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Muriaé, Abril de 2007 - Ano V - Número 30

Jornal Laboratório do Curso de Comunicação Social - Jornalismo

Por trás das notas baixas...

Classificação Indicativa Ouvidoria da Faminas, você conhece? Página 3

Páginas 6 e 7


Jornal Laboratório do Curso de Comunicação da FAMINAS

MURAL

Após algum tempo sem circular, o Fala Minas está de volta. É bem verdade que não ainda do jeito que queremos, mas foi dado o primeiro passo. A partir de agora, o Jornal tem seções fixas e uma linha editorial comprometida com assuntos de interesse geral – da comunidade de Muriaé à universitária. Isso, entretanto, não significa que ele pretende atuar na mesma linha dos jornais da cidade, mais preocupados com o imediatismo informativo, e nem como mais um veículo institucional da Faculdade. O compromisso é com o exercício jornalístico mais voltado para as questões cotidianas, o que

inclui matérias mais reflexivas, desenvolvidas a partir de temas atuais, que tenham uma relação direta com os leitores. Assim, da influência de uma decisão em Brasília no nosso dia-a-dia a discussões sobre temas da ciência que nos afetam, a proposta é fazer do Fala Minas uma espécie de veículo do cidadão. É bom ressaltar que produzir um jornal-laboratório não é das tarefas mais simples, principalmente quando a grande maioria dos estudantes do curso de Jornalismo trabalha fora e mora em cidades vizinhas. Mesmo assim, estamos dispostos a fazer um trabalho que agrade a todos, dos alunos produtores aos leitores. Só que, para isso, é fundamental o apoio da comunidade de Muriaé e dos coordenadores, professores e estudantes da Faminas. Além de críticas e sugestões – sempre bem-vindas - a boa receptividade também é importante para o trabalho dos futuros jornalistas, que têm no Fala Minas um dos poucos espaços para o exercício jornalístico. Temos consciência de que há um longo caminho a percorrer entre idealizar um produto e colocá-lo nas ruas. Mas temos tempo para acertar.

Faminas - Faculdade de Minas

2 Abril de 2007

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Telefone: (32) 3729-7500 www.faminas.edu.br

é o órgão laboratorial dos alunos do curso de Jornalismo da FAMINAS-Faculdade de Minas. Diretor Geral: Luciano Ferreira Varella Diretor Pedagógico: Prof. Dr. Roberto Barbiéri Gerente Administrativo: Eduardo Goulart Coordenador do curso de Jornalismo: Prof. Ms. José Geraldo Ferreira Pena - Jornalista responsável e Editora- chefe: Profa. Ms. Adriana Projeto Gráfico: Priscila Medeiros, Tânia Lobo (estagiárias) e Gláucia Ribeiro Disciplinas relacionadas: Jornalismo Básico, Edição Jornalística em Fotografia, Redação Jornalística, Edição e Planejamento Visual em Jornalismo, Comunicação Comunitária. Redatores: Graduandos em Jornalismo Impressão: Stylo Gráfica - As matérias publicadas não representam, necessariamente, a opinião da FAMINAS. E-mail: falaminas@faminas.edu.br


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Faminas recebe a visita de Otávio di Toledo

O jornalista foi um dos palestrantes da Semana Acadêmica do curso de Turismo Junior Santos 3º período A Faculdade de Minas (Faminas), de Muriaé, recebeu, no dia 29 de março, Otávio di Toledo, diretor e apresentador do programa Viação Cipó, da TV Alterosa, afiliada do SBT. O jornalista foi um dos convidados para a Semana Acadêmica, promovida pelo curso de Turismo, que abordou o tema “Mercado de trabalho e qualidade de

vida: Turismo no século XXI”. Durante quase uma hora, Toledo falou sobre a importância da criação de opções para o turista, sempre aliadas à preservação ambiental e à qualidade de vida. E esses são valores que não faltam em seu trabalho. Toda semana, o Viação Cipó percorre Minas Gerais em busca de cultura, arte, culinária e belezas naturais,

