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Porto Velho - Rondônia - Brasil - Ano I - N.º 0 - Edição do Verão de 2013

O NÍVEL MAÇÔNICO: UMA MISSÃO DE NIVELAÇÃO OU DE UNIÃO? John Deyme de Villedieu

AS ORIGENS DO RITO YORK

Hugo Borges e Sérgio Cavalcante

A MAÇONARIA EM EVOLUÇÃO Cláudio Santini ORIGEM E FONTES DO RITUAL SCHRÖDER Hans Heinrich Solf

ASPECTOS SIMBÓLICOS DO TRABALHO EM CANTARIA Roger Avis

Edição Inaugural da Primeira Revista de Estudos Maçônicos da Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia

À G.·. D.·. G.·. A.·. D.·. U.·.


ÍNDICE

PODER EXECUTIVO DA GLOMARON Grão-Mestre: Juscelino Moraes do Amaral Grão-Mestre Adjunto: Antônio Alves Pereira DELEGADOS DO GRÃO-MESTRADO POR JURISDIÇÃO Delegado da 1ª Região: Mário Leme da Rocha Junior Delegado da 2ª Região: Nilton Edgard Mattos Morena Delegado da 3ª Região: Edson Vinicius Alves Delegado da 4ª Região: João Carlos Veris Delegado da 5ª Região: Edson Aleotti Delegado da 6ª Região: Jaime Clemente Oberdoerfer Delegado da 7ª Região: Lourival Da Lamarta Delegado da 8ª Região: Pedro José Bertelli Delegado da 9ª Região: João Carlos Volpato Delegado da 10ª Região: Afonso Soares de Albuquerque GRANDES SECRETARIAS EXECUTIVAS Relações Interiores: Deivison Russi Relações Exteriores: Edson Ramos Finanças: Claudio Aparecido Pinto Coordenação e Planejamento: Wladmir José Carranza Publicação e Divulgação: Luiz Carlos Araújo dos Santos Relações Publicas: Noilson Neviton de Souza Bibliotecário: Carlos Alberto da R. Nogueira Historiador: Gilberto Carlos Cantarelli Informática: Jairo Tschurtschenthaler Costa Relações Para-Maçônicas: Antônio Porphirio P. dos Santos Administração e Patrimônio: Itamar José Ferreira Ritualística: Aldino Brasil de Souza

PALAVRA DO GRÃO-MESTRE

3

EDITORIAL4 O NÍVEL MAÇÔNICO: UMA NIVELAÇÃO OU DE UNIÃO?

MISSÃO DE 5

A vertical, garante da horizontalidade 

5

O estabelecimento da horizontal

7

O aplainamento como matrimônio unificador

10

Maçonaria Operativa e Maçonaria Especulativa

13

ASPECTOS SIMBÓLICOS DO TRABALHO EM CANTARIA13 As ferramentas do Canteiro

14

Relações analógicas entre a cantaria e o trabalho interno 15 Aspectos práticos de como trabalhar literalmente à pedra bruta 17 Conclusão: Iniciações nos mistérios menores e maiores19

ORIGEM E FONTES DO RITUAL SCHRÖDER 21 AS ORIGENS DO RITO YORK41 A Grande Loja de Londres

41

Os primeiros maçons da américa do Norte

43

Saint John’s Lodge - a primeira Loja das Américas

44

Os maçons Ingleses e Americanos na Independência dos Estados Unidos 46 O Rito York no Brasil

50

Os membros Fundadores

51

As Lojas Posteriores à Washington Lodge

53

A MAÇONARIA EM EVOLUÇÃO Bibliografia

55 60

E-Mail para contato: lapideias@gmail.com Salientamos que as matérias aqui publicadas foram examinadas e não encontramos qualquer sinal de cópia não referida ou plágio. Caso haja alguma reclamação sobre este motivo, favor entrar em contato com o Editor desta revista, através do e-mail acima mencionado, inserindo material probatório, que nos comprometemos a fazer a retificação possível. Cabe lembrar que esta revista é de distribuição gratuita, e que não se aufere nenhum lucro com sua distribuição, e que não temos intuito de inserir propagandas comerciais objetivando com isto conseguir numerário para sua edição. Todos os que nela trabalharam o fizeram gratuitamente, sem o intuito de constituir, com isso, alguma renda. Caso se interesse em colaborar com a revista, através de matérias -dentro da proposta acima apresentada, ou de perguntas, entre em contato conosco para examinarmos o material proposto. O Editor


PALAVRA DO GRÃO-MESTRE Grande Loja se manifesta sobre o 7 de a idéia da convocação de uma Constituinte, cujo setembro: Independência do Brasil

projeto foi redigido por Gonçalves Ledo e José Bonifácio, o patriarca da Independência.

13/09/2013

Na tarde de 7 de setembro de 1822, Mais de 200 maçons e jovens das ordens “Demolay” e “Filhas de Jó” participaram na noite do último sábado, do desfile de 7 de setembro, em Porto Velho. Os maçons desfilaram com seus paramentos utilizados nas sessões, e levaram para o desfile um pouco da história da participação da Maçonaria no processo que culminou com a independência do Brasil. O desfile dos maçons no dia 7 de setembro faz parte da proposta da Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia de aproximar a Maçonaria das comunidades e também serve para mostrar que a instituição tem uma participação importante na construção de uma sociedade mais justa e Maçonaria

esteve

presente

nos

grandes acontecimentos da história brasileira, especialmente naqueles que buscavam garantir ao povo brasileiro a liberdade inexistente no período colonial. Desde então, inúmeros projetos sociais vêm sendo desenvolvidos pela Maçonaria, sempre contribuindo com o desenvolvimento humano e a melhoria da sociedade. A

às recomendações através do Manifesto de Gonçalves Ledo, e o grito, “Independência ou Morte”, foi a denominação de uma das “palavras” da sociedade secreta. No desfile de 7 de setembro, em Porto Velho, os maçons, bem como os jovens Demolays e Filhas de Jó, são saudados pelas autoridades e aplaudidos pela população que reconhece a história de nossa instituição e luta pela construção de uma Sociedade mais justa e perfeita com a trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade entre os povos e nações. JUSCELINO AMARAL GRÃO- MESTRE DA GLOMARON

mais humana. A

às margens do Ipiranga, D. Pedro atendeu

independência

do

Brasil

tem

um

significado especial para nós, maçons, pois a Maçonaria teve participação decisiva no movimento, quando propôs, em uma sessão, que se conferisse ao Príncipe D. Pedro I, o título de “Protetor e Defensor Perpétuo do Brasil”. D. Pedro aceitou o título, propondo apenas a supressão do termo “Protetor”. Os maçons, habilmente, arquitetaram o desenrolar do 7 de setembro de 1822, lançando


EDITORIAL Já se disse que João Batista vivia pregando no deserto... no deserto do coração dos homens. Nós, tendo João Batista como nosso exemplo, mentor da Maçonaria Simbólica, devemos nos perguntar o quanto de deserto carregamos em nossos corações. A partir deste momento é racional que se faça uma pergunta para que nós todos meditemos sinceramente: quem afinal é isento de uma missão espiritual? Estabeleçamos, desde já que a religião não monopoliza a espiritualidade, que há aspectos espirituais não religiosos, não mistificadores, não ocultistas ou fantasiosos, que a maçonaria faz por bem estudar e praticar, ainda que os indique através de outros nomes, como caridade, ou amor fraternal, não importa. No entanto, na atualidade, quase infértil de oásis a fertilizarem as areias deste mundo, percebemos muitas vezes que os sonhos e ideais dos homens são castigados pelos ventos do materialismo, e o cotidiano vai martelando implacável, até levar grande parte da humanidade, inclusive muitos filhos da viúva, à mais completa afasia. No entanto, há o conhecimento... eis a chave! A chave que abre o cofre onde está guardado um novo universo, cujo aroma rescende à primeira terra molhada pela chuva que lembramos da infância. E tal qual descascar uma cebola, ou se guiar por um fio através de um labirinto aparentemente inextricável, pouco a pouco podemos retornar ao núcleo e despertarmos para o que somos e o que devemos fazer. Eis o conhecimento. O amor... eis a ferramenta! Qual Irmão se sente isento de uma missão espiritual? Qual maçom estaria isento, após receber a Luz, de trabalhar para um mundo melhor? Será que não temos compromissos com o nosso próximo e podemos deixá-lo sem nosso zelo constante, pois sabemos que outros se encarregarão dele e de seu bem? Esta Revista não foi criada para aqueles que buscam se encher das coisas mundanas, achando-as suficientes para sua existência. Esta pequena revista existe para aqueles que têm sede de conhecimento. Foi construída sobre o alicerce do estudo; e se sua débil aparência material possa impressionar desfavoravelmente aos olhos de alguns, ainda assim ela foi construída sobre o caráter daqueles que também consideraram uma missão expressar uma mensagem de conhecimento para estas paragens e –por que não dizer?- para humanidade. Você, que nos lê, é também o artífice desta obra. E caso ainda não tenha colaborado diretamente, ou indiretamente -o que poderá acontecer num futuro próximo- ainda assim, só o fato dessa mensagem chegar a um emissor, você, isso o torna o maior colaborador que temos! Portanto, queremos que você, leitor, saiba que esta revista existe tal qual uma Loja, onde renovamos nosso compromisso com um mundo melhor, a começar de nosso mundo interior, bastião de qualquer outra mudança que queiramos proceder. Esta revista foi criada para este raro tipo de homem, que está em extinção na atualidade, mas que ainda encontramos em nossos trabalhos: O homem que tem um ideal! Que não se conforma com a existência mesquinha, onde números, cifrões e preocupações são o mais importante, mas que busca uma solução, através do estudo de si mesmo, para galgar os degraus da do autoconhecimento, que costumamos chamar “escada de Jacó”. Boa leitura, e muito grato! O Editor Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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O NÍVEL MAÇÔNICO: UMA MISSÃO DE NIVELAÇÃO OU DE UNIÃO? JOHN DEYME DE VILLEDIEU

A vertical, garante da horizontalidade

O

Nível, na Franco-Maçonaria, parece-nos sobretudo conhecido como o instaurador da horizontal e, por isso, como o símbolo

O nivelamento tem tanto êxito depois de vários séculos, que fez perder de vista, em sua fúria por achatar tudo, [inclusive] a própria origem da palavra, quando esta origem, como se verá,

complementar da Perpendicular, ou Prumo, que,

revela muito bem a significação e, além da le-

que com freqüência se evocam, até hoje em

delo ao símbolo (3), parece-nos igualmente mui-

do mesmo modo, determina a vertical. Pode tra, o espírito. Mas não só a linguagem esclarece [ser] que isto explique o que as significações coisas. O próprio instrumento, que serviu de modia, a propósito do Nível, sejam uma lembrança to revelador caso se preste atenção à maneira daquilo que o século XVIII em seus últimos anos como está constituído. Efetivamente, ele se comvia, com uma predileção sincera ou oportunista, põe de um esquadro cujos braços estão unidos na horizontalidade.

por uma barra transversal, e de um prumo que

Desta maneira, segundo um “catecismo” desce do ápice de tal esquadro: é no momendado por um ilustre Maçom antes da guerra, to em que o prumo se situa defronte à “linha de o Nível “tende a nivelar as desigualdades

fé”, marcada na barra, que o Nível certifica a ho-

arbitrárias” (1). E o Simbolismo é em nossos dias rizontalidade que tem como missão assegurar. unanimemente desconhecido (2), até o ponto em Desta maneira, se esta ferramenta permite obter que outro autor, em seu Dicionário, consagra ao a horizontal, ela facilita, além disso -e acima de Nível uma linha e meia para nos dizer que esta tudo, a vertical, parecendo assim mais compleferramenta “simboliza a igualdade”. É curta, e, ta que o Prumo, como por outra parte numerosobretudo, em razão de certos hábitos mentais sos autores o têm feito observar. Mas, então, o de nossa época, um pouco equivocada. Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

que poderia surpreender é que, até admitindo 5


esta superioridade, considera-se que a vanta-

com o qual fica manifesto tudo aquilo que separa

gem dada ao Nível, com relação ao Prumo (4), esta significação de terreno aplanador do qual é devida tão somente ao fato de que estabelece partimos (5). a horizontalidade, enquanto que o Prumo dá a vertical. Perguntamo-nos qual pôde ser o motivo que faz com que se atribua esta preeminência a uma mais que a outra destas direções, o que vai contra à ordem hierárquica habitualmente reconhecida? Deve-se a esta ânsia “democrática” de nivelar indiferenciadamente tudo, segundo o método confusionista, antes da subversão total? Entretanto, os mesmos dicionários “profa-

Quando se trata do Nível, as definições estão de acordo em reconhecer que seu papel consiste em verificar a horizontalidade de um plano; e é para isto que serve na prática da maçonaria. Mas, caso se deseje aprofundar na significação simbólica, é conveniente entrar em certos detalhes cuja evidência é inegável sem dúvida, embora os espíritos distraídos e enfastiados de nos-

sa época tenham perdido o costume de tomá-los nos”, que são pouco suspeitos de preocupações em consideração. esotéricas, deixam entrever a verdadeira signiNa realidade o Nível tão somente permite ficação do Nível e, portanto, o mistério de sua estabelecer se dois pontos de uma superfície função. se encontram à mesma altura, ou se não se enSem dúvida, num certo sentido, que parece contram; e o importante é que isto se faz graças predominante para muitos hoje em dia, nivelar é a seu prumo que, como dizíamos mais acima, igualar; trata-se de por tudo no mesmo plano; é coincide ou não, sobre sua barra transversal, fazer tábula rasa do excepcional; em suma, nive-

lar por baixo. Em qualquer caso, isto é o que se faz com os trabalhos de nivelamento das terras com toda a brutalidade ininteligente e antiestética da técnica moderna, e não é surpreendente que nossos contemporâneos, muito mais penetrados de materialismo do que geralmente se imaginam, retenham do nivelamento, sobretudo, o ato aplanador de algo. Na realidade, nivelar não só é aplainar, mas também, como diz o [dicionário] Robert, “medir as alturas comparativas dos diferentes pontos de um terreno com relação a um plano horizontal dado”. Não se pode atuar sobre as coisas passando sobre elas ou as esmagando, mas sim observando o mundo ao redor, assinalando as linhas características e o relevo. Também, no sentido de aplainar, é unificar, quer dizer unir,

com a marca chamada “linha de fé”. Quer dizer que a verificação da horizontalidade se opera obrigatoriamente [em relação] à vertical. Há aqui um ponto que quereríamos estabelecer e que não recordamos havê-lo visto assinalado com a insistência necessária, apesar de ampliar e elevar singularmente as significações da “ferramenta” que estamos estudando. O Nível, efetivamente, em seu domínio próprio, é o equivalente da Balança, como o indicam notoriamente seus nomes latinos respectivos libella (6) e libra, onde o primeiro não é mais que o diminutivo do segundo. Por outra parte, a palavra “nível” (7) provém da raiz libr-, que comporta a ideia de pesagem, com o que a “ferramenta” maçônica, em sua significação simbólica, tem proximidade com a Balança.

embora o dicionário reconheça que este último

O que é interessante, no que se refere ao

termo, no sentido de aplainar, tornou-se estra-

Nível maçônico e à Balança tradicional, é que no

nho [N.T. - o autor se refere ao sentido encontra-

caso de se tratar de estabelecer a horizontal, é

do na língua francesa]. Unir é realizar a unidade,

[somente] com a ajuda da vertical que poderá fa-

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zê-lo, o que assinala com nitidez a preeminência existência] de uma justa “pesagem” da horizondesta vertical. Deste modo, é no mínimo curio-

tal, é interessante recordar que, tradicionalmen-

so constatar que é o inverso o que ocorre nas te, esta vertical é o símbolo da Vontade do Céu. balanças modernas, porque neste último caso

Esta, para o entendimento humano, pode to-

o rigor da pesagem depende -acima de tudo- mar o aspecto de uma força descendente e que da exata horizontalidade do plano sobre o qual “pesa” sobre o destino humano, mas também -e estão colocados estes aparelhos, como se, até

ao mesmo tempo, o aspecto de uma força as-

“aleatoriamente”, a produção de nossa moder-

cendente por sua atração; estas forças, que se

na civilização estivesse destinada à subversão.

exercem simultaneamente, representariam bas-

Pelo contrário, a preeminência da vertical sobre tante bem a Justiça rigorosa e a Misericórdia da a horizontal ainda era respeitada nas antigas ba-

Árvore Sefirótica, respectivamente. A Vontade

lanças, como a que se encontra pendurada na

de que se trata é por outra parte conforme a “Ati-

parede da Melancolia de Dürer. Efetivamente, a vidade do Céu”, que parece descender, como a horizontalidade do braço se verificava pela ver-

Graça, mas que na realidade incita à elevação

ticalidade da agulha que se encontra fixada em

(8).

ângulo reto e que, para ser vertical, devia tomar a mesma direção que o suporte onde repousava o braço, ele próprio suspenso em um ponto fixo e que, como o prumo do Nível, é o garante da

Conviria agora estudar o que do ponto de vista simbólico significa a verificação e, de fato, a instituição efetiva (9) da horizontal pela graça

da vertical (10). Resulta, efetivamente, que o ververticalidade e, consequentemente, de uma justa dadeiro papel do Nível, na arte maçônica, não se horizontalidade. limita a constatar uma diferença de altura entre dois pontos, mas sim consiste em reduzi-la, até fazê-la desaparecer. O estabelecimento da horizontal Partindo do fato já estabelecido de que a finalidade do Nível não é nem uniformizar nem achatar, mas sim aplainar, unificar, e, portanto, de unir, existe um meio para tentar compreender no que consiste verdadeiramente a instituição da horizontalidade. Para isso é suficiente ater-se às significações da pesagem levada a termo pela Balança, vocábulo de que vimos em latim sua equivalência etimológica com o Nível. No comércio, para realizar uma pesagem, antigamente ficava em um prato da balança certo peso estabelecido pelo pedido do cliente, e no Melancolia - Dürer

outro prato fragmentos da mercadoria desejada até que esta “fazia o peso”. O ideal que a mer-

Estando bem estabelecida a preeminên-

cadoria escolhida devia alcançar era, em conse-

cia da vertical quanto a sua necessidade para [a

qüência, da ordem quantitativa. No entanto, isso

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Os antigos arquitetos e artesãos egípcios usaram o nível triangular e prumo nível para garantir que todas as superfícies de construção eram niveladas e perfeitamente aprumadas. Do túmulo de Sennedjem veio um conjunto dessas ferramentas, incluindo uma haste com a medida do côvado real, um nível de triângulo, dois prumos de chumbo, dois esquadros, e várias outras peças. Sennedjem pode ter usado esses instrumentos para a construção e decoração dos túmulos de Seti I e Ramsés II no Vale dos Reis, bem como do próprio lugar onde ocorreu seu esplêndido enterro. Este nível de triângulo é construído de dois pedaços diagonais de madeira unidas em ângulo reto, com um pedaço horizontal entre os dois. O prumo na forma de um coração é suspenso por um fio a partir do topo do ângulo recto, quando o nível está colocado sobre uma superfície plana, a corda do prumo iria ficar exatamente no meio das marcas de incisão no centro da peça horizontal. Se a superfície não fosse devidamente nivelada, o prumo, então, indicaria as correções necessárias. A inscrição, que gira em torno do triângulo pede ao deus Ptah e Re-Horakhty-Atum-Hemiunu para o enterro e benefícios em vida após a morte para o ba de Sennedjem. (O Museu Egípcio, no Cairo)

go Egito, e a prova está na arte da Idade Média cristã, onde algumas iluminuras [imagens iluminadas] testemunham que a Europa, naquele tempo, conhecia o simbolismo da psicostasia. Observamos então que a Balança, considerada em seu sentido material ou em seu sentido espiritual, tem por função medir a adequação de uma coisa a seu modelo, caso se trate da adequação de certa quantidade de farinha ao peso exigido, ou da adequação de uma alma à exigência da Justiça equilibrante. Compreendendo agora o que é exatamente, do ponto de vista simbólico, a pesagem da Balança, não é difícil deduzir a significação que tem, com o Nível, ou “pequena Balança” (libella), a instituição da horizontalidade. Não se trata de elevar os operários ao nível social dos patrões, delírio utópico ou hipócrita demagogia. Não é tampouco questão de rebaixar os patrões ao Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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nível dos operários, pura especulação de ódio na mesma Identidade. social. O fim do Nível é promover um aplainamento suscetível de resolver as dificuldades, que elas provenham de uma superfície desigual, de uma incompreensão nas relações sociais abruptas, ou, no plano espiritual, de uma opacidade rugosa que oculta ao homem suas sumidades luminosas. Aplainar, dissemo-lo anteriormente, é unir, mas é esta uma significação que se tentou suprimir das memórias humanas. Preferiram reter as ideias de acordo com um ideal de simplificação e facilidade, ideias que seduzem muito especialmente o mundo moderno, porque elas são a negação de toda vida (12). Dado que o Nível é uma das ferramentassímbolos utilizadas em uma das raras Organizações iniciáticas que ainda existem no Ocidente, é sobretudo em sua acepção espiritual que aqui nos interessa. Como proceder então ao “aplainamento”, à unificação, à união da qual antes falávamos? A única maneira de unir irreversivelmente os homens entre si é pô-los em situação de intuir e posteriormente descobrir neles mesmos aquilo que os tornam verdadeiramente “iguais” e cuja aparência social e de caráter é tão somente o reflexo mais ou menos fiel, se não a caricatura mais ou menos enganosa. Queremos falar deste elemento que Mestre Eckhart chamava “incriado e incriável”, e que, em cada homem, é o único elemento que o torna não só “igual”, mas também realmente idêntico a seu “próximo”. Uma das utopias mais perigosas e daninhas do mun-

Se a união entre os homens passa pelo reconhecimento prévio daquilo que é o único que pode uni-los, é evidente que o primeiro passo consiste em reconhecer no mais profundo de alguém aquilo que o converte em verdadeiramente idêntico a todos os outros, sem distinção de sexo, raça ou religião. Uma vez reconhecido este elemento, e tendo em conta que se trata de algo eminentemente senhorial, todas as inumeráveis aspirações individuais produtoras de caos têm que se subordinar a tudo que ele suscita de aspiração central. Isto quer dizer que corresponde a cada um realizar em primeiro lugar a unidade em si mesmo. Assinalemos aqui algo que poderia passar por uma simples coincidência, mas que nós consideramos como uma confirmação do que estamos dizendo. Trata-se de uma semelhança consonantal parcial que, por intermédio da raiz LB, opera uma aproximação entre o latim libra, que designa a balança, e o hebraico leb, que designa o coração, o único “lugar” que, por sua posição central, permite ao homem realizar o equilíbrio harmonioso do qual falamos. A raiz hebraica de que se trata evoca por outra parte a audácia e qualquer atividade produtora interior. Quer dizer que ela expressa com bastante exatidão a orientação da consciência e das aspirações humanas para seu centro espiritual (14). Esta aproximação lingüística, curiosa pelo

do moderno é querer “igualar” tudo, reunir tudo, menos, parece-nos digna de certa atenção, pois unir tudo do exterior, mas negando a única coisa deixando à parte qualquer questão de etimoloque, no centro de cada homem, faz possível esta

gia, sempre permanece o fato de que tanto a Ba-

união (13). O único e verdadeiro “ecumenismo” é lança quanto o Nível se mostram perfeitamente tão velho como o mundo e não é outra coisa que capazes de velar pela transmutação espiritual de o resultado do conhecimento esotérico que per-

que estamos falando, podendo aparecer por isso

mite perceber, sob a variação dos diversos “cli-

como os instrumentos de uma conversão unifi-

mas” religiosos, a unidade essencial que trans-

cadora da qual só pode sugerir-se sua profundi-

cende as expressões particulares para fundi-las dade. Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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Nível-Amuleto de pedreiros egípcios (Williams College Museum of Art)

O aplainamento como matrimônio unificador

não tenham mais nada de individual nem de múl-

Contribuiremos agora algumas conside-

essencial, que não é outra que o reflexo do Que-

rações complementares sobre o sentido desta “síntese” equilibrante a se realizar pelo homem

tiplo, mas apenas se reduzam a sua aspiração rer divino. Assinalemos que no matrimônio do Si tudo

e, em primeiro lugar, conviria não se deixar en-

está, por fim, aplainado, tudo está perfeitamente

ganar pelas significações que os hábitos men-

unido, liso e sem rugas. Entretanto, na relação

tais do Ocidente moderno acabaram por impor de adequação do símbolo àquilo que ele simboa determinadas palavras. Por isso, é necessário liza, alguns poderiam opor uma objeção. Se o guardar na memória o princípio da pesagem es-

Nível permite elevar as coisas à mesma altura,

piritual que o antigo Egito, por exemplo, deixou- o que está em concordância com o matrimônio nos como modelo. Entre o coração humano em de que estamos falando, também serve para nium lado da Balança e, no outro, a Verdade e a

velar, e é aqui onde se pôde deslizar o sentido

Lei divina, não existe, entenda-se bem, nenhum forçado (15) que com tanta freqüência se utiliza ponto de comparação salvo o que possa haver hoje em dia, seja de uma maneira simplesmenentre a Luz e um de seus brilhos. Não se tra-

te pejorativa, ou de forma reivindicativa e mais

ta de fazer uma boa mescla de suas aspirações ou menos rancorosa. Agora, caso se rechacem individuais e de sua aspiração central. A união todas as utilizações desta palavra com fins pode que estamos falando aqui não é um coque-

líticos ou sociais que, tal e como se entendem

tel. Trata-se do matrimônio do indivíduo com o

atualmente não saberíamos no que poderia nos

Si universal, e, em tal matrimônio, o indivíduo se interessar, é evidente que suas significações não funde no Si, até o ponto em que suas aspirações têm nada de pejorativo nem de rancoroso, como Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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testemunhava o primeiro dicionário consultado. mensão universal, caso se desça em um ponto Além do mais, caso se considere a utilização do

do cosmo, eleva-se em outro ponto, de tal forma

Nível para fazer descer um elemento à altura de

que sempre se preserve a harmonia geral das

outro, encontramos uma aplicação imediata dis-

coisas. É o que a tradição chinesa denomina as

so no próprio processo do matrimônio simbóli-

“ações e reações concordantes”, cujo equilíbrio

co -mas real- considerado anteriormente. Se a está situado no “Invariável Meio”, equilíbrio que consciência individual nos aparecer em pleno não é outro que o reflexo da “Atividade do Céu” impulso para a sumidade, onde se fará possível a união tão desejada, existe também outra imagem que no âmbito espiritual se cita com bastante freqüência: o homem não faz o caminho só

evocada anteriormente (18). Vemos como o Nível, na ordem simbólica e espiritual, é perfeitamente apto para cumprir a missão que aqui lhe reconhecemos, esteja, por

porque Deus vem a seu encontro (16) e, por isso, outro lado, na mão do Maçom ou na do Grande deve necessariamente consentir em “descer” de Arquiteto, o qual, do ponto de vista em que consuas alturas. Entenda-se, estas não são senão

imagens que tentam traduzir o melhor possível, em uma linguagem muito inadequada, a espera divina e a esperança humana que acabarão por reunir-se cedo ou tarde. Há aqui uma convergência onde seria difícil dizer qual é o primeiro instigador se não se soubesse sempre que tudo se submete, de bom grau ou não, à Vontade divina.

