dá bastante incentivo para esses modelos). E, além da Tesla e de praticamente todas as grandes montadoras, a eletrificação também tem sido a aposta de muitas outras startups. A Fisker, jovem empresa de automóveis também sediada na Califórnia, anunciou que pretende lançar em 2020 o seu primeiro modelo com baterias solid-state – ainda mais eficientes que as baterias atuais. Essas baterias “serão menores, mais leves ou ambas as coisas”, explica Guberman, o que deve impulsionar o mercado ainda mais. Ao final do dia, com a sensação de que havíamos recebido mais informação do que era possível conectar ao nosso contexto naquele momento, descansamos pensando no destino seguinte, que reservava uma das maiores experiências

Não sou um entusiasta de carros, preciso confessar. Gosto da sensação de dirigir, tenho muito prazer em levar a família para viajar com um automóvel, mas nunca fui da linha de frente entre os que admiram marcas de montadoras ou corridas de Fórmula 1. Ainda assim, me senti uma criança com brinquedo novo na primeira vez que em que pilotei um dos modelos da Tesla. A experiência é muito diferente, e não foi só para mim. Tive a oportunidade de presenciar, em outro momento, a primeira vez que um dos testers da Revista Quatro Rodas teve contato com um dos carros da montadora. O veículo impressiona mesmo os mais experientes, porque parece um smartphone sobre rodas. Tudo no carro é conectado. Não há painel, porque todas as informações estão integradas em um tablet enorme que fica onde estamos acostumados a procurar por um rádio ou pelo computador de bordo dos modelos convencionais. Nesse painel, ajustam-se os espelhos, banco, o ar condicionado e todas as outras opções de configurações externas. O carro vem de fábrica com um chip que o conecta à internet e que dá acesso a uma série de rádios do mundo inteiro (por curiosidade, busquei rádios da minha cidade, Londrina-PR, e eles estavam lá). O Tesla também permite que você busque as estações de recarga mais próximas, visualize as vagas disponíveis e escolha um lugar para abastecer, caso necessário, nos próximos minutos. Mais do que isso, o carro está sempre conectado com a fábrica e, portanto, pode receber atualizações de seu “sistema operacional” para funcionar melhor, economizar mais combustível ou ainda apresentar novas funções. Entre os updates


Edição 14 | Julho de 2018

mais recentes, estão versões do sistema Autopilot (veja matéria sobre carros autônomos na pág. 66) e a criação de um botão para que o carro estacione sozinho em uma vaga de mercado, por exemplo. Como se fosse algo cotidiano, com a ajuda desse botão você para na frente da vaga, seleciona uma opção naquele tablet gigante e o carro começa a manobrar sozinho, de ré, para se encaixar entre dois outros veículos. Admirável, também, é a resposta do carro quando o motorista pisa no acelerador. Os modelos são potentes e, como em todos os carros elétricos, entregam toda a força do motor já no primeiro instante em que se acessa o pedal da direita. A sensação de pressionar com força o acelerador é parecida com a do início de uma viagem em montanha russa. Some-se isso ao fato de que as baterias estão ficando cada vez mais baratas e potentes e você entenderá porque a maior parte das montadoras já resolveu que o futuro de seus modelos serão os carros elétricos. Volvo, a partir de 2019, e Jaguar (a partir de 2020), por exemplo, já decidiram que seus modelos futuros serão totalmente eletrificados.

MOBILIDADE ALÉM DAS QUATRO RODAS E como ficam os outros modais? Pelo que pudemos ver, também serão altamente impactados pelo ecossistema das startups desenvolvidas no Vale do Silício. Depois de testar os carros da Tesla e parar para um hambúrguer na hora do almoço, desembarcamos na Limebike. Essa startup, com menos de 1 ano e meio de

existência, já oferece bicicletas, bicicletas elétricas e scooters em mais de 50 cidades nos Estados Unidos e da Europa. Hoje, eles operam mais de 35 mil veículos no total, todos no modelo de compartilhamento free float. Nesse sistema, as bicicletas não ficam em uma estação e podem ser retiradas e devolvidas em qualquer ponto da cidade. Basta usar o aplicativo para localizar o veículo disponível mais próximo de você, desbloqueá-lo e, após o uso, deixá-lo próximo ao seu destino final. O preço para usar é de 1 dólar para até 30 minutos, para bicicletas, e de 1 dólar para desbloquear + 0,15 centavos de dólar por minuto para os patinetes elétricos. Ideal para os trechos mais curtos de deslocamento urbano (aquela famosa última milha). Quando é necessário implementar estações para deixar as bicicletas, como na maioria dos serviços desse tipo, há um custo para a construção das estações onde usuários deixam e retiram as magrelas. Aí está o grande diferencial dos modelos free float. Se no modelo convencional as cidades precisam desembolsar algo em torno de 6 mil dólares para cada estação de bicicleta, no modelo free float não é necessário investimento público algum. Segundo Stuart Anderson, especialista em gestão de demanda de viagens, o principal fator de escolha entre diferentes meios de transporte é a comodidade. “As pessoas amam conveniência”, explica. Nos modelos de compartilhamento free float, carros bicicletas ou patinetes ficam soltos e, se estiverem disponíveis, podem ser usadas por qualquer pessoa que quiser. Conveniente.

Nos modelos de compartilhamento free float, carros bicicletas ou patinetes ficam soltos e, se estiverem disponíveis, podem ser usadas por qualquer pessoa que quiser. PARAR REVIEW MAGAZINE

institutoparar.com.br

45


headline Por Pedro Conte

> Googleplex: sede do Google nos EUA

Esse é o modelo de transporte interno (bicicletas free float) que encontramos no campus do Googleplex, nossa última visita no Vale. Mas antes, uma paradinha na Apple, uma das empresas mais admiradas (e valiosas) do mundo. O Apple Visitor Center é uma das instalações mais novas da Apple e fica ao lado do Apple Infinity Loop, a estrutura que a gigante de tecnologia montou para hospedar as estações de trabalho de seus 12 mil funcionários. Tudo na estrutura é superlativo e minimalista, um paradoxo que só é possível entender na prática, visitando o local. Um exemplo: o restaurante para os funcionários é um dos maiores do planeta (abriga 4 mil pessoas sentadas), mas as portas são todas de vidro, como nas lojas da marca. Resultado, a maior porta de vidro do mundo, e os funcionários nem se dão conta de que ela está lá. Essa parece ser uma filosofia da empresa como um todo. A Apple tem um dos projetos de carro autônomo mais bem guardados da indústria. Ninguém sabe ao certo o que eles estão desenvolvendo ou quando pretendem lançar algo mais concreto. Ainda assim, a empresa é dona do segundo maior número de permissões para testar carros autôno-

46

PararReviewMagazine

> Veículos do Google Street View

mos na Califórnia. Já são 55 permits no estado, número que supera concorrentes como Waymo (Google), Uber ou Tesla. A Apple só fica atrás da GM Cruise, que tinha 104 permissões no momento em que eu escrevia esse texto. Saindo da Apple, o destino não poderia ser mais esperado. Nossa última visita no Vale do Silício seria um tour na empresa que é, de certa forma, um dos maiores símbolos da região. O Googleplex tem uma estrutura para 20 mil pessoas e nós teríamos a oportunidade de fazer um tour por lá com o acompanhamento de um dos funcionários. Nosso guia, o engenheiro Neil Hendin, havia acabado de receber uma promoção, um dia antes de nos receber. Atuando no Google há mais de 7 anos, Hendin contribuiu pessoalmente em cinco das patentes que o Google desenvolveu e tem trabalhado em diversos projetos do setor de hardwares. Hendin nos contou que, atualmente, 100% dos data centers do Google são abastecidos com energia limpa, um exemplo de como mesmo grandes operações podem ser ambientalmente sustentáveis. Em outro relato, o engenheiro nos exemplificou como uma empresa pode continuar atuando de forma dinâmica, disruptiva e com alma de startup, mesmo tendo que carregar uma estrutura de de-

zenas de milhares de funcionários. Foi com esse tipo de atitude que o Google criou o Google Maps. Hoje uma das ferramentas mais conhecidas da Google, o Maps era uma solução de mobilidade inicialmente abastecida pela Navteq. Contudo, poucos anos após a criação da plataforma do Google (que tinha interesse em usar o Maps para geolocalizar seus anúncios online, ainda hoje sua principal fonte de receita), a Navteq foi comprada pela concorrente Microsoft no pacote da aquisição da finlandesa Nokia, em 2013. Percebendo que passariam a depender de um competidor para realizar as atividades, eles tomaram a decisão de dirigir pelas ruas de cada país, coletar informações e criar um novo mapa. Parecia absurdo, mas o projeto era importante demais para que corresse o risco de ser interrompido por outra empresa. Dentre as empresas que conhecemos, o Google foi a que apresentou melhores propostas de mobilidade corporativa. Vimos por lá ônibus fretados que deslocam funcionários de casa para o trabalho, bicicletas espalhadas por todo o campus, jornadas flexíveis de trabalho, soluções de recarga de veículos elétricos gratuita para funcionários, boa estrutura de estacionamento, entre outras iniciativas.


Edição 14 | Julho de 2018

> Evento NAFA I&E 2018

A briga pelas mentes mais brilhantes no Vale do Silício é grande e o Google claramente se posiciona para que a mobilidade corporativa seja um dos fatores a seu favor na hora de contratar e manter funcionários. Com essa impressão, terminamos as nossas visitas no Vale do Silício. Nossa próxima parada: dois dias no maior evento de gestão de frotas do mundo. Um ótimo lugar para debater as soluções de mobilidade corporativa dos próximos anos.

GESTORES REUNIDOS EM ANAHEIM, CA Quase cinco minutos. Era esse o tempo que eu demorava para sair do elevador do hotel em que estávamos hospedados e chegar até o quarto em Anaheim. O fato de demorar tanto para andar dentro de um mesmo prédio me fazia pensar em quanto ainda há por fazer com relação à mobilidade. E em como esse era um dos maiores hotéis que eu já tinha visto na vida! Nossa delegação chegou à NAFA I&E, o maior evento de gestores de frotas do mundo com cerca de 25 pessoas. Durante a I&E, são diversas trilhas de conteúdo simultâneo, sempre específico para gestores de frotas. Há de tudo: desde cursos para iniciantes até academias para gestores globais. De palestras motivacionais a relatos de estratégias para redução do TCO. Entre as sessões, dois períodos livres para que visitássemos a feira de exposições com mais de 250 estandes, uma oportunidade única para conhecer o que há de mais recente no mundo da gestão de frotas leves e pesadas.

