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OBJETIVOS Identificar e operar, abrindo e fechando, a válvula de dreno do sistema de chuveiros automáticos. Operar a válvula de comando, abrindo, fechando e deixando na posição aberta. Identificar até 3 fontes de suprimento de água para um sistema de chuveiros automáticos. Identificar os seguistes sistemas de chaveiros automáticos: Cano molhado/Cano seco/ Tipo dilúvio. Saber remover e substituir um chuveiro que tenha entrado em operação ou esteja com defeito por outro do mesmo tipo. Saber definir de que forma o chuveiro é aberto, permitido a descarga de água. Saber identificar o registro de recalque do sistema de chuveiros automáticos. Saber recalcar água através do registro de recalque, empregando mangueiras. Saber verificar o estado de conservação dos equipamentos que compõem um sistema de chuveiros automáticos.

1. Introdução Os sistemas fixos automáticos de combate incêndios têm demonstrado, através dos tempos, serem meios eficazes para controle e combate a incêndios em edificações. Os chuveiros automáticos, também conhecidos como "sprinklers", possuem a vantagem, sobre hidrantes e extintores, de dispensar a presença de pessoal, atuando automaticamente na fase inicial do incêndio, o que reduz as perdas decorrentes do tempo gasto desde a sua detecção até o início do combate. 0 sistema de proteção através de chuveiros automáticos consiste em uma rede inteirada de tubulações, dotadas de dispositivos especiais que, automaticamente, descarregam água sobre um foco de incêndio, em quantidade suficiente para controlá-lo e eventualmente extingui-lo. Esse sistema de proteção é dotado de alarme. Assim que um foco de incêndio é detectado, os chuveiros são acionados e é emitido um aviso aos ocupantes da edificação. 2.Proteção por Sistemas de Chuveiros Automáticos 0 sistema de chuveiros automáticos é projetado e instalado conforme normas próprias que regulam os critérios de distribuição de chuveiros, temperatura de funcionamento, área de operação e de proteção, diâmetro das tubulações, etc. A estrutura de funcionamento do sistema compõe-se, basicamente, de: Abastecimento de água. Válvulas de governo e alarme. Rede de distribuição. Chuveiros automáticos.

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(Fig. 10.1.)

2.1. Abastecimento do Sistema de Chuveiros Automáticos É vital para qualquer sistema hidráulico dispor de abastecimento confiável de água, com pressão e vazão adequadas. 0 abastecimento de água para o sistema de chuveiros automáticos é fornecido: Por gravidade (através de reservatório elevado). Por bombas de recalque. Por tanques de pressão. Normalmente, o sistema possui somente uma fonte de abastecimento. 0 abastecimento por gravidade, isto é, através de reserva- tório elevado, é o sistema mais confiável e que exige menos manutenção. (Fig. 10.2.)

Na impossibilidade de se utilizar abastecimento por gravidade, o sistema devera ser abastecido por bombas de recalque. As bombas de recalque devem dispor de uma fonte de energia confiável, e o reservatório de água atender à demanda necessária. As bombas para alimentação do sistema devem ser centrifugas e acionadas automaticamente por motor elétrico ou a diesel.

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(Fig. 10.3.)

A partir do acionamento do sistema, num tempo não superior a 30 segundos, a bomba e o alarme (sonoro e/ou visual) deverão funcionar. As ligações elétricas da bomba devem ser independentes da instalação elétrica da edificacão e, se houver gerador elétrico de emergência, este devera estar ligado a bomba. No caso de bomba a diesel, o conjunto (inclusive o tanque de combustível) deve ser instalado em local protegido por chuveiros automáticos. 0 abastecimento por tanque de pressão poderá ser utilizado como fonte única de abastecimento ou como solução complementar ao abastecimento fornecido pelo reservatório elevado ou pelas bombas de recalque. Trata-se de um recipiente contendo grande quantidade de água (10 m£ a 25 m£) permanentemente pressurizado. Com a abertura do chuveiro, a água é descarregada devido à pressão existente no interior do tanque. 0 tanque deverá possuir indicadores e alarmes do nível de água e pressão (manômetros), com possibilidade automática de reabastecimento de água (bomba) e ar (compressor). A água não deve ultrapassar 2/3 da capacidade do tanque.

(Fig. 10.4.)