sideramos as coisas, deve ser o mesmo, pois é sempre o Grande Arquiteto o que guia a mão do Maçom, ao menos na medida em que este realiza uma obra de Mestre. É a este dever espiritual de elevação corretora e de condescendência misericordiosa (19) ao qual deveria estar consagrado o Nível maçônico em sua acepção mais alta, e é assim com

A pesagem que mais acima evocávamos é, toda certeza como o entendiam antigamente os por outra parte, uma imagem expressiva dos mo- melhores de nossos construtores de catedrais. vimentos de elevação e descida de que estamos Sempre há “templos” a “elevar”, como há “masfalando. Como em qualquer deliberação (17)

morras” a “cavar”, e aqueles que reclamam das

onde se pesam os elementos em questão, existe exigências interiores em nada cedem às prodiuma oscilação característica da Balança. Entre- giosas construções medievais. Desta maneira, tanto, não terei que acreditar que esta alternân- quando se provê de seu Nível, o Maçom terá cia de movimentos inversos sempre se resolva “aplainado” em si mesmo os obstáculos que o finalmente por uma conclusão favorável ao que separam da única Realidade resplandecente, é pesado. Quando Maat desce em seu prato, o quando se acha desembaraçado de todas suas coração do defunto se eleva no seu, mas quando travas egocêntricas, quando, livre enfim, verdaMaat se faz muito leve, tênue, inacessível, então

deiramente será uno com seus Irmãos e com to-

o coração humano cai e sucumbe a seu peso.

dos os homens que, como ele, caminham pelo

Isto não nega tudo que dissemos do equilíbrio essencial da Balança e do Nível. Certamen-

mundo (20). A coisa não é fácil de realizar, pois, como

te, na economia universal, existem elementos a dissemos, facilidade e simplificação, embora depurar e outros a eliminar, mas isto jamais se satisfaçam à preguiça moderna, entretanto confaz em um ambiente denegritório e de ódio. Só duzem para um beco sem saída. Pelo contrário, importa a euritmia e, para nos limitar ao simbo-

“não é necessário esperar para empreender,

lismo da pesagem, embora lhe dando uma di-

nem obter para perseverar”, e se a via espiritual

Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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pode ser larga às vezes, não faltam flores para taneamente, que todos os desequilíbrios parciais balizá-la e compensar assim os rigores. Além

devem convergir necessariamente no grande

disso, como escrevia René Guénon, “quem esti-

equilíbrio total e que nada poderá prevalecer fi-

vesse tentado a ceder ao desespero deve pensar nalmente contra o poder da verdade; sua divisa que nada do que é realizado nesta ordem pode deve ser a que adotaram antigamente certas orperder-se, que a desordem, o engano e a escu-

ganizações iniciáticas do Ocidente: Vincit Omnia

ridão só podem dominar na aparência e momen-

Veritas [a “Verdade Sempre Vencerá”]. (21)

Tradução: Roger Avis

Notas (1) Sem dúvida, isto hoje em dia seria um pleonasmo, pois devido ao progresso uma opinião “se” foi forjando pouco a pouco, para a qual qualquer desigualdade é arbitrária. (2) O desdém para com o Simbolismo é a conseqüência lógica da ignorância de nossa época com tudo o que tem relação com a Metafísica. (3) E não o nível moderno, com borbulha de ar, o qual se chama “nivela”. (4) efetivamente, na Franco-Maçonaria, é ao primeiro Vigilante a quem se atribui o Nível, enquanto que o Prumo corresponde ao segundo Vigilante. (5) Unificar não é uniformizar, como pensa o estúpido modernista: é justamente o contrário, pois para unificar é necessário sair do mundo das formas. (6) Libellus em latim popular. (7) Derivado do francês antigo livel, e inclusive do inglês level. (8) Tal é, por exemplo, a Graça que desce sobre aqueles que, no Islã, seguem o “caminho reto”, bem conhecido por sua verticalidade e por propor uma direção ascendente. (9) Esta consideração é necessária, já que no curso de suas numerosas verificações o que o Nível constata é o fato de que a horizontalidade nunca está estabelecida, e consequentemente fica por realizar. (10) Poderia ser que isto mesmo não esteja muito longe daquilo que dizia João, o Batista, quando recomendava “aplainar os caminhos do Senhor” (Mateus III, 3). (11) Esta idéia de elevação, que é o contrário da de nivelamento, encontra-se no latim aequare: efetivamente, além das significações de “aplainar”, ou de “unificar”, de “pôr ao nível de”, de “comparar”, também comporta as de “igualar” e “obter”. (12) Os promotores do mundo moderno não são acaso os inimigos de toda via, de toda verdade e de toda vida? Esperam triunfar expandindo sua desordem libertária, seu pensamento falacioso e os venenos de suas sujas indústrias. (13) Não se trata de uma simples utopia nascida dos cérebros mais ingênuos, mas sim de um cálculo premeditado, retorcido e criminoso, que parte daqueles que conduzem “este” mundo e que, nos fazendo ver que procuram a paz, não perdem ocasião de promover todas as fricções, ódios e mortes.

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(14) A palavra árabe lubb, que designa o núcleo, o coração, a essência de uma coisa, parece estar formado de uma raiz semítica comum com o hebreu leb da qual estamos falando. Evoca a mesma centralidade e a mesma espiritualidade interior: por isso se diz que o sufismo é o “núcleo” ou o “coração” do Islã. (15) Foi forçada “esquerdizando-a”. Mas esta simultaneidade na ação de maneira nenhuma exclui uma sucessão lógica de dois fatos: é a vontade do esquerdismo a que torna inevitável violar a significação. (16) Desta maneira o Cristo se fez homem para salvar aos homens: ele desce para que estes possam elevar-se. (17) As duas palavras “deliberação” e “nível” derivam da mesma raiz libr. (18) R. Guénon aborda este assunto nos Principes du Calcul infinitésimal, P. 105, 108. (19) Utilizamos o termo de condescendência no sentido, desgraçadamente em desuso, de uma espécie de benevolência para aqueles que estão menos avançados no Caminho do Conhecimento. Curiosamente, o [dicionário] Pequeno Robert, na mesma ordem de ideias, cita a “condescendência de um iniciado para com um profano”. E é também no mesmo sentido de “compaixão” e de “compartilhar” como nós entendemos aqui a misericórdia. (20) Se diz que o Maçom deve ser um homem “livre e de bons costumes”, e vimos que sua autêntica liberação, que é uma elevação, não poderia encontrar uma origem melhor que na utilização judiciosa do Nível. Seria então interessante operar uma aproximação lingüística entre o termo “nível” e o de “liberdade”, que, pelo que parece, nunca se tentou. O francês “niveau”, o inglês level e o francês antigo livel, que têm a mesma significação, pertencem à mesma família lingüística que o latim libra (= balança, peso de 12 onças) e o grego litra, com igual sentido. Grandsaignes d’Hauterive não vai além das raízes libr- e litr- que designam, segundo ele, um “objeto que serve para pesar”. Anteriormente vimos como a pesagem exercida pela Balança e pelo Nível pode ser tomada em relação com a liberdade da alma e também com sua Liberação. Agora, as palavras francesas liberação e liberdade, o latim liber e o grego eleutheros (= livre), Grandsaignes d’Hauterive os relaciona com a raiz indo-europea leudh-, à qual dá por significação a “ideia de elevar-se”. Não deixa de ser interessante observar que se a etimologia renunciar aparentemente a relacionar entre si as ideias de nível, de pesagem, de elevação e de liberdade, pelo contrário o simbolismo não deixa de fazê-lo, como corresponde a sua missão unificadora. (21) La crise du monde moderne, pág. 134 [final].

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Aspectos Simbólicos do Trabalho em Cantaria Ir. Roger Avis Se o eterno não edificar a casa, em vão trabalham aqueles que a edificam. Salmo 127:1 (Cântico das peregrinações de Salomão) Aplicai-vos, pois, de todo o vosso coração e vossa alma a buscar o Senhor vosso Deus. Construí o santuário do Senhor Deus, para trazer a arca da aliança do Senhor e os utensílios sagrados de Deus ao templo que será edificado ao nome do Senhor. 1 Crônicas 22:19 O Eu é o mestre do eu. Cada um é o seu próprio mestre e refúgio, quem outro poderia ser? O completo domínio de si mesmo é o único refúgio, difícil de alcançar. Sidarta Gautama (Buda)

Maçonaria Operativa e Maçonaria Especulativa

N

a passagem da maçonaria operativa para a maçonaria especulativa, muitos dos detalhes da nobre arte da cantaria foram deixados de lado em prol da adaptação realizada. Os livres pensadores que adotaram os ensinos maçónicos não estavam interessados na prática manual do canteiro, que era um serviço pesado e, portanto, buscaram simplificar no simbolismo. Esta simplificação simbólica trouxe um relativo “empobrecimento” no sentido do conhecimento da arte, onde diversos detalhes do trabalho nos canteiros, ao serem deixados de lado, obscureceram facilitações teóricas no caminho do auto-conhecimento. Para se adentrar mais nestes aspectos,

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e verificar sua real importância, devemos dizer que a palavra “cantaria” vem, etimologicamente, do latim “canthus”, que significa “aresta” (1). Desta forma, o conceito de cantaria se refere ao trabalho em pedras objetivando seu esquadrejamento, ou a sua formatação no sentido de servir ao projeto construtivo. Na maçonaria especulativa, simplificamos: “tornar a pedra bruta em pedra cúbica”. O que é do desconhecimento da maioria dos maçons é o fato de que o conhecimento tradicional sobre o trabalho operativo era transmitido através de técnicas que sempre buscavam um sentido efetivo de aperfeiçoamento não só do trabalho, mas também do profissional, pois se entendia que a perfeição daquele passava pela perfeição deste, em todos os aspectos, dentre eles o prático, o psíquico e o intelectual. Quanto mais aperfeiçoado internamente, mais 13


perfeita será a habilidade do obreiro e, consequentemente, da obra. Aqueles que estudam os textos antigos percebem que a utilização metafórica do trabalho comum, analogicamente relacionado à espiritualidade, é algo constante nas civilizações do passado - egípcia, caldaica ou medieval, ou por aqueles que, nos sertões mais afastados dos grandes centros urbanos, ainda empregam aquelas técnicas artesanais tradicionais. No Oriente, por exemplo, existia toda uma explicação simbólica para a prática do ofício da tecelagem, onde os fios paralelos, presos ao tear, são os influxos espirituais manifestados através das leis universais, enquanto que os fios horizontais, adicionados ao serem tecidos, são as atividades nos planos manifestados. Assim, simbolicamente, nossas ações, quando levando em conta os influxos espirituais do “Grande Tecelão do Universo” (2), só poderão ser realmente profícuas a partir do momento em que com estas sejam harmônicas. A falha de um ponto na tecelagem poderia deitar fora todo o trabalho. Da mesma forma, no ocidente, temos exemplos de diversas profissões -senão todas as que existiam na antiguidade ou idade média- que se utilizavam desta espécie de simbolismo para ensinar que, ao se trabalhar o material, também se trabalhava em outros aspectos do ser, e que era necessário ter atenção para isto. A matéria-prima artesanalmente trabalhada pelo obreiro era o espelho onde ele poderia apreciar seu próprio caráter. Outra coisa que é geralmente menosprezada pelos estudiosos é o fato da maçonaria operativa ter em seu bojo aspectos filosóficos profundos, e que a maçonaria especulativa somente pôde frutificar em seus estudos porque isto já era uma realidade à época de seu nascimento. Alguns estudiosos, inclusive, desprezam esta espécie de abordagem, entendendo que apenas com a maçonaria especulativa é que se obteve um aprofundamento no conhecimento, tendo em vista o advento no seio daquela ordem de pessoas letradas, pensamento com o qual, respeitosamente, não nos alinhamos.

de nossa época para medir todas as épocas anteriores. E este preconceito, que não sabe enxergar seu próprio anacronismo, faz com que os sábios de nosso tempo se limitem a uma forma de pensar estreita, sem realmente aproveitar o conhecimento oriundo da antiguidade. Mas, isto já seria a matéria de um outro trabalho. Apenas mencionamos para que o leitor possa levar em conta, também, que se quisermos extrair a essência de qualquer coisa, devemos conhecê-la sem preconceitos, conforme é propalado pelos mesmos ensinos maçônicos (3). As ferramentas do Canteiro (4) Como são desconhecidas pelos maçons atuais muitas das ferramentas dos canteiros, abaixo vão exemplos de algumas poucas ferramentas modernas utilizadas atualmen-te no trabalho de cantaria artesanal, fabricadas pela em-

presa americana Trow & Holden Company (5): Como se pode perceber, existe uma infinidade de ferramentas utilizadas no trabalho do canteiro além daquelas mencionadas na maçonaria especulativa. É óbvio que os processos de formatação da pedra bruta atravessavam uma série muito maior de detalhes, hoje desconhecidos na maçonaria especulativa, que levavam os mestres obreiros a situações reflexivas não encontradas na especulação.

A figura do camartelo (ferramenta parecida com um martelo pontiagudo, que é utilizada para o primeiro trabalho, mais grosseiro, na pedra bruta), por exemplo, utilizada no Rito SchröEssa espécie de perspectiva toma por base der, provém da mais antiga tradição dos maçons um preconceito cultural, onde se estende o olhar operativos, não absorvida pelos outros ritos em Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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geral. Numa miniatura do séc. XV, do artista francês Jean Fouquet, mostra-se a utilização desta ferramenta para o desbaste da pedra bruta.

Templo Universal. Micro-cosmicamente, o próprio iniciado, em seu trabalho meditativo, identificaria os aspectos de seu ser que deverão ser O “buril” (6), no caso do trabalho em pedra, pinçados de seu interior e trabalhados conforme trata-se de uma espécie de cinzel pontiagudo estes mesmos desígnios, para que a verdade [conforme o Hou-aiss, “ferramenta de aço com seja expressa. ponta oblíqua cortante (... ) para lavrar pedra”], O maçom deve aprender a reconhecer no que vai dar um trato rústico na pedra, podendo emaranhado informe de sua existência cotidiana ser usada após o “camartelo”, ou já direta-mente os aspectos sublimes de seu ser, e seu trabalho (dependendo do tipo da pedra). Também pode é reconhecer quais deles deverá trabalhar duser utilizada para o início do acabamento no rante sua vida para melhor expressar sua descaso de figuras escultóricas. treza, ou sua sintonia com o Todo. A isto as pesA abordagem que efetuamos neste título soas costumam chamar, talvez impropriamente, serve apenas para demonstrar que os conheci- de “missão”. Na atualidade, o maçom pode ter mentos relativos ao trabalho maçónico operativo em sua frente uma quantidade enorme de perstinham detalhes muito maiores do que os apre- pectivas onde expressar sua vida. Contudo, sentados atualmente, e que a riqueza destes de- somente aquelas que coadunam com seu carátalhes poderia levar a aspectos desconhecidos ter é que lhe trarão a verdadeira realização. As de um simbolismo mais claro e preciso, objeti- outras deverão ser desprezadas, porque quem vando, também, maior precisão no processo de tudo quer, nada consegue. autoconhecimento e aperfeiçoamento.

Ativemo-nos em considerar apenas o trabalho em pedra porque era a perspectiva do trabalho dos canteiros, da qual a maçonaria surgiu. Outras profissões tradicionais vão conter similaridades com o que aqui foi descrito. Relações analógicas entre a cantaria e o trabalho interno A Extração da pedra-bruta diretamente da pedreira é muito similar à escolha efetuada do profano apto a entrar na maçonaria. Afinal, a sociedade profana muito se assemelha a uma pedreira, onde a multidão sufoca o talento individual, fazendo com que muitas vezes o indivíduo não encontre seu caminho. É necessário acrescentar que, seguindo a tradição da maçonaria brasileira, os profanos são escolhidos para integrarem a sublime ordem. Isto faz-nos considerar a maçonaria como o artífice que visita a pedreira em busca do material necessário para cumprir a sua obra, entendendo, queremos deixar claro, a ordem como um canal que veicula forças superiores a este estado de manifestação.

Se o iniciado escolheu a matéria prima correta onde trabalhar, ou seja, escolheu os aspectos de si mesmo que deverão receber sua atenção de agora em diante, e que serão trabalhados com suas virtudes, seu trabalho não será em vão. Contudo, se há falhas na matéria prima, ou seja, se não escolheu corretamente o aspecto que deverá ser trabalhado, deverá retornar à pedreira de si mesmo e, através de um estudo mais aprofundado e orientado, encontrar o material correto para seus objetivos (7). Após um exame acurado, enxergam-se as matérias primas interiores misturadas com outros agregados psíquicos, frutos estes de diversas origens, principalmente dos preconceitos e erros que nos habituamos a aceitar e continuamos a engendrar, seja da criação, seja da influência da sociedade. A origem pode ser grosseira (agressões, vícios, luxúria, etc.) ou mais imperceptível (costumes, sofismas, paradigmas, etc.).

Logo após de escolhida a matéria prima, o maçom deverá fazer um desbaste acentuado, onde as maiores imperfeições são retiradas. Podemos, simplificando, encontrar três pontos Sobre este fato, podemos considerá-lo ain- a serem trabalhados em primeiro lugar: físico, da de duas formas: de maneira macro-cósmica psíquico e mental. É claro que não existem fronou microcósmica. No primeiro aspecto, o artífice teiras estanques entre eles, e que os aspectos a seria o GADU que escolheria os aptos a veicu- serem trabalhados podem conter características larem seus desígnios na consubstanciação do de todos estes: um pouco mais de um, um pouRevista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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co menos de outro. Por exemplo, a glutonaria: existe a necessidade de se encontrar a raiz psicológica que induziu o indivíduo a tal situação para extirpá-la completamente; contudo, em determinados casos, se não houver uma modificação radical no Cantaria

Aspecto Físico

jeito de se alimentar talvez a base material onde trabalhamos, que é o próprio corpo, pode deixar de existir e o indivíduo simplesmente morrer, antes de encontrar essa raiz psicológica e extirpá-la. Logo a seguir, fazemos um pequeno esboço destas considerações acima, trazendo, de maneira superficial, algumas analogias necessárias

Aspecto Psíquico

Aspecto Mental (8)

Burilar (9)

Extirpação de hábitos ex- Eliminação de sentimen- Considerar-se como um tremamente danosos à tos extremamente gros- receptor, estando pronto saúde: fumo e drogas. seiros como ódio ou ira. ao aprendizado.

Dentear

Aperfeiçoamento dos háEstudar os ensinamenbitos tendo como meta Cultivo da paciência e da tos maçônicos, buscando melhor saúde: alimenta- conformação (10). compreender e memorição. zar o relevante.

Cinzelar

Domínio de sua vida seCultivo do amor fraternal. xual.

Esmerilar

Domínio sobre a respira- Cultivo do Amor incondi- Compreender a verdadeição. cional. ra natureza do Homem.

Polir

Libertação dos conceitos, Domínio sobre todos as- Superação da individualiem busca da Suprema pectos fisiológicos. dade. Identidade.

dos trabalhos da cantaria com os trabalhos que o maçom deve perpetrar em si mesmo para seu crescimento e aperfeiçoamento: Nos exemplos acima demonstrados na tabela, devemos levar em conta que esta relação não é finalista, apenas exemplificativa. Cada um deve aprender a conhecer seu próprio caráter e, através do estudo sincero e objetivo, levando em conta os ensinos tradicionais, reconhecer a graduação com que deve ser efetuado do trabalho interior. Cada um, dentro de suas características próprias, deve saber encontrar quais aspectos deverá trabalhar dentro de si mesmo. O que devemos entender é que, dentro da perspectiva maçônica, em todos os aspectos está envolvido um caráter gradual de crescimento (veja o simbolismo da escada), que deve ser levado em conta a partir do momento em que se decide trabalhar sobre si mesmo. Não se passa para o próximo degrau enquanto o anterior não estiver trabalhado. Da mesma forma não se Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

Meditar sobre os ensinamentos e excluir o supérfluo.

cinzelará enquanto o denteamento não estiver totalmente pronto. Ao se transportar à perspectiva da maçonaria especulativa o trabalho de cantaria, percebe-se que houve uma grande simplificação, tendo em vista que já não se tratavam mais de operários da pedra, mas de livres pensadores, que desconheciam a espécie de trabalho efetuado, ou não queriam se ater a este. Contudo, dentro do conhecimento tradicional, os trabalhos operativos tinham o objetivo meditativo, onde o artesão utilizava seu trabalho com o sentido de se aperfeiçoar. Como já foi descrito, havia no trabalho de transformação da pedra bruta em cúbica uma dedicação de dias, variando conforme a complexidade do trabalho e da dureza do material, onde uma falha poderia fazer perder todo o processo. Por este motivo, havia a necessidade de se ter, em primeiro lugar, paciência. Este trabalho de 16


Aspectos práticos de como trabalhar literalmente à pedra bruta Em primeiro lugar, antes da existência da matéria prima para o trabalho do canteiro, há a necessidade da sua extração na pedreira. Neste momento, o artífice escolhe na fonte de qual lugar quererá extrair o material que deseja. Deve levar em conta para que propósito se utilizará a pedra, pois a escolha do lugar da pedreira já influi na espécie de matéria prima que se obterá. Após a extração da fonte, ou seja, o nascimento da pedra-bruta em sua forma individual, traça-se todo um plano em que são considerados os métodos de trabalho no sentido de buscar como resultado a adaptação da matéria-prima ao lugar em que ela está destinada. Podemos chamar de aperfeiçoamento, neste caso, o caminho que se faz da pedra bruta até chegar à pedra polida. Este trabalho, didaticamente, poderia ser classificado em cinco partes: 1) Punçoar ou burilar - neste momento, fazemos com que as grandes diferenças existentes sejam atingidas pelo buril até que fiquem pequenas. Neste trabalho, conforme mostra a figura a seguir, deixam-se normalmente estrias em diagonal; 2) Dentear - depois do burilamento, utilizamos o cinzel denteado para diminuir ainda mais as diferenças, buscando eliminar as estrias do trabalho anterior, deixando as marcas dos dentes desta ferramenta. O cinzel denteado deve ser utilizado de forma reta, no mesmo sentido das laterais da pedra utilizada. Utilizam-se para isto diversos cinzéis denteados, dos de dentes maiores aos de dentes menores, até ser utilizado, finalmente, o cinzel sem dentes, mais conhecido na maçonaria especulativa. Alguns chamam o cinzel denteado de buril, também; 3) Cinzelar - o cinzel, propriamente dito, conforme demonstrado na maçonaria, é utilizado neste momento. Neste caso, começa um trabalho de alisamento da pedra, eliminando a maior parte das marcas anteriores; 4) Esmerilar - a pedra de esmeril é utilizada, suavizando o máximo possível as marcas do cinzel. Na maçonaria operativa, observava-se um movimento manual contínuo e circular e, aos poucos, e adicionando constantemente a água para eliminar obstruções (escorregar), a superfície ia ficando lisa; 5) Polir - para finalizar o serviço, e a superfície ficar totalmente lisa e espelhada, utilizam-se lixas de diversas granaturas (de 150, 220, 300 e 600), gradualmente da mais grossa para a mais fina.

Figura adaptada do livro “The Complete Book of Self-Sufficiency”, de John Seymour.

transformação está muito ligado, neste caso, à paciência que temos ao abordar uma determinada matéria-prima. Se vamos impetuosamente sobre ela, podemos errar. Se utilizarmos força minúscula, podemos demorar além do necessário. Neste caso, as virtudes seguintes que se ligavam ao processo de transformação eram o equilíbrio e a firmeza. Podemos, assim, já neste momento, encontrar similaridades entre o trabalho externo, na pedra, e o trabalho interno, no caráter. Sobre o burilar, dentear e cinzelar pode-

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mos concluir que se tratam de processos em que a força é fundamental, sendo característico da passagem de uma fase para a outra a diminuição da força e o aumento da destreza. Poderíamos identificar desta forma: a) Burilar mais força e menos destreza; b) Dentear - força e destreza na mesma medida; c) Cinzelar - mais destreza do que força. Isso demonstra que os próprios processos de trabalho no caráter também apresentam aspectos em que determinados pontos de vista devem ser abordados. A princípio, a força é extremamente necessária para excluir os defeitos mais evidentes. Dentro da maçonaria especula17


tiva, os aprendizes sentam-se no lado norte, sob a égide do Irmão 1.° Vigilante, que é o responsável pela veiculação da força numa Loja. Este fato é bastante característico, tendo em vista o trabalho mais forte que se deve ter quanto aos aprendizes, ainda eivados de profanidades. No entanto, com a sequencia do trabalho, já a experiência (que na maçonaria é o conhecimento teórico adquirido e praticado) aliada com a destreza vem se tornando muito mais importante, chegando ao ponto de ser quase a única determinante. A experiência, ou a perícia, são o aprimoramento do conhecimento do artífice em sua própria arte. O maçom, no hábito de trabalhar sobre si mesmo, encontra a própria arte que o conduz ao aperfeiçoamento cada vez mais refinado.

conduzirmos a um aprofundamento ainda maior sobre este trabalho. Lavagnini diz o seguinte: (... ) o malho e o cinzel, como instrumentos propriamente ati-vos, representam exatamente os esforços que, por meio da Vontade e da Inteligência, temos de fazer para nos aproximarmos da realização efetiva desses Ideais, que representam e expressam a perfeição latente de nosso Ser Espiritual. O malho, que utiliza a força da gravidade de nossa natureza subconsciente, de nossos instintos, hábitos e tendências, é pois, representativo da Vontade, que constitui a primeira condição de todo progresso e é ao mesmo tempo o meio indispensável para realizálo. (11)

Isto que Lavagnini diz é simplesmente o básico a ser mencionado sobre os aspectos da utilização do buril e dos cinzéis, juntamente com o malho. Encontraremos em diversos autores poucas variações, nada substanciais. Todos eles funcionam simbolicamente da mesma forma (seja o buril ou os cinzéis), tendo, contudo, cada um, suas características próprias, já mencionadas.

