Issuu on Google+

1


Arquitetura como instrumento de qualidade sócioambiental

Escola da Cidade Arquitetura e Urbanismo Trabalho Final de Graduação Caderno de Reflexão Rodrigo Amaral Rocha Orientador : andré vainer JUNHO / 2011 3


Inquietações

Proposição

Problemáticas

Propor um projeto de arquitetura para promover um assentamento humano ativo, com o menor impacto social e ambiental possível, capaz de transformar a realidade do meio que está inserida.

O ser humano consegue ocupar e sobreviver em uma área causando mínimos impactos à natureza? Consegue não prejudicar a possibilidade das gerações futuras usufruírem dos benefícios atuais? Foto do autor: Estrada Alto Paraíso de Goiás

É possível uma ocupação humana que potencialize a biodiversidade natural e melhore as relações entre sociedade e natureza?

10% do Território nacional é composto por unidades de conservação, é o bastante para manter a Biodiversidade?

A Arquitetura é responsável pelo desenvolvimento da sociedade e da natureza mutuamente?

Como devem se desenvolver as áreas particulares rurais dentro de áreas de proteção ambiental, que tipo de infra-estrutura e arquitetura elas necessitam? Como trabalhar a questão dos resíduos sólidos, água e energia, uma vez que a utilização deles pode gerar um impacto negativo na natureza? Código Florestal: Se discute atualmente em limites de áreas de proteção permanente, visando uma equalização entre produção humana e preservação da natureza. Deve ser discutido que desenho de ocupação deva acontecer para que não precisemos mais distinguir o homem da natureza, o rural do urbano, o que podemos destruir e preservar.

4

Reconhecer atores, como tem agido e como podemos planejar e modificar o meio físico, considerando a cultura e o meio ambiente.

O meio ambiente está em constante mutação para haver interseções das edificações que, ao serem construídas coerentemente com a preservação e conservação do ambiente natural, o impacto ambiental será reduzido, mesmo sabendo que sempre haverá impacto. A estratégia de obra como uma referência para orientar a concepção e o desenvolvimento do projeto. Com o objetivo de uma ocupação no meio rural, junto a uma comunidade do entorno de uma unidade de conservação ambiental, a Vila de São Jorge localizada no Município de Alto Paraíso de Goiás na Chapada dos Veadeiros no nordeste do estado de Goiás. O entorno das unidades de conservação tem um grande potencial de desenvolvimento ao ser beneficiado pela demanda de serviços

e infra-estrutura gerada pelo turismo. Seu estimulo e viabilidade econômica deve respeitar a capacidade de suporte dos atrativos, bem como atender as necessidades socioeconômicas das comunidades locais. Uma vez que isso ocorra, essa população passa a ver as unidades como possibilitadora de benefícios, gerando equilíbrio entre preservação e desenvolvimento.

Área de Preservação Ambiental

Objetivos: Proteger a Biodiversidade Disciplinar o processo de ocupação Assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais Uso do solo: Pesquisa cientifica, visitação turistica, recreativo e educacional Fonte: SNUC 5


Plano diretor Ambiental Urbano e Municipal de Alto Paraíso de Goiás

História A partir de 1911, a mineração de cristal foi a principal atividade econômica da região até a década de 80 e 90. A agricultura e pecuaria de subsistencia eram comuns, pois garantiam o sustento nas épocas dificeis no garimpo. Havia também a extração de vegetação do cerrado. A Vila de São Jorge era um vilarejo de garimpeiros e ficava proxima a varios pontos de exploração. Com o desaparecimento da mineração no parque, a população de São Jorge foi, gradativamente, se adaptando para oferecer serviços aos novos turistas que começavam a visitar o parque. Essas atividades estavam longe de ter qualquer tipo de planejamento. Em 1991, a visitação pública ao parque foi proibida, a partir daí, se começa a ordenar seu uso público e o planejamento para um turismo responsável, numa iniciativa exemplar, pois conta com a participação dos funcionários do IBAMA, representantes das comunidades, ONG´s, ambientalistas, e excursionistas no desenvolvimento de propostas.

“A natureza e o homem vivem em unidade, mas a força de ambos está na sua diversidade, talvez o forte de Alto Paraíso – os nativos, os ambinetalistas, os turistas, os místicos, os terapeutas holísticos e os alternativos. Essa diversidade deve refletir uma unidade de ação coletiva. Diversidade e unidade devem deixar de ser vistos como inimigos e sim para reforçar o outro. Para isso, investir em processos educacionais – formal e informal – deve ser visto como uma prioridade para a consolidação do desenvolvimento da plenitude humana.”