Em meio aos espaços reservados a montadoras, locadoras, softwares de gestão, telemetria, customização e outros provedores de serviços, notei uma diferença para o evento de 2017, realizado em Tampa, Flórida. Neste ano, as empresas do setor de tecnologia ocupavam um espaço que eu nunca havia visto. Destacaram-se o stand da Microsoft oferecendo seu serviço de mapas, a Nauto (startup que recebeu investimento da BMW iVentures, já citada nesse texto) e a Mobileye, dedicada ao desenvolvimento de carros autônomos e que foi adquirida pela Intel recentemente, pela bagatela de aproximadamente 15 bilhões de dólares. Essa presença maior de setores da tecnologia era coerente com o que havíamos visto no Vale do Silício, nos dias anteriores. A própria Mobileye, por exemplo, acaba de anunciar um acordo com uma montadora (ainda não revelada) para prover sistemas de automação para 8 milhões de veículos em 2021. Vale a pena parar um momento para colocar essa informação em perspectiva. No ano passado, a FCA (leia-se Fiat, Chrysler, Jeep, etc.) vendeu 4,7 milhões de veículos no mundo todo. O acordo anunciado pela Mobileye prevê uma parceria com uma montadora para entregar 8 milhões de veículos com controle autônomo avançado, já em 2021 – muito mais do que as vendas de um ano em uma das maiores montadoras do planeta. Daí o destaque que a Mobileye estava tendo na I&E. Nós estávamos vendo a convergência entre montadoras e empresas de tecnologia acontecer na nossa frente.

UMA PONTE AÉREA QUE SERÁ RETOMADA EM 2019 Na manhã do penúltimo dia de evento, tomamos um café da manhã dentro do evento da NAFA, enquanto acompanhávamos um debate com C-Levels de algumas das principais montadoras do mundo. Ford, GM, Toyota e FCA comentavam algumas das tendências para o setor, como o papel de montadoras e concessionárias num cenário futuro que apresenta a mobilidade cada vez mais como um serviço do que como algo relacionado a ativos específicos. Minha impressão foi a de que as montadoras já perceberam que o jogo está mudando rapidamente e têm apresentado soluções bastante relevantes – como o sistema Maven de compartilhamento de carros, da GM. Mas ficou uma sensação no ar de que muitas delas não vão conseguir acompanhar a evolução do mercado no ritmo necessário. Se tivesse que apostar, diria que metade das montadoras de hoje vão sucumbir nos próximos anos, enquanto a outra metade vai conseguir fazer a transição para o mercado da mobilidade e crescerá a passos largos por outras décadas mais. Nas palavras de Dave Depew, Gerente Geral e responsável pela área de vendas para frotas da Toyota, “mais mudanças acontecerão nos próximos 20 anos que nos últimos 40”. Escrevendo esse texto, já de volta ao Brasil, tenho a sensação de que já no ano que vem, na I&E que acontecerá em Louisville, Kentucky, nos depararemos com tecnologias ainda mais surpreendentes. Parece pouco provável que o Vale do Silício fique quieto até lá. 

institutoparar.com.br

47


INSIDE Por Flavio Tavares Idealizador do Instituto PARAR

empo é vida, concorda? O que marca a passagem do tempo não são as horas e sim o que você fez para viver esse tempo. Já dizia Einstein: “o tempo é relativo” e, por isso, não pode ser o mesmo para todo mundo. Outro gênio que estou tendo o imenso prazer de conviver, meu querido amigo Hans Donner, também concorda: ele criou um relógio sem ponteiros, em que cada um é livre para viver seu tempo de acordo com o próprio ritmo. Se tempo é vida, o que fazemos com o nosso tempo é muito precioso. Tem inúmeras coisas que não conseguimos controlar: quanto

48

PararReviewMagazine

tempo teremos na Terra e o que o tempo futuro - ou a vida futura - nos reserva. Mas tem tantas outras coisas que só dependem de nós… e dedicar seu tempo para alguém ou alguma coisa é uma escolha cuidadosa, porque doar seu tempo é doar a sua vida. E, quando o assunto é trabalho, mundo corporativo, business, ou qualquer outro termo que você prefira usar, o cuidado deve ser dobrado, triplicado, multiplicado! Se juntar as horas que você passa na empresa, mais o tempo de deslocamento entre casa e trabalho, mais as horas extras, mais aquele happy hour da firma em que, vamos combinar, só se fala de trabalho, mais as ligações atendidas, os e-mails

respondidos, os áudios do Whatsapp (tudo fora de hora, ou estou exagerando?), você vive para trabalhar. E, agora sim, eu chego no ponto central desse texto: o Vale do Silício não me representa! Calma, vou explicar. Vivenciei quatro dias de Vale na última semana de abril e, a cada nova experiência, minha cabeça fervilhava de ideias ao mesmo tempo que meu coração se enchia de uma certa ansiedade negativa. Sim, o ambiente tem um encanto surreal: inspirador, com projetos super disruptivos, com pessoas desprovidas de preconceitos e dispostas a mudar o mundo pra melhor. Mas, eu vi coisas nas entrelinhas que estão muito distantes do novo mundo que imagino

Fotos: © Shutterstock / Arquivo pessoal

O VALE DO SILÍCIO ME REPRESENTA o ã n


Edição 14 | Julho de 2018

para o meus filhos, Rique e Matteo, para os seus filhos e para toda nova geração que vem aí. Para mim, não faz sentido viver para trabalhar se o propósito do trabalho for ganhar muito dinheiro, ser adorado por um chefe, ser bem sucedido ou criar uma grande inovação. Falo isso de todo meu coração. Não é pra isso que serve o trabalho. Eu gosto muito daquela frase que roda por aí dizendo: “faça o que você ama todos os dias e nunca terá que trabalhar um dia sequer”. É isso! Eu sempre digo que a alma do negócio é a própria alma. Precisa ser tudo uma coisa só: família, trabalho, amigos, saúde, felicidade, amor. Tudo isso é vida, e é pra isso que quero dedicar meu tempo. O que vivenciei no Vale do Silício é que esse é o discurso, mas o verdadeiro propósito é vender seu projeto por 1 bilhão. Lá, as empresas são cools e tem até máquina de lavar ao lado da sua estação de trabalho, mas o propósito de tanto conforto é você passar 16 horas do seu dia criando coisas extraordinárias para que o projeto não valha mais 1 bilhão, e sim 10. Ficou evidente para mim que o clima do Vale gira em torno de 3 objetivos: serem deuses, ou seja, criar coisas que vão além da capacidade humana a qualquer custo; serem eternos, ou seja, perder um tempo precioso com o objetivo de ganhar mais tempo (que sentido faz isso, não é?); e, não menos importante para eles, alcançarem a todo custo a felicidade, como se ela fosse o fim (e não o meio). Nos meus poucos dias de imersão, percebi que é humanamente impossível trabalhar no Vale do Silício e cuidar de uma casa, ser um marido dedicado e um pai presente. É bem óbvio que se trata de uma escolha. Outro incômodo forte que senti foi o excesso de glamourização na região (e, vamos combinar, glamour está longe de ser um valor importante para o mundo). Em vez de enxergar a cidade dos Jetsons, o que fiz foi ver um trânsito altamente caótico, poucas opções de modais alternativos, deslocamentos em horários de pico desumanos, tudo longe de ser uma “cidade” inteligente. Tive essa percepção em minha breve passagem por lá e voltei pensando que não era possível que só eu achasse isso. E não era mesmo. Me deparei com um artigo (muito bom por sinal) da Preethi Kasireddy, engenheira de blockchain que depois de 6 anos no Vale do Silício tinha decidido que iria deixá-lo. No texto, ela destaca diversas razões que a incentivaram a fazer essa escolha, entre elas, que o lugar mais inovador do mundo parece ter sido tomado por uma onda de similaridade. Não há diversidade no Vale. E, aqui, não estamos falando de nacionalidade ou de gênero, mas sim de pensamento. Todos parecem contar a mesma história, ter

os mesmos sonhos e objetivos. É o que eles chamam de “groupthink”, pensamento de grupo. Isso quer dizer que as mentes mais brilhantes do planeta são, na verdade, uma massa de ideias e ideais. Como ela mesmo cita no artigo: “Silicon Valley is paradoxically a predictable place founded on the idea of being unpredictable” (“O Vale do Silício é paradoxalmente um lugar previsível fundado na ideia de ser imprevisível”). Entenda, eu admiro muito projetos e pessoas que trabalham para mudar o mundo. Afinal, são essas inovações e essas tecnologias que estão resgatando conceitos de cooperativismo, compartilhamento e comunidade que eu tanto admiro e tanto quero para os meus filhos. Mas, antes de mudar o mundo, não esqueça que você é o mundo de alguém. Que fazer mais e melhor para as Nos meus poucos pessoas que estão próximas a você é o pridias de imersão, meiro passo rumo ao novo mundo. E que percebi que é você pode construir o lado positivo do Vale humanamente do Silício dentro das suas atividades, dentro impossível da sua empresa, dentro do seus projetos, trabalhar no Vale dentro do seu coração. do Silício e cuidar O Vale não é o único lugar onde as coisas de uma casa, acontecem. Não é o único reduto das menser um marido tes mais brilhantes do planeta. Pelo contrário, você pode mudar o mundo de onde dedicado e um pai estiver. Pode ser quem você quiser de onde presente. É bem quiser. Nem tudo que conta pode ser conóbvio que se trata tado. E nem tudo que é contado realmente de uma escolha." conta. Não viva sua vida correndo atrás do sonho de alguém, não dedique seu tempo (vida) para propósitos que não sejam essencialmente os seus. Não confunda suas prioridades com seu propósito de vida: prioridade muda, tem prazo de validade, o propósito é eterno e dá rumo às suas escolhas. Não viva uma vida mirando no Amanhã. Lembre-se: a felicidade está na jornada e não no destino final. Trabalhe, ame, divirta-se, seja saudável, seja feliz! É para essa unidade que FLAVIO TAVARES eu vivo. É isso que me representa! 