Quando falamos nos trabalhos que efetuamos sobre o nosso próprio caráter, sobre o cinzel e o malho, temos que levar em consideraO que geralmente não se fala é quem, ou ção, também, os ensinamentos que a maçonaria o que, é o responsável pela movimentação desespeculativa transmite aos obreiros. Abordá-los, sas ferramentas supra mencionadas. Guénon neste momento, é necessário no sentido de nos nos fala da Divina Personalidade, que é quem Pedreiros trabalhando (miniatura do séc. XIII)

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fala atrás da máscara - a persona, que é a nossa individualidade.

para compreender que já extraiu da pedra bruta a pedra cúbica.

É esta Divina Personalidade a verdadeira responsável pelo manejo dos instrumentos. E no caso do trabalho operativo sobre o nosso próprio caráter, a matéria prima, que somos nós mesmos, é a desculpa (grosso modo) necessária para que esta essência real de nosso ser se manifeste. E este é o verdadeiro trabalho do iniciado: não é olhar os instrumentos vibrando na frente de seus olhos, mas perceber quem olha. Não é se prender à vontade e à inteligência, mas suprimir esta atenção aos instrumentos, e voltá-la ao verdadeiro artífice interno (12).

Conclusão: Iniciações nos mistérios menores e maiores Especificamente quanto ao trabalho de cantaria, da formatação da pedra, ele se relaciona ao que os gregos antigos chamavam de “mistérios menores”. A iniciação nos mistérios menores buscava com que o homem expressasse o máximo de sua perfeição enquanto homem. Na maçonaria simbólica atual, estas considerações esta-

Falar mais sobre o simbolismo dos cinzéis e do malho seria supérfluo neste momento. Diversos manuais sobre o assunto já discorreram o suficiente para que necessitemos continuar aqui. Somente queremos alertar que o simbolismo deve ser visto no coração, e presenciado também no coração para que seja realmente efetivo. Quanto ao esmerilar e polir, que são trabalhos onde a força já não é tão importante, mas principalmente a destreza, carregam consigo maçons operativos um aspecto fundamental: o movimento circular. Ao movimentar a mão com o esmeril, ou com riam demonstradas principalmente nos graus de a lixa, o obreiro segue compassadamente uma companheiro e aprendiz. ordem, onde toda a superfície é atingida para se As iniciações nos mistérios maiores buscachegar ao obje-tivo. vam com que o homem superasse sua condição Sabemos que o círculo é o símbolo do infi- individual e se unisse à divindade. Enquanto as nito e da perfeição. A circularidade do movimen- iniciações dos mistérios menores apontavam o to da lixa na face quadrada do cubo nos parece caminho à perfeição humana, as dos mistérios carregado de reminiscência no tocante à qua- maiores apontavam para uma perfeição divina, dratura do círculo. O círculo vem aperfeiçoando a do homem transcendente. a face quadrada da pedra cúbica. Seria, neste caso, a segunda morte, apreA utilização da água é revestida, também, de seu caráter simbólico. A água, sendo utilizada como é, torna-se o veículo para a perfeição. E dentro do simbolismo esotérico encontramos na alma a referência da água. A água, batizando a pedra, torna-a capaz de receber a perfeição do artífice, bem como de chegar à realização do trabalho. Somente através da alma o espírito pode realizar a obra. O obreiro, neste ponto do trabalho, ao passar a mão pela superfície completa da pedra, deve demonstrar a sensibilidade necessária Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

sentada na maçonaria no magistério maçônico.

A iniciação nos mistérios maiores estaria simbolicamente relacionada mais diretamente ao ofício da arquitetura e da efetiva construção, o que pode ser tema de outro trabalho. Este trabalho apenas pincelou algumas considerações superficiais sobre o ofício de canteiro, que poderão ser aprofundadas na no estudo, pesquisa e meditação de cada obreiro. Cumpre destacar que o ensinamento maçônico tem sido habitualmente utilizado em limites aquém de seus objetivos, e cabe a nós, maçons, co19


meçar a mudar esses limites e parâmetros estabelecidos, sob pena de contribuirmos cada vez mais para o desaparecimento virtual e, após, efetivo de nossa Augusta Ordem. Assim, os estudos elaborados na atualidade devem procurar resgatar, conforme buscamos fazer aqui, os fundamentos do ensino, estabelecendo e renovando as conexões com a origem prístina do legado maçónico. E também, com este mesmo objetivo, àqueles capazes de uma obra mais abrangente

e hercúlea, recriar as possibilidades iniciáticas para as mulheres, tendo em vista que, no Ocidente tais sociedades desapareceram, ou delas não se tem mais notícia. Mas para isso, tanto para o reavivamento do conhecimento maçónico, tanto para possibilitar uma iniciação feminina, de acordo com as características próprias das mulheres (13), é necessário o mergulho na matéria prima iniciática do ocidente, e buscar trazer à tona aquilo que se ocultou em nossa época.

Notas (1) Desde a origem, podemos perceber que a tônica dos trabalhos efetuados pelos maçons operativos sempre foi no sentido de “tirar as arestas”, e encontrar a pedra lavrada que já habita o interior da pedra bruta. (2) Usamos este nome para a divindade dos tecelões apenas para fazer um paralelo entre este e o GADU. Este termo é fictício. Contudo, o simbolismo da tecelagem existiu na antiguidade e, até, na idade média. É bem significativo notar sobre isso a informação de Guénon: “(...) os livros tradicionais são freqüentemente designados por termos que, em seu sentido geral, referem-se à tecelagem. Assim, em sânscrito, sûtra significa propriamente “fio”: um livro pode ser formado por um conjunto de sûtras, como um tecido é formado por um conjunto de fios; tantra possui também o significado de “fio” e de “tecido”, e designa mais particularmente o urdume de um tecido. Da mesma forma, em chinês, king é o urdume de um pano, e wei sua trama; o primeiro destes dois termos designa ao mesmo tempo um livro fundamental, e o segundo seus comentários. Esta distinção entre urdume e trama no conjunto das escrituras tradicionais corresponde, segundo a terminologia hindu, à que existe entre a Shruti, que é o fruto da inspiração direta, e a Smriti, que é o produto da reflexão que se exerce sobre os dados da Shruti .” (René Guénon, O Simbolismo do Tecido – XIV capítulo do livro “O Simbolismo da Cruz”). (3) Algo que é deve ser levado em consideração para meditarmos sobre este assunto posteriormente, é a apreciação de uma catedral gótica, que é uma verdadeira enciclopédia de conhecimento, onde o coração humano se expressou de formas sublimes. Cremos que ignorantes de mente estreita seriam incapazes de dar cabo de tal tarefa. E somente um ideal refinado poderia impulsionar pessoas a participarem da construção de um edifício como este durante séculos a fio, sem preocupações imediatistas, tão características de nossa época. (4) Os maçons operativos reuniam toda uma série de procedimentos, que não se atinham apenas ao trabalho de cantaria, tais como a arquitetura e a carpintaria. No entanto, todos os aspectos abordados mais abaixo também poderão ser aplicados analogicamente à carpintaria. Quanto à arquitetura propriamente dita, faremos algumas considerações mais ao final do trabalho. (5) Citamos a empresa por termos utilizado de figura existente em sua página eletrônica. (6) Outras ferramentas são chamadas “buril”, utilizáveis em outros materiais (madeira e metal, por exemplo) e com funções diversas. Contudo, em se tratando da maçonaria, o buril que deve ser levado em conta é o mencionado. É claro que, com a decadência dos trabalhos em pedra, o buril para gravação em metal ficou mais conhecido. (7) Podemos exemplificar esta situação da seguinte forma: alguns têm uma inclinação para determinado tipo de comportamento mais característico que seria, para ilustrar, o orgulho. Se ele não buscar trabalhar sobre este aspecto psicológico negativo de imediato, e não procurar sublimá-lo e, em vez disso, escolher um outro, tal como a inveja, que não seria tão importante em seu caráter, pode acontecer de não conseguir se livrar nem de um, nem da outra. Por isso, a escolha sobre o que deve

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se trabalhar deve ser tomada criteriosamente, levando sempre em conta as virtudes e os defeitos que se têm. Virtus = força. (8) Estes aspectos podem ser estudados dentro da mesma perspectiva do Yoga: Hatha, Karma e Jnana. (9) O burilamento é a extração das diferenças mais grosseiras, que tornariam o maçom incapaz de aproveitar os ensinamentos a ele dirigidos. O burilado não busca a eliminação imediata das imperfeições, mas sim a formatação destas de uma forma que não impeçam o aprendizado. (10) Os primeiros resultados ainda não são o objetivo buscado, que se realiza com o tempo. Por isso a necessidade de paciência (a famosa tolerância maçônica) consigo mesmo e com os outros. (11) Manual do Aprendiz Maçom – Aldo Lavagnini (12) Os Upanixades oferecem um texto interessante, mostrando a importância deste aspecto simbólico, que muitas vezes é desconsiderado na maçonaria: “Tendo compreendido que os sentidos são distintos da alma, e que sua ascensão e declive a eles pertence, o sábio deixa de sofrer. (...)Além dos sentidos está a mente, além da mente está o Ser supremo, além do Ser supremo está o Grande Ser, além do Grande, o Oculto. (...)Além do Oculto está a Personalidade, o onipresente, completamente imperceptível. As criaturas que lhe conhecem são liberadas e obtêm a imortalidade. (...) Sua forma não pode ser vista, pois ninguém pode lhe contemplar com os olhos. Só pode ser conhecido com o coração, que se acha além da sabedoria e a mente. Só aqueles que sabem isto são imortais. (...) Quando todos os sentidos e a mente são submetidos, o sábio alcança o estado supremo. (Kata Upanishad, Segundo Adhyaya, Sexto Valli) (13) Segundo nosso entendimento, é necessário possibilidades de ordem iniciática para as mulheres, devidamente embasadas na tradição. Tais possibilidades se estendem apenas no Oriente, enquanto que no Ocidente estão adormecidas, até o momento de serem reavivadas. Entendemos que a maçonaria não seria o lugar deste processo pelas próprias características da ordem. Em se conhecendo os fundamentos da ordem, fica bem claro que seus ensinamentos não serviriam para uma espécie de iniciação feminina. Tratar desiguais de forma igual é um dos absurdos que grassa em nossa época. Existem, dessa forma, ofícios femininos que poderiam servir de base a toda uma simbólica de uma organização iniciática. O cuidado que uma organização iniciática pré-existente, tal como a maçonaria, deveria ter é o de proporcionar uma adaptação simbólica monumental, sem escorregar para o campo da fantasia. Trabalho muito árduo.

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ORIGEM E FONTES DO RITUAL SCHRÖDER Hans Heinrich Solf

N

a Grande Loja dos Maçons Antigos Livres e Aceitos (que é uma das mais importantes compo­nentes da Potência Maçônica denominada Grandes Lojas Unidas da Alemanha) estão em uso dois rituais oficiais e o uso de mais dois é permitido. A maioria das Lojas trabalha no Rito Schröder na versão realizada em 1960. A Grande Loja também publicou um ritual

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da Arte Real baseado na tradição Francesa, com ambos os vigilantes colocados no Oeste e com a Acácia figurando no grau de Mestre. As Lojas que pertenciam a hoje extinta Grande Loja Royal York foram autorizadas a trabalhar com seus antigos rituais baseados no texto reformado por Fessler. Algumas Lojas da igualmente extinta Grande Loja “Zur Sonne” (“Ao Sol”) continuam trabalhando pelos seus velhos rituais. Como na Inglaterra, não há nenhuma diferença fundamen21


tal entre estes trabalhos, porquanto todos eles derivam de Prichard’s “Masonry Dissected” (Maçonaria Dissecada, de Prichard) ou do “Three Distinct Knocks” (Três Batidas Diferentes) tendo sido introduzidos certos elementos de algu­mas exposições e ainda adicionados embelezamentos de origem Francesa.

Capa do “Masonry Dissected”, de Samuel Pritchard (1831)

A cerimônia “Passing the Chair” (Passando pela Cadeira) nunca foi introduzida e nem o “Real Arco” tem-lhe dado apoio. A Grande Loja Nacional dos Maçons da Alemanha (outra componen­te das Grandes Lojas Unidas da Alemanha) ainda trabalha pelo sistema Sueco, que consiste de 10 (dez) graus com um fundo pronunciadamente Cristão. O Rito York Americano, trabalhado principalmente pelas Lojas Militares (Nas Grandes Lojas Unidas da Alemanha existem ainda uma Grande Loja Américo-Canadense e uma Grande Loja dos Maçons Ingleses, cujos componentes em quase sua totalidade são membros das tropas militares estacionadas na Alemanha) introduziu na Alemanha os graus Crypticos e Templários. O Supremo Conselho do 33º para a Alemanha trabalha pelo Rito Antigo e Aceito, usualmente conhecido como Rito Escocês, parecido com o Rito Escocês Retificado na França, que Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

está se tornando popular de novo. O que inspirou o Irmão em dar um novo Ritual a Maçonaria Germânica e como ele atacou esta tarefa que impôs a si mesmo? Estas são as questões que serão agora investigadas. Primeiramente algumas palavras sobre o homem, Schröder. Ele foi como seus pais, um ator produtor, que naquele tempo significava que ele era proprietário de teatro em Hamburgo. Ele conhecia muito bem na Europa as regiões onde dominava a língua alemã e nunca esteve na Inglaterra, França ou Itália. Suas habilidades lingüísticas eram limitadas em­bora ele fosse capaz de adaptar peças de teatro dos originais Franceses e Ingleses. Sem conhecer Latim e Grego, ele adquiriu, entretanto um grande cabedal de conhecimento pelo auto-estudo. Acima de tudo se destacava nele o seu caráter forte e sincero. O estado da Fran­co-Maçonaria na Alemanha no tempo em que ele foi iniciado com a idade de 29 anos, era caótico. Seu proponente foi Johann J. Christoph Bode, seu amigo, e sem escrutínio foi aceito na Loja “Emanuel”. O Rito Estrita Observância era dominante naquela época e o caráter da Fran­ co-Maçonaria Inglesa, como originalmente introduzida em Hamburgo, se tinha perdido. As Lo­jas foram dominadas pelo misticismo, alquimia, Rosa-Cruzes e Iluminados, sendo que os últi­mos introduziram formas de cavalheirismo e “Altos Graus” importados da França. Mesmo os sóbrios e democráticos Irmãos de Hamburgo não se abstiveram de desfilar como “Muito excelente Cavaleiro Templário”. Não é de estranhar que um homem sério e despretensioso como Schröder fosse radicalmente contrário a estas excentricidades. Ele esperava da Maçonaria, educação e verdadeira moralidade. Com o declínio do Rito Estrita Observância, depois da Convenção de Wilhelmsbad em 1782, a hora de Schröder tinha chegado. Segundo seus desejos os Irmãos de Hamburgo decidiram: l.º) Restaurar a verdadeira e antiga Maçonaria, como nos foi trazida pelos nos­sos antepassados e espalhada daqui por quase toda Alemanha, e que existiu em Hamburgo até a reforma de 1765. Esforçar-se zelosamente para elevar seus propósitos a um nível mais alto e fazer com que cada um dos seus ramos sejam mais úteis; isto deverá ser alcançado, com amor pela pesquisa da Ver­ dade, seguindo com a máxima sinceridade os ensinamentos da sagrada reli­gião Cristã e pondo

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fielmente em prática seus deveres. 2º) Melhorar a harmonia entre os Irmãos, procurando concentrar as quatro Lojas unidas em duas, sendo uma Loja Alemã e outra Francesa, e permitir a seus membros elegerem seus Mestres no Festival de São João. 3º) Trabalhar nos três graus da Arte Real de acordo com o Antigo Ritual Esco­cês dos nossos antepassados, até que os Rituais organizados na Convenção Geral nos sejam comunicados.

Para se ter uma idéia dos problemas que envolviam uma tal decisão, aqui estão alguns exem­plos das dificuldades com o Ritual que existiu em Hamburgo e em outras partes. Estes eram tirados na sua maior parte da primeira edição do livro “Materialien zur Geschichte fac-símile de “L’Ordre der Freimaurerei” (Matéria para a História da des Francs-Maçons Trahi” Franco-Maçonaria), um tratado composto do (1745) 1.400 páginas. Este trabalho é ainda uma mina de informações para o historiador principalmenA publicação da exposição “L’ Ordre des te por causa dos documentos mencionados e Franc Maçons Trahi” (1745) fez a Loja “Aos três cujos originais agora não são mais acessíveis. Glo­ bos”, trabalhando num Ritual Francês, introduzir uma mudança que não foi, entretanto, Schröder relata, por exemplo, sobre uma mantida por muito tempo: a palavra “Tecton” e o Loja da cidade de Dresden que se compunha sinal de “Harpócrates” (dedo indicador sobre os de membros da alta aristocracia, mas, entre os lábios) deveriam ser usados como uma palavra oficiais da Loja havia um “Cozinheiro-Chefe” e e sinal adicional. um “Porta Caneco” e em 1743 bebidas eram serHavia uma completa incerteza acerca da vidas enquanto a Loja estava aberta. Em 1744 dois Diáconos foram nomeados pela primeira colocação da venda nos olhos. O candidato vez na Loja “Absalom” em Hamburgo, presumi- geral­mente era trazido para o interior da Loja com os seus olhos não vendados; o procedivelmente por causa das exposições que haviam mento correto aprenderam de Londres somente aparecido na Inglaterra e na França. Naquela em 1763. Além do mais, ninguém estava certo época era ainda costume pagar ao Secretário se as espadas eram para ser usadas dentro da um salário especial pelos seus discursos, que Loja (na França elas eram consideradas como apareciam depois impressos. O oficio de Orador um símbolo de igualdade) ou se “fogo” (ordem veio para a Alemanha da França. Naquele tem- para beber) deveria ser dado nos banquetes. O po, o pri­meiro e o segundo grau não eram mais processo de escrutínio também não era compreconferidos juntos em Hamburgo, por causa dos endido. Foi somente em l763 que a Grande Loja regula­mentos que requeriam um período entre Provincial de Hamburgo decidiu que cada Irmão que colocasse uma bola preta na caixa do escrueles de nove meses. O compromisso de Aprentínio, devia informar o Mestre dos motivos de asdiz incluía a seguinte exigência: “Que ele devia sim ter procedido no prazo de 3 (três) dias. Isto amar seus Irmãos e ainda promover seus melho- é habitual na Alemanha até hoje, se até 3 (três) res interesses por todos os modos”. Esta frase bolas pretas aparecerem. Painéis da Loja desepodia muito bem ter sido idealizada pela própria nhados em oleados somente apareceram no fim Loja e se acha no Ritual até hoje. do século 18; em 1765 o Cobridor ou um Irmão Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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servente ainda tinha de fazer o desenho com giz no chão. Um Diretor de Cerimônias foi pela primeira vez nomeado em 1774, embora na Alemanha e na França o seu titulo era de “Mestre de Cerimônias”. Mais ou menos nesta época os Diáconos foram renomeados de “Stewards” (mordomos). É bem conhecido pelos balaústres de uma pequena Loja no Castelo Kniphausen na Frísia Oriental, que um soldado da guarda do Conde foi empregado como Cobridor e pago pelos membros da Loja. O trabalho desta Loja era baseado no de Prichard embora o Tapete (Painel) tenha sido copiado de um deBusto de Johann Joachim senho do livro “L’ Christian Bode (Düsseldorf, Ordre des FranGoethe-Museum) c-Maçons Trahi”. É também co­nhecido pelas muitas averiguações emanando de todas as partes da Alemanha, que as Lojas de Hamburgo e a Loja Provincial Inglesa, eram consideradas autoridades em todos os assun­tos ritualísticos. Esta foi provavelmente a razão porque Schröder tinha seu Ritual impresso claramente sem abreviação ou código. Ele sabia que isto não estava de acordo com a pratica Inglesa. Ele também selecionou o tamanho Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

ou formato “quarto” por ser mais prático para o Ritual e este está em uso ainda hoje. Ele achou que era preferível ter um Ritual organizado pelos principais Maçons do seu Tempo e aprovado pela Grande Loja Provincial de Hamburgo e que deveriam estar disponíveis para as Lojas, em vez de suas cerimônias serem baseadas em uma dúzia de exposições. Schröder fez uma observação ao pé da página: “isto se refere ao Ritual usado antes de 1765”; isto é, antes da introdução da Estrita Observância. Entretanto como não havia então Ritual escrito, tornava-se impossível relembrá-lo depois de 17 anos. De qualquer maneira aquele Ritual não seria apropriado para o fim atual. Os balaústres da Loja “Absalom” mostram que o Ritual inglês não era acuradamente conhecido mesmo antes de 1763. Em 14 de março de 1764, uma iniciação e elevação na mesma noite -como era então praticado na Inglaterra- tiveram que ser adiadas por causa da ausência do Irmão Bode, que era o único capaz de dar uma explanação do Painel da Loja. Esta era a situação, quando Schröder começou sua tarefa. É importante mencionar que o trabalho em certas Lojas, era ainda em língua Francesa. Mas havia mais um obstáculo no caminho de um começo decidido e enérgico: o Grão-Mestre von Exter. Embora ainda mantivesse uma nomeação Inglesa como Grão-Mestre Provincial para a Baixa Saxônia e Hamburgo, ele estava profundamente envolvido com a Ordem RosaCruz e os graus cavalheirescos e também influenciado com idéias místicas, desde a introdução do Rito da Estrita Observância em 1765. A Grande Loja Provincial de Hamburgo há muito havia negligenciado suas obrigações para com a Grande Loja Mãe em Londres. Finalmente o então Grande Secretário, Irmão Heseltine, em uma carta de 30 de maio de 1773 (UGL MS.26/ B/B/1) pediu a devolução da Carta Constitutiva ao Grão-Mestre Provincial. Não tendo recebido resposta dentro de poucos meses, o Irmão Heseltine enviou uma cópia de sua primeira carta acrescentando que a Carta Constitutiva de­veria se entregue ao Irmão Sudthausen que por acaso se achava em Hamburgo. A Grande Loja Provincial de Hamburgo reagiu com diversas cartas iradas, mas, mesmo assim não enviou relatórios, nem saldou as devidas contribuições. 24


Uma vez que Schröder tomou as rédeas em suas mãos esta situação mudou imediatamente. De agosto de 1786 em diante, a Grande Loja Provincial de Hamburgo enviou regularmente os balaústres de suas reuniões para Londres. A intervenção do Irmão von Gräfe certamente tinha sido de grande ajuda nesta mudança. (UGL Ms.26/B/B/7-27). Ele tinha ditado o Ritual Inglês para o Grande Secretário Provincial, Irmão Beckmann. Em seu comentário, Schröder, faz a seguinte anotação: ....e assim temos agora um antigo Ritual comunicado para nós, exceto por algumas alterações introduzidas pelo tempo e o desejo de melhorar. De acor­do com este texto, o 2ª Vigilante tem seu lugar no Sul; não havia nenhuma Estrela Flamígera e nem mais espadas dentro da Loja. O Diretor Regional von Exter, pois ele ainda detinha este cargo na Estrita Observância, não trabalharia sem as duas Colunas (Vigilantes) no Ocidente, sem a Estrela Flamígera, sem o monte de terra e o galho de Acácia, sem as alusões e promessas de uma Luz Superior e sem os vinte e mais itens muito preciosos para ele. Assim veio a Luz um Ritual até mesmo mais místico e mais pomposo do que esse da Estrita Observância.

Estas observações contêm uma importante indicação. O texto Gräfe não era bem o mesmo que o bem conhecido texto do Prichard, que havia sido publicado em uma edição Alemã em 1736, e que foi largamente utilizado pelas Lojas Alemãs e na França com a versão Francesa. O Irmão N. B. Spencer já apontou isto no volume Ars Quatuor Coronatorum n.º 74: “O aparecimento regular de traduções de uma ou de outras exposições bem conhecidas em Alemão ou Francês, encadernadas, com quase todas as cópias dos livros Alemães da Constituição do Século 18, sugere de uma maneira taxativa, que os Alemães estavam usando-os como guia para as suas cerimônias, assim como nós usamos um moderno Ritual ou Monitor”. Schröder escreveu para seu amigo Meyer: “Eu estou surpreso que você não achou nenhuma Loja em Londres na qual o 2º Vigilante sentase no Sul ou a tal conhecida Loja dos Antigos. Durante este ano já tivemos quatro Irmãos de tais Lojas como visitantes.”

Na verdade os Vigilantes estavam colocados no Noroeste e Sudoeste respectivamente nos trabalhos da maior parte dos Rituais ConRevista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

tinentais derivados de Prichard ou das versões Fran­ cesas baseado no “Masonry Dissected”. Quando Schröder tornou-se membro da comissão para elaborar uma nova Constituição, ele devotou-se a esta tarefa de maneira metódica e diligentemente e com uma considerável despesa pessoal. Assim ele imprimiu as suas próprias custas numa tipografia secreta em Rudolstadt, todos os Rituais disponíveis para ele, bem como uma História da Maçonaria em quatro volumes e uma exata análise da Constituição Inglesa. Este empreendimento é algo fora do comum na História da Franco-Maçonaria e, lançar-se um pouco de luz sobre isto somente poderá ser de proveito.