Miguel Von Behr, auto do Plano Diretor

Apesar do reconhecimento de sua importância biológica, o Cerrado é o que possui a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral. 6,43% do bioma Cerrado em unidades de conservação

1995 - Criação da Liga da defesa ambiental Projeto inédito ao conciliar os aspectos culturais e históricos com o ordenamento territorial. Aprovado no Ministério da Cultura 1996 - Participação de estudantes da rede municipal de ensino e da comunidade Resolução CONAMA n° 013/90 Proteção do entorno de 10km das unidades de conservação. EIA-RIMA 1997 - Agenda 21 – Rio +5 Recursos com Embratur 1998 - Paralisar expansão urbana da cidade 1.200m de altitude, preservação permanente Planejamento para 15.000 habitantes Ocupação de núcleos rurais 1999 - Projeto de lei do Plano Diretor 2000 - Aprovação do Plano Diretor na Câmara dos vereadores

2,46% em unidades de conservação de proteção integral 3,96% em unidades de conservação de uso sustentável (Departamento de Áreas Protegidas/SBF; setembro 2010) 6

7


A Pequena Propriedade

Campo-Cidade

Rurbano

84,4% Agricultura familiar – 24,3% da área dos estabelecimentos rurais 15,6% Não Familiar – 75,7% da área dos estabelecimentos rurais a agricultura familiar responde por 80% do pessoal ocupado no campo e por 70% de toda a produção agropecuária brasileira. Foto do autor: Estrada Alto Paraíso de Goiás

Foto em Mato Grosso, as maquinas representam um investimento de 20 milhões de reais

Senso IBGE/2010

A expansão urbana na região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros se deu, principalmente, pela diminuição das lavouras temporárias, mecanização da agricultura, proibição da extração mineral e vegetal e pela adesão das comunidades às atividades turísticas, gerando adensamento urbano, desemprego e sobrecarga da infra-estrutura.

A relação entre o meio rural e urbano, é importante para que a cidade possa vir a ser um pólo de desenvolvimento cultural, econômico e humano dentro de um sistema em transição de ideologias, onde o capital possa elevar a qualidade de vida tanto no campo quanto na cidade, e essa transição justifica a necessidade de transformação da forma de viver da população.

O turismo pode ser um grande gerador de renda, assim como acentuador de desigualdade social e econômica, pois com o aumento do poder aquisitivo, o custo de vida geralmente sobe e, como o período de visitação é sazonal, parte da população não consegue se capitalizar. É possível ver as melhorias trazidas pelo turismo em construções, infra-estrutura e serviços. Contudo, essa mesma atividade acaba por valorizar a terra e, consequentemente, segregar parte da população local mais pobre, expulsando-os para áreas distantes e menos urbanizadas. Somando à falta de equipamentos de saneamento e serviços públicos, o processo de degradação se acelera.

8

“O sistema rodoviário, as demolições de prédios decadentes, a substituição de bairros compostos de residências e pequenas lojas por grandes edifícios comerciais e supremercados podem aparecer sob a forma de um plano social, mas não se conhece um caso em que as prioridades de um sistema capitalista não tenham sido consideradas desde o início. Pode tratar-se de um simples projeto industrial ou de mineração: neste caso, a decisão original foi tomada e será por fim determinada por proprietários interessados no lucro. O sistema rodoviário levará em conta suas necessidades e preferências quanto a modos de distribuição e de transporte, e são essas preferências que determinam prioridades, seja no caso do favorecimento ao caminhão em detrimento do trem, ou na situação mais geral em que a própria terra é encarada, abstratamente, como uma rede de transporte - do mesmo modo como, num outro contexto, pode ser vista, de modo igualmente abstrato, como uma oportunidade para a produção” Raymond Williams, 1972

Repensando a maneira como se habita e convive com o nosso planeta, pode-se estabelecer uma relação harmônica entre o urbano e o rural, ou seja, o que se constrói e o que se destrói, respectivamente. O rural quando utilizado como uma reserva de mercado para a especulação imobiliária pode criar um espraiamento urbano descontínuo e desarticulador da vida no campo, possibilitando uma expansão horizontal que beneficia, principalmente, aqueles que comercializam a Terra e prejudicam o meio ambiente.

Fotos da Comunidade Quilombola Kalungas em Cavalcante-GO

Escolhido para o avanço da monocultura, o Cerrado é tratado como área para exploração, bioma desvalorizado pelo capital. Terreno em geral é plano, vegetação frágil, pequena e tortuosa, não dificulta o trabalho das maquinas. As áreas de preservação ambiental atualmente são criticadas por impedirem uma atuação econômica de uso da terra, o que impede agricultores e pecuaristas de realizarem produções em grandes escalas e monoculturas.