institutoparar.com.br

49


ZOOM Por Karina Constancio

TEMPO

50

PararReviewMagazine

Fotos: © Divulgação

O DESIGNER DO


Edição 14 | Julho de 2018

Um dos maiores gênios criativos do mundo tem um novo desafio: redesenhar o tempo e desacelerar o mundo

ascido na Alemanha, Hans Donner viveu parte da sua vida na Áustria, mas se orgulha em dizer que é brasileiro de coração. Aqui, casou (duas vezes), teve seus filhos e foi também, neste país, que ele idealizou, e realizou, seus maiores sonhos profissionais. Com uma trajetória daquelas que parecem ter sido roteirizadas por alguns dos maiores cineastas do mundo, ele teve a sorte de se encontrar com as pessoas certas, nos momentos certos. Mas, Hans não gosta muito de sorte, prefere a palavra destino. E depois de conhecer sua história, é difícil não concordar com ele. O criativo, responsável por criar a identidade visual da Rede Globo, estudou design em Viena, e, em 1974, depois de ler uma revista sobre o nível do design e da publicidade no Brasil, decidiu que iria vir para cá. Porém, sua ligação com o nosso país começou muito antes. “É uma coisa meio mágica”, revelou. Na Copa do Mundo de 1958, Hans tinha apenas 10 anos e teve a oportunidade de ver os jogos na garagem de um vizinho que tinha comprado uma televisão, alguns dos poucos na época. Foi ali que se apaixonou pelo Brasil, vendo Pelé e Garrincha fazer coisas extraordinárias em campo. Depois dos jogos, eles iam para o fundo do quintal

brincar. Hans costumava ser o goleiro Gilmar e seu irmão, Pelé. “A imagem do Pelé chorando no peito do Gilmar, depois ter conquistado o primeiro título mundial, ficou marcada para sempre na minha memória. Muitos anos depois, tive a chance de contar isso para ele pessoalmente”, disse. Esse menino, que viu a seleção jogar, cresceu, estudou arte, e se pegou novamente apaixonado pelas criações brasileiras. “Foram muitos os sinais que me diziam para vir para o Brasil”. Contrariando o que diziam familiares e amigos, arrumou as malas, pegou um avião e, no auge dos seus 25 anos, desembarcou no Rio de Janeiro com o desafio de conseguir um emprego em apenas 20 dias sem saber falar uma palavra em português. Foi uma saga. Visitou as principais agências do país, com seu portfólio na mão, na esperança de conseguir uma oportunidade. O resultado era sempre o mesmo: elogiavam seu trabalho, o chamavam de gênio, mas não o contratavam. Depois do último “não”, já desanimado, Hans estava decidido que ia voltar para a Áustria. Foi quando, no elevador, encontrou um rapaz que, para sua surpresa, começou a conversar com ele em inglês. “Foi ele que me abriu a porta para ter o melhor emprego de designer de televisão de todos os tempos”, destacou. Ele colocou Hans na frente do Walter Clark, um dos

institutoparar.com.br

51


ZOOM Por Karina Constancio

Eu saí daquela sala com a promessa de um salário maravilhoso, pegando um avião de volta para a Áustria, antes de me mudar de vez para cá, e, no avião, desenhei o logotipo da Globo em um guardanapo. Essa, que está impregnada na retina de milhões de pessoas.” HANS DONNER

maiores executivos do país, que começou a Rede Globo. Clark concordou que ele seria o designer a fazer a marca da Globo e estaria à frente do departamento de arte da emissora. “Eu saí daquela sala com a promessa de um salário maravilhoso, pegando um avião de volta para a Áustria, antes de me mudar de vez para cá, e, no avião, desenhei o logotipo da Globo em um guardanapo. Essa, que está impregnada na retina de milhões de pessoas”, contou. De lá para cá, foram inúmeros trabalhos, que até hoje estão gravados na memória e fazem parte da vida dos brasileiros. Foi ele o responsável pelas icônicas aberturas do Fantástico, a vinheta do Plantão da Globo, as aberturas históricas de novelas, como “Que rei sou eu?”, “Roda de Fogo”, “Ti Ti Ti”, “O Dono do Mundo”, “Por Amor”, “Tieta”, “Deus nos Acuda”, “Brilhante”, “Selva de Pedra” e “Elas por elas”. Em 1990, criou a inesquecível vinheta da Globeleza, personificada pela bailarina Valéria Valenssa, esposa de Hans. Segundo ele, a Rede Globo começou a vender programas para o mundo inteiro só pelas aberturas. “Eu sempre tive liberdade para criar. O Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) só me falava: ‘Detona - só quero o melhor do mundo'. Ele era um visionário”, ressaltou. A partir de 1980, Hans passou a utilizar a computação gráfica em suas produções. Mesmo assim, era muito pouco.

52

PararReviewMagazine

Algumas de suas mais marcantes aberturas foram feitas apenas com maquetes e figurantes. Ele não cansa de falar que prefere trabalhar com gente do que com máquinas. É esse apreço pelo “humano”, pelas pessoas e pela vida, que está impulsionando Hans para um lugar que talvez seja o seu projeto mais ambicioso.

TIME IS LIFE “Time is life”, em português, “tempo é vida”. Esse é o conceito primordial que está levando Hans Donner a uma jornada que já dura 32 anos. O objetivo: redesenhar o tempo. Mudar a forma para o qual olhamos a nossa vida, inverter valores, trocar o Chronus pelo Kairós. Propor uma nova linguagem visual para a incessante relação entre o homem e o tempo. Na mitologia grega, Chronus é a personificação do tempo como conhecemos hoje. Aquele que conta, regula, devora. Já Kairós, filho mais novo de Zeus, era conhecido por não seguir o Chronus. Por ser dono do seu próprio tempo. O relógio, desenhado por Hans, continua marcando o tempo, assim como seus similares, mas a troca dos ponteiros por discos com degradês em movimento passam paz e tranquilidade. É um relógio, mas sem pressa. Em um mundo onde todos parecem correr contra o tempo, onde nos deparamos com a máxima de que tempo é dinheiro, Hans nos


Edição 14 | Julho de 2018

propõe um novo olhar: onde tempo é, essencialmente, vida. “O Brasil merece ter um novo tempo, merece ser o país que irradia essa nova forma de ver o tempo. Tem tudo a ver com o Brasil, um país que também está sendo sugado por essa loucura da tecnologia, mas que está acostumado a dar vida para o mundo. Eu sonhava com isso, mas não aconteceu antes, porque agora é momento. Eu quero retribuir tudo o que o Brasil fez por mim. Será uma mensagem do Brasil para o mundo”, destacou. Mais pertinente do que nunca, a preocupação com o tempo e o sonho de redesenhá-lo estão na mente, e no coração, de Hans Donner há mais de 30 anos. Muitas foram as tentativas, parcerias, rotas avançadas e recalculadas, para chegar no estágio atual de amadurecimento do projeto. Desde um relógio de metal que custava 10 mil dólares e, hoje, estão expostos no Museu de Chicago e de Viena, até os mais variados protótipos que não chegaram ao conhecimento do grande público. Dentro dessa trajetória cheia de encontros e coincidências, tem uma que vale a pena contar, e que Hans revela com brilho nos olhos. Em 1991, ele conseguiu, por intermédio da Globo, entregar uma versão do relógio como brinde para cada um dos convidados de um grande evento organizado pelo então presidente Fernando Collor. Um jornalista suíço que estava presente no evento ficou encantado com o objeto e resolveu fazer uma reportagem com Hans para uma importante revista sobre relógios da Suíça. Essa matéria foi lida por um alemão que, imediatamente, entrou em contato com o jornalista e pe-

diu para conectá-lo com a mente brilhante por trás do relógio. “Ele já tinha feito um relógio onde os ponteiros eram substituídos por três discos para um amigo cego e me falou: ‘eu faço seu relógio’. Foi ele que fez meu relógio acontecer”. Mas não pára por aí. Esse jornalista suíço desapareceu da vida de Hans por 25 anos. Só foi dar notícias novamente há 2 anos, quando, em uma viagem para Turquia, para entrevistar um dos maiores colecionadores de relógio do mundo, viu uma matéria sobre Hans em uma revista de Frankfurt e resolveu entrar em contato para ver como poderia ajudar a fazer aquele sonho de desacelerar o mundo acontecer. Os dois se encontraram e, no meio do bate-papo, o jornalista alertou Hans que o nome que ele queria dar ao relógio, Kairós, não poderia ser usado, porque um chinês tinha acabado de lançar um relógio com esse mesmo nome. Inquieto com a notícia, Hans entrou em contato com esse chinês e, por coincidência, ele estava vindo para o

Rio de Janeiro. Resultado: viraram amigos e, hoje, ele é o fabricante oficial do Onne Watch. “O Onne surgiu depois que eu tive que abandonar o Kayrós. Além de significar único, se você acrescenta o “d” no começo e o “r” no final, fica Donner, o meu nome. É incrível como as coisas aconteceram e me trouxeram até aqui. Eu não tenho que fazer a minha biografia, eu tenho que fazer biografia da história de um novo visual do tempo”, afirmou. Os interessados em saber mais sobre o projeto podem acessar onnewatch.com.br. O lançamento global do relógio, via crowdfounding, está programado para final de julho e você poderá ser um dos primeiros a ter um Onne no pulso. Aliás, esse novo olhar para o tempo será tema do Carnaval 2019 através do enredo da Mocidade Independente. Com o lema “Eu sou o Tempo. Tempo é Vida”, o carnavalesco Alexandre Louzada promete surpreender ao contar a história do tempo, o que ele significa para diversos povos, e qual papel ele deve exercer na nossa vida hoje. E também é um dos conceitos primordiais da Welcome Tomorrow 2018, o maior evento de mobilidade do mundo, que será organizado pelo Instituto PARAR, em São Paulo, nos dias 29, 30 e 31 de outubro. Hans Donner é um dos palestrantes confirmados no evento e vai colocar o tempo em destaque no palco. Para mais informações, acesse wtm18.com.br. 

institutoparar.com.br

53


tips & cases Por Beatriz Pozzobon

SEMÁFOROS

INTELIGENTES U

m dos grandes problemas dos centros urbanos no mundo moderno é o congestionamento de veículos, que afeta diretamente a produtividade, a qualidade de vida e a economia de um país. Uma das formas de melhorar esse gargalo é investir em novas maneiras de gerenciar o trânsito. Neste sentido, é primordial dar atenção para a rede semafórica, que controla o fluxo de veículos das principais ruas e avenidas das cidades, sendo responsável pela melhoria da fluidez do trânsito. Foi pensando em melhorar a mobilidade nos grandes centros que a Serttel, empresa de tecnologia que oferece soluções inovadoras para mobilidade, comodidade e segurança da população nos ambientes urbanos, desenvolveu um sistema para gerenciar semáforos de forma inteligente.

