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Março de 2018

DA CRUZ DA AREIA

NOTÍCIAS Edição nº 181

A CAMINHO DA PÁSCOA...

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arece que o Natal foi ontem e já nos encontramos a preparar a Festa da Páscoa. O tempo corre veloz e, se não estivermos atentos, nem nos damos conta das propostas e desafios que a Liturgia e a Igreja nos propõem. Estamos a preparar a Festa mais importante para qualquer cristão: Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. A Festa da Páscoa. É menos difícil contemplar a Paixão e Morte. São realidades que nos acompanham no espaço e tempo que nos é dado viver. Mas, e a Ressurreição? Mais difícil porque, nesta realidade espácio-temporal em que vivemos, não conseguimos explicar, de forma racional, o que está para lá do espaço e do tempo. Queremos respostas racionais ao “como” e não as conseguimos encontrar. É aqui que entra a Fé que não se explica mas que se vive. Se Ele disse, porque acredito n’Ele, confio que é verdade. Como diz S. Paulo: se Cristo não ressuscitou é vã a nossa Fé e somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas, Ele ressuscitou e nós somos testemunhas disso. Sendo a Festa principal da nossa vida como cristãos, somos convidados a prepará-la. Para isso, a Igreja propõe-nos um tempo a

que chama Quaresma. Um tempo para o silêncio, para nos abstrairmos do ruído permanente em que vivemos e nos encontrarmos connosco próprios. Parece que precisamos de barulho para nos sentirmos vivos. Neste tempo, a Igreja propõe-nos: calma, desliga a TV, olha para ti e confronta-te sobre o sentido da tua vida e o que queres que ela seja. Um tempo para nos encontrarmos com Ele, para escutarmos a Sua Palavra, para tentarmos perceber se as nossas opções e atitudes estão de acordo com a proposta que Ele nos faz. Sempre com a certeza de que o que quer que seja que Ele nos propõe é o melhor para nós e para a nossa Felicidade. Um tempo para nos encontrarmos com os outros, sobretudo com aqueles que vivem “à margem” tentando perceber as suas necessidades físicas e existenciais e fazendo-nos próximos à semelhança do samaritano de que nos fala a Palavra de Deus. Vivemos este tempo de Quaresma e Páscoa em Jubileu, celebrando o centenário da restauração da nossa Diocese. Sendo a Quaresma tempo de silêncio, também pode ser oportunidade para eu me interrogar: como é que eu me sinto membro desta Igre-

ja que quer ser sinal da Presença de Cristo Ressuscitado na sociedade em que eu vivo? Que faço eu para que a minha paróquia ou o grupo a que pertenço seja sinal de vida e esperança para os outros? Será que me limito a criticar como tantos outros ou arregaço as mangas e vou à luta? Vamos celebrar a Páscoa. Cantemos Aleluias, vençamos a dor, ornemo-nos de Festa, vistamo-nos de Alegria porque vai chegar o dia em que vence o Amor! Boa Quaresma! Feliz e Santa Páscoa para todos! A.B.

Nesta edição: Mensagem do Bispo

Programa Semana Santa

Servir


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Editorial: Acompanhar Jesus

Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco antes de padecer!”: É com estas palavras que, no relato de Lucas, Jesus inicia a última ceia. Ao dizer isto, Ele está a associar os seus discípulos ao caminho de paixão, morte e ressurreição que está a empreender. Já no Jardim das Oliveiras, quando os que O vinham prender se aproximavam, dirigiu-se aos discípulos com um expressivo “vamos!” (cf. Mc 14,42), convidando-os assim a participarem no mistério da Sua entrega. Nestes dias, em que nos aproximamos da celebração da Páscoa, também a nós se dirige o mesmo convite a participar no Seu caminho. Para chegar à glória da ressurreição, para a qual Deus nos criou, necessita-

mos de percorrer a via do amor, a via da paixão, a via sacra. A chave para sermos verdadeiramente Seus discípulos e para que a Igreja que formamos seja rosto autêntico de Cristo para os homens do nosso tempo, passa por percorrer esse caminho que Ele percorreu até ao calvário. Corremos sempre o risco de vivermos as celebrações pascais como espetadores que admiram, à distância e sem se envolverem, uma peça de teatro, cujo fim até já se sabe. Nesse caso, chegaremos ao dia de Páscoa, provavelmente sem os verdadeiros frutos de uma vida nova, de um amor renovado, de uma nova capacidade para viver em comunhão com Deus e de criar fraternidade. A vida ‘cristã’ continuará... mas com poucos sinais de autentici-

dade evangélica e sem o ardor de contagiar Jesus Cristo. Para que tal não aconteça e para que sigamos o convite de Jesus a envolvermo-nos vivencialmente, a nossa comunidade tem uma série de propostas que, se bem aproveitadas, nos poderão com certeza ajudar a chegar à experiência da ressurreição. A primeira será já no próximo fim-de-semana: em comunhão com toda a Diocese, em pleno ano jubilar, peregrinamos a Fátima, pondo-nos assim, de novo, nas mãos de Maria. No dia 26 de março, será a a oportunidade de concluir o Retiro Popular em comunidade e celebrar o sacramento da Reconciliação (confissão), para entrarmos em paz com Deus nos dias do Tríduo Pascal. Ainda antes, no dia seguinte, a