Foto do autor: Amigo Dú, vizinho da Terrinha

9


Ideologia Relacionar a educação e envolvimento social na comunidade à construção e arquitetura. Uma obra de valor pedagógico.

“O produto final do arquiteto não é o projeto, é a obra” Lelé Observar e interagir com o meio existente irá colaborar para um projeto com respeito e coerência, tanto globalmente quanto localmente. Com o pensamento sócio-ambiental que considere o processo construtivo como um todo, e não como uma estética final do objeto construído, o desenvolvimento da comunidade poderá se relacionar com o propósito principal da monografia:

“...no processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em apreendido, com o que pode, por isso mesmo, reinventá-lo; aquele que é capaz de aplicar o aprendido-apreendido a situações existenciais concretas. Pelo contrario, aquele que é “enchido” por outros de conteúdos cuja inteligência não percebe, de conteúdos que contradizem a própria forma de estar em seu mundo, sem que seja desafiado, não aprende”. Paulo Freire, 1983.

Premissas Repensar o habitar humano Repensar a produção no meio rural Repensar a construção desde o projeto de arquitetura a uso da edificação. Este projeto visa referenciar as problemáticas atuais para estabelecer um vinculo entre desenvolvimento e qualidade de vida. Técnicas construtivas que agridem menos o meio ambiente, assim como materiais que necessitem de menos energia para ser fabricado e transportado, fortalecendo a economia local.

Metodologia A investigação, verificação e reflexão do processo projetual e organizativo como objeto de análise, justifica a complexidade do projeto arquitetônico como conclusão deste processo. Um projeto que articula sem homogeneizar, respeita a diversidade sem simplificar, planeja sem eliminar o acaso e a incerteza, relaciona as necessidades humanas às naturais de um sistema complexo vital.

Investigação: Pesquisar, observar e

interagir com o meio existente, captando princípios e necessidades da comunidade local e da natureza do entorno.

Verificação: Compreender a reali-

dade existente através da imersão na comunidade.

"De que adianta um modelo de desenvolvimento baseado na riqueza econômica se isto não se reflete na melhoria das condições de vida das pessoas? Essas distorções apontam para um novo modelo de desenvolvimento, baseado na expansão das melhorias das condições de vida das pessoas." Amartya Sen, 1999.

Reflexão: Questionar as reais neces-

sidades locais para organização projetual.

Conclusão:

Projetar um objeto capaz de transformar a realidade no meio em que está inserido.

Arquitetura como instrumento de qualidade sócioambiental 10

11


Atualmente convive-se com uma realidade distinta do que se imagina ser o “ideal” para a vida humana no planeta. Os Arquitetos e Urbanistas, participantes desta realidade, são fundamentais para o (sub) desenvolvimento dos meios comuns e privados da sociedade. Como planejador do espaço construído, o Arquiteto, por atribuição profissional, deve relacionar o espaço natural com as necessidades humanas contemporâneas. Porém, a partir desta relação, observa-se uma realidade de distanciamento entre os humanos e a natureza, é exatamente esta não-relação uma das causas da miséria, fome, violência, sede e mortes.

Realidade "Estamos no momento em que o problema ecológico se vincula com o problema de desenvolvimento das sociedades e da humanidade inteira.” Edgar Morin, 1996.

Levantar as potencialidades do existente. Não fixar formas por antecipação.

No Brasil, a construção civil apropria-se de 75% do que é extraído do meio ambiente, destes 1/3 vira entulho, o que gera 50% dos gases emitidos para a atmosfera. Sinduscon/FGV, 2010.

O Projeto não pode bastar-se a si mesmo, ele só pode ser totalmente lógico ao abarcar em si o ambiente externo. Ele não pode se concluir, se fechar, ser auto-suficiente.

A partir do momento em que o homem busca qualidade de vida dentro de espaços que ele mesmo constrói, sugere-se uma mudança continua no cotidiano das relações entre a sociedade e o espaço construído. Tem-se o rural como maior consequência dessa urbanização descontrolada, onde o desmatamento, a monocultura, a criação de animais, a poluição dos mananciais e a poluição da atmosfera são umas das mais graves ações dos seres humanos diante da Terra.