Ouvidoria

Um espaço onde todos têm voz Rodrigo Costa 3° período Quando se fala em ouvidoria, sempre se pensa naquela figura caricata de uma pessoa com as orelhas enormes, que ouve tudo o que o público tem a dizer em relação à empresa a que pertence. Só que ele não precisa ter orelhas grandes, basta apenas estar atento aos pedidos que lhe são encaminhados e apto a tentar resolvê-los de alguma forma. É o que acontece com a Ouvidoria da FAMINAS que tem servido como elo de comunicação para estimular práticas que possam ampliar o acesso da comunidade acadêmica ao processo de avaliação das ações da Faculdade. Segundo o professor Helder Silveira, coordenador de Cultura e

agora responsável pela Ouvidoria, o intuito é democratizar a participação acadêmica e descongestionar as vias que impedem a comunicação diretoriaaluno. Através do link no site www.faminas.edu.br, ou do atendimento pessoal no setor de protocolo, o aluno pode e deve opinar. As sugestões, críticas e reclamações serão encaminhadas aos setores responsáveis e respondidas posteriormente. Por isso, é importante, segundo Helder Silveira, que o aluno não deixe de participar da construção de uma instituição mais democrática, onde todos têm voz e vez, e “traga a idéia transformadora para o palco dos acontecimentos”.

consideradas pelo jornalista os principais atrativos turísticos do Estado. Entre o bate-papo e a exibição de trechos de reportagens produzidas pelo programa, ele destacou as dificuldades de sua equipe para gravar em certas regiões de Minas, devido à falta de infra-estrutura turística e de informação. O problema, de acordo com o apresentador, pode ser minimizado por meio da atuação da imprensa e dos turismólogos, com quem pretende estabelecer parcerias. Ele deve apresentar à Faminas uma proposta de trabalho, para que os alunos do curso de Turismo participem da produção do programa, sugerindo pautas e auxiliando na realização de estudos turísticos. Questionado sobre a autonomia do Viação Cipó e sobre sua relação com o governo, o jornalista afirmou que já realizou matérias financiadas por prefeituras, mas nem por isso deixou de abordar as deficiências e os aspectos negativos dos municípios. Ele foi enfático ao criticar a atuação do poder público na questão ambiental e turística. “No Brasil,

impera a impunidade, a falta de fiscalização e a pouca vergonha”. A Semana Acadêmica de Turismo foi realizada de 28 a 31 de março e contou também com a presença dos palestrantes Marco Aurélio Fontes, da Universidade Federal de Lavras (UFLA); Júlia Val, coordenadora de eventos e professora da Unipac; Antônio Guedes, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); Carlos Zanini, da Front Produções, e Frederico Cezar, da Urban Data. Outras atividades também fizeram parte da programação. Entre elas, os cursos Cozinha Fusion, ministrado por Alcir Ribeiro; Enogastronomia, coordenado por Raoni Fernandes e Helvécio Povoa, além do Workshop Esportes Radicais, apresentado por Guilherme Soares.

3 Abril de 2007


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Por trás das notas baixas Fraco rendimento escolar pode ser sinal de Dislexia Tânia Adiles Mendes Lobo

P

assar horas sentado estudando e ainda tirar notas baixas; ouvir o professor implorar para que a caligrafia seja melhorada e trocar as letras mais do que o normal. O desânimo toma conta e a idéia de desistir dos estudos passa a ser vista como única alternativa. Essa é a realidade de vários estudantes no mundo. Só que a maioria ainda não sabe é que pode estar sofrendo um distúrbio de aprendizagem conhecido como dislexia. Mais freqüente nas salas de aula, ele torna difícil à criança aprender a ler, escrever e soletrar. Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia não é resultado de má alfabetização, falta de atenção, motivação, condição socioeconômica ou baixo índice de inteligência. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), ela é uma alteração genética que afeta uma determinada área do sistema nervoso central. Pesquisas realizadas pela International Dyslexia Association

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(IDA) apontam que de 10% a 15% da população mundial é disléxica. No Brasil, calcula-se que sejam cerca de 15 milhões de pessoas. Os professores são geralmente os primeiros a perceber as dificuldades das crianças na fase de alfabetização. Porém, sem muitas informações sobre o distúrbio, eles não conseguem fazer com que dêem continuidade ao aprendizado. Com isso, recorrem aos pais que, preocupados, procuram profissionais ligados à área de saúde, que, pelo mesmo motivo dos professores, que muitas vezes, não conseguem equacionar as dificuldades das crianças. Na maioria dos casos, começa aí o árduo caminho da família, até que tenha uma orientação adequada. Antes disso, a criança poderá ser rotulada por pais e professores como “preguiçosa”, “burra”, “desligada” e “desinteressada”. No caso da comerciante Rita Souza foi diferente. Seu filho Bráulio, na época com nove meses, apresentava dificuldades aparentemente não normais, como engatinhar para trás e sentar com as perninhas para trás. Tinha uma carência muito grande e muita dificuldade para aprender a falar, pois trocava as letras. “Ele demorou muito a nomear objetos, tinha dificuldades de equilíbrio e medo para realizar algumas ações, como atender telefone, por exemplo”. Aos oito anos, começou a criar uma nova linguagem para se comunicar. “Quando ele