Modelo de Tapete utilizado no Rito Schröder

Schröder via a necessidade de abraçar a pesquisa maçônica dentro da obrigação de um segre­do contido nos Rituais. Investigando entre os seus “Irmãos de confiança” verificou que a Loja Amália, em Weimar, (Goethe e Herder eram ambos membros dela) podia ajudar. Um dos seus membros era o Irmão Wesselhöft que morava em Jena e que tinha o seu negócio de Impressão e Publicações em Rudolstadt, cidades estas próximas a Weimar. O Irmão Wesselhöft fez o juramento, como também todos os mem25


bros de suas empresa, para manter o sigilo; sendo que alguns deles foram simplesmente convidados a se unirem a Loja de Rudolstadt. O Irmão Conta, que era alto oficial da Policia Alemã, foi nomeado para exercer a função de supervisor e censor. As detalhadas instruções anotadas pelo Mestre da Loja, provas que Schröder forneceu o ne­cessário material e capital de trabalho, ainda existem. Este estabelecimento começou a trabalhar na ultima década do século 18 e parece ter encerrado suas atividades depois da morte de Schröder. Uma de suas publicações foi a coleção de Rituais em 21 volumes, dos quais, a única cópia conhecida nos dias atuais, encontra-se na Biblioteca da Grande Loja Nacional da Dina­ marca. Este trabalho, cerca de trinta Rituais dos então conhecidos e dos “Altos Graus”, incluin­do um texto do “Three Distinct Knocks”, que é sem dúvida considerado como o “mais velho e genuíno Ritual Inglês”, sem entretanto mencionar sua origem. O texto de Prichard é identificado e a razão para o anonimato do “Three Distinct Knocks”

pode se achar na correspondência de Schröder com Meyer, onde escreve: Pelo amor de Deus, “Three Distinct Knocks” (Jachim e Boaz é só uma reimpressão da anterior) não deve se tornar conhecido porque o nosso ritual está baseado nele. Portanto eu removi estes dois livros do catálogo de nossa biblioteca. É muito raro na Alemanha e provavelmente na Inglaterra também.

Mas seu amigo sabia melhor; “Jachim e Boaz” é sempre reimpresso sem alteração, ele tinha uma edição de 1800. No prefacio da edição de 1815 do seu livro “Materialien zur Geschichte der Freimaurerei” (Materiais para a História da Franco-Maçonaria), Schröder aponta que “Three Distinct Knocks” é o ritual que é trabalhado até hoje em dia por todas as velhas Lojas Inglesas na Grã Bretanha, Ásia, África e América. Acerca de Prichard ele diz que este foi o primeiro desvio do mais velho, isto é do “Three Distinct Knocks”, mas que tinha sido usado pela maio-

Frontispícios dos Livros “Three Distinct Knocks” e “Jachin and Boaz” (1865). Os dois livros foram duas exposições muito famosas da maçonaria à época.

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ria das Lojas Alemãs. Os Rituais Franceses, a maioria deles baseados em Prichard, foram as fontes dos Rituais de Zinnendorf e Sueco, cujos sistemas haviam aceitado os “Altos Graus” da França, também eram conhecidos por Schröder. Os “Altos Graus” reproduzidos nesta coleção, não são de nenhum interesse aqui, mas deve-se dizer que o trabalho total é até hoje uma rara fonte de pesquisa ritualística. Como este trabalho foi destinado somente aos membros do “Cir­culo Interno”, a edição não podia consistir de mais de cem cópias e por isto é que se trata de uma Obra rara e que não foi totalmente registrada por Taute e Wolfstieg que produziram uma Bibliografia Maçônica. Assim há muita razão em ser grato a Grande Loja Nacional da Dinamar­ ca por ter liberado sua cópia para fazer-se uma reprodução fotográfica em 1976, que foi limita­ da a uma edição de trezentas cópias e não está disponível comercialmente. Com isto chega­mos a uma certa conclusão: quando o trabalho começou em Hamburgo em 1790 para um novo Ritual, a Grande Loja Provincial subordinada a Primeira Grande Loja da Inglaterra, não possuía em Ritual escrito em Inglês com um texto autêntico. Schröder estava absolutamente convenci­do de que “Three Distinct Knocks” não era apenas genuíno, mas era efetivamente o mais velho Ritual existente. Como podemos ver, ele baseou todo o seu trabalho sobre este texto, tanto quanto diz respeito a estrutura ritualística. Nas instruções do Grau de Aprendiz datado de 1801 Schröder diz:

-se a tendência de que, moral elevada e princípios éticos, deveriam ser as essenciais caracte­ rísticas da Arte Real.

Ignaz Aurelius Feßler (1756-1839)

Schröder, bem conhecido e respeitado como era, tanto profissionalmente como Diretor de um teatro de alta reputação e, também como Maçom, estava em contato com Irmãos proeminentes e os familiarizava com os seus planos. Sua correspondência com seus “Muitos confiantes Ir­mãos” por todo o norte da Alemanha. era Não pretendemos absolutamente proteger todas parcialmente escrita em um código que foi tirado as partes do velho catecis­mo. Embora estejamos inclinados a preferi-lo - no todo – a qualquer coi- da Estrita Observância e usado com sua própria sa nova, entretanto reconhecemos que o que foi frase chave, a qual foi descoberta recentemendito em uma Fraternidade Inglesa, que consistia te. Os princípios básicos seguidos pelos dois reprincipalmente de artesões, não pode ser inteira- formadores da Arte Real na Alemanha, por uma mente adequado para maçons educados de ouiniciativa paralela, foram lançados por Fessler tro país. Portanto corrigimos ou omitimos o que está fora do espírito ou circunstâncias do nosso em Berlim e sua linha de ação será mencionada mais tarde - pode melhor ser compreendida tempo. estudando-se a introdução do “COMPACT” da Ele sentia profundamente que princípios Grande Associação Maçônica de 1801 entre a éticos e morais eram a essência da Maçonaria e Grande Loja Provincial de Hamburgo e a Grande ele os formulava com grande cuidado e em cola- Loja Royal York de Berlim a qual Fessler pertenboração com os mais educados Maçons do seu cia. Embora este texto tenha sido traçado por tem­po. Isto dá ao seu Ritual um caráter particular Fessler e não por Schröder, o conteúdo reflete próprio, expressando as tendências espirituais fielmente as idéias do último: da Alemanha por volta do século 18. A tendência 1º) Franco-Maçonaria e fraternidade maçônica, para a Maçonaria Cavalheiresca ou Templária, são dois conceitos bem dife­rentes, como as pacom um forte conteúdo Cristão e até mesmo Calavras “ciência e escola”, “religião e igreja”. Isto tólico Romano, tinha desaparecido. Fortaleceu­nos leva para: Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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2º) Franco-Maçonaria, independente de tempo e condições locais, (ouvimos a voz de Lessing) sempre una e a mesma, é sempre aquilo que envolve e coloca firmemente o homem interno entre o esquadro e o compasso, seu modo de pensar e agir e que fixa a posição moral do homem na Sociedade, embora a Franco-Maçonaria possa ocasionalmente ter-se desenvolvido em direções di­ferentes. 3º) As Grandes Lojas Provinciais Unidas não reconhecem na Fraternidade Maçônica o tal chamado propósito ou desígnio secreto que se diz possuir e além dos três graus de São João. Para elas o objetivo da Fraternidade Maçônica é o mesmo: prática, manutenção e crescimento comum da Arte; tudo isto visto pela luz de sua pura tendência moral. Isto os mais esclarecidos Irmãos tem em todos os tempos reconhecido. 4º) Como não mais se pode deixar aos caprichos de Maçons isolados ou Lojas em particular, a decisão e definição da natureza e tendência da Maçonaria, as Grandes Lojas Provinciais Unidas estão convencidas de que o mais velho Ri­tual Inglês dos três graus é o único em que podemos confiar como fonte histó­rica e para compreensão da natureza e evolução da franco-Maçonaria.

A razão da curta vivência da Grande Associação Maçônica pode se achar na conturbada situa­ção política existente naqueles dias na Alemanha, entretanto estes princípios ainda são válidos hoje em dia para a Maçonaria Antiga Livre e Aceita na Alemanha. Pode nesta conjuntura ser de interesse mencionar uma opinião não favorável a Schröder; é a de um Pastor Protestante ortodoxo e ex-membro da Loja de Leipzig. De acordo com Taute este ex-Irmão, Professor Lindner deixou a Loja por causa de sua ambição não satisfeita e publicou um trabalho no qual apresentava Maçonaria e Religião num falso relacionamento ainda que um pouco melhor do que fez o Reverendo Walton Hannah em nosso dias. Assim o Professor e ex-Irmão Lindner escreve: Eu tenho... impressão que o melhor do “Iluminati” foi aceito em sua (de Schröder) forma de Maçonaria, mas é ainda necessário mostrar-se que a forma de Schröder não se enquadra na dominante cultura do tempo atual, embora seja mais profunda que outras. Ele nos mostra uma espécie de ecletismo enfeitado com alguma filosofia de Kant, mas não há realmente nada de original ou genu­íno. Sua secretividade sobre assuntos publicamente conhecidos é bem desorientadora. Tudo isto se pode chamar uma filosofia de rigorismo moral, tendo nela disseminado algumas demonstrações de caridade. Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

Mais tarde, Lindner arrependido retratou-se. A insinuação sobre “Iluminati” se refere ao “Círculo Interno” de Schröder que era para ser, não uma outra “Ordem”, mas somente uma Loja de Instrução Histórica. Antes de iniciar a elaboração de novos Rituais a Franco-Maçonaria em Hamburgo tinha que se organizar e isto não poderia se realizar sem surgirem animosidades pessoais. Só em 1790 tornou-se possível nomear uma pequena comissão sobre a presidência de Schröder e com­posta de representantes de todas as Lojas. Antes de tudo ele viajou para consultar seus amigos nas Lojas sobre jurisdição de Hamburgo, que haviam se espalhado além de Hamburgo e até na Alta Saxônia.u interesse particular era para consultar com o Irmão Bode, que tinha se mudado de Hamburgo para Weimar de forma a estabelecer contato mais freqüente com o Ir­mão Herder, um alto Clérigo no Ducado de Weimar. Isto tornou-se somente possível porque Schröder tinha abandonado a direção do seu teatro em Hamburgo e agora estava vivendo como fazendeiro em sua propriedade em Rellingen perto de Hamburgo. Os próximos anos de sua vida foram dedicados integralmente ao trabalho da reforma que deixou uma forte marca na Arte Maçônica da Alemanha até hoje. Uma importante contribuição para o trabalho de Schröder, veio de seu amigo de longos anos, Professor Friedrich Ludwig Wilhelm Meyer (17591840). Ele era um gentil-homem de vida inde­ pendente tendo muito viajado por toda Europa e Inglaterra. Na Universidade de Göttingen ele foi tutor dos Duques de Sussex, Cumberland e Cambridge. Existem evidências de que seus talentos e habilidades lingüísticas foram usados muitas vezes pelo Rei da Prússia e seus minis­tros, que o empregaram como agente político secreto. Meyer era FrancoMaçom e foi membro da Loja “Pilgrim” em Londres de 1789 a 1791. Felizmente pode ser consultada sua enorme correspondência, particularmente com Schröder. Quando ele não estava viajando vivia numa pequena cidade na então parte dinamarquesa de Holsatia e só recentemente cerca de 700 cartas foram descobertas nos arquivos do Estado de Hamburgo. Destas, agora sabemos que Meyer traduziu a maior parte dos textos Ingleses e Franceses que seu amigo Schröder usou. Schröder aceitava os argumentos e sugestões de Meyer de bom grado. 28


Levaria muito tempo para examinar mais de perto o relacionamento entre Schröder e o Irmão Ignaz Aurelius Fessler (1756-1839). Fessler nascera na Hungria. Educado pelos Dominicanos ele tornou-se professor de História e Línguas antigas, o que lhe deu grande reputação. Em seguida a uma crise pessoal e espiritual na meia idade, tornou-se Franco-Maçom, converteu-­se ao protestantismo e morreu velho como Chefe da Igreja Protestante Russa. Durante sua estada em Berlim, empreendeu a Reforma dos Rituais da Grande Loja Royal York de forma a restabelecer a pura Arte Maçônica ou pelo menos separá-la dos “Altos Graus”. Neste contexto deve ser lembrado que os sistemas então existentes eram baseados nos sistemas hierárqui­ cos; as Lojas eram totalmente subservientes a um corpo mais alto e não tinham autonomia, nem ao menos para a eleição de seus oficiais. Fessler estava muito bem informado sobre os diferentes sistemas, porquanto ele tinha, ao contrario de Schröder, sido admitido à maioria dos “Altos Graus”. Numa carta a um amigo ele declara que possuía uma tradução do “Three Distinct Knocks” que ele pensava que era o Ritual de velha Loja Inglesa em York; esta confusão entre os Antigos e a efêmera Grande Loja de York é freqüentemente encontrada na Literatura Maçônica Alemã do período de Fessler. Entretanto, ele não usou este texto para os seus Rituais reforma­dos, mas baseou seu trabalho parcialmente sobre o tal chamado “Ritual de Praga”, verificando que sua origem vinha dos textos Franceses baseados em Prichard. Como este Ritual desem­penhou um importante papel na reforma da Arte Maçônica Alemã, vale a pena considerá-lo rapidamente. Seus integrantes eram membros de uma Loja de Praga chamada “Zur Wahrheit und Einigkeit zu den drei gekrönten Säulen” (A Verdade e União das três Colunas coroadas) fundada ao redor

de 1784 da fusão de duas Lojas mais antigas como o nome indica. Em 1794, a Loja publicou um Livro contendo a Constituição e os Rituais da Arte, um volume de mais de 400 páginas, que não faz referência a Constituição Inglesa, mas a concepção dela, da própria Loja. De início é afirmado que a Loja é uma “República Democrática”. A conexão com eventos na França é óbvia (1794), mas é surpreendente que este livro foi impresso na Áustria Imperial e não na França. O Ritual introduzido em 1788 está baseado no sistema Zinnendorf (Sueco), mas “com mudanças nas explanações morais dos símbolos numa linguagem mais concisa”. Não era para haver nenhuma influência, ou seja lá o que for, dos tais chamados “Altos Graus” nas Lojas da Arte e o “Iluminati” é apontado como sendo totalmente uma organização não-maçônica. “De tempo imemorial” é dito que os “não Cristãos” não poderiam ser admitidos, mas uma inte­ressante exceção foi feita no caso de membros da “Seita Sociniana” que foram exilados da Polônia. Esta seita era definitivamente Cristã, mas seguia a doutrina Unitária. Um interessante fato no Ritual é que a velha obrigação não era mais mencionada. Outro texto que Fessler usou foi o chamado “Ritual Essinger”. Não foi possível achar uma cópia do mesmo, mas da corres­pondência Schröder/ Meyer e das publicações de Fessler sabemos que um médico chamado Gasser, havia trazido o texto da Inglaterra mais ou menos no ano de 1784. Na verdade este Ritual era uma cópia do “Three Distinct Knocks” que passou nas mãos de Fessler, havia sido publicado na Saxônia em 1804. Foi usado na Loja que o Barão Dalberg fundou em sua residên­cia de verão em Essingen perto de Mannheim onde ele era Diretor de um então famoso Teatro. Seu irmão mais velho foi o último Eleitor e Arcebispo de Mainz e Grande

Aventais do Rito Schröder utilizados pela GLOMARON

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Chanceler do Santo Império Romano, enquanto seu irmão mais novo era um conhecido músico e compositor. Todos os três eram franco-maçons e personalidades de destaque de sua época. Fessler pretendeu que este Ritual era pelo menos o mais velho, porquanto já havia sido usado antes de 1717 na Loja de York. Isto aumentou a ira de Schröder e numa carta a Meyer ele escreve: Não deveria ele (Fessler) e seu tão meticuloso amigo Mossdorf, saber que o lugar Essingen não existe? Somente uma coisa em todo o livro me chamou atenção – The Old Charges da Constituição de York. Seu estilo e conteúdo são obviamente mais novos que o texto de Anderson, que por si é mais novo que aquele publicado por Preston na sua “Ilustrations”.

Isto é de grande interesse porque demonstra a extrema confusão causada pela publicação do Irmão Dr. Krause (como hoje sabemos) do texto complemente apócrifo da Constituição de York de 926. Havia ainda um outro eminente FrancoMaçom com quem Schröder mantinha contato e cujos conselhos freqüentemente seguia. Este era Johann Gottfried Herder (l744-1803) cujas corres­ pondências com Schröder dos anos de 1799 a 1802 estão parcialmente acessíveis em uma publicação do Irmão Wiebe de Hamburgo e em um certo número de cartas não publicadas existentes nos arquivos do Estado da Prússia em Berlim. Quando o exército Francês ocupou Hamburgo no ano de 1808, Schröder infelizmente destruiu a maior parte de seus papéis. Sabese, por intermédio de outras fontes, que a primeira versão do Ritual de Schröder introduzida em 1801, continha um certo número de canções escritas ou pelo menos trabalhadas por Herder. A maior parte delas não foram incluídas na versão de 1816, pois que a prática de cantar em Loja havia se tornado menos popular. Os textos disponíveis de hoje são em prosa somente, mas eles tem o espírito do gênio de Herder. Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

Johann Gottfried Herder (1744-1803)

Schröder e Fessler trocaram cópias de seus Rituais, porém o último comentou, que os Irmãos de Berlim acostumados ao Ritual Francês não apreciariam a simplicidade do texto de Schröder. Ambas as versões foram enviadas por Schröder aos seus outros amigos e conselheiros e os mesmos preferiram o seu (de Schröder). Depois de certas pequenas modificações, Schröder submeteu seu texto aos Mestres de Hamburgo em 29 de junho de 1801 que o adotaram por unanimidade. Depois de mais uma revisão de certas passagens, que não tinham concordância com a cerimônia, foi impressa uma edição limitada para as Lojas de Hamburgo e uma edição maior foi editada em 1816 para todas as Lojas Alemãs. Desta edição existe somente uma cópia pertencente a uma Loja na cidade de Celle, cujo exemplar felizmente tem sido possível estudar. Este texto não contém nada de místico ou oculto, mas retém a simplicidade do original Inglês. Incluído o pensamento alemão da época, expressa um texto de alto fervor moral aliado a um generoso espírito de princípios Humanitários. Voltando as atividades de Schröder, estas podemos descrever utilizando suas próprias 30


pala­vras. Em 1792 ele escreve: Com permissão dos Veneráveis Mestres, Schuch e Schütte e consultando o Irmão Beckmann, eu purguei as escórias do Ritual e nós gradualmente intro­duzimos estes melhoramentos. Somente o Venerável Mestre Poppe, da Loja “Absalom”, permaneceu com a velha versão, a mística alusão e promessas da grande Luz. Era irritante que este cérebro acanhado continuasse falando de preservar a Constituição Inglesa, que ele não conhecia e a cuja introdução ele tanto resistiu. ... Embora o nosso Ritual revisado, ainda não bem representan­do plenamente o texto mais velho, pois nossas mãos ainda estavam amarra­das, se comparou favoravelmente com todos os outros textos conforme nos afiançaram Irmãos visitantes freqüentemente.

Do que está acima escrito, podemos concluir de que o texto revisado do Rito da Estrita Obser­vância - que era ainda o oficial - estava agora em concordância com a usança Inglesa. A linha de ação de Schröder estava encerrada consigo mesmo. Mas, ele tinha de conseguir a aprovação, primeiro da Comissão de Elaboração e depois das Lojas da Jurisdição de Hambur­go. Isto não foi obtido sem dificuldade. O Irmão Sieveking, um cidadão respeitável e Venerável da Loja “São Jorge” declarou em seu discurso inaugural em 1789, que as usanças, símbolos e obrigações eram uma farsa e que nenhuma pessoa sensata deveria dar qualquer valor a elas. Ele somente seria Venerável da Loja, se tudo isso fosse mudado e o Ritual como conhecemos fosse abandonado. Schröder ficou muito chocado com essa atitude e quatro semanas após, num discurso enérgico aos Irmãos de Hamburgo disse: Acabar com os símbolos significa acabar com a Maçonaria. ... É legal tirar conclusões adversas dos abusos, contra o todo? Aquele que olha para os hieróglifos como uma farsa, tem primeiro que nos convencer, em termos não incertos. Meus Irmãos, considerem antes de tudo, as primeiras lições tiradas das vidas virtuosas de homens sábios, de estabilidade, de prudência e de sigi­ lo e que nos foram ensinados no primeiro grau. Pensem nestes grandes preceitos e nos subseqüentes modelos! Tudo isto é baseado na farsa? Mesmos se os velhos costumes não tem mais valor que as práticas das Guildas dos Maçons trabalhadores da Pedra, mesmo se a interpretação delas é inteira­mente inútil .... é o bastante, elas são a base material da qual a grande corrente da Fraternidade foi formada e enquanto não permitirmos mudanças maiores, enquanto perRevista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

manecermos com o sistema Inglês, por todo este tempo, nossas reuniões estarão absolutamente livres da intromissão do misticismo, Iluminati e de outros sonhadores.

Não antes de 1791 foi possível se livrar dos Corpos governantes dos “Altos Graus”, introduzi­dos pelo Rito da Estrita Observância, e do qual os Irmãos estavam ficando cada vez mais cansados. Seu dirigente era o Irmão von Exter, que ao mesmo tempo era Grão-Mestre Provin­cial sob a Constituição Inglesa. Havia também problemas financeiros para serem resolvidos porquanto estes Corpos eram responsáveis pela administração das Lojas da Arte. Ao final, aos “Old Scots”, aos “velhos Escoceses”, como eles se intitulavam, foi pago uma certa soma em dinheiro tirado do Fundo Geral. Desde o começo, Schröder não se tinha restringido a organizar um novo Ritual somente para Hamburgo; ele sempre teve em mente que o mesmo servisse todas as Lojas de língua Alemã. Algo como um vácuo havia surgido com o colapso do Rito da Estrita Observância e nesta oportunidade o sistema Sueco do Irmão Zinnendorf tentou se introduzir. Nesse tempo houve somente uma outra Grande Loja Provincial sob a Constituição Ing1 esa, era em Frankfurt, traba­ lhando do mesmo modo que Schröder; Os Graus simbólicos tinham que concordar com a usança inglesa, mas cada Loja estava livre para trabalhar qualquer dos “Altos Graus” e isto levou natu­ ralmente, exatamente para aquelas dificuldades que Schröder conseguiu evitar em Hamburgo. Tem que se salientar que ele de modo nenhum desejou criar um novo sistema próprio. Assim ele se manifestou em uma carta a Meyer: Assim como a Franco-Maçonaria se espalhou da Grande Loja de Londres e como nenhuma Grande Loja pode existir na Alemanha, com a presente situação política, a coisa certa é de se permanecer sob os auspícios da Grande Loja de Londres, se é para sermos legalmente reco­ nhecidos em toda parte. Até mesmo as Grandes Lojas da França, Holanda e Suécia, concorda­ ram em não constituírem Lojas fora de suas fronteiras políticas, de forma a serem reconhecidas por Londres.

A resposta de Meyer foi a seguinte: É verdade que eu firmemente acredito que uma Loja de acordo com a antiga usança maçônica não precise de uma Constituição para sua legal

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existência. Como as coisas estão, entretanto, eu concordo com você de que é aconselhável ter uma Carta Constitutiva de uma fonte de Franco-Maçonaria mais nova, e eu estou convencido que – se tal coisa for negligenciada – estaríamos abertos para toda a sorte de tapeações e farsas.

Agora deixemos Schröder com suas viagens, durante as quais ele apresentou seu novo Ritual com sucesso em muitas Lojas sob a Constituição de Hamburgo, ou na sua casa de campo estudando o material que ele tinha colecionado. Em seguida examinaremos as fontes de onde ele tirou o material. A primeira Grande Loja da Inglaterra nunca tinha publicado um Ritual autorizado, pois era um dos princípios básicos que os trabalhos das cerimônias devem ser apresentados de cor. O rápido crescimento da Maçonaria, no Continente Europeu de 1730 em diante, propiciou inevita velmente a publicação das tais chamadas “exposições” que alegavam ser textos “autênticos” das cerimônias. Como muitos trabalhos foram publicados sobre este assunto, é desnecessário tratarmos desta matéria. Qual foi o problema que Schröder teve que superar, não tendo a pos­sibilidade de trabalhar com um genuíno e autêntico texto? Uma pergunta imediatamente surge: Porque ele mesmo não foi a Londres? Como homem de trinta ou mais anos de experiência teatral, não deveria haver nenhum problema para ele memo­ rizar todos os textos de que necessitasse. Ele se apresentaria aos “Modernos” de onde Ham­ burgo tinha uma Carta Constitutiva. Mas é bem possível que ele poderia ter caído nas mãos de Preston ou Dermott. Sabemos que ele havia planejado uma viagem a Londres levando consigo o amigo Meyer, porque ele falava pouco o Inglês, mas tudo acabou em nada. Uma outra per­gunta é: porque ele não pediu para outro Irmão, que iria a Londres a negócios, para obter as informações que ele necessitava? Porque ele também não pediu a um dos Irmãos Ingleses que eram visitantes? Não há resposta, mas é conhecido que ele possuía todas as exposições exis­tentes, tanto Inglesas como Francesas, que ele estava intrigado pelas publicações de Preston e que ele estava ciente da existência de duas Grandes Lojas rivais. Entretanto, ele não sabia, como a maior parte do povo do seu tempo, a real origem dos “Antigos” e ele parece ter acredi­tado Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

que eles usavam um sistema de trabalho mais antigo que aquele dos “Modernos”. Deve ter sido desconcertante para Schröder, achando seu caminho através dos textos a sua disposição, notar a posição dos Vigilantes, a inversão das Colunas “J” e “B” e, entre muitas outras diferenças entre “Prichard” e “Three Distinct Knocks”. É interessante notar que depois da União na Inglaterra, nenhuma mudança foi feita no Ritual de Schröder. Quando seu sucessor como Grão-Mestre Provincial comunicou a Londres a notícia da morte de Schröder, numa carta datada de 08 de outubro 1816, ele fez um certo destaque dizendo: Ele considerou o livro Inglês da Constituição e o velho Ritual Inglês, como as únicas fontes do fim e da essência da Maçonaria. Ele informou as Lojas sob a nossa jurisdição e muitas outras sobre isto e, em 1801, ele as induziu a adotarem o velho Ritual. Este texto entretanto foi modificado de forma a reduzir tanto quanto possível as discrepâncias com aqueles de outras Lojas. Nós, portanto, mantivemos as palavras da Maçonaria mais moderna, por serem de usança comum no Continente e mais alguns detalhes. Hoje, trinta Lojas na Alemanha, e seis na Rússia, trabalham com este Ritual, preferindo o velho Ritual a todos os outros. Schröder muito se lastimou, que as palavras que haviam sido muda­das no seu Ritual de forma a concordar com a usança Continental, foram ago­ra restauradas para a velha forma na Inglaterra, conduzindo à situação desa­fortunada, que outras palavras, a maior parte desconhecidas no Continente, estão agora sendo usadas na Inglaterra.