Foto do autor: ONG Oca Brasil

“O trabalho do arquiteto é essencialmente em equipe. Porque, evidentemente que nossa profissão, a profissão de arquiteto, é uma profissão generalista, ela não é uma profissão especialista.” Lelé, 2008. 12

Autonomia / Dependência

Foto do autor: Centro de Pesquisas do Cerrado - UNB

Projeto Entende-se a capacidade de projetar, como a capacidade de desenhar, planejar, orientar e estabelecer parâmetros técnicos para a obra, como a relação entre a atividade intelectual e manual, como a relação entre a atividade individual e a coletiva, por essas razões, há a necessidade de conhecer e imergir o campo do canteiro de obras, onde o trabalho do arquiteto e urbanista é executado. Deve-se analisar tanto os materiais de construção disponíveis no local, a população vigente que irá usufruir do objeto, o ecossistema existente determinante das ações da comunidade, as variantes do clima e as necessidades reais deste meio ambiente composto por seres humanos e natureza.

Mais autônomo, ele está menos isolado. Ele necessita de alimentos, de matéria/ energia, mas também de informação, de ordem.

Um projeto surge a partir da necessidade de relações entre as problemáticas locais e considerações do ambiente natural, focando na realidade da permanência humana e suas necessidades vigentes.

“Nos microterritórios ocupados, é necessário praticar uma outra arquitetura, voltada para os interesses populares, preconfigurando outras relações de produção. Estas passam pela autonomia radical dos produtores – isto é, pela livre autodeterminação do objetivo, da finalidade da produção.” Sérgio Ferro, 2002. Foto do autor: ONG Oca Brasil

Papel social do Arquiteto

A arquitetura como método projetual para a construção, justifica a intensidade da relação do sujeito com o objeto e o meio ambiente. 13


Permacultura Apresentar a Permacultura como um modelo de construção do espaço geográfico mais flexível, orgânico e adequado às necessidades atuais de recuperação e preservação do meio ambiente, resgate das relações humanas e produção econômica sustentável e saudável. Opção de organização do espaço por meio da Permacultura, frente a outros modelos mais difundidos de organização desse espaço na atualidade e que se baseiam na exploração desmedida dos recursos naturais e do ser humano. A utilização do método da permacultura possibilita compreender a arquitetura como ciência para melhorias no meio ambiente, a ação humana como intensificadora da qualidade de vida local e minimizadora dos efeitos degenerativos e degradadores do planeta.

Design

Cuidado com as pessoas

Ética Compartilhar os excedentes

A permacultura, além de ser um método para planejar sistemas de escala humana, proporciona uma forma sistêmica de se visualizar o mundo e as correlações entre todos os seus componentes. 14

Cuidado com a Terra

Design Permacultural

Desenho facilitador, dinâmico e eficiênte Alto rendimento = Alta vitalidade

Desenho da Paisagem

Auto-rendimento é a quantidade de energia útil utilizada

É fazer o simples e chegar ao complexo, não o inverso

Melhor maneira de aproveitar os recursos Rendimento é ilimitado Mais diversidade ao longo do tempo garante estabilidade

Sistema de interconexões, conceitos, materiais e estratégias, numa organização que beneficia a vida em todas as suas formas, promovendo a permanência humana.

Percepção Permacultural - Pessoas e lugares Trabalhar a favor das energias da natureza Aproveitar ao máximo as energias , suprir todas as necessidades das pessoas/lugares, antes dela deixar o local; Todo componente do Design, deve funcionar para várias funções; Toda função deve ser suportada por vários elementos; O design é funcional e estético.

Princípios Captação de energia benéfica Distribuição eficiente de energia útil Agir menos com o máximo de resultados Qualidade em detrimento da quantidade Armazenar o máximo de energia disponível Promover a Cooperação e não a Competição Ver com o ambiente, motivos sociais, motivos culturais Ética acima de tudo. “As possibilidades de cada lugar são infinitas e é o homem que define o propósito, que dá o impulso. Uma vez o impulso dado, a Natureza equilibra e o homem observa e ajusta suas ações pelo retorno recebido da Natureza. Assim, desenvolve-se uma verdadeira parceria de cooperação entre os dois”.

Marsha Hanzi,2004.

15


Referências Design Build Bluff Localização: Navajo – Utah – USA Descrição: Pós-Graduação em Arquitetura.

Organização sem fins lucrativos que constrói habitações ambientalmente sustentáveis para a comunidade local.

Objetivos: Involucrar profissionais, estu-

dantes, voluntários para a construção de uma arquitetura realmente social e de qualidade.