queria palmito, por exemplo, dizia “quero o ‘treco-treco’ branco”, e eu demorava muito para compreendê-lo”, lembra. Para a sorte do garoto, a escola percebeu os problemas que Bráulio enfrentava e indicou uma psicopedagoga para auxiliar no tratamento. “Toda semana ele fazia o acompanhamento e lá usava computadores e jogos. Isso ajudou demais na melhora dele”, afirma Rita. Segundo ela, “o tratamento durou até o ano passado. Hoje ele está com 17 anos e tem uma vida normal. Sempre pro-

curei incentivá-lo da melhor forma possível em todos os aspectos e isso foi muito importante. Buscar o tratamento foi a melhor coisa que eu fiz!”. Hoje, Bráulio explica que levar o tratamento a sério foi muito importante em sua vida. “No início foi meio difícil, chato, mas depois fui me acostumando e vendo os resultados. Tive vontade de desistir, mas agora eu vejo os benefícios. Hoje levo uma vida normal e aconselho às pessoas a nunca desistirem”, afirma.


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Como diagnosticar o problema A dislexia possui três graus: leve – só percebido na fase adulta -, médio e severo, que, por resultarem em dificuldades de aprendizado, se tornam evidentes já na fase de alfabetização. A ABD - única entidade no país a executar o diagnóstico multidisciplinar do distúrbio - constatou entre seus atendidos que os graus médio e severo são os mais comuns nas crianças em fase de alfabetização. Além disso, ela afeta mais os meninos, numa proporção de três para cada menina. A fonoaudióloga Lina Cláudia Lopes explica que a dislexia deve ser diagnosticada por uma equipe multidisciplinar, composta por psicopedagogos, fonoaudiólogos, neurologistas, etc. Essa avaliação dá condições de um acompanhamento mais efetivo das dificuldades após o diagnóstico, direcionando-o às particularidades de cada indivíduo, levando a resultados mais concretos. “Como a dislexia é genética e hereditária, no caso de haver casos na família, quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, melhor para os pais, a escola e a própria criança”, explica Lina. Por ser um distúrbio e não uma doença, a dislexia não tem cura. Mas, felizmente, existem

tratamentos que amenizam os sintomas e buscam estimular a capacidade do cérebro de relacionar as letras aos sons que representam e, posteriormente, ao significado que as palavras formam. Além das indicações do pediatra da criança, os pais podem procurar ajuda em entidades sérias que se dedicam ao estudo e ao tratamento do transtorno, como a Associação Brasileira de Dislexia (www.abd.org.br). Entre os prejuízos de um adulto disléxico, estão as dificuldades para ler e escrever, aprender matemática (discalculia) e uma segunda língua, nomear objetos e pessoas (disnomia), distinguir direita e esquerda, se equilibrar e se organizar. Os aspectos afetivos e emocionais também podem ser prejudicados, trazendo como conseqüência a depressão, ansiedade, baixa auto-estima e, algumas vezes, abuso de drogas e álcool. A maioria da população desconhece a dislexia, pois ela ainda é pouco explorada pela mídia e pelo meio educacional. Na opinião da fonoaudióloga Lina Cláudia, “para haver uma melhoria na educação do país, deveriam ser implantada nas escolas uma equipe multidisciplinar para diagnosticar, o mais cedo possível, os casos de dislexia e iniciar o tratamento o quanto antes”.