0 sistema de chuveiros automáticos deve ser dotado de registro de recalque duplo, com válvula de retenção, por onde o Corpo de Bombeiros poderá abastecer o sistema.

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(Fig. 10.5)

2.2. Válvulas do Sistema de Chuveiros Automáticos As válvulas de governo e alarme são dispositivos instalados entre o abastecimento do sistema e a rede de distribuição, constituídos basicamente de válvula de comando, válvula de alarme e válvula de teste e dreno. Válvula de Comando: é utilizada para fechar o sistema, cortando o fluxo de água sempre que algum chuveiro precisar ser substituído para a manutenção do sistema, ou quando a operação do mesmo precisa ser interrompida. Após o término do serviço, a válvula de comando deve ser deixada na posição aberta. Esta válvula deve ser do tipo gaveta de haste ascendente. (Fig. 10.6)

Válvula de alarme: a operação dos chuveiros automáticos aciona um alarme indicativo de funcionamento do sistema. 0 acionamento do alarme se faz pela movimentação do fluxo de água na tubulação, em virtude de um incêndio, vazamento ou ruptura acidental da tubulação. Os alarmes podem ser hidráulicos e/ou elétricos. Os tipos mais comuns de alarmes são o gongo hidráulico e a chave detectora de fluxo d’água.

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(Fig. 10.7.)

Válvula de teste e dreno: É um dispositivo, ou conexão destinado a testar o sistema ou o funcionamento do alarme, ou ainda, drenar a água da tubulação para manutenção". (Figs. 10.8-A e 10.8-B).

2.3. Rede de Distribuição de Água (Tubulação) A tubulação para os chuveiros automáticos ramifica-se para possibilitar a proteção de toda ocupação, formando a rede de distribuição de água. 0 diâmetro da canalização deve seguir as exigências das normas legais. A canalização do sistema não deve ser embutida em lajes ou passar em locais não protegidos por chuveiros automáticos, exceto se enterrada. Deve ser instalada com inclinação que permita drenagem natural (de preferência, feita pela válvula de teste e dreno). (Fig. 10.9)

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2.4. Chuveiros Automáticos Os chuveiros automáticos são os principais elementos do sistema, pois detectam o fogo e distribuem a água sobre o foco na forma de chuva. Podem ser dotados de elemento termo-sensível ou não (chuveiros abertos), conforme o tipo de sistema. Elemento termo-sensível Em condições normais, nos chuveiros automáticos dotados de elemento termo-sensível, a descarga da água dos chuveiros é impedida por capsula rigidamente fixa no orifício de descarga. A liberação da descarga de água só ocorre quando a temperatura do ambiente atinge um grau predeterminado, rompendo a cápsula. 0 elemento termo-sensível é dimensionado para suportar a pressão da rede, inclusive possíveis variações. Pode-se encontrar dois tipos de elementos termo-sensíveis: o tipo ampola e o tipo solda eutética. Cada chuveiro terá uma temperatura de operação própria, que varia entre 57ºC e 260ºC para elementos termo-sensíveis do tipo ampola e entre 57ºC a 343 ºC para elementos do tipo solda eutética . Tipo ampola: consiste numa ampola, contendo liquido especial que se expande ao sofrer os efeitos do calor do incêndio. Com a expansão, a ampola se rompe, liberando a descarga de água. Tipo solda eutética: consiste numa liga metálica cujo ponto de fusão esta predeterminado e, ao fundir-se, libera a descarga de água. Unido à estrutura ou corpo do chuveiro, existe um defletor ou distribuidor contra o qual é lançada a água, fazendo com que esta se torne pulverizada e, dessa forma, proteja uma determinada área. Os chuveiros automáticos não podem ser pintados, pois, com a pintura, a temperatura nominal de funcionamento sofrera alterações. Entretanto, os chuveiros automáticos com elemento fusível do tipo solda, para temperatura acima de 77ºC, são pintados pelos fabricantes, para identificação. (Fig. 10.10)

Posição do chuveiro automático Em relação às tubulações que os alimentam, os chuveiros automáticos podem ser instalados na posição pendente ou na posição para cima. Seja como for, devem ser instalados, sempre, na posição prevista pelos projetistas.