Processo: O programa expõe e anima os

estudantes a estudar as implicações sociais da arquitetura, a idoneidade dos métodos não convencionais de construção, materiais reciclados e soluções inovadoras

Rural Studio Localização: Hale Country – Alabama – USA Descrição: Graduação em Arquitetura da Universidade de Auburn.   Programa acadêmico de cinco anos que oferece oportunidades educativas de participação a nível escolar e profissional em diferentes etapas.   Objetivos: Resolver as necessidades da população rural do oeste do Alabama, de uma maneira realista e efetiva, assumindo critérios de qualidade construtiva e arquitetônica. Experimentar novas soluções com materiais descartados convertendo-os em nobres. Introduzir na Universidade, a construção e arquitetura real, num entorno sem recursos, assumindo critérios básicos de responsabilidade social, construção, investigação, reciclagem e experimentação coerente e inovadora.   Panorama Social:

Melhoria das condições de vida da comunidade necessitada. Desenvolver técnicas de construção relacionadas a novos materiais. Adoção de novas infraestruturas que melhoram a relação entre membros da comunidade. Integração de diferentes disciplinas para detectar e resolver necessidades de uma maneira mais efetiva.  

Panorama Universidade:

Oportunidade de imergir e conhecer a realidade rural e suas necessidades. Oportunidade de investigar a realidade social e arquitetônica. Exploração de novas técnicas construtivas em áreas de poucos recursos, máxima eficiência e mínimo custo. Oferecer a estudantes a oportunidade de projetar e construir, converter um exercício acadêmico em uma realidade pratica de interesse social. 16

17


Utalca Localização: Talca – Chile Descrição: Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Talca. O trabalho final de graduação de todos os estudantes é o planejamento, desenho e construção de um projeto arquitetônico real. Os projetos devem responder a necessidades locais existentes, a obra em si, mão de obra qualificada e um pressuposto limitado. Objetivos: Afrontar a construção real de um projeto dese-

nhado em aula. Estudar e desenvolver técnicas construtivas simples e de fácil execução.

Processo: A modalidade de trabalho final de graduação, nomeado “Taller de Obra” submerge os alunos em um processo que conjuga investigação, projetação e construção, por indagar as maneiras de modernização do território do vale central do Chile. A matéria prepara o aluno para afrontar a materialização de um projeto, oferece a possibilidade de conhecer uma arquitetura baseada na coerência e na participação.

18

Base Habitat Localização: Linz – Austria Descrição: Mestrado em arquitetura da Universidade de

Belas Artes de Linz, em países em via de desenvolvimento, em destaque o desenvolvimento social, político e econômico.

Objetivos: Tratar a arquitetura não como técnica mas

como intervenção cultural, reduzir as contradições: entre necessidades básicas estéticas, entre ecologia e economia, entre prosperidade e pobreza e entre utilidade e poesia. Disponibilizando à população local, técnicas e competências contemporâneas para utilizar o máximo dos recursos naturais e humanos.

Metodologia: Trabalham essencialmente na Índia, em

zonas rurais particularmente pobres, visa desenvolver economicamente e tecnicamente com uma obra coletiva e participativa, trabalhando conjuntamente estudantes e voluntários locais.

19


Taliesin West Localização: Spring Green, Arizona, USA

Tyiegnestue Tailândia

Joerg Stamm Bali

Descrição: Graduação e Pós-Graduação em arquitetura e urbanismo. Objetivos: Segundo Frank Lloyd Wright, Taliesin proporciona uma total aprendizagem do meio ambiente, inte-

grando os aspectos da vida por poder educar pessoas responsáveis, cultas e criativas. Os alunos devem adquirir experiência, não somente na arquitetura, também na construção, agricultura, paisagismo, ecologia, musica, arte e dança.

História: Wright, defensor das oportunidades que dão inovação cientifica e tecnológica a sociedade, estava decepcionado com os programas educativos tradicionais do país. Não estava interessado em uma educação de aula e livre texto, baseada em créditos e títulos oficiais. Pensava que o sistema tradicional produzia estudantes excessivamente formados, com uma base cultural solida que beneficiava a empresários e políticos, mas completamente insuficiente para a formação de arquitetos. Desde o seu ponto de vista, muitos arquitetos jovens tem falta de inspiração, e não são conscientes de como a arquitetura pode planejar uma solução orgânica a um problema. Esta decepção, motiva Wright a fundar em 1932 uma escola que promove o seu programa educativo.

20

Albordearq Chile

Brasil Arquitetura Brasil

21


Dados Regionais

Visita Técnica Geomorfologia – Planalto central do Brasil, com alturas que variam de 490 a 1670 metros de altitude. Latitude – 14° Índice Pluviométrico – 1500mm

e 1750mm/ano

Clima – Semi-árido e semitropical

de altitude, inverno seco (maio a setembro) e verão úmido (outubro a abril)

Fonte: SECTEC - GO (2005)

Distribuição de chuvas no Cerrado

Temperatura – máx. 42°C e mín.