5 Abril de 2007


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Classificação Indicativa: Um tema que tem dividido opiniões no Brasil Aquino Cavalher, Diego Freitas, Danilo Rodrigues e Marco Antônio de Barros - 5° período Um garoto de 10 anos senta-se no sofá para assistir à TV com seus pais. Na grade da programação noturna, estão previstos um noticiário diário, que aborda os principais acontecimentos do mundo – o que inclui notícias de tragédias e violência -; uma novela, que destaca em algumas cenas um certo erotismo, e um filme de ação, que toma como base a necessidade de matar para sobreviver. A pergunta é: ao que esse garoto deveria assistir e como controlar a programação inadequada para que ele não tenha acesso a ela? É por este e outros motivos que foi criada a classificação indicativa, que determina a faixa etária para a qual os programas são recomendados. O tema é polêmico e tem dividido opiniões no Brasil. Elaborada há 17 anos, com base nos modelos adotados em países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, a classificação tem o objetivo de proteger crianças e adolescentes de conteúdos inadequados para suas idades, além de contribuir para a educação dos jovens. Só que, apesar de prevista na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a classificação ainda não vem sendo utilizada. Muitos programas não exibem a faixa etária de

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restrição, o que deveria acontecer durante cinco segundos após o início da atração e, em sua metade, com tradução na Linguagem Brasileira de Sinais, para facilitar sua identificação. A partir do dia 12 de maio, no entanto, a padronização será obrigatória, conforme prevê a Portaria n° 264/07, de 12/ 02/07. Da programação sujeita a esta norma, estão excluídos os telejornais, as atrações esportivas, os momentos eleitorais, os vídeos publicitários e as transmissões ao vivo. Os programas, porém, não terão mais que se submeter à análise prévia do Ministério Justiça, e caberá aos próprios exibidores a responsabilidade de indicação da classificação. O horário de proteção à criança e ao adolescente vai das 6 às 20 horas, quando são exibidos novelas, jornais e reallity shows. Emissoras que não respeitarem a classificação poderão ser denunciadas ao Ministério Público por agentes da Justiça, mas também - e principalmente - por qualquer cidadão que se sinta agredido. Um dos fatores que mais desagradaram às emissoras de TV foi a obrigação do respeito aos fusos horários brasileiros. Isso porque, com a prática de rede nacional e durante o horário de verão, um programa transmitido, às 21 horas, no Sudeste, acaba sendo exibido no Acre, às 18 horas, por exemplo. O respeito aos fusos horários já é adotado em países como os Estados Unidos.

Constituinte, no final dos anos 80, tendo a prioridade de pôr fim a qualquer possibilidade de regresso da censura. O texto constitucional, previsto no artigo 21, inciso XVI, determina: “um dos aspectos centrais da regulamentação dos conteúdos audiovisuais deve ser de um sistema de classificação para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e televisão, cabendo à União exercer esta atividade”. Essa norma foi regulamentada no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), em seus artigos 74, 75 e 76, com o objetivo de evitar a exibição de programas não recomendáveis ao público infanto-juvenil em horários acessíveis. Depois da publicação da portaria, de 12/2/07, no Diário Oficial, a Rede Globo de Televisão começou a exibir, em seus intervalos comerciais, uma vinheta na qual uma criança tem os olhos vendados por várias mãos, e, logo após, segue-se a narração: “Ninguém melhor que os pais para saber o que os seus filhos devem assistir”. Em contrapartida, a Music Television (MTV), canal por assinatura, colocou no ar uma espécie de vinheta-resposta, com a seguinte mensagem: “As empresas de comunicação são as maiores responsáveis pelo que exibem”.

Dos ícones padronizados pelo Ministério da Justiça, um dos maiores geradores de dúvidas e discussões é o de cor branca, denominado “Programa Especialmente Recomendado para Crianças Opiniões e Expectativas e Adolescentes”. Segundo o Ministério, tal A classificação indicativa no Brasil classificação deve ser adotada para atrações foi criada em Assembléia Nacional que tragam informações úteis às crianças. O

selo, no entanto, já foi acusado de dirigismo cultural. “Durante as consultas públicas, pais pediram que fossem indicadas atrações de qualidade. O selo de Programa Especialmente Recomendado se baseia em garantias e direitos consagrados pela Constituição Federal. Ou seja, se há dirigismo, é da Constituição”, defende o diretor do Departamento de Justiça e Classificação do Ministério, José Eduardo Romão, responsável pela implantação na nova Classificação Indicativa. O Presidente do Conselho Tutelar de Ervália, Zulmar Diniz Pereira, diz que, com o atual crescimento de novas tecnologias, como a Internet, não basta apenas classificar a TV ou o Rádio. Ele sugere que deveria ser criada “uma classificação indicativa também para a internet, pois uma criança ou adolescente acessa um site proibido na hora em que quiser, se a rede não tiver restrições - o que a maioria das residências não tem”. A discussão, porém, não acaba aqui; ela prossegue por outros aspectos. O maior deles refere-se à pergunta: será que as emissoras estão capacitadas para definir o que é ou não apropriado para determinada idade? Vale lembrar que os programas sem restrição também são questionáveis: as transmissões esportivas, muitas vezes, terminam em brigas de torcidas, e os desenhos animados quase sempre retratam a luta do bem contra o mal sob imposição da força.