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(Fig. 10.11)

“corrigir a figura 10.11 lado esquerdo chuveiros para cima (up right) do lado direito chuveiros pendentes”. Tipos de chuveiros automáticos Quanto a descarga de água, os chuveiros automáticos se classificam em: chuveiros do tipo convencional: são aqueles cujo defletor é desenhado para permitir que uma parte da água seja projetada para cima, contra o teto, e a outra para baixo, adquirindo forma aproximadamente esférica; chuveiros do tipo spray: são aqueles cujo defletor é desenhado para que a água seja projetada para baixo, adotando forma esférica; chuveiros do tipo lateral: são aqueles cujo defletor é desenhado para distribuir a água de maneira que quase a totalidade da mesma seja aspergida para frente e para os lados, em forma de um quarto de esfera, com uma pequena quantidade contra a parede, atrás do chuveiro; chuveiros do tipo especial: são aqueles projetados, por razões estéticas, para serem embutidos ou estarem rentes ao forro falso. ESTE TIPO DE CHUVEIRO SOMENTE PODERÁ SER INSTALADO NA POSIÇÃO PENDENTE; chuveiros de média velocidade: dotados ou não de elemento termo-sensível, são fabricados com defletor para vários ângulos de descarga, fazendo com que a água seja lançada em forma de cone; chuveiros de alta velocidade: são fabricados sem elemento termo-sensível (aberto) e seu orifício de descarga é dotado de um dispositivo interno cuja função é provocar turbulência na água, nebulizando e lançando-a, extremamente pulverizada, na forma de cone. (Figs. 10.12-A e 10.12-B)

“corrigir a figura 10.12-B do lado esquerdo chuveiro de alta velocidade (HV) do lado direito chuveiro de média velocidade (MV)”. COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS

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Os chuveiros podem ser revestidos ou tratados pelo próprio fabricante com chumbo, cera, cromo, cádmio, etc., para proteção contra vapores corrosivos e ações ambientais desfavoráveis. 3.Tipos de Sistemas de Chuveiros Automáticos No Brasil, existem basicamente 3 tipos de sistemas de chuveiros automáticos: sistema de cano molhado; sistema de cano seco; sistema tipo dilúvio. Obs. : Para proteção em pequenas aberturas, sobre telhados, ou para proteção de riscos especiais, pode-se instalar "cortina d’água". 3.1. Sistema de Cano Molhado Compreende uma rede de tubulação permanentemente cheia de água sob pressão, em cujos ramais os chuveiros são instalados. Os chuveiros automáticos desempenham o papel de detectores de incêndio, só descarregando água quando acionados pelo calor do incêndio. É o tipo de sistema mais utilizado no Brasil. Quando um ou mais chuveiros são abertos, o fluxo de água faz com que a válvula se abra, permitindo a passagem da água da fonte de abastecimento. Simultaneamente, um alarme é acionado, indicando que o sistema esta em funcionamento. (Fig. 10. 13)

3.2. Sistema de Cano Seco Compreende uma rede de tubulação permanentemente seca, mantida sob pressão (de ar comprimido ou nitrogênio), em cujos ramais são instalados os chuveiros. Estes, ao serem acionados pelo calor do incêndio, liberam o ar comprimido (ou nitrogênio), fazendo abrir automaticamente uma válvula instalada na entrada do sistema (válvula de cano seco), permitindo a entrada da água na tubulação. Este sistema é o mais indicado para as regiões extremamente frias, sujeitas a temperatura de congelamento da água, ou locais refrigerados (como frigoríficos). COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS

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0 suprimento de ar comprimido (ou nitrogênio) deve ser feito por uma fonte confiável e disponível a toda hora, devendo ser ca paz de restabelecer a pressão normal do sistema rapidamente. Deve dispor de uma ou mais válvulas de segurança, entre o compressor e a válvula de comando, que devem estar graduadas para aliviar ao atingir pressão acima da prevista. (Fig. 10.14)

3.3. Sistema do Tipo Dilúvio Compreende uma rede de tubulações secas, em cujos ramais são instalados chuveiros do tipo aberto (sem elemento termo-sensível). Na mesma área dos chuveiros é instalado um sistema de detectores ligado a uma válvula do tipo dilúvio, existente na entrada do sistema. A atuação de quaisquer detectores, ou então a ação manual de comando a distância, provoca a abertura da válvula, permitindo a entrada da água na rede, descarregada através de todos os chuveiros, e, simultaneamente, fazendo soar o alarme de incêndio. Este tipo de sistema é normalmente utilizado na proteção de hangares (galpões para aeronaves). (Fig. 10. 15)