5°C, com média de 25°C.

Imagem da Chapada dos Veadeiros - GO

Chegar na chapada dos veadeiros, cada árvore, cada morro, cada som de um pássaro, têm sua essência, ali a natureza é soberana e sincera, mostra toda sua beleza e vaidade através do movimento natural do sistema a qual pretencemos. Conhecer a ONG Oca Brasil, o Irapuã, foi importante para conhecer a ação da instituição, suas necessidades e realidade, fatores positivos e negativos.

Flora – Formação florestal, savâ-

nica e campestre.

Conhecer o Vereador Dáda, foi inspirador, acreditar e buscar a ideologia através da crença em uma vida melhor e mais justa. Pioneiro dos alternativos na chapada dos veadeiros, acredita na mudança e na comunidade. Téia, administradora da Vila de São Jorge, tem integridade e liderança, demonstrou atenção e respeito as nossas idéias.

Imagem 3D do Google Earth

22

Foto do autor: Estrada para a Terrinha

Mestre Dú, humildade e sabedoria, capitão do mato, vive na região desde a década de 50. Nos mostrou os antigos caminhos de carro de boi, contou que a Terrinha já foi pasto para gado um dia, plantou várias árvores na região, contou das dificuldades do passado e as atuais, sobre a temerosa quase ida a São Paulo e as enchentes do Rio São Miguel. 23


Anรกlise da Regiรฃo

24

Anรกlise do Territรณrio

25


An谩lise do Territ贸rio

26

27


Anรกlise do Territรณrio

Sistemas Bioclimรกticos

Foto do autor: Regiรฃo da Terrinha

Imagem 3D do Google Earth

28

29


Programa de Necessidades

Projeto dos elementos

Dimensões do Terreno: 100 x 481 x 88 x 530m Área do Terreno: 1 alqueire (goiano) = 48.400m² Declividade Média: 19% Cobertura Vegetal: + de 80%

Auto-regulação: Relacionar

os elementos de tal forma que cada um sirva as necessidades e aceite os produtos de outros elementos Capacidade de adaptação do sistema

Empreendimento em cooperação com a natureza, retirar o mínimo de árvores possíveis, ocupar o solo aos poucos, possibilitando a interação com o tempo, utilizar materiais locais nas construções, plantio de espécies nativas do cerrado e exóticas de produção.

Competência dos elementos Criação de ciclos e nichos

Valas de infiltração

Açudes Armazenar água para a utilização em períodos de seca e para a criação de sistemas de aquicultura produtivos. Além de cumprir a função de armazenamento, aumenta muito a capacidade de produção do local, melhorando o microclima.

Escavações em nível que permitem interromper o escorrimento superficial da água e fazê la penetrar no solo. Com o tempo, essas faixas de terreno se tornam extremamente férteis, além de evitar a erosão superficial.

Geração de eventos

Metas do Pós-Ocupação:

Adubação Verde: feijão de porco, guandu, braca-

Reduzir a necessidade de renda Produção a curto e a médio prazo Saúde e Ética Oferecer produtos e serviços únicos na região Não poluição Exercer posição cooperativa na região

tinga, amendoim forrageiro, sorgo, leucena, tremoço, leguminosas que se estabelecem no solo evitando o crescimento de braquiárias.

Benefícios: Biomassa, descompactar o solo, co-

Estratégias para água:

- Armazenar: infiltrando e estocando - Coletar - Utilizar com respeito (cuidar) - Reutilizar

bertura do solo, fixação do nitrogênio, diminuir a acidez, evitar erosões.

Foto do autor: Terrinha

30

31


Banheiro Seco O sistema não utiliza água para transportar as fezes à um destino final, se armazena numa câmara de compostagem na qual se adiciona serragem ou folhas secas. Essa mistura de carbono com nitrogênio, em contato com o calor do sol, elimina todos os patógenos presentes.

Tratamento de efluentes Filtros Biológicos Filtragem da água Responsabilidade ambiental Aguapé, papiro, conta de lagrima, capim angola e taboa

Reservatório anaeróbico Filtro Misto

Tanque de brita e terra, com plantas aquáticas ou arroz. Tem função de captar sólidos orgânicos grossos, as plantas ajudam a filtrar a água e a limpar as britas, a terra retém o sabão.

Reservatório anaeróbico com plantas Compostagem Mudança de valores Produção de adubo

Tanque com agua e plantas aquáticas, no fundo, britas e plantas aquáticas de superfície.