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Plano de Desenvolvimento da Educação Governo pretende ampliar o financiamento estudantil Junior Santos 3° períiodo Os estudantes universitários vão ter maior prazo para pagamento do financiamento estudantil. Pelo menos é o que prevê o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), apresentado, em março, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. A principal medida relacionada ao ensino superior diz respeito à ampliação do financiamento, que poderá chegar a 100% da mensalidade. O pagamento será feito por consignação em folha, quando o jovem já estiver formado e trabalhando. O PDE pretende, ainda, estimular as instituições, como a FAMINAS, a conceder mais bolsas. Atualmente, a Faculdade conta com cerca de 450 alunos beneficiados pelo Financiamento Estudantil (FIES), do governo federal. Outra medida diz respeito à liberação de recursos adicionais para as universidades federais que se comprometerem a melhorar alguns aspectos da educação, como a relação entre alunos e professores. Apesar de propor mudanças no ensino superior, a principal beneficiada pelo PDE é a educação básica. Entre algumas medidas contidas no plano estão: elaboração de uma Prova Brasil para crianças de seis a oito anos, para avaliar a alfabetização; realização de uma Olimpíada de Língua Portuguesa,

como a de Matemática; criação de piso salarial nacional para o magistério; investimento na formação continuada de professores, fazendo com que todos estejam filiados a uma universidade em projeto contínuo de avaliação; universalização dos laboratórios de informática, com criação do Proinfo rural; eletrificação das escolas públicas; produção de conteúdo digital multimídia, estabelecimento do programa Caminho da Escola, para melhoria do transporte escolar e ações de educação no campo. De acordo com o governo, estão previstos R$ 8 bilhões em investimentos até 2010, para viabilizar o PDE – R$1 bilhão em seu primeiro ano, apenas no programa de metas. Uma parte desses recursos para 2007 – cerca de R$ 600 milhões - já está garantida. O restante está ainda em negociação com a equipe econômica, mas com o apoio do presidente Lula.

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Maria Antonieta O resgate de uma personalidade polêmica Aliris Fintelman e Aquin Cavalher 5° período Maria Antónia de HabsburgoLorena sai do imaginário dos livros escolares para as telas do cinema, interpretada pela atriz americana Kirsten Dunst. A personagem Maria Antonieta, como é popularmente conhecida, destacou-se na corte francesa por sua beleza e excentricidade. Arquiduquesa da Áustria e rainha consorte da França, era uma jovem de pele branca, cabelos louros e olhos azuis. Sua imagem ambígua vai de afirmações sobre arrogância até o conceito de mártir. Sua vida e história chamaram a atenção da cineasta Sofia Coppola, que assina a direção, o roteiro e a produção do filme. Não é a primeira vez que produtores de Hollywood, ou até mesmo das “terras tupiniquins”, realizam filmes sobre personagens históricos. A cada ano, surgem produções como “Alexandre – O Grande” e “Cleópatra” ou “Mauá – O imperador e o Rei”, que mostram a realidade dos períodos em que viveram. Segundo a professora de História da Faminas Luciene Muglia, “o resgate de temas históricos é muito importante, porque permite que as pessoas os entendam”. Contudo, pondera sobre a necessidade de “haver certos cuidados com cenas que não retratam, de fato, uma época, para que não se tenha uma idéia errada daquela que o filme quer passar”. Segundo ela, isso ocorreu no filme sobre o Barão de Mauá, que teve alguns anacronismos, como a postura da personagem May, interpretada por Malu Mader, que não retratou a conduta autêntica das mu-