Incidentalmente, o comentário de Schröder sobre uma publicação do Irmão Bode, que era um membro de destaque da Estrita Observância, bem ilustra a confusão reinante nas mentes dos franco-maçons Alemães. O Ir. Bode estava convencido que os Rituais Ingleses foram inventa­ dos pelo Clero Católico Romano bem como da oposição das Colunas “J” e “B”. Schröder escre­ve: Bem, se em todas as velhas Lojas Inglesas, mesmo naquelas trabalhando como na versão de Prichard, o Aprendiz recebe o seu salário na coluna “J” e o Com­panheiro na “B”, porque Bode não interpreta “J” e “B” como “Ignatius Benedictus” que estaria mais de acordo com sua teoria?

Neste contexto, um breve comentário sobre este problema particular pode ser útil. No tempo de Schröder, depois da dissolução da Socieda32


Friedrich Ulrich Ludwig Schröder 1744-1816

de de Jesus em 1773, uma reação muito forte con­tra este Corpo Religioso tinha se espalhado por todo o Continente Europeu e não somente pelos Países Protestantes. Seus membros foram acusados de tentar se infiltrar na Franco­-Maçonaria, principalmente com os graus Cavalheirescos e Templários. Schröder e muitos de seus amigos foram influenciados por esta reação e muitos panfletos foram editados atacando ex-membros da Sociedade com grande violência. Muitos eminentes contemporâneos como Lessing, Barão Knigge, Biester e Nicolai Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

na Alemanha, De Bonneville, Ragon e Rebold na Fran­ça e Capitão Smith na Inglaterra, tomaram parte nesta campanha anti-Jesuítica. Um dos princi­pais argumentos foi, que a Franco-Maçonaria havia sido organizada na Inglaterra pelos Jesuí­tas, como um movimento anti-Protestante da Igreja Católica Romana. De Bonnevilie, por exem­plo, acreditou que a exposição de Prichard era de origem Jesuítica, assim como também o Irmão Bode, conforme explicou num longo memorando ao Duque de Brunswick, Soberano do Rito da Estrita Observância. Ele tentou provar 33


que cada simples elemento ritualístico continha uma alusão a Roma, a Becket ou aos Jacobitas. Suas referências eram dos Rituais baseados em Prichard. Quando Schröder chamou sua atenção ao “Three Distinct Knocks”, Bode respon­deu: Eu mesmo tenho “Three Distinct Knocks” mas não o acho muita coisa. Acredite na minha palavra, na realidade os rufiões são nem mais nem menos que os Reformadores do século 16 e que H. A. não é mais que a hierarquia Romana.

Schröder, como um homem equilibrado, não seguia seus amigos até este ponto; ele lembrou a Bode que nas antigas Lojas não havia Altar, mas apenas uma simples mesa para colocar o Livro da Sagrada Lei. De qualquer maneira Schröder decidiu usar o “Three Distinct Knocks” como material básico do seu trabalho. Ele tinha um grande número de Rituais e Catecismos impressos de origem Inglesa, Francesa e Alemã a sua disposição, pois todas as Lojas Conti­nentais trabalhavam com o texto impresso e ainda hoje assim o fazem. Teria sido interessante se tivesse sido possível apresentar o texto do “Three Distinct Knocks” junto com o texto final de Schröder de 1816 na forma de um resumo. De qualquer modo, como este texto representa, com algumas adaptações de linguagem, o Ritual usado hoje pela maioria das Lojas de língua Alemã, incluindo a Loja “Pilgrim” de Londres, seria impróprio assim fazer. O Irmão Milborne em seu importante trabalho apresentado no Livro “Ars Quatuor Coronatorum” n.º 78, publicou um resumo, mas, ambos seus documentos básicos eram exposições, enquanto neste caso, uma exposição havia sido transformada em um autêntico Ritual. Contudo está bem claro nos co­mentários feitos por Schröder, que ele tinha idéias próprias e uma concepção clara do que ele deveria inserir na estrutura do “Three Distinct Knocks” e, portanto, estes comentários serão dentro do possível dados em extenso. Aqueles que gostariam de fazer um estudo mais minucioso devem ter como referência uma cópia do Ritual de Schröder do ano de 1816. As idéias de Schröder se tornam óbvias pela leitura atenta do seu próprio texto. As citações são da edição de 1815 do seu “Materialien zur Geschichte der Freimaurerei” (Matéria para a História da Fran­co-Maçonaria) que daremos abaixo: Eu espero que o Ritual completo explanará melhor minha própria opinião do que os fragmentos

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dos primeiros parágrafos. Não deve ser esquecido que eu de modo algum considero que este ritual (“Three Distinct Knocks”) seja o origi­nal. Talvez se tenha desenvolvido gradualmente a uma certa perfeição, pois deve ter sofrido mudanças, pelo menos quando a Igreja Protestante tornouse dominante. As Lojas Unidas (isto é, aquelas de Hamburgo e Berlim) já conhecem este Ritual de uma coleção de textos, mas as observações nele servem somente para mostrar a diferença entre a velha e a nova Franco-Maçonaria e eu não podia levantar todo o véu. Portanto, eu agora apresento para os meus leitores uma tradução consciente, para que se faça um exame conveniente. O pequeno livro que abriu os meus olhos e faz as minhas afirmações altamente prováveis é chamado: “The Three Distinct Knocks on the Door of the Most Ancient Freemasonry” (As Três Batidas Diferentes na Porta da mais Antiga Franco-Maçonaria).

Damos abaixo o prefácio do “Three Distinct Knocks” que é importante porque conclui assim em seu final: Depois eu fui convidado para ir a uma Loja Irlandesa que se denominavam os mais antigos maçons e que mantém sua Grande Loja na Taverna dos Cinco Sinos no Strand e que é todo o assunto deste livro, e não o outro, porque'á há um livro publicado chamado “Masonry Dissected” (Maçonaria Dissecada, que foi publicado no ano de 1700 (sic) e eu acredito que era toda Maçonaria que se fazia usar naquele tempo; mas não é nem a metade do que é usado agora, embora seja o melhor que já foi escrito sobre o assunto antes disso.

O comentário de Schröder foi: “do precedente, segue sem nenhuma sombra de dúvida que esta Loja, constituída pela Grande Loja de Londres, trabalhava com um Ritual que simplesmente correspondia com a “Maçonaria Dissecada” de Prichard”. Ele também corrige a data da publi­cação que não foi 1700 e sim 1730. Schröder agora faz algumas observações preliminares sobre o texto do “Three Distinct Knocks” que está parcialmente em linha com o original, mas também contém algumas adições que são reconhecíveis como a que segue: ele dá a Coluna “B” para o 1º Vigilante e a “J” para o 2º Vigilante. Numa nota claramente reconhecida, como sua própria, ele assegura que nenhum maço originalmente tinha sido usado, mas que o Venerável e seus Vigilantes usavam um Bastão de sete pés (2,10 m) para abrir e fechar a Loja. Ele acres­ centa que aparentemente nada era desenhado no retângulo no centro da Loja. Segue uma 34


tradução de palavra por palavra por Schröder, comparando-o com “J e B” e com Prichard. Isto e também válido para o Catecismo dos Aprendizes que se segue depois. Pode-se notar que em alguns trechos a tradução que ele usou continha incorreções ou que o conhecimento da língua Inglesa de Schröder não era muito grande. Por exemplo, ele parece acreditar que durante a Iniciação, os Irmãos sentavam em volta de uma mesa com uma Poncheira e copos no centro. É difícil imaginar como com tal arranjo, o Mestre ia do Oriente para o Ocidente onde se supunha que era onde o Candidato se ajoelhava. A posição das mãos durante a obrigação do primeiro Grau, como observado na Constituição Escocesa e outras, nunca foi costume no Continente Europeu e Schröder presta especial atenção a esta parte da cerimônia. Lamentando que mais nenhuma explicação é dada, ele sente que esta posição força o candidato quando lhe é restau­ rada a Luz, antes de tudo ver as Três Grandes Luzes ante seus olhos. Quanto a velha obriga­ ção, ele concorda com a sugestão de Herder, que esta não deve ser lida para o candidato, mas deve ser incluída no Catecismo ou comunicada numa Loja de Instrução. Como o Diretor de Cerimônias não é mencionado nas exposições, ele não inclui este Oficial no seu Ritual; suas funções foram distribuídas aos Diáconos. Na verdade, a maioria das Lojas Alemãs hoje em dia tem um Diretor de Cerimônias, embora seja ele conhecido como Mestre de Cerimônias. Os comentários de Schröder sobre o método de dar o Sinal, Toque e Palavra são interessantes: Antes dele dizer alguma coisa, ele tinha de ser instruído. Parece que ele tinha estado ajoelhado até então. Diversas razões me levam a duvidar, que nesse original arranjo, nenhuma palavra foi dita sobre o Templo Salomônico. Como é que neste Ritual e no Catecismo de Prichard, “B.” vem antes de “J. ”? “B.” era sênior e “J.” júnior e na Bíblia também a ordem é “J.” e “B.”. Dr. Krause corretamente diz que deve ser “J.” porque “ele será elevado”. Pode-se suspei­tar que a mudança na Ordem iniciou, senão no começo, então depois de 1725, quando o primeiro e o segundo graus eram dados juntos; a verdade pode encontrar-se nos documentos na Primeira Grande Loja da Inglaterra antes de 1725.

Alguns anos antes, quando todos esses problemas já se achavam em sua mente, Schröder havia escrito uma longa carta ao Grande Secretário, Irmão White, em Londres, solicitando detaRevista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

lhes ritualísticos. Esta carta prova que, embora ele estivesse ciente da existência das duas Grandes Lojas, ele não sabia as causas do surgimento dos “Antigos”. O rascunho foi enviado a Meyer para traduzir; Meyer devolveu com este comentário: “White certamente fará o melhor possível para ser explícito na sua resposta, mas se ele é forçado a ficar calado, isto é, confes­sar sua ignorância, então sabemos pelo menos que não podemos esperar muito de lá”. Era somente natural, que nenhuma resposta se recebeu de Londres. A Grande Loja, natural­ mente, declinaria de discutir assuntos concernentes ao Corpo rival e de qualquer modo, não estaria de acordo com o hábito inglês discutir questões do Ritual por escrito e, muito menos, com um Irmão desconhecido. Comentando sobre o discurso dirigido ao novo Aprendiz e a “Corda”, a opinião de Schröder é bem definida: Toda esta aparelhagem não é bem adequada para um homem educado. Po­deria ter sido inventada somente para as classes baixas e a resposta do Apren­diz confirma isto sem dúvida. Por outro lado, nenhum Construtor ou Mestre de Obras poderia ter inventado isto; teriam eles tratado ou punido seus vigorosos trabalhadores desse modo?

Aqui vemos a influência de Herder bem clara. Num memorando para o rascunho de Schröder, ele escreveu: Não pode ser negado, que o todo das cerimônias dos Maçons Operativos, são para nós estranhas e fora de moda e não contém nada de inspirador. Já no fim do século (17) isto foi sentido mesmo na Inglaterra onde as tradições das vári­as Artes eram tidas em alta estima. Portanto os símbolos mais finos da, por ex: Arquitetura, foram adicionados aos símbolos da pura Arte Operativa. Tomando isto em consideração, devemos evitar qualquer coisa grosseira; mesmo as perambulações não devem ser chamadas de provas perigosas... Somente com muita cautela podemos preservar essas velhas usanças que ficaram para trás.

O nó corrediço e o cabo de reboque nos mostram falta de compreensão nas práticas ritualísticas Continentais. Ao candidato entrar na Loja com uma corda no seu pescoço foi dado um significa­do espiritual e simbólico pelos Franceses, indicando que ele ainda estava preso ao mundo profano fora da 35


Loja. Esta interpretação, embora se ajustasse bem às suas idéias, não foi adotada por Schröder. O cabo de reboque na forma tradicional da obrigação, tem pouco signi­ficado para os Irmãos do Continente que não viajam. A corda com nós místicos em intervalos, que aparece com certa proeminência nos painéis das Lojas do Continente ou que é vista cir­ cundando as paredes do Templo, tem sido assunto para muita especulação. Ritualistas, como Boucher e Plantagenet deram longos comentários sobre ela e no dicionário de Ligou, é afirma­do que este elemento decorativo poderia ter sido derivado do Brasão dos Eclesiastes e que um significado simbólico foi adicionado depois, ou seja, que esta corda representa a Fraternidade. No “Three Distinct Knocks” ao joelho nu é dada uma explicação que até mesmo o autor anônimo acha uma “tolice”. Schröder comenta que a resposta “não é particularmente uma sensível espiritualização”.

como também para com seus Irmãos, com círculo maior para com o anterior e mais estreito para o posterior. O sentido de “não aproximarmo-nos demasiadamente” certamente não estava na interpretação antiga.

A seguinte seção do “Three Distinct Knocks” sobre a formação de uma loja (3, 5, 7, 11) Schröder sentiu que foi uma adição posterior, ao velho Ritual e no que ele certamente estava com a razão. Ele comenta: As sete artes liberais foram adicionadas para tornar o grau mais interessante na nova Maçonaria. Elas não estão no primeiro ou segundo graus de Prichard. Isto prova que deve ter havido depois de 1717, uma tendência para banir qual­quer coisa pertencente a Maçonaria Operativa. Se os Aprendizes se preocu­passem com as sete artes liberais, o que restaria para os Companheiros e Mestres Maçons fazer?

De fato, estes elementos ritualísticos podem ser encontrados ainda hoje em certos RituDurante o tempo em que analisava os tex- ais Fran­ceses como parte dos catecismos para tos que tinha em sua frente, Schröder nunca Aprendizes e Companheiros. De qualquer forma, deixou de pedir conselho a Meyer. Por exemplo, Schröder não adotou do “Three Distinct Knocks” quando ele procurou explanações do Compas- quaisquer alusões ao Velho e Novo Testamen­ so so­bre o volume da Sagrada Lei. Meyer sentiu to, exceto a Lenda Hirâmica. O Volume da Saque a tradução das palavras “para nos conser- grada Lei permanece fechado, mas algumas var”, em alemão só podia significar “para todos Lojas abrem-no no primeiro capitulo do Evangeos homens e especialmente a um Irmão”. Em lho de São João ou no terceiro grau, no Livro de outras palavras as Três Grandes Luzes são sím- Reis. Schröder tinha notado que nem Prichard bolos de nosso dever para com Deus, para nós nem “Three Distinct Knocks”, mencionam uma mes­mos e para com nosso próximo. O símbo- Bíblia aberta. Quanto ao segundo grau, que nas lo de união com os nossos Irmãos, e a forma primeiras décadas era sempre dado na mesma da própria Loja, um retângulo. De acordo com o ocasião do primeiro, Schröder estava de acorvelho Ritual, o Compasso não é para desenhar, do com todos os ritualistas em achar dificuldade nem para unir, mas, para medir e determinar li- para dar uma interpretação ritualística. O texto mites. Para nos conservar sujeitos, nada mais do “Three Distinct Knocks” ele achou ser de uma significa que preservarmo-nos dentro de limites. grande simplicidade e a detalhada descrição O Esquadro determina a precisão dos nossos dos Pilares certamente não forneceu elementos passos para com nós mesmos. Assim, o Volu- para uma interpretação esotérica. Isto despertou me da Sagrada Lei deve simbolizar uma crença o talento de Schröder como ator dramático para num Ser Superior, numa ordem mais elevada do criar um Ritual inteiramente novo, com sua prómundo, porque seria supérfluo deixá-lo simbo­ pria concepção deste grau. A uma tanto laboriolizar moral porquanto o Esquadro e Compasso sa explanação do Painel da Loja que é compleestão lá para esse fim. A isto Schröder respon­ mente omitida, colocou em seu lugar os princípios morais explanados numa bela linguagem e deu: toda a cerimônia tem o significado de inculcar no Eu posso bem me lembrar que a expressão candidato esperança e alegria. As viagens são “sujeitos” me desorientou. Eu es­tou convencido acompanhadas com comentários encorajadores que no decurso do tempo advérbios tem mudado por tradição oral. O significado não pode e flores e música são importantes fatores neste ser outro que o Compasso determinar os limites grau. Sabemos dos comentários de Herder sobre dos Franco-maçons para com todos os homens o rascunho de 1800 que suas sugestões foram Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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aceitas em grande maioria. Ele avisou Schröder para não usar o número sete porque este havia provocado muitas interpreta­ções errôneas, por isto a Escada em caracol não aparece. Das muitas sugestões que Herder apresentou, podemos concluir que Schröder tinha a tendência de fazer seu texto mais verboso do que era apropriado para um Ritual. De outro modo, Herder como um clérigo, gostava de rascunhar com certa suntuosidade, embora ele concordasse com Schröder que quaisquer alu­sões ao Novo Testamento deveriam ser evitadas. De acordo com muitos pesquisadores ritualísticos, Schröder era muito crítico no que concerne ao segundo grau. Ele pensava que o grau derivou da seguinte maneira: Alguns membros do clero Católico (provavelmente Jesuítas) devem ter tido influência na origem deste grau como pode ser verificado na seguinte explana­ção. Seu fim foi a lamentação por Charles I, a esperança pela restauração do seu trono e da religião Católica na Britânia e Irlanda, através da palavra restau­rada. Charles II já tinha sido coroado na Escócia e Cromwell morreu em 3 de Setembro 1658, 21 meses antes da coroação de Charles II na Inglaterra. Eu estou convencido que foi somente então que os dois graus foram trazidos para Londres. Agora tornou-se possível para os monarquistas se congregarem com muito menos perigo e discutirem assuntos num lugar privado debaixo da co­bertura da Maçonaria. Somente a Grande Loja estava de posse de dois novos graus o que eu explicarei de acordo com o livro “Three Distinct Knocks”.

Agora segue novamente. a tradução palavra por palavra com o comentário de Schröder: Companheiro aqui significa Artífice porque ele está entre o Aprendiz e o Mes­tre. O velho Ritual foi invertido para aquele do Aprendiz, mas o velho e agora arcaico nome de “enter’d Prentice” ficou mantido.

A atitude do candidato quando presta o juramento, como está descrito no “Three Distinct Knocks”, leva para este comentário: “Eu suspeito de erro de impressão nesta parte, mas a autenticidade desta incompreensível cerimônia está confirma por outro Ritual Irlandês e por aquele de uma Loja do “Rit Ancien” de Amsterdã. A defesa disto está explicada no Ritual anterior, bastante divertido e tirado do Êxodos 17, 11-12'. No fim da tradução está o comentário irado Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

de Schröder: Agora, o que o Companheiro aprende neste grau? Certamente seu conhecimento deveria ter aumentado com algo mas ele tem aqui a melhor oportunida­de de esquecer o que ele aprendeu lá. Como Aprendiz, ele aprendeu algumas significativas espiritualizações e sobre as sete Artes Liberais, a essência da ciência dos tempos antigos. Aqui o que é dito sobre as duas Colunas no Pórti­co do Templo foi tirado palavra por palavra da Bíblia. A recepção é a mesma do Aprendiz somente com a diferença de que os olhos não são vendados e o toque e a palavra são diferentes. O velho inigualável Ritual dos Maçons Livre e Aceitos de outro modo é um todo completo.

Schröder mais adiante observa que este grau, exceto pela letra “G”, não é de nenhuma maior importância que o de Prichard ou os Rituais Franceses. Para Prichard o grau de Companheiro era nada mais que apenas uma introdução ao grau de Mestre Maçom, não pertencendo a Maçonaria mas, era uma conseqüência dela. Pode ser que não estivesse inteiramente errado em sua opinião, como de fato as sete Artes Liberais foram transferidas para o segundo grau na maioria dos Rituais Franceses. É também verdade que Schröder deixou fora todas as alusões ao Velho Testamento, mas no seu esforço de ter “o mais velho” Ritual, ele eliminou tudo o que ele acreditava serem adições posteriores mesmo quando elas correspondiam com sua con­cepção geral, como por exemplo, a apresentação do tronco de solidariedade. Antes de proce­ der a análise de Schröder sobre o terceiro grau, será vantajoso descobrir suas idéias funda­mentais. Ele conhecia todos os Rituais importantes de seu tempo, mas o seu mais ardente desejo era voltar as fontes. Já foi mencionado que Schröder acreditava que tinha havido so­mente uma cerimônia de iniciação aplicada à Maçonaria Operativa mas, quando o estágio da Especulativa havia sido plenamente desenvolvido, certas velhas usanças tiveram de ser aban­donadas e novos elementos ritualísticos foram portanto introduzidos. Schröder compreendeu que ele não podia voltar a roda de evolução, mas ele sentiu que os Rituais existentes para a cerimônia de elevação eram inerentemente supérfluos. Na verdade nenhum sistema Maçônico tem sido capaz de providenciar uma função satisfatória para este grau e é afirmado que o melhor conteúdo alegórico é o que Schröder e seus amigos deram para ele. Com um preciso instinto do 37


Irmãos da ARLS A Luz do Graal n. 34, recebendo a visita de autoridades maçônicas. A loja usa o rito Schröder e foi fundada em 2005. Está no Oriente de Porto Velho - RO - Brasil

espírito do seu tempo, a aurora do Iluminismo e o surgimento do romantismo, ele recolocou as citações enfadonhas e explanações do Velho Testamento como simples ensinamentos de Ética e Moral Maçônica. Tão estritamente quanto possível, porém de nenhum modo sem criticismo, ele conservou seus textos dentro da estrutura do Ritual que ele havia escolhido e ele o adornou com comentários instrutivos e encorajadores em vez de citações Bíblicas. O objetivo de trabalho numa loja Maçônica era para ele o cultivo de uma Fraternal e espiritual comunidade pela prática de cerimônias ritualísticas. O cargo de Orador era, portanto muito importante e substituiu o de Capelão. A intensa vida espiritual e intelectual nas Lojas Francesas e Alemãs no século 18 mencionare­mos somente a “Loge des Neufs Soeurs” em Paris e a Loja Amália em Weimar como exemplos - foram principalmente devido a influência do Orador. É verdade que hoje em dia nem todos os Oradores são gigantes intelectuais (e temos muitos volumes de discursos terrivelmente maçan­tes proferidos nas Lojas no século 19) mas havia e ainda há, uma oportunidade para os irmãos debaterem as preleções dentro da Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

estrutura de unidade fraternal e perfeita harmonia e assim conhecer melhor uns aos outros, do que somente o trabalho ritualístico permitiria. Na Alemanha estes debates tem lugar na sala dos Passos Perdidos mas na França são realizadas em Loja aberta. Para a parte do Mestre, Schröder também seguiu o texto do “Three Distinct Knocks”, tanto quanto interessava o procedimento do cerimonial, mas com certas modificações que ele havia aplicado nos primeiros graus: o candidato não era preparado descalço, nem com os braços e o peito desnudos e o juramento foi modificado para uma solene promessa dada com um aperto de mão. Novamente muitas alusões ao Velho Testamento foram omitidas. A exortação e o com­promisso, bem assim como a elaborada cerimônia de preparação antes da entrada do candida­to, estavam muito solidamente concebidas no conceito idealístico de Schröder e Herder. A his­tória tradicional foi muito abreviada. É interessante notar que Schröder, que naturalmente conhecia os Rituais Franceses, não adotou a versão Francesa dada no “Three Distinct Knocks” e ainda em uso nas Lojas sob a jurisdição da Grande Loja da França e em outras que 38


trabalham nos graus simbólicos do Rito Escocês na França e em outros países. De acordo com o texto do Prichard, o nome dos três rufiões não é dado e nem o ramo de acácia é mencionado. Mais adiante, como no “Three Distinct Knocks”, o Ritual de Schröder dá somente o Sinal de S., pois os demais foram previamente ensinados no primeiro grau.

“T.” de acordo com ele, relata a decapitação de Charles I com um machado. Os quinze Companheiros significam o descontentamento de uma parte da população da Escócia (15 dos 32 Condados). A semelhança dos nomes dos três rufiões relaciona a forte união dos três reinos. Resumindo, toda a Lenda Hirâmica torna-se uma alegoria da situação política do tempo de Charles I.

Em Abril de 1809, a Premier Grande Loja da Inglaterra resolveu “que não é mais necessário prolongar por mais tempo com as medidas que foram tomadas no ano de 1739 no que diz respeito aos Maçons Irregulares e assim ordena às diversas Lojas a reverter aos Antigos Landmarks da Sociedade”. Como resultado as palavras do primeiro e segundo grau foram revertidas na Inglaterra de forma a reocuparem seus lugares originais, mas no Continente a usança derivada de Prichard e do “Three Distinct Knocks” continuam até hoje, excetuando-se naturalmente as Lojas que trabalham com o Ritual de Emulação ou Rito York sob a Constituição Alemã e a Grande Loja Nacional Francesa.