Reservatório aeróbico Filtro misto

Filtro misto com areia, terra,brita e pedriscos e plantas aquáticas.

Sistema Agroflorestal - SAF A reprodução no espaço e no tempo da sucessão ecológica verificada naturalmente na colonização de áreas novas ou deterioradas. Não é a reconstrução da mata original porque inclui plantas de interesse econômico desde as primeiras fases, permitindo colheitas sucessivas de produtos diferentes ao longo do tempo. Produção vegetal primando a diversidade Observação da natureza Princípios de desenvolvimento da floresta Reflorestamento em função da harmonia entre e natureza Produção de frutas, madeira, bambus e grãos

32

Mandala de horta Caminhos devidamente projetados facilitam o manejo, a irrigação e a colheita.A horta mandala tem diversas vantagens, pois permite o aproveitamento máximo da água e da terra, tem custos de produção menores que os da irrigação tradicional e permite usar áreas bem pequenas.

A produção agricola deve ser planejada para a máxima eficiência em cada metro quadrado de solo Cada círculo terá alimento para duas semanas Circulação terá espaço somente para uma pessoa Produção de ervas, hortaliças, verduras e legumes 33


Objeto

Canteiro A construção do canteiro de obras, possibilitará, atuar diretamente no espaço pretendido, observar as influências naturais e necessidades culturais. Experimentar técnicas e materiais de construção, possibilitará um vínculo maior com o local e abertura de possibilidades projetuais para o objeto pretendido.

Foto do autor: Terrinha

A possibilidade de manifestação de autonomia no canteiro, será a compreensão do processo construtivo como processo expressivo e a lógica da produção da arquitetura.

Análise dos Elementos

Com o intuito de desenvolver um projeto executivo no segundo semestre, relacionar o projeto à obra é fundamental para perceber o processo de produção da arquitetura. Compreender o espaço natural junto a comunidade local e turistas, possibilitará identificar necessidades atuais e anseios culturais. Projetar visando a futura obra, estabelecendo relações democráticas no canteiro de obras, através de um planejamento pragmático de custo x tempo x etapas de obra. Características prévias: Coleta e consome água Distribui água e nutrientes Possibilidade de usar materiais de maior impacto ambiental, pela durabilidade pretendida ao objeto.

Características prévias: Planta livre e ampla cobertura Uso de materiais locais e reutilização. Foto do autor: Terrinha

34

35


Relações dos Elementos

Zoneamento Círculos (ou qualquer outra forma) concêntricos (ou não) relativos a frequência de visitação e interferência. O número de vezes que você precisa visitar um elemento e/ou o número de vezes que o elemento precise de você. A organização em zonas busca compreender o quanto de energia é depositada em casa ação, sendo assim, uma constante de diminuição de energia da zona -1 a zona 5.

Zona -1 - É o ser humano, o utilizador do sistema, a razão do planejamento e da existência do objeto. Compreender a si mesmo para compreender o seu entorno é fundamental para uma existência coerente com a realidade presente. Sintonia e equilibrio são fundamentais para a reflexão crítica. Zona 0 - A casa, o centro do sistema. Na própria casa, e à sua volta, existem muitos espaços que podem se tornar produtivos. Toda a habitação pode ser planejada ou modificada para que seja mais eficiente na utilização de recursos e na produção de alimento. Esse trabalho contribui para o controle da temperatura no interior da habitação, além de utilizar os microclimas criados pela existência da própria estrutura. Zona 1 - Compreende a área mais próxima da casa, se visita diariamente e onde coloca-se os elementos que

necessitam cuidado diário: a horta, as ervas culinárias, alguns animais de pequeno porte e árvores frutíferas de uso freqüente. Também é onde se concentra a armazenagem de ferramentas e de alimentos, para utilização a longo prazo. É nesta Zona que se inclui os elementos necessários à nossa sobrevivência elementar: água potável, espaço para a produção de composto e uma área onde lavar os produtos da horta e as ferramentas.

Zona 2 - Um pouco mais dis-

tante da casa, esta Zona envolve aqueles elementos que necessitam de manejo freqüente sem a intensidade da Zona 1. Algumas frutíferas de médio porte, galinhas e tanques pequenos de aqüicultura poderão fazer parte dessa Zona, bem como outros animais menores. Essa área oferece proteção à Zona 1. Zona 3 - Já mais distante da casa poderá nela incluir as culturas com fins comercias, que ocupam mais espaço e não

necessitam de manejo diário, por exemplo o bambu. Também poderemos incluir a criação de florestas de alimentos, produção comercial de frutos e castanhas, entre outros elementos essenciais à diversidade da produção.