3.4. Cortina d’água A cortina d’água é um sistema que produz descargas de água em pequenas aberturas ou sobre telhados de uma edificação, a fim de evitar a propagação de um incêndio. 0 acionamento da cortina d’água pode ser automático ou manual: Automático: Uma válvula é mantida fechada por um sistema de alavancas fixadas por elemento fusível. 0 sistema é acionado automaticamente pela atuação do calor, ocorrendo a ruptura do elemento fusível e permitindo a passagem da água para todos chuveiros, que funcionarão simultaneamente. Manual: É aquele em que o sistema é acionado por um operador, mediante a abertura de um registro. COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS

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Desde que atenda a demanda (vazão e pressão), o abastecimento para o sistema cortina d’água pode ser o mesmo utilizado pelo sistema de chuveiros automáticos da edificação. Entretanto, cada um dos sistemas deve possuir válvula de governo independente. (Fig. 10.16)

4.Utilização do Sistema de Chuveiros Automáticos nas Operações de Combate a Incêndio Alguns fatores importantes devem ser considerados nas operações de combate a incêndios em edificações protegidas por chuveiros automáticos. 0 sistema de chuveiros automáticos estará em funcionamento quando o Corpo de Bombeiros chegar ao local. A guarnição do primeiro auto-bomba a chegar no local da ocorrência, deve ligar a bomba de incêndio da viatura no registro de recalque (facilmente identificável por ser duplo). 0 auto-bomba deve recalcar água com a pressão de 10 kgf/cm2(150 psi), preferencialmente através de linhas siamesas (não superiores a 30 metros). (Pressão máxima de trabalho 12 kgf/cm2 - 180 psi). Havendo fogo no local, devem ser armadas linhas de ataque para, em complementação aos chuveiros automáticos, extinguir o incêndio. As válvulas de comando do sistema somente deverão ser fechadas após a extinção do fogo ou se estiverem ocorrendo danos ou desperdício de água. Caso não seja possível fechar a válvula de comando, deve-se utilizar bloqueadores de chuveiro automático. A interrupção do funcionamento do sistema somente poderá ser feita após o Comandante da Operação verificar a extinção do incêndio. Quando uma válvula de comando é fechada, um bombeiro deve permanecer junto a ela, a fim de opera-la caso haja necessidade de reabertura. (Fig. 10.17)

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“a figura 10.17 se refere ao registro de recalque e não à VGA, esta figura deverá ser adequada”. Após o término de serviço de combate a incêndio, o sistema deve ser recolocado em condições de operação. Os chuveiros utilizados devem ser substituídos por outros do mesmo tipo. A renovarão e substituição dos chuveiros devem ser feitas com chave própria, e, para isso, são adotadas as seguintes providencias: fechar a válvula de comando; abrir a(s) válvula(s) de dreno; remover o chuveiro automático; substituir o chuveiro por outro do mesmo tipo; abrir a válvula de comando; abrir válvulas de teste para retirar o ar contido no sistema; fechar válvula(s) de dreno. 0 abastecimento de água somente devera ser interrompido após a inspeção final do local. 5. Inspeção de Bombeiros Durante atendimento a ocorrência de incêndio ou durante inspeção em edificações protegidas por sistema de chuveiros automáticos, o pessoal das guarnições do Corpo de Bombeiros deve verificar: se toda a edificação esta protegida por chuveiros automáticos, inclusive as modificações e/ou ampliações; se as mercadorias estocadas estão devidamente protegidas por chuveiros automáticos e se estas não obstruem a descarga de água; se todas as válvulas do sistema estão operando normalmente e se não estão obstruídas; se todas as válvulas, equipamentos e dispositivos do sistema estão em bom estado de conservação; se o sistema de automatização da bomba de recalque esta funcionando; se o painel de sinalização e alarme está funcionando; se o sistema encontra-se sob pressão; se o sistema de teste de dreno está funcionando corretamente (testar através das conexões para teste) ; se o registro de recalque do sistema se encontra desobstruído e em perfeito estado de conservação e funcionamento; se o ar comprimido (ou nitrogênio) e a água no sistema de cano seco estão em seus níveis normais; se o compressor de ar se encontra em bom estado de conservação; se os alarmes (hidráulicos e/ou elétricos) funcionam normalmente; se existem chuveiros para reposição.

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