Da correspondência de Schröder com Herder, de 1800 a 1802, sabemos que o último tinha alguma relutância em apresentar um trabalho referente a parte não cerimonial do terceiro grau. Em virtude do agravamento de sua falta de visão, este projeto não se materializou, mas temos extensos comentários no trabalho de Schröder antes da final adoção de seus Rituais em 1801. Havia por exemplo, um problema peculiar com a língua Alemã: a forma normal de se dirigir com a palavra a alguém é na terceira pessoa do singular (i. é: “você”) ou, se for num nível mais intimo, na segunda pessoa do singular (i. é: “tu”). Em linguagem clerical, a forma mais solene é a segunda pessoa do plural (i. é: “vós”) e esta era a que Herder teria preferido ver no Ritual. Mas, Schröder preferiu o novo estilo de usar a terceira pessoa do singular, que tinha se tornado de uso corrente na última parte do século 18. Este problema, a propósito, ainda existe na Ale manha falando-se maçonicamente: normalmente a forma polida (i. é: “você”) é usada quando falando com aprendizes e se deixa à discrição dos Irmãos mais velhos permitir que os aprendi­zes usem a forma familiar “du” (i. é: “tu”). Assim um certo mal-estar é criado pela existência de um sentimento de inferioridade ou discriminação no meio dos Irmãos mais novos; é comum que os Irmãos mais velhos só permitam a forma familiar depois de exaltado o aprendiz. Na França, de outro modo, é costume oferecer a forma familiar imediatamente depois da iniciação. Confor­ me sabemos por uma carta da viúva de Herder a Schröder, havia sido feito um acordo que suas cartas e documentos deveriam ser devolvidos depois da morte de Herder. O amigo de Schröder, Meyer, nos informa que a ocupação Francesa de Hamburgo fez com que ele destruísse grande parte de seus arquivos, É bem conhecido que os exércitos franceses traziam com eles Lojas do Grande Oriente e procuravam exercer pressão sobre as Lojas existentes em Hamburgo. Como Hamburgo era sede da Grande Loja Provincial Inglesa a qual estavam subordinadas as Lojas existentes naquela cidade, surgiram problemas

Embora o Ritual de Schröder do terceiro grau seja, na sua maior parte, idêntico ao “Three Distinct Knocks” e a cerimônia não fuja em sua essência da prática Inglesa, suas idéias sobre o pano de fundo deste Ritual foram muito influenciadas por argumentos Maçônicos correntes na Alemanha daquele tempo. No seu comentário do “Three Distinct Knocks”, as tendências anti-­jesuíticas sobressaem muito claras. Ele permite para estas tendências rédeas livres, afirmando categoricamente que o terceiro grau relata a execução de Charles I e a restauração da monar­quia e hierarquia: É claro destes fatos, que a Igreja Católica estava interessada com a preserva­ção do Rei e ainda mais do Trono, e em qualquer lugar onde houvesse alguma reunião secreta de pesar por ele – que ao mesmo tempo seria uma reunião solene – havia sempre uns poucos clérigos Católicos tomando parte. Eu não posso provar se alguns Jesuítas estavam exclusivamente interessados nisto, mas só posso concluir isto depois da introdução do grau dos Cavaleiros de Santo André.

Aqui a influência do seu amigo Bode pode ser sentida, porque em diversas publicações Bode culpa os Jesuítas pela degeneração da Franco-Maçonaria no Continente. Schröder usa alguns outros argumentos absurdos: A palavra Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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políticos e que resultaram na separação de Londres e na criação de uma Grande Loja de Hamburgo independente. Este Corpo não existe mais mas a tradição é sustentada por uma união das “Cinco Lojas Unidas” que são as originá­rias do tempo de Schröder e ainda em atividade, havendo mais lojas em Hamburgo de funda­ ção posterior. Herder mandou um memorando de 43 páginas para Schröder que infelizmente perdeuse e somente um curto comentário de 4 páginas em cópia feita pelo filho de Herder está disponível na correspondência não publicada existente nos arquivos secretos da Prússia em Berlim. É muito interessante notar que Schröder aceitou um certo número de argumentos de Herder textualmente no seu comentário sobre o Ritual do “Three Distinct Knocks”. Ele estava também muito interessado com os sistemas Cristãos da Franco-Maçonaria e que eram basea­dos na Lenda de que Hiram não seria outro senão o Cristo e que o terceiro grau representava a morte na cruz. Dos comentários de Herder das preocupações de Schröder sobre este assunto podemos reconstruir o que eram, Herder escreve: “Eu solicitaria ao meu Venerável Irmão estu­dar o velho Ritual (i. é o Three Distinct Knocks) e verificar de que não há similitude entre a Lenda Hirâmica e a morte de Cristo! Onde, falando do último, poderia se encaixar os três Rufi­ões? Que podia ser o significado das três portas onde Hiram foi atacado? Que palavra poderia se ter exigido de Cristo? Não deu Ele a palavra viva que o povo rejeitou? O Cristo reapareceu aos seus seguidores em estado de decomposição como Hiram? Este e outros argumentos devem ter convencido Schröder porque não achamos menção desta doutrina do sistema Sue-co em seus escritos. A concepção de Herder sobre a Franco-Maçonaria e sua completa fé no trabalho de Schröder está claramente demonstrada nas observações finais naquele memoran­do: É bem verdade que impostores nefastos causaram muitos males oferecendo “altos conhecimentos”. Mas isto é culpa dos franco-maçons inocentes que trabalham nos graus simbólicos? Eu posso dizer por mim mesmo que por causa da Maçonaria e tendo sido Mestre da Loja por quatorze anos, eu me livrei de muitas de minhas faltas. É verdade que a Franco-Maçonaria muitas vezes me decepcionou, mas nunca os seus valores inerentes. Nossas Lojas enxuga­ram muitas lágrimas; elas aplainaram o caminho através da vida para muitos jovens Irmãos e os ensinaram a seguir uma vida de moral. Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

CONCLUSÃO Isto nos traz ao final de nossa tentativa para apresentar a obra do Irmão Schröder no contexto do cenário da Maçonaria Alemã do seu tempo e mostrar como ele se esforçou para adaptar um texto embora espúrio à sua concepção do que a Maçonaria deveria ser. O fato de que seu Ritual foi imediatamente adotado pela maioria das Lojas que não pertenciam a uma das Cons­tituições trabalhando na variedade Cristã de origem Franco-Sueca, prova o forte desejo da Maçonaria Simbólica Alemã em retornar ao trabalho com as ferramentas que a Maçonaria In­glesa tinha originalmente providenciado para o benefício dos maçons em qualquer lugar que se encontrem por toda a superfície do globo. Na preparação deste trabalho estou especialmente agradecido pela assistência que eu recebi da Biblioteca Maçônica de Bayreuth, do Irmão Herbert Schneider, Grande Arquivista das Lojas de Hamburgo e dos Irmãos da Loja “Quatuor Coronati”: Haunch, Batham e Hamill, e o professor Emil Adler da Academia de Ciências de Gottingen. Também desejo agradecer ao Irmão Ellic Howe, Venerável da Loja “Quatuor Coronati” por ter preparado uma versão de apresentação deste trabalho e decifrando-o na reunião de 10 de maio de 1979 e por último ao não menos merecedor Irmão Egon Babler pela sua ajuda lingüística. Londres, 10 de maio de 1979. Este trabalho foi elaborado pelo Venerável Irmão Hans Heinrich Solf, membro da Loja de Pesquisas “Quatuor Coronati”, profundo estudioso da Maçonaria, que tem apresentado outros trabalhos bem como tem feito tra­duções de importantes livros maçônicos publicados em outros idiomas. Tradução dos Veneráveis Irmãos: - Kurt Max Hauser, P.G.M. da M.R.G.L.M.E.R.G.S. - Samuel Herbert Jones, P.M. (Or. eterno). Revisão dos Irmãos do Colégio de Estudos do Rito Schröder de Florianópolis - SC: - Antônio Gouveia Medeiros, P.G.M. do G.O.E.S.C. G.O.B. - Rui Jung Neto, V.M. da Ben. Aug. e Resp. Loja Simb. “Concordia et Humanitas” N.º 56. Setembro de 2001.

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Acima: Brasão da Grande Loja da Inglaterra (“os modernos”). Ao lado: Desenho da taberna “O Ganso e a Grelha” Londres.

As Origens do Rito de York Ir. Sérgio Cavalcante e Ir. Hugo Borges

A Grande Loja de Londres

O

início do século XVIII marca o surgimento da Francomaçonaria especulativa ou moderna tal como a hoje. Até 1717, as Lojas Maçônicas eram livres (1). Como nessa época não existiam templos maçônicos, as lojas se reuniam em tabernas ou cantinas, que funcionavam como meio de reunião social de intelectuais, dentre outros. As lojas se reuniam, também, nos adros das igrejas. Com o declínio da arte gótica, a Francomaçonaria Operativa começou a declinar também. Para salvar a Maçonaria Operativa, quatro Lojas londrinas decidiram criar um organismo que receberia o nome de Grande Loja e teria para sua presidência um Grão-Mestre. Esse fato histórico

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aconteceu em 24 de junho de 1717, com a união das seguintes lojas: ● A Taça e as Uvas (The Rummer and Grapes) ● A Macieira (The Apple Tree) ● A Coroa (The Crown) ● O Ganso e a Grelha (The Goose and the Gridiron). As lojas “O Ganso e a Grelha”, “A Coroa” e a “A Macieira”, eram constituídas só por maçons operativos. A Loja “A Taça e as Uvas” fôra constituída por maçons aceitos, homens de elevada cultura profana e que faziam parte da nobreza, dentre eles, o pastor escocês James Anderson. A reunião para a fundação da Primeira Grande Loja do Mundo aconteceu na cidade de Londres, Inglaterra, e foi realizada na taberna do “Ganso e da Grelha”. Nessa mesma data,

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Brasão da Grande Loja dos “Antigos”

Brasão da Grande Loja Unida da Inglaterra

os membros dessas quatro lojas elegeram Sir Anthony Sayer (2), cavaleiro, como o primeiro Grão-Mestre e decidiram se reunir anualmente num grande banquete. Dessa forma, estava iniciado o primeiro sistema Francomaçônico no mundo, com a fundação da Grande Loja de Londres. A contar dessa data, deixaria a Francomaçonaria de ser operativa e passaria a atrair os intelectuais, os membros da realeza, dentre outras camadas sociais de destaques, naquela época. No ano de 1718 é eleito o segundo GrãoMestre, George Payne, o qual teve um papel muito importante nos trabalhos de compilação e de revisão das Antigas Constituições dos Maçons, de onde saíram os dados para fazer parte do famoso Livro dos Estatutos elaborados pelo Reverendo James Anderson em 1723. Em 1719 foi eleito o terceiro Grão-Mestre, John Theóphile Désaguliers (3), nascido no Condado de La Rochele, filho de um ministro francês que emigrou para a Inglaterra após a

revogação do Édito de Nantes. Em 1720 foi eleito o quarto Grão-Mestre. Nessa eleição, a escolha recaiu novamente para o Irmão George Payne (4). O quinto Grão-Mestre foi John II – O Duque de Montague (5). Esse Grão-Mestre realizou várias reformas na estrutura da Grande Loja. O sexto Grão-Mestre foi o Duque de Wharton (6). Em 1725, na cidade de York, é fundada a Grande Loja da Inglaterra (7). Em 1751, surge outra Grande Loja (8), em oposição à Grande Loja de Londres, formada por Maçons irlandeses que tinham sido impedidos e ingressar nas Lojas inglesas. Surgiram ainda, duas outras Grandes Lojas. Em 1761 a Grande Loja da Inglaterra foi reativada com o título de “The Grand Lodge of All England” (9). Essa mesma Grande Loja foi a responsável pela autorização da fundação da quarta Grande

Brasão da Grande Loja da Irlanda

Brasão da Grande Loja da Escócia

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Os primeiros maçons da américa do Norte

Benjamin Franklin.

Loja, a “The Grand Lodge South of the River Trent”, em 1778 (10). Essa quarta Grande Loja formou-se com a cisão verificada em 1777 na Loja Antiquity, sendo que uma parte da Loja seguiu o Past Master Imediato, o irmão William Preston (11), separando-se da Primeira Grande Loja para formar com outras duas Lojas a Quarta Grande Loja. Em 1813 (12) as duas Grandes Lojas Rivais, após uma longa preparação, celebraram o “Act of Union” (Ato de União), dando origem à “United Grand Lodge of England” (Grande Loja Unida da Inglaterra). Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

Não há documentos confiáveis quanto à data concreta da chegada da Francomaçonaria ao Novo Mundo e, em especial, na América do Norte. Alguns afirmam que ela chegou ao novo continente no ano de 1607, estabelecendo-se na então Colônia da Virginia. O primeiro francomaçom a se estabelecer nas Colônias da América foi John Skene (13). Esse possível maçom se estabeleceu em New Jersey onde mais tarde se tornou vice-governador. O primeiro colono americano a ser tornar um francomaçom foi Jonathan Belcher que, numa viagem à Inglaterra no ano de 1740, foi iniciado numa Loja inglesa. Ao retornar a América ele prosperou no ramo do comércio e, mais tarde, foi Governador de Massachusetts e New Hampshire. Em 08 de dezembro de 1730, Benjamin Franklin publica em seu jornal a primeira notícia sobre a Maçonaria na América. O

Jonathan Belcher, e sua assinatura.

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assunto se referia de uma forma geral ao que era a Francomaçonaria e afirmava, ainda, que existiam várias Lojas na referida Província. Benjamin Franklin se tornou maçom em 1731, e foi Grão-Mestre Provincial da Pensilvânia no ano de 1734. Nesse mesmo ano, ele editou o primeiro livro francomaçônico na América.

Saint John’s Lodge - a primeira Loja das Américas

Selo da Saint John’s Lodge, da cidade de Boston

A primeira Loja oficialmente certificada da qual se tem notícia na América do Norte é a “Saint John’s Lodge” (14), localizada na cidade de Boston, fundada em 1733 e certificada pela Grande Loja da Inglaterra.

grupo de dezoito Maçons uma carta autorizandoos a trabalhar como loja maçônica, em Boston. Assim foi formada a Loja de São João, a primeira loja devidamente constituída e autorizada das Américas. A loja tem estado em existência contínua desde a sua constituição em 1733, e desde essa época seus membros se reuniram em mais de 3.700 reuniões regulares, ou “Comunicações”. Maçons famosos, como George Washington, Benjamin Franklin e o Marquês de Lafayette visitaram a Loja de São João, nas suas viagens a Boston. Foram de membros proeminentes dessa Loja os nomes dados ao Mercado Quincy e ao Cais Rowe (Josiah Quincy e John Rowe). Foi Rowe que fez a famosa pergunta, imediatamente antes da Festa do Chá de Boston: “Gostaria de saber como o chá se mistura com água salgada”. Outro famoso membro foi John Otis, que protestou contra os Atos de Assistência, em 1760, cunhando o mote “Taxação sem representação é tirania!” e que é, hoje, comemorado como o Pai da Quarta Emenda. Outro membro ilustre da Loja foi Robert Newman, que escalou a Velha Igreja Norte,

Henry Price

Essa loja goza do privilégio ímpar de ser a mais antiga loja maçônica constituída e autorizada nas Américas. Registros contemporâneos revelam que uma loja maçônica se reuniu em King’s Chapel (15), Boston, por volta de 1720 (reunião de acordo com os “antigos costumes”). Em 1733, Henry Price, um notório alfaiate e guardalivros, que emigrara para Boston em 1723, foi nomeado “Grão-Mestre Provincial da Nova Inglaterra e Domínios e Territórios ali a ela pertencentes” e foi autorizado a “Constituir os irmãos ora residindo ou que viessem a residir posteriormente naquelas paragens, em uma ou mais Loja ou Lojas Regulares como ele achasse melhor”, pelo Grão-Mestre da Grande Loja da Inglaterra, Anthony Lord Viscount Montague. Em 30 de julho de 1733, numa reunião realizada na Taverna “O Punhado de Uvas”, em Boston, Henry Price exerceu a sua autoridade e concedeu a um Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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Mercado Quincy, em Boston

para sinalizar para o irmão e companheiro Paul Revere (“um, se por terra; dois, se por mar”). No século vinte, a Loja teve a ventura de contar, entre seus membros, com Lowell Thomas, o mais destacado jornalista do seu tempo e, talvez, o repórter mais relembrado como o homem que descobriu e tornou famoso Lawrence da Arábia. Hoje, a Loja de São João relembra com carinho o seu legado histórico único. Ela se orgulha de ser uma loja de convívio e de boasvindas, que está comprometida ao cultivo do amor fraterno entre homens de todos os caminhos de vida, praticando a caridade de muitas formas e mantendo os mais altos padrões de ritual maçônico. Ela se rejubila e privilegia de poder contar, como membros, com cerca de trezentos Irmãos de uma larga escala de espectro ocupacional, educacional, étnico, religioso e político, homens que reconhecem a Fraternidade dos homens sob a Paternidade de Deus e que, desse modo, escolheram ser maçons. Ao adentrar o século XXI, a loja de São João permanece firmemente comprometida com a salvaguarda e a transmissão, às futuras gerações de irmãos, dos ideais maçônicos que lhe foram confiados por Henry Price, em 1733.

As Lojas Militares

As lojas militares começaram a surgir a partir de 1732 no Exército e na Marinha Britânica sob a forma de “Lojas de Campo Regimentais”. Esse tipo de loja, por ser itinerante, carregava os seus paramentos e equipamentos em baús junto com os demais apetrechos bélicos e outros objetos tipicamente militares. Muitas vezes o comandante do Regimento presidia os trabalhos como Venerável Mestre e podia ser sucedido por um outro oficial. As Lojas Regimentais deixariam sua marca profundamente sobre o Exército e bem como na Armada Britânica. Como as lojas civis, essas lojas militares reuniam homens das mais diversas origens e classes sociais. Eram oficiais Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

(16) e praças. Uma das conseqüências disso foi a criação de um clima no qual jovens e soldados dinâmicos, tais como James Wolfe, podiam se adiantar, independentemente de sua classe social. A primeira loja formada nas Forças Armadas Britânicas foi criada no 1st Foot, que seria mais tarde o Royal Scots, em 1732. Em 1734, havia cinco lojas como essa; e em 1755 já eram vinte e nove. Entre os Regimentos que possuíam suas próprias lojas (17) de Campo, estavam aquelas que viriam, mais tarde, a ser conhecidas como os Royal Northumberland Fusiliers, os Royal Scots Fusiliers, os Royal Inniskilling Fusiliers, o Gloucestershire Regiment, o Dorser Regiment, o Border Regiment, e o Regimento do Duque de Wellington (West Riding). Com o tempo, a Francomaçonaria se estabeleceu também nos altos escalões administrativos e de Comando Militar, incluindo em suas fileiras alguns dos mais importantes personagens da época. O Duque de Cumberland, filho caçula do Rei George II, era francomaçom. Alguns outros historiadores afirmam que também era francomaçom o General Sir John Ligonier (18).

Joppa Military Lodge No. 150 - com a nona cavalaria, na época em Fort Riley, Kansas.

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Os maçons Ingleses e Americanos na Independência dos Estados Unidos A influência da Francomaçonaria no curso da guerra pela independência norte-americana foi bastante ativa. A St. Andrew’s Lodge, de Boston, desempenhou um importante papel (19). A Francomaçonaria emprestou as suas atitudes e valores ao recém-formado Exército Continental, e pode ter influenciado na nomeação de George Washington para Comandante-em-Chefe. Igualmente, a influência da Francomaçonaria não estava limitada aos grupos nos Batalhões militares envolvidos; também podia ser observada entre os adversários. A Guerra pela Independência é rica em muitas histórias. Dentre as quais, podese destacar a aliança do Exército Real Britânico com o famoso Chefe (20) dos Mohawks, Joseph

Joseph Brant (pintura de George Romney – 1776)

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Brant (21). Antes do conflito, a irmã de Brant se casara com o Sir William Johnson, Grã-Mestre Provincial de New York. Naquele mesmo ano, durante uma frustrada invasão do Canadá pelos colonizadores, o capitão McKinstry foi capturado por alguns membros da tribo do Chefe Brant, amarrado a uma árvore e cercado de lenha de fogueira, com os índios prontos a lhe atearem fogo. Quando McKinstry fez um “o sinal de socorro maçônico”. O chefe Brant reconheceu e imediatamente ordenou a sua soltura. Ele foi encaminhado a uma loja britânica de Quebec, que tomou as providências para a sua repatriação. Ao longo de toda a Guerra pela Independência Norteamericana, existem diversos relatos desse tipo e de outros dentre os quais podemos citar ainda, a troca de certificados e paramentos de Lojas de Campo, que tendo sido capturados por um dos lados, foram devidamente devolvidos. Num dos casos, os paramentos do 46th Foot (22) foram capturados pelas tropas coloniais. Por instruções dadas por Washington, eles foram devolvidos, sob uma bandeira de trégua, com uma mensagem que ele e seus homens “não guerreassem contra Instituições de Benevolência”. Numa outra ocasião, a Carta Constitutiva do 17th Foot (23) foi igualmente capturada e também devolvida, acompanhada de uma carta do general Samuel Parson. Esta carta é, eloquentemente, típica do espírito alimentado pela Francomaçonaria em ambos os Exércitos, e em todos os seus níveis: Meu Irmão, Quando a ambição de monarcas, ou os dissonantes interesses dos Estados em conflito, provocam e estimulam seus súditos à guerra, nós, como Maçons, estamos desarmados daquele ressentimento que estimula à indistinta desolação e, embora os nossos sentimentos políticos possam impelir à disputa pública, nós ainda continuamos Irmãos e (à parte de nossa obrigação profissional) temos de estimular a alegria e a felicidade e promover o bem-estar uns dos outros. Assim, aceite das mãos de um irmão a Constituição da Loja Unity ) 18th, do 17th British Regiment, a qual os seus recentes infortúnios colocaram em minhas mãos para que vos fosse devolvida. Seu Irmão e obediente servidor – Samuel H. Parson. Thomas Smith Webb, é considerado (25)

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Thomas Smith Webb

THOMAS SMITH WEBB (24) como se fosse o organizador e fundador do Rito York, nasceu em 30 de outubro de 1771, em Boston. Ele teve a rara característica de estar ativamente ligado com a formação de duas grandes entidades maçônicas norte-americanas, o que lhe confere o respeito dado por seus irmãos maçônicos. Recebeu sua educação nas escolas públicas em Boston e também lá iniciou o estudo de música, o que se tornou uma prazerosa diversão em toda a sua vida. Sua carreira profissional foi ampla e diversificada. Após trabalhar como aprendiz de livreiro com seu pai, ele montou seu próprio negócio na cidade de Keene, Estado de New Hampshire, e então se mudou para Albany, Estado de Nova York, onde mudou de ramo para a fabricação de papel de parede com êxito considerável. A cidade de Providence, em Rhode Island, foi sua próxima parada e por 16 anos continuou no ramo de papéis de parede, ao mesmo tempo em que gerenciava uma livraria. Ali, ele se tornou um representante da Hope Cotton Co. Mais tarde, construiu uma algodoaria na cidade de Walpole, Massachussets, e alguns anos depois, transferiu o maquinário para Ohio, para se juntar à Worthington Manufacturing Co. Todas as mudanças foram motivadas pelas Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

condições econômicas e foram justificadas pelos acontecimentos futuros. Sua carreira maçônica foi igualmente bastante extensa e diversificada. Embora tenha recebido sua educação maçônica inicial na Loja Sol Nascente, em Keene, New Hampshire, aos 19 anos, foi em Albany e em Providence que aconteceram a maior parte de suas atividades e contribuições. Em Albany, aos 26 anos, ele publicou a obra Freemason’s Monitor ou Illustrations of Masonry, um trabalho literário que chegou a ter sete edições. Ela lhe trouxe fama internacional e se tornou no padrão da exemplificação ritualística em muitas jurisdições. Tratava-se de um compêndio de muitos dos escritos de William Preston, da Inglaterra, um homem que dedicou toda uma vida de serviço à Arte nos estudos e no aperfeiçoamento dos ensinamentos maçônicos. Thomas Smith Webb se filiou à Loja União, em Albany, e se tornou seu Venerável Mestre. Ajudou a formar o Capítulo do Templo do Arco Real e se tornou seu Sumo Sacerdote. Sua reputação já era bem conhecida quando ele se mudou para Providence, em 1799, e logo foi introduzido na vida daquela comunidade. Durante sua estadia em Rhode Island, foi eleito para o Comitê Escolar, tornou-se diretor da

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Providence Library Company e trabalhou como diretor, gestor e finalmente como tesoureiro da Providence Mutual Fire Insurance Company. Começando como soldado na Milícia Estadual, atingiu o posto de Coronel de seu regimento. Logo após sua chegada em Providence, aceitou um convite para filiar-se à Loja São João nº 1 e logo em seguida instalou uma escola de instruções. Como membro da Loja Rhode Island, tinha a permissão de participar da Grande Loja e na sua primeira visita, foi indicado como membro do comitê que revisaria as Constituições. É interessante observar que dentro dos próximos dois anos, duas emendas à Constituição foram adotadas, o que permitiu o aproveitamento dos serviços do irmão Webb. Uma emenda aboliu o limite de dois anos para a entrega dos cargos de Grandes Vigilantes, o que permitiu a Webb servir por três anos como o Grande Primeiro Vigilante. A outra emenda tornou possível a eleição de um Grão-Mestre que não fosse um Past Master de qualquer Loja de Rhode Island. Com isso, abriu-se caminho para que Webb fosse eleito Grão-mestre em 1813 e 1814. Ele declinou a eleição seguinte, de 1815. Em 1814, um navio de guerra britânico apareceu em Newport. A cidade de Providence, como muitas outras cidades, temia as bombas e uma possível invasão. Em uma reunião comunitária diante da STATE HOUSE em Providence, um Comitê de Defesa foi criado para assegurar a proteção à cidade. Voluntários foram chamados para erguer barricadas. Webb, como Grão-Mestre, convocou uma reunião especial da Grande Loja e instruiu os irmãos a “trazerem pás, enxadas ou machado e provisões para um dia”. Após a abertura da Grande Loja, os irmãos marcharam até Fox Hill e até o pôrdo-sol eles erigiram barricadas com 131 metros de comprimento e 1,5 metro de altura, e o chamaram de Fort Hiram, um ato confirmado pelo Governador naquela noite. Este teria sido um dos dois únicos fortes maçônicos no país. Webb também aceitou um convite para se filiar ao Capítulo do Arco Real de Providence e foi eleito seu Sumo Sacerdote dois anos mais tarde. Auxiliou na formação do Grande Capítulo de Rhode Island e serviu como Grande Sumo Sacerdote de 1804 a 1814. Juntamente com outros irmãos, ele organizou o Grande Capítulo Geral do Real Arco dos Estados Unidos e conduziu seu funcionamento, como Grande Deputado Sumo Sacerdote, até sua morte. O Grande Capítulo Geral é, atualmente, a organização nacional mais antiga dos Estados Unidos. Webb viu a necessidade, no âmbito maçônico, de organizações nacionais e estaduais Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

fortes, que preservassem, revigorassem e propagassem as cerimônias -até então desorganizadas, descontroladas e algumas vezes nebulosas- que são conhecidas como “Rito Capitular” e “Ordem dos Templários”. Em uma de suas viagens para o meio-oeste, Webb constatou que nos Estados de Kentucky e de Ohio, somente as Grandes Lojas tinham o poder de autorizar os Capítulos do Real Arco, mas ele conseguiu influenciá-las a permitirem que a formação dos Grandes Capítulos ficasse subordinada unicamente ao Grande Capítulo Geral. Durante esse mesmo período, o zelo incansável de Webb culminou na formação, em 11 de agosto de 1802, no Acampamento dos Cavaleiros Templários de São João, atualmente a Comandância de São João nº 1 de Providence, a entidade de destaque de todas as organizações templárias nos EUA. Webb forneceu o ritual e os procedimentos cerimoniais das Ordens Templárias e foi eleito seu primeiro Comandante Eminente. Foi eleito anualmente até 1814, quando declinou a reeleição. Em 1805, juntamente com outros irmãos, organizou a Grande Comandância de Massachusetts e Rhode Island e a presidiu até 1817. O acontecimento que declarou a coroação gloriosa da carreira maçônica de Webb foi a formação do Grande Acampamento dos Cavaleiros Templários dos Estados Unidos, que ele realizou em 1816 na cidade de Nova York. O governador De Witt Clinton foi eleito Grão-mestre e Webb se tornou o Grão-mestre Deputado, uma posição que ele manteve até sua morte. Quando se aproximava dos 40 anos de idade, Webb se preparou para se desfazer de muitas de suas ligações comerciais, e por volta de 1815, ele já se havia retirado de muitas responsabilidades maçônicas em Providence. Ele dedicou mais tempo à música e, juntamente com outras pessoas, formou a “Sociedade Filarmônica Handel e Haydn”, em Boston, da qual foi seu primeiro presidente, regendo o primeiro concerto público da Sociedade na King’s Chapel, no dia de Natal de 1815, com mais de 100 participantes. Também atuou como um dos solistas e até mesmo obteve alguma fama mais tarde como compositor. Thomas Smith Webb morreu de hemorragia cerebral em uma de suas muitas viagens ao oeste, em 6 de julho de 1819. Um funeral maçônico foi feito em Cleveland, Ohio, e cerimônias póstumas aconteceram em várias cidades. Mais tarde, achou-se mais apropriado que Webb fosse enterrado em Providence. Com o consentimento de sua viúva e com os fundos fornecidos pela Grande Loja de Rhode Island e

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outras entidades maçônicas, seu corpo foi levado até Providence e sepultado no West Burying Ground. Quando esse cemitério foi convertido em um parque, o corpo foi trasladado ao North Burial Ground, a um pedaço de terra doado pela cidade em uma colina, sobre o qual a Grande Loja ergueu um monumento, ou obelisco, de mármore. Cada lado foi usado para lembrar uma ou mais de suas

realizações. Tal como outro maçom famoso, seu corpo foi enterrado três vezes. Um dos trabalhadores mais dedicados da Francomaçonaria passou por nós com um registro de realizações sem precedentes, e sua memória está perpetuada em Rhode Island por uma loja, um conselho e uma comandância que levam o seu nome.