Zona 4 - Visitada raramente, nela poderá incluir a produção de madeiras valiosas, bambus, açudes maiores e a produção de espécies silvestres comerciais. O extrativismo sustentável e o manejo florestal também poderão fazer parte desta Zona. Zona 5 - Aqui, só entraremos para aprender ou para uma coleta ocasional de sementes. É onde não interferimos, permitindo, assim, que exista o desenvolvimento natural da floresta. A vila ou a cidade também fazem parte desta zona de aprendizado. Sem esta Zona ficamos sem referência para a compreensão dos processos que tentamos incluir nas outras zonas.

Objetivo: conservar energia no local 36

37


Proposta de Implantação

Zoneamento no Tempo

1° ano: Atuação geral no terreno

38

3° ano: Manejo das zonas

7° ano: Consolidação das zonas

39


Fases da Implantação

Projeto de Implantação

1° ano: Atuação geral no terreno

3° ano: Manejo das zonas 40

7° ano: Consolidação das zonas 41


Bibliografia BEHR, Miguel. V. Berço das águas do novo milênio: Chapada dos Veadeiros – Goiás/Brasil. Brasília, UnB, 2001. DIRETOR, Plano de Ordenamento Territorial. A questão ambiental, participação popular e novas formas de parcerias: o caso de Alto Paraíso, Goiás (Brasil). Arq. Miguel Von Behr, integrante do grupo de trabalho do Plano Diretor. Prefeitura Municipal de Alto Paraíso de Goiás, 2002. FERRO, Sérgio. Arquitetura e trabalho livre. São Paulo. Cosac Naify, 2006. FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação? Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1983. GIEDION, Sigfried. Espaço, Tempo e Arquitetura: O desenvolvimento de uma nova tradição. São Paulo, Martins Fontes, 2004. HANZI, Marsha. O Sitio Abundante: co-criando com a natureza – Permacultura. Edição da autora, 2003. HOLMGREN, David. Os Fundamentos da Permacultura. Austrália, Edição do autor, 2007. JACQUES, Paola. B. A Estética da ginga: A arquitetura das favelas através da obra de Hélio Oiticica. Rio de Janeiro, Casa da palavra, 2001. 42

LENGEN, Johan. V. Manual do arquiteto descalço. Rio de Janeiro, TIBÁ, 2004. LIMA, João. F. São Paulo, Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, 1999. MASI, Domenico. O Ócio Criativo. Rio de Janeiro, Sexante, 2000. MEIO AMBIENTE, M. SNUC: Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Brasília, MMA/SBF, 2003. MOLLISON, Bill. Permaculture, A Designers Manual, Austrália, Tagan, 1989. MONEO, Rafael. Inquietação Teórica e Estratégia Projetual na obra de oito arquitetos contemporâneos. São Paulo, Cosac Naify, 2008. MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre, Sulina, 2007. MORIN, Edgar. O Pensamento Ecologizado. Paris, Gazeta de antropologia, 1996. MORROW, Rosemary. Permacultura passo a passo 2a Edição, Ecocentro IPEC, 2010. REIS, Nestor. G. e Tanaka, M. Soban - Brasil: estudos sobre a dispersão urbana. São Paulo, 2006.

ROGERS, Richard. e P. Gumuchdjian. Cidades para um pequeno planeta. Lisboa, GG, 2001. ROMERO, Marta. A. B. Reabilita: Reabilitação Ambiental Sustentável Arquitetônica e Urbanística. Brasília, FAU/UnB, 2009. SALMONA, Rogelio. e C. Arcila. Tríptico Rojo. Bogotá, Taurus, 2007. SANTOS, Milton. Manual de Geografia Urbana. São Paulo, Hucitec, 1981. SANTOS, Milton. O Brasil: Território e Sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro, Record, 2008. SATTLER, Miguel A. Edificações e Comunidades Sustentáveis: atividades em desenvolvimento no NORIE/UFRGS. Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2002. SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo, Companhia das letras, 1999. VILLAÇA, Flávio. Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo, Studio Nobel, 1998. YEANG, Ken. Proyectar con la Naturaleza. Barcelona, Gustavo Gili, 1999.

Sites http://www.ibge.gov.br/home http://www.ibama.gov.br http://www.goiasnet.com/especiais/dossie http://www.sieg.go.gov.br http://www.icmbio.gov.br/brasil/GO/parna_veadeiros http://altoparaisodegoias.blogspot.com http://www.alto.paraiso.nom.br

43


TFG