54

PararReviewMagazine

Lançado este ano, o novo sistema de Gestão de Redes de Semáforos é chamado de TrafGo e utiliza inteligência artificial para otimizar ciclos, defasagens e frações de verdes dos semáforos, reduzindo o tempo de deslocamento dos veículos. Para tanto, o sistema desenvolvido foi criado de forma integrada com a maior plataforma de rastreamento de veículos, o Google Maps. “O sistema utiliza informações de trânsito coletadas da nuvem do Google Maps. Os veículos enviam informações do GPS dos smartphones para a nuvem e Google nos fornece os dados de fluxo em tempo real. O TrafGO analisa os indicadores utilizando algoritmos inteligentes e ajusta os tempos dos semáforos melhorando o fluxo de veículos nas vias”, explica Leonardo Nunes, diretor de gestão de tráfego da Serttel. Além da otimização semafórica e a consequente redução dos

tempos de viagens dos veículos, o TrafGO também insere as redes semafóricas nas plataformas de Big Data e de IoT (internet das Coisas) das Smart Cities. O que potencializa a oferta de serviços de mobilidade inteligente, como por exemplo: criação de rotas especiais para veículos de emergência e organização de grandes eventos, como também a interagir com os aplicativos de navegação (Google Maps e Waze), induzindo de forma inteligente o fluxo nas cidades. “Na era dos carros conectados e induzidos por aplicativos, a implantação de um controle semafórico inteligente e mais voltado para otimização dos grandes corredores arteriais da cidade é fundamental para melhoria do tráfego de veículos”, destaca Nunes. “Dessa forma é possível reduzir o tempo de deslocamento de uma maneira segura e eficiente, além de criar um ciclo virtuoso com os aplicativos de

Foto: © iStockphoto / Arquivo

Em parceria com o Google Maps, sistema integra rede de semáforos com os aplicativos de navegação e reduz o tempo de deslocamento no trânsito


Edição 14 | Julho de 2018

Na era dos carros conectados e induzidos por aplicativos, a implantação de um controle semafórico inteligente é fundamental para melhoria do tráfego de veículos”. LEONARDO NUNES,Diretor de Gestão de Tráfego da Serttel

COMO FUNCIONA O TRAFGO?

Veículos enviam informações de rastreamento do GPS dos smartphones

O Google analisa e classifica o crowdsourced data e gera indicadores de tráfeco em tempo real.

navegação, que passariam a optar mais por rotas preparadas para atender altos fluxos de veículos”, completa o diretor. A Serttel propõe ainda a adoção de uma tecnologia de controle semafórico adaptativo baseado em Float Car Data (FCD), que tem sido alvo de estudos de todos os grandes players do mercado de sinalização semafórica. Este tipo de solu-

A TrafGO Analisa os indicadores utilizando algoritimos inteligentes e ajusta os tempos dos semáforo.

ção elimina os principais problemas para a manutenção do sistema, pois ele não necessita de sensores físicos instalados na via, uma vez que as informações sobre o deslocamento das pessoas são capturadas pelos smartphones delas. Assim, o sistema da Serttel tem baixos custos de implantação e de manutenção, se comparada às soluções antigas do mercado.

Os semáforos executam os tempos enviados pela central.

Ainda segundo Nunes, a solução está pronta para comercialização e já está implementada como piloto em Recife (PE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), João Pessoa (PB) e São José dos Campos (SP). Nas cidades implementadas, já foi possível reduzir em até 40% o tempo de viagem das pessoas que circulam nestes locais. 

institutoparar.com.br

55


headline Por Ana Luiza Morette

O bikesharing, ou compartilhamento de bikes, surge como nova alternativa de modal nas grandes cidades e resgata a relação com a bicicleta como meio de transporte

56

PararReviewMagazine

Fotos: © iStockphoto / Divulgação

EM DUAS RODAS: O FENÔMENO DO


Edição 14 | Julho de 2018

É

difícil encontrar alguém que, na infância, não tenha aprendido a pedalar. Ou alguém que nunca tenha recebido uma encomenda, seja da farmácia ou da padaria, por uma bike. Tem também os que reservam suas horas de lazer para um passeio de bicicleta, no parque da cidade ou na orla da praia. O fato é que é muito raro se lembrar de alguma fase em que as bikes não estivessem presentes - bicicleta não é novidade. Mas, novidade mesmo é saber que bike é, além de tudo isso, modal de transporte. Agora, entre carros, ônibus e carona, ir de bicicleta pro trabalho é mais uma opção. O desafio, no entanto, é criar uma estrutura para tornar esse um modal mais acessível a todos. Tornar a bicicleta um modal acessível exige otimizar planos de mobilidade de empresas e até de cidades inteiras - adaptações necessárias para se tornarem bike friendly. E, ao contrário do que muita gente pensa, ser uma cidade ou empresa bike friendly é mais do que oferecer ciclovias. Quem anda de bike sabe que é necessário um suporte que vai além: uma empresa que quer incentivar o uso de bikes dos seus funcionários deve, por exemplo, disponibilizar um bicicletário, um vestiário e até um auxílio manutenção para as bicicletas - é uma opção inclusive de substituir o vale transporte. Para as cidades, um trânsito organizado e seguro é mais que necessário: as ruas precisam ser organizadas e bem pavimentadas e os motoristas conscientes de que estão dividindo espaço com os ciclistas, e isso vale principalmente para as áreas que ainda não tem uma ciclovia disponível. Ademais, o planejamento cicloviário depende de um grande passo: nenhuma cidade pode ser considera-

da bike friendly sem um bom sistema de bikesharing. O incentivo ao uso das bicicletas cresce quando a população tem uma acesso fácil e barato ao modal e quando ele pode estar interligado a outros modais - algumas estações de metrô em São Paulo, por exemplo, disponibilizam o aluguel de bikes. O desafio, no entanto, é esperar que a iniciativa de tornar-se uma cidade bike friendly parta somente dos órgãos públicos. Por isso, muitas empresas estão trabalhando no propósito de consolidar as bikes como opção de transporte, seja disponibilizando os modais para sua empresa ou para toda uma cidade. É esse o objetivo da gigante chinesa Mobike: expandir o bikesharing pelo mundo. A empresa é a maior do mundo na área: a trajetória começou em 2015 e desde então só tem crescido - hoje, a operação envolve mais de 200 cidades em 18 países, onde estão espalhadas 9 milhões

de bikes e deve chegar a São Paulo ainda no segundo semestre de 2018. Chris Martin, vice-presidente da empresa, conta que a expansão envolve alguns desafios: a negociação é diretamente feita com as cidades e não com países inteiros, por isso, esse é um processo longo, apesar de não ser difícil. As diferenças culturais entre as cidades que vão receber as bikes também impactam na hora da negociação: é preciso pensar em novas estratégias de acordo com o público, segundo ele. Para chegar ao Brasil, a primeira cidade escolhida foi São Paulo que, apesar de toda a burocracia, apresentou uma prefeitura visionária e proativa na implantação do projeto. A Mobike chega para integrar um plano da Secretaria de Mobilidade e Transportes, que envolve outras empresas de bikesharing.

institutoparar.com.br

57


Edição 14 | Julho de 2018

headline Por Ana Luiza Morette

“Nós queremos trabalhar juntos com os órgãos públicos para analisar bem os dados e entender quais tipos de modificações na infraestrutura são necessárias para cidade funcionar melhor.” RENATO FREITAS co-fundador da Yellow

A Mobike se destaca ainda pela tecnologia: a companhia foi a primeira em oferecer o aluguel de bicicletas em um sistema dockless, ou seja, sem cadeados ou estações. As bicicletas ficam espalhadas pela cidade e são desbloqueadas via app, a partir de um código QR. A preocupação que surge é quanto a segurança das bikes: sem uma estação fixa, a chance de furtos e roubos é maior, mas a Mobike tem uma estratégia para combater o vandalismo. As bikes são todas fabricadas pela empresa, com peças exclusivas e que só funcionam nas bicicletas da marca e com um sistema de GPS integrado. O dockless, todavia, é um desafio também para a reeducação dos usuários. É preciso um controle de onde as bikes são deixadas após o uso, já que elas podem acabar atrapalhando quando deixadas no meio da calçada ou até nas ruas. Por isso, o GPS também serve para manter a equipe atualizada em relação a posição das bicicletas e, quando necessário, distribuí-las melhor de acordo com a demanda ou segurança do local.

INICIATIVA BRASILEIRA Renato Freitas e Ariel Lambrecht são os fundadores da recém criada Yellow, mas já estão no ramo da mobilidade há anos: a 99, aplicativo de táxi que agora opera nas mãos de chineses, também foi ideia da dupla que agora, em parceria com

58

PararReviewMagazine

Eduardo Musa, está fundando a startup de bikesharing. A inspiração para o novo negócio veio dos tempos da 99, explica Renato Freitas: “Quando eu ainda estava na 99 era apaixonado por um problema: Nos horários de pico, em regiões como a Vila Olímpia, as ruas estão lotadas de carros parados. Não tem tecnologia que resolva isso em curto prazo, não dá pra resolver esse problema com melhores algoritmos de rotas ou de encontrar motoristas mais próximos. Mas, nestes mesmos lugares, as ciclovias estão livres”. A Yellow também integra o plano da Secretaria de Mobilidade e Transportes de São Paulo e vai colocar as bicicletas nas ruas com o sistema dockless. O plano piloto da Yellow deve começar em agosto de 2018, colocando 20 mil bikes nas ruas da capital paulista. O projeto, explica Freitas, é resultado de uma parceria com órgãos públicos que querem preparar as cidades para esse novo mindset. “Nós queremos trabalhar juntos com os órgãos públicos para analisar bem os dados e entender quais tipos de modificações na infraestrutura são necessárias para cidade funcionar melhor”, explica ele. Quanto ao vandalismo, a Yellow mantém a estratégia da Mobike: as peças das bicicletas serão incompatíveis com outros modelos, todos as bikes são rastreadas e uma equipe estará nas ruas cuidando da disposição das bicicletas e da manutenção das mesmas. Falando em manutenção: Freitas explica que as bicicletas foram pensadas para serem simples, mas de qualidade, preparadas para os possíveis desgastes que ficar ao ar livre possa causar, além disso, os pneus funcionarão sem câmara de ar, evitando furos. A simplicidade no modelo das bikes também tem outra razão, o fundador da startup conta que a filosofia da inclusão é uma das prioridades da empresa. “Bikes mais simples permitem um aluguel mais barato”, garante Renato. Segundo Renato Freitas, é preciso repensar a mobilidade como um todo para fazer o plano funcionar. O uso das bikes oferece uma nova opção de modal para trajetos muito longos para serem feitos a pé ou muito curtos para serem feitos de carro ou de metrô ou, ainda, uma opção de deslocamento entre estações de metrô e o local de trabalho, por exemplo: “As pessoas que andam 20 minutos para chegar na estação de metrô podem ir de bicicleta e chegar em menos de cinco minutos. Isso é ganhar meia hora todo dia na sua vida”. 