OS RITUAIS DO RITO DE YORK Os atuais rituais do Rito York, são descendentes direto dos trabalhos efetivados pela Grande Loja dos Antigos, fundada em 1751 por irmãos irlandeses que haviam sido impedidos de entrar na esnobe Primeira Grande Loja (26), a fundada em 1717.  Acontece que esta Grande Loja original, quando Samuel Prichard publicou o “Maçonaria Dissecada” em 1730, mudou os sinais e alguns detalhes dos rituais para que profanos conhecedores destes sinais não se fizessem passar por maçons para se beneficiarem do fundo de socorro.  Os irlandeses e os maçons ingleses descontentes que fundaram a Grande Loja (27) dos Antigos, e retornaram à prática anterior [com boa dose de características irlandesas, que é Maçonaria tão antiga quanto a inglesa ou escocesa] e diziam praticar "a verdadeira antiga Maçonaria de York", aqui referindo-se naturalmente à lenda de Athelstan e da cidade de York como berço mítico da Maçonaria. Esta Loja foi preponderante na colonização americana, principalmente porque seus trabalhos eram bem semelhantes ao irlandês e ao escocês, diferindo portanto dos trabalhos alterados pela Primeira Grande Loja.  Mais ainda: nem a Grande Loja da Irlanda nem a Grande Loja da Escócia tinham boas relações com a pretenciosa Primeira Grande Loja, a quem apelidavam pejorativamente de "os Modernos", que já era dominada pelos partidários dos reis da casa Hanover. Quando os americanos se tornaram independentes, a influência dos Modernos simplesmente desapareceu, por razões óbvias.  Quando as Grandes Lojas Provinciais se transformaram nas Grandes Lojas Estaduais Americanas, o Ofício (28) trabalhado era o dos Antigos.  Aí, em 1797, Thomas Smith Webb lançou o seu Monitor e deu a forma e denominação de Rito York, que permanece basicamente a mesma até os dias de hoje. Muitos Maçons confundem ou pensam que o Ritual de Emulação é um Rito. E que esse Rito é o Rito York. Não é. Na verdade, não se trata de um rito, mas sim de um ritual pelo qual ele é demonstrado e expressado. Na Grande Loja Unida da Inglaterra o vocábulo “rito” não existe. Ou seja, é inominado. Os ingleses não consideram rito, eles consideram rituais. Páginas do “Monitor” de Thomas Smith Webb

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O Rito York no Brasil Depois da Guerra Civil (29) dos Estados Unidos da América do Norte, houve um êxodo de cidadãos estadunidenses, que tinham servido no Exército Confederado (30), vítimas dos longos anos de guerra, da onda terrível de assaltos dos negros libertados, procurando vingança, e que encontraram as suas terras devastadas durante as lutas. Foram várias dezenas de milhares deles que emigraram do seu país, e cerca de 10.000 (dez mil), vieram para o Brasil, e no meio deles muitos aventureiros e fugitivos da Justiça, e até estrangeiros europeus, que aproveitavam as facilidades de transporte dados por “verdadeiros” consórcios migratórios, muitos de origem duvidosa, formados por aproveitadores do infortúnio humano. Estas imigrações começaram com maior intensidade para o Brasil depois de 1865, WILLIAM H. NORRIS (pai) – Foi iniciado em 08 de dezembro de 1838, passado em 12 de janeiro de 1839 e elevado em data de 09 de fevereiro de 1839 na “Dale Lodge nº 66”, de Liberty Hill – jurisdição da Grande Loja do Estado do Alabama, da qual chegou a ser Venerável Mestre de 1845/47. Em 1849 filiou-se na “Fulton Lodge, de Dallas em que ficou até 1857/58. De 1859 até 1865 foi Venerável Mestre da Mount Pleasant Lodge, da qual pediu desligamento (31) em 13 de outubro de 1866 para vir ao Brasil. Em 1860 ele já tinha sido Deputado do GrãoMestre e no exercício de 1861-62, foi Grão-Mestre da Grande Loja do Estado do Alabama. Faleceu em 13 de julho de 1893.

radicando-se a primeira leva principalmente em Iguape (em 1866), a maioria do Estado do Texas. Um outro grupo, composto de famílias do Estado do Alabama comprou e reformou um veleiro velho “WREN”, que batizaram com o nome de “TARTAR”, e nele embarcaram para o Brasil em 17 de abril de 1868, levando a viagem cerca de dois meses, e mandando vir depois parentes e amigos que lá ficaram. Ao chegar ao Rio de Janeiro, os imigrantes orientados pelo irmão Coronel Norris, foram recebidos pelos irmãos George e Charles Nathan (dois ingleses casados com as irmãs Goodman, do Estado do Alabama). Estes ingleses, ambos maçons, iniciados no Rio de Janeiro, na St. John’s Lodge nº 703, em 1846 e 1847, respectivamente, aconselharam o coronel Norris e os de seu grupo a se radicaram nas imediações de Campinas-SP, conselho que foi aceito, e assim todos viajaram para a região de Santa Bárbara, onde o Cel. Norris comprou uma grande fazenda, chamada ROBERT CÍCERO NORRIS (seu 4º filho) – Era médico, mas concluiu o seu curso de medicina só em 1889/90, quando passou um ano em Móbile (Estado do Alabama), na Universidade de Alabama. Foi iniciado na Fulton Lodge, de Dallas, em 1858, à qual também pertencia o seu pai. Era casado com Martha T. Steagall (Pattie), capitão e mais tarde naturalizou-se brasileiro, chegando a ser até delegado da polícia na Villa. Faleceu em 1913. Abaixo: C. B. Norris e Robert C. Norris (sentado)

Abaixo: William H. Norris

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“Machadinho”, da qual foi depois cedendo partes aos outros imigrantes. Teve o Brasil a felicidade de abrigar, neste caso, um gruo homogêneo, de boa índole e cultura, e com a vontade férrea de aqui progredir e formar um novo lar. Tinham vendido o que possuíam nos Estados Unidos, e muitos trazendo os implementos necessários ao cultivo da terra. Não se tratava dos imigrantes normais, que precisam e exigem o auxílio da nação que os acolheu, rudes e sem cultura. Tratavam-se de cidadãos que escolheram e compraram as suas terras nas imediações de Santa Bárbara, onde o acre era vendido, naquela época, numa base de US( 2,00. Eram cidadãos habituados ao cultivo do solo, que vinham acompanhados de suas famílias, em media com 4(quatro) a 5 (cinco) filhos, mas havendo muitos com até 12 (doze) dependentes. O líder destes imigrantes, ainda que não oficialmente, era o coronel William Hutchinson Norris, mais conhecido como o “Cel. Norris”, homem maduro e experiente, nascido em 17 de setembro de 1800, então com 67 anos, um hábil administrador, conselheiro e político, que trazia ao Brasil também os seus 11 (onze) filhos, entre os quais destacava-se o Dr. Robert Norris, que lutara na Guerra Civil durante quatro anos, fora ferido várias vezes e no fim tinha sido aprisionado no Fort Delaware. Tinha ele então 28 anos de idade.

Tanto o cel. Norris (pai), como o seu filho Dr. Robert C. Norris eram maçons. Quando todos já estavam instalados, mais ou menos arrumados e aclimatados no Brasil, o coronel Norris resolveu reunir os maçons que havia entre os americanos já radicados em Santa Bárbara – e não eram poucos – fundando uma Loja Maçônica, à qual deram o nome de Washington Lodge e, como todos os fundadores tinham lutado pelo ideal de liberdade, é fácil compreender que esta fundação foi recebida de braços abertos pelo Grande Oriente Unido do Brasil, quando em data de 12 de novembro de 1874 concedeu a Carta Constitutiva Provisória para que aquela Loja começasse a trabalhar, e já em 19 de novembro do mesmo ano lhes forneceu a Carta Constitutiva Definitiva para trabalharem nos graus simbólicos do autêntico Rito York. Em 07 de agosto de 1877, deu-lhes autorização para que adotassem integralmente os graus simbólicos do Rito York em língua inglesa. Trabalhavam às quintas-feiras. Pouco se sabe das atividades dessa legendária oficina francomaçônica, pois os seus componentes formavam um grupo muito fechado, que pouco ou nenhum contato mantinha com a Maçonaria Nacional, e se não fosse a meticulosidade de um irmão inglês (historiador inveterado), James Martin Harvey, praticamente nada saberíamos.

Os membros Fundadores (32)

Em pé, da direita para a esquerda: William Terrel (33); Robert Daniel; Bony (Napoleon Bonaparte) Green; Henry Scurlock; Henry Clay Norris (34); Marsene Smith e Robert Cicero Norris (35). Sentados: Junius N. Newman (36); Coronel William C. H. Norris; Robert P. Thomas (37); e John Domm. Não aparecendo na foto havia ainda: Joseph Long Minchin; Edward M. Minchin (38); Henry Farrar Steagall (39); Edwin G. Britt; P. P. Fenley; Joseph H. Moore (40); e George. Parece que o irmão Coronel William C. H. Norris só foi Venerável Mestre na fundação, pois tendo ele viajado para os Estados Unidos da América do Norte em 1876, ficando lá durante um ano para matar saudades, já em 1878 – então Loja nº 169 do Grande Oriente Unido do Brasil – a Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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No 18 de janeiro de 1883, o Grande Oriente Unido foi incorporado pelo Grande Oriente do Brasil, ficando então a oficina sob a jurisdição deste, que em 1884 lhe aprovou a eleição, mas não publicou o quadro, pois de 1885 até 1888 deixou de publicar o seu Boletim Oficial. Em 13 de julho de 1893, o Coronel Wiliam C. H. Norris, vítima de pneumonia, falece. O corpo do Coronel William C. H. Norris é sepultado no “cemitério dos sulistas” de Santa Bárbara do Oeste. Sua idolatrada esposa Mary falece poucos meses depois. Os filhos do coronel Norris já se tinham dispersados, de modo que logo depois foi o resto da antiga fazenda vendido a Abrahan Abe, que nunca tinha conseguido terras próprias. Teve o Coronel Norris vários negros escravos, que viviam a uns 3km de sua casa, soltos mas nunca tentaram fugir, e mesmo quando libertados em 1888 ficaram com a família, que se tinha tornado a sua. Não se sabe que destino tomaram depois da venda da fazenda. Não resta a menor dúvida que depois da morte do patriarca, e da dispersão da família – o DR. Robert Cícero Norris tinha sido praticamente Venerável Mestre durante vinte anos – a Washington Lodge estava condenada ao adormecimento, ainda mais quando em 1893 o Maçom Martim Francisco Ribeiro de Andrade Henry Farrar Steagall

Joseph Long Minchim

oficina empossou a seguinte administração: 1876: - Venerável Mestre – Robert Cícero Norris; 1º Vigilante George Dekalb Coulter (41); 2º Vigilante R. C. Crisp (42); Capelão William Mc. Fadden (43); Secretário J. Smith; Tesoureiro J. A. Coole (44). Já no ano de 1879 a Washington Lodge teve a seguinte administração: Venerável Mestre – Robert Cícero Norris; 1º Vigilante George Dekalb Coulter; 2º Vigilante John Domm (45); Tesoureiro Alfred Iverson Smith (46); Secretário Benjamin H. Norris (47); 1º Diácono Henry Clay Norris (48); 2º Diácono Wilber Fisk Knight (49); Capelão Junius N. Newman (50); Cobridor – A. P. Finley (51). Consta-se ainda que entre 1879/80 temporariamente os irmãos William Terrell e Joseph Whitaker ocuparam “Ad Hoc” os cargos de Venerável Mestre e Secretário, respectivamente (52). NO ano de 1780 foi empossada a seguinte administração: Venerável Mestre – Robert Cícero Norris; 1º Vigilante John Domm; 2º Vigilante E. B. Smith (53); Tesoureiro Alfred Iverson Smith; Secretário Benjamin H. Norris; 1º Diácono John Edward Steagall; Capelão Junius N. Newman. Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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estava começando a sua “Campanha Separatista do Estado de São Paulo da União”. Nestas condições, a subscrição feita em nome da Loja, na importância de R$: 970$000, numa coleta de numerário para a Construção de uma nova igreja para a comunidade, contratado em 28 de setembro de 1903 com Luiz Capabianchi por dois contos de réis (isso a mão de obra) pode até ser considerado como liquidação do “saldo em caixa da Loja”, em mãos do ultimo Tesoureiro, por certo ainda o irmão John F. Whitehead, imigrante chegado a Santa Bárbara depois de 1878. As colunas da Loja, confeccionadas pelo irmão John Edward Steagall, durante mais de 50 anos ficaram guardadas na casa de algum descendente dos ex-obreiros do quadro, mas quando se fundou finalmente uma Loja em Santa Bárbara, em 11 de julho de 1948, a Loja “Campos Sales II” – GOB, estes descendentes, ao se tornarem maçons, as entregaram a esta nova Loja, e afirmam que elas (colunas) estão lá até hoje (55).

Colunas “B” e “J” da Washington Lodge

Mas, por qual motivo teria adormecido a Loja? É fácil de se explicar. Cerca de 5.000 americanos sulistas vieram ao Brasil, radicando-se na região de Santa Bárbara, mas no correr de vinte anos (uma geração), muitos deles, já idosos, foram Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

morrendo, e outros – embora poucos – voltaram para os Estados Unidos. Os filhos dos imigrantes iam casando, e comprando suas próprias terras e casas em outras regiões, foram se mudando para cidades próximas como, por exemplo: Limeira, Capivari, Constituição (hoje Piracicaba), Tatuí, Campinas, São Paulo, e mesmo para outros estados. Nessas condições a Washington Lodge, trabalhando por um ritual diferente, desconhecido dos maçons brasileiros, e em língua inglesa, não mais dispunha de material humano suficiente para a renovação de seu quadro. A freqüência dos antigos membros, muitos residentes longe, ia diminuindo, e no fim a Loja abateu colunas.

As Lojas Posteriores à Washington Lodge A Loja Phoenix - N. 30 (56) A Loja Phoenix (57) nº 30 foi fundada aos

21 dias do mês de maio de 2003, na cidade de Cacoal, Estado de Rondônia. No ato de fundação foi composta a administração provisória tendo como Venerável o Mestre Edson Osival Furlaneto; 1º Vigilante Júlio César da Rocha; 2º Vigilante José Salviano de Matos; orador Fortunato Luis Godoy; Secretário Ednelson Bega; Tesoureiro Donizete Borges de Campos e Chanceler José Corrente. A Loja Phoenix nº 30  obedece à jurisdição da Grande Loja Maçônica do Estado de Rondônia(CMSB) – GLOMARON e seu nome oficial é Augusta e Respeitável Loja Simbólica Phoenix nº 30.  A sessão de fundação da Loja Phoenix nº 30 participaram os Mestres Maçons Luiz Agnelo Sicheroli; Arnaldo Vieira Fernandes; Denivaldo dos Santos Paes; Edomênio Durval Francisco da Silva; Julimar Lopes de Oliveira. Carlos Alberto Bernardes; Carlos Roberto da Silva; Vidal Macedo da Costa; Clodoaldo Franchi Numes; Luiz Cláudio Soares Azambuja; Paulo Negreiros Athaide Filho; Alberto Alves Teixeira; Nelson Rangel Soares Filho; Oscar Gomes da Silva; Ademir Alves Rodrigues; Paulo Fernando Brasil; Sérgio Coaracy Pontes; Cleth Muniz de Brito e Pedro Vitor Gomes. A Loja Phoenix nº 30 trabalha no Rito York, sendo a primeira Loja de Rondônia e a segunda do Brasil a adotar o Rito York, sendo isto possível através de intercambio maçônico com a Brazilian Lodge nº 1182 Free & Accepted Masons. Filiada a Grand Lodge of State of New York a qual no processo de fundação da Loja Phoenix nº 30 foram fornecidos todos os rituais devidamente traduzidos para a língua portuguesa e suporte ritualístico pela diretoria da Brazilian Lodge nº 1182 na época  tendo como Worshipful Master

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Paulo Koo.

A Loja Cavaleiros do Sol

A ARLS Cavaleiros do Sol nº 42 – jurisdição da Mui Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba, foi fundada em 1º de janeiro de 2000, na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, com o intuito de pautar seus trabalhos no Rito York. No entanto, por informações (58) erroneamente repassadas, a Loja sem saber, enveredou nos trabalhos maçônicos pautados nos rituais de emulação. Com o passar dos anos, os obreiros da ARLS Cavaleiros do Sol, através do irmão Sergio Roberto Cavalcante tiveram conhecimento de que estavam trabalhando com os rituais inadequados para o objetivo pelo qual a Loja tinha sido fundada. De posse dos rituais norteamericanos, e depois de devidamente traduzidos (59), foi constituída uma comissão (60) a fim de ajustar os referidos rituais a realidade da jurisdição da Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba, visto que, muitos dos procedimentos neles existentes, são embasados na legislação de cada Grande Loja norteamericana, sendo totalmente incompatível com a realidade da Maçonaria Nacional. Depois da ARLS Cavaleiros do Sol, surgiram outras Lojas York no Brasil e hoje estima-se terse um efetivo de pelo menos 70 (setenta) Lojas York trabalhando com os rituais norteamericanos.

Notas

(1) Não eram subordinadas a um poder central. Ou seja, a uma Potência Maçônica como o é hoje. (2) Nascido em 1672 e falecido em 1742. (3) Supostamente, Dásaguliers teria sido iniciado na Loja Antiquity nº 02, uma das quatro Lojas fundadores da Grande Loja de Londres em 1717. (4) Foi o último Grão-Mestre plebeu. (5) Foi o primeiro Grão-Mestre de linhagem nobre. (6) Esse Grão-Mestre foi expulso da Maçonaria sob a acusação de ser Jacobita. (7) Essa Grande Loja, reclamou para si, o título de “Grande Loja de Toda a Inglaterra”. Encerrou suas atividades em 1740. (8) Essa Grande Loja ficou conhecida como a “Grande Loja dos Antigos”, porque seus membros alegavam que a Primeira Grande Loja havia transgredido as antigas leis praticadas pela Francomaçonaria. (9) Grande Loja de Toda a Inglaterra. (10) Grande Loja Sul do Rio Trent. (11) Em 1778, O Irmão William Preston retorna à jurisdição da Grande Loja de Londres. (12) Era o Grã-Mestre dos Modernos, o Duque de Sussex. E era o Grão-Mestre dos Antigos, O Duque de Kent. Ambos, eram irmãos carnais. E o Duque de Kent propôs que seu irmão, o Duque de Sussex, fosse o primeiro Grão-Mestre da nova Grande Loja. (13) Ele está registrado como um maçom de uma Loja de Aberdeen, em 1670 e que emigrou para a América do Norte em 1682. (14) Texto capturado do link: www.stjohnsboston1733.org e traduzido pelo Irmão José Prudêncio Pinto de Sá – Mestre Maçom(MI) (15) King’s Chapel = Capela do Rei (N. do T. - JPPS) Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

(16) Eram Oficiais Generais, superiores, intermediários e subalternos. (17) Essas Lojas não eram certificadas pela a Grande Loja da Inglaterra. Ao contrário, elas eram certificadas pela Grande Loja da Irlanda, a qual oferecia os “Graus Superiores”, característicos da Francomaçonaria Jacobina. (18) O mais destacado Comandante Militar britânico da década de 1740. (19) Festa do Chá de Boston. (20) Joseph Brant. Ele foi iniciado como francomaçom em 1776, em Londres. (21) Joseph Brant  ou  Thayendanegea, (março de  1743  -  24 de novembro de 1807), foi um militar indígena e líder político americano. Ele foi iniciado como francomaçom em 1776, em Londres. (22) Mais tarde o 2º Batalhão de Infantaria Ligeira do Duque de Corwaills. (23) Mais tarde seria denominado de Leicestershire Regiment. (24) http://freemasonry.bcy.ca/biography/webb_t/thomas_webb_ bio.html. (25) Segundo Herbert T. Leyland , seu biografo. (26) Grande Loja de Londres. (27) 1751. (28) Pode-se tomar a denominação por Rito. (29) Também denominada de Guerra da Sucessão. (30) O Exército Confederado ou Sulista, era composto pelos Estados do Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida, Georgia, Louisiana, Mississippi, Texas e Virgínia. (31) Quit Placet (32) Extraído do “Boletim Noticioso e Novidadeiro – Coletânea A Bigorna – 2º volume nº 34 até 70” – p 99. (33) Era o 3º filho da viúva Terrell. (34) Era o 6º filho do Cel. William C. H. Norris. (35) Era o 4º filho do Cel. William C. H. Norris. (36) Era Reverendo da Igreja Metodista. (37) Era Reverendo da Igreja Batista. Faleceu 15 de março de 1877. (38) Era filho de Joseph Minchin. (39) Era pai de Martha, esposa de Robert C. Norris. (40) Falecido em 15 de março de 1877. (41) Era médico. (42) Era agricultor. (43) Foi capitão do Exército Confederado. (44) Era agricultor. (45) Era ferreiro. (46) Era agricultor. (47) Era o 9º filho do Cel William C. H. Norris. (48) Era o 6º filho do Cel. William C. H. Norris. (49) Era agricultor. (50) Era Reverendo e residia em Constituição(Piracicaba). (51) Era agricultor. (52) Whitaker era casado com a filha do Cel. William C. H. Norris, Isabella. (53) Era agricultor. (54) Extraído do “Boletim Noticioso e Novidadeiro – Coletânea A Bigorna – 2º Volume nº 34 até 70” – p 100. (55) Segundo afirmação do Irmão Kurt Prober. (56) A primeira Loja Simbólica do Brasil a pautar seus trabalhos no autêntico Rito de York. (57) http://www.lojaphoenix30.com.br/pagina.aspx?id=5 (58) Os primeiros rituais que chegaram as mãos dos Obreiros da ARLS Cavaleiros do Sol, foram rituais de emulação, os quais erroneamente aqui no Brasil, são tidos como se fosse o suposto Rito de York. (59) A tradução dos primeiros rituais, foi efetivada pelo respeitável Ir José Prudêncio Pinto de Sá – Mestre Maçom(MI) (60) Sergio Roberto Cavalcante (Presidente); Teldson Douetts Sarmento (Relator)

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A MAÇONARIA EM EVOLUÇÃO Ir:. Claudio Luiz do Amaral Santini

Muitos têm sido os estudiosos da Arte Real e maçonólogos em atribuir eras ou épocas sobre a origem da Ordem Maçônica que acabam por gerar linhas de raciocínio diferentes que concorrem para intensificar dúvidas sobre esta sublime Instituição. A Ordem não tem vida em tempos imemoriais, apesar de sobejamente divulgado que ela se perde nas brumas do tempo. Contudo existem, isso sim, princípios que esta absorveu quando da sua codificação. Mesmo porque ao se examinar mais detidamente as datas e situações a ela atribuídas na Antiguidade, por vezes se encontram incongruências. Observando-se mais atentamente, verificase que o Grande Arquiteto do Universo ou Supremo Arquiteto do Universo -nesta última nominação tem-se que nada existe acima dele, que é o Criador Incriado, através de diversos enviados especiais foi manifestando todo um conjunto de atos e fatos que acabaram por fornecer as bases da Ordem Maçônica. Esses enviados seriam os Luminares da Antiguidade e dos Livros Sagrados, ressaltando aqui também o que se encontra nos antigos registros africanos do Egito e da Etiópia. É de salientar que tais livros e registros não foram Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

escritos por esses enviados, mas sim por escribas, que compilaram o que era transmitido oralmente de geração em geração. No caso do Egito, procura-se ali a origem da maçonaria devido às pirâmides tão bem construídas e alinhadas, tendo subterrâneos que alguns consideram bastante similares à Câmara de Reflexões. Talvez por isso, a imaginação de muitos tenha sugerido a prática de rituais iniciáticos dentro dessas construções misteriosas. Alguns manuscritos, resgatados nos últimos séculos, tais como o de Halliwell (ou Poema Regius), o de Matthew Cooke, o de Dowland – dentre outros- contribuíram com uma série de informações de cunho fundamental para a Ordem, mostrando que a Maçonaria se estribou em códigos Morais e Divinos. É de nosso entendimento que, apesar de alguns maçons considerarem desnecessário ou fora de propósito essa espécie de conhecimento, a simples leitura de livros e manuscritos, sem a descoberta do espírito do que ali está contido, não tirará o Irmão de seu estado inercial com relação a ele. Feitas estas considerações, vamos voltar nossa visão ao início da civilização com o aparecimento do Homo Sapiens, a cerca de