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lheres da época. “Era moderna para o contexto do Segundo Império brasileiro”. A procura pela fidelidade histórica requer pesquisas em livros e biografias e consultas minuciosas para o resultado se aproximar do real, o que envolve altos investimentos. O filme Maria Antonieta custou cerca de U$$ 40 milhões e foi rodado no Palácio de Versailles, incluindo filmagens no Salão de Bailes, após autorização do governo francês à diretora. Foram usados, inclusive, quartos proibidos à visita normal do público. O cuidado com o figurino, cujo corte de roupas foi historicamente fiel ao usado na corte francesa do século 18, rendeu ao filme o Oscar 2007 na categoria. Sofia Coppola teve como base para o roteiro a biografia pouco conhecida de autoria da escritora inglesa Antonia Fraser. Embora a versão mais famosa seja a do escritor Stefan Zweig, Sofia optou pela anterior, por ser, na opinião dela, uma descrição mais humana da rainha – uma garota que se encontra no lugar errado na hora errada. Lançado, em 2006, nos Estados Unidos, Japão e França, o filme chegou aos cinemas brasileiros no começo de março e logo estará nas locadoras. No seu elenco estão Jason Schwartzman (Luís XVI), Rip Torn (Rei Luís XV), Judy Davis (Condessa de Noailles) e Asia Argento (Madame du Barry).

Opção Fatal Rogério Coelho – 7º período O ser humano faz escolhas a todo momento. Existem as opções sadias, felizes e as maléficas, infelizes. Dentre estas últimas, a utilização das drogas de qualquer matiz tem sido a campeã das causas de infortúnio e desaires. Existem as drogas não liberadas e as permitidas. O fumo e o álcool fazem parte das “legalmente” liberadas e socialmente aceitas. Não poucas vezes a bebida alcoólica começa a ser experimentada dentro do próprio lar, em goles aparentemente inocentes, dados por pais, mães, tios, que têm esse hábito. Os comerciais são pródigos em mostrar pessoas famosas deliciando-se com a “inocente” cervejinha. Alguns “bondosamente” aconselham: “se beber, não dirija!” Há devaneios em nossa sociedade. O vício é propagado sem rodeios. Queremos paz e educação. No entanto, abrimos campo à violência. Cerca de 70% dos laudos de mortes violentas constatam a presença do álcool. No trânsito, estima-se que 65% dos acidentes são provocados por ele. Sem falar que é a terceira maior causa de faltas ao trabalho e compromete 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Mais: 54% dos acidentes de trabalho são causados por trabalhadores alcoolizados; 40% dos suicídios são em função do abuso do álcool. Ele também é responsável por 52% das agressões dentro do lar e 90% das internações em hospitais psiquiátricos. Lares dizimados, empregos desperdiçados, oportunidades atiradas ao vento... Há que se olhar as nossas crianças; há que se incentivar comportamentos equilibrados e coerentes. Lamentavelmente, fechamos os

olhos para questões relevantes e que interferem decisivamente em nossas vidas. Entre os jovens brasileiros, o álcool é a droga mais consumida e uma das que mais desequilibram a “máquina física”. O cérebro é extremamente afetado, a região do córtex pré-frontal - responsável pelas nossas faculdades intelectuais, como o raciocínio é uma das que mais sofrem com seu efeito nefasto. E não pára por aí: o álcool afeta o sangue, fígado, músculos, sistema digestivo, além de contribuir para a impotência sexual. Por ser socialmente aceito, conta com a simpatia de muitas pessoas. Toma-se um pouco para comemorar festas de aniversário; toma-se um pouco porque o time de futebol foi campeão; toma-se um pouco por estar alegre; toma-se um pouco para se desinibir... Pessoas que fogem dos problemas costumam se aconchegar nos braços aparentemente doces da bebida alcoólica. Porém, quando se deparam com a realidade nua e crua, vêem o quanto estão envolvidos pelo vício. Aí, sintonizados que estão com o álcool, percebem o quão difícil é desvencilhar-se dele, porque o alcoolismo é uma doença que se caracteriza pela dependência física e psicológica. Diante de tudo isso, o que levou e leva pessoas a se envenenarem com o álcool e outras drogas, que trazem alucinação, criando um mundo irreal, onde, ao se acordar, resta apenas a ressaca física e moral? Será desgosto da vida? Medo das provações? Prazer em estar grogue? Talvez sejam todos esses fatores juntos. Contudo, cedo ou tarde, a realidade bate à porta e convoca essa pessoa a rever conceitos. Alcoolismo e drogas não fazem parte do ABC da boa qualidade de vida!


FalaMinas  

Jornal Laboratório - Faminas

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