headline Por Karina Constancio

QUE CONECTA MÉDICOS A PACIENTES

É

fácil enxergar, no nosso dia a dia, o quanto a tecnologia impacta - e facilita - a nossa vida nos mais diversos aspectos. A internet nos permite encurtar distâncias, nos dá acesso a uma infinidade de serviços e nos coloca a apenas um clique de uma série de comodidades que nos dão mais tempo e qualidade de vida. Estamos, já, podendo usufruir de um presente muito mais digital e conectado. Esse novo mundo está inaugurando uma nova era para a saúde. Com pouco mais de 20 anos de existência aqui no Brasil, a telemedicina parece um caminho sem volta. O objetivo: levar atendimento médico para lugares de difícil acesso, conectar especialistas a pacientes que precisam de cuidados e tirar qualquer barreira geográfica que impeça o tratamento de qualidade. Os primeiros passos dessa modalidade foram dados em Israel, em meados da década de 1950, quando poucos hospitais utilizavam televisões para chegar a pacientes em locais remo-

60

PararReviewMagazine

tos. De lá para cá, os avanços dos meios de comunicação, com a chegada dos computadores, tablets e smartphones, permitiram que a telemedicina se espalhasse rapidamente. Hoje, ela abrange toda prática médica realizada à distância. Entre as regiões que se destacam nesse tipo de atendimento estão Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa. No Brasil, o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, é referência no assunto. “Basicamente, nós colocamos qualquer profissional de saúde em tempo real em contato com o paciente que precisa”, explicou o Dr. Eduardo Cordioli, gerente médico de telemedicina. O projeto começou em 2012, ainda como um piloto, em parceria com o Ministério de Saúde, para ajudar os médicos que atuavam em prontos-socorros (PS) de hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde) espalhados pelo país. O objetivo era conectar um médico do Einstein, especializado em urgência e emergência, para exercer uma espécie de consultoria, para discutir o caso junto

Basicamente, nós colocamos qualquer profissional de saúde em tempo real em contato com o paciente que precisa” DR. EDUARDO CORDIOLI, gerente médico de telemedicina do Hospital Albert Einstein

Fotos: © iStockphoto / Divulgação

Telemedicina tira barreiras geográficas, evita deslocamentos desnecessários e contribui para um tratamento mais assertivo e de qualidade


Edição 14 | Julho de 2018

com o médico atendente da unidade. “Nós observamos que em 70% das vezes que um médico do PS entrava em contato com o time daqui, a conduta dele era alterada. Por que isso é importante? Porque, geralmente, os médicos que estão no PS estão no início de sua carreira e, a partir da telemedicina, nós conseguimos aproximá-los de profissionais mais experientes, que podem orientá-lo em relação ao caso”. Somente em 2012, foram 140 atendimentos. Disponível para profissionais que trabalham em plataformas de petróleo desde 2014, a telemedicina já conseguiu reduzir em 50% o transporte de funcionários embarcados para a costa em busca de atendimento médico. Além de evitar esse deslocamento, que tem custo alto, quando o transporte é inevitável, a prática tem tornado a operação mais assertiva. “Recentemente, nós atendemos um paciente que estava infartando,

fizemos o diagnóstico através da telemedicina, conduzimos todo o caso desse paciente e escolhemos, dentro da região, qual o hospital que seria mais adequado fazer angioplastia e dar continuidade no tratamento”, contou Cordioli. A telemedicina tem, portanto, a capacidade de agilizar o atendimento, melhorar a eficiência do uso de recursos de saúde, de colocar o paciente certo no lugar certo e garantir a continuidade do cuidado. Outra área de destaque é a teleneurologia, em que um neurologista do Einstein fica à disposição, via telemedicina, de hospitais e pronto-atendimentos que não tem um especialista na área. Para um paciente que sofre de acidente vascular cerebral, por exemplo, tempo é tudo. Quanto mais rápido ele for medicado, melhor é o tratamento. Em uma situação padrão, se o paciente tiver esse diagnóstico em um centro médico onde não se

institutoparar.com.br

61


Edição 14 | Julho de 2018

headline Por Karina Constancio

A Assist Card, empresa de assistência de viagens que atua há mais de 45 anos no mercado, também está antenada às novas tendências que aliam tecnologia e cuidado médico. Eles foram os primeiros a lançar a modalidade de assistência ao viajante e, atualmente, estão presentes em mais de 190 países. Além de um aplicativo inovador com um chat que possibilita a troca de informações com profissionais de saúde, a tecnologia permite que o paciente faça contato com os médicos sem intermediação da Assist Card (autoatendimento) e faça consultas online, através da telemedicina. Com esses benefícios, os viajantes podem agendar a ida de um médico ao seu hotel ou até mesmo realizar uma consulta por meio do aplicativo sem precisar se deslocar. “Nós conseguimos facilitar o primeiro atendimento e ainda oferecemos a vantagem de tornar a comunicação entre as duas partes mais eficiente, já que a barreira do idioma não é um problema”, ressaltou Alexandre Camargo, country manager da Assist Card no Brasil.

tem neurologista, ele deverá ser transferido para um outro hospital. Isso significa perder valiosos minutos no trânsito. “Na teleneurologia, o médico já começa o tratamento do paciente à distância, direcionando o corpo médico e observando se o tratamento está adequado ou não. Além disso, evitamos que pacientes que não precisam da trombólise¹ ou de uma avaliação neurológica vão até um hospital com neurologista. Um dado interessante é que, desde que começamos esse serviço, nós conseguimos reduzir em 25% o número de transferências de pacientes com casos de trauma cranioencefálico”, revelou o Dr. Eduardo Cordioli. A telemedicina também é utilizada no tratamento do tabagismo, onde é possível fazer consultas de psicologia e psiquiatria por videoconferência, e para consulta e acompanhamento com nutricionista. Nesse último caso, o paciente tem duas sessões virtuais, ou seja, deixa de se deslocar duas vezes. Há, ainda, a telemergência ou pronto-atendimento virtual, em que é possível atender pacientes através de qualquer dispositivo móvel com câmera. “Antes, quando o paciente passava mal, ele tinha que ir até a unidade de saúde, lá o médico pedia exames, então, o paciente tinha que ir até o laboratório, depois voltar ao médico para apresentar os exames e receber a indicação do tratamento, aí ainda tinha que ir até a farmácia e comprar o remédio. Hoje, com a telemergência, o médico pode atender o paciente diretamente e, com isso, evita que ele faça essa série de deslocamentos. Além disso, também impede que um paciente que não precisa de ir até o pronto-socorro vá até lá e lote as filas do atendimento”, ressaltou. Eles já atenderam mais de 2 mil pacientes nessa situação e conseguiram evitar a ida ao pronto-socorro em 86% dos casos. “Para esses 14% que precisaram ir até a unidade de saúde, nós conseguimos começar o atendimento, usando o prontuário eletrônico, e quando eles chegaram no hospital, a história médica já estava feita, possibilitando a equipe a dar continuidade no tratamento”, explicou o gerente médico. A maioria dos especialistas do Hospital Albert Einstein atendem, hoje, via telemedicina. Somente em 2017, foram mais de 42 mil casos atendidos. Até o final deste ano, a expectativa é que os atendimentos passem de 100 mil. “Nós acreditamos que não vai demorar muito para que tenhamos mais consultas realizadas com o uso da tecnologia do que físicas. A inteligência artificial vai otimizar ainda mais o cuidado médico”, ressaltou o Dr. Eduardo Cordioli. Ele acredita que até 2022, poderemos ver uma transformação digital completa.  ¹ Processo pelo qual se utiliza medicação para dissolver um coágulo de sangue.

62

PararReviewMagazine


interview Por Loraine Santos

Quantos m2² você realmente precisa para

Em entrevista ao PARAR, Alexandre Lafer Frankel, CEO da Vitacon, fala sobre as inovações que possibilitam uma vida mais adequada às necessidades modernas em grandes centros urbanos

64

PararReviewMagazine

novo mundo da mobilidade que está emergindo nas cidades tem promovido efeitos que impactam todas as pessoas que precisam ir de um ponto ao outro para realizarem suas atividades. O trânsito caótico tem feito muita gente abandonar o automóvel e dar lugar aos aplicativos de carona, Uber e bicicletas, consideradas muitas vezes modais mais eficientes e democráticas. Mas a mobilidade vai além: não é apenas sobre como as pessoas devem se deslocar e, sim, sobre repensar a necessidade desses deslocamentos e, a partir disso, devolver mais vida ao tempo das pessoas. E, quando o assunto é o ramo imobiliário, fica evidente a necessidade de buscar por inovações e tecnologias que possibilitam uma vida leve e humana. A Vitacon, empresa inovadora do setor imobiliário de São Paulo, compartilha desse propósito ao investir em apartamentos mais compactos e descomplicados, que devolvem qualidade ao dia a dia das pessoas. Em entrevista ao PARAR, o CEO Alexandre Lafer Frankel conta mais sobre a mobilidade no cenário da construção civil.

Fotos: Divulgação

MORAR?