24, poderemos participar num momento muito especial, que terá lugar na Sé de Leiria e que nos ajudará a viver toda a Semana Santa, que nesse dia começa: será um extraordinário concerto, em que escutaremos a Paixão de Nosso Senhor segundo São João. Esta será uma ocasião única que muito contribuirá para a vivência espiritual dos dias centrais da nossa fé. Já o tríduo pascal, de quinta-feira santa a domingo de Páscoa, será marcado pelas celebrações próprias de cada dia. Como é importante participar nelas para viver o que elas significam! Com toda esta riqueza, será mais fácil podermos responder ao convite de Jesus e viver com Ele a Sua morte, para alcançarmos a Sua Vida nova! Pe. Gonçalo Diniz

Mensagem do nosso Bispo para a Quaresma (resumo)

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atada de 9 de fevereiro, a mensagem de D. António Marto para a Quaresma de 2018 intitula-se «Igreja em caminho rumo ao fogo da Páscoa» e começa por dizer que este período não são 40 dias de tristeza e de austeridade. «Ao contrário, é uma bela ocasião para um renascimento espiritual, pessoal, familiar e social. Em verdade, não nos põe fora do mundo. Antes, mergulha-nos no coração do mundo para que estejamos aí presentes à maneira de Jesus Cristo», continua. Alerta depois para o vírus do resfriamento do amor nos corações e nas relações. «Nas páginas dos jornais e nos écrans da televisão, é-nos mostrada até à saciedade a difusão da iniquidade sob as mais variadas formas de violência, de injustiça, de pobreza imerecida, de desonestidade e corrupção, de solidão. São sintomas de um vazio espiritual, de uma mentalidade de indiferença em relação a Deus e ao outro». O nosso bispo convida-nos, diante deste cenário, a fazer um exame de consciência. «Se porventura detetamos em nós e ao nosso redor os sinais aludidos, a Quares-

ma oferece-nos “o remédio doce da oração, da esmola e do jejum” para a nossa cura», como já refere o Papa Francisco na sua mensagem para a mesma ocasião. «A oração mais intensa ajuda-nos a descobrir a nossa verdade e “as mentiras secretas com que nos enganamos a nós mesmos” e a abrir-nos ao fogo do amor que Deus acende nos corações (…). O jejum não está fora de moda. Numa sociedade de consumismo devorador não é mera questão de se privar de carne ou de comida, mas estilo de vida sóbrio (…). Por fim, a esmola é hoje entendida como partilha do que somos e do que temos com os irmãos necessitados, sem esperar contrapartida». Nesse sentido, o bispo informa que a coleta da renúncia quaresmal deste ano na Diocese será destinada, através da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, aos cristãos perseguidos no Iraque e no Paquistão, onde vivem em condições das maiores carências. «Demos testemunho corajoso de generosidade! E apoiemo-los também com a nossa incessante oração». Por fim, convida-nos para a Peregrinação Diocesana a Fátima, que ocorrerá a 18 de

março. «Em consonância com a celebração do Centenário da restauração da Diocese, peregrinaremos sob o lema “A alegria de ser Igreja em caminho com Maria”, nossa Padroeira sob a invocação de Nossa Senhora de Fátima.(…) Será um momento particular de graça na companhia da Mãe da Igreja».


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Programa Semana Santa 2018 Segunda-Feira, 26

21h00

Encerramento do Retiro Popular e Celebração da Reconciliação

Quinta-Feira, 29

11h00 21h00

QUINTA-FEIRA SANTA Celebração da Missa Crismal, na Sé Celebração da Ceia do Senhor, seguida de Adoração Eucarística

Sexta-Feira, 30

09h00 18h00 21h30

Sábado, 31 Domingo, 01

SEXTA-FEIRA SANTA Laudes e Ofício de Leituras, na Sé Celebração da Paixão e Morte de Jesus – Ofertório para os Lugares Santos Via-sacra pelas ruas da cidade (início no Convento de S. Francisco)

09h00 22h00

SÁBADO SANTO Laudes e Ofício de Leituras, na Sé Celebração da Vigília Pascal

11H30

Eucaristia

DOMINGO DA RESSURREIÇÃO

CANTINHO DA PADROREIRA

L

i recentemente um pequeno artigo sobre a Rainha Santa, a que o autor dava o seguinte título: “Santa Isabel de Portugal, contemplativa, penitente, pacificadora e de mãos abertas aos pobres”. O título é, na verdade, uma boa síntese da sua biografia, apontandonos os quatro grandes vetores da sua espiritualidade: a oração, a penitência, a paz, a caridade. E porque estamos na Quaresma, tempo litúrgico que nos convida à penitência, não deixemos de atender a esse