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45.000 anos, e iniciar um processo evolutivo dentro do texto, utilizando os conhecimentos que temos das sociedades primitivas atuais, aliados a nossa imaginação, extraindo a partir daí um conjunto de deduções. Os primeiros informes dos quais se têm notícia, que julgamos importantes para o conhecimento da Arte Real em sua ótica operativa, datam da Idade da Pedra, onde a pedra lascada nos remete ao Aprendiz em seu desbaste da pedra bruta e produzindo o primeiro Cinzel que usará para o autodesbaste. Logo a seguir vem a pedra polida, que já nos remete ao Companheiro, polido e apto para os novos trabalhos e estudos. Outros informes podem ser retirados da Arte Rupestre, na qual pode se entender estar materializado o planejamento num tosco traçado na Pedra de Delinear (a rocha) ocasião em que se definiam as estratégias da aquisição de alimento pela caça inicialmente e, logo a seguir, pelo confinamento de animais domésticos ou do plantio, tudo definido, provavelmente em algo similar a uma assembleia, análoga a uma “câmara do meio”. Nessa mesma época, houve outros fatos que, por analogia antropológica, faz-nos entender que os primeiros códigos morais foram transmitidos, tais como o comando para obtenção de alimento pelo chefe da comunidade e a gestão da casa num sistema matriarcal (1). Em ambas as situações, ali estão Aprendizes acompanhando mas sem participação ativa, pois não podiam ainda engendrar ou definir ações (não sei ler nem escrever...). Os Companheiros também ali estavam já desempenhando algumas tarefas que seus organismos e habilidades permitiam. Seguindo a mesma linha de raciocínio, foram nessa Era definidas as hierarquias onde aquele que mais se destacava pela força, porte físico (beleza) ou pelo conhecimento desenvolvido (sabedoria) era aclamado chefe da comunidade (Mestre), a ele cabendo a missão de conduzir seu povo de modo mais seguro possível, e pelos méritos alcançados era elevado a chefe maior da comunidade (Venerável), que naquele contexto tornava-se vitalício. Terminadas as atividades, a comunidade se reunia tendo os homens num círculo central, as mulheres, os jovens e as crianças mais afastados e então se relatava a todos o que acontecera naquele dia e depois pedia a opinião de um membro mais evoluído o pajé (Orador) que fazia as observações necessárias e concluía pelo bom aproveitamento da atividade e que todos podiam se retirar. Nesse momento, poderia entrar em ação outro membro da comunidade que, juntamente com outro, ficava vigilante a tudo e consultando se todos estavam satisfeitos; e ao receber essa confirmação, comunicava ao Chefe maior que tudo estava certo e o mandatário maior dizia a todos para se recolhessem até a próxima atividade. Nesse cenário propício aos sonhadores, o Homem de Neandertal (2) teria provavelmente, se se pode dizer assim, organizado a primeira “Ordem Maçônica”. O interessante disso tudo é que de acordo com o arqueólogo português JOÃO ZILHÃO: “Os neandertais inventaram as práticas Pedra Lascada (Getty Collection Galleries) simbólicas independentemente do homem de anatomia moderna.” Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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E porque não admitir que os Homo sapiens e os Homo neanderthalensis mantivessem acordos e acertos que podem tê-los levado a práticas ritualísticas que representassem seu dia a dia e que provavelmente teriam ficado registradas em figuras gravadas na pedra? Mas como dito anteriormente, essa Era ficou perdida nas brumas do tempo e somente com muito esforço podem-se fazer ilações da origem da maçonaria a partir daí. Mas certamente que as informações dali, com o passar dos séculos, foram sendo transmitidas e desenvolvidas, até serem absorvidas nos conceitos e princípios da Ordem Real. De 20.000 anos até cerca de 6.000 anos atrás não se tem conhecimento de transformações ou informações maiores daquelas contidas nas eras anteriores, e talvez só exista algum aperfeiçoamento ou ajuste com a evolução do Homo sapiens. Note-se que não se tocou na figura do Hominídeo porque estaria se buscando a origem da Ordem a cerca de 4.000.000 de anos, o que não teria qualquer consistência ou sustentação plausível. Tais considerações e inferências têm por objetivo chegar ao entendimento de que o nascimento da forma de se pensar a maçonaria deve acompanhar, também, o desenvolvimento da forma de se enxergar o conhecimento e a transmissão deste. Neste caso, podemos abordar tão somente esse desenvolvimento a partir do momento em que o Homo sapiens começa a

registrar suas impressões. No caso da tradição ocidental, quando se ingressa na época pré-mosaica, outros informes são trazidos para contribuírem com a organização, em nosso tempo, da Ordem, tais como os conhecimentos astronômicos dos Caldeus e daqueles povos da “crescente fértil”. Alguns séculos depois, serviram como exemplo à Ordem a doutrina de Moisés e do Antigo Testamento, que é composto de cerca de 40 (3) livros escritos por vários autores, conforme verificam os estudiosos do assunto, além do próprio Moisés, porque naquela fase a maioria dos códigos e normas eram sujeitos à tradição oral. Houve ainda outros profetas que também trouxeram valiosas participações para o Antigo Testamento -como Isaias, Jeremias, Elias- que com diversos outros deixaram sua colaboração. Alguns escribas copiavam esses escritos e certamente incluíam suas próprias opiniões, que eram por sua vez copiadas por outros que também deixavam suas marcas. E tudo isto focadamente num povo, o Hebreu, e também com o foco nos 5 livros atribuídos a Moisés, o Pentateuco (para os Judeus a Torá). O Templo do rei Salomão -rei considerado como um dos prováveis criadores da maçonariaserviu como inspiração e base para as dimensões do Templo Maçônico. E nas Grandes Lojas, em especial, podemos perceber de forma evidente a colaboração dos salmistas.

Reunião de Aborígenes da Patagônia

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Podemos considerar, também, a contribuição para o crescimento do maçom as obras sacras tais como o Rigveda dos Hindus, o Tripitaka –o principal livro dos diverso textos budistas-, o Alcorão Sagrado do Islã dentre outros; e há cerca de 2.000 anos, as Parábolas de Jesus (que não foram escritas por ele, mas sim transmitidas oralmente), os Evangelhos de João, de Marcos, de Mateus e de Lucas. Cada evento desses, a seu tempo, forneceu códigos, atos, fatos e costumes que os organizadores da Ordem Maçônica coletaram e compilaram para que se tivesse a Ordem como a temos hoje. Não podemos nos esquecer de mencionar ensinamentos iniciáticos como o hermetismo, o zoroastrismo na Pérsia, a iniciação Egípcia, as escolas filosóficas gregas de Sócrates e Platão -dentre outros- que trouxeram contribuições valiosas para os organizadores da Ordem. E como dizem os Tuaregs: “A caravana caminha e passa”. Quanto a textos de origem estritamente maçônica, já na era Cristã por volta do século X, revelaram-se na Inglaterra escritos que apresentavam uma organização com as características operacionais maçônicas, no reinado de Athelstan (895-940), neto de Alfredo, o Grande. Logo a seguir, em 936, a convocação da Segunda assembleia pelo meio-irmão de Athelstan, príncipe Edwin. Mas além de serem controversos estes documentos, nada traz a certeza de ali estar o marco inicial da Ordem Real.

da maçonaria como conhecemos hoje. Acerca das origens da maçonaria muitos rios de tinta se gastaram e as mais fantasiosas histórias foram escritas. Contudo, o historiador Paul Naudon traduz numa frase enxuta e perfeita sobre o assunto: “a francomaçonaria apresentase como a continuação e a transformação da organização dos mestres da Idade Média e do Renascimento, na qual o elemento especulativo tomou o lugar do elemento operativo”. As preocupações caritativa, cultural, iniciática e religiosas já faziam parte das corporações dos mestres artífices, que por sua vez estavam ligados a nobre arte da arquitetura de respeitadas e ricas tradições simbólicas e secretas, e nela se fundiam os princípios, as execuções e origens da construção que nos remetem aos Bizantinos, aos Caldeus, aos Egípcios, aos Fenícios, aos Hebreus e aos Romanos. Todo esse cadinho de arquitetura que fundiu todo o corpus da civilização europeia e nesta, e somente nesta, se pode ligar a Maçonaria à remota Antiguidade. E uma ligação direta com o passado, só a encontramos no que diz respeito ao corporativismo dos artífices; e seus enclaves estão fortemente carregados de passagens bíblicas. Eles tinham seus próprios patronos e suas reuniões rituais, mas só como disfarce cristão para coexistirem sob a proteção da igreja, pois estavam fortemente ligados aos seus mistérios e sua intensa solidariedade.

Moeda do Rei Athelstan (895-939 d.C.)

Pode-se afirmar com certeza que a maçonaria atual teve sua origem quando as quatro lojas londrinas The Goose and Gridiron (“O Ganso e a Grelha”), The Crown (“A Coroa”) ou The Queen’s head (“A Cabeça da Rainha”), The Apple Tree (“A Macieira”) e The Rummer and Grapes (“A Taça e as Uvas” ou “O Copo e as Uvas”) se reuniram, em 24 de junho de 1717, para fundarem a Grande Loja da Inglaterra, e teve início o que chamamos hoje de Sistema de Obediência da Francomaçonaria, sendo que as novas lojas deveriam se vincular a essa nova instituição, que passou a se chamar de Grande Loja de Londres e Westminster.

Em seguida surgem as Guildas (4), Os Carbonários (5), Os Templários (6) (aqui citados aleatoriamente), dentre outras organizações não formaram a maçonaria mas contribuíram para alguns de seus trabalhos, com exceção dos Carbonários que são posteriores a organização

As influências havidas aqui relatadas foram mais intensas no Rito Escocês Antigo e Aceito e em alguns ritos que derivaram deste ou antecederam a este, que mantêm o Livro Sagrado como uma das três luzes emblemáticas da Ordem Real.

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Maçons Operativos trabalhando em uma construção

Mesmo assim são fortes as influências do passado remoto, dos Templários e do Judaísmo Bíblico como citam o Grêmio Fénix (GOL, Lisboa): É certo que não deixa de impressionar, na cristalização maçónica de hoje, a existência de todo um conjunto de elementos que lembram a organização das ordens da cavalaria e, sobretudo, o ideário dos Templários. Grande parte do vocabulário maçónico está ligado, por sua vez, ao judaísmo bíblico. Parece, todavia, que esta associação se deve mais à influência que os Templários exerceram na construção civil e religiosa e nas próprias corporações dos pedreiros do que a uma ligação direta entre Ordem do Templo e Ordem Maçônica. Não convém esquecer que boa parte dos rituais, ditos escocês e francês, com sua complexa emblemática, foi «inventada» no século XVIII nas cortes e salões aristocráticos da Alemanha, França e Inglaterra. As

corporações

dos

pedreiros,

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como muitas outras, podiam aceitar no seu seio determinadas pessoas que, em rigor, lhes estariam à margem. Era o caso de estrangeiros, de clérigos, de agregados à profissão, de personalidades desejosas de se integrarem ou de utilidade à corporação. Já desde o século XV, por exemplo, que as corporações maçónicas escocesas tinham impetrado do rei o privilégio de terem à sua frente, como “grande mestre”, um nobre de boa linhagem, hereditário. No século XVII, muitas lojas de pedreiros britânicas foram reorganizadas segundo o modelo das academias italianas. Estes maçons aceitos tornaram-se, com o andar dos tempos, tão numerosos que imprimiram à corporação de que faziam parte uma face completamente diversa da anterior. Nas corporações onde tal começou a acontecer, o elemento operativo foi cedendo o lugar ao elemento especulativo. Uma

transformação

deste

tipo

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levou centenas de anos a completar-se. E só na Grã-Bretanha, onde a tradição corporativa - como tantas outras tradições - se manteve sem desfalecimento até ao século XVIII, foi possível às antigas lojas de pedreiros operativos converteremse, por completo, em lojas de pedreiros especulativos, mantendo, não obstante, o prestígio e o relevo social do passado. Só na Grã-Bretanha também, se conservaram o simbolismo e o ritual de tempos remotos, enriquecidos - e, não poucas vezes, deturpados - pela continuidade secular da sua prática.

Não insistiremos em colocações dos trechos e histórias que a maçonaria estruturou em sua organização, como dito, de fortes influências morais e dogmática hebraica e egípcia -esta principalmente da época dos Hicsos no baixo Nilo, que tem a caracterização do seu arquiteto primeiro Hiram Abif e no Julgamento de Osiris.

BIBLIOGRAFIA Bíblia de Jerusalem. Editions Du Cerf, Paris, 1998, ed. Revista e ampliada. Direitos cedidos com exclusividade para a língua portuguesa em todo o mundo a © PAULUS – 2002. Rituais do REAA. Supremo Conselho do Grau 33 do REAA da Maçonaria para a República Federativa do Brasil. Rio de Janeiro-RJ. Edições de 2003 a 2008. CLAUSEN, H. C. 33. Comentários sobre Moral e Dogma. Jurisdição Sul – EUA – 1974. San DiegoCalifornia. Tradução sob a supervisão de Alberto Mansur. 1976. EVANS-WENTZ, W. Y. O livro Tibetano dos Mortos ou experiências pós-morte no plano do Bardo, segundo a versão do Lama Kazi Dawa-Samdup. Pensamento, São Paulo-SP. 10ª ed. 1998. NAUDON, P. Les Origines Religieuses et Corporatives de Ia Franc-Maçonnerie. 4ª ed. Revista e aumentada. 1979. Dervy, Paris-Fr. FINDEL, J. G. História da Maçonaria - de sua origem até os dias de hoje. 1869

Como confirmação de que a Ordem inseriu em seu arcabouço simbólico filosófico de linhas da antiguidade tem-se passagens com Kong-FouTse (Confúcio), Zaratrusta, Gautama (Buda), Moisés, Hermes Trimegisto, Platão, Jesus de Nazareth, Maomé (o Profeta) e o Eterno. Este último em uma suas manifestações assim se comunica: “Os Judeus esperam o Messias; os Mulçumanos, o Hahdi; os Cristãos milenários, a volta do Cristo; os Budistas, Matreya, o próximo Buda; os Hindus, o avatar de Vixnu que se encarna de tempos em tempos para o triunfo dos bons e destruição dos maus. Tenho todos esses nomes e outros ainda mais, porque a cadeia hermética nunca foi quebrada.”

ASLAN, Nicola. História da maçonaria. Rio de Janeiro: Editora Espiritualista, 1959.

Concluindo, não se acredita haver esgotado totalmente este assunto, mas com certeza para os acompanhadores do Rito Escocês Antigo e Aceito não restarão dúvidas de que a Ordem se estruturou sobre as culturas mais antigas que o homo sapiens sapiens (homem moderno) tem conhecimento, havendo ainda participação da espiritualidade em quase todas suas ações.

GOULD, Robert Freke. The history of freemasonry. Philadelphia: John C. Yorkston, 1896. v. 1.

CAMINO, Rizzardo da; CAMINI, Odéci Schilling. Vade-mecum do simbolismo maçônico. 2ª ed. Rio de Janeiro: Aurora, [s.d.]. CARVALHO, Assis. Símbolos maçônicos e suas origens. Londrina: Editora e Gráfica Cotação, 1997. CASTRO, Boanerges B. O simbolismo dos números na Maçonaria. 2ª ed. Rio de Janeiro: Grafica Editora Aurora, 1983. CRUZ, Almir Sant’Anna. Simbologia maçônica dos painéis. Londrina: Editora Maçônica “A Trolha”, 1997. DEWAR, James. The unlocked secret. Freemasonry reexamined. London: William Kimber, 1966.

GUÉNON, René. Os símbolos da ciência sagrada. 9ª ed. São Paulo: Pensamento, 1993. MELLOR, Alec. Dictionnaire de la franc-maçonnerie et des francs-maçons. Paris: Belfond, 1983.

O espírito investigativo do obreiro é incansável e estará sempre atento a qualquer informação oriunda de fonte plenamente confiável e como sua missão é a evolução e o bem estar da Humanidade, quando o GADU desvendar-lhe ainda mais ele estará apto a novas incursões neste vasto cabedal de simbolismo e filosofia. Maktub (já estava escrito). Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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NOTAS 1 James Frazer, J. J. Bachofen, Walter Burkert, Robert Graves, James Mellaart e Marija Gimbutas desenvolveram a teoria segundo a qual todas as divindades da Europa e da bacia do Mar Egeu são oriundas de uma deusa matriarca pré-indo-europeia ou proto-indoeuropeia (Neolítico). Segundo esses estudiosos, a religião da Deusa mãe era a base de toda a Pré-história e das civilizações antigas, e a Deusa seria o fundamento sócio-religioso do matriarcado, que se mantém ainda hoje entre povos tão diferentes como os tuaregs e os iroqueses das ilhas Trobriand 2 , os Minangkabau da Indonésia ou os comorianos.(Library of Congress Country Studies. “Comoros - Status of Women”.) 2 O homem-de-neandertal é uma espécie extinta, fóssil, do gênero Homo que habitou a Europa e partes do oeste da Ásia, de cerca de 300 000 anos atrás até aproximadamente 29 000 anos atrás, tendo coexistido com os Homo sapiens. 3 A quantidade de livros do Antigo Testamento varia conforme a religião. A Católica adota 46 livros, enquanto que a Protestante adota 39, tal como o cânone judaico que começou a ser estabelecido no concílio rabínico de Jamnia (aprox.. 96 d.C.). Outras religiões adotam outros cânones (Ortodoxa Russa, Copta, Etíope). 4 Chris Knight e Robert Lomas iniciam seu Trabalho ressaltando ser a Maçonaria uma Instituição tradicional, voltada ao aperfeiçoamento do indivíduo e da sociedade, sob os auspícios de Deus ou Grande Arquiteto do Universo. Ao contrário das religiões formalmente estabelecidas, não há na Maçonaria qualquer referência a entidades ou divindades “das trevas”: é a única Instituição radicalmente Monoteísta do Ocidente. Qual seria a sua origem? De pronto descartam a hipótese segundo a qual, antes de formalizarse na Inglaterra no dia 24 de junho de 1717, a Maçonaria ter origem exclusiva ou principal nas guildas de pedreiros medievais. Apresentam 3 motivos para esta conclusão: - Todas as Corporações de Ofício de Pedreiros Medievais recebiam as bênçãos da Igreja Romana o que seria impensável para a Maçonaria. Ficava-se por vezes uma vida inteira, por exemplo, na construção de uma grande Catedral, tornando desnecessários códigos de reconhecimento. Quanto à profissão, se alguém alegasse ser pedreiro sem o ser, sua inabilidade o denunciaria rapidamente. - As Antigas Obrigações (Old Charges) da Maçonaria estabelecem, por exemplo que “nenhum irmão deve revelar qualquer segredo legítimo de qualquer outro irmão se isso puder lhe custar a vida ou as posses”. Somente por excomunhão alguém poderia correr este risco naquele tempo. Hereges eram excomungados. Que atividade de construção poderia conduzir pedreiros cristãos à condenação por excomunhão? Mais lógico concluir serem Cavaleiros em fuga – os Templários em cujas cores, símbolos e costumes há tanta reminiscência na Maçonaria. Há ainda, nas Old Charges Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

a proibição peremptória de um irmão relacionar-se sexualmente com qualquer mulher da família de outro irmão. Cavaleiros em fuga que solicitassem proteção precisariam deste cuidado, sem dúvida! Mas o que poderia impedir um pedreiro, por exemplo, de casar-se com a irmã de outro? Há mais, nas Old Charges, mas atenho-me à mais chocante: entre maçons sempre se contaram muitos reis e nobres. O que conduziria reis e nobres a aprender normas de comportamento moral com humildes pedreiros? - O argumento apresentado como “definitivo” pelos Autores é o fato de nunca ter havido guildas de pedreiros na Inglaterra, berço da Maçonaria. 5 A Carbonária foi uma sociedade secreta e revolucionária que atuou na Itália, França, Portugal e Espanha nos séculos XIX e XX. Fundada na Itália por volta de 1810, a sua ideologia assentava em valores libertacionais e fazia-se notar por um marcado  anticlericalismo. Participou nas revoluções de 1820, 1830-1831 e 1848. Embora não tendo unidade política, já que reunia monarquistas e republicanos, nem linha e ação definida, os carbonários (da italiano carbonaro, “carvoeiro”) atuavam em toda a Itália. Reuniam-se secretamente nas cabanas dos carvoeiros, derivando daí seu nome. Foi sugerido que o esparguete à carbonara foi por eles inventado. Inventaram uma escrita codificada, para uso em correspondência, utilizando um alfabeto carbonário. Durante o domínio napoleónico, formou-se em Itália uma resistência que contou com membros de uma organização secreta – a Carbonária. A carbonária tinha uma organização interna semelhante à da Maçonaria, com a qual, aliás, tinha algumas afinidades ideológicas (combater a intolerância religiosa, o absolutismo e defender os ideais liberais) e esteve aliada em certos momentos, havendo mesmo elementos que pertenciam às duas organizações. Surgiu em Nápoles, dominada pelo general francês Joaquim Murat, cunhado de Napoleão Bonaparte. Lutava contra os franceses, porque as tropas de Napoleão haviam iniciado uma espoliação da Itália, embora defendessem os mesmos princípios de Bonaparte. Com a expulsão dos franceses, a Carbonária queria unificar a Itália através de uma revolução espontânea da classe trabalhadora, comandada por universitários e intelectuais, e implantar os ideais liberais. Os membros da Carbonária, principalmente da pequena e média burguesia, tratavam-se por primos. As associações da Carbonária tinham uma relação hierárquica. Chamavam-se choças (de menor importância), barracas e vendas, sendo estas as mais importantes. As vendas, cada uma contendo vinte membros, desconheciam os grandes chefes. Todas as orientações eram transmitidas por elas. Havia uma venda central, composta por sete membros, que chefiava o trabalho das demais. A Carbonária não tinha nenhuma ligação popular, pois como sociedade secreta, não anunciavam suas atividades. Além disso, a Itália era uma região agrícola e extremamente católica, com camponeses analfabetos e religiosos,

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que tradicionalmente se identificavam com ideias e chefes conservadores. 6 Em meados do século XIV, os Templários foram perseguidos por toda a Europa, e sua ordem de fato foi dissolvida. No entanto, esses cavaleiros nunca foram excomungados pela Igreja de Roma.

Templários foram inocentados. Na França, absolveram-se aqueles que reconheceram seus erros. Assim, Filipe IV fracassou em seus planos de espoliação total dos bens dos Templários em proveito próprio. No entanto, o rei francês conseguiu prender o grão-mestre Jacques de Molay, que foi queimado vivo em Paris no dia 19 de março de 1314.

Criada em 1119 pelo francês Hugo de Payens, a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou simplesmente Ordem dos Templários, foi concebida com a função de proteger os peregrinos que partiam para Jerusalém durante o período das Cruzadas. Cerca de dois séculos depois, o grupo já era considerado uma potência militar, ostentando um contingente de aproximadamente 15 mil homens, e financeira. Os cavaleiros estavam entre os principais proprietários de terras do período, donos de numerosos feudos e de uma rede própria de mosteiros.  A ordem mantinha negócios com todos os grandes senhores da Europa medieval, além de constantemente emprestar dinheiro para a Igreja e gerir alguns de seus bens. Entre seus “clientes” estavam figuras ilustres como o rei João I da Inglaterra (1166-1216) e Filipe IV, o Belo (1268-1314), soberano da França e principal artífice da destruição dos Templários. Sua ofensiva contra a ordem tinha dois objetivos: a ampliação dos domínios do reino francês e o enriquecimento de seu Tesouro. Na manhã do dia 13 de outubro de 1307, uma operação lançada secretamente pelo conselheiro real Guilherme de Nogaret resultou na prisão de todos os Templários da França. Os membros da ordem foram interrogados sob tortura e entregues aos inquisidores dominicanos, que os condenaram por heresia, apostasia (afastamento da doutrina pregada pela Igreja), idolatria e sodomia. Alguns foram condenados à morte na fogueira. Chocado com as confissões obtidas pelos lacaios de Filipe IV, o papa Clemente V (1264-1314) determinou a prisão de todos os Templários da cristandade. Criaram-se comissões eclesiásticas para investigar os membros da ordem, e, em 1311, um concílio se reuniu na cidade francesa de Vienne para avaliar as informações coletadas e julgar os cavaleiros. A culpabilidade do grupo ficou longe de ser uma unanimidade, e alguns dos presentes propuseram que ele fosse reformado, não abolido. Temendo um conflito com o rei da França, Clemente V demorou a tomar uma decisão. Finalmente, em meados de 1312, o papa foi informado de que Filipe, o Belo, estava marchando em Lyon com o seu exército. Vencido pelo medo, o pontífice assinou no dia 3 de abril a bula Vox in excelso, simplesmente suprimindo a Ordem do Templo, sem condená-la. Outra bula, chamada deAd providam, decretou que os bens do grupo fossem transferidos para os beneditinos da Ordem de Malta. Por fim, uma terceira bula anunciou que o papa se encarregaria de julgar os acusados, mas eles não seriam excomungados. Em países como Inglaterra, Espanha, Portugal e Alemanha, os

Revista de Estudos Maçônicos da Glomaron - Ano I - N.º 0

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Lapideias - Revista Maçônica da GLOMARON  

Ano I - Nº 0 - Edição do Verão de 2013

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