Edição 14 | Julho de 2018

PARAR: Como nasceu a ideia de ter a mobilidade como um pilar da VITACON? ALEXANDRE FRANKEL (AF): A VITACON nasceu por causa da mobilidade. Entendemos que o trânsito é a principal dor de quem mora nas grandes cidades. E vamos mudar isso reinventando a forma como vivemos. Minha experiência pessoal de morar perto e ter abandonado o carro me inspiraram nesta jornada. P: Enfrentamos um período complicado, em que a demanda de produtos e serviços era tão alta que SER tornou-se sinônimo de TER. Quando mais, melhor. Hoje, em razão de inúmeros fatores, como a tecnologia, a internet, etc, parece que está havendo uma mudança positiva e valores que antes eram admirados (como pegar uma carona, compartilhar uma refeição, caminhar e aproveitar os espaços públicos da cidade) estão sendo retomados. E a Vitacon foi altamente disruptiva quando resgatou esses valores como parte do negócio da empresa. Para você, como o mundo corporativo pode atuar positivamente nas transformações desse novo mundo compartilhado? AF: Acredito que a transformação deve ser praticada a todo momento. Conheço empresas que poluem os oceanos e tentam zerar a conta doando dinheiro para uma instituição que protege golfinhos. Não acredito neste tipo de ação. Nossos produtos promovem a mobilidade e o compartilhamento de espaços como coworking, lounge coletivo, cozinha compartilhada e sala de ferramentas compartilhadas. Carros, bicicletas, motocicletas também são compartilhadas. Além de melhorar a vida dos nossos membros, produzimos muito menos pegadas ecológicas. P: Dá a impressão que a nova geração está aberta para viver esse mundo compartilhado, compacto, disruptivo. Mas, pensando em pessoas com mais de 50 ou 60 anos, parece que a maioria descredibiliza esses conceitos e não aceitaria fazer parte dessa economia compartilhada, ou trocar uma casa grande de bairro (mesmo considerando o alto custo com reformas e deslocamentos) por um espaço menor, mais econômico e muito mais funcional. Como a Vitacon sente isso no mercado? AF: Isso está mudando. Muitas pessoas com mais de 50 anos buscam as soluções da Vitacon. Uma vida mais prática, mais econômica com mais serviços e segurança e morar perto faz todo sentido. Todos querem viver mais leves e a nova etapa sem filhos (que já saíram de casa) estão super alinhadas com a nossa proposta. P: Ao conhecer cases de cidades inteligentes, como Singapura, por exemplo, a maioria das pessoas tende a pensar que "no Brasil, nada funcionaria". Porém, temos exemplos positivos de cidades menos desenvolvidas que se reinventaram por meio da Mobilidade, como Medellín, por exemplo. Você acha possível que haja uma transformação definitiva no Brasil? AF: Acho que pode melhorar muito. Mas o grande agente transformador das cidades é o mercado imobiliário. Precisamos pensar de forma integrada com os agentes públicos e provedores de transporte coletivo.

P: Levando em conta essa previsão de que as pessoas vão comprar menos e compartilhar mais, como a Vitacon enxerga o futuro do negócio imobiliário no Brasil? AF: Nossa visão de longo prazo é que as pessoas vão comprar cada vez menos. Não faz sentido imobilizar boa parte do patrimônio sendo que a nossa vida muda a cada etapa. Morar sozinho, casar, ter filhos, os filhos saem de casa, mudança de trabalho e entrada na melhor idade são fatores que demandam novas soluções e novas formas de morar. Teremos um aluguel que será reinventado com muito mais serviços, tecnologia e administrado profissionalmente. P: Tem algum projeto novo que vocês estão apostando para os próximos anos? AF: Sim. Escalar a nossa produção e avançar muito nas unidades compartilhadas. Estamos avançando muito no campo da tecnologia agregada ao tijolo através de uma plataforma em parceria com a Intel e a IBM. Nossos clientes vão consumir a moradia como um serviço e não mais como um bem durável. Aguardem, muita coisa nova está por vir para reinventar as nossas vidas na cidade! 

institutoparar.com.br

65


headline Por Pedro Conte

O CARRO E O FUTURO DAS MONTADORAS

D

esde que os carros foram inventados, há mais de 100 anos, o modelo de negócio das montadoras praticamente não se alterou. Em geral, fábrica produz um carro e repassa para um consumidor final, na maioria das vezes com a intermediação de uma concessionária. Então, no ano seguinte, a montadora lança um modelo mais moderno e recomeça o seu ciclo de vendas. Os motores se tornam mais potentes e eficientes, o design fica mais atraente, novos itens de segurança e conveniência são adicionados, mas, na essência, o carro ainda é

66

PararReviewMagazine

bastante similar àqueles automóveis vendidos no começo do século 20. E a forma como eles geram dinheiro para as montadoras, também. A indústria automobilística é também conhecida como a indústria das indústrias, “não somente pelo seu tamanho e importância econômica, mas também por todo o impacto e influência que tem sobre inúmeras áreas da economia como commodities, energia, crédito, tecnologia, etc.”, detalha Ricardo Longo, sócio-diretor da Agência Crowd. E tudo isso muda quando começamos a avaliar o que acontecerá nos próximos 10 ou 20

Fotos: © Divulgação / iStockphoto

Novas tecnologias trazem oportunidades, mas também ameaçam os negócios dos fabricantes


Edição 14 | Julho de 2018

anos com o desenvolvimento da tecnologia dos carros autônomos. A ideia de ter um carro que se conduz sozinho e que pode receber updates durante o seu ciclo de vida vira de ponta cabeça tudo o que conhecemos sobre a indústria automotiva. Isso quer dizer que as montadoras irão acabar? Provavelmente não. Alguém ainda precisará fabricar todas essas peças e colocá-las para funcionar em conjunto. Carros ainda pedirão por serviços de manutenção, componentes serão trocados e melhorias técnicas e mecânicas ainda continuarão em desenvolvimento. Atividades como o design também seguirão avançando dentro do pátio de gigantes como Ferrari ou Volkswa-

gen. Mas será que tudo isso continuará gerando dinheiro como antes, em um futuro de carros autônomos e compartilhados? “Se você prestar atenção aos mais jovens, muitos deles já não compram carros, especialmente se eles viverem em grandes cidades (...) Se estou morando em Nova York, eu não quero pagar para estacionar o carro ou lidar com uma série de outros problemas que aparecem quando tenho um carro”, atesta Sobhan Khani, responsável pela área de mobilidade da Plug and Play, a maior aceleradora de startups do planeta.

institutoparar.com.br

67


headline Por Pedro Conte

O modelo de negócio das montadoras (fabricar, vender, recomeçar) perde um pouco do sentido quando as pessoas deixam de comprar automóveis com tanta frequência. Ainda assim, ninguém está melhor posicionado do que elas para realizar as atividades relativas à fabricação dos veículos do futuro.

CARROS AUTÔNOMOS SAEM DO PAPEL NA PRÓXIMA DÉCADA Os especialistas trabalham com cenários variados com relação a se vamos continuar comprando e dirigindo carros nos próximos anos. De acordo com Sven Beiker, professor da universidade de Stanford e diretor da Silicon Valley Mobility, ainda deve demorar algum tempo para que carros totalmente autônomos nos conduzam de um ponto ao outro da cidade – o que não quer dizer que não aproveitaremos os seus benefícios já nos próximos anos. “Em 2020, teremos vans autônomas que nós realmente poderemos usar”, afirma Beiker, considerando o cenário dos Estados Unidos. De fato, a Waymo (leia-se Google) recentemente encomendou 62 mil minivans da Chrysler e mais 20 mil SUVs elétricas da Jaguar Land Rover para começar a operar com esse tipo de modal em 2020. Se dependêssemos apenas da tecnologia, tudo isso aconteceria ainda mais rápido. Cerca de 45 bilhões de dólares foram gastos no mundo todo, no ano passado, para desenvolver carros autônomos. Esse investimento tem sido realizado por montadoras e, principalmente, empresas de tecnologia como Uber, Google e Apple. Dentre os players da velha guarda, quem se destaca é a GM, que já pediu permissão para trafegar nos EUA, a partir do ano que vem, com um modelo sem volante e sem pedais chamado Cruise EV. Por que as empresas estão investindo com voracidade nessa história do carro autônomo? “Estamos no meio de duas tendências muito interessantes –

68

PararReviewMagazine

> Waymo: o carro autônomo do Google

Estamos no meio de duas tendências muito interessantes – de um lado temos a mobilidade sob demanda e do outro temos os [veículos] autônomos” DEEPTI TIKU, Diretora de Marketing da Ridecell, startup de carsharing

de um lado temos a mobilidade sob demanda e do outro temos os [veículos] autônomos”, descreve Deepti Tiku, Diretora de Marketing da Ridecell, startup que opera serviços de carsharing para gigantes como a BMW, por exemplo. Para ela, aplicativos como Uber e Lyft são bons complementos para o uso de um veículo próprio, mas eles não têm sido capazes de substituir totalmente a posse de um carro. “O ponto de mudança será quando a autonomia entrar no jogo. Quando olhamos para um serviço de ridesharing, 70% do custo se refere ao custo do motorista”, complementa. Sem um condutor, esses serviços custariam menos de um terço dos valores atuais. O mesmo acontecerá com o transporte público, por exemplo, em uma proporção um pouco menor. Considere um levantamento recente da Ipsos, que indicou que o Brasil é o líder no quesito “quilometragem rodada por pessoa”, dentre 20 países pesquisados. Quase um terço da população roda mais de 2,5 mil quilômetros por mês (com um gasto de aproximadamente mil reais em combustível), trecho equivalente a uma viagem de Floranópolis/SC a Palmas/TO. Sistemas autônomos e compartilhados tem enorme potencial


Edição 14 | Julho de 2018

> Uber também aposta na tendência da mobilidade autônoma

para aproveitar melhor todos esses deslocamentos – subtraindo da equação os gastos com motoristas.

UMA SÉRIE DE QUESTÕES A SEREM RESOLVIDAS Para que uma tecnologia se torne disponível para os usuários, é necessário que as pessoas sejam receptivas a ela. Temos “um nível de exigência maior para as decisões tomadas por máquinas do que para decisões tomadas por humanos, porque as máquinas não deveriam cometer erros” explica Steven Choi, da divisão de carros autônomos do Uber. “As pessoas já estão dispostas a dar uma chance aos carros autônomos? Acho que isso vai demorar um pouco”, observa.

Por outro lado, dirigir um carro é uma atividade extremamente perigosa, mesmo em países como os Estados Unidos. “Tragicamente, nós vemos diariamente que essa é uma atividade insegura, muitas vezes, por uma série de motivos. E o motivo número um são os motoristas humanos”, corrobora Sven Beiker. Estamos atravessando, portanto, um cenário no qual reconhecemos que um carro dirigido por humanos é uma das coisas mais inseguras de nossa sociedade, mas ainda não confiamos nessa tal tecnologia do futuro que nos colocará dentro de carros sem sequer um pedal de freio para controlarmos. Com o tempo, é possível que nos acostumemos a tudo isso. A transição, no entanto, será difícil.