aspeto particular, que ela tomou tão a sério na sua vida espiritual. Claro que não vamos copiar à letra os seus gestos penitenciais. Como Camões disse: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e ninguém é como cada qual. Mas abracemos, isso sim, a sua atitude permanente de conversão, de penitência, diariamente necessária a quem quiser ser discípulo de Cristo. Na nossa vida, temos sempre necessidade de conversão. Todos os dias! Pois nunca estamos suficientemente orientados para Deus. É esse o sentido do rito das cinzas com que iniciámos a Quaresma e que nos foi lembrado nas palavras do oficiante: “convertei-vos e acreditai no Evangelho”. Há sempre tantos falsos valores que, subtilmente, atraem o nosso egoísmo e contra os quais temos de lutar. Era com humildade e visível relutância

que Dª. Isabel cingia a sua cabeça com a coroa de rainha, sempre que, por dever de ofício, a isso era obrigada. Com efeito, na multiplicidade das imagens que a representam existe uma muito antiga, talvez ainda do século XIV, desenhada em pergaminho, na qual ela aparece vestida com o hábito de Santa Clara, com uma coroa de espinhos na cabeça, um crucifixo na mão direita e por baixo esta legenda em latim: “Crux et spinea Domini mei sceptrum et corona mea” (o meu cetro e a minha coroa são a Cruz e os espinhos do meu Senhor). E, arrumados junto a seus pés, como em gesto de desprezo, vê-se um cetro e uma coroa real. Na expetativa da alegria pascal, uma santa Quaresma para todos! Ambrósio Ferreira


março

AGENDA

16

Reunião do Grupo de Jovens

17

Reunião do Grupo de Acólitos Atividade exterior de adolescentes Missa animada pela catequese Festa da Cruz e da Vida (8º ano) DOMINGO V DA QUARESMA

18

PEREGRINAÇÃO DIOCESANA A FÁTIMA SOLENIDADE DE S. JOSÉ

19

Dia do Pai

SERVIR

Servir. É essa a divisa do caminheiro. Contudo, antes de caminheiros, somos escuteiros e, como tal, procuramos deixar um mundo um pouco melhor do que aquele que encontrámos. Os caminheiros do Agrupamento 776 – Cruz da Areia decidiram pôr em práticas estas máximas e entregaram-se a um projeto de serviço na época de Carnaval, durante 3 dias (16, 17 e 18 de fevereiro), em Santa Comba Dão. Uma das nossas tribos ficou numa das aldeias afetadas pelos incêndios deste verão, Cagido, onde ajudaram a limpar destroços de casas que arderam, de primeira e segunda habitação. A outra tribo foi para outra aldeia, Eigido, onde prestou algum apoio a um Agrupamento local, pela continuação de um projeto já existente: o apoio aos idosos. Não

só os ajudaram com tarefas diárias como tentaram levar um pouco de juventude e alegria. Esta atividade serviu como ponto de partida (ou teste experimental) do Projeto de Clã, que os caminheiros estão a preparar para o ano 2019. Consiste em fazer serviço em diferentes países por um meio de transporte acessível, o comboio. O objetivo é deixar a nossa marca e transmitir essa mesma ideia de que todos nós podemos ajudar o próximo, seja em grandes ou pequenas coisas, e independentemente do sítio onde se está. Nesta atividade fomos recebidos de maneira carinhosa e calorosa. Como retorno deste projeto, é apenas isto que se pretende. Vamos para servir. CNE776

20

Escola Diocesana Razões da Esperança

23

Reunião da Eq. da Pastoral Familiar Reunião do Grupo de Jovens

25

DOMINGO DE RAMOS

26

Encerramento do Retiro Popular e Celebração da Reconciliação

27

Visita aos doentes

29

QUINTA-FEIRA SANTA

30

SEXTA-FEIRA SANTA Ofertório para os Lugares Santos

31 abril

SÁBADO SANTO

1

DOMINGO DE PÁSCOA

4

Reflexão e convívio para doentes e idosos

5

Adoração eucarística

6

Reunião do Grupo de Jovens

8

DOMINGO II DA PÁSCOA Coleta do Contributo Paroquial Distribuição do Jornal Paroquial Baptismos

TEMOS NOVO CONSELHO ECONÓMICO

Consulte a agenta para todo o ano em www.paroquiadacruzdaareia.pt

Horários: Sítio: www.paroquiadacruzdaareia.pt e-mail: igrejacruzareia@gmail.com Telefone: 244832666 Notícias da Cruz da Areia: Responsabilidade da comunidade cristã da Paróquia Santa Isabel de Portugal. Sede: Rua Titto Larcher Cruz da Areia, 2410-062 Leiria. Redação: Padre Gonçalo Teixeira Diniz, Ambrósio Ferreira, Catequese da Cruz da Areia, Grupo de Jovens da Cruz da Areia. Paginação e Impressão: Cartório Paroquial. Tiragem: 230 exemplares

Eucaristia Dominical - 11h30 Ferial (Quinta-feira) - 21h00 Atendimento de Cartório Quinta-feira: 16h00 às 18h30 Aconselhamento espiritual Último Sábado de cada mês: 10h às 11h

Notícias da Cruz da Areia Março 2018  

Jornal Notícias da Cruz da Areia de Março de 2018

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