Se tirássemos todos os veículos das ruas, eliminássemos todas as permissões para dirigir e deixássemos apenas carros autônomos nas avenidas, já teríamos um sistema mais seguro que o atual, de acordo com os especialistas. A dificuldade está em fazer com que carros autônomos convivam com pares dirigidos por seres humanos. É esse cenário de coexistência entre os dois modelos que enfrentaremos nas próximas décadas. E, mesmo num futuro longínquo, provavelmente continuaremos convivendo com as duas propostas. Se as pessoas quiserem ter seus próprios carros, seguirão com o direito de fazê-lo. Será como na aviação: “nem todos tem o seu avião próprio, mas se as pessoas quiserem comprar um avião e pilotá-lo, é totalmente possível na sociedade moderna. Só que a maioria das pessoas opta por usar uma companhia aérea para se deslocar”, compara Choi.

institutoparar.com.br

69


Edição 14 | Julho de 2018

headline Por Ana Luiza Morette

Os carros autônomos vieram para ficar e estarão totalmente adaptados em nossa sociedade muito antes do que a gente possa imaginar”. RICARDO LONGO, Agência Crowd

“DETROIT LINHAS AÉREAS” Detroit é o símbolo mundial da fabricação de carros. A cidade representa a indústria automotiva e toda a importância que as montadoras tiveram no último século. Mas a mobilidade como um serviço tende a mudar um pouco esse panorama. Assim como a indústria da aviação tem alguns poucos fabricantes e dezenas de companhias áreas utilizando as aeronaves, a maior parte da receita do mercado de carros ficará nas mãos dos operadores, no futuro. Por exemplo, a Boeing, maior fabricante do mundo de aviões, registrou um lucro 8,2 bilhões de dólares em 2017. A Delta, 3ª maior operadora do mundo, lucrou 3,5 bilhões de dólares no mesmo período. A Boeing é uma entre pouquíssimos fabricantes existentes e a Delta é uma entre dezenas e dezenas de companhias aéreas. De principais participantes do mercado de mobilidade automotiva, as montado-

70

PararReviewMagazine

ras estão sendo desafiadas em seu modelo de negócio. Se não se transformarem e aproveitarem as oportunidades, ficarão à margem do segmento. “Nós já estamos vendo montadoras entrando nos serviços de mobilidade e empresas de tecnologia também participando desse espaço. Mas isso não se limita a essas indústrias, em nossa experiência. Ano passado lançamos um serviço de compartilhamento de carros para uma seguradora que estava percebendo que, como as pessoas no futuro poderão deixar de comprar carros, isso deverá afetar seus negócios”, relata Tiku, da Ridecell. Essa integração é a chave para as próximas décadas de empresas como Ford ou Hyundai. “Acreditamos na colaboração. Especialmente, na indústria automotiva, o futuro da mobilidade não estará nas mãos de apenas uma empresa que será vencedora, mas na colaboração entre montadoras, fornecedores e criado-

res de conteúdo”, afirma Sobhan Khani. Nesse cenário, algumas montadoras já estão se posicionando como fabricantes, como a Boeing. Outras estão buscando modelos complementares, como a Delta. Ainda que não saibam muito bem o que vai funcionar nos próximos anos, as gigantes do setor têm se envolvido cada vez mais tanto no desenvolvimento de carros autônomos, quanto em outras alternativas de mobilidade como carsharing, bicicletas, caronas e até carros voadores. Quais destes testes terão sucesso? Esse é uma pergunta que vale mais de 1 trilhão de dólares. Para Ricardo Longo, “os carros autônomos vieram para ficar e estarão totalmente adaptados em nossa sociedade muito antes do que a gente possa imaginar”. 


headline Por Ana Luiza Morette

UM NOVO JEITO Com as mudanças de hábitos e de mindset, startups são responsáveis por oferecer novas soluções para as exigências dos consumidores e do mercado

72

PararReviewMagazine

oluções novas para desafios antigos: é essa a força motriz das dezenas de startups que estão surgindo e mudando a forma como nós pensamos e fazemos as coisas. A nossa vida cotidiana envolve problemas e desafios que fogem do nosso controle, seja a falta de tempo, o trânsito, o excesso de trabalho ou nosso próprio cansaço, físico ou mental. As startups são empresas novas que vendem mais do que um produto: vendem ideias, um novo jeito de fazer. É fato que, às vezes, criar um “novo jeito de fazer” pode parecer uma missão difícil, até um desafio, mas o mundo está cheio de exemplos que

provam que é possível e, mais que isso, que dá (muito) certo. É o caso da já consagrada Nubank, por exemplo: a fintech (empresa de inovações na área de finanças) revolucionou a forma como nós nos relacionamos com o dinheiro e administramos nossas finanças. A marca surgiu com a solução de criar um cartão de crédito totalmente independente de qualquer banco, sem taxa de anuidade e com juros mais baixos quando comparados a outras operadoras de cartão. A ideia se encaixava perfeitamente na nossa vida corrida: todas as transações são realizadas através de um aplicativo para smartphones, sem necessidade de pegar filas no banco ou de perder horas no telefone tentando contato com algum atendente. Hoje, a Nubank

Fotos: iStockphoto / Divulgação

DE FAZER COISAS ANTIGAS


Edição 14 | Julho de 2018

já tem mais de um milhão de clientes e está avaliada em mais de US$ 1 bilhão. Outro exemplo é a Netflix, uma febre do audiovisual. A empresa nasceu como uma distribuidora de DVD’s por correio: o cliente fazia seu pedido online e recebia o conteúdo em sua casa, pelo tempo que quisesse. O sucesso foi tanto que o conteúdo passou a ser oferecido também em streaming, ainda em um plano de assinaturas - a tarefa de ir até uma locadora, encontrar um título e levá-lo para casa tornou-se inútil. A Netflix oferece um catálogo totalmente online: os fundadores tentaram vender a ideia à gigante rede de locadoras físicas Blockbuster, que recusou a proposta, já que acreditava que a ideia super inovadora ia dar errado. Pelo contrário, hoje, a Netflix tem 262 milhões de usuários e vale mais de US$ 1 bilhão, enquanto a Blockbuster anunciou sua falência em 2013. Não restam dúvidas que inovar tem grandes chances de dar certo e que investir em uma nova ideia pode mudar o mercado e a vida das pessoas. Quem já sabia disso há mais tempo, trabalhou suas ideias e agora está chegando mais longe baseado na sua inovação. Por aqui, outras startups estão surgindo com ideias simples, mas revolucionárias.

A UBER DOS CAMINHÕES “Eu não sou um startapeiro”, se define Carlos Mira, fundador e CEO da inovadora TruckPad. Mira explica: foi só depois de mais de 30 anos de experiência no setor de transportes em uma empresa familiar que ele teve a iniciativa de investir na inovação e criar sua startup. Ele não se identifica com o perfil típico dos fundadores de startups: jovens e recém-formados; para ele, seu diferencial não é a criatividade da juventude, mas a experiência no mercado. A TruckPad nasceu de uma viagem do empresário ao Vale do Silício, inspirado pelos níveis de inovação e tecnologia da Califórnia e pelo recém criado Uber, voltou de lá decidido a criar um sistema que pudesse ligar caminhoneiros a empresários que precisassem transportar suas cargas. A ideia, no entanto, não foi bem recebida pela família, com quem dividia o comando da empresa.

Os fundadores de startups querem resolver problemas sem seguir as regras, mas se baseando na lógica do processo”. CARLOS MIRA, fundador e CEO da TruckPad

A plataforma funcionaria através de um aplicativo que pudesse ser baixado pelos caminhoneiros e os auxiliasse a encontrar novas oportunidades. Apesar de ser uma ideia ótima, Mira tinha um desafio: os smartphones ainda não eram tão populares no Brasil, menos ainda entre os caminhoneiros, como ele pôde constatar em suas pesquisas. Por isso, precisou criar uma infraestrutura para colocar seu projeto em prática, comprou smartphones para a sua equipe e ensinou cada um a usar o aparelho e o aplicativo - foi uma jogada certa: hoje, o aplicativo tem mais de 700 mil downloads em apenas três anos de mercado. Muita gente não acreditou que a startup pudesse dar certo, conta Mira, porque achavam que mudar o mindset dos caminhoneiros era um desafio muito grande. O fato é que a perspectiva mudou e agora o desafio é das empresas, que não conseguem deixar os antigos protocolos e regras para passar a usar a ferramenta. Para Mira, o sucesso das startups está na ousadia de seus fundadores: “Eles querem resolver problemas sem seguir as regras, mas se baseando na lógica do processo”.

institutoparar.com.br

73


headline Por Ana Luiza Morette

No caso da Scipopulis, startup de soluções de mobilidade, o incentivo para inovação veio direto de um grito das ruas, literalmente. Eva Furtado, a designer da Scipopulis, conta que a ideia surgiu durante as manifestações de junho de 2013, que tinham como pauta o transporte público. “Esse momento foi um ponto de inflexão marcante na história por trazer a mobilidade urbana como uma pauta protagonista, e não secundária. A partir daí, várias iniciativas surgiram para ajudar o poder público a resolver demandas da população. Uma das principais delas era a informação.”, explica ela. Assim, a Scipopulis mantém os usuários conectados às informações do transporte público: a startup oferece aplicativos que funcionam com atualizações sobre a situação dos ônibus e da rede de transportes de São Paulo. A solução é simples, mas o provedor do transporte, que é o poder público, não conseguiu alcançá-la. Eva explica o porquê: “O poder público, além da burocracia, tem dificuldades jurídicas para aquisição e fomento de inovação. O diferencial das startups é conseguir prototipar e lançar soluções muito rápido”. Apesar de ter os smartphones e os apps como principais aliados para pôr essa ideia em prática, a tecnologia não pode se resumir a isso: “A informação pode estar disponível nos pontos de ônibus, em páginas offline, em painéis oferecidos pelas próprias empresas, em meios físicos de integração como cartões. Os smartphones permitem acessos em tempo real, o que é muito positivo, mas que não deve ser um fator excludente para populações

74

PararReviewMagazine

de baixa renda e com baixo acesso tecnológico”, acredita Eva. A certeza de que a inovação e a ideia parta das startups é clara, no entanto, às vezes, para funcionar, é preciso apoio de outros lugares. “Provavelmente, das startups venham soluções de fácil implementação, mas o capital, a massificação e as regulamentações virão das grandes empresas e poder público.”, finaliza Eva.

PARA DRIBLAR A MEMÓRIA Quem nunca esqueceu de comprar aquele remédio diário e só lembrou na hora de tomar a próxima dose? Foi pensando numa solução para esse problema

que nasceu a Remédio Certo, com a proposta de auxiliar os pacientes na gestão do tratamento de uso contínuo, garantindo que eles recebam os medicamentos em casa sempre antes que suas cartelas acabem. A startup é um clube de assinatura de medicamentos, o usuário se inscreve e coloca suas informações, desde quais remédios você precisa, até a data que deseja receber e pagar. A iniciativa previne que alguém acorde um dia de manhã e perceba que esqueceu de comprar seu medicamento: a Remédio Certo entrega automaticamente na sua casa. Gabriela Balazini é a co-fundadora da Remédio Certo e explica que a evolução parte do consumidor para as startups e não o contrário: “As pessoas estão cada vez mais conectadas e menos dispostas a se deslocar e ter trabalho com processos cotidianos e simples. As startups vêm para revolucionar a forma como as pessoas interagem com os produtos do dia a dia, transformando o simples ato de compra em uma experiência de consumo”.

Fotos: iStockphoto / Divulgação

INOVAR É UNIR MOBILIDADE E INFORMAÇÃO


Edição 14 | Julho de 2018

Mudar o mercado do varejo envolve outros fatores, além da relação com o consumidor. No mercado da saúde, por exemplo, Gabriela conta que o desafio foi grande: “O mercado de saúde é altamente regulado, atualmente, vemos pouca inovação nessa área no que tange à indústria e ao relacionamento com os medicamentos. Logo que começamos a operação da RemédioCerto, tivemos que lidar com a Anvisa, Covisa, CRF e demais órgãos regulatórios, infelizmente, no Brasil, esses processos todos fazem parte do jogo. Sobrevive quem se adapta e foi o que fizemos.Não reinventamos a roda, utilizamos de toda estrutura que já existe e já trabalha muito bem esses agentes”. Uma única ideia isolada, pensada por uma única empresa, no entanto, não é suficiente para mudar o mindset: “Esse movimento não é solitário, uma única startup não consegue revolucionar o mercado de varejo, por exemplo, porém, ao juntarmos diversas iniciativas que trabalham muito bem problemas distintos, as soluções ganham força, e aí sim, temos uma disrupção no mercado”, explica Gabriela.

PARA FACILITAR O DIA A DIA: ASSISTENTE PESSOAL E APP “O principal objetivo da Rappi é justamente facilitar a vida das pessoas que não têm tempo para sair de casa ou do trabalho para fazer compras no supermercado, comprar comida, farmácia, ou apenas querem comodidade”, é como explica o papel da Rappi o country manager da Rappi, Bruno Nardon. A Rappi surgiu como um aplicativo que tem uma função simples, mas que facilita a vida das pessoas de forma intensa: ele oferece a opção de entrega de qualquer item de necessidade do cliente. E quando a gente diz qualquer, é qualquer mesmo, os assistentes pessoais da Rappi podem buscar a chave que você esqueceu em casa, entregar sua papelada no banco, trazer aquele remédio para dor de cabeça ou lanche daquele carrinho de rua que ainda não tem entrega. Nardon conta que os assistentes já viveram situações inusitadas, mas de sucesso: “Em fevereiro, lançamos um botão chamado Carnaval, que conectava clientes a assistentes na Rua 25 de Março, em São Paulo. Nós tivemos

uma cliente que solicitou uma fantasia e nos mandou um feedback impressionada que o assistente foi a 5 lojas em busca da fantasia e ainda a colocou em contato com as vendedoras”. Para Bruno Nardon, não são as startups que estão mudando o mundo, mas as necessidades que estão diferentes e exigindo novas soluções: “A natureza das startups é atender às necessidades de forma inovadora. Vimos uma necessidade e estamos propondo soluções aos nossos clientes. Os hábitos de consumo vêm mudando gradualmente durante os anos. Antes, as pessoas não tinham costume de pedir comida em casa, mas aí foram surgindo os catálogos, as pessoas passaram a pedir por ligação telefônica. Agora, temos apps que oferecem essa comodidade”. 

A natureza das startups é atender às necessidades de forma inovadora. Vimos uma necessidade e estamos propondo soluções aos nossos clientes.” BRUNO NARDON, Country Manager da Rappi

institutoparar.com.br

75


headline Por Beatriz Pozzobon

Já é possível contratar seguro em ambiente totalmente digital, o que confere maior transparência ao processo e preços mais atrativos para o cliente

76

PararReviewMagazine

SEGUROS A

s inovações digitais transformaram a maneira que as pessoas se relacionam com serviços e produtos. Com os aplicativos e a internet, agora é possível escolher um hotel, um lugar para comer, planejar uma viagem e pedir um carro na facilidade de um clique. No mercado de seguros, a digitalização começa a ser realidade. E a tecnologia torna possível preços de apólice menores do que o das seguradoras convencionais. A Kakau Seguros, por exemplo, trabalha com venda de seguros

de forma 100% digital e com o propósito de "seamless insurance", ou seja, serviço disponível a qualquer momento e em qualquer lugar. A empresa funciona no modelo por assinatura, como a Netflix e o Spotify e oferece uma opção do assinante "pausar" o seguro a qualquer momento e não ser cobrado por isso. O segurado também tem a possibilidade de interagir sete dias por semana e 24 horas por dia com a "Anna", a assistente virtual que tira dúvidas, faz abertura de sinistros e solicita assistência 24 horas. ​​

Fotos: © iStockphoto / Freepik / Divulgação

STARTUPS CHEGAM AO MERCADO DE


Edição 14 | Julho de 2018

Marcelo Torres, co-fundador da Kakau, explica os motivos para se inovar na área. “O mercado de seguros ainda é um dos setores com menor índice de digitalização​, além de ser um tema, culturalmente, rejeitado ou não compreendido pelo brasileiro, de forma geral. Ainda hoje, é visto como um mal necessário, muito caro e com uma linguagem confusa de se entender”, pontua. “Além disso, as novas gerações clamam por inovação. Eles, que já nasceram na era dos smartphones, só contratam serviços e produtos pela internet ou aplicativos”, acrescenta Torres. A plataforma da Kakau Seguros estreou em outubro do ano passado e conta com pouco mais de 4.500 assinantes; a ideia é chegar aos 50 mil até o final de 2018. Atualmente, a Kakau trabalha com seguro residencial e pretende incluir este ano seguro de vida, automóvel, bicicleta e smartphone, sempre focada na tecnologia para oferecer ao usuário uma interação mais simples, prática e transparente. A Thinkseg é outra seguradora que está inovando no mercado de seguros. A startup é a primeira a vender seguro no Brasil sem trabalhar com o perfil do motorista. Ao invés de precificar o seguro com base em idade, gênero, endereço e trabalho, a Thinkseg opta por vender o seguro de acordo com a forma que a pessoa dirige,

no caso do seguro de automóvel. Assim, os dados são coletados por um aplicativo instalado no smartphone, que avalia o comportamento de condução individual, como dados de distância de frenagem, aceleração, viradas e percurso.  O aplicativo que monitora o comportamento ao volante ainda dá desconto e premia os bons motoristas. “Movimentos suaves ou bruscos no volante, local onde trafega, pontos de atenção, entre outros, transmitidos pelo celular, são determinantes para a pontuação do motorista. O aplicativo faz a avaliação das viagens e pontua cada uma delas ao longo do dia. No final do mês, o motorista pode ver sua pontuação a partir das estrelas recebidas”, esclarece Andre Gregori, CEO da

Thinkseg. A ideia é simples: quanto mais estrelas no fim do mês, mais descontos na hora de renovar o seguro, podendo chegar até 50% de abatimento. Assim como na proposta da Kakau Seguros, a Thinkseg também consegue oferecer preços menores que as seguradoras convencionais por trabalhar em um ambiente totalmente digital. “Por termos nascido digitais, a redução dos custos administrativo, de processamento, de legado e de pessoas deixa o seguro mais atrativo”, destaca Gregori. No entanto, ele faz questão de mencionar que os mecanismos digitais não substituem a consultoria, confiança e relacionamento do corretor com o cliente. “Na Thinkseg, a presença do corretor, como influenciador, é fundamental para a multiplicação de clientes, conversão e bom atendimento.” Com dois anos de atuação, e sem divulgar o número de clientes, a startup de seguros faz a intermediação das seguradoras, corretores e clientes, sem a participação de grandes bancos ou grandes seguradoras em seu capital social. “O resultado disso é a independência, transparência e agilidade, sem enrolação para a solução das demandas dos clientes”, pontua Gregori. Para contratar o seguro da empresa, basta digital e-mail, CPF, CEP e placa do carro. A partir daí o algoritmo “varre” a internet atrás das informações necessárias e oferece o valor do seguro mais adequado. 

institutoparar.com.br

77


takes

ON TH E R O AD P O C K E T 2 0 1 8

Fotos: © Nome Fotógrafo

curitiba / bh / pORTO ALEGRE / RIO / CAMPINAS / SP

78

PararReviewMagazine


Edição 14 | Julho de 2018

Confira os melhores takes das paradas do On The Road Pocket em 2018, realizadas em Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo.

institutoparar.com.br

79


Edição 14 | Julho de 2018

gestores conectados

TOP

Assuntos mais debatidos pelos

GESTORES DE FROTA

1.

Greve de Caminhoneiros e Crise de Combustível

Busca de alternativas para 2. continuar rodando sem depender de combustível. Como os fornecedores 3. poderiam nos ajudar em situações como essas?

Em um grupo de Telegram, reunimos mais de trezentos gestores de frota de todo o Brasil para trocarem informações, experiências e pesquisas. O grupo foi criado exclusivamente para esses debates, que estão contribuindo dia a dia na atividade desses gestores. A cada edição, trazemos uma lista com os temas mais comentados no grupo e as principais discussões. Confira os destaques:

Ana Paula de Oliveira Padtec

André Valentim Dismax Valentim

Fábio Barros Gas Natural Fenosa

Fernanda Dilela JDE Coffee Corporativo

Fernando Augusto da Paz CNC

Flavio Costa Komatsu

Harlen Braga Emive

Laura Schuch Sistema FIERGS

QUER PARTICIPAR DO GRUPO DOS GESTORES DE FROTA? Marcos Huppers Serede

80

PararReviewMagazine

Milena Barroso Edson Queiroz

Envie um email para atendimento@institutoparar.com.br

Fotos: © Divulgação

ALÉM DISSO, TEMOS ALGUNS GESTORES QUE SE DESTACARAM POR SUA PARTICIPAÇÃO:


Edição 14 | Julho de 2018

GESTOR COM HUMOR Por Dorinho Bastos

82

PararReviewMagazine


Movida Frotas vai muito além da terceirização de veículos. São diversas soluções e vantagens, incluindo modelos premium exclusivos. Tudo de um jeito descomplicado e sob medida. De um jeito Movida.

Acesse movida.com.br/frotas e saiba mais.

PARAR Review Magazine - Edição 14  

Quanto vale o vale? A mobilidade e o proposito da capital mundial da inovacao.

PARAR Review Magazine - Edição 14  

Quanto vale o vale? A mobilidade e o proposito da capital mundial da inovacao.

Advertisement